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segunda-feira, 19 de maio de 2014 - 19:18DKW & cia.

V DE VEMAG

B

INGOLSTADT (poucos entendem) – Amanhã de manhã, quando eu subir no que acho que será um palco no museu da Audi em Ingolstadt, estou pensando em fazer o V com o indicador e o médio. Será o V de vitória e de Vemag, principalmente. Será a cereja do bolo que comecei a assar há uns sete anos, quando conheci por e-mail o Peter Kober, da Audi Tradition, e ofereci a ele o #96 para ser incorporado ao acervo da montadora.

Já contei essa história um milhão de vezes, e não vou repetir. O fato é que a longa relação deste dekawezeiro que vos fala com a Audi Tradition, além de uma enorme amizade (que no fundo é o mais importante), gerou frutos muito importantes para aqueles que se importam com a preservação de alguma coisa — no caso, a marca de carros que mais amo na vida. E o resultado disso tudo é a exposição que será aberta amanhã (quarta-feira para o público, e vai até 21 de setembro)  com o título “Ordem e Progresso – DKW Vemag and the new dawn in Brazil”.

A mostra temática no Audi museum mobile relaciona os primeiros passos da indústria automobilística brasileira com a construção de Brasília, a criação da Bossa Nova e a explosão do Brasil no futebol mundial com a conquista da Copa na Suécia. Tudo isso aconteceu na mesma época, a segunda metade dos anos 50, e o que a Audi Tradition quer contar aos visitantes é que o DKW, uma das famosas quatro argolas, teve papel importantíssimo nessa fase de grandes mudanças no país.

Afinal, foi uma perua DKW Universal F91 o primeiro carro nacional, concluído na linha de montagem de Vemag em 19 de novembro de 1956. Foi num DKW que Pelé aprendeu a dirigir, matriculado numa auto-escola de Santos. Foi o Belcar o carro escolhido pela equipe de Oscar Niemeyer como táxi-padrão para Brasília. Foi a Vemag no Ipiranga, e não a Auto Union em Ingolstadt, que fabricou o último DKW do mundo, em dezembro de 1967. E foi num DKW, o GT Malzoni, que Emerson Fittipaldi virou gente grande no automobilismo brasileiro, ao terminar as Mil Milhas de 1966 em terceiro, depois de liderar, com Jan Balder, toda a parte final da prova (quebrou um pistão a quatro voltas do fim).

A Vemag, de acordo com os registros da Auto Union GmbH (sim, a empresa ainda existe formalmente), produziu quase 117.191 automóveis entre 1956 e 1967. Foram 51.162 sedãs, 55.692 peruas (entre Universal, Vemaguet, Caiçara e Pracinha), 7.848 Candangos e 2.489 mil Fissores — não entram nessa conta a produção do GT Malzoni (menos de 40), nem a do primeiro Puma (menos de 150).

Três DKWs brasileiros estarão na mostra de Ingolstadt: um GT Malzoni, um Belcar 1967 (eles não conheciam a frente de quatro faróis, exclusividade do Brasil e do último ano de fabricação) e um Fissore (igualmente um “quase mistério” para os alemães). Outros carros nacionais, como um SP2, um Zé do Caixão e um Puma VW, farão parte da exposição.

O que estou mais ansioso para ver é um prometido filme de 8 minutos encontrado nos arquivos da Audi que mostra as aventuras de um motorista de táxi num DKW em São Paulo em 1962, pelo que me disseram. Segundo meu amigo Peter, era uma fita promocional, narrada em alemão, que sabe-se lá como foi parar na fábrica de Ingolstadt. O filme estava todo picotado e estragado, mas foi restaurado e, acreditem, é colorido. Um dos passageiros do tal táxi é, acreditem de novo, Pelé.

O evento de amanhã é exclusivo para a imprensa, convidados e direção da Audi. O bonitão aqui trouxe até um paletó e uma gravata com o nó já feito para ficar bem na foto e ser levado a sério pelos jornalistas europeus. Dois dos carros que estarão expostos são os da foto lá no alto, e pertenciam ao meu irmão camarada Hélio Marques, maior colecionador de DKWs do Brasil. O retrato foi feito há uns dois ou três anos, antes de eles embarcarem para cá.

Depois da abertura oficial, devo fazer uma visita a dois galpões que os caras dizem que são secretos, e que guardam todo o acervo histórico da marca desde o início do século passado. Da marca, não; das quatro marcas: Audi, DKW, Horch e Wanderer. Possivelmente serei sedado e vendado no caminho. Nem sei se vou poder tirar fotos. Em todo caso, tentarei.

Amanhã à noite, se sobreviver e não me derem uma injeção para apagar tudo que vi da memória, conto tudo. Na quarta, farei um passeio de Monza. Dirigindo. Aí poderei morrer.

34 comentários

  1. Leonardo Valerio disse:

    FG, você é fantástico e merece estar ai! Lendo seus posts fico viajando em suas histórias e fascinado pela sua admiração por DKW. Parabéns por inserir o Brasil em um evento tão bacana e importante para a história da marca como esse. Sou seu maior fã! Aguardarei ansioso os próximos posts sobre o tema… Aproveite e tome uma weissbier acompanhada com uma currywurst por mim! Abraços.

  2. Ander disse:

    Parabéns!!! Muito sucesso na apresentação e por favor mande fotos prá nós….

  3. Ulisses disse:

    É isso aí “veinho”! Você merece!

  4. Sanzio disse:

    Sou outro que precisa guardar a gravata com o nó feito…

  5. luiz alberto disse:

    Meu sonho de interiorano seria um Candango 4 x 4 ( um D K W MUNGA ),mas é mosca branca, infelizmente. Seria meu carro de uso diário.

  6. RENE FERNANDES disse:

    Se depois dessa narrativa e expectativa, não obtivermos as informações e imagens apregoadas, tenha certeza que, quando retornar a Terra Brasilis, faremos uma “Engenharia Reversa” em seus miolos e projetaremos o conteúdo em 3D ! Divirta-se !

  7. Acarloz disse:

    Ansioso pra ver essas fotos…

  8. Carlos Pereira disse:

    PQP !!! Tô até com uma pontinha de inveja….
    Quem não gostaria de fazer essa visita ?
    E fiquei impressionado ao descobrir o MONZA. Lindo.
    Boa sorte Gomes.

  9. linguinha disse:

    Cuidado hein Ingolstadt é a cidade dos ilumminati

  10. Cléber Fabbri disse:

    Parabéns, cara. Tento imaginar sua alegria.

  11. Loreno Menegotto disse:

    Inveja… muita inveja. E admiração também, por um cara que correu atras do que acha certo. Parabéns Flavio Gomes do Brasil-sil-sil…..

  12. Paulo Barros disse:

    Parabéns, você merece!
    Além de ser um jornalista sério em quem nós, seu leitores, podemos confiar e contar que nos traga verdadeiras notícias e ainda ser presenteados com deliciosas estórias e excelentes textos, cheios de informação e bom humor, você ainda faz um trabalho sensacional pela preservação do que mais gosta. Esse trabalho em parceria com a Audi tradition é simplesmente sensacional. Aprendi demais sobre nossa história automobilística lendo seus textos. Nesse país de memória tão curta, é um luta quase insana.
    Abraço e aproveite bastante!

  13. Fabio Tust disse:

    Muito legal cara! Parabéns por realizar um sonho!
    Aproveite!

  14. Roger V disse:

    Não tem como ser educadinho….. du caralho!
    A gente tenta, planta…. esta é a vida…. e alguém, em uma hora vence com seus sonhos!

    Boora ser feliz! Toma umas cevas pela galera!

  15. João Paulo Toledo Piza disse:

    Demais Flavio…, nada como realizar sonhos………..parabéns!!!!!!!

  16. Nico disse:

    Vai fundo Gomes.
    Com “V” sim!
    Não estarei junto, mas estarei no pensamento. Vai, com “V”.
    Vitória + Vemag = “V” do Flávio

  17. sandro disse:

    Será obrigado a contar tudo nos mínimos detalhes na volta!!!

  18. sr. X disse:

    Flavio Gomes, vc q entende de DKW, poderia me responder se nesse motor 2t é comum a queima de junta de cabeçote? Desculpe a ignorância, mas não conheço motores 2t, (fora o da vespa 86 q tive, mas era refrigerado a ar…)

    To quase comprando um fusca, já cansei da maledeta junta de cabeçote queimando… primeiro no cht do xr3, agora no ap do pointer… fora o prejuizo, pagar caro não é garantia de bom serviço… vc sabe…

    Um abraço.

    • Rogerio Kremer disse:

      Meu Deus, se tu tens problemas com juntas em motor CHT e AP,
      imagina na merda do fusca. Ta loco cara qualquer CHT ou AP é
      mil vezes melhor que fusca.

    • luiz alberto disse:

      Caro Sr. X para atenuar seu problema de queimar juntas ;ao ligar o motor ,espere ele atingir a temperatura adequada para depois acelera-lo a fundo.
      Tente isto e veja se resolve seu problema.

    • Robertom disse:

      Experimente manter o circuito de arrefecimento limpo, totalmente abastecido com água limpa e aditivo de boa qualidade, bomba, válvula termostática, correia, mangueiras, braçadeiras, sensores de temperatura e tampa em bom estado.
      E também olhe sempre o marcador de temperatura.
      E lembre-se, um cara muito largado na manutenção da viatura consegue derreter até motor de Fusca.

  19. carlos lima disse:

    Sensacional! Parabéns, Flavio, caro escriba, que bela trajetória. É V de vitória mesmo, você merece. Nos conte tudo, não esqueça nada. Bravo!

  20. disse:

    Descola uns vídeos dos Fórmula Júnior!

  21. Sensacional!!! Que traga muitas fotos de tudo o que for possível fotografar e dividir com a gente. Posso tentar imaginar um pouco do que será a emoção…

    Tive o prazer de conhecer o Fissore e o Belcar que foram para o museu. Impecáveis!

  22. André Buriti disse:

    Todo trabalho sério e digno tem sua devida recompensa.

    Parabéns Flávio, se tentarem apagar sua memória a gente faz uma regressão quando você voltar ao Brasil… rsrsrsrsrsrs

  23. Roberto Borges disse:

    Sem essa de morrer!
    Senão ficamos sem essas boas histórias.
    Apesar do ditado, ainda bem que inveja não mata!

  24. Ferdinandes disse:

    Seu DKW, vc vendeu pra eles ou doou?

  25. Raul Perillo disse:

    Demais FG! Você é o nosso embaixador dekaweano. Como gostaríamos de estar aí também!

  26. Smirkoff disse:

    Foi numa Vemaguete vermelha, usadinha mas valente, que meu pai reconstruiu a vida dele e de nossa família depois de ter sido roubado por uns sócios desonestos em 1970. Ele é até hoje grato a esse carro, e eu também. Transmita nossa gratidão nessa noite de gala, Flavio.

  27. Antônio disse:

    Que inveja(da boa) de gente focada,dedicada e comprometida.

  28. Ed disse:

    Quando recebi o release da Audi na minha caixa postal, hoje a tarde ( ” O museu da Audi apresenta a mostra: a DKW VEMAG e o novo amanhecer do Brasil”) senti algo parecido com orgulho… e uma invejazinha de leve. Aproveite, Gomes.

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