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Sunday, 11 de November de 2018 - 13:53F-1

NA CASA DO DÚ (9)

SÃO PAULO (sol com nuvens, 26°C) – Bom dia, macacada.

Aquela promessa descabida de ontem de lembrar todos os 30 GPs que cobri aqui no Brasil tende ao fracasso e ao abandono, já que me empolgo, começo a escrever sem parar e acabam saindo textões enormes, como o de ontem sobre a corrida de 1990.

Mas vou tentar ser bem sucinto, bem mesmo, nas memórias avulsas das provas seguintes. Começando com a histórica de 1991, primeira vitória de Ayrton Senna no Brasil.

1991calendarFoi a primeira e a mais emocionante, porque teve uma certa carga dramática e tal. Nas últimas sete voltas o brasileiro ficou apenas com uma marcha, mas como tinha uma enorme vantagem para Patrese acabou ganhando. Se a corrida tivesse mais uma volta, o italiano levaria.

Do que lembro? Bom, como era editor de Esportes da “Folha”, aquele era nosso grande evento do ano. Não podíamos perder nada, e a concorrência com os outros grandes jornais brasileiros era forte, quase doentia.

Senna, depois da corrida, foi para sua casa na zona norte, e tivemos problemas para mandar repórter e fotógrafo para lá, o que me deixou pistola da vida. Acho que não saímos na edição de segunda com foto dele em cima do muro acenando para os vizinhos e torcedores que foram até lá.

Lembro também que o Gugelmin, coitado, teve uma queimadura no warm up e não aguentou as dores na prova, tendo de abandonar depois de algumas voltas.

No autódromo, eu fui o “setorista” de Senna — fiquei atrás do cara o tempo todo. O “abre” — texto principal de uma cobertura que contém várias páginas e matérias — ficou a cargo do Mario Andrada e Silva, que já estava morando em Paris e era meu repórter exclusivo de F-1. Ele veio de lá para se juntar à nossa equipe em Interlagos.

Como de costume, Ayrton atribuiu a vitória a Deus. Teve ainda aquela presepada toda de não conseguir levantar o troféu Piazza no pódio. Achei meio forçado. Mas naqueles tempos, qualquer coisa que Senna fizesse dava ibope.

1991_Brasile_Ayrton_Senna

No pódio, Senna levanta o troféu: vitória com uma marcha só

1992calendarNo ano seguinte, ninguém esperava uma repetição a façanha da temporada anterior. A Williams tinha um carro tão espetacular, que qualquer vitória de outra equipe só seria possível em caso de quebras de Mansell e Patrese. Os dois haviam feito dobradinhas, nessa ordem, nas duas primeiras provas do ano, na África do Sul e no México. No Brasil não foi diferente.

Senna quebrou no início e ao final o resultado de Kyalami e do Hermanos Rodríguez se repetiu. Schumacher, o terceiro colocado, tomou uma volta da dupla da Williams. E Patrese chegou meio minuto atrás.

Na minha lembrança, foi um dos GPs do Brasil mais chatos de todos os tempos. Mansell, que não curtia muito correr por aqui, viva reclamando de calor, de ondulações, de quase tudo, acabou dando declarações de amor ao país e festejou sua vitória com uma bandeirinha dupla que fora feita por fiscais da corrida na véspera — já tinham combinado com ele de entregar ao final da prova, já que todo mundo sabia que ele ia ganhar.

92mansellbra

Mansell: vitória tranquila em 1992

Legais mesmo foram os dias anteriores, com a chegada da Andrea Moda, a dificuldade para montar um carro, as Kombis das oficinas nas redondezas indo vindo atrás de peças, e Moreno chegando aos boxes com a alavanca de câmbio na mão depois da primeira volta.

O carro não se classificou, claro. Foram apenas quatro voltas e lembro que o melhor tempo foi coisa de 15 ou 20 segundos pior que o último da pré-classificação.

E teve também o caos na McLaren, que trouxe seis carros para Interlagos, três do modelo novo, três do anterior. A equipe vinha levando surras seguidas da Williams “de outro planeta” — definição de Senna, que salvo engano usou a expressão pela primeira vez — e desenvolvia sua própria suspensão ativa, que nunca chegou aos pés do sistema da rival.

Andrea Moda e caos na McLaren, minhas lembranças de 1992. Depois continuamos.

17 comentários

  1. Gus says:

    “Série” muito legal, FG – por favor, continue com essas lembranças! Para quem gosta de corridas e história, é um baita regalo.

  2. Bola da Vez says:

    Senna sempre foi um tanto teatral. É o charminho usado por todas as estrelas.

  3. Ricardo Bigliazzi says:

    Ops… em 1993 a suspensão e a eletrônica da Mclarem rivalizavam aos da Williams, aquele carro com motor Renault seria campeão.

  4. Renato F1 says:

    Muito interessante esta série, Flavio Gomes. Acompanhei todos os “capítulos” até então. Fico ansioso pelos próximos capítulos. Não fará como alguns programas e deixará de produzir esta espetacular série, não deixará?

  5. lio campos says:

    Flavio também não achava Senna o ” MAIOR PILOTO DA ESTÓRIA DA FORMULA 1 ..sendo que NUNCA vai existir um melhor antes nem depois ..vai ser o MELHOR ETERNAMENTE Eu nunca achava isso..Eu conhecia Airton deste que tinha 18 anos e corria em Interlagos..de kart ..e já naquela época era difícil gostar dele por que GANHAVA TODAS ..não era na nossa categoria era bem abaixo .mas já prometia..e depois vei a carreira os 3 campeonatos e torcia lógico para Êle e gostava uns 50% dele Era muito mandão e arrogante as vez e isso me irritava ..ai veio a morte fiquei muito triste, chorei etc mas ai veio o sonho que Ele teve e falou com Deus e Jesus, evangélicos falam e perguntam TUDO se devem fazer ou não (hoje sou evangélico faz 5 anos ) e Deus disse : SE VOCÊ CORRER VOU DAR VOCÊ PARA VOCÊ MESMO.. Vc deve conhecer esta estória Senna não entendeu ,e correu e Deus deu A FAMA DE MELHOR DO MUNDO para Êle mesmo…Mas Eu não achava isso apesar que existe a votação anual entre Jornalistas da Europa da FIA etc etc todo fim do ano e perguntam QUEM É O MELHOR PILOTO DA FORMULA 1 ? resposta todo fim de ano AIRTON SENNA DA SILVA apesar de 5 titulos d e Fangio 4 de Prost & de Shumi 5 de Hamilton Piquet 3 sei lá um monte de piloto fez mais que Senna .mas Senna ganha todo fim do ano….mas Eu nunca endossei esta idéia ATÉÉÉÉÉ´ é por isso que estou escrevendo isso para Vc ..ATÈ assistir especial, Top Gear . Para quem não conhece, estou me referindo a um programa sobre carros que existe, exibido pela BBC2 na Inglaterra e pela BBC Internacional, e que tem segundo a Reuters, a impressionante audiência de 350 MILHÕES de pessoas em todo o mundo, isso é quase duas vezes a população do Brasil! e o apresentador Jeremy Clarkson, idealizou o Top Gear, é FAMOSO por dizer a verdade e fez um especial com Senna, começou dizendo .DIZEM POR AI QUE ESTE CARA FOI O MELHOR DO MUNDO…e fez uma cara de dúvida , nojo..tudo de ruim Você sabe Europeus não gostam dos talentos do Brasil acham que aqui só tem MACACOS….e começou o Programa..e os caras analisando a vida do Senna, pensei deve ser aqueles programas CHATOS mostrando as vitórias do Senna que não aguento mais vêr..e ia mudar..mas ai Jesus, falou ASSISTE ..eu falei não deve ser chato que droga geralmente os programas são super legal testando carros piadas etc ..hoje esta DROGA do Senna ..e pensei d enovo vou mudar não aguento mais assistir coisas do Senna e Jesus disse ASSISTE ..ai assisti ..gente o programa foi FANTÁSTICO SUPER TÉCNICO MOSTRA COISAS QUE NUNCA VI NA PISTA e no fim Jeremy…fala ..quer saber ? ??? O CARA É O MAIOR PILOTO DO MUNDO MESMO. e eu também me convenci, tenho que acabar esta acabando espaço..procurem na TV a cabo e pedem o Programa do Senna e assistem e julguem só falo uma coisa o que Deus, ORDENA é babata..acontece mesmo..Vc vê o Hamilton, o cara ganha ninguém liga rsrsr o cara pinta o Senna no capacete ..vai visitar túmulo do Senna ..ninguém liga..o Shumi o Vetel todos eles ninguém liga ..é DEUS DEU ÊE PARA ÊLE MESMO..deu a FAMA MELHOR DO MUNDO que era na época para Êle mesmo….abs e fiquem com Deus e Jesus

  6. alexandre says:

    O esforço para se montar o carro da Andrea Moda no Brasil dá idéia da proeza que foi classificar aquele carro em Mônaco pouco depois.

  7. Tom says:

    Cara do jeito que fala ,Senna era o maior canalha da F1?,era uma farsa e pior do que o Vettel.e se for pior do que o Vettel,então chegamos a conclusão que era um piloto de merda que dava sorte na chuva?

  8. fabiom says:

    FG exagera demais na implicância com Senna, fica muito forçado….

  9. Luiz Carlos Montenario says:

    Prezado Flávio,

    Acompanho bastante seu Blog e até já escrevi comentários outras vezes. Acho que você é o jornalista que melhor cobre F1 no Brasil. E, como sou apaixonado pelo esporte, dou muito valor a tudo que você escreve neste espaço, mesmo não concordando as vezes. Dito isso, pra mim, fica muito claro nos seus comentários sua antipatia ao Senna. Acredito que isso não condiz com o excelente jornalista que você é. Não sou defensor do Ayrton, é nem acho ele o melhor piloto que tivemos. Acho que o Piquet, por exemplo, foi um piloto mais completo. Mas seu desagrado en relação a ele fica evidente nos seus comentários. Se você se propusesse apenas a falar do piloto dentro da pista teria, com certeza, muitas histórias interessantes para os leitores. Mas essa implicância com o Senna especificamente, está se tornando um tanto chata para nós, leitores do seu Blog, que gostamos de suas opiniões e análises da categoria.

    Muito obrigado e fica a dica.

    • Flavio Gomes says:

      Nossa, que preguiça…

    • JP says:

      Fale por você, meu caro Luiz Carlos.

      Eu sou leitor e concordo com o Flavio quanto a questão do troféu, que ele comentou nesse post. E também sempre achei essa história de atribuir as vitórias a Deus (tanto dele como de qualquer outro atleta), um porre!

      Não é porque o Senna foi um excelente piloto que isso o fazia o ser humano perfeito, livre de críticas. Ele não foi e nunca será Deus. Qual o problema de alguém opinar de que ele era marketeiro pra caralho?

      Sem falar que se você acompanha bastante o blog, já sabe que é de se esperar que o Flavio escreva o que ele pensa, independentemente de agradar ou não quem o lê.

      Essa tentativa de tentar fazer com que todo mundo só puxe o saco do Senna, desde sempre, é que é chata pra caralho.

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