IN MOGI (1)

MOGI GUAÇU (fervendo) – Corrida em pista nova é sempre legal demais. Estamos em Mogi, no Velo Città, junto com a turma da Lancer Cup para a primeira corrida da nossa categoria no autódromo da Mitsubishi. Primeira de muitas, espero.

A sexta-feira foi de treinos e familiarização com o circuito, que é fabuloso. Fez um calor dos diabos. O Celso, da Pirelli, mediu 65 graus dele mesmo no asfalto. O termômetro do meu carro marcava 37 quando saí da pista, lá pelas 16h.

Fizemos dois treinos livres e a classificação hoje. No Velo Città, curiosamente, os tempos são quase iguais aos de Interlagos, embora a pista seja menor — 3.430 metros. É um traçado evidentemente mais travado e lento. Mas fantástico. O tempo todo fazendo curvas, um trabalho insano para manter o carro na pista num asfalto que, com as altas temperaturas, estava escorregadio além da conta.

Os carros sofrem nos freios, principalmente. Interlagos é uma pista simples, sem nenhum segredo, que dá tempo até de chupar um picolé nas duas grandes retas. Aqui, não. Mal dá para respirar.

Falemos de Meianov, o bravo soviético. Eu tinha andado aqui uns meses atrás num Lancer Evolution de corrida, tração nas quatro, câmbio automático, pneus slick, controle de tração e tudo mais que esses japoneses bravíssimos oferecem. Conhecia a pista, pois.

Saí para virar 2min20s na primeira volta, 2min16s na segunda, e depois o tempo veio baixando até 2min13s286, 15° entre os 23 que andaram. Bom tempo, embolado com um Gol quadrado, na frente do Maverick, dos dois 147, de uns Pumas, uns Passats e outros inapelavelmente batidos pela excelência russa.

Doctor Luque, de BMW, virou 2min03s659 e foi o mais rápido. No segundo treino, meu freio começou a baixar. Mudei um pouco o jeito de atacar as curvas, as retas e os adversários, estes psicologicamente, e virei 2min13s674, P17. Todo mundo melhorou, o que prova que meus ataques psicológicos foram inúteis. Deu Luque de novo, 2min01s177.

Fomos almoçar no belo complexo montado pela Mitsubishi na entrada da pista e, de tarde, a classificação. Entrei no carro um pouco mais pesado. Meus adversários deixaram macacão, balaclava, capacete, luvas, camiseta antichamas e gravata borboleta no sol, achando que eu me abalaria com tamanha bobagem. Infames.

Freio arrumado (tinha estourado um caninho de molibdênio da Ucrânia), Meianov comportou-se divinamente, como mostra o vídeo. Viramos 2min11s597, o que considero uma façanha de orgulhar Lênin. P16 no grid amanhã, que terá na pole Antonio Chambel, de Passat, com 1min59s888. Seremos 23 no grid se os dois Fiats conseguirem andar, eles que tiveram problemas elétricos hoje — seus pilotos foram eletrocutados e estamos à procura de substitutos.

A previsão é de calor senegalesco na hora da corrida, por volta do meio-dia. Provavelmente venceremos. Todos os outros pilotos vão abrir o bico com 10 minutos de prova. Eu e Meianov, treinados nos extremos rigores da Sibéria, temos uma resistência maior. Podem confiar.

* Editei o maldito do vídeo em HD e ficou essa porcaria. Se alguém souber como colocar em HD no VocêTubo, me informe. Eu subo de novo. A qualidade do original é excepcional. No VocêTubo ficou uma merda. Mas se clicarem em “alterar qualidade” e colocarem 480p (que não sei o que quer dizer) ou 720p HD (que também não sei o que é) fica legal.

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