SOBRE DOMINGO DE MANHÃ

S

RIO (correndo, as always) – Essa imagem aí em cima e todas as correlatas serão as que guardaremos do GP da Inglaterra de 2020, domingo passado. Uma corrida de três voltas, emoções concentradas no final graças aos estouros dos pneus de três pilotos, um deles o líder da prova e na última volta.

Hamilton meio que já é campeão, né? Então, como digo sempre, que torçamos para boas corridas. Campeonatos com enorme domínio de alguém sem que outro alguém brigue pelo título são previsíveis e a previsibilidade nunca é boa para esporte algum. Paciência. Hamilton não tem culpa de ser tão bom.

O NÚMERO DE SILVERSTONE

…vitórias de ponta a ponta tem Hamilton agora, tornando-se recordista nessa estatística. Ele superou as 19 de Ayrton Senna. O ranking tem, na sequência, Vettel com 15, Jim Clark com 13 e dois pilotos com 11: Jackie Stewart e Michael Schumacher.

Outro número que merece ser mencionado é o de 154 pódios de Lewis, que agora fica a apenas um de empatar com o piloto que mais troféus ganhou na categoria, Schumacher. Essa é uma marca que não demora muito para cair, todos concordamos. Só para registrar, a lista dos pilotos que têm pódios na casa de três dígitos: Schumacher (155), Hamilton (154), Vettel (120), Prost (106) e Raikkonen (103). Senna é o brasileiro com mais pódios (80) e ocupa a sétima posição no ranking. Barrichello, com 68, é o oitavo.

Hamilton: 20ª vitória de ponta a ponta, sétima na Inglaterra, 154 pódios

A vitória de Hamilton foi marcante, claro, porque não é todo dia que o líder de uma corrida estoura um pneu na última volta. Normalmente, o desfecho dessas coisas é péssimo para o infeliz que vê sua borracha voando. Perde-se a corrida. A proeza de andar com três rodas, porém, deve ser relativizada. A gente cansou de ver piloto guiando assim até chegar aos boxes — Bottas fez isso domingo mesmo, uma volta inteira. O que tornou o episódio histórico foram as circunstâncias e o resultado final. E nosso cartunista oficial Marcelo Masili pescou com a maestria de sempre o momento — o hedonista Lewis na infância e na idade adulta, com o detalhe de que, segundo a Mercedes, na reta Hangar o rapaz chegou a 230 km/h com o pneu murcho.

Dois fatos que acabei deixando passar no textão de domingo com o relato da corrida: a Renault lavrou novo protesto contra a Aston India (vai fazer isso até o fim do ano, ou até a FIA dizer que não tem problema copiar carro dos outros) e o execrado Kvyat, que causou o segundo safety-car da prova, foi inocentado da suposta barbeiragem por uma imagem da câmera de seu carro que mostra o pneu traseiro direito furado na hora em que ele roda e bate. Tá perdoado, camarada.

A FRASE DA INGLATERRA

Sebastian Vettel, 10º colocado

Tem alguma coisa muito errada aqui. Ou com o carro, ou comigo.

Hoje é tudo na pressa. A seguir, três singelas imagens da prova com três singelas legendas:

Está na hora de passar a acreditar um pouquinho mais nesse novo gráfico das transmissões da TV. Verdade que nas primeiras corridas esse percentual de desgaste de pneus parecia meio chutado. Mas, desta vez, os 10% do dianteiro esquerdo de Hamilton correspondiam à realidade. Prefiro esperar mais umas provas, porém. 

O capacete fofinho criado por uma garotinha de 6 anos para Lando Norris entrou para a história pelo charme inigualável do “S” meio deslocado no espaço. Ficou parecendo um “5”. E não é que o piloto da McLaren largou em quinto e terminou em P5? Eva rides again! A estampa deve virar camiseta, boné, caneca, tudo que for possível. O carrinho laranja dá até para tatuar!

Por fim, os mascarados da Red Bull garantiram um interessante efeito estético nessa foto dos mecânicos acompanhando a chegada de Verstappen ao Parque Fechado. É um registro dos tempos estranhos que vivemos.

E terminamos com nosso tradicional tribunal do dia seguinte…

Gasly: combativo e persistente

GOSTAMOS – …de ver Pierre Gasly >>> partindo para cima de todo mundo, especialmente Vettel e Stroll, para terminar em sétimo com o carro da AlphaTauri, que não é grandes coisas. Nada, nada, o francês tem 12 pontos em quatro corridas e está na frente de Vettel, que tem 10. E Kvyat, seu companheiro, marcou apenas um.

Stroll: abaixo das expectativas

NÃO GOSTAMOS – …do desempenho sofrível de <<< Lance Stroll, apenas nono colocado depois de um bom sexto lugar no grid. Tem carro para mais do que isso, claro. E, de quebra, não gostamos também de ver o outro carro da Martin Point nem conseguir sair dos boxes. Hülkenberg precisa tomar uns passes.

Sobre o Autor

Flavio Gomes

Flavio Gomes é jornalista, mas gosta mesmo é de dirigir (e pilotar) carros antigos.

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Por Flavio Gomes

Perfil


Flavio Gomes é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.” Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo”, revistas “Placar”, "Quatro Rodas Clássicos" e “ESPN”, rádios Cultura, USP, Jovem Pan, Bandeirantes, Eldorado-ESPN e Estadão ESPN — as duas últimas entre 2007 e 2012, quando a emissora foi extinta. Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil. Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o "Grande Prêmio" passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o "Esporte de Primeira" na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Em 2005, publicou “O Boto do Reno” pela editora LetraDelta. No final do mesmo ano, colocou este blog no ar. Desde 1992, escreve o anuário "AutoMotor Esporte", editado pelo global Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, "Dois cigarros", pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas "Gerd, der Trabi" (Gulliver, 2019). É torcedor da Portuguesa, daqueles de arquibancada, e quando fala de carros começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs e Volkswagens de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. É com eles que roda pelas ruas de São Paulo e do Rio, para onde se mudou em junho de 2017. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020.
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