ALFISTI EM FESTA

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SÃO PAULO (boas notícias) – Recebo as boas novas de Roberto Nasser, nosso herói e guru. E repasso aos interessados — no caso, todos nós:

Alfisti, termo italiano pelo qual se tratam os admiradores da marca Alfa Romeo, se organizam em dez capitais para um jantar comemorativo. Será na noite do dia 24, e em meio a comida e vinhos italianos brindarão ao retorno da marca e ao anúncio de novos produtos. Na manhã do mesmo dia em Milão a direção da FCA, Fiat Chrysler Automobiles, controladora da Alfa Romeo, anunciará os próximos passos para o reerguimento da marca: conceito, produtos e seu cronograma, investimentos, métodos industriais. A Alfa em nova fase quer ter na Itália a onda tecnológica que envolve os veículos da alemã Audi. Busca mudar sua colocação e voltar a ser marca refinada, daí o retorno à tração traseira, ao maior porte dos automóveis e a criação de um utilitário esportivo, hoje produto mandatório no mercado.

A proposta da reunião disseminada entre as cidades com maior base de aficionados da marca foi de Roberto Nasser, curador do Museu Nacional do Automóvel. Apresentada durante o III Encontro Alfa Romeo, em Caxambu, a sugestão foi imediatamente adotada pelo Alfa Romeo Clube, e seu braço mineiro logo produziu o cartaz do evento.
Desdobramento traçado por Túlio Silva, um dos condutores do Alfa Romeo Clube/MG, é o de coincidir o número de alfisti com os anos de história da marca Alfa, daí o slogan: 105 anni, 105 amici — 105 anos, 105 amigos.

O Brasil é o único país onde se realiza tal evento de boas-vindas ao projeto de crescimento, e com quem a Alfa tem o mesmo vínculo passional entre seus veículos e proprietários. Alfa Romeo foi o primeiro caminhão montado aqui — eram os famosos e resistentes FNM –, e o Brasil, extra-Itália, foi o único país com produção e desenvolvimento de produto Alfa Romeo — as versões do pioneiro JK e seu sucessor, o 2300. A marca retirou-se do país, mas os alfisti dela cuidam, preservam os automóveis, proveem importação de peças, trocam segredos de manutenção, fazem indicações, tentam salvar e preservar as unidades representantes.

No evento, a FCA anunciará a reabertura do Museu Alfa, em Arese, por pressão do governo italiano, do Estado da Emilia-Romagna e de alfisti de todo o mundo, incluindo os brasileiros, signatários de petição mundial contra o encerramento e a ameaça de venda do acervo. O Museu Alfa, como espaço histórico-cultural, e seguindo similares de outras marcas, é fonte de referência técnica e de facilidades de indicação de literatura e partes para manutenção.

Sobre o Autor

Flavio Gomes

Flavio Gomes é jornalista, mas gosta mesmo é de dirigir (e pilotar) carros antigos.

14 Comentários

  • Interessante que o press release fala em refinamento e tração traseira, mas diz tb que a marca busca se espelhar na Audi, cuja especialidade não é tração traseira. Muito pelo contrário, a marca alemã conhecida por sua adesão à tração traseira é de Munique, e foi uma das maiores rivais da Alfa Romeo em competições de turismo dos anos 60 aos 2000…

  • Conhecida como “il cuore sportivo”, é também minha marca do coração. Participei da viagem dos quarenta anos do Alfa Romeo 2300 no ano passado, onde tive a oportunidade de conhecer o Sr. Roberto Nasser. Ainda não tenho um ( ou “uma”, ou ainda, “una”…) mas a paixão vem da época em que nem dirigia…

    • E se você tivesse dirigido uma Alfa Giulia 1750 ou 2000 , ou quem uma raríssima GTA V 6 ou mesmo uma mais moderninha Alfetta GTV (com motor na frente transeixo atras ) ´poi una vera Alfa ,solo con trazione posteriore .Ai sim você estaria perdidamente apaixonado e seria um ainda um dos mais entusiásticos Alfisti.
      Parabéns pelo carro ,e pelo texto (Perché una Alfa sempre serà una Alfa , anche con trazione posteriore !), e muita saúde e felicidades para você e família , Que Deus continue te abençoando e você nos brindando com belos textos .

    • Realmente eram o D 7500 , projeto Isotta , mas em 1951 foi substituida pela Alfa ,que tinha um monstruoso bloco de alumínio , Você saberia me dizer se o motor Isotta também era de alumínio (os fabricantes de automóvel relutam em fabricar motor todo em alumínio por causa do preço ,imagine o custo de um bloco para um motor com mais de 10 litros)

      • Não sei, Luigi. Eu teria de pesquisar pela internet e pela internet a gente nunca sabe se as informações estão corretas. Talvez páginas sobre a Isotta tenham a resposta

  • Necessitam mostrar para o mundo os Alfas feitos pelo Toni Bianco.
    Não se pode esquecer que o 1° Fúria tinha um motor FNM-JK-Alfa!
    Bem como o protótipo do 2+2 de 1971 (que chance perdida pela FNM!)

  • Que boa noticia essa da reabertura do museu!

    Fico feliz porque o acervo é muito bom e alguns anos atrás eu tive a felicidade de ir a Arese, neste museu que fica dentro da fábrica da Alfa Romeo na região de Milão.

    Uma coisa que já me preocupava naqueles tempos era com o seu fim que acabou se confirmando já que eu , com uma visita agendada pelo site da Alfa Romeo, tive que esperar a senhora da limpeza abrir o museu e acender as luzes só para mim e dois alemães que lá estavam pudéssemos ver as suas preciosidades e, dentre elas o Brabham de José Carlos Pacce!

Por Flavio Gomes

Perfil


Flavio Gomes é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.” Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo”, revistas “Placar”, "Quatro Rodas Clássicos" e “ESPN”, rádios Cultura, USP, Jovem Pan, Bandeirantes, Eldorado-ESPN e Estadão ESPN — as duas últimas entre 2007 e 2012, quando a emissora foi extinta. Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020. Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o "Grande Prêmio" passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o "Esporte de Primeira" na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Em 2005, publicou “O Boto do Reno” pela editora LetraDelta. No final do mesmo ano, colocou este blog no ar. Desde 1992, escreve o anuário "AutoMotor Esporte", editado pelo global Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, "Dois cigarros", pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas "Gerd, der Trabi" (Gulliver, 2019). É torcedor da Portuguesa, daqueles de arquibancada, e quando fala de carros começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs e Volkswagens de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. É com eles que roda pelas ruas de São Paulo e do Rio, para onde se mudou em junho de 2017. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020.
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