HAMILTON FORA, QUEM CORRE?

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SÃO PAULO (sobrou pra todo mundo) – Claro que a esta altura todo mundo já sabe que Hamilton está com Covid-19 e não corre domingo. Mas a notícia ainda me parece chocante o bastante. Pombas, é o heptacampeão mundial de F-1, talvez o esportista mais importante do mundo hoje em dia! E nunca tinha perdido um GP sequer desde 2007, quando estreou.

Hamilton ter se contaminado mostra que a doença atinge todo mundo, mesmo aqueles que estão tomando todas as precauções possíveis — Lewis não vê quase ninguém, evita até hotéis (na Europa, usou um motorhome para dormir nos autódromos) e nem comemorar o título com família e amigos pôde, ainda.

O coronavírus é foda, é perigoso, é uma ameaça, está matando gente no mundo inteiro. E, no Brasil, o jumento do Planalto não fez ainda um plano nacional de vacinação. É incrível. Continua minimizando tudo, negando tudo, espalhando seus perdigotos nojentos e sua ignorância por aí. E é contra a vacina.

Como chegamos a isso?

Voltando a Hamilton, por enquanto ele sente apenas sintomas leves e espera-se uma recuperação rápida. Pérez e Stroll foram os outros pilotos que perderam corridas neste ano por causa da pandemia. Ambos, depois de isolados e tratados, voltaram sem maiores problemas.

A questão agora é: quem corre em seu lugar no GP de Sakhir, domingo?

Bom, todos querem correr com esse carrão da Mercedes. A equipe ainda não revelou nada, ainda. Teoricamente, Stoffel Vandoorne, na condição de piloto reserva, deveria assumir o cockpit aberto com o impedimento de Hamilton. O belga hoje milita na Fórmula E e estava em Valência testando os elétricos da próxima temporada. Mas há uma coceirinha em gente da Mercedes para chamar Russell, vinculado à montadora. Ele já andou com o carro da equipe várias vezes, em testes, e sempre foi bem. Há questões contratuais que devem ser resolvidas junto à Williams, mas nada tão complicado assim. Hülkenberg, que virou o substituto oficial da categoria depois de ocupar as vagas de Pérez e Stroll na Martin India com competência e velocidade, corre por fora.

Seja quem for, é melhor que a Mercedes cuide para que não ganhe de Bottas. Se isso acontecer, é capaz de o finlandês abandonar a carreira para pescar arenques no Báltico.

Sobre o Autor

Flavio Gomes

Flavio Gomes é jornalista, mas gosta mesmo é de dirigir (e pilotar) carros antigos.

20 Comentários

  • Nas CNTP, suspeito fortemente que o Russell deve ganhar do Bottas. Será interessante, de qualquer maneira.

    E o Hamilton terminou a mensagem com um “stay positive”? Pô… Neste contexto, ele deveria ter escrito “stay negative”! hehehe

    • Não aconteceu nas 11 participações em que as 500 milhas fizeram parte da F-1 (1950 a 1960). Nenhum piloto da Indy 500 conseguiu, nesse período, fazer a pole em menos de um minuto (fonte STATS F1).

      A verdade é que Niki Lauda, até à presente data, continua sendo o único piloto na categoria a fazer o tempo da pole em menos de 1 minuto.

  • Chance de ouro pro garoto Russell. Torço por ele tanto quanto torço pelo minino Leclé das quebradas de Monte Carlo.
    Outro dia eu comentei que iria providenciar uma camisa dizendo que acreditava no primeiro ponto do Russell. Gostaria que fosse pela Williams, que tenta a duras penas reverter o processo avançado de “Manorização” em que entrou. Fazer um ponto improvável, como os de Bianchi (Marussia) e Wehrlein pela Manor original (A Haas desse ano é tétrica, coitado do Fittipaldi, mas consegue ser, em linhas gerais, melhor que a Williams). Mas que bom que aproveitaram uma oportunidade para colocar o programa júnior em prática. Só não pode furar pneu nem bater na largada. Ah, sim, largar direito é importante, viu, Jorge? Principalmente porque é quase certo que você finalmente vai pro quetrês.
    Vandoorne é o reserva, mas está envolvido até o talo com a Mercedes elétrica. E tem um bom desempenho por lá, junto com o De Vries. Ainda não estão disputando títulos, mas é questão de tempo.
    Eu gosto dessas mexidas de grid. Claro que não gosto nada delas serem por acidentes e pelo Corona, sinto pelo Hamilton, espero que seja como foi com os outros pilotos, apenas o isolamento necessário e sintomas leves, e que ele volte mais forte ainda.
    E, por favor, não comparem a situação do Hamilton com a do Pérez. Hamilton não foi passear com a esposa por aí. Pegou ali no métier da equipe. Se bobear mais gente da Mercedes vai positivar também. Alguém assintomático por ali acabou passando, infelizmente.
    Nem precisava dizer que esse negócio é desgranhento demais, mas é sempre bom lembrar. Se cuidem, fiquem em casa se possível, e tomem a vacina quando puderem. Não, a vacina não mudará nosso DNA e não irá nos transformar em chineses, em alienígenas nem em terraplanistas. A falta de informação pode ser que sim.

  • Russel confirmado na vaga do Hamilton. Chance de ouro! Meu palpite: Russel faz uma corrida sólida, chega na frente do Bottas e assume a vaga do Hamilton para 2021 que decide tirar um ano sabático para virar DJ.

  • O certo é colocar logo o Russel no carro pra um monte de frequentadores do blog “caírem do cavalo”.
    Piloto não tem que ter somente talento. Pra andar em time de ponta não pode se dar o luxo de errar constantemente, a velocidade tem que estar alinhada com a experiência e competência, os carros ao redor estarão em outro nível. Venhamos e convenhamos o menino inglês não tem isso….. ainda.
    Mas deverá ser o belga que é um piloto OK.
    E a tal da “gripezinha” continua fazendo estrago.

  • Legal saber que o Russel irá pilotar a Mercedes.

    Agora começa a pressão e a comparação inevitável. O Russel conseguirá realizar o feito do Verstapen de ganhar a corrida na primeira vez que pilota um carro de ponta (Verstapen GP da Espanha 2016)?

    Espero que o Russel se divirta muito e entregue um bom trabalho.

    Para o Hamilton segue desejo de pronta recuperação.

  • Se o Senna estivesse vivo chamariam ele, entraria no carro só na qualificação, faria a pole enfiando 12s no segundo colocado, terminaria a prova entubando 4 voltas no Bottas. Seria um show do nosso Deca Campeão. Fim.

  • Hamilton não era uns dos pilotos contrários a correr no anel externo de Sakhir? Tá certo que isso iria muito contra os princípios do pró´prio Hamilton, mas não é estranho ele testar positivo um dia após vencer a corrida e ter que se ausentar da corrida que não queria correr?

    • Ninguém é imune ao COVID. Esses caras são super profissionais. O Hamilton não precisaria de uma “desculpinha” para não correr, acho que isso não combina com o caráter que Ele sempre demonstrou. Se Ele não quisesse correr acho que não apelaria para subterfúgios baratos, diria na cara de todos e arcaria com os custos de sua decisão.

      Em Sakhir as voltas serão mais rápidas (circuito é menor com velocidade média maior) mas acho que em apenas uma curva a velocidade de chegada/tomada será maior do que na corrida do domingo passado… para o Hamilton isso é como “mais um dia no playground”.

Por Flavio Gomes

Perfil


Flavio Gomes é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.” Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo”, revistas “Placar”, "Quatro Rodas Clássicos" e “ESPN”, rádios Cultura, USP, Jovem Pan, Bandeirantes, Eldorado-ESPN e Estadão ESPN — as duas últimas entre 2007 e 2012, quando a emissora foi extinta. Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020. Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o "Grande Prêmio" passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o "Esporte de Primeira" na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Em 2005, publicou “O Boto do Reno” pela editora LetraDelta. No final do mesmo ano, colocou este blog no ar. Desde 1992, escreve o anuário "AutoMotor Esporte", editado pelo global Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, "Dois cigarros", pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas "Gerd, der Trabi" (Gulliver, 2019). É torcedor da Portuguesa, daqueles de arquibancada, e quando fala de carros começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs e Volkswagens de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. É com eles que roda pelas ruas de São Paulo e do Rio, para onde se mudou em junho de 2017. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020.
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