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sexta-feira, 31 de janeiro de 2014 - 23:29Encontros, Lambretta & cia.

ANTES TARDE

scooteria25jan1SÃO PAULO (sempre é tempo) – Amanhã faz uma semana. E eu ainda não falei nada do passeio de motonetas promovido pela Scooteria Paulista sábado passado pela cidade.

Foi bárbaro.

O roteiro foi definido com passagens por locais que marcaram a ditadura militar no Brasil. Afinal, estamos a poucos meses dos 50 anos do golpe que derrubou Jango e nos atirou em 21 anos de sombras, trevas, torturas. Isso não pode ser esquecido. E passeio da Scooteria é sempre temático. “Roteiro da Ditadura” foi o de 2014. Ótimo.

Saímos da praça que fica ao lado da “paróquia Santííííísimo”, e ao lado também do 36° DP que, nos anos 60 e 70, foi a sede do DOI-Codi e da Oban, onde os carniceiros do regime mataram Herzog e torturaram tantos outros. Never forget.

De lá subimos a Brigadeiro, cruzamos a Paulista, passamos pela Sé (onde exatos 30 anos antes, em 25 de janeiro de 1984, aconteceu o primeiro grande comício pelas Diretas), descemos em direção ao Anhangabaú (palco do maior comício de todos, meses depois, com um milhão de pessoas), cruzamos o carro do secretário municipal do Verde e Meio-Ambiente (achei o máximo!), passamos diante do presídio Tiradentes (só sobrou o pórtico; muitos presos políticos foram jogados lá, também) e fizemos uma parada na Pinacoteca para fotos e descanso. Depois seguimos até a Zona Norte onde almoçamos no Piazza Zini e nos deliciamos com o show espetacular dos Gasolines. Não conhece? Conheça.

Foram 78 motonetas, esmagadora maioria de Vespas de todos os tipos, anos e modelos. Todas deliciosamente espalhando o perfume Deux Temps pela cidade. De Lambretta, acho que tinha a minha e mais umas duas ou três. As Vespas são tanques de guerra; as Lambrettas, brinquedos mais delicados. Quase não houve baixas. Uma ou outra quebra, prontamente atendida por quem podia ajudar. Mais 18 na Piazza Zini e a Scooteria chegou a 96 participantes — um deles vindo da França, Didier, que está dando a volta ao mundo de Vespa.

Foi tudo encantador, graças ao esforço do Márcio Fidelis, do Gustavo Delacorte e da cúpula doistempista que resiste bravamente à chatice do mundo. Adoramos, amamos, estaremos em todos. No fim, voltando para casa, a Lambra travou o acelerador na região conflagrada da Paulista, e tivemos de voltar de ônibus. Felizmente foi na frente do meu escritório, garagem ali, a um empurrão, problema algum. Já está arrumando. E esperando a próxima.

In Vespa Fidelis, como diz o Márcio. É isso aí. Fumaça neles.

scooteria25jan

32 comentários

  1. Nelson Barreiros Neto disse:

    É… Tempos difíceis… Meu pai trabalhava num grande banco que existe até hoje (privado). Um amigo que era responsável do malote que ia pra São Paulo, saindo aqui de Piracicaba (de Kombosa sem segurança) foi assaltado…

    Os caras do DOPS encasquetaram que o coitado tava envolvido. Falavam que o motorista já tinha confessado (mentira) e vice-versa, e dá-lhe porrada. Foi aí que reza a lenda, meu pai é falecido, o dono do banco (o dono mesmo) após ter sido contatado por um diretor, que por sua vez tinha sido avisado pelo gerente da agência, que conhecia o cara e sabia que era honesto, intercedeu pra soltarem os caras, sabe-se lá o que aconteceria…

    Tempos horrorosos… Mas estou parecendo Forrest Gump, me lembrei dessa passagem… Idade…rsrs. Abraço a todos…

  2. Alex disse:

    Cara, na boa, um sujeito que defende a ditadura a militar ou se incomoda quando alguém a critica, não é apenas idiotizado. Ele tem algum problema. É mais ou menos como um judeu que defende nazistas. Não tem o menor conhecimento da História de seu próprio pais nem de seu continente, não faz idéia do que é a América Latina e os efeitos devastadores da interferência norte-americana. Não consegue somar dois e dois e notar que os golpes militares foram ações orquestradas e atingiram TODA a América Latina naquela época e sempre sob a mesma desculpinha inacreditavelmente ridícula….E os governos militares instalados por Washington não cometeram apenas atrocidades, torturas e assassinatos. Eles representaram prejuízos inimagináveis, décadas e décadas de retrocesso em todos os aspectos sociais e econômicos, processos importantes de redistribuição de renda e de terras foram abortados. Estamos pagando o preço dessa ditadura militar até hoje e provavelmente continuaremos por muito tempo.

  3. ac disse:

    Só esse passeiozinho poluiu mais a atmosfera que um congestionamento de sexta feira pré feriado.

  4. Sandro disse:

    Não quero fazer apologia… mas lançar uma ideia para pensar. A ditadura no Brasil é tão lembrada que elegeu a turma que está no poder, a propósito, gente que já fez muita coisa ruim em nome da “liberdade”.

    Depois de “21 anos de sombras, trevas, torturas”… estamos melhor agora?

  5. Fernando disse:

    ja q o tema tb é golpe militar, aqui um excelente documentario sobre o brasil antes do golpe e do jango.

    http://www.youtube.com/watch?v=1O4SZQZ-ikk

  6. A ditadura não foi um período de trevas, sombras, torturas. Também não foi um golpe: foi um contra-golpe.

    Aconteceram coisas ruins? Sim! Mas não podemos nos esquecer do momento histórico. O Brasil estava ameaçado por uma ditadura mil vezes pior, a comunista. Os militares, nesse aspecto, fizeram bem seu papel e depois entregaram o país aos civis com, pasmem, apenas algumas centenas de mortos – praticamente todos foram comunistas que pegaram em armas, não para estabelecer a democracia, mas para implantar aqui um regime parecido com o de Cuba.

    Portanto, no fundo, os militares foram heróis que salvaram o Brasil.

  7. fabio croce santana disse:

    woooooooooooooooooooou!!!!

  8. Gustavo disse:

    Te esperamos pra fazer mais fumaça!

  9. Guilherme disse:

    Foi um passeio muito legal e, tive o prazer de participar e conhecer pessoalmente o Sr Flávio Gomes , de quem sou muito fã , e que foi muito simpático por sinal , vamos aguardar os próximos encontros 2 tempistas .

  10. sr. X disse:

    Não sei pq a vespa não deu certo no Brasil, tive uma preta px200e ano 86, q foi uma companheira durante 5 anos, estudei e trabalhei com ela, viajava para o litoral com garupa e a bichinha aguentava… lógico q a manutenção não era como a de uma cg 125 (inquebrável), mas a vespa tinha seu charme.
    Na época era moda colocar som no porta luvas dela, a minha tinha um motoradio….

    saudades…

  11. Vilmar Tadeu Córdova disse:

    Flávio, sou da região serrana de Santa Catarina, e no verão do ano passado, não lembro bem quando, mas foi no verão, eu estava indo de moto para a Serra do Rio do Rastro, passar um domingo lá, quando já na saída alcancei um moto grupo só de vespas e lambrettas, do Rio Grande do Sul, eu fui acompanhando eles, e embora tivesse uma moto mais potente e pudesse ultrapassá-los facilmente, que nada! foram 80 km de sorriso bobo por baixo do capacete. Fiquei admirado com a resistência delas (andavam bem) e a coragem dos senhores em andar quase 2000 km em 4 dias.

  12. Robertom disse:

    Acho injusto qualificar a resistência das Lambrettas em relação às Vespas pela quantidade de participantes no evento.
    As Vespas foram produzidas em massa nos anos 80, “Made in Manaus” e vendidas num super esquema.

  13. Etel disse:

    As Lambretas sao lindas! So nao gostei muito do tema.
    Porque se a nossa DITADURA nao foi boa, existem outras que sao tao legais ainda hoje, nao?
    “_ A nossa indignaçao é uma mosca sem asas, nao ultrapassa a janela de nossas casas!”

  14. Mozart disse:

    E por falar num roteiro da ditadura, faltou um célebre lugar…. o prédio do antigo DOPS !!
    ali do lado da estação da Luz….uma verdadeira escola de torturadores profissionais.
    Diziam que o torturado que saia vivo ou inteiro dali,…podia subir a pé o redentor..em agradecimento, ( quer dizer, de joelhos ) n

  15. Marcio Fidelis disse:

    Fantástico!! Agradecido pelas suas palavras Flavio!! Detonou no passeio e na caneta!!

  16. Mário Sérgio disse:

    Parabéns a vocês todos. Mas desabafo. Estou completamente coberto de pura inveja, morrendo de vontade de ter uma Lambreta destas.

  17. Eduardo Britto disse:

    Almoçaram na Zini, curiosa cantina no Limão… O Enrico e o filho Marcos são entusiastas dessas coisas italianas…. Palestra, Ferraris, Vespas…

  18. pc disse:

    Gostei da Banda! Belo “rolezinho”, pô cadê a foto da tua LAMBRETA ???

  19. Fernando Monteiro disse:

    Na esquina do meu trabalho tem uma pequena revendedora de motos e motonetas elétricas, Entrando lá, achei um modelo bem simpático e pensei – porque não? – Ao sair para um teste drive, decepção, achei aquele negócio, sem nenhum ruído e vibração, apenas um leve zumbido, a coisa mais chata do mundo. É, decididamente não pertenço ao seculo 21. Minha geração passou…

  20. animalallan fernando disse:

    Épico! Sem mais…

  21. animalallan fernando disse:

    Épico… sem mais.

  22. Rafael Duarte disse:

    O dia de ontem acabou sem o guia prometido. MAS, apesar de se fã de F1, essa matéria ficou bem melhor que publicar o guia. #invejadiretodebrasilia.

  23. Luc Monteiro disse:

    A foto lá do alto mostra o Fangio na motoneta do Gomes.

  24. Pedro Araújo disse:

    Gasolines é uma puta banda! Sempre muito bom ver o Tanashiro – o guitarrista deles – tocando…

    Legal mesmo o tema, mas legal também é o cara em primeiro plano na foto, com a camisa do alvo Mod:

    http://pt.wikipedia.org/wiki/Mod

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