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Desacelerem, crianças…

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SOBRE ONTEM À TARDE

A IMAGEM DA CORRIDA

Russell de guarda-chuva: péssima escolha do blogueiro

SÃO PAULO (mas eu gostei, pronto) – George Russell é um homem bonito de olhar expressivo e seguro, sorriso luminoso e jovial, e achei bonita a foto dele de guarda-chuva. Se tivesse uma boa imagem do Leclerc tomando uma volta, também serviria. Ou de Norris passando direto pela entrada dos boxes na hora do safety-car, melhor ainda. Mas não apareceu nenhuma. Verstappen imitando o Gabigol? Já virou carne de vaca. O pódio no Canadá também não costuma dar fotos muito boas, por causa da luz do meio para o fim de tarde que deixa as imagens meio lavadas. Pior ainda com aquele parapeito de vidro à frente do pilotos.

Russell foi um dos personagens do fim de semana em Montreal. Fez a pole. Podia ganhar. Não ganhou por causa da chuva, outra personagem. Sendo assim, a imagem da corrida é Russell de guarda-chuva. E se não gostaram telefonem para o Procon. Amanhã a partir das 9 da manhã.

Outro que poderia vencer: Lando Norris. Mas não ganhou. O inglês subiu ao pódio pela quinta vez no ano e 18ª na carreira. Foram dez vezes em segundo, como ontem no Canadá. A conta a partir daí é fácil: uma vitória e sete troféus de terceiro lugar. Reforçando o já dito ontem e, pelo que depreendo, não dito na TV: Norris não parou imediatamente no safety-car causado por Sargeant porque já tinha passado da entrada dos boxes. Daí ter feito o pit stop na volta seguinte, caindo de primeiro para terceiro.

Isso provavelmente lhe tirou a vitória.

Aí em cima os já tradicionais quadrinhos de classificação dos dois Mundiais. Verstappen abriu 56 pontos sobre Charlinho, que agora já vê Lando no retrovisor. No ano passado, depois de nove corridas, Max tinha 229 pontos e sete vitórias. Agora são 194 e seis triunfos. Tanto em 2023 quanto neste ano, já com duas Sprints na conta. A diferença está no abandono de Melbourne. O domínio não é tão acachapante quando na última temporada. Mas segue sendo um domínio.

O que destoa um pouco é a performance de Pérez. Em nove etapas em 2023, foram 148 pontos. Agora, 107. Um pouco, sim. Nada de muito excepcional. Se é verdade que neste ano ele fez 41 pontos menos que em 2023 com o mesmo número de corridas, Verstappen não está muito longe: 35 a menos. Então, não vamos crucificar o mexicano ainda.

Mas que dá vontade, dá.

Pérez com a asa quebrada: batida, multa e punição

E os comissários não passaram vontade. Multaram Checo em 25 mil euros e lhe aplicaram uma punição de perda de três posições no grid em Barcelona por ter dado uma volta inteira com a asa arrebentada para voltar aos boxes, espalhando pedaços de carro pela pista.

A FRASE DE MONTREAL

“Foi uma de minhas piores corridas.”

Lewis Hamilton, quarto colocado
Hamilton: autocomiseração

Lewis desceu a lenha nele mesmo porque cometeu “muitos erros”, em suas próprias palavras. Será? OK, talvez tenha ficado muito tempo atrás de Alonso. Mas quem não ficaria? Passou nos boxes. Depois passou Russell, que se esfregou com Piastri. Na sequência, deixou o australiano para trás e flertou com um pódio. Acabou perdendo o terceiro lugar para os pneus mais macios de seu companheiro. E por que estava de duros? Já expliquei ontem, mas pelo jeito — de novo — a TV, não: ele não tinha mais médios, muito menos macios novos para usar.

(Citei a TV duas vezes porque leitores e seguidores do canalzinho iutúbico citaram os comentários televisivos quando perguntaram por que Hamilton não colocou pneus macios e, antes, por que Norris não foi chamado para o pit stop no primeiro safety-car. Já respondi as duas questões. Aliás, tinha respondido ontem aqui no blog, era só ler. Preguiçosos.)

Enfim, não achei que fez uma corrida tão ruim assim. Ainda marcou o ponto extra da melhor volta na última, com pneus duros! Oxe.

Mas se ele disse, quem sou eu para desdizer?

O NÚMERO DO CANADÁ

13

…anos consecutivos em que a Mercedes faz pelo menos uma pole-position por temporada. Cortesia de Geroge Russell. A série começou em 2012 com uma única posição de honra no grid — de Nico Rosberg, na China. Depois disso foram nove anos seguidos empilhando poles, o melhor deles em 2016: nada menos do que 20. Mas, depois de 2021, a Mercedes minguou: uma pole em 2022, outra solitária em 2023 e agora essa de Montreal.

E não vamos falar mais nada de Verstappen, esse monstrinho capaz de chegar a 60 vitórias aos 26 anos de idade? Vamos, sim.

Max é um piloto muito paciente. Foi assim ontem, até assumir a liderança no momento em que Norris não parou — e embora ele tivesse passado da entrada dos boxes quando o safety-car foi acionado, acho que a McLaren bobeou; estava na cara que iam neutralizar a prova e o time poderia tê-lo chamado antes da sinalização, já que tinha 8s de vantagem para o holandês.

Com ritmos parecidos de McLaren e Red Bull, venceria quem estivesse em primeiro na hora certa. E ele soube esperar o momento. O safety-car, desta vez, sorriu para ele. Em Miami, ajudou Norris. Assim são as corridas. Escrevi ontem: Max fechou essa fase de quatro provas não muito favoráveis à Red Bull (Miami, Ímola, Mônaco e Montreal) com duas vitórias.

GOSTAMOS & NÃO GOSTAMOS

GOSTAMOS de ver a Alpine com seus dois carros nos pontos pela primeira vez no ano, em que pese a patuscada de ordenar a troca de posições entre Ocon e Gasly no final da corrida. O primeiro, claro, não gostou nem um pouco. Mas terá de engolir vários sapos até o fim do ano, uma vez que já avisou que não fica em 2025.

NÃO GOSTAMOS da Ferrari, claro, que depois de um pódio duplo em Mônaco ficou no zero com Leclerc e Sainz em Montreal. O monegasco teve problemas no motor e o espanhol rodou e bateu. Ambos já tinham ido mal na classificação, empacando no Q2. Com isso, nas últimas três provas, a McLaren se aproximou na classificação: fez 88 pontos, contra 65 dos italianos. A briga pelo vice será intensa.

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MONTE REAL (3)

Verstappen: 60 vitórias, uma das das mais bonitas

SÃO PAULO (bálsamo) – Como diz o ditado que inventei agora, depois de uma corrida ruim sempre vem uma corrida boa. E enquanto o Canadá vier depois de Mônaco no calendário, a chance é grande. Foi um grande GP, este de Montreal. Vencido por Max Verstappen, da Red Bull, que mostrou toda sua técnica excepcional mas esteve longe de dominar o fim de semana. Mais uma vitória de piloto, não do carro — como em Ímola. O holandês ganhou pela sexta vez no ano, em nove etapas. E chegou a 60 triunfos na carreira. Lando Norris, da McLaren, e George Russell, da Mercedes, fecharam o pódio. Foi o primeiro troféu da equipe alemã neste ano.

A melhor prova da temporada teve o roteiro que a meteorologia escreveu desde sexta-feira. Com chuva e sol, pista seca e molhada, entradas do safety-car, muitas (e belas) ultrapassagens. A Red Bull passou com louvor pelo teste de quatro pistas nas quais sofreu mais do que o que tem sido habitual nos últimos dois anos e meio. Perdeu em Miami e Mônaco, venceu em Ímola e Montreal. Deve agradecer ao piloto que tem.

Início de prova: Haas atacando a Ferrari

A pista estava muito molhada na largada e foi com alguma surpresa que se constatou que a direção de prova não decidiu começar a corrida atrás do safety-car. Ainda bem. Todos estavam calçados com pneus intermediários, exceto a dupla da Haas, que optou pelos pneus de chuva forte.

E foram bem na escolha, pelo menos no início. Magnussen ganhou oito posições nas duas primeiras voltas e Hülkenberg, cinco. O dinamarquês subiu até a quarta colocação. Passava todo mundo. Tinha largado em 14º. Chegava rápido em todos e com muito mais aderência ia jantando quem via pela frente. O mesmo acontecia com Hülkenberg, que partiu em 17º e chegou a andar em sétimo.

Incrivelmente ninguém rodou ou bateu nas primeiras voltas, com água por todos os lados. O único rolo, lá no fundão, foi um toque entre Pérez e Gasly. Russell manteve a ponta e Verstappen tentou acompanhá-lo. Naquela condição, com pouca visibilidade, as coisas caminhavam bem para o inglês da Mercedes. Para a Ferrari, que já tinha fracassado na classificação, muito mal. Pelo rádio, Leclerc foi informado de que tinha algum problema de motor. “Mas continua aí”, falou seu engenheiro. Ele estava em 11º. De acordo com a equipe, a perda era de meio segundo nas retas em relação aos demais. Seria uma longa tarde para o monegasco.

Largada no molhado: Russell mantém a ponta

A primeira escapada, sem batida, foi de Logan Sargeant. Não precisou de safety-car. O americano deu marcha-à-ré e voltou à pista em último. Na altura da sétima volta, com um trilho se formando, parecia que a farra da Haas iria terminar, com os pneus de chuva intensa perdendo rendimento em relação aos intermediários. Então Magnussen parou, na oitava volta. O sol estava aparecendo. Voltou em 14º de intermediários, depois de um pit stop lerdo da equipe, que não estava esperando o piloto entrar nos boxes. Hulk permaneceu na pista fazendo voltas muito lentas, mas sustentando a sétima posição.

Na medida em que a pista ia secando, o spray ia sumindo. E quem podia se aproximava daquele que ia à frente. Caso de Verstappen, que chegou a ficar 3s atrás de Russell, mas na volta 11 reduziu a diferença para menos de 1s. Exímio piloto no molhado, Max se animou e foi para cima. Mais atrás, Ricciardo (punido com 5s por queima de largada) se livrou de Hülkenberg, que puxava uma longo trem de sete carros. Seus pneus “wet” já não aguentavam mais o tranco contra os “inters”. Na volta 13, ele parou.

A briga pela liderança ficou ótima. Hamilton x Alonso, pela quinta posição, era outra batalha belíssima. Max era mais rápido que Russell, mas não conseguia passar. Lewis tinha mais carro que Fernandinho, mas também era arriscado demais sair do trilho, escorregar, parar no muro. Na tela de todos os engenheiros, o alerta: chuva dali a 18 minutos.

Hamilton: elogiou o carro, mas criticou sua própria atuação

Com a dificuldade para passar Russell, Verstappen viu Norris, o terceiro, se aproximar perigosamente. Na abertura da volta 17, deu uma escapada pela área de escape e George respirou. Landinho viu e disse: opa, agora é comigo.

A diferença de Max para o líder subiu para quase 3s. Aí a direção de prova resolveu habilitar o uso da asa móvel, o que prejudicou o piloto da Red Bull, já que Norris poderia atacá-lo com o dispositivo. Mas Verstappen é holandês não desiste nunca. Voltou a acelerar para diminuir a diferença para Russell. Precisava ficar a menos de 1s do líder para usar, ele também, sua asa móvel.

Mas não deu tempo. No final da 20ª volta, com a asa aberta e o vácuo na grande reta que leva aos boxes, Norris conseguiu a ultrapassagem. E foi para cima de Russell, que já não tinha um bom ritmo. Max ficou observando. Na 21ª, Lando passou e assumiu a liderança. O inglês da Mercedes ainda foi reto na chicane e perdeu também a segunda posição, ultrapassado por Verstappen.

O pau continuava comendo mais atrás, com Hamilton brigando com Alonso pelo quinto lugar. Norris, Verstappen, Russell, Piastri, Alonso, Hamilton, Ricciardo, Stroll, Albon e Tsunoda eram os dez primeiros quando, pela tela, a transmissão da TV avisou: chuva em três minutos. O solzinho tímido desapareceu. As nesgas de céu azul se tornaram menores. Vinha água, sim.

Nuvens escuras: corrida toda sob ameaça de chuva

Norris, aproveitou muito bem o momento de pista quase seca das voltas seguintes às ultrapassagens sobre Verstappen e Russell. Na volta 25, tinha 8s de vantagem para o líder do campeonato. E então Sargeant rodou e bateu na curva 4. Seu carro ficou atravessado na pista e o safety-car foi acionado. Norris não parou para trocar pneus porque já tinha passado da entrada dos boxes quando a direção de prova indicou a neutralização com a placa “SC”. Acontece. A sorte que Lando deu em Miami, também com safety-car, não se repetiu em Montreal. Verstappen, Russell e Piastri pararam e trocaram pneus. Hamilton e Alonso também, e Lewis ganhou a posição.

Norris foi chamado na volta seguinte pela McLaren. Perdeu as duas primeiras posições. Saiu dos boxes à frente de Piastri e atrás de Verstappen e Russell. Ainda com o safety-car na pista, na volta 29, Leclerc foi para os boxes e colocou pneus slicks. A corrida já estava perdida, mesmo.

A relargada aconteceu na volta 30. A chuva estava voltando. A Ferrari avisou Leclerc, pelo rádio, que ia chover durante umas duas ou três voltas, e que depois a pista iria secar. “Se vira aí”, pediu o engenheiro. Não deu. Seus tempos de volta, com slicks, eram mais de 15s piores que os do líder Verstappen. E a chuva apertou. E Charlinho parou. Que tarde, a da Ferrari.

Na frente, Verstappen não conseguia escapar de Russell, que o acompanhava a menos de 2s de distância. Norris tentava se aproximar, com Piastri também perto dele, em quarto. Na zona de pontos, Albon e Ocon eram os destaques, em nono e décimo. O piloto da Williams fez uma ultrapassagem dupla maravilhosa, sobre Ocon e Ricciardo — coadjuvantes à altura do bom GP do Canadá até ali.

A prova chegou à metade, 35 voltas, com quase uma hora de duração e naquele momento a chuva tinha dado uma trégua. A tendência era, de novo, de formação de um trilho e asfalto secando. Pelo menos até chover de novo. Verstappen, Russell, Norris, Piastri, Hamilton, Alonso, Tsunoda, Stroll, Albon e Ocon eram os dez primeiros. Max conseguiu abrir um pouco de Jorginho, 2s5. Mas não era uma vantagem muito segura. Na volta 40, conseguiu abrir 3s. E na 41ª, Gasly colocou pneus slicks e todo mundo ficou de olho nele e em seus tempos de volta. Se não chovesse mais, seria uma boa sacada. E uma necessidade para os demais.

Norris deu uma escapada na curva 1 na volta 42, mas ficou onde estava, em terceiro. Verstappen, de grão em grão, ia construindo uma vantagem mais confortável sobre Russell: 4s1 na volta 43. Foi quando Leclerc, melancolicamente, encostou o carro e abandonou. Duas semanas atrás, estava mergulhando no Mediterrâneo para comemorar sua vitória em Mônaco.

Na volta 44, Hamilton, o quinto, foi para os boxes e colocou slicks médios. Caiu para décimo, mas iria voar a partir dali. Os tempos de Gasly, monitorados por todos, eram promissores. Piastri, Alonso, Tsunoda, Stroll, Ocon e Albon fizeram o mesmo e Lewis recuperou o quinto lugar, com pneus de pista seca. A Red Bull, então, chamou Verstappen. Ele parou, Russell parou, mas Norris continuou. Com intermediários na pista seca, agora na liderança. Foi uma aposta arriscada da McLaren. Daria certo?

Norris na chuva: azar no safety-car, mas terminou em segundo

A diferença de Norris para Verstappen, agora segundo, era de 20s. Mais uma volta, e Lando não parou. Mas seus tempos não eram ruins. A vantagem na volta 47 subiu para 21s. E só então ele parou, colocando pneus médios. Na saída dos boxes, viu Verstappen chegando. Ali a pista estava molhada. O holandês manteve a ponta, por muito pouco. Mas tinha pneus quentes e abriu rápido mais de 4s para Noirrs. Russell encostou em Lando, trazendo com ele Piastri. Max respirou. A briga ficou bem melhor atrás, e Russell aproveitou um errinho de Norris no cotovelo, ganhando o segundo lugar na volta 50. Os tempos de volta despencaram, de 1min35s com intermediários para 1min19s com os slicks entre os ponteiros.

Faltando 20 voltas, Verstappen tinha 4s2 de vantagem sobre Russell. No seco, a Mercedes rendia mais. George estava com pneus duros, contra médios de Max, que reclamava pelo rádio: “Não posso passar nas zebras! A suspensão está travada! O rádio não funciona! O ar não tá gelando!”. Russell, como Norris na volta anterior, também cometeu um erro e perdeu o segundo lugar para o #4 da McLaren. Verstappen só agradecia as trapalhadas dos rivais. Tinha mais de 5s de vantagem sobre Lando. Piastri também passou Russell e foi para terceiro.

Na volta 53, Pérez bateu sozinho, arrebentou a asa traseira, mas conseguiu voltar para os boxes para abandonar sem atrapalhar ninguém. Na 54ª, nova batida: Albon com Sainz. O espanhol da Ferrari rodou e acertou o tailandês da Williams. Os dois abandonaram. Péssima notícia para Verstappen. Seus mais de 5s sobre Norris evaporaram. O safety-car foi acionado. E, na hora, Russell e Hamilton foram de novo para os boxes. Desta vez, pneus duros para Lewis (eram os únicos não usados que tinha à disposição) e médios para George. Nenhum dos dois perdeu posição e ambos teriam borracha novinha nas últimas voltas, em quarto e quinto. Era uma tentativa.

A relargada foi dada na volta 59. O asfalto estava seco na maior parte do circuito, com nuvens muito escuras perto do autódromo. Max socou o pé no porão e conseguiu abrir mais de 1s5 para Norris em menos de uma volta, como se desse um soco no estômago do adversário.

Ocon: pontos para a Alpine, junto com Gasly

No seco, a Mercedes melhorava. Russell atacou Piastri no final da volta 62, ficaram lado a lado, mas o australiano resistiu. O engenheiro perguntou: “Oscar, você acha que pega o Verstappen se a gente trocar sua posição com Lando?”. Era muita informação para processar. “Me deixa aqui que preciso me concentrar em Russell!”.

Na volta seguinte, George tentou no mesmo ponto, Piastri jogou duro, se tocaram na chicane, e o McLaren #81 ficou na frente. Hamilton aproveitou que o companheiro foi para a área de escape e assumiu o quarto lugar. Max, se estivesse acompanhando pela TV, estaria adorando as confusões atrás dele. Faltavam cinco voltas para o fim e ele tinha 3s2 sobre Norris.

Hamilton aproveitou os pneus mais novos, atacou e passou Piastri na volta 65, entrando na zona de pódio. Russell fez o mesmo na seguinte e, dessa vez, passou fácil o australiano. Lá atrás, um susto pesado: Tsunoda rodou e, felizmente, ninguém bateu nele. Faltando três voltas, Russell foi para cima de Hamilton para tentar recuperar o pódio. Passou no final da 68ª. A equipe não interferiu na disputa. Na última volta, Lewis ainda esboçou uma nova tentativa, mas não arriscou acabar com a corrida dos dois.

Final em Montreal: Alpine nos pontos com Gasly e Ocon

Verstappen venceu, com Norris em segundo e Russell em terceiro. Hamilton, Piastri, Alonso, Stroll, Ricciardo, Gasly e Ocon fecharam a zona de pontos. Lewis agradeceu à equipe pelo carro “que podia vencer”, mas rasgou críticas a si mesmo: “Foi uma das minhas piores atuações”. Menção honrosa para a Alpine, com dois entre os dez primeiros, embora a equipe tenha feito a patuscada de mandar Esteban trocar de posição com Pierre. O mesmo vale para a Aston Martin, que pontuou com sua dupla.

Com o abandono de Leclerc, Max abriu mais 25 pontos na classificação, passando a 194. Charlinho ficou com 138 e agora vê a vice-liderança ameaçada por Norris, que tem 131. Sainz é o quarto com 108 e Pérez aparece em quinto com 107. No Mundial de Construtores, a Red Bull lidera com 301 e a Ferrari, agora, já enxerga a McLaren no retrovisor: 252 x 212.

Ficou claro, depois das últimas quatro provas, que a superioridade da Red Bull sobre as demais não é igual à demonstrada no ano passado. Mas, ainda assim, a equipe continua vencendo. As próximas três corridas, na Espanha, Áustria e Inglaterra, em finais de semana seguidos, serão disputadas em circuitos onde o time do energético terá vantagem, pela natureza das pistas — com curvas de média e alta velocidade, sem tanta necessidade de saltar sobre as zebras comprometendo a aerodinâmica refinada do RB20.

Talvez, nesses três GPs, a briga não seja tão intensa, o que é uma pena. Porque ver Verstappen pilotando quando as condições não são as melhores para seu carro é um colírio para os olhos de quem gosta de corrida de verdade. Inclusive porque ele pode perder, como se viu na Flórida e no Principado. E ver gente batendo o melhor de todos é, igualmente, uma delícia.

Para quem gosta de corrida, claro.

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MONTE REAL (2)

Russell: segunda pole na carreira, surpresa em Montreal

SÃO PAULO (bom demais!) – George Russell desbancou todos os favoritos e larga na pole para o GP do Canadá, em Montreal. Em situação rara, ele e Max Verstappen fizeram exatamente o mesmo tempo na sessão que definiu o grid: 1min12s000. Como conseguiu sua volta antes, o piloto da Mercedes ficou com a posição de honra. É a segunda pole de sua carreira. A outra foi na Hungria em 2022. A última pole da Mercedes tinha sido a de Lewis Hamilton, também na Hungria, no ano passado.

Empate na pole aconteceu pela última vez — e única, desde a adoção das três casas decimais na cronometragem — no GP da Europa de 1997, entre Jacques Villeneuve, da Williams, e Michael Schumacher, da Ferrari. Eles lutavam pelo título naquela prova, a última da temporada, em Jerez: 1min21s072. E o terceiro no grid, Heinz-Harald Frentzen, companheiro de Villeneuve, fez o mesmo tempo!

Foi um sábado parecido, pois, o de hoje no circuito que leva o nome do pai de Jacques, Gilles Villeneuve. Com uma variável adicional: o tempo. Quando os boxes foram abertos para a classificação, a direção de prova informou que havia 80% de chances de chuva durante a sessão. Tinha chovido entre o terceiro treino livre e a definição do grid, mas o asfalto secou e foi possível sair com slicks – Hamilton fora o mais rápido na última sessão livre (veja nas caixinhas abaixo).

Mercedes forte: faz muito tempo…

As primeiras voltas foram meio atabalhoadas, porque havia pressa para fazer tempo de qualquer jeito. Se chovesse e nenhuma voltinha fosse completada, a vaca iria para o brejo. Mas como não veio água, o pessoal foi se aprumando para acertar voltas mais decentes na medida em que o tempo ia passando. A meta era entrar na casa de 1min13s para passar ao Q2. Mais do que isso era degola certa.

O final do Q1 foi interessante, com Gasly e Ocon, da claudicante Alpine, subindo muito na tabela de repente — a pista tinha melhorado muito nos minutos derradeiros e os tempos caíam dramaticamente. Piastri, Pérez e Sainz, a 2min da quadriculada, estavam provisoriamente eliminados. Hamilton foi o primeiro a baixar de 1min13s: 1min12s851. Mas, aí, Verstappen enfiou quase 0s5 no inglês da Mercedes: 1min12s360. E Tsunoda foi para segundo. Hamilton fechou em terceiro, com Albon em quarto e Piastri em quinto. A Ferrari, discreta, terminou em oitavo e 11º com Sainz e Leclerc. Pérez, Bottas, Ocon, Hülkenberg e Zhou ficaram na degola. Mais uma vez, ridículo o desempenho de Pérez, que acabou de ter o contrato renovado com a Red Bull por mais dois anos. Patético. Absurdo. Desprezível. Grotesco. Estrambólico. Foi a segunda eliminação seguida no Q1 para Checo. Tenha dó.

A luz verde estava longe de ser acesa para o Q2 quando os pilotos começaram a formar uma fila na saída do pitlane para aproveitar a pista seca, diante da iminência de chuva. Daria tempo para algumas voltinhas antes que o asfalto ficasse molhado, se a chuva viesse como apontavam os radares.

Na primeira leva de voltas rápidas, Piastri virou 1min12s462 e passou a ser a referência para os demais. Os motores Mercedes mostravam força. Logo depois, Russell fechou uma volta em 1min12s323 e foi para a primeira posição. Faltando 5min para o fim, Verstappen corria risco, em décimo. Como no Q1, os momentos finais do Q2 foram emocionantes. Norris e Tsunoda superaram Russell. Max fez uma voltinha razoável e conseguiu sair da zona de degola. Hamilton baixou de 1min12s: 1min11s979. E Russell, na sequência, fez 1min11s742. Mercedes em primeiro e segundo! Em que ano estamos?

Ricciardo, quinto: menos de 0s2 da pole

Então, a surpresa: os dois carros da Ferrari dançaram. Leclerc e Sainz ficaram em 11º e 12º e foram para o vestiário mais cedo junto com Sargeant, Magnussen e Gasly. Um vexame vermelho. Mais ainda depois da esplendorosa vitória de Charlinho em Mônaco, duas semanas atrás. Pelo rádio, o monegasco soltou o verbo. Mas não explicou muita coisa. “Não vou falar aqui!”, disse, sabendo que os rádios das equipes são todos monitorados. A roupa suja seria lavada em outra freguesia, a portas fechadas. O que aconteceu: os dois saíram com pneus novos nas primeiras voltas do Q2 e, sem tempos bons para avançar, tiveram de fazer uma segunda tentativa. Nesta, a Ferrari colocou nos carros de Sainz e Leclerc pneus usados no Q1 para economizar um jogo novo. Eles até melhoraram os tempos. Mas não o bastante. Leclerc não gostou nada da estratégia.

Entre os dez primeiros, sete carros usavam motores Mercedes: os dois da própria, com Russell e Hamilton, as duplas de McLaren e Aston Martin e um da Williams. Os outros três classificados eram empurrados por motores Honda made in Japan: Verstappen, da Red Bull, e o par da É Senha ou Aproxima?, Tsunoda e Ricciardo. Este comemorando os dez anos de sua primeira vitória, lá mesmo em Montreal, pela Red Bull.

Max e George: no cronômetro, empate

Começa o Q3, e nada de chuva. As primeiras voltas completadas não foram lá muito brilhantes, acima de 1min12s. Os olhos estavam nos carros prateados, que ressurgiram das cinzas. Russell virou 1min12s000 na sua primeira volta e assumiu a ponta. Hamilton passou 0s280 atrás e ficou em segundo. Ambos usaram pneus macios já gastos e deixaram um jogo de novos para a segunda tentativa. Verstappen era o terceiro.

A segunda leva de voltas rápida viu a McLaren subir para segundo e terceiro, mas sem superar Russell. Hamilton fez uma volta ruim. Nenhum dos mercêdicos, apesar dos pneus novos, melhorou. Verstappen, então, abriu sua última tentativa. E empatou com George batendo o cronômetro em 1min12s000. Com tempos idênticos, pois, Russell e Verstappen dividem a primeira fila em Montreal. Norris, Piastri, Ricciardo, Alonso, Tsunoda, Stroll e Albon fecharam a turma do top-10.

Foi bacana, o sábado de Montreal. E nem precisou chover.

Os tempos: no grid, Ocon cai para último, punido por Mônaco

DE NOVO – No terceiro treino livre, Zhou causou nova bandeira vermelha, como ontem. Desta vez, rodou e bateu de leve entre as curvas 1 e 2. Zhou não deve estar na F-1 no ano que vem.

ELE SIM – Hamilton liderou uma sessão oficial pela primeira vez neste ano no terceiro treino livre, com uma bela volta em 1min12s549. Colocou 0s374 em Verstappen, o segundo colocado. Quem andou bem foi a Williams, que chegou a liderar a folha de tempos, vejam só, com Sargeant. No ano passado, em Montreal, Albon largou em nono e terminou em sétimo. Sua melhor corrida no ano, igualada depois em Monza. A Aston Martin também foi bem nos treinos livres tanto com Alonso quanto cpom Stroll, indicando um padrão: os motores Mercedes, nessa pista, ajudam.

ELE NÃO – A Mercedes mandou avisar: não quer Carlos Sainz. O investimento, ou aposta, será mesmo em Andrea “Kimi” Antonelli para o ano que vem. O espanhol vai acabar na Audi, como tenho dito há meses.

Tsunoda: mais um ano na velha Toro Rosso

ELE OUTRA VEZ – Antes da classificação, a Vai Querer Sua Via? anunciou a manutenção de Yuki Tsunoda por mais uma temporada. O time exerceu a opção sobre o contrato do japonês. Tsunoda tem 24 anos e estreou em 2021. Faz parte das academias da Red Bull e da Honda. Tem vida longa na categoria. Em 2026, podem escrever, estará na Aston Martin. A segunda vaga da Parcela Em Até Seis ficará entre Daniel Ricciardo e Liam Lawson. A aposta deste blogueiro é o neozelandês, com a aposentadoria do sorridente australiano. Que foi muito criticado por Jacques Villeneuve em entrevistas neste fim de semana. “Ele tem de ir para casa”, falou o canadense, campeão mundial de 1997, com sua proverbial educação.

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MONTE REAL (1)

Alonso, o mais rápido: tempos pouco importantes

SÃO PAULO (perdemos tempo) – O primeiro dia de treinos para o GP do Canadá não serviu para muita coisa. Com clima muito instável, períodos de chuva se alternando com um sol tímido entre nuvens, a pista do circuito Gilles Villeneuve ficou a maior parte do tempo molhada, com parcos minutos de asfalto seco. Assim, não houve embate no cronômetro entre as principais equipes. Os tempos de voltas registrados em Montreal não foram representativos. Para se ter uma ideia, Lando Norris, da McLaren, ficou com a última colocação no segundo treino livre. E Fernando Alonso fechou o dia na frente, sem que isso trouxesse sequer um sorriso ao rosto do espanhol da Aston Martin.

Na primeira sessão, mal tinha dado para andar. Havia caído granizo de manhã, e os fiscais ainda tentavam tirar o excesso de água da pista quando começou a sessão, sem que os carros pudessem andar. Durante meia hora os boxes ficaram fechados. Na meia hora restante em que daria para completar umas voltinhas, andou-se pouco porque a pista estava muito úmida. Nos últimos minutos um solzinho besta até apareceu. O treino acabou com pista quase seca, mas pouquíssimo tempo para equipes e pilotos entenderem alguma coisa.

Assim que a luz verde se acendeu na saída dos boxes no segundo treino livre, começou a pingar novamente. Mesmo assim os pilotos, esperançosos, foram para a pista com pneus slicks.

A chuva era fraca, mas não permitia nenhum ato de heroísmo. Todos voltaram aos boxes ao perceber que estava molhado, e ficaram esperando dentro das garagens enquanto seus engenheiros decidiam o que fazer. Só Hamilton e Gasly fecharam voltas com slicks, fazendo tempos que não queriam dizer nada.

Mas como Gasly ficou andando sozinho e em determinado momento contou à Alpine, pelo rádio, que a chuva estava parando, outros carros resolveram experimentar o asfalto mezzo seco, mezzo molhado. E com slicks. Foi todo mundo para a pista outra vez.

Faltando 36 minutos para terminar a sessão, Verstappen parou nos boxes, pediu para os mecânicos pegarem ventiladores e saiu do carro, dizendo que estava sentido cheiro de queimado. Tirou o capacete e deu a impressão de que o dia, para ele, estava encerrado. Mais um fim de semana começando mal para a Red Bull, lembrando as dificuldades de Ímola.

A chuva tinha parado e todos tentavam aproveitar o asfalto seco para fazer o que se faz num treino: treinar. Isso porque a previsão para amanhã e domingo é de um tempo parecido com o de hoje: frio, instável, com momentos fugidios de sol e céu azul.

Mas não durou muito, a calmaria. A chuva ia e voltava e, a 25 minutos do encerramento, estavam todos os carros novamente nos boxes e o povo nas arquibancadas molhando os bonés. Porque a pista não estava seca o bastante para o uso de pneus slicks, nem molhada o suficiente para os intermediários. E, como se sabe, há uma quantidade limitada de pneus para cada carro por fim de semana. Não vale a pena gastar nenhum jogo à toa.

Chuva e sol, casamento de espanhol: no caso, de monegasco…

Naquele momento, Alonso liderava a folha de tempos com 1min15s810. Russell, Stroll, Leclerc e Ricciardo ocupavam as cinco primeiras posições. Verstappen estava em 18º. E não voltaria mesmo à pista. Nos boxes, a Red Bull desmontava seu carro, com uma barreira humana de 11 mecânicos postados na porta da garagem — para impedir que imagens das entranhas do RB20 viessem ao mundo. A informação cedida pela equipe: problema num dos sistemas de recuperação de energia que alimenta as baterias do automóvel.

Faltando 18 minutos para o fim, Alonso, Stroll, Ocon e Norris deixaram os boxes com pneus intermediários. A pista estava definitivamente molhada. Os tempos não cairiam. E a sessão acabou. O resultado na folha de tempos não tinha qualquer relevância. O que vale é amanhã.

Então, vamos esperar amanhã.

Os tempos do segundo treino: Norris em último

AZAR – O australiano Jack Doohan, escalado para o primeiro treino livre para o lugar de Esteban Ocon, deu muito azar. Por causa da chuva, andou muito pouco. Foi praga de Ocon – castigado pela equipe depois de bater em Gasly em Mônaco.

ELOGIOS – Sainz tem ficado bravo com as especulações, mas o entorno é que alimenta a boataria. James Vowles, chefe da Williams, voltou a elogiar o espanhol. “Um piloto extraordinário, qualquer equipe gostaria de tê-lo”, disse. Mas ainda acho que vai acabar na Sauber/Audi. Espera-se que antes do GP da Espanha, marcado para o próximo dia 23, algo será anunciado.

2026 – As regras de 2026 apresentadas ontem não agradaram muito. A sensação é de que os carros ficarão rápidos nas retas, mas muito lentos nas curvas – por causa dos 30% a menos de pressão aerodinâmica e 55% a menos de arrasto. “Entendemos os objetivos e concordamos com eles, mas as regras estão longe de alcançá-los”, disse Andrea Stella, da McLaren. “Isso é só um rascunho.” E teve quem fez previsões pessimistas. “Esses carros serão pouca coisa mais rápidos que um F-1. E aqui estamos no topo do esporte”, falou Vowles, da Williams. “Além do mais, não vamos conseguir tirar 30 kg dos carros”, reclamou Pat Fry, da mesma equipe.

PRAZO – A FIA tem até o dia 30 de junho para aprovar as regras no Conselho Mundial. Pelo Código Desportivo Internacional da entidade, regras que impactam o design técnico dos carros e seu desempenho de modo significativo precisam ser aprovadas um ano e meio antes de entrarem em vigor. Para ampliar esse prazo – ou seja, deixar para aprovar depois de junho, diante das reclamações e dúvidas suscitadas –, é preciso que todas as equipes concordem de forma unânime. E tem gente que já falou que não quer deixar para aprovar as regras depois. Portanto não há unanimidade. Mas a FIA, alegando “circunstâncias excepcionais”, acredita que pode ampliar o prazo contando apenas com maioria simples na votação. A coisa está confusa.

ENCONTRO – E por conta da confusão, as equipes devem se reunir amanhã de manhã no autódromo para alinhar suas posições.

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A CARA DE 2026

SÃO PAULO (é cedo) – Nem precisava de tanta foto, até porque nem foto é. São imagens geradas por computador e distribuídas hoje pela FIA. Trata-se da carinha da F-1 para 2026, com a divulgação do regulamento técnico que, agora, está completo com a definição de parâmetros para os chassis. Claro que daqui a um ano e meio os carros de verdade serão diferentes. Para isso servem os engenheiros e projetistas. Mas alguns padrões terão de ser respeitados. E vamos às novidades de 2026.

MOTORES – Metade da potência terá geração elétrica e a outra metade virá do motor a combustão. O MGU-H, dispositivo que armazena energia e produz potência através da velocidade do turbo, está extinto. Fica o V6 de 1.600 cm3 a combustão associado ao MGU-K, que alimenta as baterias pela energia gerada pelas frenagens. De acordo com a FIA, a geração de potência por eletricidade aumentará 300% quando comparada ao que se tem hoje. Seis fabricantes estão homologados para 2026: Ferrari, Mercedes, Renault, Honda, Ford e Audi.

COMBUSTÍVEL – 100% renovável. Não será mais permitido o uso de combustíveis fósseis, derivados do petróleo. Pode-se usar o que for, desde que se encaixe na categoria “sustentável”: etanol, seiva de mamona, chorume de lixo orgânico, veneno de sapo, produtos sintéticos, biocombustíveis, mas nada que seja extraído da natureza para não mais voltar.

PNEUS – Os dianteiros perdem 2,5 cm na largura. Os traseiros, 3 cm. Rodas continuam sendo de 18 polegadas.

MAIS LEVE, MAIS ESTREITO, MENOR – O peso mínimo cai de 798 kg para 768 kg. A largura cai de 2 m para 1,90 m. O entre-eixos cai de 3,6 m para 3,4 m.

AERODINÂMICA – A pressão aerodinâmica diminui 30%. O arrasto, 55%. Isso porque as asas dianteiras serão 10 cm mais estreitas e os assoalhos perdem 15 cm na largura. Asas dianteiras e traseiras serão “ativas” (leia abaixo). Os arcos sobre as rodas serão eliminados.

ASA MÓVEL – Acaba o sistema atual de DRS, com trechos específicos em cada circuito para abertura da asa móvel desde que a diferença entre os carros seja menor que 1s. Agora as asas podem ser abertas quando e onde os pilotos quiserem, tanto as dianteiras quanto as traseiras. Serão dois “flaps” na frente e três atrás — os elementos aerodinâmicos. No que será chamado de X-mode, os pilotos abrem as asas e reduzem o arrasto e a pressão aerodinâmica. No Z-mode, eles aumentam a carga aerodinâmica nas curvas.

MOM – Sigla para Manual Override Mode. Na prática, um botão de ultrapassagem que vai despejar mais potência por determinado tempo numa volta para ajudar nas ultrapassagens. Ainda não foram definidos detalhes como tempo de uso e quanto de potência será liberada.

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FOTO DO DIA

Não posso deixar de reproduzir a obra de arte registrada pelo meu amigo Douglas Nascimento, do “São Paulo Antiga”. Quem conhece a cidade sabe onde é. Quem conhece carro sabe o valor que tem.

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MAIS DOIS ANOS

SÃO PAULO (no surprise) – Sergio Pérez fica mais dois anos na Red Bull. Para quem nos segue aqui, não é algo espantoso. Temos dito que para a equipe é confortável ter um piloto como ele. Não brilha, mas ganha uma ou outra corrida, faz pontos e não incomoda. Tem maus momentos — está vivendo um deles agora — que duram quatro ou cinco corridas, mas depois se apruma e faz a lição de casa. Que, em se tratando de Red Bull, é ajudar a equipe a ser campeã de construtores e não perturbar Verstappen.

No quadrinho da esquerda acima (clique na imagem para abrir em outra janela) temos os pilotos confirmados para 2025. Tem muita coisa para acontecer ainda. A renovação de Pérez acaba com as tênues esperanças de pilotos como Tsunoda, Lawson, Ricciardo e Sainz de correr pela Red Bull. Nunca fizeram parte dos planos. Tsunoda é problema da Honda. Lawson entrará pela porta da filial de Faenza, que hoje se chama Visa Qualquer Coisa. Ricciardo se equilibra num contrato que não lhe garante nada a partir de 2025. E Sainz…

Bem, Sainz que corra para assinar com a Sauber/Audi. Daqui a pouco não sobre lugar algum para ele. A não ser que queira apostar na Williams, o que me parece uma insanidade. A Mercedes poderia ser uma opção? Pelo que sei, ofereceram apenas um ano de contrato. Não é algo que se deva aceitar. Os alemães, no fundo, querem mesmo colocar o menino Antonelli para correr. E acho que é o que farão.

Pérez, 34, estreou na F-1 em 2011 pela Sauber. Em 2012, no time suíço, conseguiu três pódios. Despertou o interesse da McLaren, que o contratou em 2013 para o lugar de Lewis Hamilton. Ficou apenas um ano na equipe de Ron Dennis. Em 2014 foi para a Force India e lá permaneceu por sete anos. No meio de 2018 o time foi comprado por Lawrence Stroll e, no fim da temporada, mudou o nome para Racing Point. Hoje é a Aston Martin. Na Racing Point, que defendeu em 2019 e 2020, Pérez ganhou seu primeiro GP. Foi no Bahrein, em 2020 — o GP do Sakhir, disputado no anel externo, naquele calendário compacto e meio improvisado no primeiro ano da pandemia. O mexicano está em sua quarta temporada pela Red Bull. Pela equipe, subiu ao pódio 29 vezes e ganhou cinco corridas. Fez três poles, apenas. No currículo, são 265 GPs com seis vitórias, três poles, 11 melhores voltas e 39 pódios. No ano passado foi vice-campeão com 285 pontos, seu melhor resultado em Mundiais. Mas marcou 305 em 2022, quando terminou o campeonato em terceiro. Neste ano, é o quinto colocado com 107 pontos.

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ONE COMMENT

A gente percebe que ficou velho quando um Corsa recebe placa preta…

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O blogueiro Eduardo Vergopolem mandou a foto e a mensagem:

Bom dia Flavio! Aqui Eduardo, moro na Polônia e tempos atrás, na Itália, passei por essa estação, que fica do lado da entrada de um parque onde está uma cachoeira chamada Cascata delle Marmore. A cachoeira fica a 7 km da cidade de Terni, ao norte de Roma. Acabamos não indo pra cachoeira pois no dia o parque estava fechado. Caso queira publicar no blog, fique à vontade!

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