SCHUMACHER

A “noiva” Schumacher: sempre sorrindo (crédito: Thais Lessa Carneiro)

SÃO PAULO (não percam) – Quase todas as vezes que vi Schumacher ele estava sorrindo. Não é muito difícil entender por quê. Nos primeiros dias, chegava à Fórmula 1 meio por acaso espantado, feliz, quase incrédulo. Logo depois estava com um carrinho melhor, e já no ano seguinte vencia sua primeira corrida, e um pouco adiante já era bicampeão mundial. Aí, desembarca na equipe mais popular do planeta, abraça um desafio que não era para qualquer um, tira o time da fila, conquista cinco títulos vestido de vermelho, vira um deus para a torcida mais apaixonada do mundo, e quando decide parar está plenamente realizado. Num gesto de gratidão, volta três anos depois para emprestar sua sabedoria a quem lhe deu a primeira chance, faz o que tinha de fazer e sai de cena sob aplausos calorosos de todos.

Para quem catava pneu usado no lixo para correr de kart na pista em que o pai era uma espécie de gerente-zelador, puxa vida… Era, sim, o caso de olhar para trás e dizer: acho que sou um cara feliz. E gente feliz sorri.

Essa foto aí no alto nunca tinha sido publicada antes. Aliás, se alguém for reproduzir, favor dar o crédito: Thais Lessa Carneiro. Não lembro direito o ano, acho que foi em 2003. O lugar eu sei. Era o hotel onde a gente ficava em Madonna di Campiglio, nos Alpes Italianos, que a Philip Morris fechava todo começo de ano para o Wrooom, evento de apresentação das equipes de corrida que patrocinava. Ferrari, basicamente. Às vezes aparecia alguém da MotoGP.

Algumas dezenas de jornalistas eram convidados para o Wrooom, que consistia em eventos oficiais — como entrevistas coletivas e promoções de patrocinadores –, outros de puro lazer — jantar no alto de alguma montanha para descer de esqui carregando tochas, aulas de snowboard, almoços soberbos com os picos nevados como cenário — e mais alguns fora do roteiro. Entre esses últimos, baladas épicas e fins de noite regados ao que tivesse no bar.

Foi em um desses finais de noite que nos juntamos num dos pequenos salões do hotel para mais uma dose, e mais outra, e mais outra, inimigos do fim que éramos, quando Schumacher apareceu vestido de noiva, colocou uma saia na cintura de Barrichello e tirou o parceiro para dançar, rindo sem parar, enquanto um amigo brasileiro do Rubinho tocava qualquer coisa no piano.

(Não eram tempos de celulares com câmeras, muito menos de redes sociais e aplicativos de transmissão ao vivo. Toda hora é preciso lembrar disso, porque muitas pessoas parecem acreditar que essas coisas sempre existiram, o que leva a uma certa indignação quando se deparam com imagens inéditas e “inexplicáveis” diante da lógica instagrâmica ou tik-tókica de enxergar o mundo.)

Caímos todos na gargalhada e a Thais, minha mulher na época, estava com uma pequena máquina analógica de filme 135. Tirou três fotos e continuou se divertindo, como todos nós. Era apenas o registro de um momento feliz. Eu nem reparei na hora que ela tinha batido as fotos.

No dia seguinte, porém, o assessor de imprensa da Ferrari, Luca Colajanni, me procurou no café da manhã com seu jeito urgente e dramático. “Flavio, Flavio, pelo amor de Deus, você fotografou Michael de noiva?”, perguntou. “Eu não, mas a Thais, sim”, respondi, caindo na gargalhada de novo, e ela também.

Luca estava morrendo de medo de que aquelas fotos fossem publicadas. Era a imagem dele, a imagem da Ferrari, oh, não!, oh céus!, o que vamos fazer agora?, e diante daquele desespero todo falei que já tínhamos vendido para os tabloides ingleses, era tarde, o que o deixou ainda mais apavorado. Então, com medo de que tivesse um infarto, dei a bronca sincera. “Luca, vaffanculo, você parece que não conhece a gente!”, disse, o que pareceu tranquilizá-lo. “Isso nunca será publicado, é foto pessoal, fica sossegado, não enche. Senta aí e come um croissant.”

Depois disso, e durante anos, sempre que queria atormentar Colajanni o chamava num canto e dizia que estava precisando de dinheiro, e por isso tinha vendido as fotos, e ele me mandava para o inferno, e creio que nem se lembra mais, faz muito tempo, Schumacher parou, ele mesmo saiu da Ferrari, depois foi trabalhar na FIA, voltou à equipe, faz tempo que não nos falamos. É um amigo querido.

Por que conto essa longa e desimportante história hoje? Para tentar dar algum sentido ao que vou dizer sobre o documentário “Schumacher”, lançado ontem pela Netflix, que vem sendo elogiado por uns, criticado por outros, submetido aos tribunais digitais com suas verdades definitivas e suas discussões descartáveis.

Schumacher estreou na F-1 em 1991, parou de correr no fim de 2012 e sofreu o acidente que o tirou do convívio público há oito anos, andando de esqui na França. Nesse intervalo defendeu Jordan, Benetton, Ferrari e Mercedes, ganhou 91 GPs, subiu ao pódio 155 vezes, fez 68 poles, liderou 142 dos 306 GPs que disputou, conquistou sete títulos mundiais, se casou com Corinna, uma mulher excepcional, teve um casal de filhos lindos, Gina e Mick, adotou uns cachorros, ganhou muito dinheiro e respeito de seus pares.

É uma vida e tanto, não é fácil resumi-la em menos de duas horas, e por isso me parece um pouco pueril assistir ao filme procurando nele defeitos ou lacunas de informação que estão disponíveis em outros arquivos, plataformas e publicações. Não é um trabalho que tenha a pretensão de esgotar o assunto, de se transformar no documento definitivo sobre a trajetória de Schumacher, e quem se propõe a realizar uma obra desse tipo acaba tendo de escolher um caminho para contar a história que lhe cabe.

No caso dos três diretores que assinam o documentário, Hanns-Bruno Kammertöns, Vanessa Nöcker e Michael Wech, deu para notar que não se preocuparam tanto com uma estrutura recheada de dados históricos e estatísticos que resultasse num filme laudatório para endeusar ainda mais o piloto, transformando-o em alguma espécie de mártir carregado de heroísmo. O fio condutor é cronológico e entremeado por depoimentos despojados de emoções ou pausas dramáticas que desaguem em lágrimas baratas para comover quem está assistindo. Quem chora é Corinna, no fim. Mick fica com os olhos marejados quando diz que não pode mais conversar com o pai, justo agora que eles teriam tanto para conversar. Esposa e filho. “Michael está aqui. Diferente, mas ele está aqui”, ela diz. É forte. É de chorar, sim.

Mas Flavio Briatore, Damon Hill, David Coulthard, Jean Todt, Eddie Irvine, Ross Brawn, Mark Webber, Luca di Montezemolo, Mika Hakkinen, Sebastian Vettel, Ralf Schumacher, Wili Weber, Bernie Ecclestone, Sabine Kehm, Rolf Schumacher, Piero Ferrari, e devo ter esquecido mais alguns entrevistados, não querem fazer ninguém chorar. Nem convencer os outros de que Michael era maior do que foi. Schumacher é mostrado como o que era de verdade: um piloto de enorme talento, perseverante, cheio de vontade de vencer, determinado e competitivo, tímido e afetuoso, que lutou muito para chegar onde chegou. E como sabia que só tinha chegado lá graças ao seu esforço e determinação, se sentia feliz e sorria.

Faltou um monte de coisa? Sim, faltou. Poderiam ter entrevistado Nelson Piquet, Rubens Barrichello, Felipe Massa? Sim, como poderiam também ter entrevistado Riccardo Patrese, Eddie Jordan, Jacques Villeneuve, Bertrand Gachot, Roberto Moreno, Martin Brundle, J.J. Lehto, Johnny Herbert, Jos Verstappen, Heinz-Harald Frentzen, Karl Wendlinger, Peter Sauber, Balbir Singh (seu fisioterapeuta indiano), Mika Salo, Juan Pablo Montoya, Fernando Alonso, Nico Rosberg, todos que passaram por sua vida como companheiros de equipe ou rivais nas pistas, ou que de alguma forma mexeram as peças do tabuleiro de seu destino, ou que contribuíram para seu sucesso. Todos teriam alguma coisa para falar.

Alguns episódios foram pinçados na linha do tempo de Schumacher, como a discussão com Senna na França, a primeira vitória com a Ferrari na chuva em Barcelona, o GP de San Marino de 1994, a batida em Silverstone, os acidentes com Hill e Villeneuve em disputas de título, o dia em que igualou o número de vitórias de Ayrton, o quiproquó com Coulthard debaixo d’água em Spa, a primeira aposentadoria depois de transformar a Ferrari, o retorno pela Mercedes, os testes em Fiorano de sol a sol, a solidão numa academia de ginástica montada para ele em Maranello, a obsessão pelo trabalho. Faltaram outros? Claro, eu mesmo poderia citar uma dezena, uma centena, talvez: a prisão de Gachot, a demissão de Moreno, as suspeitas sobre a Benetton de 1994, as punições impostas pela FIA, a volta na Malásia depois de quebrar a perna, os domínios absurdos de 2002 e 2004, o campeonato apertadíssimo de 2003, as perucas vermelhas, o churrasco com a gente em Magny-Cours, a vitória em Ímola no fim de semana da morte da mãe, as ordens de equipe na Áustria, os milhões de dólares entregues às vítimas do tsunami no Japão, as dificuldades na retomada da carreira na F-1, o último pódio, a vida depois da queda em Méribel. Mas como contar tudo? “Schumacher” não é uma biografia completa. Assim tem de ser visto. Com ternura, alguma nostalgia, admiração e saudade.

Há beleza nesse domínio, eu dizia e escrevia anos atrás, quando Michael vivia o auge e ganhava tudo, para desespero dos que ansiavam por uma F-1 mais competitiva e disputada. Havia, mesmo. Era bonito vê-lo vencer corridas de todas as maneiras possíveis, esmagar os adversários, fazer voltas inacreditáveis, buscar os tempos exatos determinados por seus engenheiros para conquistar posições nos pit stops, cumprir estratégias com precisão, reagir aos imprevistos. Era belo vê-lo guiando na chuva, fazendo uma ultrapassagem, caçando implacavelmente um carro à frente, regendo uma orquestra imaginária nos últimos acordes do hino da Itália no pódio.

E era bacana quando num fim de noite, saindo da sala de imprensa, o autódromo já escuro e silencioso, eu o via ao longe ainda no motorhome da Ferrari, tomando uma cerveja com os mecânicos, às vezes fumando um cigarrinho, e sempre sorrindo, como quase todas as vezes em que o vi.

Espero que Michael ainda sorria.

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1 mês atrás

[…] Recomendo também o texto publicado pelo jornalista Flavio Gomes logo após o lançamento do documentário, que pode ser lido aqui. […]

Jefferson Holanda
Jefferson Holanda
10 meses atrás

Que texto! Vim ler pela indicação no Fórmula Gomes de hoje. Imagino que o FG tenha se emocionado ao escrever, assim como emociona quem lê. Belíssimo!!!

Péd BREQUE
Péd BREQUE
2 anos atrás

Sempre, que lia algo que o FG escrevia sobre o alemão desconfiava, no entanto, esse documentário mostra como esse “multimídia de araque” estava certo, os números dizem quem foi ele para a F1. Abs

Alexandre Faria
Alexandre Faria
2 anos atrás

Belíssimo texto Flavio !! Infelizmente o reconhecimento do Shumi aqui no Brasil era geralmente atrelado ao clima de competição contra os pilotos brasileiros que era pregado pela Globo.

Estes últimos anos sem brazucas na F1 tem sido bons para reforçar o reconhecimento do esporte e dos caras que estão lá. Por exemplo, acho o Verstappen um puta piloto, e ao mesmo tempo eu nunca havia torcido tanto pelo Hamilton como estou torcendo neste ano.

Abraços !

CJ
CJ
2 anos atrás

Esse Documentário do Schumacher apenas mostra a trajetória dele, e o resto em relação a sua saúde coloca o que já sabemos mesmo sem ver ele.

Carlos Sato
Carlos Sato
2 anos atrás

Assisti o documentário e só tenho uma coisa a dizer. Que mulher forte, determinada e leal é Corinna Schumacher. Ela melhor do que ninguém para falar sobre o ser humano Michael, não o piloto. Quem acompanhou a F1 nesses anos, sabe quem é o piloto e como ele se fez. Corinna nos dá, com seu depoimento, uma dimensão não tão visível do homem Michael, seus medos, suas dúvidas, seu temperamento, suas dores. E claro a alegria de viver. E ouvindo esse depoimento, entendo os motivos que a levaram a blindar completamente o seu marido de toda e qualquer especulação sobre seu real estado de saúde. Deixem que eles, enquanto família, desfrutem da companhia do ser humano Michael.
PS. Duas outras coisas me chamaram a atenção. Lauda foi um dos artífices da ida de Schumacher para a Ferrari. E tanto um como outro, foram questionados pela Scuderia. Lauda em 76 após o pavoroso acidente em Nurburgring, e Schumacher em 99 após a batida em Silverstone.

Rafael
Rafael
2 anos atrás

Gente, superem o Rubinho. E daí que ele não apareceu?
Eles só mostraram a fase-ferrari nos anos de luta. Depois de 2000 a coisa encaixou. Rubinho ja chegou numa equipe quase pronta.
E, chorão e mau perdedor como era, não merecia aparecer msm. Se quiser falar alguma coisa que escreva no livrinho dele….

Arthur
Arthur
2 anos atrás

Só um detalhe sobre o documentário. É impressão minha ou mostram o Barrichello pilotando enquanto Ross Brawn fala do Schumacher. Não perceberam que era o Rubens…

Ferrarista
Ferrarista
2 anos atrás

Foi o segundo campeão, depois de Fangio, a unificar todos os grandes recordes da Fórmula-1.

Israel
Israel
2 anos atrás

Lembro de ler a coluna do FG no Lance ainda quando eu era garoto.
Nunca esqueço de uma em que o Flavio mencionou que o Ayrton Senna era o único que não o chamava de Flavinho.
Anos mais tarde ‘reencontrei’ esse pentelho no programa Limite que passava na ESPN e logo depois, quando passei a ter acesso a internet em casa, aqui neste Blog.
O programa Limite era com o João Carlos Albuquerque – vulgo canalha – e com o Mauro Cezar Pereira.
No tempo em que eu lia as colunas do FG no Lance, eu era um moleque que ia as bancas de 15 em 15 dias comprar a revista Racing para ler.
Na última página sempre tinha uma coluna do Marcus Zamponi.
Creio que já se vão quase 20 anos da época do Lance e eu quis vir até aqui pois sabia que o Flavio iria falar algo sobre o documentário Schumacher.
Na verdade, em tempos tão tristes em que estamos vivendo, a vontade era a de voltar lá no passado, sentir o cheiro do Jornal e pensar que no fim de semana teria uma corrida com Schumacher, Barrichello, Coulthard, Hakkinen, Montoya, Ralf, etc.

Muito triste a parte final do documentário. Principalmente a fala dos filhos.

Voltei aqui pra relembrar minha infância e adolescência. Me bateu uma saudade daquele tempo. Tempo que me fez conhecer bem a F1. E me deu uma vontade de dar um abraço na família do Schumacher. Óbvio que é só uma coisa instintiva de alguém que sente compaixão… mas putz.. porque o mundo é tão cruel.

Obrigado, Michael..
E obrigado Flavio Gomes.
Não é rasgação de seda, mas é que também era bacana ler suas análises pós-corrida naquela época.

Nico
Nico
2 anos atrás

Texto espetacular…

Tufi Meres
Tufi Meres
2 anos atrás

Excelente resenha
Parabéns

Ewerton
2 anos atrás

Obrigado pelo texto. Mês passado orei por Schumacher. Agora esse texto. Grande piloto. Que jesus o ajude.

Paulo Dantas Fonseca
Paulo Dantas Fonseca
2 anos atrás

Prezado F&G : Quantos campeões da F-1, você viu vencer, acredito que muitos.Mas Michael Shumacher quebrou todos os paradigmas .Após os últimos títulos de Niki lauda e de Jody em 1979. MCS Tornou a equipe FERRARI gigante em termos de resultados positivos fazendo superar o maior trauma da Fábrica Ferrari, e sua derrota para os Ford GT-40Mark II(Pilotos Bruce Mclaren- Chris Amon-/ Denis Hulme- ken Milles). Sim Michael S. foi um piloto que teve uma história completa de superação, vitórias, jogo sujo com Demon Hill, e Jacques Villeneuve,e derrota para Mika Hakkinen. Michael venceu , mas os sete títulos de F-1 MSC são incríveis . Agora será possível uma superação por parte de Lewis Hamilton.

JULIANO ARMSTRONG ARNOSTI
JULIANO ARMSTRONG ARNOSTI
2 anos atrás

Achei q os diretores tentaram imprimir uma aura meio heroica ao homem e ao piloto, assim como a Globo faz aqui com o Senna, apenas de uma forma menos exagerada (o que coloco na conta das diferencas culturais entre Brasil e Alemanha). Mas, apesar dessa abordagem sennistica, gostei bastante. Alias, escrevendo isso aqui, me dou conta de uma coisa: os dois como pilotos e as coisas que os cercavam na F1 eram muito, mas muito mais parecidos do q qq fã cego do Senna gostaria de admitir.
De revelador (ou confirmador do que já imaginávamos), apesar de não ser dito de forma direta, penso que as declaracoes da Corinna e do Mick deixam claro que infelizmente ele está em um estado vegetativo ou algo bem similar a isso.

Carpena
Carpena
2 anos atrás

Texto incrível, ele além de tudo era um ser Humano. Tive a oportunidade de conhece-lo saltando de paraquedas, uns 10 dias antes do fatídico acidente. Era um cara quieto, mas como você disse, sorridente, parecia alguém feliz com a vida que construiu!

Cristiano
Cristiano
2 anos atrás

Fazer um doc sobre o Schumi e não ouvir Barrichello?! Certamente isso foi proposital. E uma pena.

Rene
Rene
2 anos atrás

Perfeito Flávio… Preciso e perfeito!
Melhor análise do filme e do contexto do ser humano Schumacher!!!
Parabéns pelo texto.

Jose Reymao
Jose Reymao
2 anos atrás

Flavinho
Posso não concordar com 100% do conteúdo mas concordo 100% com a forma. Parabéns pelo texto.

Thiago
Thiago
2 anos atrás

Não vi o documentário, mas li a declaração da Corina. Achei surpreendente porque depois de anos escondendo e dando declarações sucintas e enigmáticas, fica cristalino como água o estado de saúde dele: Michael está em estado vegetativo, coma vigil, seja lá a definição médica que for. Acho que nós, os fãs, não queríamos enxergar isto, que era óbvio há tempos. Michael se foi, uma parte dele pode estar aqui, mas ele de verdade se foi. Triste, inacreditável, é impossível aceitar um destino assim. Principalmente para um cara com tanta saúde e que fez o que fez na vida.

Barreto
Barreto
2 anos atrás

Toda vez que tu apronta um textão bão desses eu fico a me perguntar, por que ele fala tanto em parar de escrever no blog?

Fabio Burian
Fabio Burian
2 anos atrás

Algumas constatações.

A esposa do Schumacher (Corinna) e uma mulher de fibra. Virei fã dela por conseguir gerir uma situação tao triste da forma como ela fez.

Achei deselegante não mencionar Rubens, na fase áurea do time bem ou mal ele contribuiu.

E o depoimento do filho dele é de cortar o coração.

Sanzio
2 anos atrás

Fiquei tocado com a parte do Mick dizer que não pode conversar com o pai agora que precisa tanto.
Na hora já me veio à cabeça a importância do Vettel para o garoto.

Rodrigo
Rodrigo
2 anos atrás

Caramba, Flávio! Que texto bacana.

Parabéns!

Paulo Leite
Paulo Leite
2 anos atrás

Mesmo sem ter assistido ao documentário, ainda, aposto que seu impecável texto é melhor. Aposto também que Michael sorrirá, quando alguém ler pra ele.

Alfredo Sousa
Alfredo Sousa
2 anos atrás

Por acaso não acho que você escreva nada por ai além, quando alguém comentou e falou em morte heroica você respondeu logo, de uma forma pavloviana e porquê ?

Porque o comentador falava de Senna….o seu instinto foi logo rebater,
Jim Clark morreu numa prova de F2 na Alemanha….Herói nada não é ?

Na verdade você aqui em Portugal não é conhecido nem por escrever bem nem por conduzir bem nas provas amadoras em que você entra ai no Brasil….é mais conhecido por polémicas seja sobre F1 seja sobre futebol, chama os outros de fanáticos mas não admite pensamento diferente.

Uma perguntinha: se Senna não correu contra ninguém, Schumacher correu contra quem ? Damon Hill ? ou o empregado Barrichello que parava nos últimos 50 metros ?

É fácil rebater os seus fracos argumentos, basta conhecer um pouco do meio

você devia procurar aconselhamento , ajuda, terapia….o nome Senna te perturba demais.

Se calhar porque em todo o homem há a mania que somos os melhores no volante e ele fosse aquilo que você no seu pequeno mundo nunca conseguiu ser….

Cumprimentos…

João 1982
João 1982
2 anos atrás

Schumacher merece uma série de 30 episódios.
Fiquei muito triste pq esperava notícias melhores sobre a condição atual dele.
Pra variar você, Flávio, me fez chorar com seu belo texto. Bem que vc podia escrever um livro sobre o gigante, o maior de todos, Michael Schumacher!!
Lula2023!!!

João 1982
João 1982
2 anos atrás

Schumacher merece uma série de 30 capítulos. Fiquei muito triste pq achava que teria notícias melhores sobre a atual situação dele.
E vc, Flávio, pra variar me fez chorar com esse texto.
Bem que podias escrever um livro sobre o enorme, maior de todos Michael Schumacher!!!

Fernando Mazzanti
Fernando Mazzanti
2 anos atrás

Muito lindo o filme. Muito linda sua homenagem de novo aqui. Abraços, Flavio

ADALTON LEANDRO DE MOURA
2 anos atrás

Grande Flavio!
Ótimo texto, como sempre!
Primeiro assisti e depois vim aqui.
Curti o doc. Os pontos altos são suas declarações referentes a morte de Senna, seus esforços em colocar a Ferrari no topo, sendo um puta parceiro, mesmo com um carro patético. E a família. Família é foda! Ele sem camiseta mexendo no kart com Mick no colo é demais. Deve ser foda pro moleque.
Abraço Flávio!

JT
JT
2 anos atrás

Santo Deus, que texto.

Leonardo Braga
Leonardo Braga
2 anos atrás

Obra-prima de texto Flavio! Nunca tive o Schumacher como ídolo ou piloto favorito, mas certamente foi um dos esportistas mais marcantes que vi em minha vida. Cresci vendo ele fazendo poles, voltas inacreditáveis, ganhando corridas, batalhando com diferentes rivais e, sobretudo, escutando o hino da Alemanha seguido pelo hino da Itália. Fiquei muito chateado com o acidente que ele sofreu em Méribel, porém ao ler seu texto pude resgatar minhas memórias de criança e adolescente nas quais Schumacher ainda brilha e sorri. Ainda não assisti ao documentário, mas certamente, após ler seu texto, vou assistir e saboreá-lo ainda mais. Abraço!

Michel Aleixo
Michel Aleixo
2 anos atrás

Flávio, desde Jesus Cristo o que não falta é morte heroica por aí.

CRISTIANO COSTA MELO
CRISTIANO COSTA MELO
2 anos atrás

Belo texto! Parabéns pela palavras.

Wilson
Wilson
2 anos atrás

vai escrever bem assim lá na p… textaço!!! concordo com 101% do que foi escrito

DIOGO LIMA
DIOGO LIMA
2 anos atrás

Texto com o padrão Flávio Gomes de qualidade.

Gosta (gostava?) dos seus vídeos de terça-feira do Grande Prêmio, entretanto é muito bom ler um texto seu. Acredito que par algumas coisas sejam bom um vídeo, e para outras texto escrito e os seus são muito bons.

Por mais textos e pela volta do seus vídeos de terça-feira no “GP às 10”.

Luis Fernando da Silva
Luis Fernando da Silva
2 anos atrás

O melhor de tudo , é que vc , como testemunha destes acontecimentos ,transporta nós simples leitores e.m participantes desses momentos tão únicos… Obrigado por nos presentear, e Viva Schumi…

Tumari
Tumari
2 anos atrás

Taqueopariu, que leitura deliciosa. Parece chocolate, vicia. Escreve mais (já li todos os livros), me dá mais, mais, maaaisssss. kkkkkkkkk parabéns! Agora vou pro rehab.

Alfredo Aguiar
Alfredo Aguiar
2 anos atrás

Poltaquiospariu né Gomes. Pega leve. Ter que ler teu blog de lenço na mão tirando sujeira dos olhos é phoda.
A vida é louca né não? Eu gosto muito do Schumacher
Não vi o documentário ainda, estou esperando a oportunidade pra assistirmos todos juntos aqui em casa, talvez hoje ou amanhã. Mas depois de ler o que foi escrito aqui é só pegar mais uns lenços. Já sei que vou gostar.

Sergio Kuiz
Sergio Kuiz
2 anos atrás

Belo texto….Belíssima carreira do piloto que não pode ser reduzida à frase: “Hoje não… hoje não….Hoje sim… Hoje sim!”
Mesmo porque: “O combinado não sai caro”.
Saúde, Flavinho!
Abraco!

CHAGAS
CHAGAS
2 anos atrás

Após a batida na traseira de Coulthard e após os nervos estarem em temperatura normal, o escocês relata que falou para Schumacher que ele havia batido na traseira da Mc Laren, que cada um tem que assumir sua parcela de culpa, e que “as vezes, você comete erros”. O alemão olhou levemente para cima, pensou e mandou “não que eu me lembre”.
Esse era Schumacher as centenas de vezes de acertos acabam apagando os poucos erros, piloto brilhante e extremamente profissional. Sempre dividia suas vitórias com todos da equipe. A Benetton era de Schumi, a poderosa Ferrari também.
Figura no meu pódio de melhores pilotos de todos os tempos.
Infelizmente a constatação, o jeito solitário que a esposa narra, e Mick praticamente depondo como um órfão, nos faz constatar aquilo que já é sabido. Schumacher que nos premiou até sua última gota nas corridas, hoje faz uma falta imensurável para os seus entes queridos.

Cícero Leão
Cícero Leão
2 anos atrás

Eu não era fã do Schumacher….mas não há como negar a genialidade dele. Flávio, que texto sensacional. Obrigado por compartilhar conosco.

Luiz Gustavo
Luiz Gustavo
2 anos atrás

Parabéns pelo texto! Jornalismo puro, pois vai além da idiota objetividade.

Geraldo Nunes
2 anos atrás

Flávio, você sempre admirou o Schumacher e te respeito por saber que entende muito mais de F-1 do que eu. Mas ficou em mim as imagens de um piloto trapaceiro, acusado por Ayrton Senna de correr com um carro irregular e que perderia o titulo de 1994 se não tivesse jogado o carro em cima de Damon Hill e que depois tentou fazer o mesmo com Villeneuve e várias fez questão de humilhar Rubens Barrichello. Por isso não pretendo assistir a esta série da Netflix, mas continuo a te admirar, adorando seus comentários. Como você sigo apaixonado por F-1 desde os tempos de Emerson Fittipaldi. Abraço a você e sucesso.

Peixe
Peixe
2 anos atrás

Lindo texto Flavio!
Assisti o documentário tendo muitas emoções diferentes. Lembrando daquele tempos…
Belo filme.
Emocionante!
Chorei assistindo ao filme, e chorei lendo seu texto agora

Andre BENEVIDES
Andre BENEVIDES
2 anos atrás

O melhor de todos!

Carlos Silva
Carlos Silva
2 anos atrás

Se o documentário não foi feito pra gente chorar falhou feio, chorei muito. Chorei de saudades dos tempos em que em Domingo de Fórmula 1 ninguém me ligava porquê sabia que eu não ia atender pois aquele momento pra mim era sagrado. A Aposentadoria do Schumacher na Ferrari foi também a minha aposentadoria da Fórmula 1, pois eu tinha certeza e a cada dia comprovo que o que assisti ele fazer ninguém mais repetiria.
Que inveja boa sinto de ti por ter acompanhado tão de perto a História sendo feita.
Grande abraço

Clayton Lima
Clayton Lima
2 anos atrás

Belo texto. Pra quem viu do começo ao fim de sua carreira na F1, acrescentou mais ainda. Parabéns!!!

HERBERT HENRIQUE DE PAULA DE PAULA
HERBERT HENRIQUE DE PAULA DE PAULA
2 anos atrás

Que texto fantástico!!! Saudades em ver o Shumi, rei das voltas rápidas!!!

Michel Aleixo
Michel Aleixo
2 anos atrás

As histórias de Schumacher e de Senna são igualmente trágicas. A diferença é que o desfecho de Senna é heroico. O de Schumacher é apenas triste.