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Monday, 3 de September de 2012 - 12:52Dica do dia, F-1, Imprensa

DICA DO DIA

SÃO PAULO (saber mudar) – Recomendo firmemente (chique, falar assim) a entrevista de Pedro Paulo Diniz a Paulo Lima, da “Trip”, publicada em maio — com enorme atraso, pois. Está aqui, nas “páginas negras” da revista.

Pedro é um cara que sumiu da mídia e das pistas. A explicação está na nova vida que resolveu levar, no mato, entre as galinhas e as vacas, cuidando de uma fazenda de produtos orgânicos no interior de São Paulo. E para combinar com as páginas negras, uma foto lá embaixo do carro negro da Arrows de 1998, um dos mais bonitos do final do século passado.

Pedro sempre foi vítima de certo preconceito por parte dos torcedores brasileiros. Aquela coisa de menino rico, piloto pagante. Como se fosse só ele…

Mas posso dar meu testemunho daquela época. Diniz era um dos caras mais respeitados do grid entre seus pares, pela seriedade, dedicação, esforço. Fazia pouquíssimas bobagens na pista e era um exemplo de profissionalismo. E fez alguns ótimos resultados em seus seis anos e 98 GPs de F-1 pela Forti, Ligier, Arrows e Sauber. Tivesse corrido numa época como a de hoje, em que os dez primeiros marcam pontos, teria chegado 26 vezes na zona de pontuação. Não é um dado desabonador. Tem dois quintos lugares (Nürburgring e Spa) e seis sextos como melhores posições, o que lhe dá apenas dez pontos nas estatísticas. Mas, hoje, a coisa seria diferente.

Pedro também foi sócio de Alain Prost numa equipe, algo que deu muito errado, e tem no currículo a organização, muito boa, da F-Renault brasileira por cinco anos, a partir de 2002. Fez mais pelo automobilismo brasileiro do que muita gente mais graúda.

Hoje vive no campo, tranquilo e sereno. Montou uma escola para seus filhos estudarem junto com os colonos. É outro homem. Vale muito a leitura.

42 comentários

  1. Pedro Araújo says:

    Achei legal a observação dele sobre o custo dos alimentos orgânicos. Tenho muito receio de que no futuro tenhamos duas classes de alimentos: os orgânicos caríssimos (porque produzidos “artesanalmente”) para os bem ricos e os transgênicos baratos (porque produzidos em massa e sinteticamente adaptados aos agrotóxicos) para a população em geral.

    O fato é que o PPD sabe o que está fazendo, ao contrário do que alguns aí comentaram (“que isso é só mais uma viagem de filhinho de papai”).

  2. Silvio says:

    Sem desmerecer o cara, mas depois de ter comido muita mulher, bebendo e comendo do melhor, chega uma hora que enjoa mesmo. Não vejo nada demais. A gente acaba procurando outra coisa, e não quer dizer que esta outra coisa seja melhor ou pior que a anterior, apenas procurando algo diferente.

    É a mesma situação de um cara que se drogou durante 20 anos da vida e depois vira pastor evangélico. É lógico, ele enjoou e não foi deus que ajudou.

  3. Flavio Bragatto says:

    Os carros Arrows eram muito bonitos mesmo. Este preto aí eu não gostava da pintura, mas o carro em sí, é bonito.

    Eu gostava do desenho do capacete dele, com aquelas3 pontas de seta apontando para a frente

  4. Antonio says:

    acho que ele tomou alguma droga orgânica e ficou zen….

  5. Carlone Papa says:

    É o cara fazendo “sua propria história”, e à sua maneira.
    Nelsinho é outro exemplo.
    Serve para todos, vindos de onde vieram.
    Belíssima matéria e post.

  6. Casino says:

    A preta é bonita, mas gosto mais da Arrows anterior, a de 97, com pintura branca e azul, mesmos patrocinadores, e que quase venceu o GP da Hungria com Hill.

    Quanto ao Diniz, ele mesmo reconhece que não tinha grande talento natural. Sua carreira foi muito ruim até chegar à F-1, e só chegou pela grana mesmo. Pela falta de resultados anteriores, podemos dizer que sua performance na categoria máxima foi bem melhor que a encomenda. Ninguém esperava nada dele mesmo, e até que ele conseguiu fazer seus pontinhos. Melhor que a maioria dos pilotos puramente pagantes como ele. Longe de ser o pior piloto brasileiro na F-1 de todos os tempos, como alguns poderiam acreditar, só porque ele vivia na capa da revista Caras. Aliás, ele poderia ter virado comentarista da Globo, pois logo depois que parou ele andou comentando uma ou outra corrida como convidado e falava muito bem. Talvez por querer sumir da mídia ele não tenha aceitado ficar em definitivo (se é que houve um convite assim), e a Globo mais tarde trouxe o Burti.

  7. brunno says:

    Fala sério. Essa historia de “viver na fazenda”, ser o “eco-man” parece mais uma piadinha…
    O cara é podre de rico, bilionário e até hoje não sabe direito o que quer… Já foi piloto de F1, playboy amigo do príncipe e agora é fazendeiro. Ou seja, teve tudo e tanto, que se abusou! Abusou do luxo, do dinheiro, de mulheres gostosas… Tdo que é “demais” nessa vida, é sobra!
    Bom, são poucos que tem a oportunidade de viver e “provar” dos prazeres da vida como teve esse cidadão. Pra um cara viver tudo isso em uma vida só, basta ter mta grana!! hahaha
    Achei legal a entrevista, mas não me impressiona em nada.
    E não estou criticando, só achei vazio demais.

  8. John McClane says:

    Sempre curti o Pedro Paulo Diniz, como pessoa e piloto. Essa entrevista me fez admirá-lo mais ainda.

  9. Caique. says:

    Até que enfim alguém falou a verdade: Ele, o Christian, Gulgelmim, Alex, Wilsinho, Boesel; se contarmos os resultados até o 10º lugar; muitos Zé Ruelas, que só falam besteiras e acham que um 9º lugar é sinônimo de algo espetacular, ficariam de boca aberta…o INGO margou pontos com o 2º Fitti )(tanto o FD 03, quanto com o FD 04)…hoje o Galvão e tropa têm orgasmos com um 8º lugar, principalmente se for do Bruno…

  10. O Pedro piloto que conheci me deixou a melhor das impressões. Dedicado, profissional, disciplinado. Entrevistei-o algums vezes, sempre objetivo e cordial. Gostei de saber dessa nova vida dele. Faltou-me a chance de editar uma edição da Motorsport Brasil com a capa dedicada a ele. Aliás, já estava até sendo preparada.

  11. Eric says:

    Lembro direitinho ele chegando no kartodromo para treinar…o pai com uma Mercedes 300 E zerada, em 1990…. Meu pai ate comentava que um cara com aquela grana, sem nenhum tipo de segurança etc….depois veio aquele sequestro de merda….

  12. Thiago Soares says:

    Esse carro era lindão!

  13. Tailor Jr. says:

    Li a entrevista e achei ninja a mudança de vida e conceitos.

  14. Marcel says:

    Esse Arrows A19 era lindo mesmo… assistia as corridas esperando pra ver esse carro… pena que ele nao era muito visado pelas cameras…

  15. Luc Monteiro says:

    Falei uma única vez com o Pedro Paulo, que pelo sobrenome deve ser meu primo. Foi numa ocasião em que trabalhei pra ele sem ninguém ter me contratado, casos desses que acontecem na vida. Mas em duas ou três frases que teve de trocar comigo, passou uma primeira impressão que ficou: um cara prático, sem meios-termos, e de astral pra cima. Aquele lance de energia positiva que os esotéricos pregam, sabe?

  16. Antonio Tigre says:

    Eu chamava ele de Pedro “Pago” Diniz.
    É problema ter muita grana e também é problema não ter grana, prefiro administrar o primeiro.

  17. Antonio says:

    Li a entrevista e achei excelente. Parabéns ao Pedro Paulo, fico muito feliz por ele ter encontrado o caminho dele fora das pistas.

  18. João Paulo says:

    Vi essa entrevista esse fim de semana. Acho que só disponibilizaram na Internet recentemente, porque começou a pipocar links pra ela em vários lugares. De qualquer forma, também curti demais. Eu era um dos que achava que ele era um playboyzinho brincando de carrinho. Mas ele mandou muito bem na entrevista. Espero que tenha sucesso com os orgânicos.

  19. says:

    Li semana passada quando colocaram o link aqui. Sensacional.

  20. Marcelo says:

    Conheci o Pedro Paulo Diniz na época em que eu trabalhava com o Luiz Trinci na Dragão Racing, de Formula Renault. Eu o vi muito pouco, geralmente em reunião das equipes, e mesmo assim eu não fui à muitas ( minha função na não exigia isso ). Mas nas poucas vezes que presenciei essas reuniões pude ver o quanto ele é profissional e prático. Tinha boas ideias e enquanto esteve à frente da F-Renault os campeonatos tiveram muito sucesso, com bons públicos, grides cheios e competição organizada. De resto, de sua carreira na F1 como piloto ou sócio de equipe lembro pouco. É um talento na organização e administração do esporte automotor. O automobilismo, principalmente o brasileiro precisa de gente assim.

  21. Glauber says:

    Um cara que estreou no Brasil com uma equipe nova – Forti Corse – e ainda terminar a corrida realmente merece aplausos!
    Realmente era um bom piloto. Sem dúvida. Pena não ter tido chances melhores. E pena não ter dado certo a equipe Prost com ele.
    E realmente também este carro negro ter sido um dos mais bonitos em sua época. Pena também que não tinha um motor decente, era bom chassi.

  22. Ricardo says:

    Certeza que via chover comentários falando “pô, mas o cara é milionário. Assim é fácil”. Porém, o ponto da entrevista não é o quanto de dinheiro se tem ou não para fazer um projeto grande dar certo e sim o quanto o ser humano é resistente à mudança. Você mesmo pode promover a mudança que quiser em sua vida. E não é uma conta cheia de dinheiro que vai definir o quão boa essa mudança pode ser. O seu nível de desenvolvimento espiritual é que vai definir isso.

  23. hendrix says:

    legal, acho legal essas pessoas q podem fazer isso, gostaria tb de ter essa “coragem” ($$$$), porém duvido morar num lugar onde não tem um showzinho

  24. Piloto injustiçado. A meu ver fez muito mais do que a maioria dos, digamos, esquecidos… O que mais prezo nele é que nunca precisou choramingar nada e muito menos enganar ninguém. Foi lá e correu. Além do que, é um sujeito simpático.

    Abraço a todos.

  25. Gerson says:

    Na boa, que bom que ele está feliz, se encontrou sendo um fazendeiro…

    Mas foi mais um que graças á grana, ocupou o lugar de alguém que poderia ter mais talento, mas não conseguiu patrocínio para correr na F1. A impressão que dava, sempre deu, é que para ele a F1 era apenas um “hobby levado á sério”.

    Faltava “sangue nos olhos”. Barrichello, embora não tenha conquistado nenhum campeonato, é o último de uma sequência de pilotos brasileiros que disputavam e participavam da F1 com emoção, paixão, entrega total.

    O que veio depois, os pilotos brasileiros, são “bem nascidos” em família rica e “super-profissionais”…Falta paixão. E por isso, acabaram os grandes resultados, os pilotos brasileiros ficaram “profissionais” como os outros, os comuns. Excelentes para cálculos, estatísticas, números… e falta sensibilidade, instinto, gana de vencer que os campeões e diferenciados da história da F1 têm/tiveram de sobra.

    Os comuns não “sentem o carro”, apenas pilotam e leem planilhas de telemetria.

  26. Zeno says:

    já ia ler, depois disso então “Montou uma escola para seus filhos estudarem junto com os colonos”….. é dos meus.., só tem mais $$$

  27. Emerson Oliveira says:

    Belíssima entrevista da TRIP. É bom ver caras como PP Diniz numa boa e livre disso tudo que chamamos de vida. Que vidinha é essa que temos? Com trânsito e motoqueiros malucos, pressão o tempo todo! Boa Pedrão! Valeu pela dica Flávio. Quem sabe não começo aqui em casa uma plantação de cebolinha e alface e dou um pé na bunda do meu chefe… sem ironia. Abraços a todos.

  28. Assim é mole brincar de sítio não é não?

  29. Ricardo Sarmento says:

    Imagino a pressão que ele sofreu. Filho de um cara milionário, que tem a fama de durão e exigente (isso não é uma critica), nascido num país onde ter dinheiro é um pecado (muitas vezes por inveja daqueles que querem a sua posição) e onde os compatriotas são os primeiros a te apedrejar quando você fracassa. É, não é fácil ser forte para se manter imune a tudo isso.

  30. Peter Losch says:

    Gosto de gente que some e vai viver no mato. Ainda mais pessoas como ele.

    Ganhou 1.000 pontos no meu conceito.

    Também gostaria de sumir e ir viver no mato…

  31. Leandro says:

    Flávio, olha só a coincidência…

    O Angry Birds tem um torneio semanal no Facebook. O tema dessa semana é… A LOTUS.
    Os 60 melhores ganham vários prêmios. Desde macacões até cds.
    Será que a cacetada do Grosjean foi um viral? Uma pitadinha marqueteira?

  32. Fabio Spardeloto says:

    Foi um bom piloto sim.

  33. David Felix says:

    Pow o cara num ia inventar a roda ou vencer 90 corridas mas era muuuitooooo melhor que uma boa parcelo do grid que vemos hoje…

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