PERGUNTINHAS

SÃO PAULO (teremos respostinhas?) – Este post é exclusivo para os moradores da gloriosa cidade de São Paulo.

Tenho notado, por onde ando, que segue a plenos pulmões a instalação de radares por todos os cantos. Não são radares que detectam excessos de velocidade em grandes vias, mas sim equipamentos que nos fotografam o tempo inteiro em ruas acanhadas, pequeninas, escondidas, que leem nossas placas e informam as autoridades por onde passamos, para onde vamos, se nossos carros foram aprovados pelos caras que fazem inspeção veicular, se estamos rodando na hora do rodízio, se pagamos o licenciamento, se estamos com alguém no banco de passageiros, se estamos de gravata, vidros abertos ou relógio no pulso.

Não gosto de ser fotografado. Não gosto de saber que o prefeito da cidade é um voyeur, e, por isso, sempre que passo por um radar desses faço gestos obcenos. Não gosto que me sigam, que controlem minha vida, que monitorem meus passos.

Ao mesmo tempo, claro, não sou contra que se fiscalize a aplicação das leis. Elas existem para ser cumpridas. OK, a gente cumpre. Mas é aí que vêm as perguntinhas do título, que serão feitas uma a uma abaixo, na esperança de que a assessoria de imprensa do prefeito voyeur se manifeste.

– Por que é que a prefeitura se acha no direito de dizer se meus carros podem ou não rodar sem furar ainda mais a camada de ozônio e eu nunca vi um selinho da inspeção veicular nos ônibus que rodam pela cidade, cujo sistema de transporte é administrado pela prefeitura?

– Vejo caminhões mulambentos o dia todo “a serviço da prefeitura”, e eles igualmente não têm selinho da inspeção veicular. Por que meu Lada precisa ter?

– Por que a prefeitura fecha botecos na Vila Madalena por causa de barulho e permite que os ônibus das empresas que contrata para fazer o transporte público façam um ruído ensurdecedor, que acaba com a saúde dos motoristas, cobradores, passageiros, pedestres e outros motoristas? Por que o prefeito não passa um dia inteiro dentro de um ônibus desses para ver se fica surdo?

– Por que sou obrigado a aceitar ser fotografado numa rua que tem buracos, pavimentação irregular, árvores que caem? Posso eu também fotografar cada metro desta cidade onde a prefeitura não cumpriu seu papel de me oferecer ruas decentes e multá-la?

– Por que sou obrigado a aceitar ser fotografado enquanto a prefeitura não remove um poste de sinalização que está há dias derrubado num cruzamento sobre o viaduto Indianópolis, causando riscos a quem trafega por ali?

– Por que sou obrigado a aceitar ser multado por fotos numa cidade em que os semáforos não funcionam por horas ou dias a fio, depois de cada chuva de verão? Posso fotografá-los, senhor prefeito, e multá-lo também? Afinal, pago impostos, vários, muitos deles diretamente ligados aos veículos que possuo, e que deveriam ser usados para fins ligados ao trânsito, ao transporte público. E sei lá onde vai parar esse dinheiro.

– A prefeitura da cidade não cumpre nenhuma de suas obrigações. Deixa as ruas de qualquer jeito, buracos enormes, pavimentação irregular, medieval, larga postes amassados caídos no chão, calçadas esburacadas, faixas de pedestre sem pintura, semáforos apagados, mato alto nos canteiros, nos informa a hora e a temperatura erradas nos relógios digitais instalados em espaços públicos, permite que veículos sob sua gestão poluam e façam um barulho absurdo e inaceitável, não conserta guard-rails, não faz manutenção de sinalização, não fiscaliza árvores podres que caem sobre nossos carros. Mas demarca esse mesmo espaço abandonado com locais para estacionamento que devemos pagar a ela, prefeitura, instala radares e máquinas fotográficas, exige que nós, motoristas, estejamos 100% regulares para rodar em vias 100% irregulares e negligenciadas por ela, prefeitura. A última pergunta: senhores advogados frequentadores deste blog, posso fotografar tudo isso e mandar uma multa por dia ao prefeito?

Comentários

  • Vejo muita polêmica em torno das câmeras urbanas. Acho que muita gente ainda não sacou a diferença de uma câmera que pode ser úitil para VIGILÂNCIA e outra que serve apenas para FISCALIZAR e MULTAR.

    Claro que na atual insegurança pública que vivemos, podermos contar com meios de auxílio à segurança são bons. Mas o fato é que o real sentido das câmeras é apenas MULTAR e EXTORQUIR o cidadão.

    Como disse um outro internauta em um dos posts: se a mesma câmera que tem tecnologia para multar, tem tecnologia para observar e cruzar informações num banco de dados à que está ligada. Mas essa mesma câmera seria usada para localizar seu carro caso ele fosse roubado??? Ela seria usada para rastrear um veículo que estivesse levando uma vítima de sequestro?

    Infelizmente, é apenas o dinheiro e a sanha de riqueza espúria de nossos governantes que prevalece como o “modus operandi” de toda uma sociedade. A sociedade brasileira.

  • Olá Flávio…

    Gostei de seus comentários, parabéns…

    Não devo nada para o poder público,porém acho abuso e abusrdo esta inspeção veícular, não funciona na prática – somente na lógica, a prefeitura de SP, deveria à principio fiscalizar os postos de Gasolina – antes mesmo de exigir algo dos consumidores e donos de Automóveis, porém para a Prefeitura de SP, não é interessante mexer com a BR é mais fácil brincar de fantoche com o povo, CARA NÃO VEJO A HORA DE DAR NO PÉ DE SP,NÃO DIGO ISTO PELA CIDADE EM SÍ, MAS PELO PODER PÚBLICO, ONDE SE PAGA MUITO E NÃO TEMOS QUASE NADA DE BENEFICIO, OS TEMPOS DA ESCRAVIDÃO ACABOU HÁ MUIO TEMPO…..

    VALEU…
    RCD-SP

  • E agora uma “novidade” para todo o Brasil:

    http://maharpress.blogspot.com/2011/03/inspecao-veicular-vem-ai-prepare-se.html

    Todos os estados brasileiros e o Distrito Federal deverão iniciar a implantação da inspeção veicular ambiental a partir de 25 de abril de 2012, prazo determinado em Resolução do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama). A medida busca o controle da poluição provocada por ruídos e pela emissão de gases e partículas poluentes. A regra vai abranger todos os veículos automotores, motociclos e veículos similares, independentemente do tipo de combustível que utilizem.