SOBRE DOMINGO DE MANHÃ

S

RIO (continue) – Talvez eu pudesse ter escolhido outras imagens para lembrar para todo o sempre o GP da Toscana, como alguma relargada, acidentes, até o pódio inédito de Alexander O Bom. Mas fiquemos com Hamilton e sua cruzada pela justiça. A FIA ameaçou “investigar” o uso da camiseta no pódio. Lewis respondeu: vou continuar fazendo. A FIA desistiu de sequer cogitar uma punição ao inglês.

Abriu-se um precedente? Alguém poderia fazer campanha para algum candidato a prefeito em sua cidade? Pregar o nazismo? Gente, sejamos sensatos. Há causas justas, há oportunismo, há estupidez. O que Hamilton defende é uma causa justa. Ponto, parágrafo.

Masili: sim, politizamos tudo, e daí?

Falando em estupidez, adorei a leitura da corrida na pena de nosso cartunista oficial Marcelo Masili em tempos de caça aos comunistas, destruição da Amazônia e do Pantanal com estímulo e entusiasmo do governo federal, negacionismo da pandemia e campanhas anti-vacina. O idiota-mor da nação deve ter visto o GP da Toscana assim, mesmo. Tomando, evidentemente, suco de laranja.

Sigamos.

Domingo deixei passar (de propósito, para usar hoje) evento dos mais emocionantes em Mugello: Mick Schumacher, agora líder da F-2, dando umas voltas com a Ferrari de 2004 que deu ao seu pai o sétimo e último título mundial. “Foi uma honra”, disse o filho de Michael. Pena que as arquibancadas estavam praticamente vazias.

Mick no carro de Michael: Schumáqueres em Mugello

Chamei a corrida de 3 em 1 pelas três largadas pelo preço de uma, mas no fim das contas a mais espetaculosa de todas foi atrás do safety-car, logo no início da prova. O acelera-breca-acelera de novo-breca pra não bater-ih, fodeu tirou quatro carros da corrida. E levou o sempre sereno Romain Grosjean a proferir…

A FRASE DE MUGELLO

Grosjean: o menino maluquinho surtou

Que estupidez de quem está na frente, seja quem for! Querem nos matar a todos? É a pior coisa que vi na vida!

Nada menos do que 12 pilotos foram advertidos pela confusão depois de os comissários analisarem o vídeo por todos os ângulos possíveis: Albon, Norris, Ricciardo, Sainz, Giovinazzi, Pérez, Stroll, Russell, Latifi, Ocon, Magnussen e Kvyat. Como se vê, nenhum dos que estavam na frente foi arrolado na peça acusatória. Portanto, a FIA isentou Bottas, Hamilton e Leclerc, os três primeiros da que deveria ser uma fila indiana para o reinício da prova.

O fato é que todos demonstraram algum desconhecimento das regras e se atrapalharam. Bottas, na dele, deixou para acelerar na linha de chegada, que em Mugello fica lá na frente. Podia ter feito isso antes, mas é prerrogativa do líder do pelotão estabelecer o ritmo até a dita linha de chegada. Certamente as bandeiras verdes e as luzes nos painéis eletrônicos ajudaram a confundir a turma que vinha atrás. É algo que precisa ser conversado entre todos. Poderia ter sido um acidente muito grave.

O NÚMERO DA TOSCANA

Senna em paz: ufa!

…menção a Ayrton Senna foi feita na transmissão do GP da Toscana pela TV Globo, que teve a estreia de Everaldo Marques como narrador. Creio que tenha sido algo inédito desde 1984, quando o brasileiro estreou na F-1.

Alguém haverá de dizer que persigo Senna, que não gosto dele, que não respeito sua história, que não sou patriota, que ele é o maior do mundo, que eu tenho de lavar a boca para falar do nosso Ayrton e das nossas manhãs de domingo, que isso, que aquilo, mas foi só uma observação que considero pertinente.

Já disse — e escrevi — várias vezes que a insistência em usar Senna como referência para tudo que acontece numa corrida é, antes de mais nada, um equívoco jornalístico. Ele morreu há 26 anos, corria numa época muito diferente, e quase nada do que fazia se aplica à F-1 de hoje, do ponto de vista técnico.

Do ponto de vista histórico, OK. É claro que não se podem ignorar seus feitos e conquistas — e erros e acertos –, às vezes cabe um caso aqui e outro ali, mas ele foi o único brasileiro a conseguir algo notável nas pistas? Narradores e comentaristas nunca tiveram chance de falar nada sobre Piquet, Emerson, Massa, Barrichello e tantos outros?

Não sei se foi proposital. Só sei que foi assim. Um alívio.

Mercedes: rumores dão conta de venda para a Ineos

No noticiário da semana, surgiu a informação a partir de comentários de Eddie Jordan de que a Ineos, uma multinacional do ramo petroquímico com sede na Inglaterra, estaria prestes a comprar 70% da Mercedes. Todos os lados desmentiram. Mas é bom ficarmos espertos com essas notícias bombásticas. A Ineos passou a patrocinar a equipe neste ano.

E já que estamos falando de notícias bombásticas, vocês devem estar se perguntando por onde anda Gola Profonda, meu informante na Ferrari que no domingo simplesmente desapareceu. O que me causou estranheza, porque a equipe, no fim das contas, conseguiu pelo menos terminar a corrida com seus dois carros nos pontos.

A gente se falou ontem. Gola estava deprimido. Por causa do salame e do Lambrusco?, perguntei. Me referia à festa fajuta dos mil GPs da equipe, que nem uns canapés providenciou para funcionários e convidados. “Não, até que o salaminho estava gostoso, e Lambrusco geladinho vai bem. O problema é que parece que vão adotar essa cor aí da corrida até o fim do ano. E você sabe, eu gosto de vermelho, sou de Xangô. Essa cor aí vai dar ruim.” Eu não sabia que Gola era de Xangô, e achava que marrom era de Xangô, mas não sou versado nas coisas da umbanda e preferi não esticar o assunto dado meu total desconhecimento sobre o tema. Optei por ficar nos aspectos técnicos. Vão manter a cor, mas e o carro?, perguntei. “Já mandamos pra Sochi. Acabaram de enviar a foto. Ideia do Seb. Ciao, vou tomar um passe. Sou de Xangô, essa cor aí vai dar ruim.”

Chegou a foto.

A Ferrari para o GP da Rússia: cor definida, aerodinâmica refinada

Confesso que gostei muito, especialmente das linhas aerodinâmicas, que devem favorecer a equipe no traçado usado para o GP da Rússia.

Ops, já estava esquecendo do “gostamos” e “não gostamos”. Vamos lá, para fechar o boteco toscano:

GOSTAMOS

Albon: um pódio, finalmente

…de ver Alexander Albon >>> finalmente no pódio. Ele é bom piloto, tinha batido na trave em Interlagos no ano passado e não merece ser triturado pelo moedor de carne da Red Bull. Não é fácil ser companheiro de Verstappen, convenhamos. Fez uma corrida muito decente, terminou em terceiro e garantiu a sobrevida até o fim da temporada, pelo menos.

NÃO GOSTAMOS

Gasly: abandono precoce

…de ver <<< Pierre Gasly fora da prova logo na primeira volta, depois de um sanduíche que o deixou sem ação. É muito ruim ganhar uma corrida e na seguinte abandonar sem chance de mostrar nada. Kvyat chegou em sétimo, o que me faz pensar que Pierre poderia, numa prova tão acidentada como essa, marcar uns pontinhos interessantes para a AlphaTauri.

Sobre o Autor

Flavio Gomes

Flavio Gomes é jornalista, mas gosta mesmo é de dirigir (e pilotar) carros antigos.

54 Comentários

  • No final das contas valeu mais a vitória de número 90 do Hamilton do que o humilhante GP 1000 da Ferrari.
    O Senna acaba sempre sendo lembrado por certos narradores porque ele é considerado um Deus das pistas no Brasil, o que na verdade não é, sem desmercer o Senna a História do Brasil na F-1 vai muito além dele, só basta o brasileiro ter um pouco de curiosidade e menos preguiça de conhecer a História completa do Brasil na F-1.
    Gostamos: Alexander Albon ganhou uma sobrevida com o seu terceiro lugar no GP de Toscana, mas é bom não se acomodar porque nesse momento o Albon está um passo atrás de Gasly que acabou de vencer o seu primeiro GP em Monza.
    Não Gostamos: o Gasly abandonou logo no início da corrida, mas ele não está sozinho, o pódio todo de Monza ficou fora dessa corrida de Toscana, como também Sainz e Stroll.

  • Ando meio cético, desconfiado de boas intenções , pra mim um movimento é bacana seja ele de qual assunto for , claro dentro de um contexto logico , onde se luta por liberdade igualdade ,justiça ……….
    Mas as vezes dá impressão , que se não rolar uma patrocínio por trás não pode , porque não vejo logica , o que pegou no caso da camiseta do Hamilton ??? Eles que se entenda com seu time ,porque no máximo pode ofender alguém porque cobriu a visualização de patrocinadores etc, mas isso é problema dele com o time , a federação se meteu porque? Não levou o dela??
    Estranho.

  • E o Stroll segue colocando o Perez no bolso. Impressionante.
    Latifi nas duas últimas qualificações ficou apenas um décimo de Russel, e só não terminou as duas corridas na frente do inglês por conta do acidente na relargada em Toscana. Impressionante.

    • O pessoal desce a lenha no Stroll porque o pai do cara é abonado, mas, no campeonato de F3 2016 ele ficou em primeiro com 507 pontos enquanto o queridinho dos jornalistas e novo herói da F1 George Russel ficou em terceiro com 264, quase a metade.

  • Gostei bastante de muitas corridas esse ano, mas Mugello não me agradou não. Tirando os acidentes, nada de excepcional aconteceu nessa corrida, alias achei a corrida bem modorrenta, trenzinho chato e precisar de uma pista supre estreita cheia de acidentes pra ter emoção numa corrida é complicado. E lá vem Sochi pra mais uma corrida entediante.
    Hamilton entra pra história como piloto e como Homem, NENHUM outro piloto na história da F1 defendeu qualquer que fosse causa social. Um esporte recheado de filhinhos de papai que tão pouco se phodendo pro sofrimento humano dos que estão do outro lado do mundinho perfumado deles. Alias até por isso não concordo muito coma as críticas feitas ao Stroll, como se os outros pilotos fossem de famílias paupérrimas.
    Quem nunca sentiu na pele o preconceito, não vai entender nunca as atitudes do Inglês e vai vir aqui com essa verborréia de elegância do pódio e regras pétreas da categoria, robozinhos sociais.

  • Legal seria um GP Brasil neste ano e o Hamilton no pódio vestindo uma camisa com a escrita em inglês: “quem mandou matar Mariele”? Ou: “Bolsonaro, por que o Queiroz depositou 89 mil na conta da Michele”?

  • Também concordo com HAM, acho que deve continuar levantando a causa, defendo e partilho o ideal de igualdade, combato racistas sob qualquer sinal de preconceito (a começar pelas piadinhas de péssimo gosto que tratam de cor de pele). Ponto. Parágrafo. Não quer dizer que não caiba punição. Se existe um protocolo e é apresentado a todos, deve ser seguido; assim como leis e regras (mesmo as mais estúpidas) que valem para todos devem ser seguidas. A menos que haja um inciso / parágrafo / adendo / alínea no protocolo que especifique tais motivos impunes de manifestações, deverá ser multado. Se o momento do pódio é o ideal para manifestações urgentes de justiça, solidariedade, compromisso social, etc, que se discuta o protocolo para permití-las, caso contrário (em passar em branco a manifestação de HAM) entendo que qualquer piloto pode fazer o mesmo pela causa que for.
    A reprimenda aos pilotos pelo acidente da relargada deixa claro: por mais que estivesse lento, BOT não teve a menor influência. Instantaneamente levantaram a bola sobre ele por irresponsabilidade, inexperiência neste tipo de situação, usaram também o áudio do GRO. Ainda bem que corrigiram em alguns minutos, pois a imagem mostrava claramente que em nenhum momento ele acelera/breca/acelera, se não me engano, o primeiro (pra mim, o maior responsável) a tomar alguma atitude que se transforma na bola de neve apresentada foi RUS que era P11, deixa o maior espaço possível para tentar chegar à linha de relargada carregando velocidade e ganhar posições, mas não combinou com os que estavam à frente; quando percebe a continuidade da velocidade baixa, sai para a direita, mas daí já tinha induzido os posteriores a tomar tal atitude, e seguiu-se o perigoso strike. A imagem daquela câmera colocada no pitwall mostra isso claramente.
    Houve uma única citação a Senna (além de uma do Bruno): “Quem diria, quando vimos o número de poles recorde de Senna, que seria atingido por outro piloto”.
    Essa possível troca de nome Mercedes / INEO lembra muito a justificativa da Renault: “Já já vamos passar a ser lembrados pelo que perdemos e não pelo que ganhamos”. Acho que vai acontecer, sim. E Toto sai feliz para a Aston Martin.
    Como fez falto o VER numa corrida dessas, hein? Campeonato que depende de BOT pra ter alguma emoção é igual chocolate quente às 2 da madrugada com filme velho.

  • Flávio
    Muito bom lembrar, esse negócio de falarem do Senna toda corrida já encheu o saco, chega, já deu.
    SE quiserem lembrar 1 vez por ano, tudo bem , não mais que isso.
    E muito interessante a F1, o Bottas fez a cagada e os outros é que são advertidos ?
    É muita regra desnecessária que só atrapalha a corrida.
    Não pode isso, não pode aquilo……….é luz que acende na hora errada, é entrada do box certinho….
    Parar a corrida por meia hora, só para tirar um carro que nem na pista estava é muita incompetência para um esporte que dizem ser o top do top.
    Além do que acho que é muita sacanagem com quem está na frente e se esforçou para se distanciar, na Indy acontece isso e torna a corrida muito artificial, E não ganha o melhor e sim o mais safo.

    • Meu caro Reginaldo, a telemetria de todos os carros foi estudada e apenas os três primeiros não alteraram a velocidade na relargada. O regulamento diz que deve ser constante, daí Bottas de fato não ter culpa alguma no acidente. Os outros doze pilotos alteraram suas velocidades antes da linha de largada, foram advertidos, foram os culpados pelo pelo acidente.

      Com o resto de tuas opiniões concordo integralmente, é um monte de frescura (ainda pode escrever frescura?) que só serve para estragar as corridas. Este caso mesmo deste acidente, foi muito mais grave do que os fatos que geraram todas as punições bestas que andam a acontecer e no entanto os pilotos (os doze) foram apenas advertidos, lógica zero.

  • Pista estreita, curvas de média para alta, reta de 1 quilômetro de extensão, áreas de escape com brita. Receita perfeita para uma grande corrida. Muitas pistas eram assim no passado Toques eram inevitáveis e, caso houvesse uma saída da pista, o retorno era muito difícil, quase impossível. Algo que a atual geração de pilotos não está acostumada.
    Os acidentes foram sérios, o que é, de certa forma uma rotina em um esporte em que as velocidades tornaram-se muito altas no decorrer da última década. Não que não fossem altas, mas as médias cresceram ainda mais. George Russel, por exemplo, anotou a maior velocidade do fim de semana, 329,5 km//h, durante a corrida. Os carros são muito mais seguros, mas o risco ainda existe.
    Apesar da aparente tranquilidade, Hamilton teve um superaquecimento dos freios durante a segunda largada. Era evidente a fumaça saindo principalmente da roda dianteira esquerda. Mas, sorte de campeão, nada de grave.Largou bem, ultrapassou Bottas e fim de papo.
    Quanto a Bottas é isso aí mesmo. Um brilhareco vez ou outra, mas é no geral, esse piloto mediano. Mesmo a bordo do melhor carro da F1 não mostra um desempenho a altura. Não o comparamos aqui com Hamilton, o que seria despropositado. Mas, não fossem os dois abandonos de Verstappen, talvez não estivesse na vice-liderança do campeonato. O que no atual contexto, mostra o quão fraco é o finlandês.
    Verstappen em duas provas seguidas com problemas no motor, me fez lembrar Alonso reclamando da Honda, o que é um exagero na atual situação da Honda. Albon, por outro lado, depois de uma corrida muito ruim em Monza, enfim conseguiu seu pódio. Um alívio para quem vinha sendo moído, como outros tantos, pela dupla Marko-Horner.
    Ricciardo e Renault ficaram no quase, mas poderiam ter feito mais, diante de tantas alternativas. Mclaren pontuaria com os dois carros, não fosse o acidente com Sainz na relargada, mas no geral uma corrida honesta e discreta.
    Perez demitido, foi levando o carro e conseguiu um honroso quinto lugar, mas muito discreto também.
    Raikkonen parece outro piloto nesse giro pela Itália. Aguerrido, não fosse a punição teria terminado à frente das Ferraris.
    E a Ferrari continua seu calvário. Um carro mal nascido, com um motor fraco e sem perspectivas de melhoras à medio prazo. Melhoras talvez apenas em 2022 com o novo regulamento. Se conseguirem projetar um motor e um carro decentes.
    Quanto a Mercedes apenas temos que aplaudir. Mesmo como equipe dominante não para o desenvolvimento do carro. Trouxe inovações tanto para a lateral como para a chamada asa T. E importante também notar que, apesar de no Q3 Hamilton ter anotado a maior velocidade (322,1 km/h) durante a corrida sua maior velocidade foi de 298,4 km/h, mas fez a melhor volta da corrida. Isso mostra não apenas o acerto no projeto, mas também as constantes atualizações pelas quais o carro passou. Além de contar com pilotagem excepcional de Hamilton. Que teve que analisar com bastante cuidado o circuito para não só estabelecer a pole, como também para ser dominante na corrida.
    Quanto a camiseta que ele utilizou no pódio, ninguém melhor do que ele para falar sobre o racismo. Experimentou na própria pele, e faz muito bem sendo uma figura pública e, aproveitando a sua visibilidade, colocar de maneira clara, objetiva e corajosa a luta contra o racismo. A qual conta com o apoio da própria equipe Mercedes, que rebateu diversas críticas a essa postura, nas redes sociais.
    Naomi Osaka, campeã no USOpen de 2020, em seus sete jogos no torneio utilizou máscaras com nomes de pessoas pretas mortas vítimas do racismo ou da brutalidade policial.
    Tanto Naomi como Hamilton jogaram luz sobre o racismo, e devem levar o esporte e a sociedade a uma séria discussão sobre.
    Mas a F1 quase marca um gol contra ao investigar a atitude de Hamilton, como uma quebra de protocolo da categoria.
    Vale lembrar que essa postura apolítica da categoria não é novidade.
    Durante o regime de segregação racial na África do Sul ( Apartheid, 1948-1994) a F1 realizou corridas de 1960 a 1993, com algumas interrupções. Entre os anos de 1985 a 1988, a repressão a opositores ao regime foi brutal. A F1 foi lá e realizou as corridas normalmente, dando de ombros para a situação extremamente grave do país.
    Em 1985 as equipes francesas Ligier e Renault se ausentaram da prova, devido à pressão da opinião pública francesa, e também da postura do então presidente da França, François Mitterand. Essa postura asséptica da F1, mostra a hipocrisia da categoria quando exibe a mensagem #weraceasone nos carros e transmissões.
    Palmas para Hamilton e para a equipe Mercedes que estão colocando o dedo na ferida.
    Mercedes que se vê envolvida em boatos sobre uma possível venda para o grupo Ineos. Já existe uma parceria entre Mercedes e Ineos no desenvolvimento da equipe de ciclismo patrocinada pela empresa britânica e também no desenvolvimento de um barco para a America’s Cup. A ver, onde há fumaça há fogo. Mas Eddie Jordan, que soltou a notícia, foi o mesmo que afirmou que tanto Hamilton como Wolff iriam para a Ferrari em 2019.

  • Eu falei que era pista raiz. Tanto que a turma gostou e quer mais corrida por lá. Será difícil, visto todo o lado comercial e de lucros da categoria. Mas, se o único critério fosse preferência dos pilotos, Mugello estaria no calendário de 2021 tranquilamente. Só tem um ponto de ultrapassagem? Tem pista que não tem nenhum. E a San Donato pode ser feita tanto por dentro quanto por fora, ou seja, dá pra passar, sim. Aprovada.
    Finalmente Albon no pódio. O cara é bom. Não é melhor que o Verstappen, mas é longe de ser ruim. Saiu da ótima safra recente da GP2, que é bem melhor que a atual que vislumbra um lugar ao sol. Seu azar é dirigir um carro feito 100% pro companheiro, arisco, difícil de guiar, um véio caolho mala e impaciente que só olha pro primeiro piloto, e que precisa se contentar com as migalhas que sobram. Ou quando o companheiro abandona. Parada duríssima entre ele e Gasly. Doce problema pra eles resolverem.
    Verstappen só tem que se ligar de não virar prima-dona e ficar cada corrida um chilique. Ou reviver o motor de GP2 do Alonso. Não vai ganhar sempre. E se der um piti por corrida não vai ganhar título nunca. Ai vai virar o Alesi dos anos 2020. Nada contra o valoroso francês, mas no sentido de que foi um ciclone bomba de quem se esperava caminhões de vitórias e títulos, e no final fez água na carreira.
    Lamento pelo quase ponto do Russell. Estamos num ponto em que ficamos torcendo pra Williams marcar um ponto, e não disputar pódios ou vitórias. Mas considerando que há um ano atrás ela tomava um segundo da penúltima fila, hoje eles tomam um décimo, dois, quando a pista é ruim pra eles, três ou quatro décimos. O garoto deve saber (se ele se auto-avalia, mas ele é esperto, vai se ligar) que é meio ruinzinho de largada ainda. E tem que melhorar no ritmo de corrida. Mas acho ele um puta talento. Gosto dele.
    E é bom o Tio Totó deixar ele amadurecendo mais um pouco, há quem fale nele pro lugar do Bottas. Acho cedo. Vai queimar o moleque se colocar ele agora pra bater de frente com o Hamilton. Qualquer um que bata de frente com o Hamilton vai perder, o cara tá no auge físico, técnico e emocional. Até Senna (graças a Deus o ótimo Everaldo Marques – deu pra perceber o quanto ele é querido no métier da emissora – levou a narração maravilhosamente bem, como esperado, e deixou a pachecada na gaveta e não precisou perturbar a alma do homem) perderia pra Hamilton, no nível em que ele está.
    O Bottas tá pau a pau com ele em classificações. Não em placar, mas em distância de tempos. Se pegar os tempos, em vários GPs a distância é de menos de um décimo. Ou seja. Hamilton não está tendo vida fácil. É que ele tá tinindo mesmo.
    Alguém já preparou o papercraft da Ferrari bordô com o número pintado a mão? Carro lindo da porra. Anda pouco. Mas é lindo.
    Descobrir que Gola é filho de Xangô explica tudo. Xangô é o senhor dos raios e trovões, segundo o Google e a mitologia dos orixás.
    Isso justifica seu reaparecimento num momento em que o clima na equipe é mais tempestuoso que o telhado do Cupê Mal Assombrado. Precisa de alguém que manje dos paranauês climáticos pra acalmar Tião, Charlinho e Harry Potter.
    E Eddie Jordan tá parecendo o tiozão que toda família tem que sempre acredita na fake news mais bizarra que lê, coloca em todos os grupos do Zap que faz parte, e ainda faz mensagem de áudio alarmista junto. Mas… Vai que… Diante de tudo que já aconteceu em 2020, não duvido mais de absolutamente nada. Até fake news eu verifico antes de duvidar. Por mais bagaceira que seja.

  • Everaldo Marques foi seguro e apresentou variação muito legal em pontos de vista da narração. Boa desenvoltura nos intervalos comentando e tem um ótimo timbre de voz. Cometeu erros que eu considero insignificantes. Que fique registrado para os puxa-saco de plantão; ele cometeu erros. Por mim poderia ser o narrador oficial. Só acho que não tem necessidade de se mostrar moderno o tempo todo; Hashtags ou qualquer outra citação de rede social só deveria ser pronunciado em assunto pertinente. Pode até ser questão de estilo do narrador, mas eu acho chato. Os memes então… gostei demais por não ter repetido os mesmos erros da narração no SporTV.

    Assunto Senna atrai um monte de débeis mentais que o endeusa. A internet está entupida de ótimas matérias onde suas qualidades e méritos são descritos e enfatizados de forma apaixonada. Eu mesmo já li várias e confesso que frequentemente gosto de reler algumas. Isso é o que todo admirador deveria fazer, e não sair comprando briga, quando encontra opiniões divergentes da dele. Parece que, inspirado na mesma influência de Jesus Cristo, serão eternamente castigados caso não idolatrem ou defenda o ídolo divino quando encontram alguém “blasfemando” contra o piloto.. Como se essa atitude fossem lhe render carteirinhas de fãs #1.

    Haja saco.

  • O Airton Senna é um dos melhores pilotos da F1 de todos os tempos(o mais maior e o mais melhor é Fangio! O LH44 pode ganhar 200 GPs, 15 títulos), reconhecido mundialmente, independente do ufanismo criado pela Globo, que teve o Galvão Bueno como o locutor oficial, igual fazia o Osmar Santos nas Direitas Já! Em 1984.
    Portanto, o não se pode desmitificar a imagem do Senna apenas para dizer que não se deixa manipular pela rede (dos) Bobos, tampouco podemos imaginar que ele poderia ser canonizado. Ele foi ser humano igual a todos: com virtudes e algumas cagadas.
    Tá na história!

    • Outros tempos, o Paletti morreu de forma mais tragica que o Peterson (embolia pulmonar no hospital). Numa situação mais ou menos parecida com a de Mugello. No caso do Palleti a batida aconteceu na largada, um carro ficou parado e o pessoal começou a desviar… menos o pobre do Paletti.

      O Paletti encaixotou na traseira de um outro carro e morreu na hora.

      As cenas no link abaixo são de um mundo que não existe mais. Reparar que ante do carro pegar fogo tinha um cara com uma camera filmando em close-up o piloto morto no carro. Nunca vi essas imagens, mas chega a ser surreal ver o cara filmando a cena ao vivo…

      A turma de Mugello tem sorte dos carros de hoje não serem as “cadeiras elétricas” da decada de 80. No final do filme dá para ver como ficou o carro do Paletti.

      https://www.youtube.com/watch?v=20gZLtHneII

  • O que eu acho engraçado é LECLERC com seu objetivo principal, chegar na frente do VETTEl. E acabou era só isso. Começo a desconfiar que a treta é por salário, já que o baby johson já é o favorecido. VEttel 45 milhoes de euros, e o garoto simples 9 milhões. Ao meu ver essa foi a causa da FErrari nem sequer fazer uma proposta para o alemão, que vai ganhar bem menos na Aston MArtin. Pelo menos Vettel tem sido elegante , não tenho visto nenhuma baixaria por parte dele, como foi a lavação de roupa suja do Alonso, um horror. Eu ainda acredito que teremos a dupla Toto Wolf e Vettel trabalhando juntos. Que mal tem uma dupla de alemães com um motor Mercedes? A inglesada vai ficar putinha? A INEOS no ciclismo de estrada era a SKY (sports, que tb manda na F1). A SKY venceu tudo nos ultimos anos e agora mudou para INEOS, e finalmente ao que parece este ano não será campeã do Tour de France. Reinados acabam. Seguindo nessa linha, HAmilton está com muita gana para superar os numeros de Schumacher, até estranaho, como se o tempo estivesse acabando. Tudo muito estranho. Coisas estão por vir.

  • Respeito e compreendo a atitude e o “protesto” do Hamilton no final da corrida, mas não concordo. Acho que deveria ser multado por quebrar o regulamento e o protocolo e a FIA a não aplicar nenhum castigo abriu um precedente, agora qualquer piloto pode protestar sobre o que quer que seja que a FIA não tem legitimidade de fazer alguma coisa.
    De certeza que os patrocinadores que tem as suas marcas no fato do Hamilton não ficaram nada contentes no final da corrida.
    Como escrevi antes, compreendo e estou 100% de acordo com o Hamilton, na sua defesa contra o racismo, mas acho que existe locais próprios e alturas próprias para o fazer.

    Abraço

    visitem: https://estrelasf1.blogspot.com/

    • Quais são os locais próprios para essas manifestações cara? Num programa da Globo? Num campo de futebol? Ou nas ruas levando cacetadas a polícia e spray de pimentas na cara? Não há espaço, é justamente assim que age o sistema opressor e é vergonhoso que muitas pessoas pensem como você (respeito sua opinião) mas as coisa só irão mudar quando houver um maior engajamento de toda a população. O que a FIA, CBF/FIFA, NBA e NFL sempre fizeram foi oprimir a opinião dos atletas. Atletas estes que são formadores de opinião ou espelho para muitos (inocentes…). Sempre agiram ao lado dos patrocinadores. O que devemos cobrar é maior espaço para manifestações como essas.

    • Olha, vou dizer uma coisa: – Não sou racista, mas detesto qualquer manifestação antirracista .KKKKKKK
      Não bastasse isso ainda continua, tem canais mais apropriados para pilotos de F1 fazerem protestos.
      Tá bom….. onde????
      Dentro do cockpit, no box, sair desfilando com uma bandeira como se fosse carnaval ????
      Os bolsominions dão a pinta de que são bolsominions e nem se tocam.
      O Hamilton, está certíssimo.
      Não existe, NÃO EXISTE melhor lugar para quem venceu uma corrida é Campeão e está no lugar mais alto do pódio para fazer uma manifestação ou protesto.
      É a coisa mais visível da corrida, mais fotografada e mais vista.
      E é lógico que nenhum patrocinador com 2 neurônios diria não ao melhor piloto do momento e certamente o melhor de todos os tempos.
      Aliás, que empresa não desejaria ter seu nome estampado no macacão do Hamilton nem que fosse por alguns segundos. ????
      Dito isso.
      Sensacional a charge do Masili, foi ótima, perfeita e muito atual para o momento em que vivemos, tendo um boçal no poder.

    • Para além disso, quem vai julgar se a causa é justa? O Flávio? Não, é muita ingenuidade pensar que o precedente aberto será usado apenas para causas “do bem”, daqui a pouco veremos um “Cristo Salva” no pódio.

      Também não foi bem elaborado, um inglês a dizer o que a justiça dos EUA deve fazer, que devem prender quem ainda nem foi indiciado (mas deveria). Parece a Lava Jato, não esta correto, eu comentei em outro post, peça justiça para Breonna e não a prisão de policiais sem julgamento.

      É ótimo o que Hamilton faz, o que outros atletas e celebridades fazem, mas façam corretamente, desta forma tosca mais atrapalham do que ajudam nestas causas mais do que justas.

  • A corrida foi muito interessante. A narração, foi ótima. Como você citou, nada contra o Senna, mas já encheu o saco ouvir falar do cara. Deixem ele descansar em paz. Tem gente que fica com essa de “Herói Brasileiro”. Herói do quê ? O cara ganha fortunas pra sentar nessas máquinas. Tenho certeza que ninguém faz isso pelo povo não. Que tal falar de quem está vivo e também fez história ? Quanto à pista, sim, deveria entrar no calendário pelos próximos anos. Sensacional o traçado. E o Gola, sei não como ele consegue esses segredos, até com fotos !!!

  • Meus comentários:

    – Everaldo Marques é muito bom, merece narrar mais provas no campeonato. Torço por seu sucesso na Globo.
    – Que falta faz o Verstappinho em uma prova inteira. Ele é excepcional.
    – Mugello é um autódromo maravilhoso. Os autódromos tradicionais europeus são incríveis, já estou ansioso pelo GP de Portugal.

  • “Infeliz a nação que precisa de Heróis” (Brecht). O mal que o ufanismo e a pachecada intencional fez e faz ao Brasil é incalculável. Quem não lembra do maniqueísmo que a globo fazia com aquele personagem do Prost quando este correu na Williams de suspensão ativa? Ainda hoje, infelizmente, prospera esse mecanismo pavloviano de criar inimigos para manter a massa em estado anencéfalo. Senna está lá com seu – dele – lugar na História. Não precisa daquele eterno bla bla bla meloso e enjoativo.

    • Se Ele resistir as forças ocultas do Santuário de Imola poderá entrar para a historia da TV brasileira. Poderiamos dizer que isso seria a concretização de um “evento impossivel”.

      Acho que Ele falará o nome Senna com menos de 5 minutos de transmissão. Acredito mesmo que seja em reverencia, se não falar a pressão será colossal no “ponto”, isso será.

Por Flavio Gomes

Perfil


Flavio Gomes é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.” Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo”, revistas “Placar”, "Quatro Rodas Clássicos" e “ESPN”, rádios Cultura, USP, Jovem Pan, Bandeirantes, Eldorado-ESPN e Estadão ESPN — as duas últimas entre 2007 e 2012, quando a emissora foi extinta. Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil. Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o "Grande Prêmio" passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o "Esporte de Primeira" na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Em 2005, publicou “O Boto do Reno” pela editora LetraDelta. No final do mesmo ano, colocou este blog no ar. Desde 1992, escreve o anuário "AutoMotor Esporte", editado pelo global Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, "Dois cigarros", pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas "Gerd, der Trabi" (Gulliver, 2019). É torcedor da Portuguesa, daqueles de arquibancada, e quando fala de carros começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs e Volkswagens de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. É com eles que roda pelas ruas de São Paulo e do Rio, para onde se mudou em junho de 2017. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020.
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