SANTO, SANTO, SANTO

RIO(sei lá) – Reproduzo abaixo press-release do meu amigo Rodrigo França, competentíssimo jornalista cuja empresa de assessoria de imprensa tem entre seus clientes o Instituto Ayrton Senna. Volto na sequência.

O papa Francisco recebeu nesta quarta-feira, no Vaticano, uma escultura em bronze de Ayrton Senna, confeccionada pela artista plástica Paula Senna Lalli, sobrinha do piloto. Além da obra “Meu Ayrton”, Bianca Senna, irmã de Paula e diretora do Instituto Ayrton Senna, também presenteou o papa com um capacete de seu tio.
“Foi um dia muito emocionante. É uma honra poder vir ao Vaticano e encontrar com o papa na semana da Páscoa para entregar uma obra tão especial da minha irmã Paula. Ele agradeceu e elogiou o busto. O sermão de hoje foi sobre pedir a Deus nas dificuldades e isso me lembrou muito o Ayrton, porque ele fazia sempre isso”, disse Bianca.
“Nosso muito obrigado também ao Claudio Giovanonni, conhecedor da fé do meu tio como parte fundamental de seus valores e que nos ajudou a viver este momento único”, completou Bianca.
A ação faz parte de mais uma homenagem a Senna em 2019, ano marcado pelos 25 anos de legado do tricampeão mundial de F-1. “Meu Ayrton” é uma escultura cujo processo de criação e execução teve início em 2016, quando a mãe do piloto, Neyde Senna, fez a encomenda pessoal à neta, a artista plástica e compositora Paula Senna Lalli.
A obra foi exibida ao público hoje pela primeira vez durante o encontro de Bianca Senna com o papa e agora pertence ao acervo do Vaticano. “Fiquei muito honrada em ter minha obra sendo entregue ao papa Francisco”, diz Paula, que acaba de ganhar seu segundo filho, e por isso foi representada por Bianca.
A artista confeccionou a escultura durante a primeira gravidez, usando fotos e memórias como referência. Paula também contou com a ajuda de familiares, que posaram para ajudar a dar vida a aspectos da anatomia de Ayrton que as imagens não captavam.
“Recebi com muito orgulho a missão dada pela minha avó, que quis retratar de forma carinhosa a maneira como ele era lembrado pela família. Aceitei o desafio, mesmo reconhecendo a dificuldade da tarefa: pouquíssimas obras deste tipo eram aprovadas por nossos familiares, em especial por minha avó (dona Neyde), conhecida pelo alto padrão de exigência”, comentou Paula.

Muito bem. O Vaticano tem um conjunto de museus chamado genericamente de “Musei Vaticani” que conta com 26 coleções, áreas de exposição externas e internas, capelas, salas, galerias, corredores e museus propriamente ditos no coração de Roma, onde fica a cidade-estado. Em todos eles, até onde se sabe, a temática é religiosa — obviamente católica –, mas há espaços reservados também a obras e objetos ditos profanos, mas de inegável valor arqueológico.

Não sei bem onde um busto de Ayrton Senna se encaixaria nesse acervo. É importante notar que num primeiro informe à imprensa, dizia-se que a obra da sobrinha do piloto passaria a fazer “parte do acervo do Museu do Vaticano”. No texto acima, é mencionado o “acervo do Vaticano”, sem menção a nenhum museu específico, o que me parece mais plausível. O papa, como chefe de estado, deve receber centenas de presentes de outros países, autoridades, artistas, religiosos e atletas, inclusive. Em 2013, por exemplo, ganhou uma camisa do San Lorenzo, seu time do coração, no dia em que rezou sua primeira missa de Páscoa como líder da igreja católica. No ano seguinte, campeão da Libertadores, o clube levou a taça para o sumo pontífice, que não escondeu sua alegria — formado nos subúrbios pobres de Buenos Aires, Francisco sempre fez questão de destacar a importância do futebol na formação de sua personalidade. Acredito que o busto de Senna deve se juntar à camisa do San Lorenzo e a outras lembranças de diversas naturezas que o papa já ganhou durante seu pontificado.

Em tese, não há nada de errado em oferecer presentes a quem quer que seja. Chegar ao papa não é fácil, e a família Senna conseguiu entregar o busto e uma réplica do capacete a ele, pelo que compreendi, graças à intermediação de um empresário italiano com quem mantém relações. Me lembrou a piadinha de quando o papa chegou a São Paulo, entrou no papamóvel e pediu ao motorista: “Meu filho, deixa eu dirigir um pouquinho? Não aguento mais ficar acenando para as pessoas!”. O chofer não teve como dizer não, foi para a parte de trás do veículo e o papa assumiu o volante. Pegou a 23 de maio e sentou o pé. Uma viatura policial estranhou a velocidade excessiva do automóvel e o mandou parar. O soldado chegou do lado do carro e, quando reconheceu quem estava dirigindo, mandou um rádio para seu superior: “Coronel, acabei de parar um carro aqui na 23 a 150 por hora, o que eu faço?”, consultou. E o comandante: “Multe o cara, ora bolas! Quem é o dono do carro?”. E o soldado: “Olha, o dono não sei, mas deve ser muito importante porque o motorista dele é o papa!”.

(Adoro essa piada.)

O empresário Claudio Giovannone (a grafia correta é essa, com “e” no final, não “i”) se autointitula “padrinho para a Europa do Instituto Ayrton Senna” em sua conta no Instagram. Ele tem forte atuação no futsal na Itália e possui uma grande coleção de carros de F-1 — alguns usados por Senna em seus dez anos na categoria. É amigo da família, mas não consegui rastrear as origens dessa amizade. Também não há nada de errado nisso. Como muitos, Giovannone é fã do piloto e deve ter-se aproximado do clã Senna por conta da idolatria ao tricampeão mundial. Aparentemente, como aquele cara da piada cujo motorista era o papa, deve ser importante e influente na Itália, a ponto de conseguir organizar a entrega dos presentes a Francisco. Que não se deu numa audiência privada ou algo do gênero, mas sim na praça de São Pedro em cerimônia pública.

Eu também gostaria de, sei lá, entregar um Mug ao papa — foi o que me ocorreu agora, quando tentei imaginar que presente daria a Francisco; talvez uma camisa da Lusa junto, a Cruz de Avis do nosso escudo poderia suscitar alguma proximidade com sua posição eclesiástica, era capaz de rolar. Não sou católico, não tenho religião nenhuma, mas admiro a figura humana do cardeal argentino Jorge Mario Bergoglio. Daria, sim, um presente a ele e ficaria satisfeito com isso. Mas não sei se ofereceria o busto de um parente morto, por mais que o admirasse e respeitasse, com o intuito de vê-lo ladeado por efígies de santos, anjos, arcanjos, querubins, apóstolos e virgens marias. A família Senna tem especial cuidado com a imagem de Ayrton e não se importa em estimular essa ideia de um quase-santo personificado, um mártir de causas nobres, o beato da filantropia, o cidadão de bem de passado indiscutível e imaculado.

Ele é visto assim, inclusive, por boa parte de seus devotos brasileiros. Ajuda na composição dessa reputação a autoproclamada missão do instituto que leva seu nome — uma atuação difusa assim descrita em seu site oficial: “Desde sua fundação, o Instituto Ayrton Senna vem produzindo conhecimentos e experiências inovadoras capazes de inspirar práticas eficientes, formar educadores e aplicar soluções educacionais para promover uma educação integral que prepara o aluno para viver no século 21. Essas inovações são levadas para as escolas em parceria com as redes públicas de ensino, a fim de fortalecer o protagonismo dos educadores e dos alunos que estão entre o ensino fundamental e médio, preparando-os para os desafios do mundo contemporâneo”.

Eu, sinceramente, não sei direito o que faz o Instituto Ayrton Senna — criado em novembro de 1994, seis meses depois da morte do piloto, portanto. Sei o que não faz, e é importante deixar isso claro para que não se confundam suas atividades ligadas à educação com assistência financeira e material a crianças carentes — como muita gente imagina. O IAS não mantém creches, não reforma escolas, não constrói abrigos, não tira meninos e meninas das ruas e das favelas para dar a eles de comer, vestir e viver, não paga salários a professores da rede pública, não fornece merenda, não conserta carteiras, não distribui lápis, giz ou cadernos. Basta procurar na aba “como atuamos” de seu site para entender menos ainda seu modus operandi. O que significa “(…) Conduzimos ações de engajamento para a mobilização de diversos setores da sociedade interessados na causa da educação”, por exemplo?

Não tenho a menor ideia. O IAS não faz caridade, em resumo. Mas não se importa que as pessoas pensem que é isso, divulgando números quase sempre impressionantes como “1,5 milhão de alunos beneficiados” ou “mais de 660 municípios atendidos” por ano. Seus resultados financeiros não são muito animadores. Encontrei no site alguns relatórios que indicam prejuízos seguidos de 2015 a 2017 (o último disponível), pela ordem, de R$ 9,3 milhões, R$ 6,2 milhões e R$ 11,2 milhões — quase R$ 27 milhões de déficit em três anos.

Em 2017, o IAS arrecadou R$ 39,4 milhões, sendo R$ 21,1 milhões em royalties de licenciamento dos direitos relativos ao uso da imagem de Ayrton Senna e da marca Senninha, valores que de acordo com o instituto são 100% aplicados na entidade. No relatório de despesas, R$ 22,3 milhões foram gastos numa rubrica descrita como “soluções educacionais”, o que parece ser o “core business” do instituto. A rubrica “inovação”, sem maiores detalhes, foi responsável por gastos de R$ 8,8 milhões e os “negócios” (que incluem eventos, marketing e comunicação institucional) consumiram R$ 12,8 milhões da receita do instituto.

Desconheço em profundidade o regime tributário de organizações como o IAS mas, grosso modo, entidades sem fins lucrativos — como ONGs, associações de classe, instituições religiosas, entidades que promovem assistência social, cultura, saúde, educação, preservação e conservação do meio ambiente, promoção dos direitos humanos etc. — são isentas de pagamentos de impostos.

Empresas privadas que fazem doações a essas entidades também recebem benefícios fiscais. Em 2012, por exemplo, a Boeing “uniu-se à Secretaria da Educação do Estado de São Paulo e ao Instituto Ayrton Senna para potencializar um trabalho focado nos jovens do Estado. Desde então, os recursos da empresa, destinados a essa parceria, estão viabilizando educação de qualidade a milhares de alunos do 6º ao 9º ano do ensino fundamental e estudantes do ensino médio de escolas públicas de tempo parcial e integral. O objetivo é desenvolver competências cognitivas e socioemocionais, como colaboração, curiosidade, criatividade e persistência. Os estudantes passam a adotar uma atitude proativa diante da vida“.

Os grifos são meus. Quem conseguir compreender exatamente o que significam essas ações, se puder, me explique. Quem quiser crer que tais ações, de fato, “beneficiam” alunos espalhados pelo país, que levar estudantes a “adotar uma atitude proativa diante da vida” é algo que pode mudar o destino de alguém, que durma em paz ao saber que alguém se preocupa em “desenvolver competências cognitivas e socioemocionais” de alunos que, via de regra, por este Brasil afora, convivem com a penúria da educação que não mudou muito de 1994 para cá — as escolas públicas seguem caindo aos pedaços, a estrutura é precária, os professores ganham mal e, agora, como se não bastasse, terão de conviver com a patrulha de malucos medievais como o antigo e o atual ministro da Educação ou aquela deputada estadual de Santa Catarina que sugere que aulas sejam gravadas pelos alunos com celulares para denunciar a “doutrinação marxista” às autoridades.

Entregar ao papa o busto de Senna para que se junte às esculturas sacras que adornam o Vaticano me pareceu mais um ato deliberado no permanente esforço da família do piloto para polir uma estampa que tende à santificação e bendição informais, esforço este alimentado à exaustão por seus adoradores fanáticos.

O lugar mais apropriado para exibir um busto de Ayrton Senna, na minha visão, é um autódromo, quiçá um museu dedicado ao automobilismo de competição, não um templo religioso. E o IAS é apenas uma entidade voltada à educação com objetivos bastante genéricos (e resultados duvidosos), e não uma igreja devotada a amparar os desvalidos cuja doutrina se espelha nos valores que seu líder propagou pilotando carros de corrida.

É o que eu penso.

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Sobre a atuação do IAS, recomendo fortemente a dissertação de mestrado de Fernando Xavier Silva apresentada ao Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) em 2016, orientada pela professora Márcia Aparecida Jacomini com o título F1r06lWFhFFXLYXvNIuBS7VI0N3DH6HVDs" target="_blank" rel="noopener noreferrer">PRODUÇÃO ACADÊMICA NO BRASIL SOBRE O INSTITUTO AYRTON SENNA (2002-2015): CARACTERÍSTICAS E CONTRIBUIÇÕES. O estudo analisa 64 produções acadêmicas (teses, dissertações e artigos) publicadas no período de 2002 a 2015 que analisaram o trabalho do IAS em todo o país. A imensa maioria aponta problemas sérios na metodologia aplicada pelo instituto às escolas da rede pública onde atua ou atuou (o número de cidades atendidas caiu nos últimos anos de 1.300 para menos de 700), seu caráter centralizador, imposição de estratégias baseadas em conceitos do mercado para formação e avaliação de profissionais de ensino, estímulo à competição desenfreada, alienação e desmotivação de educadores, tentativas de influenciar na legislação e nas políticas públicas de educação a partir de códigos “importados” da iniciativa privada e prejuízo ao caráter democrático e coletivo de corpos docentes e diretivos das escolas. As conclusões contidas a partir das páginas 48, 57 e 68 são particularmente esclarecedoras — e preocupantes.

Comentários

  • O Instituto parece mais um grande cabine de empregos da família: muito dinheiro entrando em licenciamentos e isenção de impostos. A contra partida parece ser irrisória para a sociedade: discursos motivacionais, propagação de “ideias e ideais”, mas nada de realmente concreto.
    Creio que deveriam ser investigados, chamados a apresentar resultados que sejam coerentes com o “investimento” (se não privado ao menos da parte pública).
    Acredito também que se Senna estivesse vivo, não concordaria com uma organização que funciona de um modo que ninguém consegue quantificar ou qualificar o que exatamente faz. Belo texto FG!

  • Flavio juntou dois temas que me intrigam muito: essa beatificação do Senna e o Instituto. Se você tentar usar a “marca” Senna em uma camiseta ou adesivo o IAS vem em cima por uso indevido da “marca”. Aí você tem, ao mesmo tempo, GPS do Senna, barbeador do Senna e até picolé “gourmet” de chocolate belga do Senna.

    O picolé foi o mais sacana: eles divulgaram dizendo que “o sabor era o preferido do tricampeão de Fórmula 1, que morreu em 1994 ao disputar o Gran Prêmio de San Marino, na Itália”. Parece que o picolé favorito do Senna era o de chocolate belga da tal marca de picolés “gourmet”. Só que a tal marca foi lançada em 2008.

    É curioso: ao mesmo tempo em que os feitos do Senna ganham ares hagiográficos, a imagem é banalizada e associada a qualquer marca que a licencie, sem muito rigor.

  • Obrigado por este trabalho jornalístico. Obrigado por sua coragem. Falar de Ayrton Senna como você falou, é quase um crime nesse país. Ele é quase um deus. Estou há anos tentando mostrar que ele foi um grande piloto, como muitos e que como muitos, também só ganhou quando teve o melhor carro. Basta lembrar que quando ganhou a F3 inglesa só dois dos seus então concorrentes seguiram com ele para a F1. Enquanto seu antagonista brasileiro quando ganhou o mesmo campeonato que era divido em dois clubes tinha como rivais Alan Prost, Mansell, para falar de campeões, mais cinco pilotos que chegaram também a F1. Mas ninguém lembra disso. Também desconheço qualquer benefício ou beneficiado desse instituto. Sigo acompanhando seu trabalho. Mais uma vez, obrigado pelo texto.

  • Brilhante, um serviço para nossa reflexão!

    Chamar uma pessoa de Papa, Padre (pai), Pastor. É errado conforme os ensinamentos de Jesus o Cristo. E deixar-se ser chamado demonstra o erro daqueles que se julgam sábios nesse mundo. São impositores néscios, não entram e não permitem que os outros entrem.
    Os Pais, Papas, Padres, Pastores…, não compreendem as palavras de Jesus, pois se compreendessem nunca permitiriam serem chamados dessa forma. Jesus nos mandou primeiro o espírito santo, depois irmãos instruídos como discípulos.
    ” E a ninguém na terra chameis vosso pai, porque um só é o vosso Pai, o qual está nos céus.”

    Não mandamos em nossos espermas (temos uns bichos, que vivem dentro de nós, mas não estão sobre nossa autoridade) vivem em nós, mas não somos nós que lhe damos a vida. Penso em uma comparação entre o útero de uma mulher e esse planeta. Muitos são postos, poucos saem como crianças. E assim como saímos do útero sairemos deste mundo, mas muitos são perdidos.

    Ayrton Senna, grande piloto dentro do carro, um ator fora dele, mais um guerreiro com suas armas… mais um mito dessa desumanidade planetária. E aqueles que dizem ama-lo testificam sua morte, uma mercadoria. Coitado.

    Rafaelle.

  • Flávio, acompanho a muito tempo seu trabalho através dos blogs , vídeos e pela adoração a carros antigos mas admito que nesse artigo vc superou tudo que já li. Preciso e concordo integralmente com tudo. ABS

  • Indiscutívelmente o Senna era um grande piloto, mas seu caráter é de por em dúvida. Passou um ano inteiro reclamando da patifaria do Prost e fez o mesmo, ou seja, bem brasileiro, reclama dos outros, mas faz besteira e coisas erradas igualmente. Santificar um cara que nunca exerceu atividades caritativas e espirituais é uma tremenda hipocrisia. Que papel mais ridículo dessa família.

  • Isso é uma pensata, baseada em opiniões e valores próprios. Não é um texto jornalístico. É, na verdade, quase uma obsessão em tentar difamar o que a esquerda chama de “mercado” e que, no fim, mantêm tudo funcionando. Não existe mais almoço grátis.

  • Flavio,
    Em primeiro lugar li todos os comentários após a leitura dessa reportagem e fiquei refletindo sobre o assunto. Ele ´de fato é polêmico, pois, eu, em 2000 trabalhei em uma empresa de telefonia que tinha sim uma parceria com o IAS. Trabalhava com planilhas e levantamento de dados financeiros sobre aplicações para o investimento nos cursos e nunca consegui mensurar o retorno, até porque fiquei só um ano na empresa.
    Mas analisando a ação feita pela sobrinha de Ayrton Senna no Vaticano, apenas identifiquei como um trabalho de relações públicas sobre um trabalho que é realizado no Brasil e não como um trabalho de marketing para beatificação, é apenas uma constatação em particular, reconhecendo todas as dúvidas e ótimas colocações ao longo do seu texto.
    Mas vejo o trabalho do IAS como um trabalho de engajamento social que tem o objetivo de endeusar, mas apenas transmitir os valores que ele trouxe como piloto e sobretudo em um país que perdeu os seus valores morais e éticos, ter a imagem de alguém que conseguiu ser vencedor e tem valores é sim uma forma de buscarmos parâmetros dentro da nossa história como sociedade.
    PS – Não existe ninguém perfeito, mas é inegável que a imagem dele ainda é muito forte e quando vi o final do GP da China e todo o final de semana, sem dúvidas que Ayrton ainda é uma imagem muito forte para a F1.
    Abraços!

  • Sabe Flávio, não há como imaginar o que o Ayrton pensaria sobre tudo que é feito em torno de sua imagem, se aprovaria ou não. Ouvi relatos de que quando vivo, suas ações de filantropia eram sigilosas e que ele fazia questão de que assim fossem. A partir de sua morte, sua família se engajou em ações voltadas a cultuar sua imagem, algumas, relacionadas ao piloto propriamente dito a meu ver pertinentes e outras totalmente com uma notória falta de senso (como essa que deu origem a seu post) claro, em minha modesta opinião. Quanto ao Instituto, bem, aí caberia ao Estado apurar se realmente as ações são efetivamente convertidas em prol da sociedade, uma vez que a isenção de impostos é igual a dinheiro público, mas não só do Instituto como da infinidade de Ongs que proliferaram nos últimos anos em nosso país. Grande Abraço.

  • Você tocou em um assunto que me coça a anos…. não gosto de institutos, igrejas e genéricos dúbios! Idolatria doente e protegendo patrimônios com benefícios a lá Gerson ( pobre jogador!!!) vai dar record de post’s….,

  • Flávio, mais do que agradecer pela informação, obrigado por ter apresentado sua matéria por escrito. Acompanho os posts em vídeo (e.g. GP às 10), mas gosto mesmo são dos textos.

  • Quando li a manchete pensei: será mais um texto falando que o Senna não era mais que um excelente piloto e tal?
    Afirmação essa que, embora seja fã do cara, concordo plenamente, pois Senna era uma pessoa com qualidades e defeitos, assim como qualquer um de nós aqui, não curto essa devoção.
    Pois bem, ao ler o texto fiquei surpreso com a qualidade jornalística do mesmo.
    O Flávio fez uma pesquisa muito bem detalhada sobre o Vaticano, os balanços do IAS, etc, e assim conseguiu produzir um texto com início, meio e fim, tal como aprendíamos nas aulas de redação e que hoje, dificilmente encontramos nos veículos de imprensa.
    Parece que a necessidade de escrever tudo em poucas linhas está nos deixando burros.
    Parabéns, Flávio!

    PS: Por falar em devoção, alguém sabe dizer se aquele musical pavoroso sobre o Senna teve algum sucesso?

  • Meu Deus, FG

    Vc continua vociferando contra quem não reza sua cartilha…

    Cada qual com o seu fanatismo, vc é fanatico pelo Piquet/Schumacher

    Tá bom…tá bom o blog é seu e vc posta o que bem entender, mas se há espaço para comentários, trate quem os faz com educação.

  • Parabéns pela coragem, Flávio! Eu também nunca entendi o que esse instituto faz, mas nunca dediquei mais que 2 minutos pra saber, então não posso criticar. Mas você bater de frente contra o “legado do bem” de um ídolo nacional como o Senna mostra que você não teme. E eu admiro isso.

  • O senhor Flávio Gomes mal sabe que falando mal de Ayrton Senna ou algo relacionado a ele só faz aumentar a admiração da legião de seguidores pelo falecido piloto. Flávio já está passando e Ayrton ainda permanecerá por muito tempo.

  • Gostei bastante do texto e da dissertação também. Me parece que esportistas famosos tendem a emprestar sua imagem para propagar idéias que interessam aos grandes grupos capitalistas porque ambos já estão ligados automaticamente. Nas maiores categorias do automobilismo, no futebol, basquete, e outros esportes de grande destaque, a presença de empresas poderosas participando diretamente ou patrocinando é evidente. E tudo se encaixa bem afinal, esportistas de alto nível precisam ser muito competitivos, característica que a ideologia neoliberal busca incutir na cabeça das pessoas por motivos já muito claros

  • Santo, Santo ,Santo….
    Nem era preciso ler muito, para compreender a elucidação da matéria em si.
    Jornalismo crítico e de liberdade opinativa é exatamente isso…
    E,como leitores, basta mergulharmos no texto para reflexionar e consultar outrora dúvidas que foram citadas.
    Enfim, tem cheiro de Merda essa instituição…

  • Ótimo texto, na veia dessas instituições de “caridade”, pirâmides financeiras legais cujo primeiros objetivos são: 1- Endeusar o dono da marca mostrando quão bondoso é dono’. 2.- Empregar familia e amigos do dono da marca com salários irreais. 3.- Sonegar impostos legalmente, e como ultimo objetivo ajudar alguém. .A familia vive às custas da morte de Ayrton e da imagem do famigerado Senninha. Sou do interior da Paraíba, jamais vi nenhum dos 1,5 milhões de estudantes beneficiados com um mísero centavo do IAS. Espero que Francisco saiba disso e mande reciclar a horrorosa escultura familar de Ayrton. Pior que muita gente acredita nesses engodos.

  • Tudo resume-se a duas palavras: Planejamento Tributário para a otimização tributária, para obtenção de imunidade é neçessário a declaração de utilidade pública
    Esta é obtida a partir da premissa de que se beneficiou uma parcela da população, que necessariamente não precisa ser verdadeira, mas sómente parecer, em outras palavras um cambalacho em alto nível.
    Sou da Serra da Cantareira e convivi com parentes de Senna, são agressivos nos negócios.

  • O que esperar de uma massa que ainda acredita num príncipe montado num cavalo, nas margens plácidas do Ipiranga gritando “independência ou morte”? Senna é santo sim. Pra ser colocado no altar do Zedir Macedo, Do Malafeia (quele que chupa rola) Lembro de quando eu trabalhava na RBS TV Santa Catarina e apareceram umas camisetas que tinham um desenho de um alvo azul, a Xuxa, dentre outros famosos, fazia a propaganda. A camiseta custava digamos 50 doletas e todo o LUCRO ia pra combater a doença. só que o LUCRO era de centavos. porque a agência que criou o tal “simbalo” recebia quase 80% de royalties depois vinham uns custos otimizados de transporte, bla, bla bla. Não sobrava quase nada pro destinatário da tal grana.

    Veja bem e o que vou descrever são FATOS. É só dar um Google. A tão amada UNICEF paga um salário de UM MILHÃO E DUZENTOS MIL DÓLARE$ anuais ao seu presidente, mais o direito de usar um Rolls Royce, porque ninguém é de ferro. De cada 1 dólar doado a instituição só 0.14 centavos chegam as ações do órgão. A tal Cruz Vermelha é outra que paga mais de MEIO MILHÃO DE DOLETA$ ao ano de salário a sua Presidente, que ainda tem TODAS as despesas dela e da família pagas , incluindo férias, passagens aéreas, hotéis, comes e bebes pagos pela instituição, somente 0.30 centavos de cada 1 dólar doados chegam ao destino final.

    Essa família Senna é o que é. Um bando de doidos riquinhos, que por falta de qualquer talento pós Ayrton, vão viver do endeusamento do gajo até sabe se lá que futuras gerações. ë lucrativo e dá status. Mas porra. na Argentina tem capela pra rezar pro santo Maradona, aqui mesmo nos USA tem uma galera que já reza pro santo Trump.
    O mau está onde menos esperamos, escondido nas entrelinhas, no abraço falso, nas “boas” ações propagandeadas.
    E pra quem lembra do memorável filme: THE USUAL SUSPTECTS. A não menos memorável frase: The greatest trick the Devil ever pulled was convincing the world he didn’t exist. (Pena que o ator que proferiu tal frase, provou que ele existe).

  • Flávio,

    Você reconhecidamente é num excelente escritor, mas quando o assunto envolve de alguma forma o nome de Ayrton Senna, você deixa transparecer um certo rigor, amargo eu diria, em suas nas críticas.

    Por que não falar do Instituto Lula então?

    • O que você quer saber do Instituto Lula? Semana retrasada fizemos um leilão em São Paulo para arrecadar fundos e pagar os funcionários. Foram leiloadas fotos doadas por seus autores. O Instituto Lula não vive de royalties de nada e nem se propagandeia uma entidade sacrossanta.

  • Sou professor da rede estadual do Rio e o que ficamos ou experimentamos na prática sobre este instituto, é que o mesmo produz material didático de qualidade pedagógica bastante duvidosa e que nada acrescenta ou ajuda no desenvolvimento de competências cognitivas e socioeconômicas , pq não faz nada além de ser material do setor privado empurrado na rede pública, sem efetivamente promover algo de novo para o processo educacional. O que eles fazem é usar o nome do falecido piloto, ao invés de produzir algo de real valor para transformar a educação nacional .
    E como professor , também nunca vi ou soube de ações práticas junto aos professores que tenha apresentado algo de inovador e que pudesse mudar a realidade da educação brasileira, promovendo a melhoria de nossa formação .
    Na prática (num resumo bem geral) eles são uma editora ou replicadora de material pedagógico que mama muito dinheiro (mas muito mesmo) na teta do estado (leia-se: estados e prefeituras de todo país) usando o nome do Senna para dar um ar de inovação e mudança e que efetivamente não promove mudança nenhuma no processo, mas libera o estado e as prefeituras de fazê-lo.

  • Bom!!!, Eu concordo com vc sim!! Primeiro porque a falta de transparencia na atuação de alguns institutos, algumas ONGs é uma coisa assombrosa. Segundo, essa santificação e heroificaçao do Senna realmente já encheu o saco!!!

  • Olá, eu sou professor de universidade pública no Nordeste, e na grande maioria, atendemos alunos cotistas pobres que chegam do interior, filhos de pequenos agricultores, negros, indígenas e claro, brancos classe média, mas esses são minoria. Recentemente estávamos discutindo entre pares sobre o rendimento baixo dos estudantes após a implantação das cotas. Ficou o senso comum de que a postura dos alunos na hora de encarar os problemas é realmente um dos maiores problemas. Acredito que qualquer ação que melhore a postura e o estímulo deles é importante, e quanto mais cedo, melhor. Não podemos ficar só no feijão com arroz da educação, se não seremos miséria para sempre. Isso no seu texto pareceu bem desprezado e com descrença. Não vou ser babaca de dizer que é porque você é jornalista e não educador. Sei lá porque escreveu assim. Nem vou falar sobre as ações do IAS porque não pesquisei e desconheço, principalmente os resultados das ações dessa instituição. Mas, pelo menos no discurso, o IAS para mim faz todo sentido, e quanto mais gente trabalhando “de verdade” nesse objetivo melhor para a educação. Como você também fiquei curioso para pesquisar sobre as ações do IAS. No meu caso, porque quero entender melhor sobre como incentivar esses alunos, embora veja que na universidade ficou bem mais difícil…. isso porque me sinto na verdade tentando cobrir o que o ensino básico ou a família não fez com esses estudantes carentes. Claro, temos excelentes estudantes desse mesmo perfil de vida que, não sei como, quase um milagre que na maioria das vezes se chama “MÃE”, superaram todas as diversidades. São casos raros. Isso não deveria está acontecendo na universidade pública se nosso ensino fundamental estivesse funcionando com qualidade e incentivando nossos jovens. É o que eu penso.

    • Obrigado pelo comentário ponderativo sobre a importância vivenciada das ações que tentam mudar a postura de alunos. O instituto pode sim estar cheio de vícios fiscais e excessivamente dependente da marca Senna, por assim dizer, e tenham exagerada mesmo neste cultuacao papal. Enfim, acho que o melhor é estimular mudanças e ajustes para que seja, ou volte a ser, uma entidade útil a educação e não demonizada ou suprimida.

    • Parabéns Antonio, pelas palavras sensatas, equilibradas, que é do que mais precisamos, um pouco antes da ação que todos também temos que tomar. O IAS parece de fato dever um pouco mais de explicações, digamos, de transparência. Com certeza dinheiro para um campanha d de esclarecimento bem feita, detalhas, ele tem. Tá faltando isso, ou sempre vai gerar suspeitas.

    • Prezado, me desculpe, mas todos os trabalhos que li sobre estudantes cotistas, além do depoimento de colegas que também são docentes em universidades públicas aqui em MG, dão conta de que o desempenho deles é tão bom quanto o dos não cotistas, até porque têm uma oportunidade única de estudar em ilhas de excelência nas quais o seu acesso seria impossível sem essa mais do que merecida chance. Por isso, não entendi o seu depoimento, especialmente quando você menciona a postura dos alunos na hora de encarar os problemas (que problemas?), e que seriam necessárias ações para melhor essa postura e também seu estímulo. Você ainda afirma explicitamente que houve baixa no rendimento dos discentes APÓS a implantação das cotas. Isso me parece, na verdade, um discurso contra a política de cotas, ou, no mínimo, de desvalorização do cotista, que pode estar percebendo isso nos atos e ações de seus professores. Aí, meu amigo, é a sua, e de seu pares, postura que pode estar levando seus alunos ao baixo rendimento e à falta de estímulo. Para mim, o incentivo mais válido ao seu aluno cotista ele já tem, que é estar dentro da universidade pública, e por mérito próprio, sim. Se for o caso, cabe a você, docente, fazê-lo, e a si mesmo, enxergar e entender a importância disso para o seu (de ambos) futuro. Se conseguir se livrar de seus pré conceitos talvez assim você se torne um exemplo para suas turmas (e pares, também) e os conduza ao melhor caminho.

  • O texto tem boa qualidade, o que é uma marca reconhecida do autor, porém coloca dúvidas sobre um trabalho que confessadamente desconhece. Então melhor ter a responsabilidade de se informar melhor antes de escrever, como manda o bom jornalismo.

  • Caramba, concordo muito com FG nas questões automobilísticas e discordo muito nas questões políticas, mas respeito todos os pontos de vista. Adorei o texto e neste ponto penso de forma semelhante, por este motivo admiro o escriba. Escreve o que tem que ser escrito, doa a quem doer. PARABÉNS !!!!!