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terça-feira, 3 de setembro de 2019 - 23:38F-1

SOBRE DOMINGO DE MANHÃ

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Na Indy, o ramo americano da família: solidariedade e tristeza por todo o mundo

RIO (o que é, diga lá meu irmão) – Como, felizmente, têm sido muito menos frequentes os acidentes fatais nos esportes motorizados, tenho a impressão de que as mortes recentes nas categorias de ponta, aquelas mais noticiadas, vêm causando mais comoção do que antigamente. Como se sabe, morria muita gente em corridas no passado pelos mais diversos motivos. Equipamentos de segurança precários, pistas perigosas, carros frágeis, provas em condições insanas, público pouco protegido… A união desses fatores, sem que as autoridades esportivas se preocupassem muito com o assunto, promoveu verdadeiras carnificinas no automobilismo e no motociclismo ao longo da história.

Nos últimos 25 anos — tomemos como marco dessa revolução pela segurança os acidentes de Imola em 1994 –, os estudos para aumentar a segurança dos pilotos passaram a ser levados mais a sério. E as mortes se tornaram menos comuns graças a novas tecnologias e medidas preventivas adotadas em competições em todo o mundo.

Assim, nos últimos tempos, as ondas de solidariedade e tristeza provocadas pelas mortes de pilotos têm sido, aparentemente, mais comoventes. O acidente de Hubert em Spa jogou uma sombra de desalento sobre todos os envolvidos com o esporte no último fim de semana. Ainda que não o conhecessem, pilotos de todas as categorias que se sentaram num carro no domingo não conseguiram esconder o abatimento. Daí a escolha da imagem acima, dos pilotos da Indy em Portland fazendo sua homenagem ao jovem francês, para este “sobre ontem”. E foi assim por todos os autódromos do planeta.

spa_2019Nesse clima aconteceu o GP da Bélgica domingo, e a vitória de Leclerc ficou mesmo em segundo plano. “Ganhe por ele”, pediu Gasly ao monegasco. Os dois, mais Ocon e Anthoine, começaram juntos no kart. Faziam parte da mesma turma. Quatro garotos franceses (um “quase”, o próprio Leclerc) que, muito cedo, chegaram onde queriam — ou estavam a caminho.

E Charlinho venceu. “As coisas não acontecem por acaso”, filosofou Toto Wolff. Foi a primeira de muitas, certamente. É um piloto muito talentoso que tem um carisma todo especial. Talvez por ter ele mesmo passado por duas tragédias recentes, as mortes de seu mentor Jules Bianchi — outro francês — e do pai, na véspera de uma corrida de F-2 há dois anos. Que ele venceu.

É um menino de sorriso triste, e tristes estavam todos no pódio em Spa. Normalmente, primeiras vitórias enchem de alegria um autódromo. Não foi o caso, domingo. Leclerc lembrará para sempre deste fim de semana. Como o do primeiro triunfo, claro. Mas como aquele em que perdeu mais um amigo — e é esse sentimento que o nosso cartunista Marcelo Masili procurou traduzir com seu traço sensível que ilustra nosso rescaldo do GP; ficou lindo, o desenho.

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Vettel, que ajudou, nem quis sair na foto

A FRASE DE SPA

“Seb foi muito legal comigo. Sem ele, teria sido muito difícil.”

Leclerc sobre a ajuda que recebeu de Vettel, quando segurou Hamilton por duas curvas, fazendo o inglês perder um pouco de tempo. Valiosa ajuda, porque Lewis chegou apenas 0s981 atrás do monegasco.

Alguns pilotos merecem palavras elogiosas pelo que fizeram nesta corrida. Um deles ficará para o “Gostamos & Não gostamos” lá embaixo — minha escolha recaiu sobre Albon. Mas como não bater palmas para Kvyat, que partiu em 19º e chegou em sétimo? Corridaça.

Como foi linda a prova de Norris, de 11º para quinto na primeira volta, e lá ficou até o fim. Aí, na abertura da última, seu motor quebrou. Um pecado. Gasly também deve ser lembrado. Muito amigo de Hubert, rebaixado para a Toro Rosso, tinha tudo para desabar na depressão. Juntou suas forças e chegou nos pontos, em nono. Foi um bravo.

O NÚMERO DA BÉLGICA

23…países fazem parte, agora, da lista dos que já tiveram pilotos vencedores na F-1. Foi a primeira de Mônaco, cujo hino nacional nunca havia sido executado num pódio da categoria. O Reino Unido (que inclui Inglaterra, Irlanda do Norte, Escócia e País de Gales) lidera o ranking com 285 vitórias, seguido pela Alemanha (178) e pelo Brasil (101).

Leclerc, com 21 anos e 320 dias, tornou-se o terceiro mais jovem vencedor da história. Perde para Max Verstappen (Barcelona/2016) e Sebastian Vettel (Monza/2008). A marca do holandês (18 anos e 228 dias quando ganhou na Espanha) dificilmente será batida.

E a Mercedes? Quase venceu. Mais uma volta e Hamilton passaria Leclerc, que tinha pneus em mau estado no final da corrida. Mas o time não tinha do que reclamar. Levou dois troféus e, com Lewis em segundo e Bottas em terceiro, atingiu a marca de 200 pódios na categoria. Os prateados sabem de antemão que em pistas como Spa e Monza o negócio é minimizar o prejuízo. A velocidade de reta da Ferrari é praticamente imbatível.

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Albon x Pérez: momento alto da prova

GOSTAMOSMuito de Albon >>>, estreando na Red Bull com um 17º lugar no grid — fruto de punição por troca de componentes de motor. Passou todo mundo, e a briga com Pérez na última volta foi muito bonita. Resultado: um quinto lugar. Uma estreia melhor que a encomenda, e ainda deu sorte porque Verstappen saiu da corrida na primeira volta, evitando comparações.

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Max: bobagem na Source

NÃO GOSTAMOSDa recaída de <<< Verstappen, que vinha de 21 corridas seguidas entre os cinco primeiros (a saber, depois do abandono na Hungria no ano passado: 3 vitórias, 4 segundos, 5 terceiros, 5 quartos e 4 quintos). Forçou sobre Raikkonen na primeira curva, bateu, quebrou a suspensão e estragou a prova de Kimi.

24 comentários

  1. Marmelada-44 disse:

    Duas dezenas de carros largando a mais de 300 horários em uma pista de alta, tudo pode acontecer. Essa é a realidade.

  2. CRSJ disse:

    Leclerc já faz história, independente de como será sua carreira, com essa sua primeira vitória na F-1.na Bélgica. 23 países já têm pilotos vencedores, é bom saber.
    Pro Hamilton a corrida foi boa, o segundo lugar ficou de bom tamanho, para ele só fica faltando o carimbo do Hexa.
    Gostamos: Realmente o Albon como novo estreante da Red Bull, assim como foi o Verstappen em 2016, fez uma excelente corrida chegando em quinto.
    Não Gostamos: Verstappen dessa vez forçou a barra pra cima do Raikkonen, o pior foi querer andar com a suspensão quebrada depois do choque.

  3. Rodrigo Pinto Ribeiro Ribeiro disse:

    Posso estar sendo muito radical, mas a atitude do Verstappen de tentar contornar a Eau Rouge com a suspensão quebrada era digna de suspensão de uma prova, pra dizer o mínimo.

    Se ele bate no Raikkonen ou em qualquer outro piloto naquele ponto, faria o outro carro decolar, ocasionando um acidente tão ou mais horrível quanto o de Antoine. Pior, fazer isso quase 24 horas depois do mesmo local ter sediado aquela fatalidade. Irresponsabilidade inaceitável, ainda mais vindo de um piloto já experiente como o Max.

    A postura dele na primeira curva também foi questionável e merecia uma punição pós-corrida, mas parece que a postura da FIA em não se meter demais na corrida tem se mostrado firme.

  4. Flavio padilha disse:

    Saudações Flavinho!!! a Postagem é o conteúdo do último fox Nitro…espetacular, onde o Edgard melo Filho se mostrou super tranquilo em relação à morte do rapaz…Quer moleza ? vai no parquinho ou senta no colo do vovô …abs

  5. J. disse:

    Falando em batida, quer ver uma bela panca de uma Lamborghini Gallardo? Não é todo dia, e ninguém se machucou. :-)

    Pulem pro minuto 8, que é onde começa a volta rápida:
    https://www.youtube.com/watch?v=_NhX0p67yio

  6. Fred disse:

    Só sei que “é bonita, é bonita e é bonita!”

  7. Alex disse:

    Apesar dos esforços para melhoria da segurança no esporte a motor, nesta década parece ter aumentado o número de acidentes fatais. Na Indy, Dan Wheldon e Justin Wilson, na F1 o Jules Bianchi, em Le Mans houve uma fatalidade, na MotoGP, o Marco Simoncelli, nas categorias de motociclismo nacionais, várias mortes.
    A morte é um constraste tão grande com o esporte que, na minha opinião, tudo que se fizer em busca de segurança é pouco.

  8. Eraldo disse:

    https://www.youtube.com/watch?v=7TnqP_uX1Ks – análise de vídeo do acidente, passo a passo, com animação. Feito por Piotrek Niewolski. Entender a tragédia é o passo inicial para evitar mais acontecimentos como esse.

  9. CHAGAS disse:

    Cartunista foi fantástico nessa.
    E enfim Vertappen errou uma, o que não pode é massacrar o rapaz e lembrar das lambanças do começo porque ele já está em outro nível.

  10. Henrique disse:

    Sem extremismos mas acho que a pior coisa que aconteceu com a F1 depois de 94 foi ter tratado a morte do Senna como regra e não como exceção. Os carros ficaram esteticamente horríveis, afastaram as montadores e o público e equipes foram a falência…halos e mais halos. Acho que foi uma fatalidade, como você mencionou no post anterior ninguém que vai a um autódromo quer ver essas coisas, mas esse flerte com o limite da vida, que faz com que os pilotos de F1 sejam diferenciados de nós meros mortais. Enfim uma discussão que vai nos levar a nada, em um país tosco cheio de radicalismo como o nosso, mas não duvido que a FIA já esteja pensando num halo lateral estilo dos karts que encontramos em qualquer Kartodromo e/ou estacionamento de shopping ou pensando em construir uma chicane como foi em grande parte da temporada de 94, daqui a pouco SPA deixa o calendário, por um acidente. Uma morte sempre é uma morte e não devemos minimiza-lá muito menos mutilar o esporte por acidentes como o desse final de semana que mais uma vez: foi uma fatalidade. Prevejo o chassi de 2020 com halos laterais, no assoalho, na traseira, e etc.
    abraços torcendo por você no prêmio comunique-se

    • Amaral disse:

      Você não se diz extremista, mas prevê soluções extremas.
      O Halo é feio pra cacete. Atrapalha. Mas já salvou a cabeça do Leclerc no ano passado, e acharam um vídeo aí em que um pedaço de carro bateu no halo do Gelael no acidente de sábado. Poderia ter sido mais um a se machucar feio se o treco bate na cabeça dele.
      Não vai ter halo na lateral. Mas devem estar pensando em algo pra minimizar os efeitos esse tipo de pancada. Que é o pior dos mundos. Pior que batida de frente.
      Agora imaginemos se não houvesse busca por segurança. Se isso não acontecesse, seria bem possível que o Kubica (pancada no Canadá), Ralf Schumacher (uma panca que ele tomou lá em Indy, que começou a história da corrida de seis carros) e Luciano Burti (na Bélgica) poderiam ter sido mais nomes na estatística de mortes da F1 hoje, só pelo que lembrei num primeiro momento

    • Edison Ferreira Jr disse:

      Segurança sempre em primeiro lugar. É fácil reclamar quando não é o seu que está na reta

    • raul disse:

      Pô Henrique, depois da morte do Senna vieram as equipes oficiais: Jaguar, BMW, Honda, Toyota, Renault, Mercedes. Não sei se tem ligação, mas certamente as montadoras não se afastaram, né?

    • Fred disse:

      Concordo contigo, Henrique, e destaco: “Uma morte sempre é uma morte e não devemos minimizá-la, muito menos mutilar o esporte por acidentes como o desse final de semana…”

      Quanto à profusão de halos em 2020, torço para que a FIA não leia a sua mensagem… No entanto, pelo andar do patinete elétrico (outrora carruagem), dada a ameaçadora escalada de segurança, logo, logo, teremos um novo recordista em voltas na liderança: Bernd Mayländer…

    • Renato F1 disse:

      Não precisa de tanto. Do que vi do acidente, o piloto Hubert bate e retorna, sendo atingido em T. Se houvesse área de escape ou se a barreira de pneus não devolvesse a energia de impacto e o carro para a pista. Lembro da corrida no Brasil em 2003, se não me engano, que terminou depois de um acidente semelhante a este, acho que com Fernando Alonso. Em 2007, se não me engano também, no Brasil, chovia e o Räikkönen aquaplanou, rodou sozinho na relargada na reta dos boxes e bateu, ficando preso no lado da bandeirada. Se o carro dele tivesse voltado para o traçado, seria um horrível.

      Então, acho que tem de se analisar os acidentes e ver um modo de, se o piloto sai e bate, a barreira de pneus ou outra coisa não devolva a energia do carro para o mesmo, jogando-o de volta para a pista. Acho que, com isto, minimizar-se-iam os riscos de morte por batidas em T neste tipo de acidente e não se precisaria de alterar desenho de carro.

      • Fernando disse:

        Exatamente, e chama-se safer barrier. Se houvesse uma safer barrier por lá e não aquele amontoado de pneus, coisa antiquada, o carro de Anthoine deslizaria por ela em vez de ser contido e devolvido para a pista quase parado, de lado! Instalaram na curva do Café em Interlagos onde mortes ocorreram com a mesma dinâmica deste acidente. Esta morte só tem um culpado: Uma barreira de pneus inadequada e assassina. Pneus e amortecimento apenas no começo e no final daquela área podem ajudar, mas nos 90% de reta que resta os carros tem que deslizar, jamais serem contidos e devolvidos para a pista.

      • J Fernando disse:

        Observação interessante sobre a barreira de pneus.
        Absorver o impacto e não devolver o carro de volta para a pista.

      • Assombração disse:

        Desnecessário tudo isso. Basta que se faça a largada em movimento em pistas velozes como Spa e Monza, por exemplo.

      • Fernando disse:

        Assombração, desnecessário foi seu comentário, com todo respeito. O acidente foi na segunda volta, não foi na primeira curva… Tanto faria se largassem andando ou parados, estariam juntos da mesma forma, aliás, nem estavam mais tão juntos. É necessário mudar barreiras de pneus antiquadas sim! Viste o acidente na Fórmula 3? Igual o do Burti. O carro entrou inteiro embaixo da barreira de pneus, mal conseguiam retirar o carro com o piloto dentro tão “enganchado’ ficou nos pneus. Pneus…

    • rafaelle disse:

      E por essas “fatalidades” (o Senna na época já se preucupava muito com segurança de todos os pilotos e do público) a Joana mãe do Miguel, não comprou o Kart que ele tanto queria, ganhou um video game.
      O safety car Opel Vectra, descuido bobo.

    • Segafredo disse:

      Na verdade, fico perplexo, em ver que a pista de Spa não tenha passado por mudanças ali na subida e sequência da eau rouge depois de tantas mortes já vista no local.

      grande abraço

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