N’ISTAMBUL PARK (2)

N

RIO (que delícia!) – Lance Stroll larga amanhã na pole para o GP da Turquia. Sim, é isso mesmo que você está lendo, e é por isso que a gente adora a chuva na Fórmula 1. Ela costuma embaralhar as cartas. Transforma favoritos em miseráveis fracassados, eleva coadjuvantes à glória, oferece ao distinto público surpresas inimagináveis.

Foi o que vimos no sábado frio e chuvoso de Istambul, 12°C nos termômetros e muita água no asfalto — inexplicavelmente recapeado há duas semanas, sem tempo de cura, secretando o petróleo utilizado em sua composição, fazendo do piso um rinque de patinação banhado em sabão.

Um horror para quem guia, uma diversão para quem assiste. Felizmente nenhum acidente aconteceu. Uma rodada aqui, um atolado na brita ali, mas ninguém no muro. E um show de controle de bestas-feras com mil cavalos de potência tendo um único objetivo: se manter na pista. Cada troca de marcha era um susto, cada acelerada, um pavor. Foi um delicioso caos.

Hamilton: sem visibilidade, sem temperatura nos pneus, primeira vez no ano sem pole da Mercedes

A pole de Stroll só foi confirmada algumas horas depois de encerrada a classificação, porque ele era suspeito de ter desrespeitado uma bandeira amarela no Q3 quando Pérez rodou. No fim, foi confirmada, para alegria geral da nação — seria uma sacanagem perder o primeiro lugar no grid numa condição horrível de visibilidade, e os comissários acabaram confirmando que ele até tirou o pé, ganhando tempo no fim da volta porque a pista estava melhorando.

Como Racing Point, com esse nome (que usarei hoje, em respeito ao resultado), foi a primeira pole da história da equipe. Antes, a Jordan fizera duas (Bélgica/1994 com Barrichello e Europa/1999 com Frentzen) e a Force India, uma (Bélgica/2009 com Fisichella). Um canadense não largava na pole desde a última etapa do Mundial de 1997, quando Jacques Villeneuve partiu na frente em Jerez para conquistar seu primeiro e único título.

Ontem escrevi neste espaço que pela primeira vez no ano, por conta da previsão de chuva e das condições do asfalto turco, a Mercedes não seria favorita à pole. Esse favoritismo recaía mais sobre Verstappen, e tudo indicava, assim que começou a classificação, que o holandês da Red Bull confirmaria o que se imaginava. Ele é muito bom no molhado e seu carro consegue gerar temperatura nos pneus com mais eficiência que a Mercedes — esse talvez seja o único defeito do carro preto que lidera o campeonato com folga.

Verstappen: favorito no molhado, acabou ficando na segunda colocação

Choveu pacas pela manhã e foi debaixo d’água que aconteceu o último treino livre, com um festival de rodadas e desespero dos pilotos atrás do famoso grip — agora sem aspas. No Q1, as condições não estavam muito diferentes. Quando os boxes foram abertos, quase todos os carros estavam calçados com os pneus para chuva intensa. Mas alguns optaram pelos intermediários, e é importante observar bem alguns nomes dessa lista: Verstappen, Norris, Ocon, Pérez, Stroll e Ricciardo.

Max rodou na reta assim que foi para a pista e percebeu: os intermediários, para ele, não funcionariam. As duplas de Renault e Racing Point, no entanto, insistiram um pouco mais. Isso seria decisivo no Q3, especialmente para os pilotos da “Mercedes rosa”. Eles conseguiram entender melhor esses pneus que a Red Bull.

Faltando 6min56s para o fim do Q1, a direção de prova suspendeu as atividades, porque estava impossível dirigir — não dava para enxergar nada e poças começavam a se formar, além das temíveis lâminas de água que acabam inveitavelmente em aquaplanagem. Àquela altura, Ocon era o líder da tabela com 2min06s115. Na sexta-feira, no seco, Max tinha virado 1min28s330 na melhor volta do dia. Vejam a diferença absurda. Não estava dando para fazer nada no traçado banhado, oleoso e escorregadio do Istambul Park.

No momento da interrupção, para se ter uma ideia da dificuldade de alguns pilotos, Leclerc estava em 16º a 4s775 de Ocon. Latifi, o último colocado, tinha feito uma volta 15s496 mais lenta. A chuva deu uma diminuída e 45 minutos depois foi autorizada a retomada dos trabalhos. Mas nem deu tempo para ninguém abrir volta. A 3min30s do fim, Grosjean atolou na brita e nova bandeira vermelha foi mostrada.

Essa paralisação foi rápida e com os boxes abertos novamente a patota inteira foi para o tudo ou nada. Nessa hora, Verstappen mostrou o que sabe: 1min57s485 na melhor volta. O segundo colocado, seu parceiro Albon, ficou quase 2s atrás. Os demais, todos, viraram tempos acima de 2min por volta. Hamilton ficou em 14º, 10s114 mais lento que o jovem Max. Mais de dez segundos! Acabaram sendo degolados Magnussen, Kvyat, Russell, Grosjean e Latifi. Não estava fácil para ninguém.

O grid maluco de Istambul: Racing Point na pole e Mercedes lá para trás

No Q2, Norris e Sainz foram os que tentaram os pneus intermediários. Mas a pista continuava no modo “grip zero”, e Verstappen seguia dando seu showzinho particular no molhado: 1min57s125 na primeira volta rápida, e depois 1min53s486, 1min52s036 e 1min50s293. Ninguém chegava perto. Quando fez seu melhor tempo, o segundo colocado era Bottas. Estava 3s474 atrás. Dava dó.

Max à parte, quem surpreendia era a dupla da Alfa Romeo, que acabou passando para o Q3 com Giovinazzi em quinto e Raikkonen em oitavo — primeira vez no ano que os dois carros do time ítalo-helvético avançaram para a parte final da classificação. Ficaram para trás, no Q2, Norris, Vettel, Sainz, Leclerc e Gasly. A dupla da Ferrari foi um desastre: Charlinho virou 6s403 acima do tempo de Verstappen; Sebastian, um pouco melhor, ficou a 4s876 do holandês.

São diferenças de tempo incompatíveis com a F-1. Mas, do jeito que estava a pista, era o que dava para fazer. Sainz ainda seria punido por atrapalhar Pérez no Q2, perdendo três posições no grid. Com isso, Leclerc subiu para 13º e larga uma posição atrás de seu companheiro de equipe.

Leclerc: 13º com uma Ferrari que simplesmente não funciona no molhado

O Q3, pelo desempenho mostrado até ali, estava no jeitinho para Max se consagrar. E ele foi o primeiro a ir para a pista, sem spray na cara, do jeito que o diabo gosta. Cravou 1min52s326 na primeira tentativa e viu a dupla da Mercedes mais de 4s atrás. Só que, aí, apareceu Pérez. Lembram do Q1, da insistência de alguns pilotos com os pneus intermediários? Pois é. O mexicano baixou o tempo de Max em 0s289, colocando uma pulga ensopada atrás da orelha da Red Bull. Na passagem seguinte, Pérez virou 1min49s321, 3s005 mais rápido que Verstappen. Aí não teve jeito. O time chamou o piloto para colocar os mesmos pneus.

Enquanto isso, Stroll começava a baixar seus tempos, também com intermediários. Fez uma voltaça em 1min47s765 e superou o companheiro em mais de 1s5. A pista claramente ficava mais rápida, com a formação de um tímido trilho que permitia tentar alguma coisa. Max, então, partiu para tentar dar o troco com os mesmos intermediários. Só que o carro não respondeu. “Não tenho grip nenhum com essa merda de pneu!”, berrou pelo rádio. Conseguiu baixar seu tempo, verdade. Mas ficou a 0s290 do canadense do time rosa. Pérez, por sua vez, se atrapalhou na última tentativa e ficou só em terceiro — ainda assim, a melhor posição de grid dele na F-1; antes, tinha conseguido nove quartos lugares.

Verstappen ficou full pistola com a decisão da Red Bull de colocar intermediários em seu carro. “A gente não tem de olhar os que os outros estão fazendo. Esse pneu não funcionava com a gente. Estou muito decepcionado, muito”, disse. Já a Racing Point não cabia em si de felicidade. Prova disse é a tuitada na conta oficial do time assim que acabou a classificação, essa aí embaixo:

Comemoração da equipe rosa no Twitter: o time nem sabia o que dizer de tanta alegria

Albon fechou o Q3 em quarto, seguido por Ricciardo, Hamilton (4s795 mais lento que a pole, chamando a sessão de “pesadelo”), Ocon, Raikkonen, Bottas (a 5s493 de Stroll) e Giovinazzi. Depois de 14 poles seguidas, a última do ano passado e as 13 desta temporada até hoje, a Mercedes perdeu a primeira posição de um grid. Justo na corrida que pode dar o sétimo título mundial a Lewis — tarefa que ficou um pouco mais complicada, dada sua posição de largada.

Lance também não tinha onde enfiar o sorriso depois de fazer sua primeira pole. “Estou em estado de choque, é o momento mais bonito da minha carreira”, disse o piloto, estigmatizado por ser o filhinho do papai que comprou uma equipe para ele correr — terá de viver com isso para sempre. Tornou-se o 101º piloto a fazer uma pole na história da F-1. E interrompeu uma sequência de 126 poles do trio Mercedes-Ferrari-Red Bull — a última “outsider” tinha sido a Williams com Felipe Massa no GP da Áustria de 2014.

Stroll: primeiro canadense a fazer a pole desde Villeneuve em 1997

O que vai acontecer na corrida de amanhã? Impossível dizer sem saber como estarão as condições meteorológicas. No molhado, é loteria absoluta. Vai ser difícil se manter na pista e ganha quem errar menos. Mas eu diria que Verstappen, apesar de ter perdido a pole, tem um certo favoritismo com chuva — ele é muito bom no molhado, como já vimos muitas vezes. Mas depende também de quanta água vier, e dos pneus que serão usados em cada momento do GP.

No seco, e essa é a previsão, Max, aí sim, passa a ser o principal e destacado candidato à vitória, porque os carros da Mercedes vão andar mal de qualquer jeito — está frio, os pneus não chegam à temperatura ideal, estão para trás no grid, eu diria até que se chegarem ao pódio já estarão no lucro. Stroll e Pérez brigarão por muitos pontos, com certeza. Mas não são uma aposta muito certeira para ganhar a prova, porque o ritmo de corrida da Racing Point não costuma ser tão bom quanto o da Red Bull.

A parte legal é que com um grid desses fica tudo aberto e menos previsível. E, assim, nos vemos diante de mais um GP diferente nesta temporada — que está nos entregando, em suas corridas emergenciais, mais até do que poderíamos esperar.

Sobre o Autor

Flavio Gomes

Flavio Gomes é jornalista, mas gosta mesmo é de dirigir (e pilotar) carros antigos.

41 Comentários

  • (pesquisando no Google)
    (a partir de 1988)
    Equipes que quase fizeram 100% de aproveitamento nas pole-positions numa temporada:
    ano – equipe-motor (poles/corridas)
    1988 – McLaren-Honda (15/16);
    1989 – McLaren-Honda (15/16);
    1992 – Williams-Renault (15/16);
    1993 – Williams-Renault (15/16);
    2011 – Red Bull-Renault (18/19);
    2014 – Mercedes (18/19);
    2015 – Mercedes (18/19);
    2016 – Mercedes (20/21).
    Parecia que a Mercedes em 2O2O ia atingir 100% de aproveitamento nas poles! Só que não!

  • E não é que o estigmatizado – por quem escreve, não por quem lê – Stroll levou a pole! Seria do Perez sem o vacilo na última tentativa, parabéns aos estrategistas da Racing e aos pilotos pela escolha e insistência nos pneus inters. As Mercedes… Bem, os carros que melhor transferem a potência para o asfalto são os que mais se prejudicam nestas condições bizzarras. Estranho foi a Ferrari se sair tão mal já que está a correr nestas condições o campeonato todo…

  • Olho no Lance!

    A combinação recapeamento da pista (asfalto liso e oleoso), a dificuldade da falta de aderência (grip) nos pneus, baixa temperatura e chuva proporcionou muitas surpresas – e muitas derrapadas!
    Uma pole surpreendente de Lance Stroll!
    E não vai ser desta vez que uma equipe (Mercedes) conseguirá 100% de aproveitamento nas poles numa temporada! Sei lá! Deve ser o alinhamento dos planetas, as forças sobrenaturais, o acaso, etc.
    A Racing Point deu o pulo do gato! Arriscou e acertou na estratégia de usar pneu intermediário no Q3! Funcionou na Force Martin com Stroll na pole e Peres em terceiro lugar – que vai largar do lado “emborrachado”, ao menos na teoria.
    Se a corrida for chove, para, chove, para, vai ser uma corrida interessante!

  • Com todos os problemas, limitações geográficas e incertezas decorrentes da pandemia, acabou que essa é a melhor temporada da F1 em anos. Pistas históricas de volta, corridas malucas e divertidas, junto com a derrubada de recordes tidos como inatingíveis, além de pilotos saindo da zona de conforto e assumindo bandeiras políticas importantes. Que temporada! Num ano tão difícil, nove meses trancado em casa sozinho, a F1 tem sido um inesperado ponto alto.

  • Quero CAOS. Que todos batam e seja anulada a corrida. Assim acaba com essa forçada de barra em tentar criar tapa buracos em pleno covid avançando novamente sobre a Europa. E outra. EUA comprou a F1, vão acabar com ela. E o melhor na chuva é Verstappen, com certeza.

  • O que aconteceu com o primeiro piloto da Ferrari, com o carro todo desenvolvido para ele exclusivamente, não conseguiu ficar a menos de 1,5s de seu companheiro de equipe no Q2 nem no Q3? É so chover q acaba o encanto?

      • Os haters de Vettel encheram a bola do Leclerc além da conta. Da mesma forma que fizeram com o Ricciardo anos atrás. E acharam que, com isso, iriam menosprezar a capacidade de um tetracampeão.

        E o que temos assistido até agora? Dois pilotos medianos que possuem um ou outro lampejo de genialidade.

  • Stroll deu aula na chuva. Calou muita gente. Amanhã Verstappen larga do lado oleoso da pista e Perez do lado mais limpo, é bom o Holandês tomar certo cuidado, porque não acho que o Mexicano vá aliviar.

  • Alguns comentários:
    1 – Stroll costuma sempre marcar tempos impressionantes quando o chão está molhado. Não é a primeira vez, acho inclusive que ele já largou na primeira fila (2° tempo), numa prova que teve o qualifying com chão umido. O que não o quer dizer que ele seja necessariamente rapido com chão molhado, acho que é porque ele arrisca mais, e as vezes dá certo. Isso porque ele não mostra constância no molhado: as voltas dele são uma no cravo outra na ferradura…
    2 – Estranho que as Racing Point tenham se dado tão bem com os pneus intermediários, quando todos os outros carros precisaram dos Full Wet. Eles devem ter achado uma certo magico, que casou bem com o carro deles.
    3 – Gostei de ver a tocada de alguns pilotos vistas de dentro do cockpit: Gasly e Leclerc tem uma tocada super limpa, e um puta controle do carro, que eles colocam em drifting, em contra esterço, mas sem “braçar ” demais. Apesar de não terem se qualificado bem, gostei de ver. O outro foi o Verstappen, um pouco mais bruto, mas também com um puta controle. Já o Bottas me pareceu um ‘grosso’, braçando pra todo lado e com o carro apontando a proa “ora pra SW e ora pra SE”, abanando mais que leque de velha em dia de calor no Ceará. Não vi imagens do LH de dentro do cockpit, quanto ele estivesse tentando andar forte.

    Amanhã, no seco ou no molhado, a prova está a feição do Holandês: não deve haver surpresas. Até porque outros que poderiam andar rápido e se posicionar bem estão muito pra tras: as Ferraris, o Gasly e as Mercedes. E Albon pode ser uma surpresa, se algo acontecer com o Verstappen. O tailandes costuma (va) andar bem em corrida, tanto no ano passado como na F2, embora esse ano não tenha feito nada de bom. Ricciardo e Perez podem aproveitar oportunidades e ir ao podio.

  • Muito legal a pole do Stroll.

    Mas o domínio do Verstappen enquanto todos estavam com pneus de chuva intensa e em condições idênticas de pista, metendo 3 segundos em todo mundo sem dó, é a maior diferença que lembro de ter visto em uma classificação. Ele pode ser marrento e arrogante mas é um dos maiores talentos que a F1 já viu.

  • Sensacional, Stroll derrotou a todos e ao melhor de todos os tempos , portanto não pode ser medíocre.

    Venceu tudo antes da F1 , com o melhor equipamento de todos por certo , assim como os últimos “multicampeões ” também só foram deuses por ter melhor equipamento .

    Na chuva , nem todos os pilotos mestres da água são tão bons no seco ,muitos exemplos na historia da F1, como Brambilla , no seu show na Austria 75 .
    Amanha Stroll pode até dar cavalo de pau na largada , mas hoje , entubou a todos!!!

  • Saudações Flavinho Gomes !!!

    Talvez o maior golpe dado naqueles que secam, torcem contra as Mercedes na cara de pau e que fazem de Verstappen ( que não ganhou nada ainda ) um deus, o maior fenômeno da face da terra …

    Eu pulei como se fosse gol do América FC e ganhei o dia com essa pole espetacular do moleque , cheio de sequelas da covid, abatido e magro…. Dá-lhe Strol !!!! Agora ! e a corrida ? Cruz credo…Rivotril , já!

    Abs

    Tem gente que deve ter enfartado

  • Pobre Bilionário “sortudo”…

    Segue o jogo, a 58 anos escuto que na chuva é que os talentos se destacam… e o Perez vinha calando todo mundo, até a fatídica volta desse bilionário sortudo que arrematou a pole no molhado em uma pista que parecia gelo, superando o “noob” do Verstapem e colocando uma “estrada” em cima das originais Mercedes pretas. Espero que Ele tenha um pouco mais de paz para levar a carreira a diante, são nesses eventos que alguns pilotos se firmam na categoria (Pole do Vettell em Monza, pole do Ayrton em Estoril, Pole do Rubens em SPA, Ayrton em Monaco, Verstapen na encharcada Interlagos… e porque não o Bilionário Stroll filho de papai na Turquia).

    Que Ele tire proveito desse feito e siga em frente mais confiante em sua carreira, pois hoje deu mostras a todo mundo que não toca tão mal assim, se faltou juízo para Ele, se Ele teve sorte ou se o resto amarelou com a condição da pista isso ninguém irá saber.

    • Stroll é um excelente piloto no molhado. E de médio pra fraco no seco.
      Amanhã acaba a corrida atrás do Pérez.
      Sobre seu primeiro parágrafo eu tambem escuto que é na chuva que os verdadeiros talentos aparecem, mas é a maior lorota do mundo.
      O fato de alguém se destacar em chuva é simplesmente porque o piloto é bom nessa situação. Tem piloto espetacular que é um horror em chuva. E tem o Stroll que é excepcional no molhado porém. ……

  • Legal, vamos ter uma corrida bem agitada, meu meu é o Pérez e o Stroll se encontrarem na pista e fazerem bobagem.
    O Stroll é muito curioso, vive fazendo suas strolagens mas de vez em quando consegue uns resultados surpreendentemente bons.

  • Que surpresa! A pole, porque o Lance Stroll, já mostrou que anda bem na chuva. Lembrei de um comentário que eu fiz em 2017, aquela em que Vettel e Raikkonen se enroscaram com o Verstappen na primeira curva.
    (-Se chover o campeonato inteiro o Stroll e sério candidato, como é confiante e anda bem na chuva. 2017)
    Amanha, eu apostaria em Halmiton claro, mas vou torcer pela chuva e o Stroll.

    • Eu não sabia, mas o Lance Stroll tem parentesco Inuit, em 2019(só li agora) Rebeca Pinheiro fez uma ótima reportagem sobre o tema. “Como podem ver, o ex-presidente da Bolívia, Evo Morales, possui o mesmo tipo de cabelo e de olhos de Lance Stroll. Morales é da etnia aimará e Stroll é mestiço da etnia inuíte com a etnia europeia. Ambos possuem origens indígenas.”

      https://theracingtrack.com/o-caso-lance-stroll-um-indigena-na-formula-1/

      • Nossa, essa reportagem mudou radicalmente a minha opinião sobre o Stroll, porque realmente explica muita coisa. Todo mundo devia ler isso antes de entrar nessa onda de criticar um piloto só porque “a maioria” também critica. Aliás, o GP podia fazer uma reportagem sobre isso também.

        Meus trechos favoritos da reportagem do link acima:

        “E a prova concreta de que a birra que os haters tem com Stroll não tem nada a ver com dinheiro e sim com cor de pele é a idolatria que os mesmos tem pelo piloto inglês Lando Norris. Lando é filho do magnata Adam Norris, um milionário dono da companhia Horatio Investments e detentor de uma fortuna pessoal de £205 milhões, sendo o 18⁰ homem mais rico do Reino Unido.”

        “E se Stroll não fosse indígena, não faria sentido ele ser comparado com um ator indígena. Por que não compararam Stroll a Will Smith ou a Leonardo DiCaprio? Porque ele não tem a mesma etnia desses dois, e sim de Taylor Lautner.”

  • Engraçado quando mostraram a onboard, não se se do Verstappen, na reta: só subir a marcha o carro já queria ir violentamente pro lado, que nem aquele carro da Roborace que deu direto no muro. Kvyat “driftando” antes de entrar no pit, enfim, um festival de derrapagens.

  • Stroll está longe de ser ruim como pintam, não tem culpa de ter pai rico, que pai não daria o que seu filho sonha, ele não é o melhor, mas é melhor sim que alguns que estão e muitos que passaram pela F1, o resto é mi mi mi de quem nunca competiu e acha que entende pq lê e assiste pela tv, que é o caso da maioria aqui, forte abraço Flavio.

    • Incrível como a rapaziada do discurso meritocrático muda rapidinho de lado pra defender privilégios hereditários. Provocação à parte, claro q o cara tem talento e habilidade, caso contrário nem estaria na F1. Uma pergunta honesta: se o stroll-pai não fosse o dono da equipe, seria o Perez q perderia a vaga para o Vettel?

  • Mais uma vez vemos que aquela máxima que diz “pista molhada deixa igual pra todo mundo” é apenas mito e bobagem. Sempre existirão carros que se adaptam melhor ao piso molhado e à temperatura, e vemos também que o timing para abertura de volta rápida é determinante. Ainda assim, méritos para Stroll, que cumpriu seu papel muitíssimo bem hoje.

  • Muito feliz pelo Lance Stroll! Garoto que é massacrado pela imprensa em geral por ter berço de ouro. Isso não deveria fazer dele pior piloto, muito menos ser demérito. Lance não é nenhum fora de série, mas um bom piloto, ainda muito jovem (22 anos) e é talentoso o bastante para estar na fórmula 1. Mostrou mais uma vez. Belíssima pode desbancando o queridinho do momento.

  • É incrível como em pista legal as situações malucas são mais emocionantes. Que show do Kimi, como Hamilton quando a situação tá ruim ele se mostra incrível, Como também falta para Riccardo um carro pra brigar e o Leclerc quando a situação fica caótica ainda não se saiu bem. Mas se eu fosse o Versatappen estaria assustado em dividir a 1 ª curva com o stroll, possibilidade de fortes emoções

Por Flavio Gomes

Perfil


Flavio Gomes é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.” Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo”, revistas “Placar”, "Quatro Rodas Clássicos" e “ESPN”, rádios Cultura, USP, Jovem Pan, Bandeirantes, Eldorado-ESPN e Estadão ESPN — as duas últimas entre 2007 e 2012, quando a emissora foi extinta. Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil. Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o "Grande Prêmio" passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o "Esporte de Primeira" na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Em 2005, publicou “O Boto do Reno” pela editora LetraDelta. No final do mesmo ano, colocou este blog no ar. Desde 1992, escreve o anuário "AutoMotor Esporte", editado pelo global Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, "Dois cigarros", pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas "Gerd, der Trabi" (Gulliver, 2019). É torcedor da Portuguesa, daqueles de arquibancada, e quando fala de carros começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs e Volkswagens de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. É com eles que roda pelas ruas de São Paulo e do Rio, para onde se mudou em junho de 2017. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020.
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