MENU

Sunday, 14 de September de 2008 - 11:09F-1

MONZADAS (11)

SÃO PAULO (tem gente que ficou rica hoje…) – Sebastian Vettel escreveu um belo capítulo da história da F-1 hoje ao ganhar o GP da Itália aos 21 anos de idade, dois meses e 11 dias. Ninguém tão novinho assim tinha vencido uma corrida na categoria mais importante do mundo.

Quando esse moleque apareceu guiando às sextas-feiras pela BMW Sauber em 2006, na Turquia, já dava pintas de que era alguém especial. Tinha 19 anos. E saiu fazendo tempos impressionantes. Antes, impressionara na F-BMW em 2004, com 18 vitórias em 20 corridas. Alguém assim não surge toda hora.

Aos 21 anos, dois meses e 11 dias de idade, guiou hoje como se fosse um veterano de equipe grande habituado às dificuldades de uma corrida na chuva no templo de Monza. Mas era apenas um garoto em sua 22ª corrida, e a bordo de um carro da Toro Rosso, que até outro dia era a Minardi. E se é verdade que não é mais uma Minardi, já que o time é mais bem estruturado, tem dinheiro da Red Bull, um bom motor Ferrari e a grife Adrian Newey, também é verdade que está longe, bem longe, de ser um time de ponta.

O que Vettel fez hoje é mais, por exemplo, do que Senna fez na Toleman em 1984 — aquele segundo lugar de Mônaco colocado como uma das maiores façanhas de todos os tempos. É mais do que Alonso fez na Hungria em 2003, quando ganhou sua primeira corrida. É mais do que fez Schumacher ao vencer seu primeiro GP em Spa, em 1992. É mais do que fez Fisichella em Interlagos com a Jordan em 2003, uma vitória confusa e igualmente inesperada.

Vettel ganhou uma prova que teve, ao seu final, as duplas de Ferrari, McLaren, BMW Sauber e Renault na pista. Ganhou de todos sem depender da sorte, de um acidente improvável, de uma barbeiragem alheia. Nada disso. Largou na pole, controlou a corrida e pronto.

A alegria juvenil no pódio veio acompanhada, não sei se vocês notaram, de uma incrível familiaridade com a situação — hino, troféu, champanhe, abraços. É um cara que sabe vencer, se acostumou a isso em outras categorias, e não demorou muito para fazer o mesmo na F-1.

É o maior talento que apareceu nas pistas depois de Schumacher e Alonso, e mais precoce do que os dois. Um garoto que se der a sorte de ter um carro decente na Red Bull, no ano que vem, pode ser candidato até ao título. E não duvidem. Para quem ganhou um GP em Monza com um carrinho da Toro Rosso, ser campeão não é nada tão difícil assim.

102 comentários

  1. Marcelo says:

    Fernanda…você é sofista, não?

    Abraços!

  2. Fernanda Süssekind says:

    Senna e Bellof ultrapassaram número bem menor de concorrentes do que sugerem suas posições finais. Uma colisão na largada deixou para trás os dois carros da Renault (Warwick e Tambay). Também ficaram de fora na primeira volta De Cesaris e Cecotto. Bellof não teve de ultrapassar Lauda. Senna e Bellof não precisaram ultrapassar Mansell nem Alboreto. Ao final da primeira volta, Senna era 10. Bellof, 11. Ao final da segunda volta, Senna era 9. Bellof, 10. Há uma foto que mostra os dois carros praticamente colados. Fica a pergunta: por que Bellof não aproveitou para ultrapassar Senna quando esteve tão próximo? Por que o faria 30 e poucas voltas depois? Faz sentido? A volta mais rápida de Senna foi mais de 0,6s mais rápida. (Se não é pra comparar voltas mais rápidas na chuva, está na hora de cancelar todos os registros e mudar as estatísticas da F-1.) A realidade é que Bellof ganhou a maioria das posições na largada, seja por uma excelente arrancada ou pelos acidentes à frente. E os dois estavam praticamente juntos no início. Seguiram, ambos, cronologia muito similar de ultrapassagens. No total, desde a primeira volta, Senna ultrapassou cinco concorrentes: Laffitte, Winkelhock, Rosberg, Arnoux e Lauda. Bellof ultrapassou os mesmos adversários, à exceção de Lauda. (Lauda abandonou antes que Bellof se aproximasse dele.) A verdade é que Senna foi mais rápido do que Bellof em superar os carros que estavam à frente. Por isso estava 13 segundos à frente no momento da interrupção. E Senna fez mais ultrapassagens do que Bellof (5X4) desde a primeira volta. Aproveitei para rever a corrida inteira. Vale conferir, de fato, a extraordinária prova dos dois. É uma pena que Bellof tenha morrido tão prematuramente. Uma pena também que Ickx tenha encerrado o GP. Por outro lado, Ickx congelou ali duas performances fantásticas. Ao rever a prova de Mônaco, é difícil não perguntar: quantos pilotos foram ultrapassados por Vettel em Monza? Minha opinião é de que Vettel sequer foi o grande nome de Monza 2008. Foi o grande nome dos treinos, não da corrida. Na corrida, o show foi de Hamilton. Basta rever o GP de Monza. Hamilton, sim, foi o Senna de Monza. (Ou o Stefan Bellof de Monza, para agradar aos “fãs” do Bellof.) É outra discussão, não é? De todo modo, nada disso teria acontecido sem o comentário original do Flávio. Pódio pro blog. Num certo sentido, Flávio Gomes foi o grande vencedor de Monza (ainda que mereça uma penalização de 25s pelo comentário infeliz acerca de Mônaco). FG e Hamilton foram os grandes vencedores de Monza…

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *