SENNA, MÔNACO & EDGARD | Blog do Flavio Gomes | F1, Automobilismo e Esporte em geral
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quarta-feira, 31 de maio de 2017 - 18:55F-1

SENNA, MÔNACO & EDGARD

SÃO PAULO (vamos brincar) – Duas grandes vitórias de Ayrton Senna em Mônaco fazem aniversário hoje. Efemérides redondas. São 30 anos da primeira de todas, de Lotus amarela em 1987, e 25 da espetacular “virada” sobre Mansell em 1992, já de McLaren.

A de 1987 foi muito comentada nos últimos dias, pelo ineditismo e, também, pelo fato de outro brasileiro ter ido ao pódio, Nelson Piquet em segundo. Foi a famosa corrida em que Senna quebrou todos os protocolos (ô, clichê!) e espirrou champanhe na família real monegasca, para desespero do segurança no não-pódio de Monte Carlo. Príncipes e princesas não se incomodaram tanto assim, porém.

Na segunda, a de 1992, tenho uma historinha para contar. Na época eu trabalhava na “Folha” e comentava as provas, como convidado, para a Rádio Excelsior — que depois viraria CBN. O Luiz Roberto narrava. As cabines de rádio ficavam em contêineres montados na reta dos boxes, empilhados de uma forma um tanto precária.

Mas eram muito bem localizadas, porque naquele ano mudaram a sala de imprensa de lugar. Ela saiu da subida para o Cassino, depois da Sainte Dévote, e foi para a entrada da reta, logo depois da curva Anthony Noghes — que ninguém nunca diz o nome, aquela que vem depois da Rascasse.

Era um pequeno prédio que funcionava também como escola infantil e, no sub-solo, tinha estacionamento e tudo. Sensacional. A gente parava o carro lá dentro, pegava um elevador e pronto, tinha até uma pequena tribuna do lado de fora para sentar e ver a corrida, os carros passando muito perto com seu barulho encantadoramente infernal. Para chegar às cabines, era só sair por uma portinha de vidro e caminhar alguns metros.

Antes, na que ficava no caminho do Cassino, era um horror. A gente saía por umas catacumbas dos tempos das Cruzadas, atravessava a pista por um túnel estreito e escuro que eu jamais conseguiria encontrar de novo, passava por baixo das arquibancadas tubulares com o povo jogando copinho de água nas nossas cabeças, percorria um longo trecho à beira do porto e às vezes era preciso até pegar um barco para chegar ao paddock. Um perrengue danado.

Pois em 1992 a prova chegava ao fim e estávamos todos à bancada dentro do contêiner, as posições de cada rádio separadas por uma pequena divisória de madeira, todo mundo apertado e de frente para os boxes, que eram montados ali mesmo — bem diferente de hoje, com a estrutura definitiva voltada para o porto. O trabalho das equipes era delicioso de ver, porque o que a gente chamava de boxes eram, na verdade, pequenas oficinas com tudo pendurado na parede, ferramentas jogadas, compressores, pneus espalhados por todos os lados, debaixo do sol e da chuva.

Aí o Mansell está um ano na frente e de repente para para trocar pneu. Senna vinha em segundo e passou, assumindo uma improvável liderança numa temporada em que a Williams estava engolindo todo mundo de canudinho. E acontece aquilo que todos se lembram: o cara sai babando, vai chegando, chegando, até embutir na caixa de câmbio de Ayrton.

Mas é Mônaco, e lá, para passar, nem por decreto. Só que Nigel tentava, bufava, arfava, rugia, e Senna na dele, impassível, com o carro no meio da pista e não dando a menor brecha para o inglês. Na posição ao lado da nossa, estava Edgard Mello Filho, então na Rádio Bandeirantes. O narrador era Éder Luiz, e ele estava transmitindo do estúdio, em São Paulo. Edgard comentava da cabine.

Mello começou a berrar feito um doido na hora em que Senna assumiu a ponta, e quando abriram a última volta, ele gritou: “Se não passar na saída do Túnel não passa mais!”. Assim foi, Mansell esboçou um ataque na freada para a antiga chicane, e Senna não deu a menor pelota — ali, o cara guiava com alguma destreza. Foi então que, à tentativa frustrada, Edgard arrancou os sapatos, ficou de pé, começou a bater com o solado dos pisantes na bancada, encheu os pulmões e soltou a voz: “Não passa mais! Não passa mais! Não passa mais!”.

Na posição um pouco mais à esquerda estavam os caras da BBC. Eles pararam de narrar e começaram a olhar para o Edgard assustados, porque aquela surra de calçados na bancada começou a balançar o contêiner. E o Mello ali, enlouquecido, não deixava nem o Éder narrar. “Não passa mais!”, gritava, e não passou mesmo, como se sabe.

Foi o maior barato. Como era um barato a F-1 dos anos 80, quando Senna venceu pela primeira vez em Monte Carlo. Contada a história de 1992, então, volto cinco anos no tempo para a prova de 1987 mostrando, aí embaixo, alguns carros que participaram daquela prova. Tem uma foto do Senna, óbvio, porque o carro era lindo demais e sua atuação foi muito boa — aproveitando a quebra do turbo de Mansell, que provavelmente venceria aquele GP. Mas quero saber se vocês conseguem identificar os outros! Sem Google, please.

45 comentários

  1. Rodrigo disse:

    Legal a história contada ! Pena não ser Piquet o astro principal… Seria contada com muito mais confete !

  2. Thiago Sabino disse:

    Ah….

    Essa história precisa ser reproduzida na próxima ver que o MONSTRO Edgard for no Paddock…..

    Com direito a arrumarem uma mesinha, e o mestre tirar o sapato e mandar ver…

    Histórico.

  3. Edison disse:

    Estou frustrado. Nessa época eu era completamente fanático por F1 e só reconheço a Lotus do Senna e uma Tyrrell. Idade é cruel!

  4. Marcelo Saldanha disse:

    Pela ordem: Adrian Campos (Minardi), Piercarlo Guinzani (Osella), Eddie Cheever (Arrows), Philipe Aliiot (Larrouse), Pascal Fabre (AGS), Ivan Capelli (March), Ayrton (Lotus) e Jonathan Palmer (Tyrrell), que era mais piloto que o filho.

  5. Felipe Carvalho disse:

    Bela historia. Você uma vez a mencionou em uma daquelas colunas que vc fazia em forma de carta.

    Posso estar enganado, mas acho que essa corrida foi narrada pelo Dirceu Maravilha, por incrivel que pareça. A Radio Bandeirantes usou um trecho dela no especial de 20 anos da morte do Senna (é um especial que tem a apresentaçao do Bruno Senna e começa com um despertador tocando.). Enfim, bela historia sobre dois grandes caras

  6. Apm disse:

    Eu amo o Edgard. Acho disparado o melhor comentarista, narrador , qualquer coisa do rádio e tv. Queria saber se ele gritava em português.. queria conhece-lo pessoalmente

  7. sergio Lima disse:

    Que texto delicioso. Que historia. Que puta saudade daquele mundo nao artificial. Sem google, sem Iphone e com cameras de verdade onde as fotos eram valorizadas porque eram tratadas como oportunidades unicas e sem essas merdas destas midias sociais onde todos gozam em um segundo e raramente se lembram de algo positivo depois de instantes. PQP, como eu agradeco por ter vivido os anos setenta, oitenta e noventa. Nao tenho a menor ideia de quem sao alguns dos carros, so sei que sao verdadeiras maquinas espetaculares. Perdao pela falta der acento. Abraco, parabens e obrigado!

  8. Marcelo Melo disse:

    Sem colar…

    Adrian Campos (Minardi), Ivan Capelli (March), Pascal Fabre (AGS), Piercarlo Guinzani (Osella), Jonathan Palmer (Tyrrell), Eddie Cheever (Arrows), Ayrton (Lotus) e Philipe Aliiot (Larrouse).

    Isso foi olhando as fotos. Agora vamos ver quantos acertos.
    Certeza de seis… 75% garantido.

  9. Adebisi disse:

    O GP de 1987 foi o primeiro GP de Monaco desde 1973 que liberaram ter mais de 20 carros na prova, então como havia 26 carros inscritos naquela temporada, largaram todos.

    O MInardi ali era pilotado pelo glorioso Adrian Campos, de longe o pior espanhol a pílotar na Formula 1.

    O Osella era do Alex Caffi, um projeto de 1984, que só era atualizado nas coxas, veja que o carro tem muita cara de remendado.

    Alem do AGS do lentissimo Pascal Fabre, que conseguiu não largard e ultimo, porque existia o Adrian Campos.

  10. Antonio disse:

    Casei na véspera. Dia 30 completamos 30 anos de sociedade, 3 filhos, 4 netos e 6 cachorros, por enquanto. Não tem como esquecer.

  11. Luciano Balarotti disse:

    Osella, Minardi, Tyrrel, March, Larousse, AGS e Arrows

  12. Amaral disse:

    De memória. AGS, Osella, Minardi, Tyrell, Arrows , March… O azulão número 30 eu não lembro.
    Agora quem tava dentro complica. Arrows, capacete vermelho, provavelmente era o Cheever. A Osella de capacete vermelho, seria Alex Caffi? March deve ser a do Capelli, pelo verde do capacete. Minardi fica difícil, não lembro direito quem tava lá em 87. Perez Sala? Campos? Martini? Tyrell era o Palmolive Pai, ou o Streiff. AGS é mole, certamente é o Pascal Fabre.
    Me amarrava na pintura da AGS. E juro que ainda terei uma miniatura dessas Minardi amarela e preta.

  13. Rocker disse:

    E a gente fala (mal) do Galvão Bueno quando o assunto é o falecido…

  14. David Félix Krapp disse:

    Eddie Cheever – Arrows USF&G
    Alex Caffi – Rial ?
    Ivan Capelli – March
    Luiz Perez Sala – Minardi
    Ayrton Senna – Lotus
    Jonathan Palmer – Tyrrell
    Philipe Alliot – Larrousse ? Lola ?
    Philippe Streiff – AGS Charro – Moreno tb guiou uma AGS com essa pintura, axo q em 86

  15. rama disse:

    A primeira foto, carro branco e listras vermelhas era a mesma do Roberto Moreno, mas esse deve ser outro piloto. Não lembro o nome.

    2. Não lembro. Lembro do carro, mas não da equipe nem do piloto. Não to conseguindo ampliar as fotos, tá dando erro, aí nem vejo o capacete.

    3. Acho que essa que tinha o patrocínio USF&G era a Arrows.

    4. Asa vermelha, cores da colombia, era a Lola Larrousse. Não lembro o piloto.

    5. Azul clara era a March (Leyton House March, ficou easy).

    6. Delta General era patrocinador da Tyrrel. Tinha um piloto francês.

    7 Alex Caffi. Talvez o pior carro e o pior piloto do joguinho de F1 pro PC. Acho que era Osela, Alfa Romeu. Mas o capacete era massa.

    8. Lotus do Senna, óbvio.

  16. Carlos disse:

    Temos uma March, uma Osella, uma Tyrrell, uma Minardi, uma Larousse e uma AGS (que o Roberto Pupo Moreno dirigiu nas últimas corridas e fez um milagre com um pontinho na Austrália, no fim da temporada).

    Foi o ano dos dois campeonatos mundiais de F1, aspirado (Troféu Jim Clark) e turbo.

  17. Jader disse:

    Ri demais imaginando a cena do Edgard. Ao vivo deve ter sido espetacularmente engraçada.

  18. Fábio Mandrake disse:

    Show de bola, Osella de Alex Caffi, Minardi de Adrian Campos,, Lotus de Ayrton Senna, Larrousse de Phillipe Alliot, Tyrrell de Phillipe Streiff, Arrows de Eddie Cheever, AGS de Pascal Fabre e March de Ivan Capelli

  19. Alvir Luiz disse:

    Pascal Fabre (AGS); Alex Caffi (Osella); Ayrton Senna (Lotus); ? (Minardi); Phillippe Alliot (Larrousse-Lola); Ivan Capelli (March); Eddie Cheever (Arrows) e Jonathan Palmer (Tyrrell).

  20. Jaime disse:

    Óia, só pela memória, então! Vou chutar alguns, confesso:

    - Luís Perez Sala, na Minardi 23;
    - Eddie Cheever, na Arrows 18;
    - Phillipe Alliot, na Lola 30;
    - Ivan Capelli, na March 16;
    - Jonathan Palmer, na Tyrrell 3;
    - Pascal Fabre, na AGS 14;
    - Alex Caffi, na Osella 21;
    - Ayrton Senna, na Lotus 12.

  21. Fumio Kurihara disse:

    Espetacular!!!!! Uma delícia ler essas histórias. Fiquei rindo me diverti muito tentando imaginar a ação do Edgar.

  22. Vascojones disse:

    E a da chuva que ele quase ganha? Encerraram antes! Ele e um outro doido lá arrebentaram ! Engoliram todos! 85 eu acho… dá uma história bacana tb

  23. João Henrique Leme disse:

    AGS, Lotus, Osella, March (Leyton House), Tyrrell, Arrows, Larrousse e Minardi.
    Como eram lindos esses carros!

  24. moisesimoes disse:

    - Corra mais lindas! Não tinha carro feio na década de 1980 na F1.
    Meu top 3 das foto, até porque não tem mais graça – já falaram o nome de todo mundo:
    1 Minardi
    2 Leyton House
    3 O AGS ( o que tinha de ruim, tinha de bonito essa zebrinha vermelha e branca)

    E nada, absolutamente nada se compara à experiência e ao olhar diferenciado que origina “historinhas” de jornalistas especializados. Porra, quase esqueci da genialidade de Senna, da bravura do Leão e do mito Piquet!

  25. EDUARDO TOMITAO disse:

    Saquei as equipes, na ordem que apareceu aqui:
    Minardi // AGS // Tyrrel // March Leyton House // Lotus // Arrows // Lola // Osella
    (já fui bom para identificar os pilotos pelos caps, sem consulta, mas hoje não dá mais não…)

  26. GuilhermE disse:

    Toda vez que comenta alguma coisa do Senna, tem um “porém”.
    Engraçada essa implicância.
    Supera isso, FG! Ahah.

  27. Glauber disse:

    Boa FG!!
    Não lembro o modelo de todos, mas vamos lá. Sem olhar o Google.
    Pierluigi Martini, de Minardi M187/Motori Moderni Turbo
    Ivan Capelli, de March 871/Ford Aspirado
    Alex Caffi, de Osella/Alfa Romeo V8 (isto mesmo, V8) Turbo
    Eddie Cheever, de Arrows A10/Megatron Turbo
    Ayrton Senna, Lotus 99T/ Honda Turbo;
    Jonathan Palmer, Tyrrell/Ford Aspirado
    Phillipe Alliot, Larrouse LC87/Ford Aspirado
    Pascal Fabre, AGS/Ford Aspirado

    • Glauber disse:

      Errei o piloto da Minardi: era o infame Adrian Campos. Um dos piores do Grid, que se aventuraria a montar a pior escuderia que apareceu nos últimos anos na F1, que mudaria de nome – Hispania (ou HRT) antes mesmo de começar aquela temporada.

  28. Rodrigo Mendes disse:

    Que tristeza! Nenhuma dessas equipes existem mais. Os carros eram lindos!

  29. Silvestre disse:

    Sem google….

    Osella (Piercalo Ghinzani)
    Lola (?)
    Arrows (Eddie Cheever)
    Tyrrel (?)
    Minardi (Adrian campos)
    Lotus (Ayrton Senna)
    March (Ivan Capelli)
    AGS (Pascal Fabre)

  30. Jean Paul Jones disse:

    Campos, Alliot, esse #21 eu não sei, Fabre, Capelli, Cheever e Palmer pai, talvez Streiff…
    Falar em Capelli, por onde anda o Ivan Capelli que escrevia pro site?

  31. Raimundo baudet disse:

    Olha…
    Capelli, Palmer pai, Rothengatter, senna, Phillipe Alliot, Luisito Perez Sala, Eddie Cheever… o último cara nao sei

  32. Helio disse:

    Aquela foi uma corrida memorável é uma grande vitória de um dos monstros do automobilismo mundial . É importante não esquecer que com o problema inesperado do Massel , o Suenna ficou na pista para a vitória sem trocar os pneus , pneus muito gastos e ainda assim conseguiu segurar o carro mais veloz daquela temporada …. final emocionante , inesquecível

  33. Charles Camara disse:

    Flavio, esse tipo de história que você conta só reforça mais uma coisa evidente: o fim do rádio e da TV convencionais, o primeiro já agoniza mas a segunda ainda não caiu doente, outra prova disso é o recente racha entre a CBF e a globo…. Novas mídias e novos meios de produzir e consumir informação.

  34. Fred Neves disse:

    Mas Flávio, se você já disse aqui no blog e no Paddock GP que sempre gostou do trabalho que Edgard fez, a narração dessa corrida em Mônaco dele não soaria um tanto ufanista para você, que tanto critica – com razão – Galvão e a emissora oficial?

  35. Roberto Torres disse:

    Sabe FG, acompanho este blog, faz tempo pra caracas.
    O que você escreve…… Sobre automobilismo. É muito legal.
    Abs. Muitos ladas da Castelo Branco para você . kkkk (fui lá tbm)

  36. Awiachin disse:

    Philippe Streiff, Alex Caffi, Luiz Perez-Sala, Ivan Capelli, Philippe Alliot, Pascal Fabre e Eddie Cheever!

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