N’EIFEL (1)

SÃO PAULO (quase igual) – Como se vê — ou se “não vê” –, não deu. O GP de Eifel teve as atividades da sexta-feira canceladas pela neblina, aliada à chuva e às baixas temperaturas. Sem teto para eventuais voos de helicóptero, a F-1 não coloca ninguém na pista. Já é assim faz tempo.

Sem treinos livres, perdemos a chance de ver Mick Schumacher andar pela Alfa Romeo e Callum Ilott dar umas voltas com a Haas. Agora, só em Abu Dhabi — as próximas corridas, em circuitos “novos” como Imola, Portimão, Turquia e Bahrein externo, exigirão trabalho dos titulares. A turminha da F-2 terá de esperar um pouco.

Mesmo assim Mick entrou no carro, colocou cinto, ficou esperando, tadinho… Mas a direção de prova foi adiando o início das atividades, adiando, adiando, até cancelar tudo.

Consumada a decepção, Schumaquinho foi bater papo com Vettel. E disse: “O que meu pai representou para Sebastian, ele representa para mim”. Vettel tratou do menino como se fosse seu filho. A F-1 tem testemunhado alguns momentos de ternura paternal por estes dias.

E é engraçado ver Vettel como veterano, né? Mas já é, sim. Aquele moleque imberbe que estreou em Indianápolis, ganhou uma corrida de Toro Rosso em Monza e se tornou o campeão mais jovem de todos os tempos aos 23 anos, em 2010, hoje dá conselhos para os mais jovens.

Aliás, falando em Vettel e Schumacher, o alemão da Ferrari preparou um capacete lindíssimo para este fim de semana, já que está correndo em casa. Manteve a base da pintura que vem usando — branco com faixas nas cores da bandeira da Alemanha — e reproduziu, em uma espécie de 3D, ou marca d’água, elementos gráficos que Michael ostentava no seu casco vermelho. A saber: algumas estrelas, ideogramas, um dragão chinês e até, em vermelho, o logotipo que acompanhava os produtos do heptacampeão mundial.

Sebastian nunca escondeu sua admiração e idolatria pelo piloto que, há quase sete anos, luta pela vida depois de um terrível acidente de esqui.

Outra notícia do dia envolvendo Vettel foi a confirmação de que ele é acionista da Aston Martin, fábrica inglesa de carros que rebatizará a Force Point no ano que vem. Como se sabe, a montadora teve seu controle adquirido por Lawrence Stroll, pai de Lance Stroll, que também havia comprado a Force India em 2018. Em 2021, o empresário junta o útil ao agradável: risca da F-1 o nome atual da equipe onde corre o filho e insere no Mundial a gloriosa marca britânica. Sebastian, no entanto, se recusou a entrar em detalhes. “A Aston Martin tem ações na bolsa e qualquer um pode investir nela. Eu confirmo que fiz um investimento, mas não vou mais falar sobre esse assunto.”

Então tá bom.

Sem carros na pista, outros assuntos do dia:

  • A Red Bull falou sobre a saída da Honda e admitiu que entre suas opções para 2022 está assumir as unidades de potência desenvolvidas pelos japoneses. Mas a probabilidade é pequena.
  • Christian Horner foi claro: a F-1 precisa urgentemente conversar sobre motores, os rumos da categoria, os custos dessas unidades, sua complexidade. Isso tudo, segundo o chefe rubro-taurino, afasta eventuais interessados em aderir à categoria. Ninguém é louco de gastar dinheiro desenvolvendo motores como os que são usados hoje.
  • Horner disse mais: Mercedes não é uma alternativa, já que os alemães não fornecerão motores para a Red Bull, e assim só sobram Renault e Ferrari. Com a primeira, houve atritos no passado. Com a segunda, digamos que não há interesse em motores ruins.
  • Mas uma coisa o dirigente garantiu: a decisão será tomada até o final deste ano.
  • Apareceram dois casos de integrantes da Mercedes infectados pelo novo coronavírus. Sinal de alerta aceso no time e na F-1.

Amanhã diz que vai estar seco. Andam me perguntando se não tiver classificação como faz para montar o grid. Fica para domingo. E se não der domingo? Não sei. Procurei no regulamento e, juro, não achei nada.

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