MENU

Friday, 5 de December de 2014 - 18:49Indústria automobilística

INTERLAGOS ITALIANO?

viotti-motor-show-2014_3

SÃO PAULO (história estranha…) – Me mandaram um link da notícia no “Estadão”, mas está muito mal escrita. Diz lá que o carro era “conhecido na Europa como Renault Alpine A110”, e que “o modelo ficou famoso pelas conquistas em mundiais de rali sob o comando de pilotos como os irmãos Fittipaldi, Luis Pereira Bruno e Bird Clemente”.

Os irmãos Fittipaldi nunca correram no Mundial de Rali, muito menos Bird e Luizinho, que era Bueno, e não Bruno. Aí fui dar uma olhada em sites italianos e encontrei alguns textos que explicam direito a bagaça, embora este aqui também erre o nome de Luiz Pereira Bueno. Mas tem várias fotos, pelo menos.

Trata-se do seguinte. Está sendo apresentado no Motor Show de Bolonha uma releitura do Interlagos, carro feito pela Willys no Brasil nos anos 60 que não passava de uma versão nacional do Alpine A108, fabricado sob licença da Renault — a dona da marca. O A110 era a versão brava, essa sim muito bem-sucedida em ralis. Dizer que o Interlagos era conhecido na Europa como Alpine A110 é um pouco demais…

Mas não estou aqui para ser ombudsman de ninguém. O que me espantou nesse negócio é o uso da marca Willys, que nem era assim tão conhecida na Europa — exceto talvez por conta dos Jeeps que ocuparam o continente na Segunda Guerra.

Quem está à frente do projeto é uma fábrica chamada Automobili Maggiora, um desses “carrozieri” italianos que prestam serviços a várias montadoras — como Alfa Romeo, Lancia, Maserati, De Tomaso e muitas outras. Gente grande, designers e construtores de mão cheia, padrão Pininfarina, Bertone, essas coisas que nos encantam há décadas. A Maggiora se associou a outra empresa histórica, a Carrozzeria Viotti, para fazer o Viotti Willys AW380 Berlinetta, o carro em questão. Vai custar a bagatela de 380 mil euros e apenas 110 unidades serão fabricadas, de acordo com os planos apresentados em Bolonha. Aparentemente, a primeira unidade já foi vendida para um grupo russo.

Ficha técnica do brinquedo: motor boxer biturbo com 3.800 cm³, 6 cilindros e monumentais 610 cavalos de potência (tem cara de ser Porsche, mas o fabricante não revelou a origem do motor), capaz de levar o bicho de 0 a 100 km/h em 2s7; rodas de aro 19 na frente e 20 atrás; freios de carbono; 1.350 kg de peso total, carroceria de fibra de carbono; câmbio de seis marchas.

Normalmente essas coisas exageradas (no preço e no desempenho) morrem na unidade feita para o salão no qual é apresentado, como aqueles projetos de superesportivos que surgem aqui no Brasil de vez em quando. Achei estranho, por exemplo, o carro ser exposto com vidros escuros sem que nenhuma imagem do interior tenha sido divulgada — aqui tem fotos do salão. E será que vão aparecer 110 compradores dispostos a pagar 380 mil euros num carrinho desses? Dá 1,2 milhão de dilmas, grana de respeito. Em todo caso, é muito legal a lembrança do Interlagos. Claro que a origem do nosso pequeno esportivo é francesa, o Alpine, e mais correto seria fazer alguma referência a ele nessa releitura. Mas é provável que os italianos tenham encontrado alguma dificuldade para usar o nome, e por isso recorreram ao parente distante do Brasil.

Está valendo. E é lindo. No mínimo, uma homenagem a um carro que marcou época, aqui e lá.

25 comentários

  1. Daniel says:

    Queria um para mim… Ah se coubesse no bolso!
    Meu pai tinha um amarelinho, no início dos anos 70, quando meu irmãos eram pequenos. Vendeu meses antes de eu nascer, pois seria difícil levar 3 moleques (além da patroa), mesmo em tempos que cadeirinha para bebê era algo a ser inventado… Trocou por um fusca.

  2. CLayton Araujo says:

    Muito, muito bonito! Uma belezura!

  3. Sérgio Guerra says:

    Flávio, acho que você mesmo já postou sobre essa releitura da Renault (link abaixo). Gostei mais desse Willys Viotti.

    http://www.motorlegend.com/actualite-automobile/l-alpine-a110-50-dans-les-alpes/photo1,6924.html

  4. Jason Vôngoli says:

    Obviamente não puderam batizar de Alpine pois o nome pertence à Renault. Daí se saíram com essa de “Willys Interlagos”…

  5. Vitão says:

    dá para comprar um Aventador ou uma Berlinetta F-12 . Para contar essa história recombolesca toda , deve ter problema de propriedade intelectual. Vai servir par apegar dinheiro de algum bobo. Por anda John D. Lorean quando a máfia precisa dele ?

  6. fabiogp5 says:

    Lindo, lindo, lindo!. Em tempo, concordo com o Minoru.

  7. Seinfeld says:

    Juro que olhei e achei que era um Aston Martin…
    Ou uma CÓPIA do Aston Martin (aquele do último filme do James Bond).
    Não é um Aston Martin.
    Uma CÓPIA. E só.

  8. luiz alberto says:

    Infelizmente no momento a foto esta indisponível, mas gostei da potência mas não gostei do peso a nossa frugal berlinetinha pesa só 680 kg. Eu já ficaria contente com um Apine A 110 /50 ou com a releitura do A 110 Tour de France.

  9. guest says:

    Bem que a Renault poderia fazer algo parecido, usando motor Mercedes, a preços de “Toyobaru”, em vez de insistir no feio Megane RS.

  10. Alfredo says:

    O desenho é legal. Mas deve ter só a “casca” e 380.000 Euros por um “desconhecido”? Não vende. Com essa grana dá pra escolher entre um monte de “machina” com pedigree,
    Deve ser algum projeto daquele tal Mansur que ia comprar a Lotus e os caras estão esperando a mufunfa até hoje.
    Chuta que é macumba!!!

  11. says:

    FG, um cara me contou a história deste carro nas pistas e ruas do Brasil, afinal Mauro Salles o “intimou” a ficar na França, conhecer a linha de produção, ver como era a coisa e trazer para a Willys a planta de produção. Depois com o Greco fizeram acontecer. Luiz Pereira Bueno conta aqui https://www.youtube.com/watch?v=KffluA51yv4&list=UUiTz8dJN-19xYNYf3dpaxFg

  12. rogerV says:

    Que porrada de lindeza! Tenho problemas com Interlagos, Karmann Ghia e 911 (901) – que coisinhas mais classudas de marcantes!

  13. Luiz Filipe says:

    Na verdade está correto dizer que ele é uma releitura do A110, que possuía estes faróis de longo alcance embutidos no capo e a traseira com as sinaleiras horizontais e sem a grade. O A108, do qual derivou o interlagos, não possuía os faróis e na traseira as sinaleiras eram as do Dauphine (Gordini ou 1093) invertidas e com uma grade em quase toda a extensão.
    Tenho um A110 na minha estante.

  14. a Renault tem (ou já desistiu) de um projeto para o Alpine, acho que é por isso que foram atras do nome “Interlagos”

    https://www.youtube.com/watch?v=pzQBVRz_xqE

  15. MInoru says:

    Em minha opinião eu acho que a releitura foi muito mais feliz do que a feita do nosso Puma.

  16. mario says:

    O nosso carro era proletário ?

  17. Filipe says:

    Pode, e provavelmente vai, miar.

    Mas, deixando a realidade de lado, que coisa linda, rapaz.

  18. Conde says:

    Realmente ficou lindo . Uma bela homenagem . Ia vender bastante , hoje em dia .

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *