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terça-feira, 3 de dezembro de 2019 - 20:19F-1

SOBRE DOMINGO DE MANHÃ

Reginaldo no Instagram: depois de 40 anos, corrida em casa pela TV

RIO (contagem regressiva) – Olha, é claro que eu poderia ter escolhido como imagem deste GP de Abu Dhabi o Hamilton fazendo zerinho, ou aboletado sobre a carenagem de seu carro saudando o público, ou ainda a diretora da Mercedes Britta Seeger no pódio num país machista que subalterna as mulheres.

Mas não resisti à foto que o Reginaldo Leme postou na sua conta no Instagram. Afinal, ele é um personagem da F-1 para todos os brasileiros, com suas quatro décadas de serviços prestados ao esporte, ao jornalismo e à TV Globo. Eu diria que essa imagem é quase histórica. O fim de uma era — para os telespectadores — e o início de outra — para ele.

Não custa renovar os votos: aproveita, Regi!

E agora vamos falar da corrida.

Senti falta, no material de imprensa publicado pela Mercedes depois da 11ª vitória de Hamilton no ano, de alguma menção ao português Domingos Piedade, um cara que foi tão importante na história da AMG. Ele morreu sábado, aos 75 anos. Lembremo-nos que o nome oficial da equipe é Mercedes-AMG Petronas Motorsport.

Algumas marcas são incorporadas ao nosso imaginário sem que, muitas vezes, se saiba de onde vêm. A AMG foi fundada por dois ex-engenheiros da Mercedes em 1967 e preparava motores para corridas. Um deles era Hans-Werner Aufrecht (o “A”); o outro, Erhard Melcher (o “M”). O “G” vem de Großaspach, cidade natal de Aufrecht. Em 1993, Mercedes e AMG se associaram formalmente. Seis anos depois, a DaimlerChrysler (então dona da Mercedes) assumiu o controle acionário da companhia e, em 2005, ela foi integralmente incorporada pela Casa de Stuttgart. Hoje, a linha esportiva da Mercedes sai com o carimbo AMG. Os carros de F-1, também.

Hamilton zoiudo: concentração total e 84 vitórias no cartel

Hamilton fechou o ano com 17 pódios em 21 corridas. Pontuou em todas as provas. Bottas levou 15 troféus. De 42 pódios possíveis, a equipe prateada conseguiu 32. Foram 15 vitórias (quatro de Bottas), contra três da Ferrari e três da Red Bull. Um massacre. Lewis somou 413 pontos, um recorde. No ano passado, foram 408. Os 739 pontos da Mercedes também representam um recorde entre as equipes.

Não tem muito o que falar. Elas que lutem.

O NÚMERO DE ABU DHABI

…vitórias largando na pole-position conquistou Hamilton. Destas, 11 foram obtidas correndo pela McLaren, entre 2007 e 2012. As outras 39, com a Mercedes a partir de 2013. Ou seja: em 56,8% das 88 vezes que largou na pole, Lewis venceu.

No balanço das horas, informamos também que cinco equipes foram ao pódio em 2019, a saber: o trio de ferro Mercedes/Ferrari/Red Bull, mais Toro Rosso (duas taças) e McLaren (uma). Depois da dupla prateada, Leclerc (dez), Verstappen e Vettel (nove cada), Kvyat, Gasly e Sainz Jr. (um cada) foram os cabras que colocaram troféus na estante neste ano depois de desgastantes 23.625 voltas completadas pelos 20 pilotos em GPs, totalizando 119.145 km percorridos.

Detalhezinho curioso sobre a tabela final de classificação, que teve 19 pilotos com pontos (só Russell zerou): dez países diferentes foram representados pelos dez primeiros colocados. Quais? OK, vamos lá: Inglaterra, Finlândia, Holanda, Mônaco, Alemanha, Espanha, França, Tailândia, Austrália e México.

O terceiro lugar de Leclerc em Abu Dhabi esteve ameaçado por uma bobeada (mais uma) da Ferrari, que forneceu dados incorretos sobre a quantidade de combustível no carro do monegasco. Ele manteve a posição, mas o time foi multado em € 50 mil. Nem é tanto, considerando que antes da corrida uma Ferrari usada por Schumacher no Mundial de 2002 foi arrematada em leilão por US$ 6,6 milhões.

A FRASE DE YAS MARINA

Vettel: autocrítica vermelha

“Como equipe, temos de ser mais fortes. Eu, como piloto, devo fazer melhor. E posso fazer. Do meu lado pessoal, não foi um grande ano.”

Sebastian Vettel, quinto colocado no Mundial com 240 pontos (24 atrás de Leclerc, o quarto), uma vitória (foram duas do companheiro) e duas poles (sete de Charlinho)

Abu Dhabi, como já foi exaustivamente dito, marcou as despedidas de Kubica, Hülkenberg e do nome Toro Rosso. O polonês não externou grandes emoções. Talvez tenha se arrependido de ter voltado, menos por ele, mais por não achar que iria despencar num carro tão medonho.

Já o alemão fez graça pelo rádio. “Obrigado, Nico, por estes três anos”, falou a chefia. “Eu gostaria de dizer o mesmo”, respondeu, rudemente, o piloto. Fez-se silêncio no rádio. “Tô brincando, gente! Muito obrigado por tudo!”, emendou Hulk, quebrando o gelo e terminando sua trajetória na categoria. No fim, todos festejaram com perucas loiras e Hülkenberg foi agraciado com o voto do amigo internauta, sendo eleito o “Piloto do Dia” em Yas Marina.

Fim de linha para Hülkenberg: perucas loiras para todo mundo

O rádio de Norris também foi engraçado, ao se despedir de seu engenheiro Andrew Jarvis. Mas é melhor ouvir aqui para entender. Norris é uma figura. Foi uma grata surpresa tanto pilotando como fazendo galhofa. Oitavo colocado em Abu Dhabi, terminou o campeonato em 11º com 49 pontos, pouco mais que a metade do que fez Sainz Jr. (96), ajudando a McLaren a conseguir o quarto lugar entre as equipes, com 145. Pode ser o início de uma recuperação do time laranja, que em 2020 ainda corre de Renault, mas em 2021 vai de Mercedes.

Há quem diga que a fábrica alemã está refletindo sobre o que fazer no futuro, talvez até deixar a categoria e ficar com a McLaren como time principal. É cedo, porém, para especular muito seriamente sobre essa possibilidade. Apenas fica o registro da boataria do paddock, já que a F-1, às vezes, nos surpreende.

Lando ao engenheiro: “Você está chorando?”

Estamos quase terminando. Faltam apenas o “Gostamos & Não gostamos” e a leitura do GP pela pena do nosso cartunista Marcelo Masili, que cumpriu com brilhantismo a missão de transformar 21 corridas em arte pura. E na despedida da temporada, a homenagem mais do que justa ao nosso querido Reginaldo Leme — “lápis de cera sobre papel inspirado em fotografia de rede social”, é o que escreveriam os galeristas na descrição da obra:

Masili retrata o jornalista: essa bermudinha do Regi…

Se a corrida não foi espetacular, ficou longe de ser das piores de Abu Dhabi, um circuito aborrecido que, normalmente, oferece corridas ruins ao respeitável público. E teve gente que foi bem na “F-1 B”. E gente que foi mal. Então…

Pérez: “melhor dos outros” em Abu Dhabi

GOSTAMOS – Do sétimo lugar de <<< Sergio Pérez, que pontuou nas últimas seis provas do campeonato e terminou o Mundial em décimo, sendo responsável por 52 dos 73 pontos da Racing Point. Se Stroll fosse um pouquinho melhor, o time rosa poderia ter brigado com Renault (91) e Toro Rosso (85) pelo quinto ligar entre as equipes, que acabou ficando com os franceses.

Ferrari: zerinho no asfalto e zero na estratégia

NÃO GOSTAMOS – Do desempenho da Ferrari >>> apesar do terceiro lugar de Leclerc. O monegasco terminou 43s atrás de Hamilton e Vettel, o quinto, recebeu a bandeirada 1min04s depois do inglês. A equipe optou por duas paradas para ambos e conseguiu chegar atrás de Bottas, que largou em último e só trocou de pneus uma vez. Mais um show de equívocos táticos.

33 comentários

  1. António Barbosa disse:

    Flávio Gomes também reparei que no site da AMG Mercedes além dos festejos pelos títulos não havia uma única referência ao falecimento de Domingos Piedade o que eu achei uma falta de gratidão tendo em conta que a AMG era uma preparador com meia dúzia de pessoas quando Domingos lá chegou, a mesma falta de uma só referência reparei também no site da Joest, enfim, são tempos de muita ingratidão, vemos no YouTube domingos a contar e a ouvir boas histórias no “racing stories” que está em 3 partes, eis a parte 1 https://youtu.be/7J0ftcgF1WA

  2. Rafael Rego BH disse:

    Quando Alonso foi bicampeão em 2006 quem diria que aquele seria seu último título?
    Quando Vettel massacrou a concorrencia em 2013 pra ser tetra quem diria que aquele seria seu último título?
    Me agarro a esses exemplos pra acreditar que talvez Hamilton não iguale os numeros do Schumacher.

    Claro que o Hamilton não esta nem mudando de equipe e nem as regras vão sofrer uma reviravolta pra 2020. Mas não custa torcer – nada contra o Hamilton, eu só gostaria de ver o Schumacher no topo das estatisticas mais nobres, vitórias e títulos.

    Tomara que Ferrari a Red Bull acertem a mão nos carros do ano que vem.

  3. Nick B disse:

    Regi é dessas unanimidades que desafiam Nelson Rodrigues, pois não há burrice alguma reverenciar um dos maiores nomes de nossa imprensa esportiva.

    E com esse ventilador pink, então, fiquei ainda mais fã.

    Nick B

  4. CRSJ disse:

    Acabou a temporada 2019, mais uma mulher no pódio pela equipe vencedora, já está virando rotina, agora o Reginaldo Leme depois da saída da Globo virou um pobre mortal telespectador de F-1, assim como nós.

    Gostamos: Sergio Pérez é o piloto número um absoluto na Racing Point, e já o Stroll continua irregular ainda tendo muito que aprender a ser um piloto de F-1 pelo menos satisfatório.

    Não Gostamos: A parada dupla da Ferrari nos boxes prejudicou Vettel que poderia lutar pelo terceiro lugar com o Leclerc, ou quem sabe pelo segundo, no final o prêmio de consolo do Vettel foi ultrapassar o Albon conseguindo o quinto lugar na penúltima volta.

  5. Lagerbeer disse:

    O Regi é novo mesmo na arte de assistir F1 no sofá …. cadê a cerva gelada e os minduim ?

  6. Andre Nascentes disse:

    Sobre o Reginaldo Leme, será que existe a possibilidade de ele participar de um Paddock GP? Seria muito bacana um especial com o você, Flávio, e o Reginaldo contando histórias vividas nesses anos todos de F1.

  7. claudio disse:

    Reginaldo é gente como a gente, levantou domingão, deve ter colocado a camiseta e o boné e já foi assistir a corrida de samba canção mesmo rs.

    Agora fica a torcida por uma temporada 2020 mais disputada e com varias corridas legais como teve nesse ano.

  8. Josilmar Oliveira disse:

    “Detalhezinho curioso sobre a tabela final de classificação, que teve 19 pilotos com pontos (só Russell zerou): dez países diferentes foram representados pelos dez primeiros colocados. Quais? OK, vamos lá: Inglaterra, Finlândia, Holanda, Mônaco, Alemanha, Espanha, França, Tailândia, Austrália e México.” Flávio, faltou a Polônia do Kubica. Abraço

  9. Victor Penteado disse:

    Parabéns Ferrari por toda a incompetência e ineficiência que marcaram o ano de vocês (mais um). Tão pior que o meu São Paulo.

  10. Luis Felipe disse:

    Realmente, trata-se do fim de uma era. Escrevi para o RL no Instagram que ele foi aquela pessoa que me fez gostar de F1 ainda quando moleque ao ponto de me interessar e aprender os meandros da categoria, sua história, a parte técnica. Adorava de paixão o Sinal Verde. Amava ver o Reginaldo falando dos lugares onde a F1 ia correr. E muito, mas muito bacana saber que o Reginaldo é o tipo de pessoa descrito pelo Flavio: gentil, generoso, boa praça.
    Fico triste por mim mesmo e por todos aqueles que são fãs de carteirinha da F1 que deixarão de ter aquele “bom dia, amigo da Globo” e tudo o mais que o Reginaldo nos proporcionava nas transmissões. Mas fico feliz pela merecida aposentadoria. Ao menos da Globo.
    Regi, eu nunca te pedi nada, mas abre um canal no YouTube! Por favor!

    PS: Flavio, por mil gentilezas, peça para o pessoal da Gulliver Editora mandar o seu último livro logo de uma vez. Comprei ainda na pré-venda e até agora…

  11. CHAGAS disse:

    Se o Vettel achou o ano dele ruim, é porque foi uma porcaria mesmo.
    Hamilton com Mercedes está “em outro patamar”.
    Ficou quase 100 pontos atrás de Bottas, um absurdo.
    Foi constantemente superado por Verstappen.
    E na hora da comparação mais justa, perdeu a batalha interna pro novato companheiro de equipe.
    Não tem advogado que possa defender o alemão esse ano.
    Mas tem como piorar? Sim, ano que vem Albon vai ter uma temporada completa com a RBR.

  12. Paulo F. disse:

    Hamilton fechando a carreira (octa)campeão em uma McLaren AMG Mercedes ?

  13. Amaral disse:

    Torço demais pelo Reginaldo. Que seja feliz. Independente do que venha a fazer na vida. Mas uma sumidade dessas não ficará deitada no sofá por muito tempo. Só espero que não se torne ministro dos esportes. Pelo menos não agora.
    Norris e Ricciardo na mesma equipe ia ser uma dupla fortíssima (Ricciardo é quase tão subestimado quanto o Sainz), e ia ser uma zoeira sem fim. Ia ser tipo os Mamonas Assassinas da fórmula 1. Precisamos de mais zoeira no mundo. Zoeira bem feita e com um mínimo de bom senso, diga-se.

  14. Andre disse:

    Depois de 40 anos, vi as pernas do Reginaldo Leme pela primeira vez kkkkkk

  15. Henrique disse:

    E o rio heim, despejando 300 milhões do nosso dinheiro naquela maluquice de autódromo, não vai falar nada ? Nem para protestar ?

  16. Ricardo Bigliazzi disse:

    Tudo dito! Esse Noris é mesmo uma grata surpresa (rapido em uma volta e irá aprender a ser rapido e combativo em todas as voltas daqui a pouco). Ele e Sainz reergueram a Mclarem. O Instagran e o Youtube da Mclarem são imperdiveis.

    Que 2020 seja melhor!!!!

  17. Jeferson Araújo Pereira disse:

    Sonhar é grátis, então vamos sonhar:

    Agora que o Reginaldo Leme disporá de muito tempo livre, gostaria muito que ele fizesse uma proposta ao Nelson Piquet: ele se hospedaria na casa do Piquet por um período de 15 a 20 dias, e o resultado seria uma biografia de “apenas” umas 1300 páginas.

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