SOBRE DOMINGO DE MANHÃ

O mar laranja ao fundo: volta do público, o melhor da Áustria

ITACARÉ(que dia!) – Como vocês veem, estou fora de São Paulo mezzo a negócios, mezzo a lazer. Por isso o rescaldão do GP da Áustria será menos robusto que o habitual. Até porque a corrida nem foi tudo isso, e domingo o textão estava particularmente muito… completo!

Escolhi a foto acima como mais representativa do fim de semana pela volta do público. Só para quem não entendeu o fato de na semana anterior o autódromo estar vazio no GP da Estíria: o governo austríaco tinha estabelecido muitas restrições de circulação por causa da Covid-19, que valeram até o fim de junho. A prova de domingo já foi em julho, mês em que as autoridades sanitárias começaram a relaxar as medidas de distanciamento social graças à vacinação em massa de sua população. Por isso, arquibancadas cheias. Foram 132 mil pessoas nos três dias do evento.

Agora, uma notícia de ontem, para não passar batido: o GP da Austrália foi cancelado e a F-1 está tentando arrumar alguma corrida para o lugar. A prova de Melbourne estava marcada para 21 de novembro. Pandemia, também — os australianos não querem receber muita gente de fora e pronto. Era a antepenúltima do campeonato, depois do Brasil e antes da nova etapa da Arábia Saudita. Não sei o que vão inventar. Mas a Liberty jura que 23 provas serão realizadas neste ano. Talvez seja necessário um rearranjo de datas lá para o fim do ano.

O NÚMERO DA ÁUSTRIA

50

…pódios na carreira tem agora Max Verstappen, 16º nas estatísticas ao lado de Jenson Button. Isso em apenas 128 GPs disputados.

Verstappen, claro, foi o nome do fim de semana pelo domínio, pela ampliação da liderança em cima de Hamilton, pela perfeição de sua pilotagem. Na modesta opinião deste blogueiro aqui, será o campeão. Mas, como escrevi domingo, outros pilotos acabaram sendo protagonistas que, no futuro, merecerão uma menção quando essa corrida for lembrada. Um deles, claro, Lando Norris.

Não fosse a punição por essa defesa de posição que a foto abaixo mostra, chegaria em segundo. Mas o terceiro, claro, não foi ruim. E o piloto da McLaren segue sendo o único que marcou pontos em todas as provas de 2021. Vem sendo um dos grandes destaques da temporada.

Norris x Pérez na relargada: punição tirou segundo lugar do inglês

A FRASE DE SPIELBERG

“Quando vi que era George, pensei: ah, não, qualquer um, menos ele!”

FERNANDO ALONSO
Alonso, décimo colocado: com dó de Russell

O espanhol da Alpine, na foto acima, foi o responsável pelo momento fofura do domingo. Disse que morreu de pena de Russell quando, no fim da prova, chegou na traseira do carro da Williams para lutar por um décimo lugar. Mas tem gente que não tem dó nunca…

ÁUSTRIA BY MASILI

Não dá pra não rir com a charge de hoje do nosso cartunista oficial, Marcelo Masili. Realmente foi uma pena Russell não ter feito seu primeiro ponto com a Williams, mas Alonso não tem culpa nenhuma. E foi muito gente boa com o inglês, como contei domingo. A hora de Jorginho vai chegar. E se não der para pontuar com a Williams, tudo bem. O menino tem bastante tempo pela frente, e com carros melhores na mão. Porque ele não será obrigado a carregar carroças nas costas a vida inteira.

Para quem perguntou nas lives, já que não voltamos ao assunto nem nos vídeos nem aqui por escrito, aconteceu, sim, a reunião da FIA e da Liberty com fabricantes de motores para começar a falar sobre 2025. Foi sábado. Porsche e Audi, que no fundo são a mesma coisa — ambas pertencem à Volkswagen –, foram convidadas. Juntaram-se a Ferrari, Red Bull (que assumirá os motores Honda), Mercedes e Renault.

Parece que a conversa foi bem animada. A Audi está saindo da Fórmula E no fim desta temporada. Pode ser que apareça na F-1 no futuro, se o grupo alemão concordar com o modelo de motorização que será adotado. E qual será? Basicamente, um uso mais generoso de eletricidade nas unidades de potência e adoção de combustíveis sintéticos, “verdes”, que não poluem. Tudo para a F-1 ficar bem na fita.

GOSTAMOS & NÃO GOSTAMOS

GOSTAMOS da corrida de Carlos Sainz (abaixo), que graças às punições aplicadas em Sergio Pérez conseguiu o quinto lugar na prova, depois de ser eliminado no Q2 na classificação. Foi uma das melhores apresentações do espanhol com a Ferrari. Largou com pneus duros e se segurou até a volta 49 para fazer sua única parada. Na parte final da corrida, com pneus melhores que os outros, passou bastante gente para marcar pontos importantes no Mundial.

Sainz: quinto lugar na base da estratégia

NÃO GOSTAMOS da atuação acidentada de Sergio Pérez (abaixo). Meio que jogado na brita por Norris no início da corrida, perdeu várias posições e resolveu descontar a raiva em Leclerc na parte final da prova. Acabou tomando 10 segundos de punição e perdeu o quinto lugar para Sainz por isso (em sexto, o espanhol se aproximou do mexicano e levou por 0s771). Depois, pediu desculpas ao monegasco.

Pérez: sorrisos só antes da corrida

Comentários

  • Só achei estranho uma coisa, referente ao mundo civilizado.
    Aqui o presidente jacaré falou em não se usar máscaras (mesmo após vacina), óbvio que o idiota não sabe o que fala.
    Porém, não vi ninguém de máscara nas arquibancadas, mesma coisa na eurocopa..
    Agora eu já nem sei mais o que é mundo civilizado.
    Não deve existir.

  • Flavio da vez mais …e os números Carsughi… Sobre a reunião das montadoras, gostaria muito de estar lá. Gostaria de lembrar da experiência da Audi na WEC, com aquelas fsssssss fantasmagóricas no escuro entardecer em Interlagos, hibridas-diesel portanto bem perto do Bio diesel. Falando-se em WEC a Toyota também poderia ter sido convidada pois já passaram pela F1.

  • A F-1 hoje só vale um Campeão dominante de forma absoluta, foi assim com Hamilton e agora vale para o Verstappen.
    50 pódios para o Verstappen dentro de 128 GPs disputados, só falta o Título, seria bom que fosse esse ano.
    O público foi quase 100% holandês, em termos de público foi um GP da Holanda dentro da Áustria.
    Lando Norris acabou vítima do bate rodas com Sergio Pérez, por isso acabou sobrando para ele uma penalidade que acabou causando a perda do segundo lugar.
    George Russell e sua missão impossível de pontuar com sua carroça Williams, se está difícil pontuar dentro de Dez, imagine dentro de Oito ou Seis como era no passado.
    Engraçado foi ver o último dos últimos Mazepin penalizado em 30 segundos, o prêmio de consolo dele foi não perder nada de nada, afinal o Mazepin é o último dos últimos.
    Gostamos: Carlos Sainz fez boa corrida, mas o quinto lugar dele acabou sendo levado através da penalidade de Sergio Pérez, se não fosse isso não seria quinto.
    Não Gostamos: Sergio Pérez colecionou um bate rodas com Lando Norris e Charles Leclerc, no final 10 segundos acabou sendo pouco para ele na perda do quinto lugar caindo para o sexto.

  • Nada como a experiência. Na pista, dois pilotos se encontram e vão disputar a posição. E não importa histórico, posição na tabela ou algo qualquer que não seja o merecimento (velocidade+braço) daquele momento. O espanhol fez a sua parte na última corrida. Justo!

    Mas me lembro de Alonso dando chiliques com DiGrassi, em 2010 e Petrov, em 2012, por não abrirem caminho para o espanhol que disputava o título.

    No mais, esse ponto que escapuliu vale mais para a Williams do que para Russel. O inglês já está fazendo hora extra na equipe e todos sabem disso.

  • George Russel tem um talento indiscutível. Isso é inegável e visto por 100% de quem entende F1. Porém é exageradamente tratado como futuro campeão (está longe disso) pelos “entendedores/torcedores/imprensa torcedora” do esporte. O mais engraçado é que a Mercedes não o tem na equipe. Aproveito a charge do cartunista para falar mais friamente do rapaz e quebrar alguns tabus, a história de carregar a Williams nas costas não é/foi tarefa apenas do britânico. Russel cultiva um record negativo que ninguém tem coragem de falar, para não ferir o próprio ego. Depois que Russel entrou na Williams, a equipe passou a ter os piores desempenhos da sua história. Sim mais de 50 anos na F1 e a Williams de 2020 com a dupla Russel/Latifi entrou para história como a pior de todos os tempos. Em 2019 com Russel/Kubica o desempenho foi o 2º pior da história, outro recorde negativo para Williams, apenas 1 ponto marcado. E por Kubica (com um braço e meio), tornando Russel o pior piloto Williams da história. Mas as Russeletes podem gritar histéricas que “também né.. com uma carroça dessas”. Então vamos para um choque de realidade para as Russeletes, com os piores anos da Williams:
    Em 2018 a Williams tinha a “ótima dupla” Stroll/Sirotikin, terminaram o ano em 10º lugar nos construtores, e ambos os pilotos fizeram pontos, com o canadense à frente.
    Em 2013 a Williams tinha o estreante Bottas e o atrapalhado Maldonado, a equipe terminou em 9º e ambos os pilotos fizeram pontos, com o finlandês à frente.
    Em 2011 a dupla era formada por Barrichello/Maldonado, a equipe terminou em 9º lugar nos construtores, ambos fazendo pontos e o brasileiro batendo o venezuelano.
    OBS: Quando escrevi que Russel é o pior piloto da história da Williams e não Latifi, é porque o canadense tem três 11º lugares enquanto Russel tem dois, e com 20 corridas a mais que Latifi. Os únicos pontos de Russel foi com a Mercedes substituindo o comandante, e largando e chegando atrás de Bottas. Os números são cruéis. E os resultados de Russel são péssimos.
    Russel tem mais talento que metade do grid, mas a capacidade de fazer burradas quando está na zona de pontos é no mínimo considerável. Poderia ter já uns 10 pontos com a Williams, mas na hora das decisões, na hora da verdade, a inexperiência e a ineficácia aparecem. Nem vou falar de azar porque de cada azar em corrida que Russel teve, eu menciono dois do Bottas e três de Hulkemberg. Esse é o lado de George Russel que a mídia esconde, e o público nutella (infelizmente hoje é maioria entre nós) não tem capacidade para ver.