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Monday, 12 de January de 2015 - 12:00Automobilismo internacional

VAI PEGAR

FIA Formula E, 4th race, Buenos Aires

SÃO PAULO (e rápido) – Gosto de ouvir a voz das ruas sobre certos assuntos, e em geral ela vale mais para mim que qualquer pesquisa feita com métodos científicos e princípios estatísticos. Por isso, arrisco dizer que essa Fórmula E vai pegar. E não vai demorar muito.

Fizemos na Fox a etapa de Buenos Aires sábado passado, eu Felippe Motta e Thiago Alves. A Fox tem os direitos sobre a categoria, é parceira mundial.

Foi a quarta corrida do ano e a segunda transmissão que fiz (nas provas da China e do Uruguai, estava viajando). A repercussão nas redes sociais foi muito grande. E só elogios, especialmente pelo final eletrizante, com o perdão da palavra.

Nas últimas voltas dessas corridas, os pilotos ligam o “foda-se” e vão para o tudo ou nada. Como é uma categoria jovem, sem pressão por resultados ou por somar pontinhos que podem resultar em milhões de dólares de verba no ano seguinte, como na F-1, a disposição por assumir riscos é bem maior.

Foi assim nas últimas três voltas da corrida de Buenos Aires, num cenário lindíssimo — que é um dos atrativos da E. Neguinho partiu para o tudo ou nada e ninguém sabia o que iria acontecer nas primeiras posições. Batidas, ultrapassagens forçadas, toques, freadas retardadas, aconteceu de tudo. E do nada emergiu António Félix da Costa, português que foi preterido pela Red Bull para a F-1, para se tornar o quarto vencedor diferente no ano.

Nicolas Prost foi o segundo e Nelsinho Piquet, o terceiro. Notaram? Um Prost e um Piquet no pódio. A última vez que isso aconteceu foi no GP dos EUA de 1991 (que, na transmissão, eu disse que foi aquele do Alesi brigando com o Senna; errei, aquilo foi em 1990). Na ocasião, Alain foi o segundo e Nelsão, o terceiro. Com Ayrton em primeiro…

Senna, Prost e Piquet são sobrenomes que estão na Fórmula E, o que tem algum significado: outra geração, outra era. Claro que os filhos e sobrinho nem de longe se assemelham aos seus pais, gênios da raça. Mas fazem seu papel sem maiores dramas, com entusiasmo e dedicação. Bruno, que largou na última fila na Argentina, terminou em quinto.

Lucas di Grassi (foto) bateu, mas continua líder. O piloto teve uma quebra de suspensão parecida com a de Chandhok,companheiro do primeiro-sobrinho na Mahindra. Buemi também quebrou uma suspensão. É algo que a categoria precisa rever, especialmente porque as zebras aparafusadas no asfalto, muito usadas em circuitos de rua, são altas demais.

O Grande Prêmio abraçou a Fórmula E também, abrindo uma área só para ela na homepage do site. O noticiário da corrida de sábado está todo lá. O fato de 11 ex-pilotos de F-1 terem largado em Buenos Aires mostra que a categoria está seduzindo gente muito boa — outro atrativo, ao lado das pistas de rua em cidades lindas e da tecnologia, que é o maior barato.

A corrida de abertura, em Pequim, não foi boa. Putrajaya já foi divertida, e Punta del Este, mais ainda. Buenos Aires chamou a atenção das pessoas. Ouvi muita gente elogiando a F-E, as disputas, os toques, a bagunça do final. “Isso é corrida, não aquela chatice da F-1!”, escutei de pessoas aqui e ali, na padaria e no botequim.

Quem diria… Mas é ótimo. Ótimo para a F-1 começar a repensar seu formato urgente.

78 comentários

  1. […] De fato, o tema ora proposto é interessante e apropriado. Será que a Fórmula E vai cair no gosto dos fãs de automobilismo? Muitos blogs tem debatido isso com muita propriedade. Recentemente, eu li os comentários do Flávio Gomes no blog dele. Eis o link do post:http://flaviogomes.grandepremio.uol.com.br/…/01/vai-pegar-2/ […]

  2. V Melo O+ says:

    minha percepcao:

    F-E é inevitável. futuro presente dos carros monoposto. trouxeram pilotos renomado para “cativar” e “seduzir” o público. espécie de: vamos jogar isso para ver o que colhemos. Meio q pescar truta substituindo o tradicional fly fishing por uma vara digital. ainda nao digeri a categoria. talvez pq seja um admirador dos barulhos polposos de um f1. Mas posso melhorar minha opniao. uma dica seria eles fazerem corridas nos tradcionais autodromos da f1, e aumentando o barulho da eletricidade de forma “marketual”. creio q assim os amantes do fly fishing seriam melhor conquistados.

  3. Ubaldir Jr. says:

    Raios… vi essa corrida quando estava em férias no exterior, com narração em espanhol. Mas, mesmo sem o Gomes, a carrera foi mesmo muito interessante. Uma pena a quebra de suspensão do Di Grassi. ele fez mais de uma vez ultrapassagem linda na freada de um harpin do circuito. O Heidfeld está procurando o brasileiro até agora… rs. Me esqueci em cima de quem foi a outra.

  4. Luke says:

    Pois é, e o Brasil de fora dessa 1ª temporada histórica, mesmo tendo muitos pilotos correndo. Não é difícil imaginar que a cidade melhor candidata para essa corrida é o Rio. Já imaginaram um circuito no aterro do flamengo com o Pão de Açúcar ao fundo?

  5. Celso says:

    Assim como o Eduardo Schmidt, também não gosto da narração, nada contra a pessoa do narrador, deve ser bastante competente, mas narrando não dá.
    Infelizmente incomoda um pouco.

  6. Martinho says:

    Os carros poderiam ser mais bonitos…..

  7. Marcos José says:

    Vamos devagar com isso, primeiro deixem a categoria se ajustar ao momento atual. Daqui a pouco não será mais a eletricidade e sim a utilização do hidrogênio como fonte de energia como prioridade no futuro (que poderá ser daqui há 2 anos e o investimento gasto hoje na Fórmula E não servirá para nada). Hoje a WEC está bem mas quando começar o seu “jogo de interesses e poderes” aí começará a debrandada e o fim da categoria como aconteceu anteriormente. A WEC só existe hoje por causa da realização das 24 Horas de Le Mans que é a prova de maior prestígio atualmente fora isto talvez nem existia. A F1 morrerá se a FIA não combater o tal “jogo de interesses e poderes” que existe na categoria atualmente lembrando que foi isto que levou o fim da F-CART em 2007, o que vemos hoje (a Indycar) é um zumbi que a qualquer momento poderá sucumbir e desaparecer sem deixar vestigios de que um dia existiu. O tal “jogo de interesses e poderes” acaba com qualquer categoria por mais boa que ela seja.

  8. Eduardo Schmidt says:

    Essa última corrida foi a melhor…também tenho a sensação que a categoria vai “vingar”, mas o fato de a temporada ser em dois anos diferentes será que vai continuar???

    Penso que os safety-cars tem estado muito tempo no resgate, deveriam melhorar isso, espero que consigam.

    O tempo da bateria deveria ser maior…

    Gosto muito do Felipe Motta, mas não como narrador, talvez o Foxsports pudesse colocar um dos narradores, poderia ser o Sergio Lago, já estaria melhor!!!!

    Gostei muito de vc no time dos comentaristas FG…vc é fera!!!!

    • ton says:

      O tempo de bateria é uma limitação das baterias atuais, a tecnologia das baterias está muito ultrapassada. O bom dessa categoria que as portas do desenvolvimento vão ser abertas e todos os segmentos vão ganhar com o desenvolvimento das bateiais para carros e assim vai para celulares e outros aparelhos eletrônicos.

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