TUDO À VENDA

SÃO PAULO(mundo estranho) – Bom dia, macacada. Hoje, ao acordar, soube que a bela colega Adriana Varejão estabeleceu um recorde ontem para obras de artistas plásticos brasileiros, ao vender em Londres sua intrigante “Parede com Incisões a La Fontana II” (veja que lindo aqui) por quase R$ 3 milhões.

Eu estava relutando para colocar minhas instalações no mercado, mas diante da quantia alcançada, da valorização da arte brasileira e da necessidade de pagar o licenciamento de alguns carrinhos e de construir para eles uma casa-galpão, decidi vender três delas, as que seguem, com os preços iniciais estabelecidos. O leilão se encerra hoje à noite, e como não tem comissão de leiloeiro, considero que esta é uma ótima oportunidade para os colecionadores internacionais.

– “Parede com Infiltração sob Esquadria de Alumínio a La Camara III”, US$ 500 mil
– “Parede com Filtro São João, Torneira e Detergente a La Finestra IX”, US$ 630 mil
– “Parede de Canto com Caixa de Luz e Antena de TV sem Bombril a La Cucina VII”, US$ 320 mil

Os lances podem ser feitos aqui mesmo na área de comentários. Pagamento em moeda nacional, com nota fiscal paulista.

Comentários

  • Bom dia, é interessante o debate sobre a arte contemporânea. Faz muito tempo que Marcel Duchamp questionou a representação da obra de arte, e a partir daí tudo parece possível em matéria de arte. A discussão vai muito longe do gostar ou não gostar, deve-se entender um pouco mais a transformação da sociedade no início do século passado até hoje.
    Gosto muito do trabalho ‘dos cortes’ de Lucio Fontana, foi muito importante neste processo de rompimento com a representação da arte tradicional. Ele, Duchamp, Picasso, Cézanne, Kandiskym, Malevitch, Pollock, Stella, Basquiat e tantos outros indicaram outros caminhos, e os novos artistas vão continuar explorando todas as formas de representação. Temos que abrir a cabeça para entender a arte contemporânea. Grande abraço

  • Olás,

    Estarrecedor… Esse treco aqui http://www.google.com.br/images?q=Parede+com+Incis%C3%B5es+a+La+Fontana+II&hl=pt-BR&prmd=ivns&source=lnms&tbs=isch:1&ei=fv9iTaS4FIi-tgejtojkCw&sa=X&oi=mode_link&ct=mode&cd=2&ved=0CBUQ_AUoAQ&biw=1007&bih=438

    … é de um mal gosto dos pior espécie que vi… E não me venham com esse papo cool cult. A “obra” é feia pra dedeu… E por favor não compare um artista Andy Warhol , Botero com a Varejão.

    Prefiro sim o lago com cisne a esse “mierda” dcomo diria Dali, esse sim um gênio

  • Se a obra fosse minha nem minha mãe comprava, não queria nem dada, e ainda iam dizr que eu era doido, mas como é de um artistaconhecido… Melhor crítica foi a da novela que teve, nem sei o nome, onde os quadros de um macaco valiam mais do que o do artista que os usava.

  • Tá danado! Pagou três milhões e nem viu que o azulejo está com uma sujeiras pregadas, parecendo umas tiras de bacon queimado? Por esse preço, eu exigiria da Christie’s que ao menos me entregasse lavado. Será que o comprador ainda vai ter que gastar mais uma fortuna comprando água sanitária Perrier para limpar? E como diria eu mesmo “o que seria dos espertos se não fossem os tolos!”

  • É, eu não entendo nada de picare… quer dizer, arte, mesmo… Tá, agradável, o quadro, gostei de verdade (pagaria uns R$200 nele, se muito). Tá, o mercado decide quanto custa (“vale” não é palavra que se aplique). Mas uma grana dessas num negócio que qualquer um poderia ter feito… é ridículo, sintoma de tudo que está errado nesse mundo. Se botar o nome de um “artista famoso” numa das fotos do Flávio Gomes, pode crer que venderia por uma grana preta. E teria um monte de babão “interpretando”, como em vários comentários acima. Posso não entender de “arte”, mas de natureza humana eu tenho uma ideia melhorzinha.

    Esperto quem vende, trouxa quem paga; o dinheiro é deles (e provavelmente vão recuperar com grande lucro mais pra frente) — se bem que quem tem grana suficiente pra investir 3 milhões num negócio desses geralmente é xeique do Barein, especulador financeiro e outros tipos desses, então sei lá se o dinheiro é deles mesmo, ou honesto, enfim… :-)

  • VERGONHA!

    Vender uma obra prima como a “Parede com Infiltração sob Esquadria de Alumínio a La Camara III”, por 500 mil dólares desvaloriza o trabalho árduo de inúmeros outros artistas!

    Tem que subir mais o preço.

    Informe-se no sindicato dos artistas paulista por quanto essa obra dever ser vendida antes de anunciá-la!

  • aliás, ‘pseudo-elitismo’ não significa nada, não é conceito algum, é puro clichê verbal, e denota simplesmente falta de capacidade de elaborar uma resposta crítica racional aos comentários de que discorda.

  • Criticam o Flávio, mas o blog é dele e ele escreve o que quiser. Eu sou um operador do Direito e manifesto a minha liberdade de expressão com a absoluta certeza de que pra mim chega a ser cômico isso ser vendido à ‘2 milhões’. Obras são as do gênio DaVinci, ou do P.Picasso ou obras escritas de Fernando Pessoa, Machado de Assis, Pablo Neruda, ou obras filosóficas de Niestzche ou Immanuel Kant. Agora criticar quem critica essa ‘arte’ e demonstra que há um pseudo-elitismo cuja demonstração só se faz após pesquisas no google, mas no ‘face-to-face’ não sabe nem fazer um comentário racional sobre aquilo que passa aos olhos …

    • hmmm… operador do Direito…cruzes.

      a mim chega a ser cômico um ‘operador do Direito’ utilizar crase em “vendido a 2 milhões” (esta a grafia correta da frase).

      pesquisa na web é o que fez o flavio gomes, postou uma notícia publicada numa página jornalística, para fazer um comentário superficial e subjetivo sobre um assunto importante do qual tem parco conhecimento, arte.

      não é ‘pseudo-elitismo’ por parte de quem critica a superficialidade dos que ‘não gostam’ – arte é elitista por si mesma, exige muito estudo para quem quiser apreciar e muito trabalho pra quem quiser produzir nesse campo da atividade humana.

      pesquisa no google…taí uma boa sugestão pra se procurar saber mais sobre o Lucio Fontana, tema do trabalho em discussão da artista brasileira. posso até adiantar os passos: chequem http://www.fondazioneluciofontana.it

  • aeiuhaiuaeiuheiuiaeueiuh
    muito boa.

    “Sensibilidade à arte”? Isso pra mim é pateticidade ao extremo. Como pode? Eu mesmo sou capaz de fazer algo melhor e mais criativo do q a obra da mulher. aliás, o FG já fez aí… ahaeuhaeuhaehu

    • “criatividade é tema para o mundo da publicidade.
      o tema subjacente em toda e qualquer verdadeira arte é a morte”
      (de um pensamento de Arthur Omar, artista brasileiro, ainda vivo, não tão bem sucedido quanto a Varejão).

  • Tive oportunidade de conhecer essa obra antes do comprador a arrematála no leilão, e garanto, naquela ocasião não havia nenhuma destas estrias.
    Elas surgiram devido ao surto de fúria da esposa do proprietário quando soube o quanto o mané pagou pela obra depois de ter negado a ela (a esposa) a compra de duas bolsas Luis Viton de pouco mais de 50 mil cada uma.

    Quem não gostou nada foi a manicure, que teve qeu refazer o esmalte nas mãos da moça…..

  • Oi MM, a comparação que eu fiz no comentário se referia às funções dos supercarros e das obras de arte. A meu ver eles servem para serem apreciados, curtidos, desejados, causar prazer.
    Ninguém precisa de grandes obras de arte para viver, nem de supercarros. As pessoas, em geral, precisam de um mínimo de beleza a seu redor para se sentirem bem, e precisam de um meio de transporte que os conduza em suas necessidades. Uma parede bem pintada e um carro popular resolvem a questão para 99% do público.

    Arte e supercarros tratam de paixões e desejos íntimos, coisas que não tem preço.

    O FG tem um gosto retrô e adora Ladas. De tanto bater na tecla, vai que um dia, daqui uns 50 anos, os Ladas virem peças de adoração cult? O 69 antigo poderá valer milhões. Louco, não?

    Por isso é que eu acho que dá pra comparar as duas coisas. O que não dá, é ficar tendo preconceito com a Arte porque não a compreendemos. Arte e supercarros têm duas funções: embelezar a vida das pessoas e movimentar um mercado milionário.

    P.S. Ótimo comentário o do Fernando Amaral.

    Abraços.