S DA SALVELINA (17)

SÃO PAULO(coisa doida) – Cheguei aqui hoje mais rápido do que em dia de corrida da Classic Cup. No caminho, o primeiro sinal de que tinha um GP de F-1 em Interlagos fui ver num posto de gasolina a menos de 1 km do autódromo. Era um carro de Stock estacionado ao lado de um caminhão de uma marca de energético. Ontem, ao deixar o circuito, ninguém se preparava para ficar na fila do Setor A. Filas que, alguns anos atrás, na manhã do domingo, chegavam até a ponte do Jurubatuba. Hoje, é chegar e entrar.

É disso que fala o “Bom Dia” de hoje. Voltarei ao tema.

Comentários

  • Estive em Interlagos este ano pela primeira vez. Fiquei no setor G, cheguei às 7:20 e praticamente não tinha fila mais, quem tinha ficado na fila já tinha entrado. Mas tinha gente acampada na fila já no sábado à tarde, logo após a qualificação. De toda maneira, na hora da corrida, a arquibancada do setor G parecia estar sim totalmente tomada. Não estava botando gente pelo ladrão não, mas também não se via muitos “claros” também.

    Uma coisa que achei muito negativa, e que eu não tinha ideia sobre como era, é essa mania de quem chega mais cedo de praticamente se “apossar” das partes nobres da arquibancada (da placa dos 50 m pra lá). OK, uma coisa é chegar cedo e guardar o seu espaço, reservar lugar pro cara que foi no banheiro ou dar uma volta. Mas o que se vê são pessoas sendo hostilizadas apenas por procurarem um lugar pra sentar, aos gritos de “desce filho da puta!”, só porque não pertencem àquele nicho, só porque não são “da turma que acorda cedo”. E tudo isso sob total omissão dos organizadores, sem nenhuma presença de seguranças ou coisa parecida. Quem vai sempre ao setor G já está acostumado, sabe como as coisas são e já vai preparado. Mas para quem chega pela primeira vez, não é uma experiência agradável. Tenho certeza que muitos não vão voltar. Também é pequena a presença de mulheres, pois as que vão têm que aguentar as gracinhas dos “machinhos” que parecem nunca ter visto uma mulher na vida.

    Esses que gritavam “desce filho da puta” para quem chegava foram os mesmos que puxaram um “ei, Dilma, VTNC” antes da corrida começar. Não me surpreendi.

    De toda forma, vale a experiência!

  • Flavio, vou no GP Brasil há 20 anos, desde 1994. Também nunca vi nada igual. Fico alternando entre os setores G e A. Esse ano fui de A.
    Retirei o ingresso sem filas. Era tradição tomar a primeira cerveja logo cedo andando do portão 7 até o A, para ver o pessoal, garotas de trajes pequenos entregando panfletos, bater papo e fazer previsões da corrida com qualquer um que encontrasse. Nada. Clima de fim de festa já no sábado de manhã. No setor A, sem fila pra cerveja, sem fila pro banheiro (químicos, os mesmos de 20 anos atrás). Tem que ser repensado mesmo, tanto a F1 quanto a estrutura pra torcida. Não é barato, 700 dilmas, pra estrutura que eles oferecem.

    • Eric, fila para a cerveja não tinha mesmo, mas para comprar os sandubas tinha e era grande. Isso porque as fichas dos hots, burgers e similares eram vendidas em apenas um, isso, um miserável quiosque. Os demais eram para vender fichas de espetinhos (bagatela de 9 cruzeiros), salgadinhos e bebidas (Xixicariol a 7 cruzeiros!).
      Quanto aos banheiros, achei que esse ano estavam mais limpos. Tinha uma equipe grande que fazia a limpeza da bagaça.
      Abraço!

    • Lembro que no primeiro ano que fui no G em 2006 fui às 11 da noite pra fila, e peguei lugar na arquibancada entre a placa dos 150 e 200 metros. Esse ano fui no A, e quando olhava para o setor G, até na placa dos 100 metros estava praticamente vazia, isso às 9 da manhã de domingo. Absurdo! O pessoal que dorme na fila é apenas a galera da torcida, os que ainda mantém a tradição das barracas, churrasco, etc. Triste demais.

  • Desde 2005 vou a Interlagos e, realmente, esse ano foi o mais vazio. Pelo menos fora do autódromo. Para se ter idéia, nos anos anteriores havia uma infinidade de placas indicado os bolsões onde os ônibus deveriam estacionar. Esse ano o motorista se bateu um pouco porque tinha só uma faixa lá embaixo na Avenida Atlântica.
    Depois de encontrar o bolsão, o espanto foi ver como tinha poucos ônibus estacionados. Conseguimos deixar nosso latão a umas quatro quadras da Praça Enzo Ferrari.
    E, no Centro da cidade, nem parecia que teria GP. Ficamos no Hotel Marabá e o nosso era o único grupo de pessoas (25) que estava hospedado que iria para a F-1. Isso contando o outro hotel do grupo, o Excelsior. Em anos anteriores, cada hotel recebia, ao menos, uns dois grupos.
    O mesmo se via em restaurantes e nos pontos turísticos de SP: quase ninguém com cara-de-turista-que-foi-ver-a-corrida.
    Uma pena.

  • Por motivos pessoais não pude assistir à corrida, e não fiquei nada chateado. Anos atrás isso seria inimaginável para mim. Aliás, este ano tenho assistido à várias corridas na reprise, sempre que acho que preciso dormir um pouco mais nas manhãs de domingo. O motivo para mim é que as disputas estão cada vez mais “fakes”, com resultados sendo decididos por botões de ultrapassagem e desgaste de pneus propositalmente criados, aliado ao fato que qualquer ato de maior ousadia do piloto é punido com uma passagem pelos boxes. A cada dia que passa a F1 está mais parecida com um autorama.

  • Flavio, estou fazendo o possível para acompanhar todos os “Bom dia GP”.
    A maior dificuldade que estou tendo é o fato de os videos não rodarem no celular. Não é sempre que tenho um computador em mãos para poder abrir…
    O UOL poderia ver isso ai, ajudaria bastante. Ou então colocar os videos no Youtube…

  • Pois é, mudaram o nome de falta de grana para indiferença, ou será que resolveram protestar contra o resultado das eleições não indo ao GP?
    Ao menos aqui pelo interior de SP, a situação está péssima, desemprego em alta (apesar do “pleno emprego” alardeado por aí…), entre outras coisas. Sem condições, não há entusiasmo que resista. Não é só a F1 que precisa se reinventar, certas atitudes por aqui também.

  • A equação é simples:
    Sem emoção, porque sabe´se qual ou quais carros chegarão na frente, uma semana na frente (as Mercedes…), o festival de asneiras que ouvimos da transmissão oficial, e o preço de 6oo a 700 conto em média para sentar na arquibancada (setor A…), a mesmíssima que eu paguei 48 conto pelo ingresso antecipado do WEC na internet e que será próximo dia 30. Ou seja, a F1 de hoje cobra muito para não oferecer nada em troca. É isso!!!

  • Olá Flávio, acompanho seu blog diariamente, acho fantástico suas idéias e paixões, e o Bom dia GP está maravilhoso, parabéns pelo seu trabalho, agradeço por oferecer conteúdo de qualidade em meio a tanta porcaria que existe na web e na televisão.

    Sucesso e continue assim.

  • Ingressos caríssimos num país com falta de liquidez, infraestrutura precária e pouco caso com o público conseguiu esvaziar as arquibancadas.
    O Berne não acordou, mas como já acontece no futebol, se não for tomada uma atitude, sobrarão somente os telespectadores.

  • A fórmula 1 engessou demais…. é muita regra, punição por isso, por aquilo. O Flavio fez o diagnóstico perfeito, mas o que fazer ?

    Pra mim liberar os motores. Quem quiser correr de turbo, beleza. Quem quiser de aspirado, beleza. E esquecer essa coisa de KERS, ERS pq isso já está em uso nos carros de rua (a TESLA tem carros perfeitos) pq já existe a F-E pra isso…

    Agora o baixo público no Brasil é por um motivo só: brasileiro nao gosta de esporte e sim de ganhar. Se nao existe a chance, prefere fazer um churrasco.

  • Any money into the people pockets,oferece pouco e custa muito.pra quem gosta de automobilismo a classic cup e mais interessante,os pegas sao mais emocionantes e esta dentro da nossa realidade.pode colocar 3 brazucas pilotando que a graça nunca sera como antes

  • Penso que, além de uma queda de interesse geral sobre o automobilismo, ainda há o fato de que as transmissões das corridas pela TV subiram muito de nível nas últimas décadas (alta definição, câmeras pra todo lado, som estéreo, etc.); desta forma, até o torcedor que continua interessado (e candidato a assistir corrida em autódromo), acaba optando pelo conforto do lar.

  • É isso aí… No rain, no pain! E aqui no setor M, tem uma dúzia de brazukas e maio monte de gringos (tem até um indiano, que vinha por causa do Karthekien – não lembro a grafia do ex-piloto). Conversamos um pouco e ele achou o Salão do Automóvel o “point” que mudava um pouco a agitação de Sampa. Vamos lá, aguardar a largada… Porque acho que a corrida vai ter alguma emoção! Intuição. Sei lá…

  • É isso aí… No rain, no pain! E aqui no setor M, tem uma dúzia de brazukas e maio monte de gringos (tem até um indiano, que vinha por causa do Karthekien – não lembro a grafia do ex-piloto). Conversamos um pouco e ele achou o Salão do Automóvel o “point” que mudava um pouco a agitação de Sampa. Vamos lá, aguardar a largada… Porque acho que a corrida vai ter alguma emoção! Intuição. Sei lá…

  • Fui em 6 GPs, entre 1997 e 2005, todas vezes no setor A. passava as madrugadas na fila. Na última, cheguei às 00:30hrs. Não tenho ido por dificuldades financeiras, mas entendo que essa não seja a razão da falta de interesse do público. As pessoas gostam de brasileiros vencendo, além do atual clima do país, em que tudo parece meio desinteressante. As pessoas perderam o interesse em tudo. Espero voltar em 2015!

  • Comentava isso com amigos recentemente, eu apostava que a F1 veria seu menor público em Interlagos desde a volta do GP Brasil em Interlagos no ano de 1990.

    É um “mix” de problemas associados uns aos outros. Há anos me queixo disso e tem gente que fala mal, que é exagero ou que quem reclama é “pobre”, mas você cobrar ingressos do naipe de R$ 500,00 pra ficar no Setor A que é descoberto sentado num chão de concreto absolutamente nada confortável e pra assistir uma F1 silenciosa, com apenas 18 carros e com brasileiro tomando pau do Bottas?

    Eu prefiro gastar o ingresso mais caro do FIA WEC e passar um fim de semana curtindo o máximo que o Automobilismo pode me oferecer como fã do que me sujeitar a ver uma categoria como a F1. Cobrar os ingressos que se cobra na F1 monótona de hoje é uma verdadeira insanidade.

    Se a F1 de hoje fosse como aquela dos tempos áureos, chamasse tanta atenção como na época de Senna, Mansell, Piquet, Prost com várias equipes, todo mundo tinha uma torcida organizada de um piloto – aí sim, era a F1 que se justificava cobrar caro pra ver, era um espetáculo de gladiadores.

    A F1 de hoje é uma MERDA elevada ao quadrado.

    • Esse ano tb troquei a ida em Interlagos na F-1 pelo WEC sem a menor pena ou dúvida, o tal “custo-beneficio” do evento proporcionado pelo WEC é infinitamente maior.. sem falar que da pra ouvir melhor o barulho da F-1 aqui pela TV do que no autódromo…rs

      • Não percebo a melodia dos “tops” LMP1 como mais agradáveis que os F1. Quanto aos demais, de outras categorias que também estão a correr, a coisa já muda um pouco para talvez ficar um pouco melhor no “barulho” (não dá para comparar – duração da competição e carros alinhados no grid são características bem distintas).

        F1 é caro, concordo, ainda mais para “sentar no chão” e no sol. Mas comparar com o WEC as emoções que rolam na competição, isto não dá. É muito diferente.

        Também não dá para ficar nesta de comparar com a F1 tempos atrás. Século passado, poucas opções de diversão etc. Hoje existe muita segmentação, e quem curtia pouco a F1, mas assistia por ser a melhor opção de entretenimento para o fim de semana, já não participa mais do volume hoje em dia. Até a TV perdeu um pouco de sua enorme relevância para a internet. Tudo está um tanto mais acessível, um pouco mais fácil, com mais opções.

        Até o “rebuliço” no pitlane mudou, pois quem aparecia “para aparecer”, pode aparecer hoje de diversas maneiras… inclusive mais “relevantes” em retorno de imagem.

        O mundo mudou, lembre-se. Ele está “maior”.

        Mesmo a F1 atual sendo uma agulha no enorme palheiro, quem está por perto pode sentir pelo magnetismo o quão disputado está o campeonato.