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sexta-feira, 15 de novembro de 2019 - 22:17F-1

INTERLEWIS (4): BERNIE E O HOTEL

O Transamérica: antigo QG da F-1, palco de momentos memoráveis

SÃO PAULO (18°C, sereno) – Quando o GP do Brasil abria a temporada da Fórmula 1, o Hotel Transamérica, mais ou menos na região do autódromo, era um formigueiro nos dias que antecediam a corrida. E, também, um para-raios de malucos de todos os tipos.

Ali, nos largos corredores e nas amplas salas de eventos do clássico hotel eram distribuídas as credenciais permanentes de todos os jornalistas que cobriam a categoria e mais centenas de passes para a imprensa nacional. Costumávamos chamar o Transamérica de QG da F-1, e era mesmo. A maioria das equipes se hospedava lá, e era comum esbarrar em pilotos bebendo uma caipirinha nos restaurantes do térreo, tomando sol na piscina ou dando umas tacadas no pequeno campo de golfe anexo.

Além disso, na quinta-feira anterior à prova, acontecia a famosa “coletiva da Marlboro”. Durante anos a Philip Morris promoveu a entrevista com os pilotos da McLaren, equipe patrocinada pela marca de cigarros, Ayrton Senna incluído. Para a maior parte da mídia local, era a única chance de chegar perto do piloto e de fazer alguma pergunta a ele num enorme auditório lotado — poucos conseguiam credenciais para o GP, e portanto não tinham acesso ao autódromo; sua cobertura começava e terminava ali.

Assim, apareciam para a coletiva repórteres do país inteiro, grande parte deles representando pequenos jornais de bairro, veículos de cidades minúsculas, emissoras de rádio desconhecidas e revistas de todos os gêneros — eram comuns caras que trabalhavam, sei lá, em publicações sobre Florais de Bach, vestidos de noiva ou bricolagem se inscreverem para aquele evento específico.

Era divertido, às vezes constrangedor — se o cara dos Florais de Bach conseguisse, por alguma conjunção astral, se apoderar do microfone e fazer uma pergunta, dava até medo –, mas o fato é que o local fervilhava e o clima de Fórmula 1 se sentia em cada centímetro quadrado daquele enorme saguão de entrada.

Além dos jornalistas meio excêntricos, fãs completamente aparvalhados tomavam o hotel e alguns deles, sabe-se lá como, invadiam o auditório com seus bonés do Banco Nacional e macacões vermelhos de brim costurados em casa, e não conseguiam conter a histeria e excitação pela possibilidade de ver seu ídolo de perto, ou de simplesmente estar no mesmo ambiente que ele.

Mesmo depois da morte de Senna a cerimônia, que representava a abertura dos trabalhos da temporada, permaneceu. A Marlboro passou a patrocinar a Ferrari, e vieram Schumacher, depois Barrichello, depois Massa, e assim foi. Lembro de um biruta que ia todos os anos com uma credencial de um jornaleco qualquer de Guarulhos, ou de Taboão da Serra, algo assim, um sujeito estranhíssimo de cabelos longos e sebosos, olhar injetado, com uma bolsa de couro a tiracolo, calça de moletom e sapatos sociais. O figurino lumpesino era finalizado com uma camisa desgrenhada e desabotoada sobre camiseta encardida com a estampa do capacete de Senna.

Ele sempre chegava carregando uma pasta de cartolina amarfalhada cheia de papéis e recortes de jornais amarelados para levar a cabo a autoinfligida e sacrossanta missão de convencer Schumacher a financiar a construção de uma praça consagrada a Senna. Nela, a estúrdia figura vislumbrava uma enorme estátua e altares diante dos quais devotos como ele pudessem cultuá-lo e prestar homenagens àquele que o rapaz tinha na conta de uma divindade. Um dia, depois de tentar por anos a fio, logrou pegar o microfone para entoar sua pregação diante do alemão estupefato, mas conseguiu apenas balbuciar algumas palavras desconexas, ninguém entendeu nada e ficou por isso mesmo. Depois veio me procurar para pedir apoio à sua benta demanda, mas dei-lhe um chega-pra-lá imediato, porque tudo que não precisava na vida àquela altura era ser cúmplice de um tantã.

Hoje fui buscar minha credencial no Transamérica e não havia ninguém no saguão. Nem do lado de fora, nem nos corredores, nem nas antes frenéticas mesas dos bares e restaurantes, os auditórios estavam vazios e a maioria das salas, também. Com a construção de novos e modernos hotéis no Morumbi e na região da Berrini o QG da F-1 foi-se dissipando, e hoje o velho hotel recebe apenas os jornalistas mais antigos para a estada no fim de semana do GP e distribui as credenciais “race by race” para a imprensa nacional.

Senti uma certa melancolia ao me deparar com aquela imensidão desabitada, lembrei daqueles anos elétricos trabalhando em jornal e rádio, da ansiedade pela coletiva da Marlboro, pela retirada do meu passe que valia para toda a temporada, da permanente tensão para saber o que a concorrência estava fazendo, como sairiam os jornais naquele dia e no outro e no outro, e quando entrei no imponente banheiro ao lado da tabacaria que hoje está fechada, junto a uma das entradas que levam à recepção, olhei-me no espelho e vi aquele menino de trinta anos atrás que não parava um segundo, corria o tempo todo atrás de alguma coisa, vivia a profissão com uma energia que, hoje, me parece sobrenatural.

Estava dando uma volta pelo paddock agora à tarde junto com o Fernando Silva, do Grande Prêmio, e cruzamos com Bernie Ecclestone no caminho. Ele me pareceu menor e um pouco mais magro e frágil com seus 89 anos de idade. Nossos olhares se cruzaram e ele estendeu a mão para me cumprimentar. Trocamos um aperto de mão como se fôssemos velhos amigos, o que está longe de corresponder à realidade. Bernie sempre foi o todo-poderoso do pedaço, e se é verdade que o entrevistei várias vezes, não é menos verdade que nossas conversas foram sempre breves e respeitaram a hierarquia tácita do ambiente ao qual pertencíamos: ele era o dono e eu o cara que às vezes precisava perguntar algo para o dono.

Mas este breve encontro no paddock hoje, que não deve ter durado mais do que dez segundos, me comoveu e emocionou. Bernie raramente parava para falar com repórteres do Terceiro Mundo, na maioria das vezes estava apressado para resolver suas coisas, vivia cercado de assessores e respondia andando com frases curtas porque tinha mais o que fazer. Hoje, parou ao me ver e o aperto de mão foi mais longo que o habitual — pelo menos tive essa impressão. Sorri ao vê-lo e lhe disse uma frase qualquer em inglês — good too see you, you look brave. Achei que ele sorriu de volta, e antes de retomar o passo virou-se para mim e se despediu cordialmente, e acho que nós dois ali percebemos que nosso tempo dourado neste mundo aqui já passou, o que não tem nenhuma importância, porque fizemos o que tínhamos de fazer, ele com seu campeonato, seus pilotos, suas equipes, seus contratos, exercendo o poder ao seu modo, eu com meu microfone, gravador, caneta, laptop e bloco de anotações, minhas palavras ditas ou escritas, exercendo o poder que achava que tinha ao meu modo, também.

Bernie nem sabe meu nome, provavelmente, mas durante anos éramos rostos que se encontravam 15, 18, 20 vezes por temporada cada vez num país diferente, cada um exercendo seu papel neste enorme teatro de operações, glórias, fortunas e fracassos.

Estes dois rostos se reconheceram hoje mais uma vez e se deram conta de que tais encontros nunca mais serão tão frequentes quanto eram, e estão chegando ao fim.

61 comentários

  1. RDV disse:

    “The bad news is nothing lasts forever,
    The good news is nothing lasts forever.”― J. Cole

    “A má notícia é que nada dura para sempre,
    A boa notícia é que nada dura para sempre.- J. Cole

  2. Talles Almeida disse:

    Quando trabalhava numa empresa que fica atrás do HT eu e um amigo jogávamos tênis na quadra do hotel. E numa semana de F1 fomos lá e encontramos com o Eddie Jordan no caminho para a quadra.
    Fiz uma saudação acenando com a raquete, e ele veio até a gente, nos cumprimentou, foi muito simpático, trocamos algumas palavras e ele disse que nos encontrava na quadra depois que ele fizesse os exercícios dele na academia.
    Ele nunca apareceu hahahahaha

  3. Cesare Maria Mannucci disse:

    Bravo Flavio, bel pezzo

  4. Jefferson disse:

    Esta é a crônica como ela deve ser escrita. O mais português dos sentimentos, a melancolia, encontra um mestre em você, Flávio. Parabéns.

  5. marcos vale disse:

    Flavio Gomes tem o melhor texto desta nova geração de jornalistas.

    Exatamente isso: O melhor texto !!!

  6. Leonardo Goltara Almeida disse:

    Texto foda como sempre! Mais textos e menos vídeos por favor!

  7. Luciano K disse:

    Olá Flávio,

    Texto primoroso. Fui um grande fã da F1 nos anos 1980, 1990 e 2000 na minha fase criança-adulto jovem. Corroboro com suas palavras, chegamos em um momento da vida que parece que nosso ‘tempo passou”, por mais dedicação para se manter atualizado.
    Mas continue com seus textos refinados e inteligentes, é um dos três únicos jornalistas raiz de automobilismo que continuo lendo.
    Parabéns mais uma vez pelo texto!!!

  8. Gláucio disse:

    Belo texto, prazerosa demais a leitura! Show

  9. sergio silva disse:

    ” So you run and you run to catch up with the sun, but it’s sinking
    And Racing around to come up behind you again.
    The sun is the same in a relative way, but you’re older
    Shorter of breath and one day closer to death “

  10. Britto disse:

    Belíssimo texto! Nem vou ler mais nada sobre F1 neste ano. Bastou. Ah, qualquer dia conta que lance na vida te marcou tanto com os Florais de Bach… rsrs

  11. Leon Neto disse:

    Uau! Que têxto… Flavio Gomes ainda tem muita lenha ora queimar… (espero não ter sido ecologicamente incorreto…)

  12. Nick B disse:

    Como é bom ser seu amigo!
    Você é o maior!
    Te amo!

  13. Ítalo Torres disse:

    Texto primoroso, a conclusão me fez lembrar “tears in te rain” de Blade Runner!

  14. Ilmar disse:

    Pois é, Flavio…
    Hoje, quando eu voltava do posto a pé com a minha mãe e a minha irmã após fazer um exame de vista (depois do tráfego de ônibus, no qual vínhamos nele, ser interrompido durante o treino), notei que hoje não estavam mais sendo distribuídas as revistas Pole Position (do Rio de Janeiro) e a Mundial de F1 (daqui de São Paulo, na qual você trabalhou por alguns anos), ao lado e perto do autódromo, e também não existe mais aquela farra de jornais e panfletos de automobilismo vendidos ou distribuídos na frente do autódromo nos dias do Grande Prêmio do Brasil.
    E, ao passar ao lado ao autódromo, fiquei um pouco triste por ouvir os sons dos carros ou motores mais abafados e mais silenciosos do que antigamente, aquele bacana e característico som alto e estridente que tanto nos encantavam até 2013 (o último ano dos motores aspirados na categoria).
    Para completar ou para piorar, ao invés daquela orgia de jornais, revistas e panfletos de automobilismo, só vi, além dos vendedores de bonés, apenas pessoas distribuindo panfletos de imóveis à venda, e RELIGIOSOS VENDENDO REVISTAS DAS TESTEMUNHAS DE JEOVÁ, isso mesmo (desculpe a caixa-alta)!
    Pois bem, agora acho que o apocalipse já chegou, e, depois dessa, entendo quase perfeitamente a sua torcida diária para um meteoro dizimar a humanidade (muito embora eu tenha muito medo de morrer, e por isso mesmo um meteoro ou asteroide ou o que for acertando a Terra em cheio não me caia muito bem).

  15. rafaelle disse:

    É muito bacana te ler, aparece uns detalhes que fazem eu parar de ler, pensar e continuar.
    “olhei-me no espelho e vi aquele menino de trinta anos atrás que não parava um segundo”
    O Bernie deve ter se sentido muito bem imagino. “Eai garoto!”
    Entramos no mundo saindo de um útero, e eu penso: – E entramos em outro.
    Vida longa ao Flavio Gomes, o menino ainda está ai.

  16. Paulo Antônio Cardoso disse:

    Flavinho, belo texto. Me fez lembrar desta época. De 1990 a 2001 eu trabalhei na F1 na equipe do Clovis Maia, na sala de imprensa.. E todos estes anos na quarta feira passava no Hotel pra pegar a minha credencial e na sexta ele sempre pagava um jantar pra todos da equipe Vi vc varias vezes lá e tive o prazer de conversar com o nosso grande Baxo( Roberto Moreno) pôs ele veio correr aqui em Uberlândia na inauguração do nosso Kartódromo. Abços

  17. Saima disse:

    Curiosamente, sempre leio e ouço jornalistas do meio da F1 dizerem que ele é um senhor adorável e simpático. O mesmo que fez desse esporte o que ele é hoje, e para tal não deve ter sido adorável e simpático.

  18. Wanderson Marçal disse:

    Nenhum jornalista escreve como você hoje no Brasil, Flavio. Que texto! Mas há um equívoco: não é o seu tempo ou o do Bernie que já passaram. É o tempo da F1 que já passou. É uma ex-categoria em atividade. Está moribunda apesar de movimentar muito dinheiro (enquanto for um espaço para lavagem de dinheiro e evasão de divisas, montadoras vão querer torrar grana) e de ainda ser conhecida globalmente.

    Mas sabe aquela sensação de ser um evento importante, de mexer com as pessoas, causar frisson, ter impacto, causar ansiedade? Isso morreu, ficou lá atrás. Esses dias um aluno meu me disse que gostava de F1 e assistia às vezes. E aí eu perguntei, surpreso, pois é raríssimo hoje em dia (sendo que na minha época de fundamental I tinha na minha turma até fã do Irvine e do Coulthard!), o que lhe atraía no esporte e ele respondeu: a troca de pneus e os gráficos da tv que parecem de joguinhos de pc.

    Acabou e teve sorte quem viveu. Hoje o mundo é dos Free Fire, dos youtubers. Não é mais de pessoas que curtem corridas de automóveis.

  19. Diogo disse:

    Larga mão de ser um véio melancólico. Tomar no seu cú. Ainda tá de namorada nova e tudo, isso quer dizer que algo ainda funciona, tá bão Frávio!
    Pense, se o Bernie ta por aí ainda fazendo já hora extra, você possivelmente tem ainda algum tempo.
    Brincadeira, texto bom. Lembrou alguma fotografia em sépia, sabe? Tenho saudades do que não vivi, lendo essas coisas. Ainda bem que aos meus 35, ainda tenho umas fotografias ainda por serem tiradas por ai, penso eu. Rsrs.
    “Estúrdia figura”. Esses teus piá do GP não tem esse teu talento sabe? Nem para transformar textos em fotografias, nem para usos estapafúrdios da dita última flor do Lácio. Claro que você deve saber disso, mas devia procurar pessoas mais parecidas, parça, contigo. Me contrate, eu faço isso pra voçê, não vai ser igual ao velhos tempos, mas eu acho meu hotel transamérica dos novos tempos, podexá. Já que agora voçê e um vovozinho, hahaha.
    Por último, esse teu talento dá uma impressão que você é um deslocado, cara. De que poderia escrever coisas mais importantes que esporte, ou carros.
    Claro que isso é uma bobagem, né? O que pode ser mais importante que isso, e garotas, e etc? Fodam-se os Williams Bonners ( e pessoas “sérias” em geral)
    Bela vida, rapaz! Inveja mesmo!

  20. Leo Santos disse:

    Esse texto só perde para o publicado sobre o 11 de setembro! Maravilhoso!

  21. pedro araujo disse:

    Gomes, obrigado por compartilhar conosco suas pequenas finitudes.

    Ajuda a gente a encarar as nossas pequenas (e grandes) finitudes também…

  22. Markonikov disse:

    Tuca rocha morreu flávio, q tristeza

  23. Daniel oscar cantera disse:

    GGzou o Bernie

  24. leandro oliveira disse:

    Grande Flávio, grandes histórias, grandes textos, grandes leituras …

  25. Ótimo texto. Ele não lembrou exatamente de você, mas lembrou que era um olhar familiar do passado. De um ciclo que se encerrou para ambos. Por isso tomou a iniciativa de lhe cumprimentar, você era alguém de certa forma conhecido pra ele.

    Tenho notado que desde a venda da F1 para a Liberty, Bernie sempre aparece nas corridas (quando aparece) com sua tradicional camisa branca e o logo antigo da F1. Meio que dando um recado do tipo “vim do passado”.

  26. sergio helou disse:

    Como sempre, um texto maravilhoso, parabéns , um texto supera o outro , obrigado.

  27. Rui Peixinho disse:

    Uma maravilha dessas de texto e quem ganha o prêmio comunique-se é o mala do Merchan Neves. Vai entender.

  28. Claudio disse:

    Parabéns pelo texto Flavio, e se me permite uma observação a sensação que esse texto passa é a de missão cumprida, nesses anos loucos no qual vocês dedicaram boa parte das suas vidas o fizeram da melhor maneira possível, e isso é para poucos. Um ótimo final de semana de GP Brasil para você.

  29. Gus disse:

    Parabéns Flávio! Texto muito tocante.

  30. Paulo Ayres Filho disse:

    Grande texto! Acho que essa melancolia tem a ver com o mundo tal e qual está hoje. Não só a Fórmula 1. Mas, em tempos de mídias sociais e velocidade imparável da informação, tudo fica meio sem alma…

  31. Marcelo de Castro disse:

    Meu Deus!!!. Uma volta ao passado!!!
    Quando corria feito louco nas segundas-feiras para comprar os jornais para minha pasta com todas as corridas e com todos os meus “comentários” das provas.
    Um jornalista fracassado e apaixonado que, de certa forma, se realiza nas suas palavras. Obrigado

  32. Flavio Padilha disse:

    Bravo! Bravíssimo… Flavinho Gomes ! subscrevo o Marcos Bassi e confesso que lágrimas ameaçaram cair. Você é o ultimo dos românticos, que aprendemos a gostar e entender seu jeito explosivo de ser, característica dos apaixonados pelo que fazem. Que a sua credencial passe na roleta, e se puder, leve uma placa : Fora Tite! abs

  33. Sergio Telles disse:

    O texto é comovente, mas a sua vitalidade é no mesmo estilo do Lula, 74 anos com tesão de 20. O Bernie sim, com 89 anos a cada GP ele comemora estar presente, sensação de dever cumprido. Pra você ainda tem muita lenha pra queimar, e vamos estar juntos vibrando, mesmo que as coisas mudem com o tempo, e isso acontece mesmo. Trinta anos atrás era um inferno se chegar a Interlagos, agora tem metrô e trem que deixa pertinho e leva muita gente, facilitando a circulação de todo mundo. A F1 pode já não ter a mesma febre de popularidade de outrora no país, não ter mais ídolos nacionais, mas tem seus amantes e seu nicho garantido. E talvez tenha mais gente assistindo agora que os pilotos brasileiros não estão mais lá pra frustar a gente, como ocorreu especialmente nos últimos melancólicos anos do Massa (eu mesmo parei de acompanhar e voltei só depois que ele saiu da F1). Vem aí uma nova década, um novo regulamento e tudo vai ser bem diferente de novo, novos desafios.

  34. Marcio Negrão Marolla disse:

    Texto maravilhoso. Li e reli a parte do maluco que almejava patrocínio alemão para a construção da estátua de Senna .

  35. Carlos disse:

    Entrei nesse hotel dois anos atrás e lembrei de um texto seu, Flávio, contando o episódio da tartaruga Barrichello. Fiquei tentando imaginar a tal efervescência daqueles anos 90 e início de 2000. Eu também li a biografia do Bernie e, mesmo ele não sendo anjo, adquiri uma simpatia pelo velho. Esse aperto de mãos de vocês me tocou também.

  36. Luigi disse:

    Poxa, que belas palavras. O mundo realmente está mudando muito rápido, o que é uma pena. Vc, Bernie, Sir Frank Williams, Reginaldo Leme, até o próprio Galvão, talvez sejam os “últimos dos Moicanos” de uma era de ouro da F1, uma era onde o contato pessoal realmente fazia diferença. Hoje me dia tudo é tão volátil, tão estranhos… é posts pra cá, stories pra lá, acho que o jornalismo raiz perdeu a sua essência. Um grande abraço. Parabéns, novamente.

  37. Vinicius disse:

    Bah, o tempo passa, quando se vê já foi. Grandes verdades.

  38. Marcos Bassi disse:

    É permitido se emocionar? E eu numa cidade pequena, no interior do Paraná, acordava todas as manhãs de domingo pra acompanhar o que dava. E nós dias antecedentes e nos subsequentes, comprava todos os jornais para ler os kilometros de páginas sobre tudo isso. Melancolia é a palavra certa. A canção Oração ao Tempo é a música. Nem sei se eram tempos melhores. Mas eram tempos bons. Eram tempos muito bons.

  39. Luis disse:

    Puta merda, que texto maravilhoso. Obrigado por usar as palavras desse jeito e por descrever de maneira tão bonita um sentimento que deve afetar muita gente, mas que poucos são capazes de expressar.

  40. Markonikov disse:

    Um dos melhores textos que você escreveu aqui!!!!

  41. Andre disse:

    Caramba Flavio… me fez lembrar algo aqui que aconteceu essa semana..
    Sou ex(atual)-jogador de voley … ja joguei com grandes do passado e nunca fui um.
    Como vivo no Canada os garotos com quem jogo hoje nao sabem de muitas historias.. que residem somente na minnha memoria.
    Essa semana um desses garotos comecou a me dar conselhos de fazer desta ou daquela forma… e eu pensei comigo. sei tudo isso.. so nao faco mais porque o corpo nao consegue responder com a mesma rapidez.
    Meu tempo passou.. que venham os novos e que a sabedoria nao demore a chegar.. porque nao temos muito tempo pra que ela chegue e faca efeito.

    Abraco
    Andre

  42. Sergio Santana disse:

    Como diria Altemar Dutra, “mas tudo passa, tudo passará”. Para nós, simples mortais, o sentimento de finitude pinta em certos momentos e percebemos uma razoável insignificância diante de tantas coisas que ocorrem ao nosso redor.

  43. Kiko costa disse:

    Se eu não ler mais nenhuma matéria sobre a corrida desse ano, vai ter valido a pena.

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