N’ISTAMBUL PARK (3)

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RIO (perfeito) – Lewis Hamilton se tornou neste domingo, 15 de novembro de 2020, o maior piloto de todos os tempos. Nos números, igualou os sete títulos mundiais de Michael Schumacher. Também recordista de vitórias, poles, pódios e pontos, já havia superado o alemão nas estatísticas. Mas nem só delas se faz a trajetória de um atleta. O inglês da Mercedes se coloca, a cada dia que passa, como um dos esportistas mais importantes da história. Ao usar uma plataforma global como a Fórmula 1 para se fazer ouvir, ultrapassa o alcance da modalidade como simples competição e entretenimento. Torna-se um militante de causas essenciais para a humanidade como a luta contra o racismo, a defesa da sustentabilidade e do meio-ambiente, o combate às injustiças sociais e, agora, a cruzada pelos direitos humanos.

Hamilton ganhou o GP da Turquia de forma espetacular, mas isso fica para depois. No pódio, revelou que sua próxima batalha pode ser das mais incômodas para países que recebem etapas da categoria em todos os continentes, menos a África. “Temos de encarar os problemas dos direitos humanos em vários países onde corremos. Não podemos mais ignorar a necessidade de se fazer algo nesses países, engajá-los e empoderá-los para que as coisas possam mudar não daqui a dez, vinte anos, mas agora. Há muitas organizações que fecham os olhos para muita coisa que está acontecendo e usa a desculpa de que isso é política, não deve se misturar com o esporte. Mas direitos humanos não são uma questão de política. Direitos humanos devem ser iguais para todos, e nós vamos a países que precisam discutir essas questões”, discursou.

Hamilton e sua turma na Mercedes: casamento perfeito entre piloto e equipe

Lewis não mencionou nenhum país em particular, mas está na cara que o recado tem alguns endereços bem definidos. A Arábia Saudita, por exemplo, que foi incluída no Mundial do ano que vem, é alvo certo — uma ditadura fundamentalista tolerada pelas nações mais livres do planeta única e exclusivamente por conta de seu papel como fornecedora de petróleo e derivados. A lista de países onde os direitos humanos são uma falácia, quando se olha para o calendário da F-1 para 2021, tem muitos outros párias internacionais. Bahrein, China, Azerbaijão, Hungria, Rússia, Brasil e Abu Dhabi estão longe de atender os princípios básicos que se esperam de sociedades realmente civilizadas.

Hamilton vai continuar na luta. Por poles, vitórias, títulos. Porque tem uma talento extraordinário para pilotar e a vida fez com que, em algum momento, os caminhos dele e da melhor equipe de todos os tempos, a Mercedes, se cruzassem. E do alto da condição de estrela maior de uma categoria vista por bilhões de pessoas em todo o mundo, vai seguir brigando por aquilo em que acredita. A elitista e excludente Fórmula 1, que sempre se colocou acima do bem e do mal, que ao longo de suas sete décadas desprezou olimpicamente mazelas universais como o apartheid na África do Sul ou as ditaduras sanguinárias da América do Sul, passará a ser questionada por seu personagem mais vitorioso.

Preparem-se. Ao lançar sua nova cruzada justo na Turquia de Erdogan, Hamilton mostrou que não está brincando. Que bom.

Largada em Istambul: início de prova cor-de-rosa na ensaboada pista turca

À corrida, agora.

E que corrida!

A meteorologia acertou em parte suas previsões para o gelado domingo de Istambul, 13°C na hora da largada. De fato, na maior parte da tarde turca não choveu. Algumas nesgas de céu azul até se insinuaram entre as nuvens naquele lindo ponto do planeta em que a Europa encontra a Ásia. O problema é que a chuva parou momentos antes da largada, o que deixou o asfalto recém-refeito do circuito totalmente encharcado — e muito, muito escorregadio.

Por isso, com exceção dos carros da Williams, que partiram dos boxes com pneus intermediários, todo mundo que alinhou calçava os pneus para chuva forte — conhecidos candidamente no Brasil como “biscoito”. Na pole, o surpreendente Lance Stroll. Ao lado dele, Max Verstappen, conhecido por sua habilidade em piso molhado. Hamilton era só o sexto no grid.

O canadense da Force Martin partiu muito bem, assim como seu companheiro Sergio Pérez. Max, no entanto, patinou miseravelmente e foi ultrapassado por alguns carros, entre eles os de Hamilton e Vettel, que fez uma largada excepcional saindo como um raio de 12º para quarto nos primeiros metros da corrida.

Vettel: largada impressionante e pódio conquistado na última volta

A primeira volta foi quase caótica, mas ninguém bateu e as únicas vítimas que tiveram algo a lamentar foram Ocon e Bottas, que rodaram logo na primeira curva. Lewis deu uma escorregada um pouco adiante e foi ultrapassado por Vettel e Verstappen. Logo depois veio Albon, deixando o inglês ainda mais para trás. A prova prometia ser das mais animadas.

Com três voltas, Stroll tinha disparado na frente e já colocava mais de 5s de vantagem sobre Pérez e 12s em cima de Vettel, o surpreendente terceiro colocado. Leclerc, lá atrás em 14º, foi o primeiro a perceber que o asfalto começava a secar e parou na sétima volta para colocar pneus intermediários. Começou a registrar tempos cerca de 3s por volta mais rápidos que a turma dos pneus para chuva forte, o que valeu como senha para todo mundo fazer o mesmo. Entre as voltas 9 e 13, pela ordem, foram para os boxes Vettel, Hamilton, Stroll, Pérez, Verstappen e Albon. Com intermediários para todos, na volta 14 Stroll retomava a liderança com 9s3 de vantagem para Pérez, que era seguido por Verstappen, Vettel, Hamilton e Albon nas seis primeiras posições.

Hamilton passa Pérez e assume a liderança: décima vitória na temporada

O curioso desta corrida foi como cada carro passou a render com os novos pneus. Alguns, como os da Ferrari e da Mercedes de Hamilton, passaram a andar melhor. Mesmo dentro da mesma equipe os desempenhos se alteravam. Na Red Bull, Verstappen sofria como um cão e Albon se virava bem. Na Racing India, Stroll acabou com os seus em meia-dúzia de voltas e Pérez se estabilizou adotando uma estratégia inteligente de cuidar de sua borracha para não ter de parar mais.

Lance chegou a ter 10s de vantagem para o mexicano na volta 19, quando de repente sua performance começou a despencar. Hamilton, em quinto, estava mais de meio minuto atrás do líder — aparentemente fora da luta pela vitória, distante até de um eventual pódio. Leclerc resolveu fazer uma segunda troca na volta 31, de novo para intermediários — ninguém arriscou colocar slicks. Vettel fez o mesmo três voltas depois. Lá na frente, porém, o calvário de Stroll atingia seu ápice. Sua diferença para Pérez, na volta 35, caíra para mero 1s2. E Hamilton, em terceiro, vinha na mesma balada.

Os dois, Pérez e Hamilton, foram os pilotos que melhor administraram seus pneus, evitando que eles se esfarelassem escorregando de um lado para o outro e preocupando-se apenas em ficar na pista num ritmo razoável, sem querer andar mais do que o carro. Quem partia para uma segunda troca conseguia fazer três ou quatro voltas muito rápidas, mas depois a performance caía drasticamente. Desesperada com a perda de rendimento de Stroll e a iminente perda da liderança, a equipe rosa resolveu chamar o ponteiro para novo pit stop, na volta 36. Quando ele voltou para a pista, estava em quarto, atrás de Verstappen — que já tinha feito outra parada. Ali sua corrida acabou. Pérez e Hamilton estavam bem à frente, e pelo jeito não pretendiam parar mais.

Stroll na sofrência: depois da segunda troca, desempenho despencou

Lewis passou o mexicano na volta 37, assumindo a liderança de maneira espantosa para quem, pouco antes, amargava mais de meio minuto de desvantagem para o então líder Stroll. O canadense, depois da segunda parada, não conseguiu encontrar um ritmo decente e foi sendo ultrapassado sem dó por uma numerosa tropa: Vettel, Leclerc e Albon jantaram o pole-position todos ao mesmo tempo; pouco depois, Norris também deixaria o carro rosa para trás.

“Não sei o que aconteceu, não entendi nada, foi ridículo. Estou muito frustrado”, choramingou Lance depois da corrida. Charlinho, logo depois, passou por Sebastian e se colocou na briga pelo terceiro lugar no pódio contra Verstappen, que na volta 44 parou pela terceira vez para mais um jogo de pneus. Hamilton, com incrível leitura da prova, tratando seus pneus com desvelo e respeito, já abria mais de 13s para Pérez. Este, por sua vez, tinha como única ameaça um velocíssimo Leclerc, que vinha tirando coisa de 2s por volta do mexicano.

Foi só na última volta, porém, que o monegasco chegou em Pérez, e foi para cima decidido a arrancar um troféu a fórceps daquela epopeia. Passou, mas na curva seguinte errou a freada e tomou o troco. Vettel, que observava a briga de perto, aproveitou e foi junto, para receber a bandeirada em terceiro, seu primeiro pódio desde o GP do México do ano passado.

Pérez se segurou em segundo, coroando com louvor uma atuação inteligente desde o início da prova. Depois dele e Vettel vieram, na zona de pontos, Leclerc (que se autoflagelou dizendo estar com raiva de si mesmo por ter feito o que fez a três curvas do final da corrida), Sainz Jr., Verstappen, Albon, Norris, Stroll e Ricciardo. Hamilton venceu pela décima vez no ano e 94ª na carreira. Bottas, com o outro carro da Mercedes, terminou em 14º depois de rodar seis vezes na corrida — talvez sua pior na F-1.

Vettel cumprimenta Hamilton ainda no carro: o primeiro a dar os parabéns ao campeão

Hamilton chorou muito quando cruzou a linha de chegada. Pelo rádio, mandou mensagem “para todas as crianças que sonham com alguma coisa”, dizendo a elas para “nunca desistirem”, numa clara referência a sua história de vida. Quando estacionou o carro, a primeira pessoa que viu foi Vettel. O alemão se agachou ao lado da Mercedes #44 e cumprimentou aquele que, depois, nas entrevistas, chamou de “o melhor de nossa era”. Foi um momento emocionante.

Pérez estava tão feliz quanto com o segundo lugar, já que segue atrás de um cockpit para o ano que vem. Sua única possibilidade é a Red Bull, uma vez que será substituído na futura Aston Martin, novo nome do time, justamente por Vettel. Para isso, terá de tirar o lugar de Albon, que não tem garantida, ainda, sua permanência no time. “Mais uma volta com esses pneus, acho que eles iriam explodir”, disse o mexicano do alto do nono pódio de sua carreira. Explicou que no fim foi surpreendido por Leclerc porque não enxergava nada pelo retrovisor. “Ficou embaçado a corrida toda, e eu só sabia o que acontecia atrás de mim porque meu engenheiro narrava”, contou.

Pérez, segundo colocado: nono pódio do piloto mexicano na F-1

Hamilton disse que no finalzinho, apesar da sugestão da equipe, descartou a possibilidade de uma nova parada — seus pneus, depois de 49 voltas, estavam praticamente carecas. Na hora ele lembrou do incidente que teve na entrada dos boxes na China em 2007. “Perdi um campeonato ali”, disse. “A entrada de box deve estar muito escorregadia, melhor não”, falou pelo rádio.

Campeão mundial em 2008, 2014, 2015, 2017, 2018, 2019 e 2020, Lewis Carl Davidson Hamilton, 35 anos, ainda não tem contrato para o ano que vem. As conversas com a Mercedes devem acontecer nas próximas semanas e tudo indica que ele continuará correndo, embora tenha deixado no ar alguma dúvida sobre o assunto em entrevistas recentes. O discurso, hoje, foi em outra direção, no sentido de continuar usando a F-1 como palanque para defender as causas pelas quais tem militado intensamente neste ano “diferente”, como definiu. “Com a Covid, o isolamento, não saio de casa, fico dentro da minha bolha, e tenho tido mais tempo para refletir e focar em alguns assuntos que me parecem muito importantes, como o movimento Black Lives Matter”, falou. “Quero muito estar aqui no ano que vem e ajudar a Fórmula 1 e a Mercedes nessa jornada para que a gente possa ser relevante como esporte.”

Graças a Hamilton, pode-se dizer que nunca a F-1 foi tão relevante quanto agora.

As lágrimas no cockpit: muita lenha para queimar ainda, na F-1 e fora dela

Sobre o Autor

Flavio Gomes

Flavio Gomes é jornalista, mas gosta mesmo é de dirigir (e pilotar) carros antigos.

197 Comentários

  • Será que a desvantagem aparente da Mercedes foi na verdade o pulo do gato? O fato de não aquecer os pneus também permitiu continuar com eles por mais tempo? Digo isso vendo o que aconteceu com sua versão Rosa, que era rápida porém comia a borracha. Mas nada daria certo sem a guiada do Lewis, que diferente do Bottas soube se manter na pista, foi um conjunto perfeito.

  • Os números impressionam mais do que se eh demonstrado em pista!!!! Sem rival a altura e uma nave p disputar, fica fácil!!!! Claro q ele eh o melhor piloto da atualidade…..mas apenas isso…o melhor da atualidade!!!!

    • Vou tentar explicar de forma sucinta.
      Fórmula 1 é “só” a principal categoria de monopostos do mundo. Simples assim.
      Talvez realmente não tenha relevância pra quem não tá nem aí pra automobilismo.
      Como seria, por exemplo, o futebol americano pra mim. Um esporte de alto nível, que arrasta multidões, movimenta milhões, mas do qual eu não entendo uma vírgula. Pode não ser relevante pra mim. Mas dizer que é irrelevante de maneira geral seria, no mínimo, leviandade da minha parte.
      E a Globo, tenhamos a opinião que tiver sobre ela, ainda é a emissora de TV mais relevante do Brasil. E isso não pode ser simplesmente ignorado. Então qualquer a que ela publicar terá uma relevância muito maior do que, por exemplo, aquele canal que passa leilão de jóias de madrugada.

  • A última barreira se foi e agora a régua para qualquer piloto da F1 tem nome: Lewis Hamilton. Tudo agora será medido em função das conquistas do piloto inglês. Que, em princípio, tornará tais números mais superlativos ainda.
    E a conquista veio de maneira primorosa. Uma vitória maiúscula quando não era o franco favorito. As baixas temperaturas, mais a chuva e o novo asfalto tornaram a vida dos pilotos bem trabalhosa. Hamilton até largou bem, mas perdeu o carro em uma curva e se manteve em sexto lugar, logo depois quinto, por boa parte da corrida. Mudou dos pneus de chuva para intermediários e, com muita habilidade e entendimento, tanto do carro, dos pneus, das condições climáticas e da pista, venceu o GP da Turquia.
    A Mercedes teve problemas com a temperatura dos pneus, principalmente os traseiros. Elevar à temperatura ideal e manter tais temperaturas foram um problema para a equipe alemã. Tanto que o próprio Hamilton chamou o carro de diva em algumas temporadas passadas. Mas nos dois últimos anos isso parece ter sido resolvido. O que não se esperava é que, com o campeonato reformulado em função da covid, as equipes enfrentassem nessa altura do campeonato temperaturas tão baixas. Só para recordar, se o calendário inicial tivesse sido mantido, por essa época as corridas seriam nos Estados Unidos, México e Brasil. Temperaturas muito mais altas do que nessas atuais etapas do campeonato.
    E esses fatores valorizam ainda mais a conquista da Mercedes e de Hamilton. Como já havia ocorrido em Eifel, Portimão e Ímola, Hamilton superou essas adversidades, tendo total domínio do carro e das condições climáticas adversas. Soube ser paciente, gerenciou adequadamente os pneus e, no caso da Turquia, aproveitou as ao máximo as oportunidades que se apresentaram.
    Não se trata apenas do melhor carro. Tem que haver um piloto talentoso para guiar tal carro. E talento aqui não significa apenas ser rápido. Significa entender as condições da pista, ter uma leitura precisa do desenrolar de todos os acontecimentos, desde os treinos livres, qualificação e corrida, principalmente. Mostra disso tivemos em Ímola, onde ele pediu para ficar mais algumas voltas com um jogo de pneus, pois sentia que o carro estava se comportando bem. Resultado, de terceiro no início da corrida para a vitória.
    Será que existe no atual grid algum piloto que reúna todas essas, e outras tantas habilidades?

  • O cara é fantástico, mas as corridas estão chatissimas.
    Só quando acontece alguma intempérie é que dá algum alento.
    Mas no final da LH de novo…
    A culpa não é dele, mas o interesse vai caindo a cada corrida, e olha que eu acompanho F1 desde o tempo do Emerson.

    • Reflita: são os melhores pilotos do mundo – se Dixon ou Nasr, v. g., fossem tão bons assim pra guiar um F1, estariam lá, tenha certeza. Assim, o que fez Hamilton, cuja Mercedes NÃO era o melhor carro da pista, rodar mais de 50 voltas e chegar com pneus slick num piso traiçoeiro, dando volta no companheiro de equipe que não é nenhum bobo, foi sobrenatural. A corrida foi maravilhosa, mostrou quem é quem no baralho, foi eletrizante até a última volta. Só quem não viu a corrida pode criticá-la.

  • Me impressiona ver alguns que comentam aqui menosprezar o que o Hamilton conquistou hoje.
    Ain, ele tem o melhor carro, ain, ele é o primeiro piloto, ain, ele não teve adversário…
    Teve sim. Começou a carreira dividindo equipe com a prima dona Alonso, já bicampeão do mundo e primeiro piloto. Disputaram de igual pra igual, tão acirradamente que no final das contas quem ganhou foi o Raikkonen. Mas poderia ter sido perfeitamente campeão na corrida de estreia.
    Em 2008 Massa teve seus erros e a Ferrari também. Mas disputou o título com Hamilton até o final da temporada, e Hamilton só foi campeão porque conseguiu subir uma posição faltando duas curvas pro final da prova em Interlagos.
    Em 2009, Button e a Brawn que deu o pulo do gato e merecidamente ganhou, fez uma primeira metade de temporada brilhante e administrou a vantagem na segunda metade. Que se tornou a… Toda poderosa Mercedes.
    Que pavimentou sua trajetória com Schumacher e Rosberg, se preparando para ser a melhor enquanto Vettel empilhou títulos com a Red Bull em estado de graça. Recebeu Hamilton como o grande piloto que já era, e começaram a trilhar o caminho dos melhores, a partir de 2014. Daí não teve pra ninguém. Só Rosberg tirou um dos títulos dele, merecidamente, pois teve uma temporada melhor. Mas continuou precisando dar 100% do seu potencial para não ser um piloto comum num carro bom, mas ser o melhor piloto num carro bom. Senão teríamos outros campeonatos vencidos por Vettel, Raikkonen, Bottas, Rosberg ou mesmo Verstappen ou Ricciardo.
    Pra quem acha que Bottas é medíocre. Hamilton só tem a quantidade de poles que tem porque é comparável a Senna em velocidade de qualificação. Bottas é muito rápido em treinos, Hamilton precisa tirar 100, às vezes 110% do carro para estar à frente.
    Bottas definitivamente não é ruim. O problema é que é companheiro de um piloto excepcional, isso o faz parecer medíocre. Qualquer um ao lado dele hoje teria papel semelhante. O tão falado Verstappen, inclusive. Que ainda precisa aprender e evoluir muito para um dia ser digno de lixar a unha do dedão do pé do Hamilton. Principalmente ser menos arrogante e achar que é o maior piloto do universo.
    Parabéns ao Hamilton. Um dos maiores esportistas da atualidade em todos os esportes e em todos os aspectos. Como profissional, atleta e como ser humano.

    • Menos, por favor, menos, também assisto as corridas. A diferença de um Mercedes ´para os demais é gritante, outra categoria e mesmo assim o Verstappen consegue andar próximo, faz da vida do Bottas um inferno, Bottas que por sinal é um piloto mediando, no grid tem mais uns 10 iguais a ele.
      O Hamilton merece tudo que está acontecendo com ele, mas também concordo quando o Verstappen que disse que 90% do grid conseguiria o que ele consegue com esse carro.
      Se tivesse sido o contrario, Hamilton ter saído e o Rosberg permanecido, seria ele hoje dono de vários títulos.
      Sorte do Hamilton ter escolhido a equipe certa na hora certa e com um piloto peso morto do lado, a Fórmula 1 é assim! Parabéns aos envolvidos!

  • Ondem deu para entender bem a diferença de Leclerc, Verstappen, BOTTAS, Stroll e cia para campeões como Hamilton e Vettel.

    FALTA MUITO. Velocidade só, NÃO BASTA.

    CORREÇÃO: “(…) Pérez se segurou em segundo, coroando com louvor uma atuação inteligente desde o início da prova. Depois vieram, na zona de pontos, VETTEL, Leclerc (que se autoflagelou dizendo estar com raiva de si mesmo por ter feito o que fez a três curvas do final da corrida), Sainz Jr., Verstappen, Albon, Norris, Stroll e Ricciardo”.

  • Flavio escreveu tudo aí em cima. Não há mais o que dizer.
    Na verdade, há sim. Especialmente isso aqui, ó “… F-1 para 2021, tem muitos outros párias internacionais. Bahrein, China, Azerbaijão, Hungria, Rússia, BRASIL ( maiúsculas são de minha autoria ) e Abu Dhabi estão longe de atender os princípios básicos que se esperam de sociedades realmente civilizadas…” mostra bem no buraco que o bolsonarismo e seus esbirros de extrema-direita( amplamente derrotados nas eleições municipais de ontem, diga-se ) meteu um certo país da América Latina.
    Ainda há luz no fim do túnel.
    Vamos sair dessa.

  • Porra o cara da 49 voltas com o mesmo pneu? E quem ganha é o piloto. é essa nave chamada Mercedes ná meu. Isso daí está em outra categoria. E outra. O MELHOR PILOTO NA CHUVA, atualmente, achava que era o VERSTAPPEN, mas o VETTEL me fez lembrar da primeira vitória dele na Toro Rosso, que me impressionou muito. VETTEL é o melhor piloto do GRID, NA CHUVA. Leclerc tem muito o que aprender ainda. E AHMILTON errou muito nessa prova, o carro venceu não ele. 49 voltas com o mesmo peneu. Isso que é chassi.

  • FG
    Que corrida boa!!!
    Mas o melhor foi ver o Vettel jantar o menininho chorão na penúltima curva.
    O Vettel merece todo o respeito… é um baita piloto. É. Ferrari que se f… enquanto não mandar o a I Otto pros quintos.
    A imagem boa foi ver o chorão passar cabisbaixo indo em direção aos boxes, enquanto o Vettel cumprimentava com muito respeito o respeitável campeão do dia.
    Abraço

  • Chuva, pista encharcada, frio, todos os ingredientes para um carro do grid. A Red Bull.
    Que tem um especialista na chuva. Max Verstappen.
    Mas não é que o favorito absoluto já começa perdendo a pole para Stroll? Barbaridade.
    Mas a corrida são quase 60 voltas, largar de segundo com a Red Bull, o holandês é favorito absoluto.
    Pois é mais o rapaz errou na largada, errou no meio e só se achou no fim da corrida. Até Albon provou que o carro era vencedor, ficando metade dela à frente de Max. Decepção total.
    Ae vem o comandante, com um carro totalmente descalibrado para o cenário de ontem, como uma raposa vai só escoltando a procissão, malandramente aquecendo os pneus, forçando um erro ou outro dos demais, errando algumas tomadas para entender os limites da pista molhada, e vai “jantando” todo mundo, cuidando dos pneus com maestria. Seu rival? Pérez com o segundo melhor carro do fim de semana. Pérez jamais estará à altura de Hamilton.
    Show de Hamilton com requintes de crueldade colocando volta em Bottas. O finlandês que rodava a cada 10 voltas e ainda tocou Ocon em uma manobra passiva de punição. Irreconhecível? Não, Bottas é apenas mais um piloto que não se dá com pista molhada.
    Os primeiros pilotos que vi correr foram Lauda, Piquet, Prost, Keke e Mansel. Depois vieram mais alguns gênios entre eles Senna e Schumacher.
    Na minha opinião Hamiton já está acima de todos eles. Parabéns ao inglês que é muito mais que um gênio das pistas, mostrando para o ser humano, como ser humano.

  • Flávio,

    O criticado Cleber Machado fez a melhor definição de Hamilton em comentário durante a corrida. Após um rádio, o narrador observou que enquanto os outros pedem informações e perguntam o que fazer, Hamilton diz o que vai fazer.

    Poucos na F1, ou em qualquer outro esporte, foram assim.

  • Isso aí Flávio, Hamilton é um dos maiores esportistas da história, além de parecer um ser humano gigante (certamente com suas virtudes e defeitos, como todos nós)
    E Vettel, tem que respeitar…grande piloto e parece ser boa pessoa

  • Agora com o carimbo do Hepta o Hamilton fica completo nesse campeonato, sempre vai haver alguém detonando ele, mas no fundo todo Mundo sabe que na vida do Hamilton nada aconteceu por acaso.
    Bottas é um bom piloto, mas ficou perdido nesse GP lembrando até um Massa na Ferrari num dos seus piores GPs na chuva andando lá atrás.
    No que parecia a vitória da Racing Point com Stroll que despencou para nono depois da segunda troca a equipe diminui sua frustração com o segundo lugar de Sergio Pérez.
    Vettel em Terceiro parece até mentira onde nesse momento só falta sua saída da Ferrari.
    Verstappen decepciona chegando em sexto e Leclerc erra feio no final perdendo o pódio.

  • Hamilton espetacular como sempre, aliás se algum torcedor que ter alegrias, é só torcer pelo Hamilton, não tem erro.
    Todos falam de Pérez na Red Bull, mas seria interessante mesmo, é vê-lo na Mercedes no lugar do Bottas, que já provou não ter mais jeito, mesmo estando no melhor carro do grid.
    Vettel provou que não esqueceu o que aprendeu e quando possível, não perde nenhuma oportunidade oferecida.
    Já Lecrerc e Verstappen tem motivos de sobra para esquecerem o dia, mas lembrar das lições de que em pista molhada ter arrojo não é tudo.

    • Mas… Até ele chegar no apê em Mônaco, ser o melhor piloto do século XXI, top 5 em qualquer lista de melhores que se preze, um dos maiores esportistas da atualidade em qualquer esporte, ele suou muito. Não veio de família rica. Não teve tudo de mão beijada. Teve seus momentos difíceis, em que se perdeu. Agora se achou, Como piloto e como pessoa.
      Praticamente todo mundo na Alemanha fez algo em prol dos Nazistas naquela época. Principalmente quem levou aquele estrupício pro poder, e depois se arrependeu, como a Alemanha se arrepende até hoje. Então esse papinho não cola.
      E ganha rios de dinheiro? Sim. Chegou onde chegou, então merece. E faz mais do que muita gente que ganha até mais dinheiro do que ele. E mais do que quem não ganha e poderia dar a cara pra bater e não dá.
      Mas você provavelmente é daqueles que diz que “só a minha opinião importa”, não é?

      • Amaral, não precisa concordar comigo não, sem duvida ele é um dos maiores esportistas da atualidade, guia um absurdo, top 10 sem duvida, não sei exatamente do passado dele pois não sou próximo, nem disse que é ou não merecedor, mas tudo isso não compensa esse lance marqueteiro de criar esses superhomens, eu não caio……você cai, não tem problema, só tem que deixar de ser míope…..

    • Bara, acho que não apenas no Brasil, mas no mundo todo, a opinião de alguém influente é mais importante do que a de cientistas e outras pessoas lúcidas que lutam contra qualquer barbárie.
      Veja, por exemplo, o autódromo de Deodoro. Embora tivessem muitos detalhes que inviabilizavam a construção do autódromo, havia uma pressão para que ele saísse. Vide essa tal de Liberty aí… Então, vários pesquisadores falando da importância do ponto de vista ambiental, mas a ideia estava sendo mantida.
      Aí vem o Hamilton e diz: É pouco inteligente cortar árvores e replantar depois.
      Pra mim ficou bem claro que houve um antes e depois desta declaração, ao menos quanto à motivação da Liberty. Nas entrelinhas, o Hamilton chamou os caras de imbecis: Então a F1 traz a ideia de usar eletricidade por conta da sustentabilidade nos carros e vocês apoiam a destruição de florestas? A ideia de sustentabilidade era lorota então?
      A opinião dos cientistas não iria segurar de jeito nenhum (na verdade, outras seguraram, principalmente a financeira). Mas a que arranha a imagem, ao menos fora do Brasil, é a ambiental.
      Aí a Liberty assinou um contrato de 5 anos com Interlagos. Fim de papo.

      Qual é o problema de ganhar dinheiro?

      É a mesma crítica que fizeram com o Pedro Paulo Diniz. O cara está tentando implantar sistemas agroflorestais em grande escala, fazendo algo inovador (a mudança é gigantesca, é a luz no fim do túnel – única mesmo, o pau vai quebrar daqui pra frente). Mas o fato de ser rico tira qualquer valor do que ele trará de bom daqui pra frente.

      Tire essa ideia da cabeça, Bara.

      • Thiago, vc acha mesmo que desistiram de Deodoro por causa do Hamilton? Ok. Não falei que era um problema ser rico, nem ficar rico, o ponto é virar um “superhomem” defensor do planeta pelo twitter, pelo pódio da f1, ok, mas ele é conhecido faz seu papel de líder, tudo bem…mas não é hipocrisia se colocar desta forma e ter como fonte de $$ a mercedes….não é hipocrisia promover um mundo mais sustentavel e ganhar grana da petronas…..? É só isso que coloquei… tem um monte de atleta que ajuda efetivamente e seriamente questões pelo mundo, fome, pobreza, etc…. o que efetivamente o hepta faz???? Sobe em podio mandando prender policia?

      • Bara, o ganha pão dele é pilotar. Inevitavelmente ele terá patrocínio de empresas petrolíferas e de montadoras de veículos.

        Cara, sou formado em biologia, gosto muito embora não trabalhe com isso (acredite, gostaria muito de trabalhar com isso).
        Ainda que estivesse trabalhando e ganhando muito bem como biólogo, eu trocaria na hora de profissão para ser piloto. Nem precisaria ser de F1.

        A opinião do Hamilton influenciou pacas… não a prefeitura, mas a Liberty. O bigodudo lá deve ter ficado puto.

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Por Flavio Gomes

Perfil


Flavio Gomes é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.” Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo”, revistas “Placar”, "Quatro Rodas Clássicos" e “ESPN”, rádios Cultura, USP, Jovem Pan, Bandeirantes, Eldorado-ESPN e Estadão ESPN — as duas últimas entre 2007 e 2012, quando a emissora foi extinta. Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil. Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o "Grande Prêmio" passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o "Esporte de Primeira" na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Em 2005, publicou “O Boto do Reno” pela editora LetraDelta. No final do mesmo ano, colocou este blog no ar. Desde 1992, escreve o anuário "AutoMotor Esporte", editado pelo global Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, "Dois cigarros", pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas "Gerd, der Trabi" (Gulliver, 2019). É torcedor da Portuguesa, daqueles de arquibancada, e quando fala de carros começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs e Volkswagens de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. É com eles que roda pelas ruas de São Paulo e do Rio, para onde se mudou em junho de 2017. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020.
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