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Wednesday, 13 de August de 2008 - 7:47Pequim 2008

BRASIL COM “L”

PEQUIM (longe do alvo) – Um arco como esse aí da foto (crédito a quem merece: o clique é do “Zero Hora”) custa 2.500 dólares. Mais os impostos, porque o aparato é importado. Brincar de Guilherme Tell não é barato, pois. Levar a brincadeira a sério, menos ainda.

Por isso que Luiz Gustavo Trainini, o Brasil com “L” da nossa série olímpica, só foi mirar o alvo depois que resolveu sua vida profissional. Tem três anos e meio de carreira. Sábado passado, estreou em Olimpíadas participando de sua primeira série, cujo resultado definiria o emparceiramento na fase seguinte. Entre 64 concorrentes, terminou em 61º, à frente de um egípcio, um iraniano e um cara das ilhas Samoa. Não sei como se chama quem nasce em Samoa. Tinha um chinelo chamado Samoa no Brasil, se bem me lembro. Horroroso.

A classificação colocou em seu caminho ninguém menos que Kyung-Mo Park. Quem?, perguntará você. É um sul-coreano que, segundo consta, tem a mira em dia: é o primeiro colocado no ranking mundial de tiro com arco, o esporte escolhido por Luiz Gustavo há três anos e meio “depois que eu já estava com tudo encaminhado na vida”. Trainini, 30 anos, é biólogo, vive em Canoas, na Grande Porto Alegre, e conseguiu encaminhar bem as coisas na vida. Tanto que, embora vinculado ao Sogipa, treina em casa. O quintal deve ser grande.

Hoje ele voltou ao estande para enfrentar Kyung-Mo Park no mata-mata. A partir da segunda fase, no tiro ao arco (arco e flecha, para quem ainda não sacou), um elimina o outro. O sul-coreano eliminou o brasileiro. Fez 116 pontos, contra 99 de Luiz Gustavo. Logo depois de se despedir de seus primeiros Jogos, Trainini, apelidado no meio de “Gavião”, falou com este blog.

O que dizer da sua primeira Olimpíada?

Acho que poderia ter ido um pouquinho melhor. Mas fui pegar bem o número 1 do mundo. A gente fica meio desnorteado, com toda a torcida da Coréia lá… Mas para quem começou há três anos e meio, está bom.

Você disputa uma modalidade pouco popular no Brasil…

Desde criança eu gostava de tiro com arco [seu perfil no guia do COB diz que Trainini viu a modalidade nos Jogos de Barcelona, em 1992, se interessou e resolveu que um dia faria aquilo]. Nunca fiz nenhum outro esporte seriamente. Só que eu não tinha oportunidade. Aí tive de trabalhar, comprei um arco, depois outro, até chegar a ter condições.

É um esporte caro?

Para começar, não. Mas depois tem de investir, comprar um arco bom, outro melhor, é como todo esporte. Um bom arco custa uns 2.500 dólares. E tem de ser importado, porque no Brasil não tem nenhuma fábrica.

E é também um esporte solitário. Onde você treina?

Os treinos mais intensos eu faço em casa, mesmo. Meu técnico é italiano, ele passa um bom tempo aqui. No último ano eu me dediquei exclusivamente ao tiro com arco.

E não foi à falência?

Não.

Você também se dedica à falcoaria, li aqui no seu perfil no guia do COB…

É, eu tenho um criadouro, registrado no Ibama. Trabalho num projeto para controle de aves em torno de aeroportos, essa é a minha especialidade.

Tiro ao arco, falcoaria… Você tem uns hobbies diferentes.

É, tenho umas preferências meio exóticas.

Para terminar, três perguntinhas metidas a engraçadas. Primeira: se você fosse um cupido, mandava uma flecha no coração de quem?

Da minha namorada, Aline.

Qual o alvo que você gostaria de acertar?

O da sabedoria.

E de qual flecha você gostaria de desviar?

Dos impostos.

13 comentários

  1. Fowler T. Braga Filho says:

    Paga impostos por incompetência da Federação, que deveria fazer ela a importação diretamente e sem pagar impostos.
    Pergunte aos atletas do tiro ao alvo se eles pagam impostos pelas suas armas e verão a diferença.
    Muito boa mesmo a cobertura Gomes.

  2. Antônio Augusto Cruz says:

    Acho que quem nasce em Samoa é Samoano.

  3. Ricardo Leite Lopes says:

    “custa 2.500 dólares. Mais os impostos, porque o aparato é importado”.
    O cara é atleta olimpico e tem que importar equipamento que não é fabricado no Brasil, ainda assim paga imposto de importação.
    Que o pais não ajuda a gente sabia, mas que ainda atrapalhava é novidade.

  4. Daniel says:

    Tantas histórias de atletas sofridos e abnegados contadas por você, Gomes, e eu ainda tenho que ouvir no rádio o filho da pu.ta e ignorante do Flávio Prado dizendo que 90 por cento dos atletas foram para Pequim passear, que se não é para ganhar não deveriam ir, e o pior, vangloriando-se que ele fala do único esporte que realmente interessa no Brasil e que o resto é resto. Tirou um sarro, aliás, de um outro jornalista (não me recordo o nome), que gostaria de ver um fim a esta monocultura do esporte no Brasil.

    Foi hoje, na Jovem Pan, naquele programa da hora do almoço que é uma zona.

    Gomes, você deve conhecer ele, deveria enviá-lo esta maravilhosa série de sua autoria para ver se ele deixa de ser tão escroto e ignorante.

    Eu espumava de raiva ao ver ele falando tanta bobagem em uma rádio com tamanha audiência.

  5. nardo77 says:

    Estas entrevistas estao muito legais!!! Aliás, a melhor cobertura dos jogos é aqui no seu blog Flávio! Muito bom mesmo, parabéns!!

  6. Cadu says:

    Lembra que te perguntei se tinha ingressos ontem ? Pois é, fui tirar meu visto hoje e negaram sem mais nem menos… tenho visto pros Eua, emprego, bens, etc…. mas no melhor estilo chines disseram NAO

  7. says:

    E não foi à falência?
    Essa tirada foi ótima.

  8. Lago says:

    neste seguimento, vida resolvida mesmo!!!!! não tem erro, basta olhar os indicadores da infraero sobre acidentes com aves nos principais aeroportos do brasil. esperto o rapaz, como bem demonstrou na sacada dos impostos.

  9. Rogério Magalhães says:

    Pô, quando eu era criança pequena lá no Imperador, eu usava Samoa… e até que o chinelo durou bastante, hehehehehe…

    Agora, Eric, você acertou o alvo, hein? O cara deve é estar de saco cheio da namorada, se bobear, a mina vira flecha, hahahahahaha…

  10. Geraldo says:

    FG, o Guilherme Tell não usava arco e flecha … ela usava uma “besta” (aquela arma que parece uma espingarda, mas que atira flecha). Quem usava o arco e flecha era o Robin Hood …..

  11. Paulo says:

    Po Eric, vai provocar uma briga de casal assim, hehehe

    Parabéns pela cobertura Gomes! Está fooda!

    Abraços ai!

  12. Ângelo Mello says:

    Mais um abnegado. Em um país com um projeto olímpico de verdade, ele começaria a se preparar ainda em 92… pois é isso que as potências olímpicas fazem, pegam talentos ainda crianças e vão lapidando. Mas o que os nossos dirigentes esportivos querem mesmo é fazer a olimpíada aqui e desviar algumas centenas de milhões de reais

  13. Eric says:

    Nos bastidores….FG diz:
    “eu também tenho umas preferencias exóticas….amo os Ladas….”
    hahahahahaaa gargalha Luiz Gustavo….vc deve estar brincando né???
    Pô,voltando ao post….se a Aline já é a namorada dele ele então quer matá-la???
    O cupido só jogava a flecha em quem teria que ser conquistado.
    Certo???

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