JACQUES, 20

SÃO PAULO (boa lembrança) – Hoje faz 20 anos que Jacques Villeneuve conquistou o título da Indy, quando já se sabia que meses depois estaria na Williams — para ser campeão de novo, agora na F-1, em 1997. Pedro Henrique Marum lembra dessa conquista hoje no Grande Prêmio.

Jacques é um piloto subestimado, talvez porque a última imagem que deixou na F-1 não tenha sido das melhores. Mas quantos, na história, foram campeões dos dois lados do Atlântico nas duas principais categorias de monopostos do planeta?

Poucos. Pouquíssimos.

Fora que o carro de 1995 era lindo.

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Comentários

  • Jacques Villeneuve, sem dúvida, foi um dos grandes pilotos dos anos 90, mas, inebriado pelo seu sucesso meteórico na elite do automobilismo mundial, achou que era melhor do que realmente era, melhor, aliás, do que qualquer piloto realmente é. Não se constrói sozinho uma equipe campeã na F 1 contemporânea, seja você o Senna, o Prost, o Piquet ou mesmo o Schumacher… É necessário ter investidores e bons motores, além de, principalmente, estar cercado das pessoas certas para conduzir o projeto. A BAR, com a qual assinara já no final de 1997, tinha os milhões da indústria tabagista e a parceria com a Honda, mas não tinha gente do calibre de Ross Brawn, Colin Chapman, Rory Byrne, Gordon Murray ou Adrian Newey, para fazer as coisas acontecerem – mesmo estes, é bom que se diga, não construíram impérios da noite para o dia. Para piorar a BAR contratou vários engenheiros que não tinham sequer experiência na categoria. Quem comandava o time era Graig Pollock, o empresário de Villeneuve, que acabou sendo substituído por David Richards, em uma briga política que azedou o ambiente e fez com que Jacques quisesse sair. Acabou, por força de contrato, ficando, mesmo contrariado. Desanimou, fez corpo mole, abandonou testes, arranjou brigas, em suma, perdeu o tesão. Resultado: apanhou de Olivier Panis em 2002 e foi espancado por Jenson Button em 2003… Quebrou-se sua aura de campeão. Voltaria, fora de forma, à categoria no final de 2004 pela Renault, quando os carros estavam em média 4 segundos mais rápidos em relação aos de 2003. Tirando enfiar quase 0,4 s, sem estar com o carro mais leve, no Alonso, na classificação para o GP do Japão, nada fez. Em 2005, pela Sauber, até teve alguns bons momentos, como o 4º lugar em Ímola e o 6º em Spa-Francorchamps, além de boas voltas de classificação para o GP do Canadá e para o GP de Mônaco, mas ficava evidente que não estava em seu melhor. Ter tido o fraco Felipe Massa como companheiro de equipe ajudou a minimizar os danos, pois, mesmo o brasileiro sendo 0,8 s mais rápido na primeira metade da temporada, Massa não conseguiu converter essa superioridade em pontos. O canadense conseguiu permanecer na Sauber em 2006, agora BMW-Sauber, também por força de contrato – a multa para se livrar dele era alta –, mas não era bem-vindo por lá. Fez uma primeira metade de campeonato forte, mantendo-se a frente do companheiro de equipe, Nick Heidfeld, nos pontos e em classificações. Teve dois abandonos por quebra de motor, quando estava na zona de pontuação, mais uma troca de motor boba – romperam acidentalmente o lacre – que lhe custou posições no grid para o GP de Barcelona. Fez a primeira besteira na temporada no GP do Canadá, ao tentar ultrapassar um retardatário, o irmão do Schumacher, batendo no muro e jogando o 7° lugar fora. A segunda, e última, foi uma colisão com Heidfeld em Hockenhein, prova que acabou abandonando. Foi substituído por Robert Kubica no GP seguinte e rescindiu contrato com a BMW, pois sabia que não tinha chances de ficar em 2007 – nem no resto de 2006. Achei uma pena, pois dava claros indícios de que retornaria à velha forma, mas em um esporte tão competitivo, quando as pessoas perdem a confiança em você, as coisas se complicam. Deveria mesmo era ter ficado na Williams ou ido para a McLaren, quando Mika Häkkinen se aposentou.

  • foi um rojão que subiu alto e desceu com a mesma velocidade que subiu….acho que mesmo com a conquista dos campeonatos da Indy e F1, seus feitos nas pistas, se comparados com os de seu pai, Gilles Villeneuve, empalidecem…….

    • Empalidecem? O que Gilles fez na F-1? Em 67 GPs disputados, quebrou em 30 (quase a metade) e pontuou em apenas 21 (menos que a terça parte).

      O único feito digno de nota em sua curta e tumultuada carreira, foi a disputa do segundo lugar na França/79 com Arnoux.

      “Ele bate mais que bengala de cego.” (Nelson Piquet, na época).

      • Caro Paulo Pinto, vc há de convir que na época em que Gilles corria as quebras dos carros eram bem maiores que agora e pra mim piloto que ganha corrida ou mesmo campeonato não significa necessariamente (ao menos pelos meus critérios) que seja bom piloto ou esteja acima da média dos demais! falo isso pelo numero INFINITO de variáveis (que não dependem da habilidade de um piloto) que podem definir a vitória de uma corrida ou até mesmo a conquista de um campeonato……Jacques, Button, Raikkonen, Damon Hill e Cia. tb venceram corridas e conquistaram seus campeonatos…..mas, e daí? a soma de todos eles pra mim ainda não dá 01 Gilles Villeneuve…..

      • Caro MS, concordo plenamente com a infinidade de variáveis que modificam um sem número de resultados, num esporte tão competitivo. Mas, acredito que o talento tem que vir acompanhado da responsabilidade. Esse “casal” pode, juntamente com um bom carro, trabalhar algumas variáveis.
        Gilles era talentoso, mas loucamente impulsivo e não media limites. Ele era potencialmente irresponsável e, se não morresse de forma prematura, dificilmente conquistaria um campeonato ao longo de sua possível carreira.
        Seria mais um lambão com talento, rodando desesperado em busca de um título cada vez mais inatingível.
        Conquistou fama por sua “bravura” nas pistas e pelo trágico acidente que o vitimou, transformado-o em mais um “mártir” dessa categoria cada vez mais impessoal.

      • Paulo, vc fala daquela disputa entre Gilles X Arnoux no GP da França em 1979 como se fosse uma mera disputa de 2º lugar e esquece que aquele verdadeiro duelo travado pelos dois pilotos já entrou pros anais da F1, talvez vc tb não saiba mas depois da bandeirada final daquela corrida, Arnoux declarou: “ele me venceu mas isso não me preocupa pois sei que fui vencido pelo melhor piloto do mundo” tal era o grau da habilidade de gilles como piloto reconhecida pelos próprios colegas…… falar daquele pega como apenas mais uma briga por posição é o mesmo que dizer que a monalisa de Leonardo da Vinci não passa de mais um quadro como outro qualquer… outros pilotos tb em suas épocas eram considerados os melhores do grid como senna e jim clark, que tb morreram em acidentes e nem por isso foram considerados “lambões” ou “potencialmente irresponsáveis…….e falando de irresponsabilidade, na história de Gilles não há qualquer registro de haver jogado deliberadamente seu carro em cima do carro de outro piloto como fez o senna jogando o seu em cima do carro de prost a mais de 200km/h……

      • MS, você quer dizer que, se Ricciardo afirmar que Raikkonen é “o melhor piloto do mundo”, isso passa e ser uma verdade incontestável.
        Arnoux, com certeza, quis minorar sua derrota cantando loas ao adversário.
        Você talvez não saiba mas, logo após a corrida, os dois foram chamados à presença de Lauda (que, na época, era presidente da GPDA). Lauda chamou a atenção dos dois, para o alto risco envolvido na disputa. Um deles (não lembro qual), respondeu ironicamente que, se fosse ele (Lauda), tiraria o pé. O outro foi saindo dando risadas com a “tirada”.
        Cinco anos depois, Lauda ganharia seu terceiro título (depois de dois anos sabáticos e já como piloto da McLaren), derrotando Prost.
        Nessa época, um deles já estava morto e o outro se arrastava pelas pistas da F-1 em direção ao ostracismo.

        É preciso muita habilidade para jogar o carro em cima do carro do adversário em alta velocidade, sem causar danos aos dois pilotos (não estou dizendo que isso seja correto).
        Pilotos geniais como Senna e Schumacher possuíam essa habilidade. E Villeneuve não se enquadra nesse time.

  • Jacques era ótimo. Talvez tenha se perdido depois da BAR, onde misturou as funções de piloto/acionista. Mas é boa praça, fala o que pensa, e tem amor pelo automobilismo. Tomara que se dê bem na F-E.

  • De sopetão me vieram 3 nomes de campeões na F1 e na F Indy: Emerson Fittipaldi, Nigel Mansell, Mario Andretti.
    Infinitamente superiores ao Jacques Villeneuve.
    Aliás, foram melhores até que o pai do canadense.

    • Apenas para registro: os quatro pilotos que foram campeões “em cima do alemão…”
      …dois, ficaram com um campeonato e os outros dois não passaram de bi.

      Se somarmos os campeonatos de todos eles, chegamos a um total de seis títulos, ou seja, os quatro campeões reunidos não se igualam a Schumacher que, como todos sabem, soma sete títulos.

      Este sim, um campeão sensacional.

  • Esse conjunto aí é um Reynard Ford da então equipe Green. Belíssimo! Aliás, 1995 marcou a estréia na Indy dos brasileiros André Ribeiro, Gil de Ferran e Christian Fittipaldi, os dois primeiros anotando vitórias nesse ano.

  • Melhor época da Indy, eu assistia muito mais ela do que a F1… pra que ficar vendo Hill, Schumacher e Barrichello se eu podia assistir Mario Andretti, Emmo, Mansell, Al Unser Jr, Jacques Villeneuve… enfim…

    E os carros… eram muuuuito mais bonitos… a Penske era mais bonita que as McLarens, achava incrível o Pennzoil do Gil de Ferran, o Valvoline do Robby Gordon, o Players do Villeneuve, Domino’s do Luyendyck… eeeee saudades…

    E em 97 quando o Villeneuve levou o título sobre o alemão com o trapaceiro tentando abalroar o canadense igual havia feito com o Hill em 94, o Jacques mais esperto conseguiu escapar e o alemão terminou atolado na lama e posteriormente foi desclassificado justamente, atitude que a FIA tinha que ter tomado em 94 também… porém já foi…

    O Villeneuve não teve paciencia e depois de penar em 98 acabou aceitando um contrato milionário pra andar no fundão, lembro que na época que foi para a BAR ele recebia creio que US$ 25 milhões por temporada que era quase o mesmo salário do Schumacher… aliás, sempre o considerei ao lado do Hakkinen e do Montoya os únicos que poderiam enfrentar o alemão em pé de igualdade, o resto passava muito longe, mas infelizmente ele preferiu ser rico a ser campeão… ainda sim sempre o considerei um dos melhores…

  • Caramba eu era fanzaço do Jacques nessa época e já acompanhava com muita expectativa a ida dele para a F1,muito pelo fato dele ser filho de quem é!carro lindo concordo que combinava muito com a pintura do casco dele que pelo que me lembro o próprio Jacques desenhou.ganhar do alemão queixudo não é para qualquer um,o cara não é fraco não.

  • Esses carros da Indy eram muito legais, combinações de chassi/motor super afinadas, provas emocionantes (ver a Indy 500 desse ano), entre outros fatores abrilhantavam esse campeonato. Jacques era só mais um dos vários bons pilotos naquele meio, entre eles Rahal, Vasser, Zanardi, Al Unser Jr.

  • Os Indy dessa época eram monopostos dos mais bonitos já feitos. Lindas proporções, linhas simples, e com pinturas marcantes tipo essa da Player’s. E os motores eram violentos também, nos superovais eram mísseis a 400km/h. As temporadas de 1990 a 1995 (até a briga com o Tony George) foram a era dourada da Indy.

  • Bela foto, a Forsythe/Green de Villeneuve com a PacWest de Gugelmin no fundo, foi uma época de ouro da Indycar. Sobre a carreira de Villeneuve, ele só não foi bem nos seus últimos anos de Fórmula 1 devido ao fato de estar em equipes ruins, como era o caso da BAR que nunca fez um carro bom, uma Sauber decadente em 2005 após a perda do patrocínio da Red Bull e depois uma BMW em período de transição. Se Villeneuve permanecesse com o Tio Frank, ele teria tido uma carreira bem melhor, talvez tendo ganho um segundo ou um terceiro título, coisa que Montoya e Ralf não conseguiram. E vale relembrar que por muito pouco Villeneuve não venceu as 24 Horas de Le Mans em 2008.

  • Um dos grandes. Ele é formidável não só como piloto, mas também uma grande personalidade fora da pista. Teve a atitude de deixar a Williams para correr em uma equipe nova, e isso é exemplo de coragem. Essa equipe mudou de mãos e hoje é a Mercedes.

  • Época de ouro da Fórmula Indy. Chegou a rivalizar com a Fórmula 1 em termos de interesse do público naquela época. Era transmitida no Brasil pela Manchete, depois SBT com narração do Téo José. Os carros tinham combinações diferentes de pneus, motores e chassis. Pneu: Firestone e Goodyear; chassis: Reynard, Lola, Hogan; motor: Mercedes, Ford, Honda. Havia vários ex-Fórmula 1: Emerson, Mansell, Gugelmin, Christian Fittipaldi, Stefan Johanson, Piquet também tentou… Os carros eram muito bonitos, os circuitos também eram nostálgicos pois havia ovais, misto, de rua, em aeroporto (Cleveland). Marcou época, aquela Indy.

  • Além do mais, sempre falou o que pensa, nunca teve rabo preso com nada nem ninguém. Ainda fundou a BAR, que no fim das contas deu lugar ao que hoje é a Mercedes. Jacques, além de ótimo piloto, sabe muito bem aproveitar a vida!

  • Esses carros da Indy/Cart eram demais, passavam dos 400km/h em alguns ovais, eram muito bonitos e ainda tinham pinturas que (na minha opinião) mais bonitas do que a da F1 na mesma época.
    Além disso, achava (ainda acho) muito interessante que os carros da mesma equipe possam ter patrocinadores diferentes. Não só deixam o grid mais colorido, como permitem que as empresas não precisem dar Rios Amazonas para apoiar os times. De quebra ainda inibe o jogo de equipe.

    Falei esse bando de besteira para dizer que concordo que esse carro era bonito e que o Gugelmin está na foto.

    • Verdade, Henrique !
      O Gugelmin um era um piloto combativo e raçudo, e as pinturas da Hollywood sempre foram magníficas.
      Nem sempre a evolução e o desenvolvimento são fatores que contribuem para o espetáculo, e muitas vezes só servem pra elevar os orçamentos às cifras estratosféricas.
      A busca pela segurança deve ser primordial, mas a competitividade e as formas também deveriam ser preservadas, sem regras esdrúxulas ou penduricalhos aerodinâmicos.

  • Extremamente subestimado. Disputou o campeonato de 1997 contra o alemão e a Ferrari já bem estruturada. Guiou demais. O alemão chegou na última prova, em Jerez, um ponto na frente. Se os dois não terminassem a prova, alemão seria campeão.
    Acontece que Jacques é filho de Gilles e foi pra cima. Perseguição implacável. Corrida inteira a menos de 2 segundos. Lembro também da classificação pra corrida. Os três primeiros (Jacques, alemão e Frentzen) empataram no mesmo tempo. Absurdo.
    Alemão fechou Jacques. Resultado: alemão atolado e Jacques cedendo a vitória às Mclarens e sendo campeão. Salut Jacques!