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sexta-feira, 16 de setembro de 2016 - 17:41F-1

POKE-BUTTON

pokemonracing

SÃO PAULO (sabe das coisas) – Olha, me desculpem se escrever alguma bobagem nas referências ao “Pokémon”, que não sei direito se é gente, um bicho, um duende, um coelho, um esquilo, não sei se são muitos, poucos, se é o nome de um só, de uma tribo, uma raça, uma espécie, ou ainda apenas o nome de um jogo, ou de vários jogos, ou de um aplicativo, talvez um site, ou ainda um esporte, sinceramente, não sei nada e não tenho grande interesse em saber, e NÃO TENHO RAIVA de quem sabe — apenas não sei, assim como não entendo nada de pilates, e também não compreendo os fundamentos do Snapchat, não sei como o Twitter vale tantos bilhões de dólares, nem como o Instagram ganha dinheiro.

Fiz este longo introito, palavra que perdeu o acento e é igualmente incompreensível que isso tenha acontecido, para comentar a visão que Jenson Button tem do futuro da F-1 a partir da compra da categoria pelo grupo americano Liberty Media.

Num passeio por um shopping em Cingapura, Button filmou milhares de pessoas caçando Pokémons (o acento é aí mesmo?), ou pokémons, caso ele não seja um só, mas vários. Se for um só, acredito que Pokémon é nome próprio. Se forem vários, aí é substantivo comum, e portanto seriam pokémons, com minúscula. Complicado, isso.

Mas Jenson viu aquele monte de adolescentes com seus celulares procurando a tal coisa — que é virtual, isso já entendi — e refletiu sobre a queda de popularidade da F-1, que para ele tem um público envelhecido, acima dos 30, 40 anos. É preciso seduzir a galerinha mais jovem que caça pokémons, concluiu. “Não é possível que a F-1 não seja melhor do que isso”, falou.

Ele tem toda razão, e aqui terei de fazer uma observação, sempre com a ressalva de que NÃO TENHO NADA CONTRA quem curte essas coisas: acho uma maluquice, acho que estão todos ficando loucos, tem gente morrendo atropelada por causa disso, considero uma bobagem infantil, inexplicável e alienante, mas tudo bem. Qualquer um pode achar exatamente a mesma coisa sobre corridas de automóvel, é perfeitamente compreensível, mas Button tem razão porque corrida de automóvel, me desculpem os que pensam o contrário, me parece algo mais interessante, inteligente, fascinante, emocionante e, sobretudo, real do que caçada de pokémons.

Mas é, de fato, um desafio atrair caçadores de pokémons para uma causa, qualquer causa — seja ela de cunho político, artístico, musical ou esportivo. O processo mental que levou milhares de pessoas a dedicarem seu tempo a essa caçada virtual de objetos inexistentes — supondo que pokémons não existem, mas posso sempre estar enganado — é difícil de ser revertido. Há uma disparidade clara de interesses entre pessoas que gostam de carros e pessoas que gostam de pokémons.

Ocorre que, aparentemente, há hoje no mundo mais gente que gosta de pokémons do que de carros. E é isso que está afetando a F-1. E tantas outras coisas. O mundo caminha para ser habitado por adoradores de pokémons. Essa é a grande e verdadeira questão.

36 comentários

  1. JP disse:

    Eu não gosto nem de star trek, vou gostar de pokemon?
    Aliás, essa coisa do virtual, pode até ter suas coisas boas. Inclua-se aí os badoos e tinders da vida. Mas eu, agora, estou voltando ao mundo real. Do olho no olho, do sorriso, da paquera espontânea num lugar inesperado. De ouvir uma música legal no rádio, inesperadamente, ao invés de ouvir 1000 no pen drive onde você conhece até a sequência.

  2. Cranio disse:

    Gomes, você já citou por aqui no passado que as gerações atuais nem querem ter carro. Acho que o motivo da perda de audiência reside neste fato. “Se não dirijo, porque vou acompanhar corridas”?

    Lembro de ver meu pai dirigindo e pirava quando ele me colocava no colo pra ficar na direção, aprendendo a trocar as marchas e me levando nas ruas vazias pra dirigir com 14 anos de idade. Quando estava no banco de trás, ficava olhando para os pés dele pra entender tudo o que podia para aprender rápido.

    Hoje os caras pensam em carros autônomos, aviões com joystick, metrô sem condutor, drones, etc. Querem tirar as pessoas do comando dessas máquinas. Não concordo em hipótese alguma, mas é o rumo que pretendem…

  3. Thiago Azevedo disse:

    Sem querer defender o Pokémon, até porque não gosto.
    Mas esse negócio de caçar o bicho virtual tem um mérito, como mencionou uma colunista de um jornal de Londrina. Esta tirando essa molecada de dentro de casa. A maior parte deles é vidrada em games, tudo molecada de apartamento que só tem amigos virtuais. Estão tendo a oportunidade de conhecer pessoas de verdade, de ver o céu, o Sol, a Lua…
    De saírem da frente da TV e do computador, já é algo bom.

  4. Eduardo disse:

    FG e amigos, escrevo enquanto o GP de Cingapura está acontecendo, ouvindo pela rádio, uma vez que estou trabalhando. Sejamos sinceros: quem gosta de uma “disputa” em que não se disputa? “Ah, o undercut!” ou “E o muro, não pode vacilar, hein?” é uma desculpa para a evidente falta de emoção ou da “briga por posições” no “circo da F1″. A emoção surge quando Rosberg e Hamilton acusam um problema nos freios? Quando, na largada, alguém bate e entra o SC por 5, 10 voltas? Quando alguém luta para “entrar na zona de pontos”?
    É muito, mas muito ruim dizer a frase que você ouvia do pai, do avô “Ah, no meu tempo…”, algo evidentemente contraproducente em relação ao que a F1 ja fez, mas tenho medo de dizer isso para o meu filho de 7 meses daqui a algum tempo.
    Não sou da patota dos “brasileiros contra o mundão”, tampouco da briga Senna x Piquet. Só gosto de F1, e tem sido cada vez mais difícil gostar de um esporte a motor em que se pode errar, com áreas de escape gigantes, em que a telemetria determina tudo, em que ordens de boxe decidem, em que a gente assiste sabendo o final…
    Button está certo: embora pueril, o jogo proporciona pelo menos expectativa. A F1, ultimamente, tem se especializado em gerar tédio.
    Sigamos acreditando, sempre.

  5. Nilson disse:

    Acho que o problema é que a fórmula 1 hoje é o contrário do que se espera de uma competição automobilística. É burocrática, tem regras malucas, muita frescura, muito economizar pneu, combustível, motor, etc…Por mais que hoje as pessoas vejam os carros como coisas caras/poluentes/desinteressantes, o interesse por ver carros correndo loucamente não desapareceu. Prova disso é a franquia Velozes e Furiosos ou a empolgação de muitos com a F-E

  6. Daniela disse:

    Com todo respeito crianças gostarem desse joguinho até entendo. Mas adultos…me poupem.

  7. Paulo Pinto disse:

    A Fórmula-1 está perdendo audiência por causa de um bichinho virtual que veio do oriente.
    Bernie perdeu essa. Paciência, o Boss da categoria também não pode ganhar todas.

  8. Marcel disse:

    É possível não gostar dos dois. De pokalquer coisa e de carros em geral, mas gostar de corridas.

    É possível, mas talvez não por muito tempo, gostar de corridas e não gostar de tudo o que envolve as corridas como das empresas que constroem os carros, os fornecedores de pneus, de combustíveis ou as marcas chiques que patrocinam a coisa toda.

    Tudo que a automobilismo é na sua essência, significa uma perda sintonia com o mundo real, de outro modo mas ao mesmo estilo dos pokemerdas. Só que essa alienação atual é infelizmente aceita. O automobilismo é aquele centro de cidade decadente mas que acha que tem o seu charme, por isso pedante.

    Ao visitar a fábrica da Ferrari, vi-me num mundo tão à parte, tão irreal, tão impossível de existir enquanto existe um mundo de merdas acontecendo para todo lado nesse planeta, que decidi que jamais iria ver uma corrida em circuito.

    O problema é que o espetáculo é a cada dia mais triste, os carros, os pilotos, os circuitos, as disputas (ou a falta delas), a antipatia das equipes com o público e entre elas… tristes. Enfim, o show é uma merda e vemos cada corrida mais com esperança do que com expectativa e desligamos a TV com mais frustração do que com satisfação.

    Só esses aspectos do pseudo espetáculo seriam suficientes para abandoná-lo. Se juntarmos os valores humanos que vêm agregados com o circo, ai a intensidade das palavras dirigidas duras digeridas ao fenômeno dos porkerias seria triplicada em direção à F1.

    Mas não, a gente vê F1 rodando em círculos durante trocentas voltas para o piloto que a gente sabe que vai ganhar, pasmem, ganhe… Para o carro que a gente sabe que vai ganhar, nooooossa, ganhe! Mas a gente olha para esses imbecis que caçam Pokemon e dizemos: olha que panacas! E são mesmo. Mas nós, os fãs de F1, somos o que: geniais?

  9. Evandro disse:

    Acho que essa mudança de comportamento da sociedade ainda não foi compreendida pela própria sociedade.

    Fiquei pensando nisso esta semana enquanto passava umas camisas e calças pra trabalhar, e lembrei que meu irmão mais velho odiava um emprego antigo onde ele tinha que atravessar São Paulo de carro E trabalhar de social, duas coisas que ele odeia.

    Aí você vê o Google e Über funcionando de um jeito mais relaxado e o tanto que se fala em jornada de trabalho mais curta e em qualidade de vida.

    A sociedade mudou e cada vez menos vai ter espaço pro formal, pra entrevista coletiva de 5 minutos, pro boné e pro evento do patrocinador, pro piloto que tem suas falas engessadas gravadas pelos assessores de imprensa da equipe, o jovem não está mais tão ligado em ter um carro em certos países porque ele tem um transporte público de qualidade e abrangente, e enquanto isso a F1 vive num mundo à parte, que nem o povo tomando champanhe enquanto o Titanic afundava.

  10. Pokemon é um nome de um Anime(Desenho) japonês dos anos 90. O desenho foi sucesso na época, bem menos sucesso que o aplicativo que virou febre este ano. No desenho, pertence ao mundo seres que se parecem com animais, eles tem poderes únicos e podem lutar entre si e evoluírem. Os Donos dos pokemons(parecidos com animais) são seus treinadores e conseguem capturar através de uma pokebola. Hehehe Sei que você disse que não tem interesse, mas espero ter tirado suas dúvidas sobre os pokemons. Detalhe, o APP criado agora fez muito mais sucesso, porém não chega nem perto do tão legal que foi o desenho. E os garotos dos anos 90 se divertiram muito com o APP. O aplicativo é modinha, já já todos esquecem o app, espero que os carros de corridas.. Super maquinas modernas que desinteressam a grande massa, voltem aos modos clássicos. Voltem motores a combustão, se duvidar até carburadores. mantenham os super níveis de segurança. Ou então o grande prêmio de mônaco, daqui uns dias, será menos classico que o festival de GoodWood. Este, onde se encontram as maquinas de verdade.. automobilismo puro, pilotos de verdade.. e o principal.. histórias mágicas e heroicas.

  11. Flavio Gonçalves Francisco disse:

    Não há disparidade nenhuma.
    Gosto dos dois, são coisas diferentes, completamente diferentes.
    Mas a realidade atual, é que a F1 está sem graça, por vários motivos. Apesar de assistir a quase todos os GPs, se fizer um clima razoável, vou preferir dar umas voltas de bike com meus filhos num parque ou pela orla de Santos à assistir ao GP de Cingapura que é chato pra cassete.

  12. Carlos A Torres disse:

    Pode ser a questão do que o carro representa para quem tem hoje 40 anos e o que representa para quem tem menos de 20 anos.
    Nos EUA e Europa, a maioria dos jovens com menos de 20 anos nao tem licença para dirigir e/ou nao tem interesse em ter um carro.
    Talvez para as novas gerações, o carro seja algo em extinção…por ser visto como um “vilão poluidor”, mais lento que outros meios de transporte público, dificuldade de estacionamento, custo de manutençao etc…

  13. moisesimoes disse:

    - Bom dia. Também não sei e não quero saber o que é linkedin, unbutu, flicker e tinder. Letra minúscula , mesmo. Tive que pesquisar pra escrever certo.

    Eu tentei e tento – sem muito esforço, é claro – entender e/ou gostar dessas porra toda, da mesma forma quando um primo meu criava um “bichinho virtual” chamado Tamagochi no final da década de 1990.
    Mas a minha vó também não entendia porque eu gostava tanto de videogame, filmes e desenhos animados (que eram tudo mentira pra ela) e torcer por um time que, segundo ela, nem sabia que eu existia hahaha.

    O que eu acho mesmo, é que no meio desse furacão de cultura pop muito regado a internet e telefones espertos, os conceitos de interatividade e relação têm se reinventado na óptica individual e na inter-relação entre a Antropologia, a Sociologia e principalmente, a Psicologia tão intensamente, tentando explicar o inexplicável, que chega-se ao ponto de dissecar modismos e compreender bobagens.

    As “monografias” dos seres humanos de hoje não deixa mentir;
    E Button mistura isso tudo com F1. Lembro de uma Professora minha de Sociologia e Ética que dizia ironicamente: “Numa hora dessas, só o marketing explica”.

  14. Samu disse:

    Flaveta, essa f-1 tá sem graça! A ideia de aproveitamento de energia é legal pacas mas quem assistiu v-12 como os ferrari, hondas, v 10 como o 3,5 renault sente uma saudade desgraçada desses! Fórmula 1 tá na fase de politicamente correto, tentam fazer que a disputa entre o hamilton e britney Rosberg lembrar década de 80 e 90? Tendência é a f-1 perder cada vez mais audiência! Tomara que as regras deixe mais nivelado mas sabemos que quem “manjar” o pulo del gato leva título vide brown 2009…Acho que tu já dissestes que a f-1 perdeu seu rumo à muito tempo e cada vez mais isso se mostra de fato!

    • Felipe disse:

      Caro Samu,

      você tocou num ponto chave… Saudade dos carros mais espartanos e bestiais no que se refre a potência, com seus motores brutais e sonoros. Seungo Button, o público está envelhecido, acima dos 30, o que ajuda a explicar a tua, nossa, saudade.

      O jovem daquela época é o “velho” de hoje, e aparentemente é ai que surge o problema; esse público tem saudades do que era aquela formula 1, que por sua vez, tentou adaptar-se a uma suposta modernidade… Quem aqui tem um carro com Kers e o diabo todo? Quem aqui quer saber de Pokemons?

      Enfim, a F1 atual já não satisfaz o público que a colocou no patarmar que hoje se encontra e muito menos foi inventiva suficiente para atrair esses jovens que ainda, me arrisco a dizer, estão perdendo também, o facínio (espero que as paroxítonas terminadas em ditongo crescente ainda sejam acentuadas) pelo automóvel. – me lembro que as 10 anos de idade, uma das maiores alegrias que tinha era pegar a Folha de São Paulo de meu pai, “Malufista” ele, diga-se de passagem, e ler as colunas do proprietário desse blog.

      Isso, no mínimo quer dizer algo, ainda que a preferência política de meu pai, tenha relevância nenhuma…. A não ser que alguém do Marketing consiga explicar.

      De fato, a F1 do presente não agrada seu público do passado e não parece estar conquistando uma geração que pouco se importa com automóveis… Já não são apaixonados por automóvel.

      O beco, ao que tudo indica, parece ser sem saída…

  15. Dilor disse:

    Olha Flavio, também faço esses questionamentos e acho o seguinte: percebo uma juventude urbana abaixo dos trinta anos que vê o carro apenas como um veículo de transporte. Não sei bem os motivos, mas a combinação internet e shopping permitiu que pessoas descobrissem e desenvolvessem afinidades que as reuniram em grupos (tribos) que para existirem tornam-se herméticos a outros interesses. Quem não se agrupou descobriu um novo mundo on line. Antigamente corridas de automóveis atraiam muita atenção porque eram um evento, assim como circo e parque de diversões, hoje é apenas mais uma opção lazer. Claro, ainda há uma juventude fissurada em carro, sempre houve só que hoje são menos expectadores, menos idólotras, tem seu próprios carros e os curtem das mais diversas forma. Acho que nos dias de hoje interação é o segredo. Os jovens entusiastas do automóvel interagem com suas máquinas nas mais diversas tribos (rebaixados, rat, track day, arrancada, corridas amadoras, etc.). Aqueles adolescentes citados por Button estavam interagindo com o jogo, talvez a resposta esteja aí. Para um adolescente, assistir uma corrida de formula 1 é tão chato e sem propósito quanto para nós assistir um adolescente caçar pokemons.

  16. pedro araujo disse:

    o Forastieri tem uma opinião interessante sobre essa coisa do pokemon go.

    como disse, não acho que o futuro vai ser tão legal como se comenta, (não tenho rede social, demorei muito pra comprar o primeiro celular, não tenho videogame em casa, etc etc etc) mas o caminho é pra esse lado mesmo.

    http://noticias.r7.com/blogs/andre-forastieri/

    um excerto:

    “As tecnologias de AR-VR, Realidade Aumentada e Realidade Virtual, e a infraestrutura que utilizam (Computação em Nuvem, a Inteligência Artificial, Geolocalização, Logística Avançada, Tecnologia Financeira) vão mudar completamente a maneira como trabalhamos, vivemos, compramos e vendemos. Pokémon Go é um belo início. E é só o início. Agora a revolução AR-VR está nos smartphones. Logo (ainda em 2016) estarão nos primeiros Óculos. Depois, algum dia, em implantes cerebrais… e depois sabe-se lá.”

  17. Lucas disse:

    Só pra eu ser chato, vai ai meu relato:

    Sou leitor assíduo do blog, leio quase todos os dias.

    Sou um amante declarado do esporte a motor, seja ele a F-E, Indy, Stock, mas principalmente a Fórmula 1, esporte que aprendi a amar assistindo as infindáveis vitórias de Michael Schumacher, meu maior ídolo esportivo.

    Aliás, tenho 23 anos. A princípio, sou muito mais novo do que a média de adoradores desse esporte.

    E não obstante, sou também um fã declarado de Pokémon, assim como outras franquias de jogos eletrônicos, sobretudo as de propriedade da Nintendo.

    Ou seja, apesar de que, numa análise inicial, indivíduos interessados em Pokémon possuam gostos divergentes daqueles que curtem Fórmula 1, esta afirmação não se reflete como totalmente verdadeira.

    Isso ocorre porque, ao fim, ambos são produtos com exatamente a mesma finalidade: entreter o público com algo que vá além de sua realidade, que o tire do contexto de seus problemas cotidianos. Contudo, para que isso seja efetivo, é preciso acima de tudo que este produto seja capaz de tocar o íntimo do público, e é exatamente neste ponto que a Fórmula 1 está perdendo para Pokémon.

    O fato do desinteresse crescente da Fórmula 1 vai muito além do esporte ter atingido um nível de desenvolvimento tecnológico que o torna quase que incompreensível em certos aspectos. A raiz do problema está no contexto em que as corridas são disputadas, apelando para circuitos em locais cada vez mais remotos, com pilotos apáticos e frustados por não serem capazes de correr no limite de suas capacidades pelo fato de ter que, o tempo todo, dosar o consumo de combustível, tratar bem os pneus, refrigerar o motor, os freios, enfim, outros elementos que são produtos deste regulamento complexo que está em vigor atualmente.

    Portanto, se tem algo que a Fórmula 1 pode aprender (ou reaprender) com Pokémon é algo muito simples, mas que para ser alcançado, precisará de um esforço considerável de todas as partes envolvidas, que é recuperar a sensação de paixão e de emoção de suas corridas. A mesma paixão que, hoje, Pokémon desperta em seus jogadores. O sentimento é essencialmente o mesmo.

    No fim, Pokémon e Fórmula 1 têm mais em comum do que se imagina.

    • Flavio Gomes disse:

      Sério, sem querer polemizar, mas apenas entender: qual é exatamente a paixão que um Pokémon desperta?

      • William disse:

        Flávio, com 30 anos tenho diversos amigos que gostam do Pokemon e o interesse é muito fácil de se entender. É um fenômeno cultural com uma forte estrutura econômica.
        Star Wars, Marvel, DC, Pokemons e diversos outros animes se tornaram produtos altamente atrativos, produtos com os quais as pessoas criam conexões emocionais de fato.
        Todas essas empresas constroem suas marcas cuidadosamente, aliando publicidade massiva e ferramentas tecnológicas modernas. A F1 é antiquada demais perto desse novo modelo de negócios.
        Como mercadoria o automobilismo foi forjado em um modelo de capitalismo ligado a industrialização, essas empresas representam essa nova fase capitalista onde o que prevalece a tecnologia da informação.

      • Guilherme Jales disse:

        Algumas crianças cresceram vendo a Fórmula 1 e acompanham até hoje. Outras cresceram vendo Pokémon na TV, jogando no videogame, e continuam acompanhando. E outras, como eu e o amigo aí em cima, curtem velocidade E Pokémon.

        Sobre o que desperta essa “paixão” por personagens de videogame, bem, não há nada de diferente de quem gosta de Star Wars, de super-herois de quadrinhos, ou qualquer coisa do gênero. Quanto ao que foi observado pelo JB em Cingapura, a capacidade de se obter melhores resultados no jogo está diretamente relacionada a jogar em locais com maior fluxo de pessoas ou na proximidade de pontos turísticos – são nesses pontos em que é mais fácil capturar Pokémons, o objetivo principal do jogo. Para isso também é necessário acumular quilometragem andando (não, não vale ir de carro a mais que 30 km/h) com o app aberto.

        Conheço gente que dedica parte do seu dia a procurar o melhor ângulo para uma selfie que renda a maior quantidade possível de likes. O excessivo culto ao ego me parece mais prejudicial do que, por exemplo, tirar 2h do seu fim de semana pra caminhar na praia com amigos ocasionalmente olhando para o celular, sem deixar de aproveitar a paisagem e curtindo uma boa companhia – ou usar o mesmo tempo acompanhando uma corrida, mesmo que não seja in loco.

        Acredito que essa discussão deva se direcionar diretamente para o que atrai alguém à Fórmula 1. A sensação que tenho é que há dois fatores fundamentais pra essa “fuga” do público. Uma, o carro deixando de ser um sonho de consumo pra muita gente: meu pai e eu começamos a dirigir ao mesmo tempo, no primeiro carro da família, dois anos atrás, mas tenho consciência de que o que era um “sonho” pra nós já era realidade pra nossos pares há bem mais tempo. Não há mais vínculo emocional com o automóvel; pessoalmente, conto nos dedos os carros pós anos 2000 que me despertam qualquer sensação de simpatia ou carinho. Outro ponto é que simplesmente hoje há mais opções para passar o tempo do que as corridas. Antigamente a TV aberta, o rádio e o jornal eram nossa janela pro mundo, não existiam centenas de seriados e filmes ao alcance da mão, videogame era um artigo de luxo (ou no máximo, o que dava pra se fazer era ir no fliperama).

        Enfim. Me estendi demais, mas meu ponto é: não há o que se fazer pra se ter uma Fórmula 1 mais atraente pros jovens especificamente. Entreguem um bom produto: uma certa medida de equilíbrio entre os carros, personagens que sejam interessantes no volante, em suma, boas corridas. Nenhum evento anual esportivo que já tenha mais de 60 anos consegue manter um nível de atração absurdo internacional – a Fórmula 1 ainda é a maior do seu gênero.

      • Lucas disse:

        Olha, não sou formado em psicologia nem nada, mas tentarei elaborar uma explicação baseada exclusivamente na minha experiência pessoal, e espero que esta seja, ao menos, minimamente compreensível.

        Para se entender qual a paixão que Pokémon desperta, é preciso ter em mente que esta se subdivide em dois fatores principais.

        O primeiro deles diz respeito a experiência que se tem jogando os primeiros jogos da franquia, lançados para os portáteis da Nintendo. Neles, o jogador basicamente deve explorar o mundo do jogo, onde encontrará diversos pokémons com diferentes poderes e designs, que despertam sentimentos de empatia entre o jogador e o pokémon, ainda sendo este produto de animação computadorizada. Além disto, existe todo o processo de evolução do jogador a medida que avança no jogo, tornado-o orgulhoso por aquilo que conquistou e foi capaz de melhorar sozinho, tornando-se o verdadeiro herói da estória.

        Estas duas características são capazes de catalizar a paixão pelo jogo PRINCIPALMENTE em crianças, pelo fato de que é na idade infantil em que se tem a mente mais aberta para a absorção duma realidade virtual e inexistente, além do fato de que, nesta idade, são raras as oportunidades em que uma criança pode se orgulhar de algo que ela foi capaz de conquistar por conta própria, sem o intermédio de seus pais, o que lhe gera um sentimento de orgulho e realização pouco comuns nesta idade.

        Neste momento, pode-se imaginar o seguinte: OK, consegui entender que este tipo de entretenimento pode realmente ter um impacto significativo nas crianças, mas o que dizer dos adolescentes e adultos que se dedicam a este jogo? Neste ponto, é preciso analisar o segundo fator.

        O segundo fator consiste apenas e tão somente no sentimento de nostalgia que o jogo é capaz de proporcionar nos jogadores mais velhos. E quando eu digo nostalgia, não faço menção apenas ao fato de se rememorar uma evento passado, mas uma lembrança associada a um sentimento de alegria característico da infância e que dificilmente será igualada por qualquer outra experiência na vida adulta, momento em que nossas mentes já se encontram razoavelmente calejadas pela dura realidade desta vida terrena.

        No caso específico do Pokémon GO, jogo ao qual Jenson Button fez referência, a sua temática consiste em transportar o ambiente de jogo, que antes era concentrado no mundo virtual, para o mundo real (com o auxílio do GPS do celular), mantendo todos os elementos de exploração originais dos jogos de portáteis, atraindo assim tanto as crianças (pelo sentimento de conquista) quanto os adultos (pela nostalgia) diante desta nova perspectiva posta no contexto do jogo.

        Evidentemente, é absolutamente compreensível que quem não foi criança na época do lançamento dos primeiros jogos desta franquia considere esta febre global por pokémons um prelúdio do fim dos tempos, o cúmulo da alienação, ou outros adjetivos pouco louváveis. O que ocorre, na realidade, é que esta mania se trata apenas de indivíduos vivendo ou revivendo uma experiência que lhes dá alegria, independentemente na natureza deste entretenimento.

        Agora, uma questão que ainda permanece é: o que isso tudo tem haver com a Fórmula 1?

        A resposta é simples: a paixão por algo, na mente de um jovem, é construída a partir de heróis. No caso de Pokémon, você é o herói. No caso da Fórmula 1, há a construção de um herói.

        Eu acompanhou a Fórmula 1 assiduamente desde 2000, quando eu tinha 7 anos de idade. E, quando eu falo assiduamente, incluo o fato de colocar todos os relógios da casa para despertarem no meu quarto para garantir que eu não ia perder as corridas de madrugada. Doce lembrança.

        Entretanto, se alguém me perguntasse, naquela época, o motivo de eu me dedicar a este ponto para assistir uma corrida, eu responderia sem pestanejar: Para ver Michael Schumacher.

        Schumacher foi o meu maior ídolo de infância, a minha maior referência, em termos esportivos, conforme já afirmei. E foi graças a ele que eu adquiri gosto em entender, em detalhes técnicos, características que envolvem uma corrida de Fórmula 1. Por exemplo, em 2003, com já 10 anos de idade, eu compreendia perfeitamente que os pneus Michelin possuíam um desempenho melhor do que os Brigdestone, em corridas com muito calor. De outro lado, os pneus de chuva da Brigdestone eram superiores aos da Michelin, dentre outros fatores.

        Aliás, que saudades da guerra dos pneus do início dos anos 2000… Era uma atração a parte!

        Hoje em dia, não acompanho mais a Fórmula 1 devido a uma personalidade, mas por paixão ao esporte e por entender consideravelmente bem os aspectos técnicos que envolvem uma corrida ao ponto de, não raras vezes, corrigir do meu sofá certas interpretações errôneas do andamento da corrida proferidas pelos comentaristas de televisão. Contudo, esta paixão só se tornou possível porque um ídolo me atraiu para ela.

        Enfim, o que eu gostaria de deixar de mensagem neste depoimento é que, se Button afirma que a Fórmula 1 precisa aprender com Pokémon a atrair jovens, o respondo afirmando que a Fórmula 1 precisa é reaprender a construir heróis, porque é a partir deles que é possível estruturar um público fiel de adeptos do esporte. Para tanto, existem diversos fatores técnicos e de regulamento que eu julgo que demandam uma reanálise urgente, mas isto é assunto para uma outra discussão.

        No mais, peço desculpas se fui inconveniente ou desrespeitoso em algum momento. É que apenas me sinto naturalmente incomodado quando alguém desdenha de algo que gosto muito, apesar de eu julgar completamente compreensível. Acontece que me incomoda quando falam que Pokémon é apenas um bando de alienados correndo atrás de bichinhos que não existem, isso porque eu sei que é algo que vai muito além disso. Eu sei Flávio que você salientou, de maneira muito correta, não ter nada contra quem gosta ou entende do assunto, mas não identifico igual polidez em alguns comentários, por isso esta nota.

        Da mesma forma, me incomoda quando alguém me pergunta o motivo de eu acordar cedo no domingo para assistir um monte de carro andando em círculos, porque eu sei que a Fórmula 1 também vai muito além disso.

      • Bruno disse:

        Flávio, Pokemón nada mais é que uma rinha de galo virtual. Você tem uns bichos e põe eles para brigar. Simples.

      • JP disse:

        Gente que escreve demais é um porre! Sintetizem suas ideias, moçada!

  18. alexandre garcia disse:

    Penso igual, e vejo um agravante, as pessoas passam a viver isso como real. Mas ao mesmo tempo me alegro muito. Cada vez mais, nós que amamos carros temos mais opções, mais carros, mais coisas automotivas legais que sobram por aí por falta de interesse da massa nisso. Que bom que existe pokemon.

  19. MasterTimAX disse:

    Grande Flávio Gomes, Pokemon não tem plural!!!

  20. Luciano disse:

    Poket + Monster = Pokémon. Portando não é nome próprio se refere a uma coletividade de personagens virtuais. .

  21. Allan disse:

    É apenas uma modinha, pois é o 1º jogo de celular com a tal da realidade aumentada. Depois que terminar a novidade as pessoas irão atrás de alguma outro aplicativo “modinha”. E convenhamos, se a F1 anda chata e insossa até pra nós fãs, imagina para aqueles que não acompanham tanto

  22. Celio ferreira disse:

    Os carros de corrida do futuro serão eletricos , e 50% , guiado pelo piloto,
    e 50% , pelos controladores remotos em um computador.
    Será que veremos corridas tipo MACH 5…….

  23. Orlando Caetano Filho disse:

    Acho que é uma questão de marketing. Investimento dos envolvidos. Antigamente, todo menino brincava de carrinhos, depois sonhava com um autorama (que continua caro) e com carrinhos controle-remoto controlerremoto controle remoto (maldito hífen). Hoje existem carrinhos controlados pelo smartfone, o que é legal, mas ninguém sabe que existe ou onde compra. Autoramas são raros de se ver nas lojas brasileiras (na europa os SCX, Scalectrix, Carrera e outros 1:43 parece que se mantém vendáveis). O mesmo com bicicletas, que significavam aventura, uma pré-moto premoto pré moto (agora fudeu! e os acentos, continuam?), e hoje são só uma opção saudável e ecologicamente correta. Se as fábricas de veículos se envolvessem e patrocinassem os fabricantes, como a Fiat fez com o autorama (lembra do Fiat Rally, que acendia os faróis farois?); se a própria F1 e as equipes cobrassem menos para se fazerem as réplicas, barateando os brinquedos, se houvesse PROPAGANDA de autoramas, carrinhos controle-remoto e bicicletas, os pais comprariam para as crianças. Se as fábricas de brinquedos, de bicicletas, automóveis e motos, não trabalharem em conjunto, TODAS vão acabar. Só existirão fábricas de celulares – maiores ou menores – e veículos ecologicamente corretos, autônomos, chamados pelo celular, dispensando a compra do veículo pelo usuário final. E com isso irá também ao fim o esporte a motor…

    • pedro araujo disse:

      bem colocado.

      mas eu acho que nos grandes centros a tendência é essa mesmo: brinquedos “reais” serão cada vez mais sobrepujados pelos virtuais.

      até pelo menor uso dos espaços públicos, antes era qualquer dia o moleque ia pra rua ou pro parque, e podia ir sozinho, hoje é só no fim de semana quando os pais tem condições ou interesse em levar a criança.

      eu estou conseguindo postergar o contato do meu moleque de 4 anos com videogame, e daqui a algum tempo vou montar o meu antigo autorama pra ele, sendo que bicicleta, patinete, playmobil, carrinho de ferro, essas coisas, já fazem parte da rotina dele.

      mas em algum momento ele vai naturalmente se ligar nessas coisas virtuais, e vai ser importante, porque o futuro é pra esse lado mesmo.

      não acho que venha a ser um futuro melhor, mas o que eu acho não vai fazer a menor diferença.

    • Léo Simas disse:

      Não há como a criançada gostar de autorama quando elas podem dirigir uma Ferrari em um tablet. Ao meu ver, a nova geração não quer mais ser um telespectador passivo de um evento, eles querem fazer parte do evento. E isso o Pokémon faz com maestria. Enquanto antes, eles apenas poderiam ver as aventuras de um mestre Pokémon pela TV, agora eles podem ser mestre Pokémon de verdade através da realidade aumentada. E esse é o grande desafio para a F1 se tornar relevante de novo: encontrar alguma forma de não ter telespectadores, mas participantes.

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