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quarta-feira, 26 de setembro de 2012 - 10:52F-1

JÁ É

SÃO PAULO (que aproveite) – Antes de mais nada, justiça jornalística seja feita: há mais de um mês o colega Américo Teixeira Jr., que tem entre suas qualidades a incomparável condição de torcedor da Portuguesa, cravou que Massa fica na Ferrari em 2013. Está aqui, de papel passado, com firma reconhecida e autenticado. E não é como a novela do Ganso, não, que assim que assinou com os co-irmãos do Jardim Leonor ganhou uma legião de autores garantindo que já tinham revelado o final antes de todo mundo.

As últimas notícias que chegam da Europa, mais as declarações de Montezemolo (“Pérez é jovem demais”), Domenicali (“Temos confiança nele”), Alonso (“Para trocar, tem de ser alguém melhor”) e também do papa Bento XVI (“Deus abençoe todas os brasileirras”, ele disse na missa de Páscoa), apontam numa só direção: Felipe fica no ano que vem.

É quase uma façanha, considerando a linha do tempo de 2012: um péssimo começo de temporada, críticas violentíssimas da imprensa italiana, especulações de todos os lados sobre seu eventual substituto, ascensão clara de um jovem ligado ao time, como Pérez, resultados pífios, nenhuma atuação convincente. Aí vem uma sequência de quatro corridas nos pontos e parece que é o bastante para a Ferrari bater o martelo.

Mas conhecendo-se a Ferrari, e tentando compreender o atual momento da F-1, faz todo sentido. No caso da equipe, a simples presença de Alonso anula qualquer grande sonho de consumo para o segundo cockpit. Meio que pode ser qualquer um. E se já se tem em casa alguém conhecido, afável, acostumado com o modus operandi, que sabe por onde entra na firma, onde fica o banheiro e a melhor máquina de cafezinho, para que inventar? Já com um olho na categoria como um todo, trocar de piloto, no caso das grandes, é quase uma inconveniência. Dá trabalho, é preciso um período de adaptação, custa caro etc, etc e etc. Só se for algo mesmo muito urgente e necessário.

Essa parece ser a lógica que norteia a decisão de anúncio iminente. A Ferrari não quer ter muita dor de cabeça. Felipe faz um ano ruim, mas pode melhorar. E ninguém precisa ensinar nada a ele. É só recuperar a forma que já apresentou no passado.

Massa não vem fazendo nada para merecer entusiasmo algum da turma de Maranello, e, assim, a permanência vai se dever muito mais ao conjunto da obra do que à memória recente do que realizou nas últimas três temporadas. É um raro voto de confiança num mundo corporativo cada vez mais competitivo e impessoal. E aí existe mérito para o brasileiro: ele soube construir, nestes 11 anos de Maranello, uma relação forte o bastante para que o time dê a ele tal voto de confiança.

Que aproveite e renasça.

190 comentários

  1. Braulio Gerhardt disse:

    Enquanto o Brasil for o país que mais dá lucro pros bancos (entre eles o Santander) e pras montadoras (entre elas a Fiat), o Massa só perde a vaga na Ferrari se:
    1. Não marcar pontos regularmente, ou;
    2. Começar a desobedecer ordens de equipe e chegar na frente do Alonso.
    Acho engraçado que depois de tantos anos, as pessoas ainda falem de F1 como se fosse um esporte e não um negócio…

  2. Silvio disse:

    Schumacher vai levar um vareio do Alonso na Ferrari e Massa se der sorte consegue uma vaguinha na Sauber… Alguém dúvida que se o alemão quiser ele corre na Ferrari? Schumacão vai esquentar o banco para o Vettel, ai vai embora pra casa em 2014 levando vareio de Rosberguinho e Alonso ….Belo fim de carreira do Dick..

  3. Luis disse:

    Lendo os comentários aqui, eu só tenho a agradecer pelo Massa ter perdido o título de 2008 para o Hamilton, mais pelos fãs mesmo, longe de mim desejar o fracasso profissional de alguém, a carreira do Felipe Massa na F1 não é minha, não é de torcedor nenhum, não temos nada a ver com isso, mas esses fãs seriam muito mais chatos se o Massa tivesse título. Deixa o cara trabalhar na equipe, não é vocês que vão empregar o Massa na sua loja de carros usados quando ele sair da Ferrari.

  4. José Brabham disse:

    Nem sei o que comentar. Torci muito por Massa em 2008, mas hoje não vejo um futuro brilhante para ele em Maranello. Deve ser muita mística mesmo pilotar aquele carro vermelho com um cavalinho rampante na lateral…

  5. J disse:

    O mais sintomático é que o Alonso quer que o Massa fique. Óbvio. Se entra alguém novo, pode ser piloto bom, ou alguém que no mínimo encrenque com a condição dele, Alonso, de dono do time — por que, como tem sido há muito, a Ferrari é time de valorizar um piloto só, e não tá com cara de que vai mudar agora. E como El Rabudón de las Astúrias é tudo menos besta, ele quer mais é que Massa continue piloto na Ferrari, fazendo número e não ameaçando sua hegemonia. Pra que arriscar outro “Hamilton” na vida dele?

  6. Joe Cooker disse:

    Não compartilho da opinião geral, inclusive de Flavio Gomes, de que Massa tem feito uma grande segunda parte da temporada. Melhor que a primeira, sem dúvidas, até porque seria difícil piorar, principalmente diante da melhora significativa no carro da Ferrari. Mas dizer que Massa tem compensado o mau desempenho da primeira fase da temporada é um pouco demais. Penso que, apesar de um certo progresso, a temporada de Massa continua beirando a mediocridade. Seu ponto alto foi a terceira posição na classificação do GP de Monza, e só. Não houve lampejos de brilhantismo, apenas regularidade nos pontos em posições intermediárias. Sinceramente, não acho que isso basta para uma renovação com a equipe de Maranello e se houver realmente prolongamento da estada do piloto brasileiro será mais por burrice do que por falta de opção. O que não falta é piloto bom ansioso por uma vaga. Se retirar aqueles sempre citados – Perez, Webber, Button, que já foram devidamente descartados pelo time italiano, ainda assim, sobram bons pilotos, como Paul di Resta, Hulkenberg, Kobayashi, Kovalainen (merece uma segunda chance em equipe de ponta), Raikkonen, qualquer um desses, acredito, seria uma boa aposta no lugar de Massa.
    Essa história de que o melhor para a Ferrari é manter o brasileiro porque já conhece seu trabalho é ridícula. Se a equipe não está se beneficiando do desempenho do piloto por que conservá-lo? E não se trata apenas dessa temporada. Massa não tem feito muita coisa nos últimos 3 anos, é tempo demais pra viver na expectativa de uma milagrosa recuperação.
    Duvido que, ao contrário do teor do texo de Gomes, Massa esteja perto de uma renovação. Posso estar enganado, mas a Ferrari ainda está a procura de alguém para o segundo cockpit.

  7. Patrick disse:

    ESTÃO ADIANDO A DEGOLA SÓ PARA ELE NÃO DESANIMAR E CONSEGUIR ALGUNS PONTOS.
    DEPOIS O FACÃO VAI PASSAR.

  8. Pedro disse:

    É fácil julgar o cara. Mas como disse o Todt uma vez “no final o que vale é o cronômetro”. E isso valeu a favor do Felipe em 2008 e parte de 2009, e contra si em 2007, na parte final. O que ocorre de fato é que hoje nos encontramos na situação de “torcedores” onde num passado distante estavam torcedores austríacos do Berger. Berger se “encolheu” diante do Senna, e se acomodou, e executou um bom papel de “escudeiro”, assim como fez o Patrese para o Piquet em 1983. Simplesmente ele(Massa) tem como “companheiro” de equipe o melhor piloto da atualidade. E acabou. E a ferrari não irá conceber um carro que favoreça o estilo do Massa, mas do Alonso, em quem justificadamente apostam mais. Ou tudo.

    Quanto as críticas à Rubinho, concordo em parte, mas temos que reconhecer que, atualmente, repito, pra não ser mal-interpretado, atualmente, com seu Instituto ele colabora para formação de jovens pilotos mais do que fizeram NP3 e EF2. Fora das istas, é claro(!), isto porque aquilo que NP3 e EF2 fizeram dentro das pistas reverberaram durante muito tempo a favor de pilotos brasileiros, mas sempre dentro de sua visão pragmática, da vitória para si, e não pela “pátria”, não por ninguém, apenas por e para eles mesmos, pelo prazer de pilotar. Como é o automomobilismo: egocêntrico, egoísta e egotista.

    • Gerson disse:

      Pois é, estamos(hoje e na época de Barrichello na Ferrari) na situação dos torcedores austríacos na época de Berger-Senna…

      “Só” tem uma diferença: Qual a história de pilotos austríacos na F1? Tiveram caras como Fittipaldi, Piquet e Senna?? Será que eles algum dia tiveram alguma expectativa de ter um piloto campeão de F1??? (Pelo menos de 1970 pra cá…)????

      Patrese? Até a Ferrari não comete mais a burrice, não confia em pilotos italianos para entregar a posição de primeiro piloto!!

      Antes, até 1994, todo jovem piloto brasileiro que chegava na F1, ou mesmo nas categorias menores como F3 na Europa chegava chamando a atenção e criava expectativas nas equipes maiores, pois “vinham de uma terra de campeões da F1″.

      Hoje, até chegando com bom patrocínio, tem de ralar muito…só pra chamar a atenção.

      Barrichello e Massa ao aceitar com resignação o papel de segundo piloto, sem ousar sair da Ferrari e arriscar, bancar o próprio talento e desenvolver um bom carro numa equipe média e “correr o risco” de ser campeão, saindo da sombra de um companheiro de equipe, enfim faltando com a coragem, ousadia e personalidade, fizeram/fazem na verdade um enorme DESSERVIÇO á tradição de bons pilotos que tivemos.

      A diferença de um campeão é essa. Se não consegue ser campeão da temporada, mais vale ser um vice-campeão com uma Lotus, Mercedes ou Force India, do que ser capacho de primeiro piloto e chegar ao final do campeonato como mero coadjuvante numa equipe como a Ferrari.

      Questão de acomodação. De índole. Schumacher era campeão na Benneton. Poderia ter ficado. Foi para a Ferrari e em poco tempo tirou a equipe da fila de títulos. Não foi dado um carro pronto, de mão beijada, um carro campeão.

      Piquet foi campeão com a Brabham…Nãovou nem comentar o nível dos pilos da época (81/83). Correu contra Ferrari, Williams (vinha muito bem com Reuttman e Jones – campeão), McLaren, Ferrari, Lotus, Ligier…

      Alonso. Na Benneton, foi campeão. Assim como Schumacher, poderia ter continuado. Foi para a McLaren. Não deu certo. (Pq lá tinha um rapaz chamado Hamilton que NÃO ENGOLE DESAFORO NEM SUBMISSÃO). Voltou pra Benneton e andou naquela carroça. Mas quando deu, no limite do carro, mostrou talento.

      E por aí vai. Hamilton, Vettel chegaram em equipes grandes e peitaram quem lá estava, mostraram talento, forma pra cima de seus companheiros, mesmos estes sendo mais velhos, mais experientes…

      Essa é a atitude de ambição de campeão.

      Barrichello e todos os pilotos que vieram depois, passando por Massa e os pilotos brasileiros atuais são todos carneirinhos. Vão ganhar sempre o “prêmio troféu simpatia”…Mas nunca serão campeões de verdade.

      Piquet e Senna ganharam muitos “troféu Limão”. E cag…vam e andavam pra isso!!

      Atitude!!

      • Marcos Gonçalves disse:

        Excelente comentário.

      • Segafredo disse:

        Por isso Senna não assinou com nenhuma das grandes na época antes de ir p/ Mclaren em 88. Sabia do jogo e dinheiro dos patrocinadores. Preferiu ficar em equipes menores e mostrar seu valor…..até convencer os Japoneses da Honda a trocar as Williams pela Mclaren em 88, e aí sim, com chance de disputar com Prost de igual p/ igual. E o desbancou já na primeira temporada!!

    • Gerson disse:

      Acho uma pobreza miserável essa idéia que algumas pessoas têm que todo cara que faz sucesso no esporte ou seja lá onde for, TEM DE, TEM QUE fazer algum projeto assistencialista, montar alguma instituição, algum instituto.

      É o fim da picada! Fittipaldi e Piquet não corriam pela “pátria”. Grande merda. E o que a “pátria” fez por eles??? Foram pra Europa sem apoio nenhum!!

      A “pátria” não ajuda ninguém. Nem a si mesma. Pergunte aos nossos atletas Olímpicos!

      E pelo que sei, caridade válida, sincera, é aquela feita em segredo. E tenho certeza que tanto Fittipaldi quanto Piquet são caras que se fizerem caridade, não vão no programa do Faustão contar para a “pátria” inteira saber!!

      • Claudio disse:

        E no caso do Fittipaldi, ele e o irmão dele ainda tiveram peito pra montar uma equipe de Formula 1 no Brasil…. se deu certo ou não, isso é consequencia, se tivesse dado certo ninguem ia criticar como fizeram.

      • Segafredo disse:

        Se vc não sabe, Ayrton sempre fez caridade em segredo antes de ter a intenção de criar a fundação em 1994. Está registrado em algumas literaturas e algumas de suas biografias.

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