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terça-feira, 27 de outubro de 2015 - 18:40Automobilismo brasileiro

OURO PURO

SÃO PAULO (olhem para isso) – No grid, 38 carros. Para guiá-los, 87 pilotos. Depois de quatro horas de corrida, 22 dos que largaram viram a quadriculada. Isso foi a Cascavel de Ouro, a prova de longa duração mais tradicional do Paraná, disputada domingo no oeste do Estado.

Não importa quem ganhou — mas se vocês tiverem muita curiosidade, o resultado está aqui. Em provas como essa, o que importa é entender o que aconteceu. E como aconteceu. E que tipo de sentimento essas corridas provocam (leiam o texto do comunista Luciano Monteiro aqui; escreve muito bem, o garoto, tanto que noto algumas referências literárias contrabandeadas numa frase ou outra).

Grid de 38 carros é coisa rara no Brasil. Com nove modelos diferentes, produzidos por seis fábricas, todos dentro do mesmo regulamento técnico, não existe, simplesmente. Estavam lá a Ford (Ka e Fiesta), a Fiat (Palio), a GM (Celta, Corsa e Classic), a VW (Gol), a Peugeot (207) e a Renault (Clio). Aí eu olho a foto lá embaixo, do Vandré Dubiela, e me pergunto: por que diabos não temos um verdadeiro campeonato de Marcas com a participação das montadoras no Brasil?

Esqueçam esse que hoje é chamado de Brasileiro Marcas. É legal, os carros se parecem com carros de verdade, mas a motorização é a mesma para todo mundo, custa caro, é quase proibitivo para a moçada que bota a mão no bolso para correr. Faz parte de um outro universo do automobilismo nacional, aquele que envolve pilotos e patrocinadores de alguma forma ligados à Stock, é outra história. Falo de algo parecido com o que havia nos anos 80 e 90 — Escort enfrentando Passat, encarando Chevette, desafiando Voyage, brigando com Uno.

Está cheio de fábrica de automóvel no Brasil. Todas elas têm modelos semelhantes, sejam com motores 1.0, sejam com motores 1.6. Fico imaginando um grid com todas elas — VW, Ford, Fiat, GM, Hyundai, Peugeot, Citroën, Renault, Honda, Toyota, Nissan, e devo estar esquecendo alguma. Regulamento simples, preparação limitada, torcidas nas arquibancadas (na Argentina é assim), modelos de rua identificáveis pelo público, TV, pilotos jovens e velhos, automobilismo de raiz.

É papel da CBA pensar nisso com seriedade. Dá para fazer. É só ter vontade. Dá trabalho. Mas é possível.

cascouro

26 comentários

  1. Fabiani C Gargioni disse:

    Concordo com tudo o que o Robertom disse, na Argentina eles estão há no mínimo uns 30 anos à nossa frente em ternos de automobilismo…O nosso problema como disse muito bem o Alessandro Silva, aqui é uma frescura do cara… Muita pompa e muito padock pra puca competição, é uma pena mas é essa a mentalidade do nosso povo…

  2. Ulisses disse:

    É só mudar a CBA para o Paraná e entregar a administração para os paranaenses, catarinenses e gaúchos!
    Está resolvido o “problema”!

  3. Paulo Fonseca disse:

    Prezado F&G : Você está correto,será que CBA, vai ouvir ou é surda, a quem interessa, quanto vai custar o barateamento e o incentivo desta modalidade inicial de competição.
    A resposta está com os dirigentes da CBA.

  4. victor freire disse:

    concordo com sua proposta, fg. inclusive, minha proposta de espinha dorsal para uma reforma de categorias no brasil e na américa do sul seria:

    nível estadual:
    kart
    baja (estilo sae)

    nível regional:
    fórmula 1.0
    turismo 1.0
    rally 1.0
    protótipos 1.0

    nível nacional:
    fórmula 1.6
    turismo 1.6 (marcas e pilotos?)
    rally 1.6 (grupo n?)
    protótipos 1.6

    nível sul-americano:
    f-3 sulamericana
    gt3 sulamericana
    turismo sulamericano
    rally sulamericano

    outras categorias poderiam ser agregadas a estas, como a stock, a truck e uma copa de clássicos. penso eu que tal modelo seria interessante.

    • Robertom disse:

      Esqueça os motores de 1 litro, seu custo inicial seria praticamente o mesmo dos 1,6L, e teriam uma durabilidade menor, por ter que trabalhar em altíssimas rotações para entregar um desempenho minimamente aceitável.
      No Turismo, o passo inicial nós já temos, é o Marcas e Pilotos 1600, é só promover, convidar os fabricantes e pequenos acertos de regulamento.
      Pra os fórmulas, precisamos de uma categoria aberta, + de um fornecedor de chassi, com regulamento de motor similar ao Marcas e Pilotos 1600, sem asas para que se possa aprender a acertar a suspensão.
      Essa é a base, o alicerce, o resto se acerta depois…

  5. Alessandro Silva disse:

    O problema é que hoje tudo tem de ter pompa! Tudo tem de ser foda! Tudo tem de ser caro e todo mundo precisa ficar rico e levar o seu a qualquer custo. Então se você cria uma categoria com carros especialmente preparados e cheios de bobagens tecnológicas e junta à isso um regulamento complicadíssimo e obscuro, os custos sobem as vezes até sem ninguém saber exatamente porque. O dinheiro alto rola solto pra lá e pra cá e acaba ficando muito mais fácil meter a mão e desviar, roubar, subtrair. Ninguém vai dar falta mesmo! Afinal é muita grana.
    Agora, cria um campeonato com carros de rua, com um regulamento simples, com carros baratos e muita gente vai querer entrar porque pode pagar. Mas essas pessoas, colocando dinheiro do próprio bolso sabem de onde vem e pra onde vai seus recursos. Aí, meter a mão fica bem mais difícil.
    Aí pergunto: Teria a CBA interesse em algo assim? Preciso responder?

  6. jose edison bento disse:

    Parabéns Flavio pelo comentário sou de Cascavel e tenho orgulho dos nossos campeonatos regionais que são realizados aqui, são verdadeiros exemplos para o país de organização e valorização aos pilotos da região.

  7. Flavio Bragatto disse:

    Eu acho que seria interessante, principalmente, para as montadoras chinesas que estão se estabelecendo aqui (JAC, Chery, Lifan, etc).
    Todas elas estão vendendo carros “para qualquer gosto” e eles sofrem demais com o “preconceito chinês” (carro chinês não presta). Seria a hora deles provarem o contrário.
    As montadoras chinesas poderiam entrar de sola num campeonato assim, pondo seus produtos à prova e mostrando de uma vez por todas, que podem ser confiáveis.
    Melhoraria muito a concorrência com as marcas já estabelecidas e para quem já é cliente, ganharia muito no pós venda.

  8. Felipe Garcia - F2G disse:

    Seria ótimo torcer por nossos carros!

    Flávio, eu tirei uma foto de uma kombi da TAP largada no aeroporto do galeão-RJ, queria mandar para você, mas não sei o seu e-mail, se tiver interesse, me manda um e-mail ou coloca aqui seu contato.

    Abraços

  9. Robertom disse:

    Um dos maiores problemas é a estrutura política-administrativa do nosso automobilismo, e motociclismo também.
    A Confederação é controlada pelo jogo político entre os dirigentes da Federações estaduais, onde o voto das Federações de São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul vale o mesmo de uma federação que tem apenas 1 Kartódromo com um campeonato regional de kart .
    As Federações estaduais são controladas pelos Clubes, que de clubes só tem o nome, são empresas particulares que exploram, no mais amplo sentido, a organização de competições.
    Alguns dirigentes até tem uma ou outra iniciativa válida, querem ganhar uma grana promovendo eventos que sejam interessantes para os pilotos, equipes , patrocinadores e até o público, mas a grande maioria quer ganhar muito dinheiro sem fazer nada.

    • Luc Monteiro disse:

      Os clubes, via de regra, são formados por apaixonados por corridas, ex-pilotos ou pessoas que não conseguiram entrar numa pista de corridas e criam esse vínculo para estar perto do esporte do qual gostam. São pessoas que têm suas vidas, profissões, famílias, e que despendem algum tempo aos clubes a título de diletantismo.

      É um formato que, honestamente, não aprovo. Talvez indo contra o que o ROBERTOM comentou, acho que a promoção das competições (falo de tudo: asfalto, terra, barro, kart, arrancadas) têm, sim, de estar a cargo de empresas, de pessoas que tenham isso como trabalho e não como bico ou passatempo para quando o tempo aparece.

      O evento flui melhor se for tratado como negócio – o pessoal de Goiânia me parece bem credenciado a avaliar se estou falando bobagem ou indo direto ao ponto. A federações e confederação continuariam cabendo regras, comissariado, fiscalização e burocracias cuja extinção não passa de utopia.

      • Robertom disse:

        Concordo, se o promotor for um Profissional, um cara do ramo e souber fazer direito, com transparência e honestidade todos vão ganhar, inclusive ele.
        Mas parece que a lei de Murphy sempre vence por aqui.
        Como exemplo temos o caso da Fórmula Vee 16oo em SP, relativamente acessivel, boa para os meninos que estão saindo do Kart e para os + velhos que gostam de monoposto, chegou a ter + de 30 carros no grid.
        Os parceiros se desentenderam, não conheço os detalhes, e ficamos com 2 categorias separadas, mais fracas e praticamente iguais, que não correm juntas até por força de liminares.
        Também tem os criadores de componentes com fornecedor “exclusivo” para uma categoria, simplesmente quintuplicam de preço.
        Fora os viajandões, sempre com idéias como “Turbo”, Pneus Slick de 10 Polegadas, preparação livre, etc, coisas caras que inviabilizam o cu$to.
        Categoria boa tem que ser aberta, multimarca, com custos controlados, regulamento que favoreça o equilíbrio técnico, e com grid “quanto maior melhor”.

  10. Tito Almirall disse:

    Boa, Flávo, seria o melhor jeito de não assistirmos aos finais cada vez mais melancólicos de nossos autódromos. E quem perderia uma “rodada dupla” de provas, primeiro os 1.0, seguidos pelos poderosos 1.6?

  11. Chupez Alonso disse:

    Gostaria de deixar um pergunta para o Padock GP de hoje:

    Se Michael Schumacher tivesse renovado seu contrato com a Mercedes e estivesse correndo com esse foguete da Mercedes, teria ganho esses 2 campeonatos no lugar do Hamilton?

  12. Carlos Pereira disse:

    Eu gostaria muito mesmo de ver um verdadeiro campeonato como esse, com os “carros de verdade”, fazendo o papel de STOCK CAR. Ver bolhas não interessa muito não.

  13. Farid Salim Junior disse:

    O maior sonho é o de ver a CBA trabalhando pelo automobilismo nacional. Não vejo isso desde o tempo do saudoso Charles Nacache – que não era perfeito, mas o melhor que conheci até hoje – em que havia uma variedade enorme de categorias. Havia até protótipos similares aos que corriam na Europa e EUA. Seria legal até “trazer” de volta o Indiana Gomes, para mostrar onde estão hoje os carros da Heve, do Avallone…
    Com apenas 4 montadoras no país, havia mais do que hoje, com quase 20 montadoras. Sou um saudosista confesso, mas também gostaria de ver o esporte mais forte, mais próximo do público, mais barato, mais simples. Ainda tenho esperanças…

    • Robertom disse:

      Não é preciso ir muito longe para ver o automobilismo funcionando melhor do que o nosso…
      Na Argentina, onde a economia e a indústria automotiva são muito menores, existe uma lei que obriga os fabricantes a investir uma parcela do faturamento no esporte motor.

  14. Kkkk disse:

    Ricardo Sperafico correu o brasileiro de kart comigo, muito bom piloto. Assim como eu, teria lugar em qualquer cockpit da f1, heheheh!

  15. Luiz Dranger disse:

    É lamentável. A CBA deveria ser implodida com os dirigentes que estão lá. É botar gente nova que traga o automobilismo de volta. Pena que o Cyro Cayres morreu, este meu amigo seria um ótimo dirigente.

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