SO LONG, SEPANG (2)

S

mal173

RIO (quase pronto) – Olha, que acontece, acontece. Quem nunca teve um problema numa classificação com um carrão na mão? Sabendo que podia fazer a pole, e tal? Acontece.

Acontece, mas Vettel precisa tomar um passe. Porque acontecer nessa hora, uma corrida depois da tragédia de Singapura, é azar demais. Para piorar sua vida, toda hora que um raio cai sobre sua cabeça ilumina Hamilton.

O inglês vinha sofrendo com o Mercedão desde ontem, não acertava nada, e de repente o carro começa a andar. Claro que teve seu dedo, e dos engenheiros que resolveram desprezar novidades aerodinâmicas testadas sem sucesso na véspera. Bottas ficou com elas e o resultado foi um pífio quinto lugar no grid.

[bannergoogle]A Ferrari teria condições de brigar pela ponta do grid em Sepang. Raikkonen mostrou isso ao conseguir o segundo lugar. Sebastian iria beliscar algo ali, sem dúvida, o que lhe daria boas chances na corrida. Mas vai largar em último. No Q1, o motor deu sinais de perda de potência e nem tempo ele pôde marcar.

Partir em último na Malásia com um canhão não chega a ser um desastre completo quando as necessidades não são muito altas. OK, acontece, faz uma prova de paciência e tenta chegar ao menos perto do pódio. Minimiza os prejuízos, como se diz.

Só que para Vettel isso, hoje, não basta. Ele precisa chegar na frente de Hamilton. E, amanhã, só conseguirá se algo de muito excepcional acontecer.

Lewis, depois de sua 70ª pole na carreira, colocou-se mais uma vez em condições amplas de vencer. Se em Singapura isso não parecia ser possível, com tanta gente à sua frente no grid, agora é mais do que provável. E, lá, ele também ganhou — graças ao acidente múltiplo da largada com Vettel, Raikkonen, Verstappen e Alonso. Imagina agora, sem ninguém para atrapalhar.

[bannergoogle]O que pode contar a favor de Tião Italiano é a chuva prevista para o horário da corrida. Hamilton é bom na água, Verstappen também, o mesmo pode-se dizer de Ricciardo e mais um ou outro que estarão no caminho do alemão. Ele mesmo é ótimo no molhado. Mas chuva é chuva. Pode pegar alguém de surpresa, levar alguém ao muro, chamar o safety-car, mexer em estratégias. Se conseguir passar pelos imprevistos com alguma sorte, Sebastian pode chegar perto do rival.

Mas nada disso, reconheçamos, é presumível. Nessa altura, depois de duas infelicidades monumentais, Vettel precisa apenas respirar fundo e deixar que o destino faça sua parte, porque Hamilton já entrou no modo de segurança e não vai querer dar uma de herói. Ano passado, foi com uma quebra na Malásia que ele praticamente deu adeus ao título, permitindo que Rosberguinho fizesse a reta final do campeonato com o regulamento debaixo do braço. O que aconteceu hoje guarda enormes semelhanças com 2016, só que a vítima foi trocada.

No mais, a classificação de Sepang mostrou um excelente Ocon em sexto, uma promissora McLaren — quem diria, será que a Honda…, ah, deixa pra lá, senão Alonso se mata –, com Vandoorne fazendo sua melhor classificação e os dois no top-10, e uma Red Bull forte também no seco, que vai dificultar bastante a vida da Ferrari.

mal172

Pois é com esse cenrário que, na madrugada de amanhã, vamos nos despedir de Sepang. Será o 19º GP nas proximidades de Kuala Lumpur. E último. O que será feito desse autódromo, juro que não sei. A pista é usada por outras categorias, é verdade, mas muito esporadicamente. Pode ser que vire apenas um conjunto de ruínas, como deve ter acontecido na Índia, na Coreia do Sul e na Turquia.

Aliás, vou atrás de informações sobre esses circuitos abandonados. Gosto de coisas abandonadas.

Sobre o Autor

Flavio Gomes

Flavio Gomes é jornalista, mas gosta mesmo é de dirigir (e pilotar) carros antigos.

30 Comentários

  • E de quebra Raikonem sequer largou….. e para completar Stroll pode ter complicado a próxima corrida.

    Mas a corrida de hoje serviu pra 2 coisas:

    Ficou feio para o Bottas

    Ficou mais feio ainda para o Massa, que agora virou segundino na pista. E olha que para um cara que todos os especialistas diziam horrores dele.

  • Flávio, o promotor da pista soltou uma declaração de que não quer a Fórmula 1 “nem de graça”, isso é grave… Ele disse que mesmo zerando as taxas ainda haveria as despesas operacionais de abertura da pista que seriam altas demais pro interesse que gera no público, “de que adianta promoverá uma competição onde só um ou no máximo dois carros de 20 podem vencer”? Humm.. pra mim isso vai virar um efeito cascata, um monte de pistas vão cair fora, Interlagos será uma das primeiras.

  • Hamilton, está gozando da sorte dos campeões, alem de ser com certeza um dos mais rápidos em atividade. Na minha opinião ele supera Alonso e Vetel, pelo menos neste momento, em que alia talento em sua forma mais pura, com sorte, meios tecnicos no topo do topo e maturidade, Vai realmente ser muito difícil para o alemão. O único fator zebra, que pode equilibrar um pouco, é o garoto holandes e seu habito de querer ocupar o mesmo espaço que os outros. Se a largada for sem problemas, penso que o campeonato já tem nome e sobrenome. Falando em Williams, sem patriotada, mesmo com as qualidades de campeão já demonstradas alguem acredita que o Cubica seria uma opção melhor do que o Massa? Não estou pensando em questões comerciais ou de politica dos chefes de equipe, estou falando das possibilidades na pista. Assumindo que a Wiliams produza um carro que valha a pena para 2018. Tenho minhas dúvidas,

  • Foto emblemática: um laureado piloto da categoria máxima, impossibilitado de estar na pista, observa seus concorrentes em uma disputa pelo melhor lugar do grid.
    A expressão facial e os dedos cruzados falam por si.

  • Vettel mostrou ao mundo seu carater real neste ano, de garoto bonzinho artificial a um cara que bate em Hamilton no GP do Azerbaijão, Joga o carro pra cima de Verstappen no último GP de Singapura e diz que nada fez de errado, mas depois confessa que prensou Verstappen. Ganhou corridas dadas por Kimi de graça. Um garoto mimado que não merece os títulos que Adrian Newey lhe conferiu.

  • O favorito para vencer esta corrida sem dúvidas é Kimi Raikkonen. Hamilton não terá motivo algum para se arriscar na largada. O que aconteceu com Vettel na chuva de Singapura, pode acontecer com Hamilton em Sepang. Um segundo lugar para Lewis já seria um bom resultado tendo em vista que sem um abandono de algum concorrente das 3 equipes grandes, Vettel não conseguirá chegar no pódio. Até mesmo um terceiro lugar para Hamilton seria um resultado razoável.

    Depois disso, bastará ao Hamilton copiar Rosberg de 2016, e a missão estará concluída.

    E não se esqueçam do terceiro colocado do grid, ele é perigoso e gosta de tirar campeões da corrida na primeira volta. E terá uma primeira fila com dois campeões em sua frente.

  • Dos circuitos abandonados, o que mais faz falta é o da Turquia, sem dúvida. Único circuito que Massa é o maior vencedor (3 vitórias), traçado excepcional, palco de um dos enroscos entre Vettel e Webber, único “Tilkódromo” que deu certo. Uma pena não ter vingado e termos de aturar aquele traçado “pistola” de Abu Dhabi

  • Fudeu!
    Na Ferrari o macarrão grudou, o molho está meio ácido, o parmesão não é lá essas coisas… Vettel pediu pão para regar com azeite, trouxeram umas fatias de pão de forma… Resta se embebedar com um Chianti
    Porca miséria !!!

  • massa o maior macumbeiro do mundo depois de atrapalhar ele na disputa do titulo em 2008 e submeter ele a um reles coadjuvante nos anos de ferrari ao deixa a equipe jogou uma mandinga brava enterrou uma caveira de burro em algum lugar da espanha que el cagadon de urubu não ganha mais nada na vida

Por Flavio Gomes

Perfil


Flavio Gomes é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.” Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo”, revistas “Placar”, "Quatro Rodas Clássicos" e “ESPN”, rádios Cultura, USP, Jovem Pan, Bandeirantes, Eldorado-ESPN e Estadão ESPN — as duas últimas entre 2007 e 2012, quando a emissora foi extinta. Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil. Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o "Grande Prêmio" passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o "Esporte de Primeira" na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Em 2005, publicou “O Boto do Reno” pela editora LetraDelta. No final do mesmo ano, colocou este blog no ar. Desde 1992, escreve o anuário "AutoMotor Esporte", editado pelo global Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, "Dois cigarros", pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas "Gerd, der Trabi" (Gulliver, 2019). É torcedor da Portuguesa, daqueles de arquibancada, e quando fala de carros começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs e Volkswagens de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. É com eles que roda pelas ruas de São Paulo e do Rio, para onde se mudou em junho de 2017. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020.
ASSINE O RSS

Categorias

Arquivos

TAGS MAIS USADAS

Facebook

DIÁRIO DO BLOG

setembro 2017
D S T Q Q S S
 12
3456789
10111213141516
17181920212223
24252627282930