PAULISTA, 750

SÃO PAULO (como assim?) – Em 1984, finalzinho do ano, um professor da faculdade me pediu para encontrá-lo no dia seguinte no endereço tal porque tinha um amigo que estava voltando de Londres para coordenar um projeto de rádio em São Paulo. Ele queria conversar comigo e me indicar para o emprego — que acabou sendo meu primeiro trabalho jornalístico remunerado.

Foi nesse prédio da foto aí embaixo. Que tem, portanto, mais de 30 anos. Mas está longe de ser uma ruína. O prédio onde eu moro foi erguido em 1970. O do meu escritório, inaugurado em 1976. Prédios duram bastante. Na época, o edifício pertencia ao Senac (ou Sesc, ou Senai, ou desses) e meu professor trabalhava lá. Talvez ainda pertença, quase certeza que sim. Mas o fato é que ele está há anos, cinco, seis, talvez mais, talvez menos, vazio. Em plena avenida Paulista, no número 750. Parece que foi usado pela última vez pela Justiça. Escritórios de desembargadores, algo assim. Depois que eles se mandaram para outros sítios da metrópole, esse aí foi abandonado.

Quem olha de fora, não percebe. Tem seguranças, a fachada não está pichada, parece que está em plena atividade. Mas, ao anoitecer, suas janelas escuras e sombrias expõem o abandono.

Como pode? Será que alguém paga IPTU dessa belezura aí? Faz sentido um edifício de quase 20 andares ser largado no coração da avenida mais cara da cidade?

Mundo doido.

abandonedpred

Subscribe
Notify of
guest

43 Comentários
Newest
Oldest Most Voted
Inline Feedbacks
View all comments
Silvia Rodrigues
Silvia Rodrigues
10 anos atrás

Boa tarde, alguém sabe quem é o responsável pelo prédio?
ele ainda está a venda?
me passem o contato por favor!!!

Rogério
Rogério
Reply to  Silvia Rodrigues
10 anos atrás

Tenho o contato a respeito deste edifício.
Havendo interesse, entre em contato através do meu e-mail: [email protected]

jair cremonin
jair cremonin
10 anos atrás

Daria um baita e um belo dum presidio….

Reginaldo Tadeu de Assis
Reginaldo Tadeu de Assis
10 anos atrás

Este prédio era da Administração do Senai – Edif. Teodoro de Nigris creio eu. O Departamento de Compras era lá e eu ia quase toda semana nele nos idos da década de 80, depois mudaram a administração para um prédio no Cambuci na Praça Alberto Lion. Bons tempos …

Schmidt
Schmidt
10 anos atrás

O prédio, de fato, abrigou os gabinete dos desembargadores durante alguns anos. Divisórias de madeira. De minha sala, contígua a um dos banheiros (nem sempre utilizável) conheci (por ouvir, fique claro) praticamente toda a intimidade das faxineiras que ali faziam hora. E quando uma voz potente resolvia falar ao telefone, em outra sala? Concentração impossível. Bem melhor no antigo Hilton, centro velho (maravilhoso), com salas espartanas, porém funcionais (das ditas suítes restaram lavatórios, equipados com pia e vasos sanitários, um por sala – os gabinetes são compostos por três). O único barulho que incomoda é o do pisar de saltos altos no chão. E, às vezes, o “cinema Copan” tira a concentração…

Saana Koolhas
Saana Koolhas
10 anos atrás

O arquiteto que projetou essa monstruosidade deveria ser preso.

sandro
sandro
Reply to  Saana Koolhas
10 anos atrás

Sabe quem foi Rino Levi?

Saana Koolhas
Saana Koolhas
Reply to  sandro
10 anos atrás

Mais um dos trocentos Zé-Ninguéns bajulados só aqui no Brasil? Porque tirando Paulo Mendes da Rocha e Oscar Niemeyer, o resto é só… o resto!

Lucas S.A.
Lucas S.A.
Reply to  Saana Koolhas
10 anos atrás

Desculpa ai, mas nao e nao. Da um google que voce vai ver o projeto do cara pra Brasilia. Esse sim devia ter ganho.

sandro
sandro
Reply to  Lucas S.A.
10 anos atrás

É por conta de gente assim que a cultura desse pais é como é?

Palhaco
Palhaco
Reply to  Lucas S.A.
10 anos atrás

Bem melhor do que o projeto de Lúcio Costa e Oscar Niemeyer. Brasília hoje é uma cidade inviável e símbolo de corrupção em grande parte por culpa deles e de JK.

Lucas S.A.
Lucas S.A.
Reply to  Palhaco
10 anos atrás

O que iniviabiliza Brasilia nao e a sua planificacao, e a maneira como isso e gerido. Grande parcela da populacao defende o tombamento da cidade inteira (o que na minha opiniao, e errado), e areas tombadas sao sempre complicadas de administrar no que diz respeito a obras de infra-estrutura, zoneamento e construcao de moradias e comercio. Em cima disso, obviamente entra a corrupcao, mas Niemeyer e Lucio Costa nao tiveram culpa nisso (JK muito provavelmente teve, afinal foi ele que escolheu o vencedor, e todo mundo sabe o porque). De qualquer forma, o projeto do Rino e muito mais sensacional e futurista, apesar de que muito mais dificil de aplicar, e portanto com mais brecha pra se roubar dinheiro (mais desculpas para tal, entendeu?).

Pritzker da Silva
Pritzker da Silva
10 anos atrás

Bicho feioso. Deveriam botá-la na chón! Aliás, a paulista, assim como todo o centro de São Paulo, é um compêndio de prédios feios. Salvam-se raras exceções.

Dirceu Almeida
Dirceu Almeida
10 anos atrás

Flavio, este prédio era do Senai e foi projetado pelo Rino Levi Arq. Associados em 1972. Pelo que sei, foi comprado por alguma empresa e está em processo de reforma e “modernização”. Parece que irá ganhar uma fachada metálica.

Lucas S.A.
Lucas S.A.
10 anos atrás

Faz todo o sentido. São Paulo é um lixo de cidade, a Detroit brasileira. Deviam todos abandoná-la.

Lucas Caiuby
Lucas Caiuby
10 anos atrás

Flavio, creio que em breve mais edifícios da Paulista estarão na mesma situação. Isso porque ela não é mais a menina dos olhos da cidade.
As grandes corporações/empresas/governo agora querem estar no eixo da Marginal Pinheiros (Faria Lima / Funchal / Berrini / Chucri Zaidan).
Dessa forma, a tendência é que os edifícios da Paulista se esvaziem, como aconteceu com os do centro.
Em varias cidades europeias, o centro antigo continua pulsante, pois ali há gente morando, trabalhando e passeando. Em SP, não se reaproveita nada, nem prédios.

Tohmé
10 anos atrás

Tá a venda faz tempo. Unicomprador

Trensalão tucano
Trensalão tucano
10 anos atrás

Na “simpática” região da Avenida Luis Carlos Berrini tem muito prédio desocupado. Pura especulação imobiliária. Bem capaz de ser o caso desse aí, já que está tão bem cuidado e tem até segurança. São as “maravilhas” do capitalismo…

josé
josé
10 anos atrás

Trabalhei nesse prédio (chamado à época, pelo pessoal do TJ, de “Paulistão”) de 2.003 a 2.008 e tenho muito boas recordações dele e de trabalhar na Paulista. Era uma delícia, principalmente por poder ir trabalhar à pé (mora na Bela Vista). Lembro-me de que a renovação da locação esbarrou em problemas de manutenção de ar-condicionado. Acho que o proprietário quis fazer

josé
josé
Reply to  josé
10 anos atrás

(cont.) ‘jogo duro’ com o Tribunal e acabou se dando mal, com a desocupação, que já dura quase cinco anos. Coisas da vida …

Mello
Mello
10 anos atrás

Não faz nenhum sentido. Ainda mais numa cidade onde há tantos sem ter onde dormir.

Frederico A. Pereira
Frederico A. Pereira
10 anos atrás

Flávio e demais, tive o prazer de trabalhar neste prédio por 4 anos antes dele ser “abandonado” (trabalho no Tribunal de Justiça e hoje estamos no antigo Hotel Hilton, lá na Avenida Ipiranga) e posso confessar que na verdade sua utilidade é um tanto limitada. Apesar de parecer robusto pelo lado de fora, apresentava diversos problemas estruturais e sua arquitetura impede a locação por salas, no máximo por andar ou ele como um todo.
Este prédio ainda pertence ao SESC, que o alugou ao TJ no período de 1996 até 2009. Na sua fundação há uma séria infiltração e acúmulo de água, a ponto de num certo período terem recomendado a sua evacuação pelo comprometimento das fundações; Seus elevadores eram extremamente antiguados e provocavam acidentes diários (eu fui vítima de vários), não tendo o SESC em nenhum momento providenciado o conserto, não obstante a insistência do TJ.
A falha arquitetônica mais gritante deste prédio é, sem dúvida, o fato de que em cada andar haver apenas dois banheiros (um masculino e outro feminino), o que impede a divisão por salas; Num eventual aluguel o locatário teria que levar o andar inteiro, algo muito caro em se tratando de paulista. Na época do TJ deram um jeito de criar salas nos andares com divisórias de madeira (“ideal” para prevenção de incêndio, ainda mais um prédio cheio de processos de papel) e as transformaram em gabinetes (duas salas por gabinete de Desembargador); Ocorre que o problema dos banheiros ainda persistia, sendo constantes também os vazamentos e infiltrações (era comum ter que se deslocar até outro andar para usar o banheiro, fora os dias que não havia água). Bem, enfim, poderia aqui colocar uma lista infinita dos problemas deste prédio, como o ar-condicionado arcaico, garagens com acessos inadequados para os veículos atuais (só passam fuscas com conforto nas rampas) e outros mais.
Uma pena, pois vê-se que foi construído solidamente e está numa excelente localização, fato este que sinto falta até hoje (a região da República não tão boa assim para se trabalhar). Creio que o fim dele será a venda e uma eventual adaptação a outras atividades, o que demandará grande esforço $ do comprador; Demolição creio que seja uma missão árdua, pois ele é todo de concreto armado e a infiltração na sua fundação, diziam os engenheiros do TJ, era reversível com um pouco de boa vontade e $, algo que o proprietário nunca se preocupou muito.

Ps. A antena no teto, pelo menos até 2009, estava ativa e era usava pela Mix Tv e algumas rádios desse grupo. Vivíamos cruzando com o pessoal da manutenção, que ficava lá 24 horas. No 18º andar havia um restaurante para funcionários com vista panorâmica da Paulista e da Zona Sul; Muito gostoso.
Ps. 2: O TJ deixou este prédio e ressuscitou um cartão da cidade que estava abandonado: o antigo Hotel Hilton. Apesar de um alguns problemas comuns de um prédio com quase 50 anos, sua estrutura interna é muito melhor. Os antigos quartos foram adaptados em salas e mostraram-se muito mais adequados, se comparados com o antigo “Paulistão”, apelido carinhoso que dávamos ao Prédio retratado aqui na matéria.

Courbusier Pereira
Courbusier Pereira
Reply to  Frederico A. Pereira
10 anos atrás

Só no Brasil se usa essa porcaria de concreto armado. Além de feio, é todo mal construído e problemático. Imagino a feiúra que deve ser por dentro… A solução é mandar para o chão e construir um prédio mais moderno, como fazem nos outros países. Afinal não somos do Bric? Façamos como a China, a Russia, prédio com mais de 40 anos, pode derrubar e fazer um novo!

sandro
sandro
Reply to  Courbusier Pereira
10 anos atrás

O ignorante esta totalmente por fora das atuais técnicas construtivas. O concreto armado vem sendo usado nos mais modernos edifícios construído atualmente. Vai se informar um pouco antes de falar besteira e ficar usando o nome do Corbusier em vão.

Eduardo Britto
Eduardo Britto
Reply to  Frederico A. Pereira
10 anos atrás

Ótimo relato! Bem, imagino que os desembargadores estão adorando despachar das suítes do Hilton, sem dúvida muito mais confortável! rsrs. E quanto ao predião, vamos nomeá-lo o “São Vito da Paulista”?

Frederico Augusto Pereira
Frederico Augusto Pereira
Reply to  Frederico A. Pereira
10 anos atrás

O proprietário não é o Sesc como disse acima, mas sim o Senai. Havia uma placa na entrada com essa menção e não me recordava direito pois não chamava muito a atenção.

Eduardo_SC
Eduardo_SC
10 anos atrás

E por incrível que pareça, eram mais robustos pois a resistência do concreto era muito baixa e a dimensão dos pilares tinham de ser maiores para suportar a carga. E por mais incrível que pareça, se fossemos adotar o arrojo de outrora com a resistência estrutural de hoje, estaríamos projetando edifícios muito mais altos do que hoje. Mas parece que todo o arrojo do século passado foi trocado pelo excesso de trabalho e prazos exíguos. Por isso essa mesmice e falta de criatividade.

Marcelo
Marcelo
10 anos atrás

IPTU, segurança, manutenção (aparente pelo menos)… será que isso tudo não está sendo bancado por algum órgão público, com dinheiro público, em mais um dos muitos ralos por onde escorrem os tributos que pagamos? sei lá, não duvido, pois é difícil imaginar que alguém gastasse o seu próprio dinheiro pra manter um patrimônio parado assim… à não ser que fosse apenas para “valorizar” o local… bom, sei lá, tem coisas que a gente não consegue entender, e não deve tentar muito também…

Frederico A. Pereira
Frederico A. Pereira
Reply to  Marcelo
10 anos atrás

O TJ deixou de alugar no ano de 2009. Quem está bancando tudo atualmente é o SESC, se não me engano, se é o proprietário. Enfim, o que tenho certeza que o proprietário é algum órgão do sistema S, ou seja, SESC, SENAI, SESI e eles bancam todas as despesas do local desde esse ano.

Cosme Damião
Cosme Damião
Reply to  Frederico A. Pereira
10 anos atrás

E o sujeitinho lá ainda quer ser governador. Um verdadeiro perdulário, esse Skaf. Usa o sistema S como se fosse propriedade sua.

Felipe - Carros do Portuga
10 anos atrás

É…. não faz nenhum sentido

Luiz AG
Luiz AG
10 anos atrás

Fácil. As coisas estão muito caras. Estamos vivendo uma bolha de consumo. O prédio está a venda. Imagino por uma fortuna de valor surreal. Ninguém está disposto a pagar. Assim fica vazio.

Em frente a gazeta há um casarão que está para alugar ou vender a mais de 15 anos.

AS
AS
10 anos atrás

A av.Paulista tem coisas curiosas que daria um filme… como a estória do Banqueiro Safra que vendeu o espaço aéreo para que o prédio do Citibank ficasse bem visivel. (agencia do Banco Safra fica ao lado).

by the way… vc já viu esse site (http://retroformula1.com/)… belas camisetas.

Carlos
Carlos
10 anos atrás
João Paulo
João Paulo
10 anos atrás

No topo desse prédio, há uma enorme antena, que foi da finada TV Jovem Pan. Alguém está usando a antena? O que foi feito da TV Jovem Pan?

Honeymud
Honeymud
Reply to  João Paulo
10 anos atrás

Eu comprei, e vendi.

Alexandre Giesbrecht
10 anos atrás

Passo todos os dias na frente. Ontem, por puro acaso, parei e fiquei olhando para sua entrada, fiquei imaginando que derrubaram uma casa linda para construir esse monstrengo de concreto. Em um lugar onde construtoras babam para construir “empreendimentos comerciais”, esse aí, fechado, mas não abandonado, chega quase a destoar. O prédio da esquina com a Carlos Sampaio também parecia estar assim há não muito tempo, mas agora acho que está ocupado. No térreo, pelo menos, onde havia uma agência da Caixa, agora há um shopping de estandes. Não sei se os andares estão ocupados.

Fernando
Fernando
10 anos atrás

Que estranho, nunca tinha reparado, deve ter algum motivo maior. muitas empresas devem ter feitos propostas pra pelo menos usar algumas salas, um andar ou uns andares.

Senac é poderoso, teria uso pra um prédio enorme como ele.

laercio
laercio
10 anos atrás

putzzz….nem devia ter avisado que estava vazio….logo, logo os sem teto vão invadir e vai ficar iguais aos do centro da cidade, que alias esta um lixo, uma vergonha.

Genuino
Genuino
Reply to  laercio
10 anos atrás

tem que estatizar

Eduardo Britto
Eduardo Britto
10 anos atrás

Sim, por muitos anos foi um desafogo para o Tribunal de Justiça colocar seus desembargadores, até que ficasse pronto o novo prédio da r. Conde de Sarzedas. E uma parte deles foi para o antigo Hotel Hilton, na av. Ipiranga. O prédio colossal ficou micado. Imagine o custo de sua locação! Grande avenida Paulista! Por coincidência marquei uma reunião hoje no café da Livraria Cultura no Conjunto Nacional, mas aquilo estava um barulho só! Tinha até louco falando sozinho em uma das mesas! Aí decidimos continuar a reunião no Parque Mario Covas (nome cretino, devia ser Parque René Thiollier, que foi da turma dos modernistas e tinha a casa que gerou o parque), na esquina da Paulista com a Min. Rocha Azevedo. A reunião foi bem mais produtiva ali…

charles
charles
Reply to  Eduardo Britto
10 anos atrás

Puxa, que interessante!

Honeymud
Honeymud
Reply to  Eduardo Britto
10 anos atrás

Poxa, qual o problema de ir na livraria cultura, tomar um café e ficar falando sozinho? Faço isso todas as sextas de manhã.