REGI

RIO (vai viver, amigo!) – Reginaldo Leme é o cara mais gentil que conheci na vida. O mais sorridente. O mais educado. O mais leal entre os jornalistas com quem convivi na Fórmula 1 durante tantos anos. E como este não é um obituário — Regi não morreu, apenas saiu da Globo –, não vou ficar aqui desfiando loas em tom nostálgico ou melancólico.

É claro que as transmissões da F-1 não serão mais as mesmas sem o seu reconfortante “bom dia amigo da Globo”, a voz tranquila e sempre segura, os casos acumulados em mais de 40 anos acompanhando corridas, as referências históricas, a atenção aos detalhes.

Mas o quê mesmo não está mudando na velocidade da luz hoje em dia? Quantas coisas para as quais olhamos a cada instante não são mais as mesmas?

Verdade, as transmissões não serão mais as mesmas, como a TV não é mais a mesma, a F-1 não é mais a mesma, a vida não é mais a mesma. O esporte mudou, a comunicação mudou, os pilotos mudaram, os carros mudaram, os jornalistas mudaram, o jeito de informar mudou.

Então, por que cargas d’água nos sentimos no direito de exigir que o Regi não mude também? OK, são 40 anos, não 40 dias, estávamos acostumados, não precisava sair tão de repente, talvez pudesse nos preparar, não? Oxe, precisava ser assim, a notícia de supetão, do nada?

E talvez ele merecesse mais do que um lacônico comunicado informando que “não presta mais serviços à Globo”, que foi o que disse a emissora. Afinal, ele cobriu os anos Fittipaldi, Piquet, Senna, Barrichello, Massa, e Prost, Mansell, Lauda, Stewart, Schumacher, Vettel, Hamilton e todos mais que vocês lembrarem.

Sim, Reginaldo merecia muito mais que um comunicado lacônico. Pombas, foram 40 anos, não 40 dias. O sujeito é um senhor jornalista, um mestre, um sábio, um professor, um tipo que não se vê por aí com muita frequência, não.

Mas talvez seja melhor assim, mesmo. Textão corporativo nenhum, produzido pelo RH da grande empresa platinada, será suficiente para descrever o que ele fez nessas quatro décadas e o quanto é importante e querido para o meio, para os colegas, para o automobilismo, para o jornalismo. Esqueçam. Não presta mais serviços à Globo? OK, obrigado pela informação, tá dito.

Regi é um profissional que escreve bem, fala bem, reporta bem, comenta bem, edita bem, grava bem, faz “vivo” bem. E um cara que come bem, bebe bem, se veste bem, mora bem, recebe bem. E ama bem. Ah, como Reginaldo ama suas meninas! Carmem Sylvia, Dani, Ió, Camila, vocês são garotas de sorte!

Reginaldo é foda, e ninguém precisa ficar com dó dele porque saiu da Globo. Dó tem de ter é da gente, que não vai mais ouvi-lo nas transmissões.

Nossa, mas o que ele vai fazer agora, depois de 40 anos na F-1 e na TV?, vai perguntar alguém.

Viver, uai. Azar da F-1. Azar nosso. Sorte dele.

Arrebenta, Regi. Se estiver pensando em restaurante, tô dentro! Bar, idem. Lanchonete, tamo junto. Se tiver festa de Réveillon em Paúba, também. É minha folga de fim de ano, inclusive. Beijo.

Ah, o anuário tá pronto, falta só Abu Dhabi.

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