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domingo, 23 de junho de 2019 - 13:30F-1

PAULO & RICARDO (3): A PIOR DE TODAS

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Hamilton: vitória fácil em corrida horrível

RIO (salve, sol) – Não me lembro de ter visto corrida tão ruim na F-1 nos últimos tempos. E, triste dizer isso, Paul Ricard virou uma pista muito chata. A volta da França ao calendário, ano passado, foi celebrada — com razão, é um país importante, de tradição automobilística. Mas o circuito ficou tão artificial, não só pelo visual, que hoje acabei acometido de uma imensa saudade de Magny-Cours.

O que dizer dessa prova? Hamilton venceu depois de largar na pole e liderar todas as voltas. Só não encerrou o domingo com aquilo que se chama de Grand Chelem (olha, me desculpem; já pesquisei sobre a origem dessa expressão, mas esqueci de onde vem) porque Vettel fez a melhor volta depois de colocar pneus macios em seu carro para garantir o ponto extra. Ele estava em quinto, um ano à frente do sexto colocado, com tempo de sobra até para tomar uma dose de Ricard nos boxes.

E Lewis bem que tentou fazer barba, cabelo, bigode e depilação total com cera. Mostrando que tinha sobra em seu equipamento, foi dele a melhor volta da corrida na última das 53 do modorrento GP da França. Ao receber a quadriculada, apareceu o reloginho roxo ao lado de seu nome no gerador de caracteres da transmissão da TV. Sebastian, no entanto, com pneus fresquinhos e sem ninguém na frente, cruzaria a linha instantes depois baixando o tempo.

Pequeno consolo para a Ferrari, que conseguiu ir ao pódio com Lec-Lec em terceiro, colado em Sapattos, o segundão. Falando assim, pode-se passar a impressão de alguma emoção. Seria um exagero e uma mentira. Bottas correu o tempo todo sossegado e Charlinho só chegou mesmo na última volta. Valtteri tinha a situação totalmente sob controle. Ocorre que houve uma brevíssima intervenção do safety-car virtual para retirar um cone plástico da pista no final e quando foi autorizada a retomada do ritmo normal de corrida o finlandês estava dormindo no carro. Só por isso a Ferrari do monegasco se aproximou. “Fui pego de surpresa”, admitiu Bottas.

Praticamente não houve disputas numa corrida marcada pela estratégia-padrão de uma parada (o segundo pit stop de Vettel foi só para fazer a volta mais rápida) e realizada debaixo de sol e calor no sul da França. A largada foi altamente civilizada e, do primeiro ao quarto, cada um ficou onde estava. Para não dizer que não aconteceu nada, logo no início, a dupla da McLaren foi ultrapassada por Tião Italiano, que pulou de sétimo para quinto, e daí em diante pouca coisa relevante se passou.

À frente do alemão da Ferrari, Verstappinho foi-se distanciando e terminou em quarto, sem nunca ter ameaçado Leclerc. Atrás de Vettel chegou Sainz Jr., do time alaranjado, levando bons pontos para Woking. Ricardão, Raikkonen e Hülkenberg vieram a seguir e todos ganharam suas posições na última volta por conta dos problemas hidráulicos do outro carro da McLaren, de Lando Norris, que terminou se arrastando em décimo.

Lando ficou sem asa-móvel, direção hidráulica e engates precisos de marcha. Perdeu também o ar-condicionado e o wi-fi. O cabo USB escapou do acendedor. Um caos. Resistiu quanto pôde. A refrega da última volta foi bonita envolvendo ele, a dupla da Renault e Kimi. Limites da pista foram ignorados. Os comissários chamaram Ricciardo e Lando para a torre. Algumas horas depois de encerrada a corrida, a direção de prova deu duas punições ao australiano, que caiu de sétimo para 11º. Kimi, Hulk e Norris subiram uma posição cada e Gasly faturou o último ponto do dia, alçado à décima colocação.

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Público pequeno: Paul Ricard é um erro?

As arquibancadas de Paul Ricard, sensação que tive vendo as imagens da TV, não estavam cheias. O espetáculo foi fraquíssimo, e acredito que o pessoal da F-1 deve ter percebido. Tem que fazer alguma coisa, talquei?

A Mercedes e Hamilton, claro, festejaram. Foi a 50ª dobradinha da história do time, que só perde para as 83 da Ferrari nas estatísticas. Lewis chegou a 79 vitórias na carreira e ampliou sua vantagem na classificação para Bottas: 187 x 151. Vettel vem em terceiro com 111. É claro que o campeonato acabou.

Mas domingo que vem tem mais, na Áustria.

115 comentários

  1. Daniel disse:

    Flávio, você cometeu um erro no texto. O correto para “Tem que fazer alguma coisa, talquei?” é “Tem que ver isso aí, talquei?”.
    Te perdoamos, afinal é difícil acompanhar toda a riqueza verbal do alto escalão político atual.

  2. Flavio padilha disse:

    GRAND SLAM _ English…
    [sensacional; ser o maior sucesso; espetacular; tirar a sorte grande (inf.)]
    A expressão grand slam, que tem sua origem no bridge, é usada no tênis e no golfe para designar os quatro principais torneios profissionais dessas modalidades. Para receber o título do grand slam, o(a) golfista deve vencer as quatro competições. Para o(a) tenista, contudo, as vitórias devem ocorrer no mesmo ano.

    No beisebol, o grand slam é a jogada mais fabulosa que pode ocorrer em uma partida. Em um lance apenas, o rebatedor anota quatro pontos para a sua agremiação. O grand slam ocorre quando o atleta rebate a bola para fora do campo (home run) quando as três bases estão ocupadas por seus companheiros (bases loaded). Este atleta impulsiona seus três companheiros que completam o ciclo primeira base, segunda base, terceira base e home plate, anotando, cada um, um ponto para sua equipe. O rebatedor anota o quarto ponto quando completa o mesmo percurso. Fora do contexto esportivo, a expressão é empregada para descrever conquista espetacular em qualquer área de atividade.

  3. Mônica disse:

    E o meu gatão voltou a pontuar com a outrora poderosa e hoje limitada Alfa Romeo.
    Só mesmo o meu gatão!

    #IceKiss

  4. Vai Vettel! disse:

    A supremacia absoluta de uma equipe e as regras excessivas que punem qualquer erro ou desvio, vão acabar matando a Fórmula-1.

  5. CRSJ disse:

    Do jeito que esse campeonato de F-1 de 2019 está o Hamilton vai ser Hexa assistindo TV em casa tomando um Chocolate sem precisar ir pra pista.
    Uma coisa hoje é certa na F-1 em duas extremidades dentro da pista: a vitória certa da Mercedes principalmente com o Hamilton, e a última colocação da Williams principalmente com o Robert Kubica.

  6. Giovanni disse:

    Já disse inúmeras vezes os maiores problemas da F1:
    1 – Circuitos no formato estacionamento de shopping: o horror estético é tão grande que até Paul Ricard ficou uma bosta.

    2 – Este halo é outro lixo. Pqp, os caras da motogp correm com o corpo todo pra fora!

    3 – O problema da falta de competividade está atrelado ao excesso de Tecnologia da Informação: a TI faz com que todo mundo descubra “a solução ideal sem errar”. Por isso, apesar de parecer disputado (carros próximos), as diferenças e posições se repetem em praticamente todas as voltas (ex: se o Hamilton é 0,2s mais rápido que o Bottas por volta, provavelmente ele vai ser 0,2s mais rápido em todas, pq a grande vantagem da TI é padronizar (repetir) a solução ideal (aqui pode ser traduzido por tempo de volta e eficiência/confiabilidade). Por isso, nos últimos tempos, embora os carros andem mais próximos, as corridas são mais monótonas e previsíveis.

    4 – Carros muito rápidos isso só serve pra acabar com as disputas porque na prática, ocorre três situações limitantes:
    1 – quanto mais rápido, mais difícil de contornar uma curva atrás de um carro;
    2 – menos tempo se tem em reta pq ela será percorrida em menos tempo e;
    3 – menor distância de freada (pq o carro freia mais “dentro”)

    • Giovanni disse:

      5 – Reduzir a disparidade de cotas pagas entre as equipes que mais e menos recebem. Sempre a 10a equipe está fadada não só a agonizar no fim do grid mas a fechar as portas. É ridículo ver que isso é tão previsível e nada é feito, pq hoje tá mais para um decreto do tipo “a pena para o último colocado é fechar as portas”.

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