MENU

Sunday, 29 de October de 2017 - 19:43F-1

TETRAMEX (3)

mex17d12

RIO (foi bom, afinal) – Não é todo dia que se vê alguém ganhar um quarto título mundial de Fórmula 1, então que se reserve a este 29 de outubro seu devido lugar no calendário da história do automobilismo. Lewis Hamilton deixou um grupo de gigantes — Brabham, Stewart, Lauda, Piquet e Senna. Se juntou a dois igualmente grandes — Prost e Vettel. Está atrás de dois monumentos — Fangio e Schumacher.

Mas é um igual.

O inglês, como se imaginava, fechou a disputa hoje no México sem muito drama, embora tenha ficado bem longe de onde se acostumou a chegar neste ano — na frente. Terminou o GP no Hermanos Rodriguez em nono, algo incomum para quem já havia vencido nove corridas na temporada.

mex17d11Mas desde a primeira volta ele sabia que seria campeão. Porque quem poderia adiar a conquista passou pelo mesmo calvário após a largada. Vettel não teve nenhuma chance de vencer a prova, nem de chegar em segundo, a partir do momento exato em que foi ultrapassado por Max Verstappen quando ambos chegaram à primeira sequência de curvas da pista mexicana. Sem nada a perder, o holandês foi para a ultrapassagem. E fez. Vettel vacilou e Hamilton, que vinha atrás, tentou aproveitar o momento. Passou também, mas quando Sebastian tentou se recompor, houve um toque de sua asa esquerda no pneu traseiro direito do Mercedão do britânico.

A asa quebrou. O pneu furou. E o Mundial acabou.

Ambos foram para os boxes ao fim da primeira volta, caindo para as duas últimas posições. Não há milagres possíveis, nessas horas. Vettel não teria como se recuperar para ganhar a corrida. Lewis, sendo bem sincero, só teria de esperar o tempo passar para comemorar.

Isso não significa que a prova tenha sido ruim. Ao contrário. Exceto pelos três primeiros, Verstappinho, Bottas e Raikkonen, que a partir da metade da prova se distanciaram demais de todo mundo, o resto se divertiu a valer. Inclusive, e principalmente, Vettel. Apesar do título perdido de forma precoce, acabou sendo o grande nome do domingo, ao menos no que diz respeito a recuperação. Terminou em quarto. E foi uma saga.

Tião italiano começou a escalar o pelotão lentamente, depois de trocar o bico e colocar pneus macios, intuindo que não faria mais nenhum pit stop. Na volta 15, depois de passar Massa reclamando pelo rádio, já era 15º. Hamilton seguia em 19º, com os mesmos pneus macios — que não rendiam. No pelotão da frente, algumas surpresas: Ericsson em nono, Magnussen em oitavo e Stroll em sétimo.

Enquanto Sebastian se esgoelava, Hamilton cozinhava o galo. Não havia muito o que fazer, lá atrás. Verstappen, na outra ponta, seguia abrindo de Bottas. A diferença era de 5s9 na volta 17. Só perderia para ele mesmo. Na 19ª volta, Vettel aparecia em 13º; Hamilton seguia em 19º. Nesse momento, muita emoção no autódromo: todo o público se levantou em silêncio, erguendo o punho. Era uma homenagem às vítimas do terremoto que atingiu o país no último dia 19 de setembro. Comovente e muito foda.

Na volta 21 começaram os pit stops para a maioria. E na 22ª, Hamilton levou uma bandeira azul pela primeira vez no ano. Como retardatário, depois de perder muito tempo com o pneu furado e a parada, levou uma volta do líder Verstappen. Um instante raro e curioso. Teve de tirar o pé para deixar o menino passar.

Vettel seguia ralando, ainda que inutilmente. Na 24ª volta estava em 11º. Passava todo mundo, num esforço tocante. Lewis, ao contrário, se arrastava em último. Sainz, que estava à sua frente, se distanciava. O inglês só foi subir uma posição na volta 26, quando Hülkenberg abandonou. Foi quando Vettel entrou nos pontos, aparecendo em décimo.

Finalmente, na volta 28, Hamilton passou alguém. Superou Sainz e foi para P17. Vettel se enroscou atrás de Alonso e Ericsson, mas apesar de demorar um pouco ganhou as duas posições com a parada do sueco da Sauber e uma ultrapassagem tranquila sobre Alonso, chegando a oitavo.

A quebra de Hartley, na volta 32, fez com que o safety-car virtual fosse ativado. Verstappen aproveitou e parou. Bottas também. Hamilton, que já reclamava dos pneus, fez o mesmo e colocou supermacios. Só quem ficou na pista foi Vettel — além, claro, dos que já tinham feito suas paradas, como a dupla da Force India. Sebastian subiu para sétimo. Mas acabou parando, também. Colocou pneus ultramacios e caiu para oitavo mais uma vez.

Vettel precisaria de um segundo lugar para adiar a decisão do título, mas na volta 38 estava mais de um minuto atrás de Bottas, o segundo colocado. Era impossível. Restava fazer uma corrida digna, e isso ele fazia. Chegou ao sétimo lugar ao superar Magnussen. Pérez, o sexto, estava mais de 14s à frente. Dava para alcançar. Poderia almejar um quinto lugar, até, já que tinha pneus mais rápidos e um carro muito bom nas mãos — Stroll, que ocupava a posição, era alvo igualmente possível. Um quarto já seria quase um milagre, porque Ocon estava bem na prova, com alguma folga para o canadense da Williams. Mas dava, com alguma luta. Mais que isso, era mesmo sonho de uma noite de verão. No caso, de uma tarde de outono no hemisfério norte. Os três primeiros estavam anos-luz à frente.

Enquanto Sebastian se esgoelava para cumprir sua inglória tarefa, estava engraçado acompanhar as conversas de rádio entre o líder Verstappen e a Red Bull. Max acelerava feito doido desnecessariamente, mais de 10s à frente de Bottas. O time pediu para ele “correr devagar”. O holandês assentiu. Mas, na volta seguinte, virou mais um temporal. “Max, não precisa. Foi igual à última”, chamou-lhe a atenção o engenheiro. “Desculpa”, respondeu Verstappinho. E continuou acelerando.

Fazendo suas contas nos boxes, a Mercedes informou Hamilton que a previsão era de que ele chegasse em oitavo, no ritmo que estava. Mais do que suficiente para ser campeão, porque Vettel só venceria em caso de hecatombe coletiva. Sebastian chegou em Pérez na volta 51 e passou, assumindo o sexto lugar.

Hamilton se animou com a perspectiva de levantar a taça pontuando, pelo menos, e partiu para cima de quem estava por perto. Vettel seguia com seu tormento e na volta 55 passou Stroll. Lewis entraria na zona de pontos duas voltas depois, ao passar Massa para assumir o décimo lugar. Vettel chegou ao seu limite possível pouco depois, deixando Ocon para trás.

Com Raikkonen em terceiro, 23s à frente, um pódio seria possível se o finlandês tirasse o pé. Seria uma bobagem monumental, porém, não resolveria nada e ainda deixaria Kimi irritado desnecessariamente. Vettel ainda perguntou qual era a diferença. Ao ser informado, ainda teve um rasgo de bom humor. “Mamma mia…”, respondeu.

De qualquer forma, Tião Italiano merecia algum reconhecimento pela obstinação. Foi valente e profissional. Os três primeiros, Verstappen, Bottas e Raikkonen, ganharam suas taças sem suar demais — mal apareceram na TV. Hamilton, que sofreu bastante até metade da corrida, também deu seu showzinho, e quase desistiu de buscar o oitavo lugar calculado pela Mercedes nas dez voltas finais, para acompanhar de camarote a disputa entre Alonso e Magnussen.

Mas como não tinha mais nada a perder, atacou Alonso nas últimas duas voltas e não teve moleza. O espanhol da McLaren, que lutou por pontos neste ano como um esfomeado atrás de um prato de comida, resistiu o quanto pôde. Na segunda tentativa, tocaram rodas e Lewis passou. Valeu o ingresso.

mex17d10

Verstappen, então, apareceu nas imagens da TV na última volta, para chegar à sua segunda vitória no ano, terceira na carreira. Sua atuação foi soberba, mais uma vez. Bottas e Raikkonen receberam a quadriculada bem depois, seguidos por Vettel, Ocon, Stroll, Pérez, Magnussen, Hamilton e Alonso.

Lewis recebeu uma bandeira da Inglaterra de um comissário de pista e quando chegou ao estádio saiu comemorando, depois de fazer zerinhos e chorar falando com a equipe pelo rádio. “Viva México!”, gritou ao microfone de David Coulthard em sua primeira declaração oficial como tetracampeão. Agradeceu a todos, equipe, família e amigos — até uma gravação de Neymar lhe dando os parabéns foi passada a ele pelo rádio –, correu para os boxes pelo meio do povo e, depois, foi receber sua taça.

Merecidíssima.

mex17d3

161 comentários

  1. ms says:

    se no futebol tivemos um “diamante negro”, Leônidas da Silva, agora na F1 também temos outro “diamante negro”, Lewis Hamilton, que de forma inquestionável sagrou-se tetracampeão neste final de semana…..Hamilton é uma daquelas “jóias raras” que aparecem só de tempos em tempos na F1, que de cara já mostrou que tinha uma “pegada diferenciada” ao superar de modo inquestionável seu companheiro de equipe na McLaren, Fernando Alonso, bicampeão mundial, deixando também para trás em disputas pelo título felipe massa (que estava em seus áureos tempos na Ferrari e tinha mais experiência que hamilton ) nico rosberg, seu companheiro de equipe na mercedes, em cima de quem conquistou dois títulos e que agora deixa na poeira nada mais nada menos que sebastian vettel, com quem hoje, juntamente com alan prost, pode ostentar o título de tetracampeão mundial de F1, ficando somente atrás das lendas Michael Schumacher e Juan Manoel Fangio….o que não é pouca coisa….

  2. Vai Vettel! says:

    Vettel foi o nome da corrida. Piloto diferenciado e campeão consagrado.

  3. Brabham-5 says:

    Sobre o Hamilton, já tem gente chamando o cara de “lenda da F1”. “Nasce uma lenda!” Vamos com calma. Uma cara que perde um titulo para o NICO ROSBERG com os carros IGUAIS não é LENDA nenhuma. Quem é Nico Rosberg entre os maiores pilotos da história da F1? O pai dele sim, era casca grossa para ser batido. Hamilton é um dos melhores da atualidade, sem dúvida muito talentoso mesmo, mas a diferença dele para Vettel e Alonso é a Mercedes dominadora da F1 nos últimos anos. Quem prova que é acima da média é o Vettel que é TETRA há alguns anos e com uma Ferrari um nível abaixo da Mercedes, se não fosse por um acidente e uma quebra levaria essa disputa do titulo até a última corrida da temporada. O Raikkonen, que é MELHOR PILOTO QUE NICO ROSBERG E BOTTAS, não é páreo para Vettel na Ferrari, como Rosberg foi para Hamilton ano passado e em 2015. Então DEVAGAR AI COM O ENDEUSAMENTO. Campeão, merecido, mas nada de “lenda”. Hamilton perdeu um titulo para um colega do nivel do Nico Rosberg. Seria como o Senna perder um titulo para o Damon Hill quando foram colegas de equipe na Williams com, teoricamente, carros iguais.
    Hamilton ainda está longe de ser “lenda da F1”.

    • Fernando says:

      Calma meu caro, menos histeria. Rosberg cansou de por tempo no Schumacher, acho que não há dúvidas sobre o talento do Shummy correto? Isso quer dizer que Rosberg não é um piloto qualquer, sua opinião é que é uma opinião qualquer, amadora e descabida.

      Hamilton disputou campeonatos com Rosberg com o mesmo equipamento, assim como fez com Alonso e Button, todos campeões. Sempre teve adversários, ao contrário de outros pilotos que proibiam seus “segundos pilotos” de disputarem algo dentro da equipe.

      Então devagar. Reveja seus conceitos de fanboy alemão e reconheça a superioridade de um “não ariano”, apesar de ele estar vencendo tudo com um carro alemão, um ótimo carro alemão, como geralmente são.

      Schumacher foi Hepta da mesma forma, Vettel foi tetra da mesma forma, é como as coisas são atualmente, queira você ou não, você não pode mudar nada disso sendo inconveniente e tendo seus chiliques. Hamilton é um dos 3 melhores da história, resta à quem não gosta dele engolir, apenas isso.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *