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quarta-feira, 15 de janeiro de 2014 - 18:11Brasil

O ROLEZINHO ACABOU

SÃO PAULO (próxima) – Aconteça o que acontecer nos próximos rolezinhos em shoppings, modalidade de manifestação coletiva que começou em dezembro em centros de compras da periferia de São Paulo, eles nunca mais serão rolezinhos.

Como tudo nestes tempos malucos, esse negócio já foi apropriado por gente de fora. Seja pela esquerda, que procura encontrar algum fundo político-sociológico-comportamental nas manifestações, seja pela direita, cuja baba escorre pelo canto da boca e consegue enxergar apenas baderna, atentado aos bons costumes, à paz e à segurança dos caixotes cheios de lojas.

Não moro na periferia e não tenho nenhum elemento para avaliar o que está acontecendo, como e por que os rolezinhos começaram, nada. Mas é claro, óbvio, factual, que jovens pobres das periferias das grandes cidades têm menos opções de lazer que jovens da classe média que frequentam lojas, cinemas e praças de alimentação dos shoppings — transformados em áreas de lazer por quem não sabe o que é rua, praça, parque, esses ambientes de convívio social mais democrático e livre. Pelo simples fato de que são pobres. Não têm dinheiro para ir a um show de música, a uma balada, aos bares mais caros, aos restaurantes chiques, aos cinemas mais bem equipados, ao teatro, nada.

Ocorre que esses jovens, hoje, usam ferramentas que há 10, 15 anos eram utilizadas pela classe média, a saber: computadores e acesso à internet. E com elas organizam seus “flash-mobs”. Sim, quando são brancos e bem-comportados, esses movimentos coletivos têm outro nome. Quando são negros e pardos que se vestem de outro jeito, andam de outro jeito, usam outros meios de se comunicar, é rolezinho. É ameaça de arrastão. É sinal de encrenca, foge da rotina artificial criada para colocar cada um no seu lugar.

Que mal existe em ir a um shopping em grupo? O comportamento é inadequado? Inadequado para quem? Qual é o comportamento adequado num shopping? Onde está escrito que um shopping separa pessoas “adequadas” de pessoas “inadequadas”?

O tal funk da ostentação é a trilha sonora da molecada que começou a fazer seus rolezinhos. Até onde se sabe, nenhuma ocorrência policial foi registrada nas “ocupações” dos caixotes de compras. A turma quer se divertir onde até há algum tempo não entrava porque não tinha grana para tomar um refrigerante. Hoje tem. Com o tempo, terão também para comprar seus tênis e camisetas de marca.

Não gosto de funk-ostentação — aliás, não gosto de funk nenhum. Não é nenhuma questão ideológica ou preconceito, acho apenas música ruim e chata. É apenas questão de gosto. Meus filhos ouvem e acham legal. Quando coloco Bossa Nova no rádio do carro, eles acham uma merda. E daí? Se para mim um barquinho que vai e uma tardinha que cai traz alguma sensação de bem-estar, para outros é um Camaro amarelo, ou os óculos Oakley, que têm o mesmo efeito. Cada um na sua. Desisti de querer moldar o gosto musical deles — depois de um certo tempo de vida, a gente percebe que querer impor gostos é arbitrário e inútil. As pessoas gostam do que quiserem, foda-se. Eu gosto de Lada e DKW. A maioria me acha maluco. De novo: e daí?

O problema é que os rolezinhos já foram contaminados. Transformaram-se em objeto de teses daqueles que observam tudo do lado de fora. A partir disso, todo mundo vai formar uma opinião, inclusive os que deles participam — o que vai condicionar seu comportamento, eliminando a espontaneidade dos primeiros. Essa já era. Cada evento terá cobertura da mídia, e cada mídia irá a esses eventos com algum tipo de ideia formada sobre sua natureza. E cada um que participar do rolezinho vai querer potencializar seu recado para a mídia. Luta de classes? Não sei.

A meninada quer ouvir música, paquerar, beijar e comprar, e ocupar os espaços disponíveis para isso. Se são os shoppings, que sejam os shoppings. O que me incomoda nisso tudo é que essa manifestação de desejos se dê numa das coisas mais abjetas já criadas pelo capitalismo globalizado: os templos do consumo. Não se ocupa uma cidade para desfrutar o que suas ruas oferecem, e sim as estruturas criadas justamente para tirar as pessoas das ruas, segregar, discriminar. Nesse sentido, sou muito mais o Carnaval que os rolezinhos. No início do século passado, as pessoas ocuparam as ruas para dançar e brincar. Imagino que tenha causado alguma estranheza, também. Talvez não tenha tido maiores reações porque eram outros tempos, em que as coisas se discutiam com menos pressa e mais tempo para maturar as opiniões.

O que querem os jovens da periferia? Fazer parte dessa engrenagem segregacionista da qual os shoppings são a grande expressão arquitetônica e urbanística? Qual recado querem dar? Que eles também podem entrar nos shoppings? Claro que podem! Ocupar espaços de convivência? Claro que podem! Se não quebrarem nada, não baterem em ninguém e não permitirem infiltração de gente mal-intencionada (que há, as manifestações de junho mostraram isso), os jovens podem tudo: cantar, beijar, ouvir música, gastar seu dinheiro nas bobagens que esses funks propagandeiam de graça — algumas grifes devem adorar terem seus nomes declamados nas letras sem ter de pagar nada por isso. Na verdade, essa sanha hedonista que infelizmente se espalhou pelas periferias dos pobres e pretos nada mais é que uma versão atualizada de algo que sempre existiu entre os ricos e brancos com suas lanchas, carrões, camisetas Lacoste e sei lá mais o quê. Branco e rico pode ostentar, preto e pobre não pode? É disso que se trata?

Mas voltando ao início, os rolezinhos já acabaram. A partir de agora, viraram atração midiática e cenário para teóricos despejarem suas opiniões definitivas, algo que a internet possibilita e que as redes sociais se encarregam de disseminar — nada mais falso, nos tempos em que vivemos, que essas verdades absolutas. Assim, deixaram de ser autênticos. O fenômeno já aconteceu, começou e terminou. O que virá daqui para a frente é outra coisa. Eu, se fosse dono de um shopping, hoje, tomaria uma única atitude. Mandaria pintar uma faixa e colocaria na porta, com os dizeres: “Sejam bem-vindos. Todos.”

336 comentários

  1. Elder Dias disse:

    Oi Flavio, concordo em praticamente tudo o que vc disse e peço-lhe a permissão de dividir um artigo que fiz sobre o rolezinho para a edição desta semana do Jornal Opção (em que trabalho aqui em Goiânia) e que segue na mesma linha do seu pensamento.

    http://www.jornalopcao.com.br/posts/reportagens/o-gigante-acordou.-e-e-preto-pobre-e-mora-longe

  2. laercio disse:

    nem em parque se tem mais sossego…e o prefeitnho só pintando faixa de onibus e aumentando o iptu
    http://noticias.band.uol.com.br/cidades/noticia/?id=100000658259&t

  3. Andreza Arraes disse:

    Bom dia Flavio

    Gostaria de saber se gostaria de participar do programa “Sintonia Urbana” para debater o tema rolezinho?

    Preciso de uma resposta rápida, o programa vai acontecer ai vivo na sexta-feira.

  4. ms disse:

    Rolezinho acabou? que nada! agora é que a moçada começou a se divertir nessa brincadeira de gato e rato com a polícia dentro destes verdadeiros templos do capitalismo……

  5. Augusto disse:

    Só um detalhe legal sobre gerações e músicas… nosso gosto pela música está mais ligado às nossas emoções do que a música em si. Sempre que a gente lembra de uma música, tem algum momento, algum contexto, algum sentimento envolvido. É por isso que é impossível moldar o gosto de um filho apenas tocando a música para ele. Por exemplo, depois que você morrer, seu filho pode ouvir a música que você gostava e lembrar do momento com saudade… que ouviu essa música no carro com você. Ai, ele vai lembrar e até gostar da música.

  6. Jão disse:

    Engraçado que ninguém reclama dos rolezinhos de motoclubes onde dezenas de donos de motocicletas caras fazem um barulho dos infernos, atrapalham a fluidez do trânsito e até mesmo (sem generalizar) pilotam depois de tomar umas cervejinhas.

  7. renan morais disse:

    otimo post do flavio, sempre comentarios pertinentes a esse “muro de berlim” social que temos em sp, abraçon camarada flavio

  8. César disse:

    Levei um cagaço, ao começar a ler o post pensei que o Flávio não ia mencionar a “transformação” dos shoppings em espaços de lazer (já que eles originalmente não eram). Aqui em Caxias do Sul, proibiram as mães de colocar o seio de fora para amamentar seus filhos em público. Ainda bem que o povo se revoltou.

  9. Alberto Lopes disse:

    Essa gente que só sabe fazer baderna e praticar anarquia deveria procurar uma igreja para se curar e conhecer a doutrina de Jeová, pois cremos todos que só Jeová salva!

  10. Octavio disse:

    Flavio, parabéns, foi o melhor texto que já até agora sobre o assunto!

  11. Mauricio disse:

    Coluna do Gustavo Andrey Fernandes no Valor de hoje, excelente análise econômica sobre esse assunto.

    http://www.valor.com.br/opiniao/3398364/o-brasil-ainda-esta-longe-de-ser-um-pais-de-classe-media

  12. Paulo Oliveira disse:

    Fiz um comentário apenas perguntando se o Wi-Fi do escritório Grande Premio continha senha, ou se ele compartilhava com todos da sociedade a sua volta. E também o motivo do site restringir os posts, podendo dar voz a toda a comunidade, ainda que isso superlote com postagens o site, afastando o publico leitor e consequentemente os publicitários que dão dinheiro ao blogueiro, e fui censurado. Não esperava respostas, mas censura não combina com o tom do post.

  13. Paulo disse:

    Se eu fosse essa molecada, eu simplesmente sumia e não participava de mais nada! Deixava essa mídia desocupada falando sozinha, com seus especialista e academicos elaborando suas teses furadas a vontade. Quando niguém lembrasse mais de nada, aparecia novamente só pra encher o saco dos donos do templo sagrado do consumo.

  14. Alberto disse:

    Flávio,
    quero deixar claro que sou a favor de qualquer manifestação democrática.
    Mas Shopping não é espaço público, é propriedade privada que paga IPTU, sendo particular é vetada a entrada de qualquer pessoa que não esteja de acordo com as regras do local. Mesmo tendo uma finalidade comercial o local continua sendo PRIVADO e não PÚBLICO, desde que as regras de frequência não extrapolem as leis o proprietário pode executá-las da forma que convier. Como exemplo: Um Shopping ou uma loja pode proibir a entrada de pessoas de chinelo, isso é uma regra que não fere a lei, isso é um direito do proprietário do local, pode ele se prejudicar comercialmente por isso ou não.
    Nosso direito de ir e vir vai até onde entra a propriedade privada, como sua casa por exemplo; apesar da finalidade ser comercial o Shopping é tão particular quando sua casa e da mesma forma que voce impõe as regras de conduta na sua casa o proprietário pode impor regras de conduta no Shopping desde que não seja ilegal(como por exemplo proibir a entrada de pessoal de chinelo).
    Não sei se houve baderna, não sei se houve arrastão; mas o proprietário de um local privado pode impedir a entrada de pessoas que podem ameaçar(segundo ele) a integridade do local.
    Acho válida a manifestação democrática mas se os jovens quiserem isso de verdade estou certo que há outra formas mais eficientes
    abraço

    • Herbert disse:

      Alberto, perfeita colocação! Muito esclarecedor e complementou o post do Flávio.

    • Elizandro disse:

      Eu vi dois rolezinhos em sampa, um totalmente dentro da proposta dos “famosinhos” que era reunir a galera, curtir e mostrar suas roupas de grife.

      Os famosinhos começaram isso, são jovens da periferia que curtem roupas de grife e reuniram a galera, acontece que em outro, começaram a correr pelos corredores e a gritar.

      Ai assustaram todos. E realmente foi assustador, ver aquela massa de gente correndo em sua direção.

      A partir dai os interesseiros se apropriaram da “reunião” nunca foi uma manifestação, e acabaram com tudo.

      Sem terras, sem tetos, sem merda alguma na cabeça começaram a achar que aquilo era uma manifestação contra a “burguesia”, capitalismo, etc e tal.

      Eu gosto de frequentar os shoppings, ir no cinema, comprar, não compro quase nada, tudo caro para meu bolso, mas é um local legal.

      Vou no cinema aonde agora???? Na praça ???

  15. Paulo disse:

    Um amigo tem uma loja no Shopping Itaquera e ele me disse que assusta ver centenas de adolescentes correndo dentro do shopping. Há idosos e crianças, as pessoas começam a pensar em arrastão e de fato houve pelo menos 2 assaltos e um deles terminou com 2 irmãos espancados e que tiveram tênis, boné e celular roubados. Os assaltados não eram burgueses, um deles é cobrador de ônibus. Aí, seja preto, branco, rico ou pobre, tem que ser preso. Se for pra frequentar numa boa, tomar um lanche, comprar algo, ir ao cinema ou simplesmente ficar andando pelo shopping como um monte de gente faz, não tem problema nenhum. Eu acho que pegaram como exemplo esses caras que assaltaram e agrediram os irmãos e generalizaram, mas mau elemento tem em todo lugar.

  16. JP disse:

    Pra encerrar o assunto: tudo pode, dependendo da sua mente e seu coração
    Se 1000 pessoas se reúnem com boas intenções (ou sem intenção alguma) para comprar, passear, etc. Não há problema algum.
    Aqueles “sem-teto” querendo fazer o rolezão…estavam lá pra quê? Pra dar um passeio ou olhar com olhar carregado de ódio pra “burguesia”?
    Talvez uma igreja seria o local mais apropriado.

  17. Fernando disse:

    Ae Flavio, tambem ficou indignado com a entrada proibida do MST nos shoppings?

  18. renato granito disse:

    Esse rolezinho e outras questões de (des)ordem social só se resolvem com investimentos pesados em algumas áreas , a saber
    1º EDUCAÇÃO
    2º EDUCAÇÃO
    3º EDUCAÇÃO
    .
    .
    .
    100000000000000000000000000000000000º EDUCAÇÃO DE QUALIDADE

  19. alan disse:

    Pra mim rolezinho seria um eufemismo para esculacho, mas devemos reconhecer que esse fenomeno tem um diagnostico bem definido: falta de opcoes e perspectiva para a grande maioria dos jovens de familias menos abastadas, explica mas nao justifica, e pior, nao ha nenhum sinal de mudanca significativa na nossa sociedade infelismente….. devemos analisar muito bem esses sinais de tensao social, programas pifios/eleitoreiros nao resolvem, apenas mascaram a situacao! Valeu Flavio Gomes pela sensibilidade que tu tens, nao conrodamos 100% mas o debate enriquece!!!!! VALEU MANO!!!!

  20. Fabiano Lacerda disse:

    Rolezinho assusta?? O que me assusta é a quantidade de coxinhas conservadores que escrevem nesse blog, que nos rodeiam e vomitam suas falácias de encontro a ‘moral e os bons costumes da família’. Essa postura falsa de trabalhador dedicado e pai de família não cola. Assumam logo sua alma reaça e comecem a se questionar. Ainda dá tempo, e mesmo em discussões tolas como essa é possível abrir os olhos.

  21. Eduardo Britto disse:

    Rolezinho: subproduto cultural de:
    1 – Falência absoluta do ensino público há três décadas.
    2 – Indústria cultural onipresente e arregaçadora, estimulando o consumo e desagregando os antigos valores de formação social (BBB, novela das 9, funks em geral e MMA são os exemplos mais grosseiros dessa boçalidade ostensiva).
    3 – Tecnologia hipnotizante, dando vazão a estímulos imediatos, agora passíveis de serem fruídos de forma coletiva, avassaladoramente.
    4 – Poder público corrompido de cima a baixo por práticas autocentradas na luta do poder pelo poder ou na locupletação.
    5 – Modo de produção (capitalismo) esclerosado, estrebuchante, com sua sobrevida ancorada na destruição final dos recursos naturais (nem o Ártico escapa).
    Tudo isso deu nisso: rolezinho, e pode dar em coisa muito pior.
    Já vivi mais de 50 anos, por mim tudo bem. Mas e minhas filhas? O que será delas nesse mundo enviesado? Não é de entristecer?

    • Ricardo disse:

      1 – Falência do ensino público no estado de São Paulo né? Que aprova todos sem o mínimo esforço…. Eu acabei de ser aprovado no SISU aos 35 anos de idade para cursar Mecatrônica, maldito Lula que criou o ENEM e o SISU para dar oportunidade a todos de lutar por uma das 22 vagas de ampla concorrência (não vou nem citar as vagas de cota, para o cidadão não ter um treco….)
      2 – Antigos valores de formação social, no caso, são quais? Igreja aos domingos? Rede Globo? Marido sendo o opressor dentro da família com todos girando ao seu redor? Bem vindo ao século XXI
      3 – Defina a tecnologia hipnotizante? Seria a internet? Que bom, porque na minha opinião quanto mais acesso a informação (no caso, acesso a internet) o povo tiver, melhor, que chegue a todos os cantos do país o quanto antes, de preferência de graça. Uma hora vão quando se cansarem do entusiasmo pela novidade, começarem a pesquisar e se tocar que tem direitos, e se mexer para fazer valer os mesmo, como no caso do rolezinho, iremos avançar assustadoramente. Avassaladoramente, para o desespero dos reaças.
      4 – Nenhuma novidade, o poder público sempre teve corrompidos. A diferença é que hoje é cada vez mais difícil o anonimato da corrupção no poder público, a mentira tem a perna muito mais curta e graças a celulares, escutas e canetas com filmadora, chegam rapidinho aos blogs, que fazem tanto barulho que obrigam as mídias oficiais a se manifestar a respeito e divulgar as “locupletações”…
      5 – O capitalismo está mais vivo do que nunca, investindo bilhões em tecnologias para lucrar cada vez mais, como sempre, e estão pouco se lixando para os recursos naturais, eles sempre encontram soluções e pensam décadas a frente, já sabem quando os recursos naturais finitos irão se esgotar, porque os infinitos serão eternamente explorados.
      Não fale merda, os rolezinhos foram resultado de jovens que queriam curtir e namorar, como você há 50 anos devia fazer nas pracinhas ou festinhas, mudou o tipo de “passeio”. O quê suas filhas vão fazer depende da educação que você transmitiu a elas: se esconder em casa ou no shopping com “medinho” da “classe subalterna ignorante e potencialmente perigosa” de acordo com sua visão esclerosada e bairrista, ou então invocar a constituição e defender o direito de todos os brasileiros de ir e vir em paz, para qualquer lugar que lhe dê na telha, não importando a sua classe social ou a cor da sua pele.

      Realmente é de entristecer que alguém que já viveu mais de 50 anos não tenha aprendido como conviver em harmonia e passar isso a frente.

      • Eduardo Britto disse:

        Ricardo. Concordo com muita coisa do que você disse. Por que você me tomou por inimigo, por tão contrário ao que você disse, eu não sei. Talvez, TALVEZ necessidade de expressar tudo o que disse, e fico satisfeito em ter te dado essa oportunidade. Concordo menos com o que disse no item 5: o “pouco se lixando” do capitalismo, com todas consequências que isso trará a todos nós (e só vai piorar, até que um dia, QUEM SABE, possa melhorar), tudo isso me deixa MUITO PREOCUPADO sim! INDIGNADO, para ser exato. Convivo em harmonia com esse sentimento, não esquecendo de fazer o “bem” (que eu acho que é o BEM, e gosto da minha definição de BEM) a quem está por perto, na medida da minha possibilidade. Saudações.

    • Arassatubaiano disse:

      Falência do ensino e da noção de bom senso são pessos sem quaisquer discernimento, sem quaisquer noção de sociologia se achando no direito de opinar sobre algo do qual não tem nada de útil para dizer.
      O que não falta por aí são comentários calçados no preconceito, na ignorância e no besteirol. Esse talento ‘italiano’ de opinar sobre as coisas é uma das piores coisas do Brasileiro.ç

  22. Denilson Maciel disse:

    Flavio, parabéns pelo texto, sou professor vou recomendar seu texto para meus alunos, agora fico “assustado” quando vejo o clima de revanchismo, rocos contra pobres, direita x esquerda, se isso continuar vai da merda, a história mostra isso, abraço.

  23. Sergio disse:

    Se respeitássemos o que diz nossa bandeira…não teríamos nem a metade dos problemas! ORDEM E PROGRESSO, simples assim…falta ORDEM! Falta quem mande! Ou na sua casa você não manda…é assim! Quero ver neguinho tirar “chinfra” em pais civilizado…onde as pessoas respeitam o direito do outro. Já foi ao Japão?! Você vai ficar chocado! Quanta ORDEM, quanta ORGANIZAÇÃO, quanta EDUCAÇÃO! Não dá para ser diferente…Tenho dó das futuras gerações…viverão numa selva, onde a mesma espécie será predador também! Continuem assim sendo permissivos…e colherão os melhores frutos!

  24. Wagner disse:

    Amigo Flávio,

    A garotada da perfiferia frequenta há séculos os shoppings, usufruindo de toda sua infraestrutura, sem que haja nenhuma manifestação de preconceito por parte de ninguém.

    Agora quando esses jovens, decidem ir ás centenas, simultaneamene, à estes lugares, devemos entender que é algo normal?

    Abraços

  25. Paulinho disse:

    Qdo. vc resolve abrir um bar, uma loja, uma barraca na praia, um shopping, você fica sujeito a todo tipo de cliente. Se são 10, 100 ou 1000 clientes, o tratamento deve ser igualitário. É certo que em quase todo movimento que reúne um grande número de pessoas, sempre tem quem aja com má intenção. No Congresso, em Brasilia, tá cheio. Deixa a molecada se divertir. Aqueles que não querem nenhum incomodo, é só não ir ao shopping no dia do rolezinho, que é amplamente divulgado na internet.

  26. sergio murilo disse:

    se estão achando q é só aqui estão totalmente por fora
    thttp://www.liveleak.com/view?i=cb7_1389286258

  27. linguinha disse:

    Fiquei observando o procedimento adotado pelos seguranças e policiais em uma dessas. Só estavam deixando entrar famílias e casais maiores de idade. Os negros tinham suas bolsas e calças revistados — famílias inteiras de negros eram revistadas.
    Ainda não sei sobre a legitimidade desses movimentos, mas acredito que estejam relacionados com o exercício do direito de ir e vir diante de um ambiente sem lazer e infraestrutura para os jovens da periferia do Brasil. Quem imaginaria que a vitória do sistema seria dar condições para movimentos gigantes como esse que assombram os regentes do próprio sistema?
    Vendo toda aquela situação pensei muito na minha filha e nos pais desses adolescentes. Impossível não me colocar no lugar desses pais e sentir uma mistura de humilhação e ódio. O que eu vi foi que eles não querem o nosso dinheiro preto, eles querem distância de nós…

  28. Gilson Bicudo disse:

    NÃO. Não é questão de gosto musical. Não é questão da cor da pele. Nem de origem social. E não adianta forçar essa carta no jogo. É questão de 200-300 jovens juntos andando pelo shopping, gritando e ouvindo musica alto. Essa situação perturba o andamento do shopping. Estivesse sua mãe/namorada/filha fazendo compras sozinha e de repente se visse no meio disso, vc se preocuparia. Eu também. E essa nossa preocupação nada tem com classe social, raça, etc. NUNCA um jovem negro pobre em um grupo pequeno de dois ou três amigos seria barrado em um shopping. Nunca. Não é difícil entender isso, é?

    • Jão disse:

      Nunca um jovem negro seria barrado em um shopping? Hoje mesmo vi dois garotos pardos sendo abordados por um segurança de um shopping da zona leste de SP pelo simples fato de estarem comendo batatatinhas fritas na praça de alimentação. E nem era dia de rolezinho, hein?

  29. Luiz disse:

    Sou do tempo que Funk era James Brown, mas deixa estar…
    O que eu acho, é que os maiores responsáveis pela violência, pertencem à classe dominante fútil e inconsequente, que explora os trabalhadores pobres, e gosta de ostentar sua riqueza, na cara do povão.É ação e reação.
    O segredo da felicidade é ter o mínimo necessário,dizia o filósofo
    E dinheiro não é para gastar,é para ter, dizia eu mesmo.
    E todo mundo é pobre, em relação a uns, e rico, em relação a outros. Assim o seu Ruinday é muito em relação a um Uno, mas pouco em relação ao Range Rover, e assim sucessivamente…

  30. Charles Henrique Schweitzer disse:

    Flavio Gomes,

    Não vou teorizar aqui.

    Eu estava fora da minha bolha no “Rolezinho” do Shopping Interlagos, ou melhor, estava dentro da bolha do Shopping Interlagos. Não foi bonito de se ver, confesso. A minha opinião sobre o movimento eu criei vivendo.

    Realmente é um porre ler jornalista ou blogueiro teorizando sobre o tema, criando verdades absolutas e defendendo isso ou aquilo como sendo movimento de direita ou de esquerda.

    A única coisa que eu queria fazer aqui e já me alonguei demais para fazê-lo é parabenizá-lo pelo texto e análise imparcial. Ler seus textos sobre corridas ou sobre Pinheirinho, Rolezinho e outros quetais sempre servem, no mínimo, para reflexão.

    Você é o tipo de jornalista que admiro de graça, independente de ideologia, gosto musical ou posição partidária.

    Desculpe-me. Acabei me alongando de novo. Parabéns!

  31. carlos lima disse:

    Excelente texto. Bravo!

  32. Renato disse:

    Flávio

    E a direita e esquerda são uma merda mesmo. É sempre assim:
    O fenômeno social acontece, a direita rosna, a esquerda questiona os motivos que levaram a direita rosnar e não o movimento em sí.
    A direita retruca dizendo que os argumentos da esquerda são teóricos e na prática não funcionam. A esquerda diz que só não funciona por que a direita não cede.
    A direita diz que não sede por que se derem a mão, vão querer o braço e o corpo todo. A esquerda diz: por que não? A direita diz: eu conquistei isso, por que dividiria?
    E assim caminha a humanidade.

  33. Cacá Camargo disse:

    Amigo, a partir do momento que você tem um blog e se torna uma “figura publica” na minha modesta opinião,você teria que ser imparcial e publicar todas as opiniões aqui colocadas.Gosto do blog e sempre que posso elogio.Mas do contrario coloca senha e login e só aceita os babacas e trouxas que como eu já disse uma vez sempre concordam com você.Pois repito,se você tivesse dito que essa molecada estavam errados,a maioria aqui iria dizer o mesmo!

  34. Marcelo Martinez disse:

    Antes de mais nada tenho que tecer alguns comentários sobre o prisma do preto e do branco, neste país já que muitos falam sobre isso, inclusive aqui.
    Eu sou de SP e chego a conclusão que muitos aqui não conhecem a capital paulista em todos os sentidos.
    Seja no Itaim Bibi ou em Pirituba o que mais se vê é um povo misturado!!! esqueçam as vestimentas!!! vejam o tom de pele e os traços da maioria da população paulistana!!
    Não é nem branca e nem negra!!! É misturada, como o artista da mestiçagem, jorge amado, assim previu!!
    Muitas pessoas falam mal de rolezinhos, periferia etc e tal. Também, essas mesmas pessoas, falam mal de negros e nordestinos!!! Mas, aí você vai na casa dessas pessoas e acaba conhecendo seus pais, avós ou vê uma foto da família e acaba percebendo que eles próprios são descendentes de negros ou nordestinos.
    Já perguntei pra um colega meu que é descendente de negros e nordestinos (veja bem: descendente de italianos também!!! sobrenome italiano), sobre essas questões acima levantadas e a resposta imediata que tive foi: ah… eles são, mas eu sou paulistano!!
    Então, eu realmente não entendo muito o que muito essa utopia que é falada aos 4 cantos aqui em SP… é uma negação absurda!! no mínimo.
    Mas, quanto aos rolezinhos e esquecendo essa história de brancos e negros etc, acho que as pessoas estão um pouco longe da realidade…
    Esses rolezinhos são promovidos por adolescentes que, na sua maioria, não tem lazer, não tem educação, não tem cultura. Não são bandidos!! não são do PCC!
    E isso não é exclusividade nossa!! nos EUA já há esse fenômeno há muito tempo!!
    E esses acontecimentos, tem como culpa primária do Estado que é corrupto, não fornece lazer, cultura, educação etc etc etc
    Transfere, o Estado, essas obrigações constitucionais para shoppings centers e esquecem que, como bem dito por você Flavio, que ali é tão e somente um lugar de ostentação do mundo capitalista!!! da minha parte sem crítica ao capitalismo, mas ali é um local pra isso mesmo!!!
    Daí, sob a égide da segurança e dos bons costumes, o Estado usa de maneira indiscriminada e nefasta o poder policial militar para reprimir!! nada contra a PM, pois o papel constitucional dele é de polícia repressora e da polícia civil investigativa. Como o Estado usa esse poder, que muitas vezes se torna nefasto e indiscriminado .
    Só que nesse vai e vem, o ESTADO (ah o Estado!!) continua corrupto, ausente e ilude uma sociedade com esse forjado e aclamado controle da segurança!! Só que não faz e/ou realiza absolutamente nada para jovens que se encontram na periferia paulistana. Nada! absolutamente nada! pelo contrário: naqueles locais é sabidamente palco de uma guerra velada entre traficantes e policiais que nunca acabará, POIS O ESTADO NÃO TEM INTERESSE EM ACABAR!!!
    Podem ter certeza que num futuro próximo o reflexo dessa ingerência terá sequelas para todos, pois não é de hoje que muitos nesse país (vejo SP como palco) estão insatisfeitos, pois não tem perspectivas em suas vidas. Muitos vêem uma classe dominante, sendo que muitos dessa classe (brancos, negros, pardos etc e tal) são preconceituosos e se beneficiam desse Estado corrupto de maneira direta ou indireta.
    É minha humilde opinião.

  35. Leonardo Araujo disse:

    Flávio, me perdoe. Mas seu comentário é típico de quem acredita em conto de fadas.
    Você acha mesmo que esses Rolezinhos tem toda essa ingenuidade? Que só estão querendo mesmo caminhar e passear nos shoppings?
    E ainda trata essa turma como pobre coitados. Mas eles estão cheio de malícias, querendo causar pra poder aparecer! E na medida que a imprensa vai noticiando, mais e mais irão querer aparecer.

  36. Alexandre disse:

    Com dizia aquele personagem do Chico Anísio, “eu quero que pobre se explodaa”, kkkkkkkkkkkkk

  37. Antônio Duarte disse:

    O melhor comentário sobre essa história de rolezinho foi da comandante da PM de BH. Ao ser questionada se rolezinho era caso de polícia ou não, ela separou a resposta em 2 itens importantes
    a) Não é caso de polícia a diversão de jovens. O problema é o descaso e a falta de política pública para os jovens.

    b) É caso de polícia é a segurança de pessoas que vão aos shoppings, independente se são parte do rolezinhos ou consumidores normais. Os edifícios são feitos para certo fluxo de pessoas e com um determinado comportamento. Quando se coloca um bloco de 300 em um corredor que foi projetado para ter uma quantidade muito menor a coisa fica perigosa. Se ocorre um correria podem ter pessoas pisoteadas, esmagadas ou mesmo quedas entre os andares.

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