GRÂNDOLA, VILA MORENA

RIO (não demora muito, tô indo) – Hoje Portugal comemora os 45 anos do fim da ditadura salazarista com a tomada do poder pelo Movimento das Forças Armadas, naquela que ficou conhecida como Revolução dos Cravos. A senha para que ela acontecesse foi “Grândola, Vila Morena”, canção de Zeca Afonso executada pouco depois da meia-noite no dia 25 de abril pela rádio católica Renascença — essa história está contada aqui.

E é de Portugal que têm chegado as mais precisas leituras do momento pelo qual passa o Brasil. Porque aqui a imprensa — ou ex-imprensa, como costumo chamar — insiste em tratar com verniz de normalidade a sequência inacreditável de absurdos protagonizados pela família que tomou o poder graças a uma eleição que não pode ser chamada de outra coisa que não fraudulenta — o candidato favorito, Lula, foi preso sem provas e excluído do processo eleitoral por um juiz que meses depois juntou-se ao governo que ajudou a eleger.

Recomendo a leitura, sobre o tema, da entrevista feita pelo site “Migalhas” com o ex-primeiro-ministro português José Sócrates. Que define, sem meias-palavras e com enorme precisão, o tipo de gente que está levando o Brasil em passos acelerados para a Idade Média.

Viva Portugal. A cegueira, felizmente, não cruzou o Atlântico.

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