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Thursday, 11 de December de 2014 - 1:57Gomes, Kombi & cia., Turismo

KOMBOSA TRIP, DIAS #2, #3 E #4

MONTEVIDÉU (sempre chega) – Tivéssemos de fazer um relatório mecânico da Kombosa até agora, com mais de 2 mil km rodados desde sábado, seria necessário anotar: 1) boia do carburador travada; 2) fio do alternador solto; 3) para-sol do lado do motorista quebrado; 4) escapamento furado.

Para o primeiro problema, fomos ao Rodrigo, mecânico da Pinheira, do lado da Guarda. Talvez seja preciso desmontar o carburador, disse. Mas não vou conseguir fazer isso hoje, emendou. Como estava pingando gasolina, achei que deveríamos fazer algo. Ele pegou um bico de ar, colocou numa mangueira e assoprou. E sugeriu que fôssemos ao Rigatoni, mecânico do lado, não sei bem se o nome era esse.

Fomos. Estacionei no Rigatoni, abri a tampa do motor, o vazamento parou e a marcha lenta estava OK. Resumo do primeiro problema: se auto-resolveu, como tudo em carros antigos. Fomos para a estrada. A esticada era longa, exatos 666 km até Pelotas, e saímos às 14h, quando o plano inicial era deixar a Guarda às 9h. Mas atrasamos por causa do meu rim, ou algo assim.

Já na BR, acende a luz do alternador. Ora, ora. Paramos no primeiro posto onde havia um auto-elétrico. Abrimos a tampa do motor, um fio solto. Trocamos um terminal, prendemos o fio, gastamos 10 reais. Resumo do segundo problema: não era um problema.

O para-sol, eu que quebrei. Estava para quebrar há um bom tempo, em São Paulo troco. Já o escapamento, foi aqui perto, já, a uns 60 km de Montevidéu. O barulho aumentou, pode ter furado, pode ser uma junta. Veremos amanhã com especialistas no assunto, o que não falta por aqui.

O rim. Era terça de manhã, ontem, estava tudo pronto para picarmos a mula quando senti uma pontada no lado esquerdo da barriga. Aí começou a doer de verdade e Aguena, esta santa, arrumou transporte para me levar a um hospital.

Fomos parar no posto de saúde da Pinheira, do SUS. Em menos de 20 minutos eu estava medicado e assistido, e foi um jovem médico paraense quem fez o diagnóstico e acertou na mosca. Das 10h ao meio-dia fiquei me contorcendo de dor e queria morrer. Só quem tem essas cólicas renais sabe como dói. É foda. Aí, de repente, ela para. Não sei se é pedra, cálculo, picas. Sei que, do nada, a dor some, você levanta, agradece às enfermeiras e vai embora.

Foi o que fizemos. Ah, mas você foi no SUS? E seu plano de saúde premium-master? Não precisei dele. O SUS me atendeu perfeitamente, e o rapaz do Mais Médicos foi preciso e eficiente. Uma hora depois de sair do posto de saúde estávamos na Kombi despencando rumo ao sul do sul.

Mas não foi uma viagem fácil. Primeiro, um susto dos infernos chegando a Porto Alegre, na tal da Freeway. Escura, hostil, desprovida de serviços, e a uns 15 ou 20 km da entrada da cidade levamos uma pedrada. O barulho foi terrível, parecia que tinham explodido uma garrafa na minha porta. Olhei pelo espelho e vi dois ou três vultos atravessando a pista. Tentativa de assalto, claro. Miraram no vidro.

Quando paramos para abastecer, vimos onde a pedra acertou. No friso, bem abaixo da minha janela. Uns 5cm para cima, me mataria, simplesmente. Nem mais, nem menos. Entraria pela janela e acertaria minha cabeça. A pedra bateu no friso, que é grosso e tem uma borracha no meio, e espalhou pedaços (parecia ter sido arrancada do asfalto) pela canaleta da janela, machucando um pouco a pintura na coluna da porta e riscando levemente o vidro.

Foi assustador. Bela recepção. Anotado mentalmente: estrada brasileira à noite, no more.

Passamos por Porto Alegre e pegamos a BR116 de novo, pista única, sem sinalização de solo, uma merda federal. Não há explicação aceitável para essa estrada, nesse trecho, continuar sendo a bosta que sempre foi. Nota zero para os dois governos Lula e o primeiro Dilma. Não tem cabimento, simplesmente. OK, a estrada sempre foi um cu. Mas em 12 anos o PT já deveria ter resolvido esse negócio. Nada que é urgente pode levar tanto tempo. E morre gente que nem mosca ali.

Por três ou quatro horas, a caminho de Pelotas, pegamos o maior dilúvio que uma Kombi jamais enfrentou em qualquer ponto do planeta. Foi bem tenso. Mas, finalmente, chegamos à terra do Xavante sãos e salvos. Saldo da terça: uma crise renal resolvida, um carburador que se autoconsertou, um fio de alternador solto, uma tantativa frustrada de assalto na Freeway, uma tempestade na madrugada e boas horas de sono no incrível Motel Arizona com sua fonte no pátio.

Depois disso, encarar mais 600 km até Montevidéu foi barbada. E a Casa Tatu é o máximo.

97 comentários

  1. Paulo says:

    Vimos a Kombi no posto Sinuelo em Araquari perto de joinville.
    Abçs
    Paulo

  2. Tailor Jr says:

    Cara, muito show você ter passado por Pelotas, só desculpe pela buraqueira. Muito Show.

  3. André says:

    Flavio, apesar de nunca ter precisado, sei que a Freeway tem sim os serviços esperados de uma estrada pedagiada. Ando bastante por lá e sempre vejo os guinchos e outros carros auxiliando os motoristas com problema. Mas acho que isso é a única coisa que presta nela. O pedágio é um absurdo e o asfalto é estupidamente ondulado.

    E a concessionária ainda tem a cara de pau de dizer que é uma das melhores rodovias do país. Sei…

  4. Patrick says:

    O flavio esse hotel Arizona que vc ficou foi em Pelotas? Morei perto dele quando eu tinha uns 5 anos de idade! Hoje tenho 30 e moro em juiz de fora

  5. Basilio says:

    Parabéns, Flávio. Lindo carro. Aventura fantástica.

  6. Doutor Bóris says:

    Flavio recomendo parar um dia, tomar uma caixa de cerveja beeem gelada e comer várias porções de tremoço (tremosso?). Aí seu “rim” vai ficar jóia, você vai ver…

  7. Rafael Klein says:

    O relato do posto de saude da Pinheira me fez voltar no tempo!
    Antes de Mais – Medicos, acho que foi em 2008, passei 1 mês na Guarda. Tenho amigos lá até hoje!
    Um amigo de viagem, que tem uma estamparia em SP, travou as costas e mal conseguia se mexer. Levamos ele ao posto de saúde onde foi muito bem atendido e em 15 minutos já tomava um relaxante muscular e anti inflamatório. O mais divertido foi a instrução do médico para procurar um bom fisioterapeuta…
    Tínhamos no grupo um da equipe do Dr. Joaquim Grava, que só não atendeu na hora da dor porque dormia o sono dos anjos após uma noite de caipirinhas de uva, musica ao vivo e mulheres no Biruta…..

  8. Felipe Masr says:

    …”Não sei se é pedra, cálculo, picas.
    Picas?!
    Aí você picou a mula. Eita!

    Na estrada foi pedra, pedra dos ruins.

    E no caminho tinha uma pedra, ou melhor, duas.
    Pedrada por dentro, pedrada por fora; SUSpirou o Flavio.
    E nem é março, mas as águas já parecem ter chegado…

  9. TSC says:

    Bela viagem com belas companhias!
    Já sei que a elétrica da Kombosa e 12V (alternador). E o motor? 1200,1500 ou 1600?
    Parabéns pelo o bom gosto!

  10. Fred says:

    Essa pedra deve ter saído de Balneário Camboriú, batido na estátua da liberdade do Havan e, com o impacto intermediário, foi impulsionada milimetricamente até a Kombi.

  11. Carlos says:

    Muito legal o relato sobre o atendimento no SUS…há pouco espaço na mídia para as boas experiências q temos no nosso país…
    Meu laika tá encostado pra reforma, ano que vem rola a trip pra montevideo…certamente..

    Abs

  12. Eduardo_SC says:

    Quando a pedra desce do rim, é foda. Já Viajei de Imbituba a Florianópolis com cólica renal na véspera do ano novo. A vantagem é que ela avisa, mas o problema que sempre achamos que não é nada e será passageiro.
    No mais uma constatação é verdadeira, O Sul está esquecido pelo governo federal

    • richar grazz says:

      você é tendencioso e mentiroso heim??? me diga em que momento da história algum governo fez mais obras em SC do que Dilma!!
      Aqui no RS nunca se viu tantas obras, inclusive a estrada que o FG disse que Dilma deveria ter duplicado ela está sendo duplicada em ritmo bastante rápido. A BR-101 que ele andou foi toda duplicada, a Free-way tem agora 4 pistas. De Pelotas a Rio Grande foi toda duplicada. Ou seja, o FG passou por toda sua viagem por estradas duplicadas pelo Lula e pela Dilma, só reclamou de uma que por passar a noite não viu que está sendo duplicada. E a única parte que não é duplicada é de Rio Grande até o Uruguai,porque não precisa, visto que não tem movimento.

      • marcelo says:

        kkkkkkkkkkkkk que papinho heim, parece que não viaja ou nunca viajou por este estado, dizer que nunca se viu tantas obras e de uma mentira tamanha que chega a dar do. Existem obras sim, mas todas em ritmo de tartaruga e esta obra so saiu do papel depois que a tiazinha esta viajou de POA a Rio Grande e teve de parar e pagar mais de R$ 50 reais em pedagios para rodar em uma estrada vagabunda e cheia de buracos que era o BR116 esquecida pelos governantes sejam eles de que grupinho fossem, esta estrada era lembrada somente pelos concessionarios para roubar o pedagio dos caminhoneiros que diariamente fazem o trecho ate o porto de rio grande, depois da passada dela por esta rodovia veio e entao governador eliminar pelo menos a metade dos pedagios, sendo assim o estado não tem tantas obras assim, tem algumas, mas não tantas quanto referiu, kkkkkkkkkkkk

      • Eduardo says:

        Pô Richar, tem um trecho da Br 101 aqui perto de Floripa que esta a 16 anos para ser duplicado, sim 16 anos!!!! quando o Lula assumiu disse que até o final do seu mandato TODA A BR 101 estaria duplicada aqui em SC, já se foram dois mandatos do Lula e mais um da Dilma e nada…. Semana passada um moleque de moto perdeu a vida ali… se tivesse duplicada quem sabe essa vida não estaria salva….

  13. Junior says:

    Que isso Flavio, sem cinto de segurança e o banco da Kombi não tem encosto para a cabeça? isso é muito perigoso, ainda mais numa viagem dessas..

  14. Junior says:

    Que isso Flavio, dirigindo sem cinto de segurança? faz isso não, pelo amor de Deus. Abraços.

  15. Vinicius says:

    Olá Flávio! boa trip eim

    notei algo diferente no seu/ sua kombi, os faróis, que é este circulo laranja, pisca?
    acessório de época? explica pra nos

    abraços!!!

  16. Wagner says:

    O “cano” para selfie estraga as fotos hein!

  17. Flávio, parabéns pela viagem!!! Tomei a liberdade de divulgar o link dos seus relatos no Facebook do Kombi Clube do Brasil, pois gente viajando de Kombi Corujinha nãpo é todo o dia!
    Faça uma ótima viagem e curta muito!!!

  18. Anonimo says:

    Na real ja ouvi falar que ficar tipo pulando, isso mesmo pulando tipo em vibracao em Hz, resolve pedra nos rins. Mas mudar a alimentacao para ser predominantemente por frutas nuca eh demais.

  19. Rama says:

    Recomendo usar uma película dessas que resistem à velas, capacetes e mesmo pedras. Coloquei e não me arrependo. Tem vídeo no YT mostrando os testes. Funciona bem.

  20. Luciano says:

    Flávio, blz?
    Tô aqui acompanhando os relatos dessa aventura! Ano passado fui para estes lados de Passat Pointer. Desci de SP pela BR-101 até o final, tb entrei no Uruguai pelo Chuí, depois Punta Del Este, Montevideu , Buenos Aires (via buquebus). E então Colônia del Sacramento, voltando por Jaguarão pegando o início da BR-116.
    Os uruguaios são gente boa!
    Boa viagem!

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