SUPERQUARTA (1)

SÃO PAULO (vem mais…) – É oficial, como a essa altura todos já sabem. A Red Bull divulgou comunicado hoje cedo anunciando a saída de Adrian Newey da equipe. Ele chegou à equipe em 2006 e seu contrato terminaria no final de 2025. Em quase 20 anos na organização, seus carros ganharam 118 corridas e fizeram 101 poles. A Red Bull fez questão de colocar nessa conta a vitória e a pole de Sebastian Vettel em 2008 pela Toro Rosso.

Newey, que começou na Indy e passou pela Copersucar, é o mais vitorioso projetista da história da F-1. Seus carros ganharam 12 títulos mundiais de construtores por três equipes diferentes (Williams, McLaren e Red Bull) e 13 títulos mundiais com sete pilotos diferentes — Mansell, Prost, Hill, Villeneuve, Hakkinen (dois), Vettel (4) e Verstappen (3). No final deste ano, deve acrescentar mais duas conquistas, já que Max caminha célere para seu quarto campeonato. No quadrinho acima, à direita, vocês podem fazer as contas das vitórias por temporada só de seus carros campeões — são 157, incluídas as quatro de Verstappen em 2024. Contando os carros que não ganharam títulos, os números estão aí embaixo: 217 vitórias, 253 poles. É coisa pacas.

Oficialmente, ele se afasta de suas funções na F-1 agora, mas permanece na Red Bull cuidando do projeto do RB17, um superesportivo que terá 50 unidades construídas. Estará liberado, de acordo com a equipe, no primeiro trimestre do ano que vem. Acho que sai antes.

A Red Bull divulgou comunicado afetuoso para informar sobre sua saída, rasgou elogios ao engenheiro e ela mesma postou fotos simpáticas em suas redes sociais. Procura tratar o assunto com alguma normalidade, embora todos saibam que as coisas estão em ebulição pelos lados de Milton Keynes. Verstappen fica, com sua saída? Seu pai Jos já saiu falando um monte. Disse que a notícia de hoje indica que a equipe “corre o risco de colapsar” diante dos últimos acontecimentos. Parece preparar o terreno para uma mudança de endereço do filho. Uma reunião dele com Toto Wolff, chefe da Mercedes, estaria marcada para depois do GP de Miami. Wolff negou que tenha agendado qualquer compromisso dessa natureza para os próximos dias.

O destino de Newey, embora muita gente esteja telefonando para ele neste momento, parece definido: Ferrari. É verdade que ele recebeu propostas e/ou sondagens de Aston Martin, Mercedes, McLaren e Audi. A primeira lhe ofereceu muito dinheiro e a possibilidade de montar um novo projeto, como fizera na então novata Red Bull ao deixar a McLaren. Mas é algo que leva tempo, e Adrian tem 65 anos e talvez não tenha paciência para liderar operações de longo prazo. A Mercedes acena com a possibilidade de tirar Verstappen de onde está, mas é algo ainda em negociação — e não são conversas simples. A McLaren negou a intenção de contratá-lo dizendo que seu corpo técnico é bom o bastante. E a Audi, que comprou a Sauber e estreia em 2026 como equipe de fábrica, garante que tem planos diferentes e não quer ser time de um homem só.

Por que a Ferrari? É preciso voltar um pouco no tempo para entender o passo a passo dessa história. Já faz cerca de um ano que os italianos, agora sob a direção do francês Frédéric Vasseur, conversam com o projetista inglês e tentam seduzi-lo a mudar de ares. Usam sempre como exemplo o que aconteceu em Maranello a partir dos primeiros anos da década de 90, quando Jean Todt chegou e começou a montar a equipe que conquistaria tudo a partir de 2000 com Schumacher, Ross Brawn e Rory Byrne.

Newey, como todo mundo, adora a Ferrari. E, paralelamente, nunca escondeu o desejo de trabalhar com Lewis Hamilton. Em fevereiro, Lewis assinou com a equipe vermelha. O anúncio coincidiu com a deflagração de uma crise interna na Red Bull causada pelas denúncias de assédio sexual contra o chefe Christian Horner. Elas partiram de uma funcionária da equipe que, agora se especula, trabalharia diretamente com Newey. O clima pesado na equipe austríaca passou a incomodar demais o pacato Newey, e a contratação de Hamilton foi o gatilho para ele tomar sua decisão.

A Ferrari acaba de anunciar um novo patrocínio, da HP, e dinheiro não será problema. Um anúncio oficial talvez demore um pouco, porque Adrian segue sob contrato com a Red Bull. Mas quando as coisas chegam a esse ponto, não tem como segurar muito a notícia. O timing para a Ferrari é perfeito. Hamilton assume um de seus carros em 2025, Newey chega nos primeiros meses e já começa a trabalhar no modelo de 2026, que virá sob novo regulamento técnico.

Dias muito interessantes vêm por aí.

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Fernando
Fernando
2 meses atrás

Com a implosao da Red Bull, em 2025 já teremos um compeonato com mais equipes brigando pela Vitoria? E em 2024 teremos ainda esperanca por campeonato?

Daniel Avrella
Daniel Avrella
2 meses atrás

Como é legal a F1 quando tem tanta treta!!

Celio Ferreira
Celio Ferreira
2 meses atrás

O melhor todas as equipes querem , não importa os $$$$$

FAS
FAS
2 meses atrás

Nossa o destino da Red Bull parece tenebroso. Estão implodindo um time que parecia próximo da perfeição. Acho que os tempos de glória da equipe estão acabando para sempre.