MENU

domingo, 24 de agosto de 2014 - 10:35F-1

MOULES-FRITES (3)

moulesfrites003LONDRINA (no gás) – Vitória do Ricardão, segundo de Rosberguinho, novo pódio para Sapattos, bela prova de Kimi, tragédia para Hamilton. É um bom resumo do GP da Bélgica, que acabou de terminar (e escrevi durante a corrida, porque quem corre daqui a meia hora sou eu). Vamos aos fatos.

Começou com sol e com Alonso dando um susto, empacado antes da volta de apresentação. “A chave, esqueci a chave!”, gritava pelo rádio. “Onde está?”, perguntava o novo diretor Machu-Pichu. “Na mochila, no zíper pequeno!”. Os mecânicos deram um jeito, pegou no tranco e o espanhol foi para sua posição no grid. Só que, logo depois, tomou uma punição porque ficaram mexendo no carro além do tempo permitido antes de autorizada a volta de apresentação.

A largada foi curiosa: Rosberguinho patinou, Vettel passou por ele, Hamilton assumiu a ponta. Mas Tião exagerou na tentativa de passar o inglês e foi para a área de escape cheia de lombadas. Caiu para terceiro.

O lance da corrida aconteceu na segunda volta. Rosberguinho, já segundo, foi para a ultrapassagem sobre Hamilton. Colocou de lado. Lewis manteve a trajetória, Nico recolheu, mas houve um toque. A asa dianteira de Rosberg raspou no pneu traseiro esquerdo do Comandante Amilton. Pneu furou. Uma desgraça para o britânico, que depois dessa nunca mais olha na cara do companheiro.

Mas querem saber? Toque de corrida. Nada demais. Azar desgraçado de Lewis, que caiu para penúltimo, tendo de dar uma volta quase inteira com o pneu furado. Teria de se recuperar loucamente, já com pneus duros. Era impossível.

Na sétima volta, Vettel perdeu a segunda posição para Ricciardo, depois de uma espalhada incompreensível. Ricardão surpreendia, porque a Red Bull optou por andar quase sem asa em Spa, para compensar a falta de velocidade de reta — os motores Renault da F-1 são muito parecidos com o 1.2 do meu Twingo.

Rosberg estava com problemas lá na frente. Na nona volta, fez seu primeiro pit stop e trocou o bico, também. Voltou em 15°. Um pouco mais tarde um chumaço de serpentina, ou rabiola de papagaio, enroscou numa das antenas do carro de Nico. Oh dia, oh vida… Surgiu uma informação no Twitter de que podiam ser restos mortais do pneu furado de Hamilton. Só faltava. Mas não pude confirmar até o fechamento desta edição. Depois saberemos direito o que era.

Demoraram bastante para anunciar a punição a Alonso. Leve, diga-se, porque hoje pode-se pagar esse tipo de pênalti num pit stop convencional. O prejuízo poderia ser bem maior. Sua parada, com a punição, foi apenas 1s mais lenta que a de Rosberg, que teve de trocar o bico.

Ricardão e Raikkonen, após a primeira bateria de pit stops, eram os que mais se destacavam. O australiano, com os infortúnios e erros dos ponteiros, apareceu na liderança e foi ficando, com bons tempos de volta e uma pilotagem consistente. Kimi, que sempre anda bem em Spa, surgiu em segundo. Vettel era o terceiro, com Rosberg em quarto, meio atrapalhado para passar o rubrotaurino. Isso na altura na volta 15. Na 17ª, se atrapalhou tanto que Bottas veio e jantou o mercêdico. E partiu para cima de Sebastião.

Hamilton, coitado, se arrastava lá atrás sem chances de fazer muita coisa. Parou para trocar pneus de novo na volta 18 e retornou ao leito do circuito belga em 17°. Oh dia, oh vida. Na altura da volta 20 abriu-se a segunda janela de pit stops para aqueles que não tiveram problemas prematuros. Rosberguinho foi e colocou macios. A vitória, àquela altura, já era um sonho distante. Restava fazer o máximo de pontos que pudesse e torcer para o parceiro desafortunado continuar lá atrás. Depois de um incrível (e previsível) domínio em todos os treinos, a Mercedes entrou em “mode minimize the preju”.

Raikkonen parou e voltou em oitavo. Seguia na briga. Massa, sumido, parou pela segunda vez e a Williams informou que detritos prejudicavam a aerodinâmica de seu carro. Um pedaço de pneu ficou preso no assoalho. O carro foi lavado, polido e aspirado e Felipe voltou com um bom ritmo, mas já era tarde.

Bottas, segundo colocado, começou a ficar sem pneu. Nico, na dele, resolveu acelerar. O “minimize the preju” poderia resultar num pódio, o que estaria melhor que a encomenda depois de um bico trocado e da serpentina na antena. Se bobeasse, dependendo do ritmo de Ricardão, até uma vitória — esperada, mas mais difícil do que de costume. O australiano parou pela segunda vez e voltou em segundo. Sapattos assumiu a ponta. Por pouco tempo. Na volta 29, parou pela segunda vez. Voltou em sexto.

Volta 30, duas paradas para todo mundo, Ricardão tinha pouco mais de 3s de vantagem sobre Rosberg. Raikkonen vinha em terceiro, em sua melhor prova pela Ferrari no ano. Na 31ª, voando, Bottas jantou Vettel lá no alto da colina, depois da Radillon. Uma ultrapassagem de gente grande. A meta do finlandês passou a ser Kimi.

No fundão, Lewis estava abatido e fora de prumo. Parou pela terceira vez na volta 32. O carro pode ser bom, o piloto também, mas não tem milagre na F-1. Aquela volta inteira de pneu furado no início acabou com sua corrida.

A situação mudou pouco na frente, no que diz respeito a Ricciardo e Rosberg. Diferença estável na casa dos 3s, faltando dez voltas para o fim. Raikkonen se deparava com a perigosa aproximação de Bottas. A fase final da prova passou a ser uma questão de pneus. Quem tivesse borracha em melhores condições, levaria. Então, Nico arriscou: foi para uma terceira parada e colocou pneus macios. Voltou em quarto, a 22s de Ricardão. Teria nove voltas para voar baixo, passar quem estivesse pela frente e chegar no rubrotaurino. Este, por sua vez, tinha um ponto de interrogação na testa: será que esse cara chega?

Pode-se acusar a Mercedes de qualquer coisa, menos de falta de ousadia, neste caso. O segundo estava garantido, sem parada. O terceiro pit stop abria uma nova chance. Quem sabe?

Em uma volta, Rosberg passou Bottas e Kimi, reassumindo a segunda posição. Seu ritmo era de 3s mais rápido por volta que o australiano. Mas ninguém vira um monte de voltas 3s mais rápido que ninguém. O pneu, em algum momento, perderia rendimento. Enquanto isso, em 16°, Hamilton implorava para abandonar a prova, pelo rádio. Queria enfiar a cabeça dentro de um buraco. A equipe, sádica, dizia para ele ficar.

Na volta 39, a diferença de Ricciardo para Nico caíra para pouco mais de 15s. A briga mais interessante passou a ser pelo terceiro lugar. Kimi se segurava, com Bottas em seus calcanhares. Drama paralelo, o rádio pediu, finalmente, para Hamilton recolher. Oh dia, oh vida. Zero ponto, numa corrida relativamente fácil. A aposta de Lewis passou a ser, mais do que nunca, a pontuação dobrada de Abu Dhabi.

Voltando à pista, volta 40. Bottas passa Kimi e assume o terceiro lugar. Saía atrás de seu quarto pódio no ano. Três voltas para o fim, 9s3 era a vantagem de Ricciardo. Já era. Valeu a tentativa.

Fim de prova, Ricardão venceu pela terceira vez no ano, uma enorme façanha num campeonato que tem um time tão dominante, como é a Mercedes. E a segunda seguida, para quem não se lembra. Venceu na Hungria, pista de baixa, e agora Spa, de alta. Esse rapaz, olha… Rosberguinho terminou em segundo 3s3 atrás, com Bottas em terceiro e Kimi em quarto. Ainda deu tempo, nas últimas duas voltas, de um divertidíssimo pega do quinto ao oitavo, entre Magnussen, Alonso, Vettel e Button. No fim, depois de intensa troca de posições e xingamentos, chegaram Vettel, Magnussen, Button e Alonso. Mas os malas dos comissários da FIA puniram o pobre Magnólia com 20 segundos sendo acrescidos ao seu tempo total de corrida, e ele perdeu o sexto lugar. Acabou sendo classificado em 12°. Os dez primeiros, para não errar: Ricciardo, Rosberg, Bottas, Raikkonen, Vettel, Button, Alonso, Pérez, Kvyat e Hülkenberg.

A diferença na classificação entre Rosberg e Hamilton pulou para 29 pontos. O campeonato está aberto? Está. Uma corrida com vitória de Lewis e abandono do alemão, por exemplo, é o bastante para empatar a contenda. Mas a vantagem de Nico não é apenas numérica. Do ponto de vista emocional, ele é uma fortaleza diante do pudim que Hamilton tem se mostrado neste ano. E podem ter certeza: este GP segue nas próximas horas. O inglês vai soltar os cães, creio. Mas insisto: achei que o toque foi normalíssimo. Ninguém tentou tirar ninguém da corrida.

Mas vai dizer isso para Lewis…

206 comentários

  1. Alan Bezerra disse:

    A comparação de uma fortaleza com um pudim foi demais!

  2. rolney disse:

    O campeão mundial da mercedez é o Hamilton, o Rosberg ainda e coadjuvante! tá corrrendo “”atras” do seu título……

  3. rolney disse:

    O Rosberg está dando um banho de pilantragem, e o pior: é tão bom nisso, que nem confessando o que fez, consegue até convencer alguns que se dizem especialistas no assunto. Tá virando idolatria!

  4. O Ricardão Sorriso é o melhor piloto Coadjuvante da Temporada com o atrevimento de roubar a cena dos Protagonistas da Mercedes, mas o maior atrevimento é roubar a cena do Tretacampeão Vettel que é seu parceiro numa situação imaginável até para o Torcedor mais Experiente da F1.

  5. José Estevão disse:

    parece um monte de boot falando do Hamilton, e deve ser, que papo mais furado, isso de que não foi incidente de corrida, que foi barbeiragem.

  6. Ricardo Talarico disse:

    Parece que a F-1 inventa mil regras com a desculpa de criar ultrapassagens, só para poder puni-las.

  7. Paulo Pinto disse:

    O “Choronso” (reclamou do garoto à sua frente, fazendo – mais uma vez – jus ao apelido), já está descendo a ladeira. Levou pau até do companheiro (que até aqui, parecia um “cachorro morto”).

    A coisa está feia… não consegue passar um estreante.

    • Micromax disse:

      “Feia” a coisa está faz horas pro lado do alemãozinho da RBR. “Que pilotinho chinelo”

      Espero que não tenha esquecido do compromisso que firmamos……..no fim da temporada trate de cumprí-lo!!! Não de uma de Rosberg, olha lá ein!!!

      • Paulo Pinto disse:

        Se um tetra é chinelo, um tri é o quê? Pé descalço?

        Foi bom tocar no assunto, Segafredo. Estou me divertindo tanto com as “furadas” do espanhol, que esqueci o teor da aposta.
        Explique textualmente. Desde já, agradeço.

      • Micromax disse:

        No contexto os vice campeonato do Alonso dos últimos anos…….então apostei que, pra esta temporada, mesmo Alonso pilotando a carroça que aí está chegaria a frente de Vettel, Ou seja: Apostei que Vettel mesmo tendo o segundo melhor carro não seria vice…..trabalho que Alonso realizou brilhantemente desde 2010. Ao qual vc sugeriu que o perdedor, redigisse aqui mesmo no Blog, seu reconhecimento(retratação) em relação ao piloto que chegasse a frente, vencendo a aposta. Ou seja ainda: Vc terá de reconhecer a superioridade e competencia de Alonso com relação a Vettel, que mesmo com equipamento superior(novamente pelo 5 ano) não conseguirá o vice campeonato! Capicce?

      • Paulo Pinto disse:

        Explique melhor:

        A aposta é para quem ficar à frente no campeonato deste ano (Alonso x Vettel).

        Ou para quem “conquistar” o vice desta temporada (Alonso x Vettel).

      • Micromax disse:

        Vou te dar um mumuzinho, pois na real vc já teria perdido, porque o Vettel não chega mais no Ricardão pra ser o vice.(quando digo vice dou outra moleza porque temos dois pilotos brigando na mercedes, logo, pra ser vice o tedesco teria que vencer uma das Mercedes) “Vettel não chega á frente de Alonso no Campeonato, mesmo tendo o espanhol, uma carroça pra levar nas costas”!!!! E vc deixa de marra pra reconhecer o melhor piloto do grid dos últimos anos na F1 ok? Este foi o teor de nossa aposta.

      • Go HAM - hard as a motherf**ker! disse:

        Ahh, não foge dessa, Pinto… Mas Micromax, essa era moleza, eu teria apostado dinheiro.

      • Paulo Pinto disse:

        Entendi. Eu ganho a aposta se Vettel ficar à frente de Ricciardo no campeonato deste ano. Caso contrário, você ganha.

        A aposta está mantida.

  8. Tuta disse:

    O sorriso difícil do Bottas brilha mais que do Ricciardo, que é um sol.

  9. Lol disse:

    Três vitórias de um quase-novato, recém contratado pela equipe, e o piloto de autorama tetra-fake-campeão mal viu a cor do podium neste ano.

    Que surra, meu amigo, que surra…

  10. Renato disse:

    Complementando, essa coisa de punir hoje o que ontem era endeusado, já passou há muito tempo de todos os limites razoáveis. O cockpit que era lugar de macho agora é brinquedinho de moleque mimado, que não pode soltar um pum mais alto que é devidamente punido. O Box e as fábricas que eram lugares de apaixonados por gasolina e automobilismo agora são redutos de almofadinhas burocráticos fazendo cara de entendidos de dentro dos seus fones de ouvido gigantes. O regulamento parece escrito e aplicado por meia dúzia de peritos em segurança de jardim de infância. FDP´s todos eles, acabaram com um produto que era muito bom, botaram no lugar essa F1 do mimimi instituido, cada vez mais detestável.
    Que Rosberg seja campeão, merecido e urgente.

  11. Renato disse:

    Concordo em gênero, número e grau. TOQUE DE CORRIDA.

    muito mimimi, ahh, me bateu mimimi, me fechou mimimi, fez de propósito mimimi, vamos passar a dar ordens de equipe mimimi, é inadmissível mimimi, cacilda, quanto maria mole de mimimi, até a imprensa “especializada” tá de mimimi.

    Toque de corrida, Rosberg poderia (e na minha opinião deveria) manter sua linha pois tinha meio carro por dentro na próxima perna, mas o mimimi fechou pra cima dele e ele RECOLHEU, senão a batida seria na lateral e não no pneu traseiro.

  12. Tonho disse:

    Toque de corrida no Hamilton?! Discordo. Acredito sim que não houve maldade, intenção premeditada. Mas ele errou pela precipitação, perdeu o controle emocional e do freio naquela curva atingindo o azarado. Pergunto, você vê o Alonso fazendo essas coisas?! Pois é, ele errou.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>