Lennon e nós

L

Onde você estava quando John Lennon morreu? Bem, boa parte dos que me lêem nem era nascida. Talvez não tenha a dimensão real de quem foi John, menos ainda na era musical em que vivemos, repleta de lixo de todas as espécies.

Desliguei-me de música há algum tempo. Para mim, música parou de ser feita nos anos 80. O que veio depois é puro lixo. No Brasil, então… Semana passada teve apresentação de fim de ano na escola dos meus filhos. Escolheram três músicas. Duas de Ivete Sangalo.

Vão mudar de escola.

Voltando a Lennon. Eu tinha 16 anos quando ele foi morto em NY. Logo depois, ou pouco antes, saiu “Double Fantasy”, um LP antológico. LP = Long Play. Será mesmo que é preciso explicar o que era um disco?

A “Veja”, uma revista desprezível (hoje, pelo menos; acho que sempre foi, enfim…), colocou John na capa com o título que está lá em cima: Lennon e nós.

Não chega a ser um primor de capa, ao contrário. Mas guardei em algum baú e vez por outra me pego repetindo esse título, como se fosse um mantra. O que Lennon tem a ver conosco?

Comigo, muito. Mas é inútil explicar demais.

Segue uma letra, das que mais gosto, uma que neste último quarto de século cantarolei muito, pensando sozinho, vendo a grande roda girar.

Watching The Wheels

People say I’m crazy doing what I’m doing
Well they give me all kinds of warnings to save me from ruin
When I say that I’m o.k. well they look at me kind of strange
Surely you’re not happy now you no longer play the game

People say I’m lazy dreaming my life away
Well they give me all kinds of advice designed to enlighten me
When I tell them that I’m doing fine watching shadows on the wall
Don’t you miss the big time boy you’re no longer on the ball

I’m just sitting here watching the wheels go round and round
I really love to watch them roll
No longer riding on the merry-go-round
I just had to let it go

Ah, people asking questions lost in confusion
Well I tell them there’s no problem, only solutions
Well they shake their heads and they look at me as if I’ve lost my mind
I tell them there’s no hurry
I’m just sitting here doing time

I’m just sitting here watching the wheels go round and round
I really love to watch them roll
No longer riding on the merry-go-round
I just had to let it go
I just had to let it go
I just had to let it go

Sobre o Autor

22 Comentários

  • Flávio Gomes,

    Eu nasci ao som dos Beatles.
    Tenho um tio paterno que é fanático pelos Fab Four de Liverpool.
    John Lennon, gênio e revolucionário.
    Paul McCartney, o romântico.
    George Harrison, o Beatle caladão, deus da guitarra e fanático por F-1.
    Ringo Starr, o mais alegre dos Beatles.
    As músicas que eles gravaram são consideradas obras-primas. Até mesmo as músicas da fase solo dos quatro eram boas.
    “All those years ago…” (de uma música gravada por George Harrison em 81)

  • Flavio, na verdade o título da Veja de dezembro de 1980 foi: “Lennon e o nosso tempo”.
    Ele era realmente um grande cara e marcou muito a vida de qualquer um que tenha miolos. Eu tenho a sua idade,42, e apresentei Beatles para minhas duas filhas. Tem 14 e 11 anos cada uma. Elas adoram.
    Quem não gosta de Beatles não pode ser uma pessoa legal.

    Um abraço.

    Jorge.

  • A questão é que não há como comparar a música dos Beatles com o que se faz hoje em dia. E não estou falando de “qualidade musical”, porque isso é prá lá de subjetivo.
    Acontece que os Beatles (e Bob Dylan também) inauguraram um outro tipo de relacionamento com seus fãs, que passaram a buscar naquelas músicas explicações e opiniões sobre o mundo que vivemos. Isso sem contar na revolução musical propriamente dita: o primeiro grupo pop a gravar um tema somente com instrumentos de corda; o primeiro grupo pop a utilizar cítara indiana e harmonias hindus; o primeiro grupo pop a fazer sucesso com um álbum conceitual; o primeiro grupo pop a gravar no mesmo disco rock pesado, música country, balada romântica, canção de ninar, surf music, música jamaicana, colagem eletrônica, etc … e tudo isso com MUITO sucesso (sabe lá o que é ter a 1ª, a 2ª, a 3ª, a 4ª e a 5ª músicas mais tocada nos EUA NA MESMA SEMANA ? E na mesma semana em que os “LPs” estão na 1ª e na 2ª posição ?). Não foram só os artistas que mudaram. Os fãs também são completamente diferentes. Por isso os apreciadores da música dos anos 60 são tão diferentes: eles encaram a música de maneira diversa ! Para eles o lançamento de um disco dos Beatles era como ler um livro importante ! Hoje não é mais assim. Os tempos mudaram.
    Essa é a razão de não existir metade do frenesi que a notícia de um novo disco dos BEATLES causava …
    Mas também acho que ainda existe muita coisa boa por aí … mas Ivete Sangalo ?! …. rs …..

    Abraços a todos,

    Luiz Fernando

  • Bem, já que a idéia é mudar as crianças de escola, aproveitem para embarcá-las no próximo vôo a Marte; de repente, LÁ, nao se ouve nem Ivete, nem Chiclete, nem Netinho, nem Tati-Quebra-Barraco (assim que se escreve?). Aproveitem para dar um alô a Papai Noel, por mim.

    Falando sério: odeio escutar os artistas aí mencionados, mas desejar mudá-los (os filhos, nao os artistas) de escola (mesmo que apenas metaforicamente) reflete um enorme grau de isolacionismo (e até um pouco de preconceito), pois grande parte das pessoas escuta esses artistas (a culpa de existirem, pois, nao é deles). É como se vocês estivessem dizendo: vejam estes mierdas escutando Ivete, sao uns pobres de espírito, enquanto nós, seres superiores, escutamos Beatles. Talvez nem seja essa a intençao de quem pensa assim, mas tenho certeza que muita gente concordaria comigo.

    Um abraço.

  • Resolvi responder esse post porque no momento que lia a coluna “Lennon e nós” estava terminando de tocar a citada música: “Watching The Wheels” no rádio. Fiquei impressionado. Então vai:

    Tinha 8 anos quando Lennos nos deixou. Apesar da idade tinha noção do que era os Beatles porque meus tios curtiam muito. No dia da morte lembro-me da cena do meu tio, um grande fã de Lennon, descer pela escada da casa da minha avó, todo desesperado, chorando e gritando, “John Lennon morreu!” Isso ná época não significou muito pra mim, ficou mais marcado pelo desespero do meu tio.

    Com o tempo fui entendendo mais o grupo e seus integrantes e hoje sou grande fã da banda e principalmente de George Harrison.

    Tire seus filhos daquela escola e, quando vier em BH, ouça a Gerais FM, a rádio que tocava a música enquanto lia blog.

  • Adoro Beatles e afigura do Lennon, mas muita coisa boa surgiu depois deles. Sem querer ofender, acho que vc parou no tempo, Flávio. Nao gosta de nada dos 80s em diante, fica lutando por uma caixa de sapato com rodas como a Kombi, sei lá, começo a achar que vc vive em museu…

    Abçs

  • Eu tinha 10 anos e com essa idade nem tinha noção exata do que isso representava. Só lembro que a minha prima, que estava com 18 e por quem eu nutria uma tara pré-adolescente, disse que isso era de fato o fim dos Beatles. Mais tarde vim a conhecer a obra da banda e de John Lennon, Paul e Harrison. Fantástico…

    Quanto a Veja não há muito o que se esperar de uma revista que tem como colunista um tal Diogo Mainardi, ou talvez Minard…

  • Mais um sintoma da síndrome dos quarentões não ??
    Para mim a música parou alguns anos mais tarde, início dos anos 90.
    Respeito muito o trabalhos dos Beatles, mas nunca curti a honda Hippye, sempre achei mais saudável abraçar a realidade e trabalhar do que tecer ilusões sobre como o Mundo poderia ser mais justo. Mas Lennon deixou um legado muito bonito, nada comparado com a aposentadoria de um “Eminem” por exemplo.

  • A importância de um músico como Lennon é impossível de se perceber hoje em dia simplesmente porque a MÚSICA não é mais tão importante assim.
    Naquela época as pessoas (milhões delas pelo mundo) esperavam para ouvir o que Lennon (e os Beatles – na década de 60) tinham a dizer a cada ano. Voces conseguem imaginar isso hoje em dia ?
    E ele(s) dizia(m): “Hapiness is a Warm Gun”; “A Day in the Life”; “I am the Walrus”; “Strawberry Fields”; God”; “Imagine”; e “Watching the Wheels” !
    Nem tenho como dizer a importância desse cara na minha vida … querem um conselho ? Saiam agora deste site e comprem pela Internet pelo menos o SGT. PEPPERS (Beatles) e o PLASTIC ONO BAND (Lennon). É o mínimo que voces podem fazer …
    E concordo com voce, Flávio, Ivete Sangalo e VEJA são muito ruins !

    Abraços a todos,

    Luiz Fernando

  • Boa, Flavinho !!!
    Eu tinha 18 e lamentei demais a morte de meu mais ilustre “professor de inglês”. Aliás, Watching The Wheels foi uma das melhores lições que tive… Letra e melodia indefiníveis.
    Também parei no final dos 80, tenho pena dessa molecada que só escuta pagode, sertanejo e funk, e ainda acha que isso é música. Eu fico com meus cassetes e bolachas, aliás ainda tenho uma pick-up (vitrola???) Garrard, que trato como vc trata os seus DKW’s.
    Acho que estou ficando velho, mesmo…

  • Feio, feio, feio, Flávio. A música não parou de ser feita nos 80. Teve os Black Crowes, um cara vintageiro como o amigo vai ter de menear esse cabeção aí e concordar, que essa turma valeu os 90.
    Abraço
    Tuta

  • Eu só tinha 2 meses e 28 dias de vida quando John Lennon se foi. Mas pude viver em um mundo repleto de Beatles e John Lennon, por herança paterna. É uma pena que o mundo tenha perdido este homem tão especial!!!Muito legal a sua lembrança Flávio!!!E mais uma vez, parabéns pelo blog. Visito todos os dias!!!
    Abraços

  • Pois é, Go-Go-Man, eu também tinha 16 anos, estava tentando o vestibular de Engenharia Civil na PUC de POA, quando veio a notícia. Eu não tinha tanto contato com os beatles e Lennon, morei muito tempo no interiôrrrr, ainda moro, no MEU interior. hahahahahahah
    Mas não sou saudosista de imaginar os Beatles re-unidos, pois até a lenda reza que eles existiram apenas para gerar aquilo que o Bernie gosta… la plata. O próprio John já tinha enchido o saco inglês dele.
    Conhece o Elliott Smith? Um cara contemporâneo, já morreu-se, mas cuja obra me lembra muito o Lennon.

    Tuta

  • John Lennon faz muita falta. Tenho apenas 26 anos, e tinha só 1 quando Lennon morreu. Não senti o impacto de sua morte, o que pode até ser um alívio, mas sinto a falta da mesma forma, e fico feliz em encontrar aqui, em um Blog de veículos e automobilismo, uma mensagem cheia de sinceridade e sensibilidade com relação a uma dos mais importantes artistas que o mundo já conheceu. Parabéns Flávio. A cada dia minha admiração pelo seu trabalho aumenta mais. Assisto limite todas as terças, e acesso o Grande Prêmio de 4 a 5 vezes por dia, e agora o Blog. Parabéns e muito sucesso.

    Ahh, concordo com a sua opinião a respeito da revista Veja.

Por

Perfil


Flavio Gomes é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.” Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo”, revistas “Placar”, "Quatro Rodas Clássicos" e “ESPN”, rádios Cultura, USP, Jovem Pan, Bandeirantes, Eldorado-ESPN e Estadão ESPN — as duas últimas entre 2007 e 2012, quando a emissora foi extinta. Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil. Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o "Grande Prêmio" passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o "Esporte de Primeira" na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Em 2005, publicou “O Boto do Reno” pela editora LetraDelta. No final do mesmo ano, colocou este blog no ar. Desde 1992, escreve o anuário "AutoMotor Esporte", editado pelo global Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, "Dois cigarros", pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas "Gerd, der Trabi" (Gulliver, 2019). É torcedor da Portuguesa, daqueles de arquibancada, e quando fala de carros começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs e Volkswagens de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. É com eles que roda pelas ruas de São Paulo e do Rio, para onde se mudou em junho de 2017. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020.
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