MIAMI VICE (4)

SÃO PAULO (blergh) – Dado o adiantado da hora (não gosto de corridas vespertinas), o resumo da sexta-feira em Miami será telegráfico. Pode ser? Cheio de caixinhas coloridas. Pronto.

ACORDOU? – Sim, é isso mesmo que vocês estão vendo aí em cima. Russell em primeiro, Hamilton em quarto. A Mercedes claramente melhorou. Vai ganhar a corrida porque ficou na frente em um treino livre? Não, claro que não. “Melhoramos, mas é tudo passo a passo”, disse Lewis. “Começamos fortes, mas o que vale é amanhã”, emendou George. “Não vamos nos emocionar com isso”, concluiu Toto Wolff. Resumindo, devagar com o andor. Essa pista é anômala demais para que dos resultados nela apurados se tirem conclusões definitivas para um campeonato inteiro.

NÃO AGRADOU – A pista de Miami é ruim. Preocuparam-se com tudo: festas, shows, eventos, leilões, celebridades, teleférico, praia artificial, marina fake. Mas se esqueceram do principal, que é o esporte. Típico de americanos — embora os idealizadores do circuito sejam ingleses. O traçado nem é o problema; há bons e ruins, muitas vezes vai do gosto. O que pegou foi o asfalto ondulado e a falta de aderência absoluta fora da linha ideal. “Não é possível que nos dias de hoje não se consiga fazer um asfalto liso e regular”, reclamou Hamilton. “As ondulações são muito, muito grandes. Especialmente nas emendas. A gente esperava que seria uma pista bonita e lisa. Não é.” Essas emendas aparecem nos pontos em que o estacionamento do Hard Rock Stadium, onde foi feita a pista, se junta a trechos novos de asfalto. Outro alvo de críticas de todos: a sequência entre as curvas 11 e 16, feitas a 70 km/h. “É muito lento e estreito. Espero que mudem isso no ano que vem”, disse o piloto da Mercedes.

Pérez: melhor Red Bull do dia

NINGUÉM PASSA – Para piorar as coisas, a aderência fora do traçado ideal praticamente não existe. “Vai ser muito difícil fazer ultrapassagens por isso”, falou Pérez. “É horrível fora da linha, uma decepção”, concordou Norris.

SÓ PROBLEMAS – Max Verstappen ficou sem tempo no segundo treino livre. Seu carro teve problemas hidráulicos, o volante ficou pesado, o câmbio teve de ser trocado depois da primeira sessão, e o vazamento de fluidos acabou incendiando os freios traseiros. “Foi um dia horrível para ele”, reconheceu Christian Horner. No primeiro treino, Max ficou em terceiro. No total, em duas horas de treinos, completou apenas 15 voltas. “Dias assim são dolorosos”, resmungou o piloto.

CARROS, ENFIM – Apenas para registrar, o mais rápido na primeira sessão oficial de treinos em Miami foi Leclerc, com o tempo de 1min31s098. As primeiras voltas registradas no circuito estavam na casa de 1min36s, com os pilotos se preocupando em conhecer o traçado. Russell fechou o treino em segundo, 0s071 atrás do monegasco da Ferrari. A surpresa do TL1 foi Albon, da Williams, em sétimo. Bottas, da Alfa Romeo, foi o responsável pela primeira bandeira vermelha do fim de semana. Bateu de leve entre as curvas 7 e 8 e danificou a parte traseira de seu carro. Nem pôde participar da segunda sessão.

BRINCOS & PIERCINGS – A polêmica matinal em Miami foi a insistência da FIA em proibir os pilotos (leia-se Hamilton) de usarem brincos, correntes, pulseiras e piercings metálicos. Motivos de segurança. Irritado, Hamilton apareceu numa entrevista com três relógios, quatro correntes no pescoço, oito anéis, dois brincos e sabe-se lá mais o que espetado no corpo. “As pessoas não podem ser proibidas de ser como são”, defendeu-se. Ameaçou até não correr se obrigassem-no a tirar o piercing. No fim, foi só espuma. Ninguém o obrigou a nada. Polêmica desnecessária. Lewis posou de rebelde e soltou um discurso libertário diante de uma exigência que nunca teve motivação identitária ou estética — de novo, era apenas uma recomendação de segurança. Depois de falar com médicos da FIA, combinou que, na próxima corrida, seguirá as determinações.

CUECÃO – Mais divertido foi o “protesto” de Vettel. A FIA também avisou que pretende fiscalizar as vestimentas dos pilotos, que devem ser feitas de tecido antichama dos pés à cabeça — incluindo a roupa de baixo. O alemão da Aston Martin vestiu a cueca sobre o macacão para mostrar que ela é feita do material exigido. “Somos todos adultos, usamos essas roupas faz anos, todo mundo sabe o que faz”, falou. E saiu em defesa das bijuterias de Hamilton. “Parece que estão lembrando dessas regras só por causa dele.”

Tempos do segundo treino: só Russell em 1min29s

BAHREIN COVER – O circuito de Miami tem exatamente a mesma extensão que o de Sakhir, no Bahrein: 5.412 m. Russell fez a melhor volta do dia em 1min29s938 hoje. No Bahrein, a pole de Leclerc neste ano foi registrada em 1min30s558. São pistas com médias de velocidade semelhantes, na casa dos 215 km/h.

SURPRESAS – Ao final da segunda sessão de treinos livres, além da primeira e da quarta posições da Mercedes, alguns resultados surpreenderam: Alonso em quinto, Gasly em sétimo e Zhou em oitavo. Magnussen voltou a andar bem, em décimo. Schumaquinho, em 15º, foi mal. Assim como Ricciardo (12º, contra o sexto de Norris), que parece que não vai mesmo. Na Ferrari, Sainz bateu de novo. Estava em primeiro quando perdeu o controle na curva 14 e estampou o muro de proteção. Terminou o dia com o 11º tempo e a certeza cada vez maior de que é segundão de Leclerc e não pode reclamar.

Ricciardo: nem com cropped…

CALORÃO – As temperaturas durante toda a tarde em Miami ficaram entre 32°C e 34°C. No asfalto, no primeiro treino, 52°C; no segundo, 42°C. “Lembra muito a Malásia”, disse Hamilton. “O calor é muito forte e acho que perdi alguns quilos hoje dentro do carro. Acho que depois de Sepang [já fora do calendário] e Singapura, é a corrida mais quente de todas.”

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Formiga
Formiga
7 dias atrás

O comportamento do Hamilton é o mesmo do pessoal que não queria usar máscara. Pura frase narcisista “As pessoas não podem ser proibidas de ser como são”.

Felipe
Felipe
9 dias atrás

Cara falar da falta de comprometimento com o esporte justamente de qm tem o evento esportivo mais competitivo da Terra: A Nascar. E adivinhe? É americano! Um jornalista de gabarito dizer um troço desse é vergonhoso! Se tem uma entidade que desrespeita não só o esporte, mas tmb o público, é justamente a F1.
Sobre a pista, os pilotos estão cada vez mais mimizentos!

Alfredo Ramos
9 dias atrás

Hermann Tilke, pelo que se percebe, fez escola.

Heriank
Heriank
9 dias atrás

Esse Hamilton anda chato pra caralho. Parece um bebê chorão !

Edu Zeiro
Edu Zeiro
Reply to  Heriank
9 dias atrás

Falou, hater.

Wilcimar
Wilcimar
9 dias atrás

Vettel encarnou o QuailMan, o Homem Codorna do desenho Doug.

Carlos Pereira
Carlos Pereira
9 dias atrás

Vettel foi um gênio. Sabe fazer um protesto bem humorado sem querer se fazer de vítima. Hilário.

Marcus
Marcus
10 dias atrás

Mais uma pista ruim para a F1 nos EUA.