NÃO ENCHE O SAKHIR (3)

Hamilton: 96 vitórias, e essa foi das mais difíceis

SÃO PAULO (bom começo) – Farei aqui uma provocação, como se fosse um advogado redigindo uma inicial.

Considerando…

  • …que Hamilton é um gênio;
  • …que também é muito experiente;
  • …que pouco antes do ocorrido a equipe tinha avisado o requerente que não podia mais passar por fora da pista na curva 4;
  • …que o mesmo retrucara: “Uai, mas tô fazendo assim a corrida toda, sô”;
  • …que a equipe mandou a tréplica: “Pois não faz mais que pode dar merda e estão enchendo o saco”;
  • …que faltavam três voltas para terminar a corrida e Verstappen ia passar o requerente, e quando chegou estava bem perto da curva 4;
  • …que para passar na curva 4, estando na frente e dando uma espalhadinha marota, o ultrapassador tem de ir lá fora;
  • …que “lá fora” era onde não podia passar mais;
  • …que o requerente, assim que perdeu a posição, entrou no rádio e falou para a equipe “ele foi lá fora kkk”;
  • …que o ultrapassador, duas ou três curvas depois, foi avisado pelo rádio de sua equipe que tinha de devolver a posição ao requerente;

…chegamos à conclusão que Hamilton armou uma arapuca para Verstappinho, que ainda tinha um tempinho de três voltas para passar o requerente em ponto menos perigoso, com asa móvel à disposição e tudo mais.

E Max caiu.

Max pelo lado de fora da curva 4: teria sido uma arapuca hamiltoniana?

Não sei o que vocês acham, talvez eu esteja superestimando a genialidade de Hamilton, mas gosto de algumas teorias mirabolantes e defenderei esta por algum tempo, até alguém me apresentar argumentos contrários.

No caderninho que comprei por R$ 4,69 no mercado para fazer minhas anotações nesta temporada (foram dois, um de capa verde e outro de capa vermelha), assim que Verstappen saiu de seu segundo pit stop, na volta 40, perdendo novamente a liderança para Hamilton, fui registrando as diferenças entre eles volta a volta. Lewis tinha parado na 29ª. Seus pneus, portanto, eram 11 voltas mais velhos que os do jovem Max. Ambos com compostos duros.

Na volta 41, a diferença pró-Hamilton era de 7s7. Nas seguintes, uma a uma, caiu para 6s6, 5s4, 5s1, 4s3, 3s9, 3s0, 2s7, 2s5, 1s8, 1s4, 0s6 e 0s1. Sempre na linha de chegada, a diferença anotada. Caindo de pouco em pouco, é verdade, nada muito absurdo. Mas como se sabe, em granjas a frase é muito famosa, de grão em grão a galinha enche o papo.

Na 53ª volta, portanto, um mero décimo, menos que uma piscadela, um pentelhésimo. Na 49ª, quando o engenheiro Bono — que não é o Vox — falou para o inglês que aquele moço que estava aparecendo no espelhinho era Verstappen, Lewis, com a autoconfiança que 95 vitórias e sete títulos injetaram em suas veias em anos de F-1, falou: “Deixa comigo, Bono”.

Hamilton para Bono, ao ver Max no retrovisor: “Deixa comigo!”

Se estava arquitetando alguma armadilha, acho que nunca saberemos. Às vezes é até instintivo. Seja como for, deu certo e o britânico, heptacampeão mundial, venceu uma prova de abertura do campeonato depois de seis anos — a última fora em 2015 na Austrália. Agora no Bahrein, circuito escolhido pela F-1 para dar o pontapé inicial na temporada mais longa da história, com 23 etapas previstas.

Venho dizendo, em textões e videozões, que este campeonato será diferente dos últimos baseado no que a Mercedes fez nos três dias de testes lá mesmo, no Bahrein, e no que aconteceu nos treinos de sexta e ontem. Verstappen enfiou uma luneta de quase 0s4 em Hamilton na classificação, largava na pole, era o favorito à vitória. E, no fim, ganhou a Mercedes de novo. Desde o início da era híbrida na categoria, em 2014, a equipe foi derrotada em provas de abertura apenas em 2017 e 2018, pela Ferrari de Sebastian Vettel.

Errei na previsão?

Não. Será, sim, um Mundial bem diferente, porque a Mercedes encontrou um adversário. Mas, se é assim, porque ganhou como sempre?

Aí é que está. Ganhou, mas não como sempre. A diferença na quadriculada entre Hamilton e Verstappen foi de 0s745. E Max teve de devolver a posição para Lewis depois de ultrapassá-lo a três voltas do final. Não conseguiu mais reagir porque seus pneus ficaram sujos, e a corrida acabou antes que pudesse tentar alguma coisa.

A Mercedes jogou na estratégia e driblou uma equipe que tem um carro mais rápido. E certas estratégias tendem a dar certo quando se tem o melhor piloto de todos os tempos a seu serviço.

Toto Wolff: nem ele acreditou

Para entender esta vitória, então, vamos começar do começo.

O GP do Bahrein teve um início com alguns solavancos, o primeiro deles chamado Nikita Mazepin, que rodou e bateu pateticamente na primeira volta, provocando a estreia de um Aston Martin como safety-car. Na relargada, na volta 4, foi a vez de Gasly acertar a traseira de Ricciardo obrigando a direção de prova a travar o pelotão com o safety-car virtual para limpar a pista. Só na quinta volta que a corrida foi começar de verdade. Até ali, de muito relevante, Bottas tinha perdido a terceira posição para Leclerc. E só. Verstappen e Hamilton eram os dois primeiros.

Bottas recuperou o terceiro lugar rapidinho, Norris e Leclerc travaram uma bonita disputa pelo quarto posto, Pérez — que largara do box quando seu Red Bull apagou na volta de apresentação — começava uma linda recuperação depois de antecipar sua primeira parada e, lá na frente, Hamilton mantinha Verstappen em seu campo visual sem permitir que o rapaz chegasse a abrir 2s de vantagem.

A jogada da Mercedes foi chamar Lewis para a primeira parada na volta 14, colocar pneus duros em seu carro e ordenar: enfia o pé que a gente dá o “undercut” no cara. “Undercut”, em português, é um acrônimo de “a gente para antes, coloca pneus novos, sai voando que nem louco, reza pra não ter ninguém na frente atrapalhando e quando ele parar vai voltar atrás se tudo der certo, e depois a gente vê o que faz”.

Numa dessas voltas pós-pit stop, Hamilton chegou a virar quase 3s mais rápido que Verstappen. Que foi parar na 18ª, para voltar em segundo 7s atrás do inglês, bufando de raiva. Mas estava com pneus médios, em tese mais rápidos que os do adversário. Teria de remar, mas uma hora chegaria nele para retomar a ponta.

Na chegada, 0s745 de vantagem: igual, mas diferente

Enquanto se desenhava uma disputa de gato e rato entre os dois pela vitória, lá no meio a gente se divertia com brigas de várias naturezas. A melhor delas na volta 21 envolvendo Alonso, Vettel (que não tinha trocado pneus ainda) e Sainz — oitavo, nono e décimo. Foi como ver dois craques veteranos fazendo embaixadinhas no gramado, com um garoto tentando roubar a bola; ele acaba roubando, mas sofre.

Max, previsivelmente, com borracha mais macia, foi tirando a diferença para Hamilton. Quando, na volta 28, armava o bote para passar, viu o inglês se pirulitar de novo para os boxes. Lewis colocou pneus duros novamente e voltou em terceiro. Verstappen reassumiu a ponta. Bottas era o segundo, mas seu pit stop, na volta 31, foi desastroso e ele saiu definitivamente da briga para a qual, na verdade, não havia sido convidado.

Verstappen, naquele momento, tinha 20s de vantagem para Hamilton e uma parada para fazer. E demorou para trocar seus pneus pela última vez. Foi na volta 40, quando Lewis já tinha descontado 6s e se preparava para liderar de novo no momento em que o holandês fosse para os boxes. Max colocou pneus duros para a parte final da corrida. Voltou quase 7s atrás da Mercedes #44. E, então, começou a perseguição já relatada lá em cima neste texto, que culminaria com a ultrapassagem defeituosa na volta 53, a posição devolvida, a derrota enfiada goela abaixo da Red Bull.

McLaren: Norris e Ricciardo nos pontos, com discrição

O brilho do duelo entre Hamilton e Verstappen ofuscou algumas atuações muito boas nessa prova de estreia, a melhor delas, sem dúvida, de Sergio Pérez. O mexicano chegou em quinto depois de largar em último e ganhou, inclusive, o título de “piloto do dia” concedido pelo amigo internauta. Ele contou que o carro apagou do nada na volta de apresentação e já estava pronto para bater no cinto e pedir umas fajitas com guacamole pelo iFood quando, de repente, tudo voltou a funcionar.

Fez as mais belas ultrapassagens da prova e mostrou que a Red Bull acertou na mosca ao contratá-lo. Chegou em quinto. É um pilotaço. Em condições menos adversas, e assim que acertar a mão em classificações, trará pontos de baciada para o time. E alguns troféus, também.

Pérez: estreia pela Red Bull com atuação digna dos grandes

Merecem destaque da mesma forma, embora com menos entusiasmo, as duplas de McLaren e Ferrari. Todos terminaram nos pontos. No time papaia, Norris foi quarto e Ricardão, sétimo. Na equipe vermelha, Charlinho terminou em sexto e Carlinhos, em oitavo.

Mas a gente gostou mesmo foi do Tsunoda.

Ou Tsufoda. Ou Tsunami. Vamos pensar no assunto.

Yuki, o ninja da AlphaTauri: pontos na estreia

Desde o GP do Bahrein de 2016 que um estreante não marcava pontos na F-1. Naquela ocasião, o belga Stoffel Vandoorne disputou a prova no lugar de Fernando Alonso pela McLaren, depois de um acidente que o espanhol sofrera na Austrália. Chegou em décimo. Coincidentemente, com motor Honda, também.

Hoje, Yuki fez uma prova corretíssima, largando apenas em 13º, e terminou em nono fazendo algumas ultrapassagens muito bonitas e esbanjando respeito por seus rivais. “Foi muito emocionante passar Alonso”, contou. “Depois que passei, procurei copiar o que ele estava fazendo na minha frente.” Quando Alonso estreou na F-1 pela Minardi, em 2001, Tsunoda era um bebê de menos de um ano de idade que comia papinha em Sagamihara, no Japão.

É o máximo.

Vettel se desculpa com Ocon: péssima estreia

Quem não foi o máximo, longe disso, foi Vettel. Largou em último depois de perder cinco posições no grid por ter feito sua volta de classificação com bandeiras amarelas na pista, e depois, na corrida, acertou a bunda de Ocon numa freada desastrada. Só neste fim de semana, levou cinco pontos na carteira. Foi lá pedir desculpas ao francês da Alpine, OK, gesto nobre. Mas seu desempenho foi horroroso, 15º lugar com um pênalti extra de 5s por ter batido no carro azul do colega.

Sebastian foi o único piloto a fazer a prova inteira com apenas uma parada, na volta 25. A estratégia evidentemente deu errado. Para não dizer que foi tudo uma desgraça, chegou a ocupar o sétimo lugar lá pela volta 19, quando todos tinham feito seus pit stops e ele seguia se arrastando com borracha em petição de miséria pela pista barenita.

Mas é muito pouco. Stroll, pelo menos, terminou em décimo e fez um pontinho para a Aston Martin. Que decepcionou como um todo — a equipe andou para trás em relação ao que fizera no ano passado como Racing Point.

Fim de prova no Bahrein: Bottas fez a volta mais rápida

Alpine e Alfa Romeo também podem ser colocadas no balaio das decepções. A primeira porque mostrou estar longe de McLaren e Ferrari — para ficar apenas no segundo pelotão — e a segunda, porque dela se esperava ao menos alguma briga por pontinhos mais robustos do que as migalhas normalmente reservadas ao nono ou décimo colocados. É verdade que Raikkonen chegou perto, mas sem empolgar. Ficaram devendo, ambas.

Dos estreantes, Tsunoda já foi aplaudido e Mick Schumacher pelo menos levou o carro até o final sem muitos sobressaltos. Seu pai, quando estreou há 30 anos na Bélgica, quebrou na primeira volta. Mazepin é uma anomalia. Na Inglaterra já estão chamando o bobalhão de Maze-Spin. Eu já nem sei o que dizer.

Mick Schumacher: estreia correta, nada além disso

Sobre a transmissão da TV, agora, porque sei que será muito discutida, debatida, elogiada e criticada.

A Band (argh, detesto Band, sempre vou falar Bandeirantes) começou cedo a falar de F-1, lá pelas 9 da manhã, e terminou bem depois do pódio, o que é uma delícia para quem gosta de corridas. Claro que não será assim sempre — esse pré-hora, como a gente chama em TV, tão longo. Mas era a volta da F-1 ao canal depois de 40 anos, então tudo se justificava. Comecei a ver quando Piquet chegou aos estúdios. O pessoal na apresentação não escondia a ansiedade, e a conversa com o tricampeão e seu filho Nelsinho ficou meio truncada. Tanto que o destaque, ao menos nas redes sociais, foi o momento em que Piquet chamou a Globo de “globolixo”.

Há quem ache engraçado. Eu considero apenas boba, essa referência. Molecagem de Nelson-pai — quase previsível, eu diria, do tipo que já perdeu a graça. Até porque o termo vem sendo usado por bolsominions nas mesmas redes, e Piquet tem feito esse papel, infelizmente, de defender o seboso nojento e fedido que virou presidente. Problema dele.

Com “bola rolando”, como se diz, o quarteto Sérgio Maurício/Reginaldo Leme/Felipe Giaffone/Mariana Becker se virou bem. Achei que o narrador abusou um pouco do “espetacular” para qualquer coisa que acontecia na pista, mas isso é um pouco meu gosto pessoal. Não curto muito, em emissora nenhuma, narrações que ficam levantando a bola demasiadamente do evento. Se o espetáculo é bom, ele se basta. Não precisa ninguém gritando a todo momento que é espetacular e sensacional. Mas, repito, é gosto pessoal. Sempre fui mais comedido no ar.

O pós-corrida, para mim, foi o destaque. Primeiro, o pódio. Depois, a chance de Mariana entrevistar o vencedor, Hamilton. Na sequência, o bate-papo no estúdio, que não acompanhei até o fim. Mas estava agradável, até onde vi.

A audiência média da corrida foi de 5,1 pontos, com pico de 6,1. Menos do que a Globo apresentava no ano passado — o GP do Bahrein de 2020 deu 9,3 de média. Não é ruim. E acho que tende a aumentar na medida em que o público for descobrindo onde estão as corridas agora.

Deu tudo certo, em resumo. Para a F-1 e para a emissora. E vamos em frente.

Hamilton festeja mais uma: tudo certo para a F-1 e para a Bandeirantes

Comentários

  • Boa tarde.
    Grande texto, mais uma vez, parabéns.
    Incrível que há pessoas, parecem “bem instruídas”, que ainda defendem o que está acontecendo no Brasil nos últimos dois anos e pouquinho.
    Nunca, nosso poder de compra foi tão baixo.
    E como escreveu o brilhante Ariano: “A meu ver, enquanto houver um miserável, um homem com fome, o sonho socialista continua”

  • Hahahahhaha babaca é quem tem político de estimação. Independente de que lado. Não distorça o que eu escrevi.

    E você que fica orgulhoso de citar Hamilton, Sócrates, Afonsinho, Tommie Smith, John Carlos, Muhammad Ali, nenhum deles tinham politico de estimação. Eles tinham uma causa, não uma pessoa.

    Mas você é orgulhoso demais pra reconhecer isso. Ou tem interesse.

  • Não entendo toda essa censura contra a Globo e endeusamento da Band em relação ao assunto F1. Claro que não era a transmissão dos sonhos mas a Globo transmitiu durante décadas a categoria em TV aberta (inclusive na parabólica), sendo que na maioria dos outros países é necessário pagar pra assistir. Já a Band, além de deixar parte de seus telespectadores das antenas parabólicas e por assinatura sem conseguir assistir a corrida no último domingo, fazia uma transmissão igualmente ruim da Fórmula Indy.

  • Este termo Globolixo cansou…vamos falar de esporte a motor . Quer falar de politica, existe lugar certo. Bom Trabalho !! e que venha uma F1 , MotoGP, Moto2, Moto3, WRC, Indy, Nascar e demais bastante competitivas e que possamos nem piscar os olhos !!!!

  • Esse lance do Piquet é aquela coisa: ele sempre foi boca aberta, dado a falar bobagem, mas o pessoal dava margem porque “oh, como ele é autêntico! Fala o que pensa!”, mesmo que o que pensasse fosse ofensivo, idiota e desinformado, inclusive sobre o esporte. Agora, que está dado a apoiar o desgoverno do imbecil que nos desgoverna, cai a ficha. Pena que demorou né.

  • A corrida foi boa, vários pegas e um campeonato que promete no horizonte.

    Quanto a transmissão da corrida e narração: sem novidades. Os mesmos da Rede Globo, nada novo ou de diferente. Esse tipo de coisa é terciária quando o que importa de verdade é corrida de F1 boa.

  • Parabéns pela melhor descrição do que realmente foi a batalha de Hamilton e Verstapinho.
    A diferença foi como Hamilton é explendido em controlar os pneus com ritmo muito forte. Quando Verstapen devolvel a liderança eu estava cetico que no maximo em 2 voltas ele ultrapssaria novamente e ganharia a corrida.
    Abraço

  • Parabéns pela melhor descrição do que realmente foi a batalha de Hamilton e Verstapinho.
    A diferença foi como Hamilton é explendido em controlar os pneus com ritmo muito forte. Quando Verstapen devolvel a liderança eu estava cetico que no maximo em 2 voltas ele ultrapssaria novamente e ganharia a corrida.
    Abraço

  • Muito simples e mais uma vez Hamilton mostrou que ser o melhor piloto de todos os tempos não é por acaso.
    E é o melhor porque não precisa de sacanagens para ganhar, se armou mesmo uma arapuca para Verstappen, só prova o nível superior a que chegaram e vão continuar ganhando mesmo que o carro não seja melhor.
    O “Deixa comigo” mostrou a todos o gênio que Hamilton é .

    Verstappen demonstrou mais uma vez que não vai amadurecer nunca e não será campeão enquanto Hamilton correr.
    Depois até quem sabe

  • Eu te respeito muito Flávio…longe mais muito longe mesmo de defender esse governo…mais o Nelson usou o contexto para comparar as transmissões…qual o problema do termo Globolixo…. você sempre criticou….e concordo com o seu leitor acima,devemos ficar só no âmbito esportivo sem misturar opinião política…tudo já anda tão chato ..extremismo não cabe em lugar nenhum…nem aqui..

  • Eu gosto de F1, acompanho desde anos 70 e gostei muito da cobertura da Band, porém há um detalhe que não pode ser ignorado, o comportamento do brasileiro no que tange aos esportes. O brasileiro, de um modo geral, não gosta de um esporte pelo prazer que ele proporciona, o brasileiro gosta do esporte quando aquele pra quem torce está ganhando. Exemplos não faltam, no voley a audiência era alta quando o Brasil estava ganhando, no tênis a audiência durou enquanto Guga estava por cima, no basquete tínhamos audiência quando Hortência, Paula e Oscar faziam o Brasil brilhar, no judô foi a mesma coisa. No futebol também não é muito diferente, imaginem uma copa do mundo sem a seleção brasileira , alguém acha que vai ter a mesma audiência por aqui?? Na F1 temos a audiência dos amantes do esporte em si, então muita gente acha que a Globo se deu mal, não vejo por este ponto, é uma questão de retorno financeiro, não temos mais uma estrela brasileira na F1, e convenhamos, o brasileiro não gostava da F1, o brasileiro gostava de ver Fittipaldi, Piquet e Senna, Barrichello e Massa ganharem, só isso. A Globo percebeu isso na F1 e não achou vantagem investir alto por um retorno duvidoso, pois F1 custa caro.

  • Flávio, sempre o considerei um profissional excelente e expert no assunto. Mas aceite as críticas construtivas com humildade. Não sou bolsominion e nem ptralha. Procuro entrar no site grande prêmio pra relaxar e fugir disso tudo. Você, de alguma, inseriu sim política em uma matéria sobre f1. Triste. Eu sei que minha opinião não fará diferença, por isso mesmo suas matérias/vídeos não vejo mais. Abs

  • Muito legal os textos do Flavio Gomes.
    Leio o Grande Prêmio regularmente, trata-se de um ótimo trabalho.
    Mas gostaria de lembrar que todos apreciamos o Grande Prêmio por uma Paixão, “o esporte a
    Motor”, portanto o Esporte no “Une”.
    Mas não vejo motivos para um comentário infeliz e idiota do Nelson Piquet, servir para mostrar todas as suas opiniões e preferências políticas Flavio. Vc é muito bom para entrar de gaiato nessa.
    Abraço!!!

  • Flavinho eu comecei a te acompanhar falando sobre futebol e dá nitidamente para perceber que vc não gosta 1% de futebol como gosta do Automobilismo. Texto muito gostoso de ler, tocou nos pontos fundamentais, me fez olhar para outros que não tinha visto. Não vou mais elogiar pq não é seu estilo haha meus Parabéns

  • Comecei ouvindo a corrida pelo rádio, já que estava no mercado e peguei a parte final pela televisão. Acredito que há muito a Fórmula 1 merecia tal protagonismo, coisa que a Globo não demonstrava a menor vontade de fazer. Sobre o trio Sérgio Maurício, Felipe Giafone e Reginaldo Leme, vi uma vontade enorme de mostrar o valor de um time e de um evento que a Globo fez questão de jogar no lixo. Já o “espetacular em excesso”, passou batido num Sérgio Maurício de energia renovada e com uma vontade enorme de fazer o melhor pro telespectador e isso ele conseguiu. É muito legal ver gente boa e competente, pra mim há espaço pra muito mais, reaparecendo e empolgando a gente com aquilo que faz.

  • Parece que já estamos começando a ver o Oitavo Título do Hamilton, Verstappem parece ser mesmo o seu único adversário, como a F-1 de hoje é mais rígida, provavelmente o Verstappem não precisasse devolver a posição lá nas Décadas passadas de 70, 80 e 90.

  • Lamentável que um ambiente para se discutir o esporte venha se tornando palco para desfile de comentário político de jornalista militante político. Poderia se limitar a falar do que conhece, em vez de poluir o ambiente esportivo com sua opinião política, que nada interessa. Tem tanta qualidade e conhecimento do esporte, porque transformar este ambiente em algo para ofender quem não compartilha de sua opinião política.
    Acompanho o GP a anos, lamento muito ver estar se tornando mais um ambiente de politização descabida.

  • Concordo 100% Flávio!
    Especialmente no quesito “encher a bola do evento”!
    Isso é um negócio que me incomoda, desnecessário realmente. O Sérgio sempre teve uma narração um pouco festiva nesse aspecto, mas acho que passou do ponto neste início de temporada. Aliás, essa é uma velha característica dos esportes na Bandeirantes, se via muito na Indy, um festival de confete.
    Pelo jeito, neste campeonato de F1 não será necessário encher a bola dos eventos.

  • Que o Hamilton é um grande talento, não há mais dúvidas.
    Quanto ao ocorrido , eu só tenho uma restrição:
    Ele, o inglês, tirou vantagem por várias voltas ao usar o extra-pista. Então, não seria exagero dizer que ele provavelmente não teria a vantagem que tinha à frente do Max se tivesse respeitado os limites desde o início.
    Então, penso que acabou sendo injusto com o holandês, que não teve as mesmas condições.
    De resto, foi uma bela corrida, e parece que o campeonato deverá ser disputado o ano todo.
    Quanto ao narrador, eu também não gosto de gritaria. Assisto às corridas com o controle na mão, baixando o volume ou indo direto para o Mudo quando vem os desnecessários e carregados de decibéis “eshpetacular” e “nu capríííííxo ” .
    Abraço.

  • A corrida foi excelente e alguns aspectos merecem destaque.
    1-Lewis e Versttappen foram fantásticos, para surpresa de zero pessoas como diria Everaldo Marques.
    2-Eu gostaria de acreditar que o Perez dará algum trabalho ao Verstappen. Só que não. Perez vivia aos entreveros com Ocon na Force India. Um cara desses não chega perto do Verstappen. O Alonso, que vinha andando de rali, bicicleta, patinete ou sei lá mais o que, sentou no carro e meteu uma traulitada no Ocon. Tudo bem, Alonso também faz parte dos fantásticos. Perez deve ser melhor que Albon e se incomodar Bottas já estará ótimo para RBR.
    3-Bottas é criticado o tempo todo, mas não tá bom pra Mercedes? Todo ano ele ajuda a garantir o mundial de construtores e quando Lewis não vence ele belisca umas vitórias. Ele consegue ficar a 0,2 ou 0,3 de Hamilton nas classificações. Quais pilotos do Grid conseguiriam peitar Hamilton sem ser o Verstappen hoje? O Alonso é Provável. Os jovens promissores Leclerc, Norris e Russel? Os já experientes Ricciardo e Sainz talvez. Mas conseguiriam Bater Lewis? O Bottas faz o que a Mercedes precisa. Para o futuro, provavelmente Russel será a aposta.
    4-Old Piquet é sarcástico e um frasista dos melhores, mas perdeu completamente o tom. O sarcasmo e as ironias dele tão virando recalque.

  • Na minha opinião, Max foi infantil. Bastava comboiar o Hamilton até a reta dos boxes e chegando lá abrir a asa móvel (que é a vergonha da F1), fazer a ultrapassagem e partir pra bandeirada sem problemas. Mas foi afoito e ultrapassou no lugar errado e jogou a vitória no colo do Hamilton. Que sirva de lição.

  • Grande vitória da Mercedes! Mas, antes, algumas observações:

    – Nelson Piquet, como piloto, é um dos grandes. Já como pessoa, é ridículo! Defender o indefensável, ofender a Globo para fazer média com aquela coisa que o povo brasileiro conseguiu colocar na presidência é ridículo. Quereria tê-lo visto com esta energia toda quando o filho dele participou da maior falcatrua na história da Fórmula 1: o Singapuragate;
    – A transmissão sobre a corrida ficou maior com o pré e o pós corrida. Entretanto, até achei que estava na Globo. Se Hamilton, logo depois de trocar a McLaren pela Mercedes, errou o lugar de parada, porque a equipe não pode cometer o mesmo deslize? É natural;
    – Achei a qualidade da imagem e do som inferiores. Talvez, sejam os equipamentos de transmissão da atual emissora em relação à anterior;
    – A equipe de transmissão pode falar Red Bull e Toro Rosso (atual Alpha Tauri) porque não tem cota da Itaipava (ou vocês acham que não havia algum impedimento contratual?). Se tiver uma cota para uma empresa de bebidas concorrente da Red Bull, pode ter certeza que volta o RBR;
    – O carro da Mercedes pode estar inferior ao da Red Bull. Mas, com certeza, experiência e confiança fizeram a diferença;
    – A declaração de Verstappen é digna de se enquadrar no grupo do Piquet: grande piloto, péssima pessoa. Ele é um péssimo esportista, não sabe perder, não sabe o que é jogo limpo e ainda arrumou briga (fisicamente). A declaração de que não devolveria a posição se dependesse dele me lembra um jogador que cobra um lateral depois de o adversário jogar a bola para fora para atendimento médico. Em vez de devolvê-la, ele recebe a bola e faz gol, tumultuando a partida e ignorando o jogo limpo. É um moleque mimado;
    – Por este comportamento, por mim, se eu tivesse poder de veto, veta qualquer chance de ele correr na Mercedes;
    – O Alonso também é um baita piloto, mas desagrega por onde passa e acabou sendo relegado, mesmo com talento. Cuidado, Verstappen, para não ir no mesmo caminho;
    – Vitória no fórceps, no bíceps e no tríceps. E na malandragem também. Mais uma para a Mercedes. Mas acho que poderiam ter postergado a segunda parada e tentado segurar a Red Bull ali. O final seria menos dramático. A Mercedes precisa de trabalhar e de treinar as paradas. Sempre foram mais lentas que as da Red Bull, mas com o carro melhor, não aparecia esta deficiência pois tiravam as perdas na pista.

    Para concluir, esta petição do Flavio Gomes é demais! Escreve bem e, assim como ele, desconfio de que deva ter ocorrido uma arapuca da experiência sobre a juventude. Tipo aquela jogada que o veterano recebe na área e finge que vai chutar, mas dá um toque para o lado e deixa o zagueiro jovem vir no carrinho e derrubar: pênalti na malandragem.

    P.S.: Ao dono deste blog, por favor, continue a nos brindar com os textos. Quem lê, aprende a escrever e ler o que gostamos aumenta mais ainda nosso aprendizado.

  • A espetacularidade de Sergio Maurício também acho uma grande merda, antigo, ultrapassado e sacal.
    E contigo, meu querido Flavio, os tristes ranços da Globo permanecem, com você se referindo a Charlinho e Carlinhos.
    Ninguém merece este “cheiro” de locutor de futebol dos anos 50s.
    Por que não também então, Hamiltinho? Maxzinho? Vettelzinho? Alonsinho?

  • Ainda sobre a grosseria do Piquet sobre a Globo. Nao vi no Formula Gomes de ontem nenhuma menção, mas o bordão (ousei lá como se chama isso) que a Band escolheu e que ficaram repetindo o tempo todo, “isso a Band mostra” é também uma clara referencia a outra frase querida dos Bolsominions: “isso a Globo não mostra”. O que na minha opinião também é uma grosseria com um antigo parceiro (inclusive no golpe contra a Dilma), né?

  • Sou extremamente crítico à globo, devido ao jornalismo tendencioso.
    Mas, acessibilidade começou na globo com o jornalismo e avançou durante anos, tanto que a transmissão global da F1 tinha CC (closed caption). Na Band a opção de legendas é desabilitada (ou seja, não é possível ter CC). A acessibilidade das legendas é para mim mesmo; sou surdo.
    Sobre a corrida, acho que Max estava excessivamente confiante, crente que passaria fácil. Hamilton não permitia que ele “colasse” na sua traseira ao se aproximar da reta dos boxes e aí, com asa ou sem asa, ele não conseguia ultrapassar.

  • A Band em matéria de esporte dá um banho na concorrência. Ontem acompanhei o novo Show do esporte desde as 10 horas. Que saudade do grande Elia Jr. que fez uma dupla afinada com a Glenda. Como é bom ver pesdoas que amam o esporte transmitindo. Piquet quando abre a boca deixa muito claro porque muitos brasileiros lembram mais do Senna do que dele. Um cara escroto que virou um velhinho escroto e bolsominion (redundância aliás). Impressionante que mesmo com um carro pior e pneus piores ainda assim Hamilton venceu. Coisa de piloto diferenciado mesmo.

  • Tirando a parte em vc mistura sua opinião pessoal sobre política, o que não é legal, sua análise foi perfeita. Te sigo há muitos anos no Tweeter e sei de sua competência, por isso relevei. Gostaria de uma análise sua sobre o que sempre falam a respeito do Hamilton sobre ser excepcional. Quando ele foi substituído por estar com o Covid, o piloto( não lembro o nome) que o substituiu dirigindo o carro de Hamilton fez o que ele faria e até o tiraram da corrida para não ficar chato para o campeão. Sou fã de Hamilton mas não o acho isso tudo. Qualquer piloto que que tiver um carro igual ao dele vai dar teabalho. Aí sim veremos quem é realmente bom. Desculpe o textão!
    Abraços

  • Eu gostei do fato de ter muito mais tempo de transmissão do que na Globo. Mas, infelizmente, nem sempre isso se traduz em melhor qualidade.

    Achei que teve muita encheção de linguiça, muita coisa desnecessária. E só acompanhei pela TV aberta, onde os trabalhos só começaram às 11:00. Elia Júnior é um chato de galochas. Na minha opinião, atrapalhou demais esse tempo a mais. A Glenda não foi mal, mas achei ela deslumbrada demais. Claro que, na hora que passou para a transmissão, a coisa mudou para muito melhor. O fato de não ter interrupção para inserções comerciais logo após a bandeirada também foi muito bom. Fizeram o certo de só inserir comerciais num momento que já não tinha nada muito relevante pra mostrar.

    Em relação à presença do Piquet, entra no item “encheção de linguiça” que citei acima. Não que ele seja irrelevante, mas a participação dele foi. O “Globolixo”… o que comentar? Uma pena que um cara com a projeção dele defenda um imbecil a serviço de terceiros como o PR. Mas fazer o quê? Só lamentar. É uma pena mas não é surpreendente. Surpreendente é encontrar algum (ex) esportista que pense diferente desses reaças todos. O comentário do Piquet só serviu para apequenar ainda mais essa parte da transmissão.

    Resumindo, achei que o trabalho da equipe de transmissão (Sérgio, Reginaldo, Felipe e Mariana) foi excelente. Mariana, então, brilhou. E acho que poderia ter brilhado ainda mais.

  • Mas pra mim isso pareceu bastante óbvio, talvez não numa maneira planejada até os últimos centímetros, mas com certeza cerebral, consciente e instintiva. Ele sabia que era inevitável a ultrapassagem e com isso, no último momento da reta, só deu um toquinho pra direita obrigando o Verstappen ir por fora da curva e consequentemente forçando pros limites da pista. Max tinha duas opções; frear e deixar Hamilton passar e tentar pacientemente outa tentativa – até parece kkkkkk – ou ir no embalo e tentar ultrapassar. Bom, Max caiu no conto do vigário tal como gente que cai em Telexfree, e aí não deu outra. É isso, piloto mais safo do grid, venceu tirando o coelho da cartola. Venceu naquilo que é o ponto mais fraco do Max.

  • FG, eu não duvido nada qto a armadilha do Hamilton.
    Esses caras são tão ligados em tudo a tal ponto que acredito que sim, Hamilton pensou, armou e lucrou.
    Dias atrás assisti um episódio do Drive to survive que mostrou o Bottas dando vácuo pro Verstappen de modo que precisamente o Verstappen largasse em 2o. é ele, Bottas em 3o. Porque o ideal seria largar do lado ímpar na pista da Rússia.
    E tudo ocorreu perfeitamente como o finlandês planejou.
    Nos, réles mortais, na época só criticamos o finlandês por ter “perdido” a 1a. fila.
    O Hamilton e o Bono são Phoda.
    Abraço

  • Saudações Flavinho Gomes!!!
    O texto é a corrida que assistimos, tá perfeito !
    Aos amigos que gastaram dinheiro com TV parabólica : basta ir em qualquer loja de construção e comprar aquela anteninha digital de R$ 75,00 que pega melhor do que no canal fechado… Um cinema a imagem!

    Ah! Hamilton… Entra ano, sai ano e você sempre nos brindando atuações sensacionais e ontem vc ensinou mais uma : o drible da vaca em Vestappinho, que foi não teve tempo de raciocinar e pimba: Lá fora. Rumo ao oitavo título!

    Abs