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terça-feira, 23 de junho de 2009 - 19:06Gira mondo

THOSE NICE BRIGHT COLORS

SÃO PAULO (e o mundo vai chegando ao fim) - Li hoje nos jornais de folhas que a Kodak vai parar de fabricar os filmes Kodachrome. A marca é usada desde 1935. O motivo é o mesmo que fez a Kodak fechar, nos últimos meses, várias de suas fábricas de películas pelo mundo: a invasão definitiva das digitais.

Que são ótimas, mas banalizaram o ato de fotografar. Hoje se fotografa qualquer coisa, o tempo todo, para colocar no orkut, no facebook, no msn, no twitter, em todo lugar. E pouca gente vê.

A Kodak explicou que hoje mais de 70% de seu volume de negócios é ligado à tecnologia digital. Os últimos rolos de Kodachrome serão doados a um museu. Um dos problemas para seus usuários é que apenas uma loja no mundo, a Dwayne’s Photo, em Kansas, tem capacidade técnica para revelar devidamente fotos batidas com Kodachrome, processo que exige um produto químico qualquer que já não se encontra mais.

É por isso que estou me inscrevendo na Sociedade Lomográfica Internacional. O equipamento já chegou. Em breve estará nestas páginas digitais. É a resistência analógica, silenciosa, que começa a se espalhar pelo mundo.

64 comentários

  1. Danilo Viana disse:

    “É a força da grana que ergue e distroi coisas belas”
    O imediatismo das tribos urbanos não nos dá espaço para fotografar com peliculas, os clientes querem tudo cada vez mais rápido, hoje precisamos ser cada vez mais fast, fast, fast… como o food!!!
    Acredito que películas fotográficas hoje abandonadas serão um certo nicho de mercado, para quem verder, revelar e ampliar… Como o vinil! Que hoje é procurado por muitos em lojas especializadas…. tenho grandes raridades em vinil onde o fluxo das músicas parece soar de melhor forma nos lados A e B!

  2. Anselmo Coyote disse:

    Flávio,
    Vc lê comentários de posts “antigos”? Adorei esse seu post. Tenho alguns rolos de filmes de 100ft (30,5m), Tri-X, Plus-X-Pan, T-Max e Ilford. Não parei de fotografar com filmes nem vou parar enquanto for possível. Estou com o Antônio Carlos. Um macaco medianamente treinado fotografa com uma digital. Seria possível vc voltar a esse assunto? Pelo menos enquanto o automobilismo não melhora um pouco, enquanto não acaba essa politicagem maléfica na F1… O debate foi muito bom.
    Um abraço.
    Anselmo Coyote.

  3. Bianchini disse:

    Flávio, são os engravatados de merda com seus MBAs fazendo o mundo ficar mais chato e triste. Minha Zenit 122 está inconsolável.
    Abraço.

  4. Paulo Barros disse:

    Este post, na verdade, daria um blog inteiro, pra discutirmos por muito tempo.

    No começo, vi a fotografia digital como uma espécie de inimiga. Usava minha Canon A1 e fotografava feito maluco, o tempo todo e não via a menor graça naquelas maquininhas com toda a demora e diiculdade para expressar seus resultados em papel. Mas a coisa evoluiu rápido, muito mais do que eu esperava, e com o tempo fui reconhecendo que os tempos mudaram.

    Acho que a discussão sobre qualidade do filme X captura digital, está sendo encerrada. Tudo bem que filmes pode ter milhões de pixels a mais que os formatos digitais, mas e daí, se o olho humano não é capaz de distinguir a diferença? Não faz diferença.

    Outros queixam-se da “manipulação” da Imagem. Para mim, isso não existe. Fotografia é uma expressão da realidade segundo o olhar de quem fotografa. Nunca é a própria realidade. Técnicas de manipulação (na verdade, processamento) sempre existiram, apenas estão se modernizando, inclusive ampliando os horizontes da fotografia. Algumas das minhas fotos que mais gosto, feitas ainda com filme 35, tem, propositalmente “flares”, reflexos e distorções. Criam exatamente a imagem que eu tive daquelas cenas. Adoro brincar com estas possibilidades de expressão.

    Outra grande vantagem do formato digital, é que ele trouxe o processamento da imagem para as mãos do fotógrafo amador. Antigamente, só o profissional tinha acesso ao processamento de suas próprias fotografias. Quantas vezes passei raiva vendo fotos noturnas, de longa exposição, com luz natural, sendo entregues a mim já “corrigidas” (blergh, que horror ficavam) pelo laboratório. Hoje, com um equipamento relativamente acessível, pode-se fazer o processo todo em casa.

    Ainda pretendo manter um pé em cada mundo. Nunca me esqueço da sensação que tive quando vi pela primeira vez, uma foto minha, surgindo como um milagre, de um papel branco, ali na minha frente, num abafado laboratório improvisado em um minusculo banheiro de apartamento, sob aquela aura vermelha, quente e úmida. Não dá para explicar, para quem nunca passou por algo assim. É magico.

    Hoje estou sem laboratório, mas meu projeto de reforma de casa inclui um espaço para isso, enquanto isso, velhas companheiras esperam na estante. O P&B é fácil e acessivel, e para iniciar, requer muito pouca prática. Enquanto isso, vou fotografando o que me dá na telha com minha digitalzinha básica, que vem a ser uma Canon S3is. Apesar de não ser uma SLR, faz coisas incríveis para alguém do seu tamanho. Ainda pretendo ter uma boa SLR e umas coisinhas a mais para processa direito em casa.

    Ah, e as velhas companheiras: Canon A1, que ainda vai fazer muita P&B. Suas lentes são uma “delícia” para os olhos. Uma Zenit 122 ( made in URSS), para a qual tenho um tubo de extensão, de rosca, que me permite macros que não consigo nem com a digital, e a vovó de todas, uma Zeiss-Ikonta de 1956, com obturador a corda, que funciona com uma precisão increditável. Usa filmes 6×6 e está em perfeito estado de funcionamento. Com essa idade, não merece trabalho pesado, mas rende umas fotos interessantes.

  5. Aliandro Miranda disse:

    E o cinema, como a gente conhece, também está chegando ao fim.

    Dêem uma olhada em http://www.panavision.com/product_detail.php?maincat=1&cat=36&id=375&node=c0,c136,c137

    Inúmeros filmes já foram rodados com esta nova câmera.

    O mundo está ficando muito sem graça.

  6. Edson Del Rio disse:

    Acompanhei o desenvolvimento da fotografia nos últimos 50 anos e muita coisa veio e se foi. Cheguei a trabalhar com filme rígido e fotografia de casamento no estúdio (que naquela época chamava-se atelier e era decorado, aos sábados, com flores naturais). Utilizavam-se câmeras de grande formato (18×24 cm) e toda a comitiva (padrinhos, pais, parentes etc.) acompanhava os noivos para a seção de fotos que, no máximo seriam duas ou três poses (uma dos noivos, uma só da noiva e talvez uma com os padrinhos, quando eles é que estavam pagando a conta). Também, como ajudante, acompanhei a utilização de flash de magnésio (erroneamente designado à pólvora).

    Trabalhei, como ajudante, fazendo fotocópia, isso é, tirando fotografia de documentos, principalmente daqueles monstruosos diplomas (utilizando filmes em rolo com negativos 6×9 cm) e ganhava-se muito bem. Com o surgimento das termocópias da 3M e depois da Xerox, o negócio desabou e os diplomas ficaram ridículos no útil tamanho A4. Recentemente, um incêndio em meu laboratório queimou todos os meus diplomas e não mais tenho coragem de tirar a segunda via imaginando-os minusculamente miniaturizados.

    Fiz fotografia de reportagem de casamento utilizando médio formato (6x6cm) com câmeras reflex ( principalmente a Yashica). Usei a Yashica A em estúdio para fotografar 3×4 e crianças (as mães levavam a criançada para ser fotografada no estúdio) e depois a Yashica Mat que transportava o filme automaticamente, que maravilha! ! ! O flash eletrônico era um pesado aparato operando com bateria de chumbo e vivia pifando! Meu pai concertava os flashes eletrônicos e levava cada choque! Um dia explodiu o condensador eletrolítico e foi um bafafá, felizmente, sem feridos, mas essa é outra história.

    Vendi filmes em rolo para as câmeras Kodak Rio 400 (formato 127), para as Kodak Instamatic (filme 126 e utilizando flashcubes), para as Kodak Pocket (110) além do formato 120 para as câmeras Flika (da DFV, que além de câmeras fabricava carburadores), e aquelas câmeras caixotinhos, como a Kapsa pinta azul e pinta vermelha. Vi a fotografia colorida chegar e acabar com o P&B.

    Depois foram os 35 mm que no início era uma granulação só, desprezíveis, não dava para fazer uma única ampliação 18×24 cm digna! Mas a Olympus Trip 35, a primeira câmera com regulagem automática, vendia feito água e permitia 36 poses, coisa de louco para a época. A Olympus Pen permitia até 72 exposições, mas o pessoal reclamava que demorava muito tempo para revelar o filme.

    Utilizei fotografia preto e branco (papéis Ilford e filmes Tmax “puxados para ISO maiores que 24.000) para fotografia técnica em condições de pouca luminosidade até o início de 2005, quando definitivamente abandonei a fotografia química rendido pela superioridade do “inimigo”. Novamente, num ato de traição, que me acompanha nas últimas décadas, tive que migrar para a nova tecnologia. Apenas uma questão de sobrevivência.

    Desde que me conheço por gente, a sobrevivência profissional é uma constante migração para novos cenários. Super 8, Betamax, VHS, lâmpadas incandescentes GE Photo flood, filmes Daylight, ORWO, Agfa, Sakura, além de muitas outras, são palavras que tiveram um grande significado no passado.

    Quando criança fazia minhas calças sociais no alfaiate, como toda a garotada, e fazia e minhas camisas na costureira. Hoje somente alguns poucos afortunados podem fazer um belo de um terno sob medida em um alfaiate, virou “Cult”? Assim como a Lomo, que também é “da hora”. Quero fazer minhas camisas na costureira e as calças no alfaiate, dirigir meu fusca 69 e a minha Veraneio com carburador! Quero comer maria-mole de claras de ovos e outras coisas maravilhosas que não se vendem na caixinha! Quero utilizar meu Z80 e o meu Amiga 500 Motorola 68000. Meus relógios de bolso estão quebrados, a máquina de escrever enferrujada e não acho para comprar um vídeo cassete decente! Meus paquímetros são digitais, agora é só CNC na oficina e desenho é eletrônico. E a minha régua de cálculo como fica? Quando adolescente ia a Drogasil e comprava, no balcão, um litro de éter sulfúrico PA do Laboratório Herzog para colocar nos motores de aeromodelos. Hoje, será que eles venderiam éter para um distinto professor universitário de cabelos brancos?

  7. Anselmo Coyote disse:

    Carlos, sua Zenith é a 120 ou 220? Tenho uma objetiva dela: 50mm f/1.8.
    Flávio, só para te matar de inveja: Minha Leica M6 continua impecável, com 03 lentes Summicron 90mm f/2.0, 35mm f/2.0 e 50mm f/2.0. Tenho ainda duas FM2 Silver, com objetivas 80mm f/2.0, 20mm f/2.8 e 50mm f/1.4. Uma Yashica MAT 124B Twin lens, 80mm f/2.8. E o xodó: uma SX-70.
    Qualquer dia te falo dos meus 02 ampliadores e de todo o meu lab.
    Abs.

  8. Decio disse:

    Exintem coisas, que não tem a menor importancia !

    Para, todas as outras o tempo destruirá…

  9. Marcelo Barbosa disse:

    Um marco e tanto hein, putz Flávio. Esse mundo está se transformando mesmo diante de nossas fuças, e sem piedade.
    Eu soube ontem, achei a notícia do ano.

    E ainda dirão “…na “era Kodachrome” um diapositivo 35mm era capaz de armazenar o equivalente a 3 Gb de informação”….

    E o velho lab. Era muito bom ver uma imagem nascer suave de um banho sob aquela luz laranja tenue…
    Um dia volto. Mas será que encontrarei material?
    ah, volto nada…

    Abraço!

  10. Claudio Pessoa disse:

    Quem curte fotografia vai sentir falta. Lamentável! Sim, o mundo está acabando, mas pra mim o derradeiro dia será quando anunciarem o fim do TRI-X 400. Aí sim terei certeza que o mundo acabou.

  11. Antonio disse:

    Esse caminho nao tem volta

    Só espero que as digitais melhorem a qualidade e o custo ,que ainda deixam a desejar.

    na festa junina da minha filha um amigo foi tirar a foto e na hora H.. ops cartao cheio…

    ou entao ops.. acabou a bateria..

  12. Marilia Compagnoni Martins disse:

    e eu ainda não comprei uma maquina digital. Seilá, acho q as fotos banalizaram, a pessoa clica, olha no visor diz: “outra q essa eu não gostei”

    mantenho a Pentax básica manual

  13. PAULO disse:

    ISSO É PARA A TURMA QUE JÁ PASSOU DOS CINQUENTINHA (EU NESSA) SE TOCAR QUE OS TEMPOS MUDAM, SÃO OUTROS.
    PAUL SIMON & ART GRANFUNKEL ESTÃO MAIS TRISTES, NÓS ENVELHECENDO A CADA DIA.
    BONS TEMPOS QUE NÃO VOLTAM MAIS.
    “RODA” PARA A FRENTE.
    BJS

  14. Oto disse:

    A revelação tradicional, por ser resultado de efeito químico, age no filme e no papel a nível atômico. São os minúsculos átomos modificados que dão uma qualidade que atualmente poucas digitais conseguem. No entanto, sou da opinião oposta que a foto foi banalizada e ninguém vê. pelo contrário: É só observar quantas fotos e vídeos circulam por youtube. Quantas dúvidas da F1 foram clareadas com vídeos amadores do pessoal da arquibancada. (vide hamilton fazendo lambança atrás do safety car numa corrida com chuva que não lembro qual foi). Acho que a era digital perdeu na arte, mas ganhou na comunicação / conectividade / network, ou seja lá qual for a palavra da moda ….

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