O RUMO DE BRUNO | Blog do Flavio Gomes | F1, Automobilismo e Esporte em geral
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terça-feira, 5 de fevereiro de 2013 - 18:42Automobilismo internacional

O RUMO DE BRUNO

ASÃO PAULO (fez muito bem) – Bruno Senna está fora da Fórmula 1. A notícia foi oficializada agora há pouco pela assessoria do piloto, que confirmou que ele vai disputar o Mundial de Endurance da FIA, o WEC, pela equipe oficial da Aston Martin (na foto acima, o carro do time, com a pintura Gulf histórica e inigualável).

Sem querer bater bumbo, porque não somos disso, mas é importante lembrar que nosso colunista Américo Teixeira Jr. cravou em 17 de dezembro que o brasileiro estava fora dos planos da Force India. E no dia em que a Caterham fechou com Giedo van der Garde, Américo afirmou com todas as letras que suas chances de ficar na F-1 haviam se esgotado.

Nunca acho que o jornalista é mais importante que a notícia, mas faço essas observações por uma razão simples. Não, não é para dizer que nós somos os fodões do bairro Peixoto, que o Grande Prêmio é o melhor site do mundo e que o Américo tem arrebentado com informações exclusivas há muito tempo. Isso tudo é verdade, somos os fodões do bairro Peixoto e de outros bairros, temos o melhor site do mundo e o Américo é um tipo raríssimo de jornalista — conhece o assunto que cobre, é bem informado e tem fontes confiáveis, que eu nem seu quais são; mas confio no colunista, e isso basta para que banquemos as notícias que ele tem para dar.

O motivo, porém, é outro. Quando noticiamos que um piloto brasileiro tem poucas chances aqui, nenhuma ali, está quase fora, pode ser substituído etc e tal, parte do público que nos segue sai atirando impropérios em nossa direção, que podem ser resumidos numa frase-padrão (editada, sem os xingamentos): “Vocês não apoiam os pilotos brasileiros e torcem contra! Vocês não são patriotas!”.

No fundo, é verdade. Não apoiamos os brasileiros, nem os tailandeses, nem os vietnamitas. E se alguém ainda é tonto o bastante para misturar patriotismo com esporte e informação esportiva, que vá se tratar. Nós simplesmente não torcemos para ninguém e temos obrigações com uma única figura estelar e soberana: aquele que nos lê, ou ouve, ou assiste na TV. Ponto final. Quando quero me comportar como torcedor, vou para a arquibancada ver a Portuguesa. Há quem diga que devemos apoiar, ajudar, bajular, elogiar pilotos brasileiros porque dependemos deles, sem brasileiros vencendo o interesse pela F-1 se esvai, perdemos público e vamos à falência.

Pode ser que para alguns jornalistas e para algumas mídias funcione assim. Aqui, não. Primeiro, porque temos alguns princípios pétreos, e o maior deles é: aquilo que sabemos, publicamos. Depois, acredito sinceramente que o público que se pauta pelo ufanismo e que se guia pelos arroubos nacionalistas que contaminam a imprensa esportiva não nos interessa. Dispenso. Porque acredito, também sinceramente, que existe um público mais crítico, sensato, que gosta de ser informado, não enganado. E que gosta de automobilismo de verdade, sejam os protagonistas brasileiros ou incas venusianos.

Isso posto, falemos de Bruno.

Seus quase três anos de F-1 foram pontuados por algumas boas atuações, muitas discretas e outras ruins. Há várias atenuantes, como o fato de ter começado tarde, ter tido de pular algumas etapas por conta da idade, ter estreado por uma equipe muito ruim, não ter feito a temporada toda em 2011 e ter tido alguns treinos a menos no ano passado. Foi um piloto comum carregando um sobrenome incomum.

A guinada na carreira é positiva para ele. Na F-1, ficaria se arrastando atrás enquanto houvesse patrocinadores dispostos a investir em algo que, no fim das contas, não passava disso: um sobrenome muito caro aos brasileiros e ao automobilismo. Mas, na F-1, a percepção de que só estava lá porque é sobrinho de quem é seria permanente.

No WEC, Bruno terá a chance de ser piloto de corridas de verdade, numa equipe de ponta de uma marca que neste ano completa 100 anos de existência. O campeonato é muito legal, as provas de longa duração são espetaculares e ele vai correr em Le Mans, o que por si só vale uma vida — Bruno já esteve lá uma vez, mas num esquema bem menos ambicioso.

Há casos de outros pilotos brasileiros que desencanaram da F-1 quando viram que algo não iria se encaixar, e partiram para uma carreira mais sólida em outras categorias. Os casos mais recentes são os de Augusto Farfus (desistiu de monopostos há anos e hoje está no DTM pela BMW), João Paulo de Oliveira (sucesso absoluto no Japão), Nelsinho Piquet (fazendo a América na Nascar) e Lucas di Grassi (contratado pela Audi para o mesmo WEC). Existe vida, claro, fora da F-1. E ela pode ser muito divertida e prazerosa.

Senninha anda com o carro da Aston Martin nos dias 17 e 18 em Portimão e participa das 12 Horas de Sebring (que não fazem parte do WEC) em 16 de março. O Mundial começa em 14 de abril com as 6 Horas de Silverstone.

Fez muito bem o primeiro-sobrinho em tomar essa decisão. Talvez a F-1 não seja o lugar para ele. Mas as pistas, certamente, são. Que acelere muito, se divirta e seja feliz.

106 comentários

  1. hendrix disse:

    Rubinho Barrichello não entendeu a decisão de Bruno Senna de, sem chances de brigar pelo pódio, abandonar a Fórmula 1:
    “Uma coisa não tem nada a ver com a outra!”

    Tutty Vasques

  2. Anderson Ramos disse:

    Sr. Flávio Gomes….Bruno Senna e Nelsinho Piquet correndo em Turismo!!!! Com o talento deles poderiam estar nos representando muito bem na Fórmula 1.

    Não vou entrar no mérito da questão o porque eles não se firmaram na categoria. Agora está vai ser uma geração perdida para nós na categoria máxima do mundo. Ou será que alguem vai vibrar com vitórias ou mesmo um título na 2º categoria da Nascar ou na 3º categoria de Le Mans ? Para de sonhar com isso. No máximo vai ser uma notinha ou capa da Revista Racing e de sites especializados como o GP.

    Estou bem decepcionado com eles, sou colecionador e fã. Tem vários recortes de revistas e jornais, mini na escala 1/43 dos dois pilotos. E por fim….Nada.

    A conclusão e que bom mesmo foi o Nelson e o Ayrton.

    E o pior que sobrou só o tira pé para o Alonso passar na F1. É de mais.

    De resto, e torcer e esperar para ler algo deles nos sites de automobilismo.

    Que venha logo o Felipe Nars e quem sabe em cinco anos o Pedro Piquet e o Pietro Fittipaldi.

    Ainda bem que gosto mesmo é da F1, Viva o Hamilton, Vettel, Rosberg, Kimi, Alonso, Perez, Ferrari, Lotus, Williams e Mclaren…que venha 2013.

  3. Nelson disse:

    Ótimo texto Realmente ele fai pra uma boa.Infelizmente nossos ENTENDIDOS torcedores acham que bom é só F1.Max Wilson andou muito na super V8 australiana ,que para mim talvez seja a categoria mais disputada de hoje,e ninguem nem dava bola,o Jaime Melo já foi campeão em Ferrari,é um senhor piloto e poucos sequer o conhecem,O Farfus já fez grandes corridas e até que deu um pouco de sorte na midia,mas,a maioria fica esquecida.Já está na hora da imprensa dar mais atenção ao esporte como um todo para atrair patrocinadores e por consequencia despertar em outros jovens a vontade de competir,pois hoje em dia com a mentalidade atual poucos tem vontade de começar pois sabem que aqui só se dá valor para uma categoria que cada dia está mais complicada de entrar devido aos altos preços.Temos muitos bons pilotos que se dariam bem nestas outras categorias,só falta um pouco de motivação e saber que será reconhecido.Se isso acontecer,o Brasil pode brilhar de novo.

  4. Rafael Barillo disse:

    Você é foda mesmo. Menos que eu, mais é foda, rsrs. Parabéns pelo seu trabalho competente e seu caráter exemplar a frente do grande Grande Premio.

  5. DG disse:

    Ótima matéria, revelando bem o que gostam os apaixonados por automobilismo, não precisa ser F1 , pode ser qquer esporte , desde que tenha cheiro de gazolina (ou alcool) hehehehe.
    Pq o que mais irrita na F1, são os torcedores da moda, que entendem muito pouco do esporte, mas querem dar opinião em tdo.
    Parabéns pelo texto, desta vez sem a acidez de sempre, desculpe, mas tem dias que vce está insuportavel……………………uhauahuahauaha
    abs

  6. Marcelo disse:

    Amigo Flavio,
    Primeiro parabéns pela credibilidade! Apesar de sempre existirem os “pulhas” de plantão, eu que lhe acompanho desde os tempos de Folha e lhe conheço pessoalmente sei de seu caráter e dignidade. Como leitura obrigatória todos os dias, confio plenamente no que a empresa e seus colunistas escrevem. Continue assim para o bem de todos…
    Quanto ao Bruno, acho que ele é um piloto bom mas na Fórmula 1 não basta ser apenas bom, tem que ser ótimo para cima.
    Entendo que a “pressão” do sobrenome pesa mas é graças a este sobrenome que ele consegue ser a pessoa com os patrocínios que tem. Ele, juntamente com sua família, sabe usar bem o sobrenome a seu favor e acho até que as empresas que investiram nele estão satisfeitas, afinal sabe que ele é um “bom anunciante” e uma boa pessoa.
    O problema é que a Fórmula 1 de hoje exige não apenas pilotos ótimos mas com dinheiro. Ele tem “dinheiro” mas, do jeito que está, vai ter que fazer leilão todos os anos…
    A mudança para o WEC, além de muito salutar, vai tirar os “refletores” dele. Ele gosta da categoria, teve uma experiência na Oreca e vai aprender muito na WEC.
    Amigo Flavio, uma coisa que não foi mencionada, o Bruno vai correr na Prodrive de David Richards, uma equipe de bom sucesso em outras categorias e que fez um bom trabalho na BAR.
    Sucessos ao Bruno.
    Abraços,
    Marcelo

  7. Será que o Bruno optou pelo WEC ao saber que Toto Wolf seria o diretor esportivo da Mercedes?

  8. Roberto Borges disse:

    Ótimo!
    É isso aí, gostamos de automobilismo, de corridas de carros e bons pilotos, ponto!
    Claro que tudo isso aí dá grandes histórias. Se forem com brasileiros, bacana.

  9. Jefferson disse:

    Vai sem deixar saudades.
    Gosto mesmo é de F1. Não sou obrigado a torcer por alguém só por causa de sua nacionalidade.
    Torço para o Räikkönen, Button e Alonso. E não gosto do Hamilton.

  10. Marcelo disse:

    Melhor o Bruno Senna esquecer esse negócio de esporte a motor, compra uma barraca na praia e entra com tudo na venda de água de coco. Aproveita compra o CD do Maguila(vida de Campeão), e seja feliz!

    Sou lutador, sou de fé, sou brasileiro
    Sou lutador, sou da paz, eu sou guerreiro
    Sou lutador, sou amor, sou coração
    Sou lutador, vencedor, um campeão

    Maguila – Vida de Campeão
    https://www.youtube.com/watch?v=zxQ8gK-WueU

  11. Eduardo Schmidt disse:

    Fiquei triste…torcia pelo Bruno…ruim Flávio é realmente não ter um brasileiro extraordinário há anos na F-1…precisamente depois de Senna!!!! Só isso, sentimos falta mesmo!!!!

  12. Gerson disse:

    Agora, só falta o Galvão Bueno, aquela repórter baba-ovo que está fazendo F1 pela Globo nas transmissões…e o Tino Marcos (quando o esporte é o futebol) o repórter mais chapa-branca, puxa-saco, “colunista” que já cobriu qualquer esporte neste país.

    Boa sorte ao Sobrinho. E parabéns por conseguir vaga numa categoria e numa equipe de respeito…e principalmente por não fazer mimimi em público ou se humilhar por qualquer vaguinha na F1. Parabéns!

    Sorte ao Bruno na Europa e sorte ao Nelsinho nos EUA.

  13. Fabio disse:

    Ele, assim como Di Grassi subiu no meu conceito indo para o WEC e as Endurance.
    Continuar Batendo na tecla da desgastada e chata F1… não mais.

    Quem bom que ele tenha voltado para o maravilhoso mundo das Endurances!
    QUe por sinal se ele não tivesse saído da OReca pra tentar andar de F1… quem sabe hoje não poderia estar andando de TS030??? afinal a toyota está apoiada pela OReca…
    teria grandes chances, certeza!!

  14. Gomes, não se estresse com isso. Os que criticam vocês por serem imparciais e não torcer pros brasileiros, são os mesmos que dizem que “depois que Senna morreu a F1 perdeu a graça.”. O público que gosta do esporte, mesmo, quer ouvir informações em primeira mão, como vocês sabiamente fazem.
    Forte abraço!

    • Ricardo Cérbero disse:

      E mais um comentário em cima do que você citou: essas mesmas pessoas que dizem que F1 perdeu a graça depois da morte do Senna, geralmente são as malas que comentam 05 minutos depois do GP acabar, fazendo flood chamando a tudo e a todos de “retardados que não sabem nada, que nunca viram F1 de verdade”. Se um brasileiro comete um erro então, haja paciência com tanta bobagem.

  15. José Manoel disse:

    “Aqui, não. Primeiro, porque temos alguns princípios pétreos, e o maior deles é: aquilo que sabemos, publicamos.”
    Gente boa, então não publique mais nada sobre Deus…

  16. Mauricio Alves disse:

    “Depois, acredito sinceramente que o público que se pauta pelo ufanismo e que se guia pelos arroubos nacionalistas que contaminam a imprensa esportiva não nos interessa. Dispenso. Porque acredito, também sinceramente, que existe um público mais crítico, sensato, que gosta de ser informado, não enganado. E que gosta de automobilismo de verdade, sejam os protagonistas brasileiros ou incas venusianos.”

    Muito bom, Flavio!
    Espero que muitos dos “pachecos” que tanto poluem essas plagas virtuais leiam e sejam capazes de entender seu texto!!

    Parabéns!!

    • Mauricio Alves disse:

      Lembrando que o “prego” em questão já esteve correndo na categoria pela equipe ORECA, e foi demitido no meio da temporada por conta dos resultados ruins…

      • Marcelo disse:

        Maurício, você que foi sempre ácido, não trazendo nada a mais para agregar um bom diálogo, novamente faz comentários infelizes e até sujos…
        Primeiro, veja os resultados do Bruno antes da F1. Veja o quanto ele pulou etapas, começou a correr basicamente aos 24 anos (idade que o Senna estreou na F1 para referência). Ocorre que ele é bom, mas a F1 exige pilotos de ótimo para cima. Não é por causa disso que o Bruno é “prego”!
        O Bruno correu três provas pela Oreca e seu carro conseguiu dois pódios. Isso não é bom “cára-pálida”? Você sabia que tinha pilotos pagantes para apenas uma prova no carro dele como foi o Olivier Panis em Le Mans e que sua equipe passava por problemas financeiros (e passa até hoje – acho até que eles não foram confirmados para as 24 de Le Mans este ano)?
        Já lhe falei uma vez, é melhor “calar os dedos” antes de apenas “burrifar” bobagens…

  17. Marcelo Dalbelles disse:

    Se identificar com compatriotas é normal no mundo todo, até aí o público que assiste tem todo o direito de torcer para um Senna, Massa ou qualquer outro brazuca.
    Claro que o fã da bagaça não vai deixar de ver automobilismo pela ausência dos canarinhos, e é sempre bacana quando qualquer piloto independente da onde vem dá show nas pistas.
    Como jornalistas a galera aqui do Grande Prêmio tem o compromisso com a notícia, com os fatos e ponto final.
    Eu venho aqui todos os dias para saber o que está acontecendo no mundo do automobilismo, e é essa a função deles. Achei um puta desrespeito com o Américo Teixeira o que algumas pessoas publicaram em seu blog, como se ele fosse do contra, ou estivesse zicando a vida do Bruno Senna, enquanto ele só estava dando a notícia.

    Daqui a pouco, para esse povo “patriota” a culpa pelo Bruno Senna não estar na F1 é do Lula e da Dilma.

  18. Paulo Barros disse:

    Leio o Grande Prêmio e o seu blog praticamente todos os dias desde mil novecentos e sei lá quando só porque sei que aqui encontro exatamente o que procuro: JORNALISMO.
    No meio dessa porcariada que continuamos a chamar de imprensa, é um alento encontrar alguém que nos respeite enquanto público que busca informações.
    Mais do que parabéns, obrigado.

    Quanto ao Senninha, maravilha! Vai pilotar um carro que presta, em pistas de verdade. Vai se divertir a beça, ganhar um bom dinheiro e ter chances reais de ganhar corridas. Sucesso para ele!

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