MAX IN MEX (3)

Norris, novo líder: um ponto à frente de Piastri

SÃO PAULO (emoção até o fim) – O Mundial de Fórmula 1 tem um novo líder. Lando Norris venceu o GP do México, 20ª etapa da temporada, e ultrapassou na tabela seu companheiro de McLaren Oscar Piastri, quinto colocado na prova disputada no autódromo Hermanos Rodríguez. O inglês foi a 357 pontos, contra 356 do australiano. Isso mesmo: um mísero pontinho separando a dupla papaia. Charles Leclerc foi o segundo colocado na corrida mexicana, com Max Verstappen em terceiro.

O holandês poderia ter terminado em segundo, não fosse um safety-car virtual – desnecessário – na penúltima volta, quando ele chegava para atacar o monegasco da Ferrari e, provavelmente, jantá-lo com guacamole e chili. O resultado levou o piloto da Red Bull a 321 pontos no campeonato.

Com quatro etapas restantes, duas delas com Sprints, são 116 pontos em jogo. Se vencer tudo, Verstappen pode chegar a 437. Norris, por sua vez, não precisa mais ganhar nenhuma, nessa briga direta com o tetracampeão. Terminando todas em segundo, atingiria a marca de 443 pontos.

Mas ainda tem Piastri na briga, claro, e o mesmo raciocínio matemático aplicado a Norris vale para ele: se chegar em segundo em todas, alcança 442 pontos. Líder desde a quinta etapa, na Arábia Saudita, Oscar levaria vantagem sobre os dois rivais hoje no número de vitórias: sete, contra seis de Lando e cinco de Verstappen. Ou seja: o campeonato está absolutamente aberto. Do jeito que a gente gosta. Para Max as coisas se complicaram um pouco. É verdade que ele chegou ao México 40 pontos atrás do líder – no caso, Piastri – e está saindo agora com um déficit de 36 – para Norris. Tirou alguma coisa, mas não o bastante. Precisaria, agora, descontar nove pontos por etapa para empatar com o atual primeiro colocado. Não é tarefa das mais fáceis. Até porque está claro que a McLaren continua com um carro muito bom. Se deu uma espanada nas quatro provas anteriores, foi mais por conta dos pilotos que do equipamento.

O GP do México foi divertido, disputado e interessante, Norris à parte – o inglês dominou a corrida com enorme autoridade e recebeu a quadriculada mais de meio minuto à frente do segundo colocado. Teve um grande destaque, o inglês Oliver Bearman, da Haas, que largou em nono e terminou em quarto – sua melhor posição na F-1. E o brasileiro Gabriel Bortoleto também pode ser orgulhar do décimo lugar que conseguiu a partir de um distante 16º no grid, marcando um pontinho para a Sauber num fim de semana difícil para ele desde o início dos treinos, na sexta-feira.

A largada foi selvagem, como sempre acontece nessa pista. Difícil descrevê-la com precisão, tantas foram as tentativas de pegar vácuo nos 767 metros da pole até a freada da primeira curva. Verstappen, por exemplo, mergulhou como se fosse o último dos astecas pelo lado de fora, passou pela grama, entrou na pista de novo e estava em quarto quando voltou ao leito carroçável do circuito. Norris foi ultrapassado por Leclerc, mas retomou a ponta porque o monegasco também pegou um atalho pela grama e devolveu a posição antes que fosse punido. Lewis Hamilton se segurou em terceiro. Bearman pulou de nono para sexto. Piastri caiu para nono. Mas ninguém bateu.

George Russell, originalmente quarto no grid, caiu para quinto e ficou indignado com a excursão de Max pela área verde do autódromo. Foi imediatamente ao rádio. “Considero tal manobra ridícula. Se não pelo gramado em si, um atentado ao meio-ambiente às vésperas da COP30, mas também porque somos orientados a pilotar pelo asfalto, ainda que o próprio asfalto seja uma ameaça à biodiversidade do planeta, visto que sua produção gera muita emissão de carbono. Vocês devem estar sabendo do cachorro-vinagre, espécie em extinção no Pantanal… Mas, voltando ao que ocorreu agora há pouco, o rapaz o carro energético encurtou a pista, que já é curta, em alguns metros. E isso, todos viram, valendo-se de flagrante ato de desmatamento. Ninguém vai fazer nada? Cadê a Marina, nessas horas?” Toto Wolff perguntou ao engenheiro de qual Marina ele estava falando. “Lima”, respondeu o engenheiro, seco. “Aquela cantora.” “Pensei que era a Marina morena…”, falou Toto, cantarolando: “…você se pintou…”. O engenheiro olhou para ele e lembrou que o chefe da Mercedes tinha corrido no Brasil anos atrás, numas Mil Milhas. Entendeu tudo na hora. Toto desconversou e pediu para alguém dar uma olhada nessa história de vinagre com cachorro, que lhe escapara em meio às doces lembranças tropicais.

Na sexta volta, Verstappen tentou passar Hamilton e gerou uma confusão gigantesca, que levou o inglês a cortar a pista no Foro Sol. Os dois quase se estapearam. O inglês da Ferrari se manteve em terceiro, mas talvez fosse punido. Max também passeou pela grama de novo. Bearman, com isso, assumiu o quarto lugar – um início de prova brilhante para o menino da Haas. Russell se atrapalhou com a briga à sua frente e caiu para sétimo.

Festa do #4 da McLaren: 14 provas atrás de Piastri na tabela

Com dez voltas, Norris, Leclerc, Hamilton, Bearman, Verstappen, Kimi Antonelli, Russell, Yuki Tsunoda, Piastri e Esteban Ocon eram os dez primeiros. Bortoleto aparecia em 12º. Ele era um dos seis que haviam largado com pneus médios – Verstappen, Tsunoda, Isack Hadjar, Carlos Sainz e Pierre Gasly foram os outros; Alexander Albon e Franco Colapinto começaram a prova com pneus duros e os demais, com macios.

Norris era absoluto. Na 16ª volta, tinha quase 6s de vantagem para Leclerc. Naquele momento, a direção de prova avisou: Hamilton seria mesmo punido com 10s por ter cortado a pista auxiliar no estádio, quando disputava posição com Verstappen. Na 21ª, Landinho abria mais de 9s sobre o monegasco da Ferrari. Era um passeio.

Bearman, em quarto, com Verstappen no retrovisor, se transformava no nome da corrida. Mais atrás, Piastri tentava provar ao mundo que ainda era aquele menino admirável do começo do ano, brigando com Russell pelo sétimo lugar – já tinha passado Tsunoda. Lewis, pelo rádio, reclamou da punição. A equipe disse que concordava com ele, mas que não tinha muito o que fazer.

Os pneus macios até que estavam durando bastante, mas quem tinha largado com eles teria de parar logo. Antonelli foi aos boxes na volta 23 e colocou médios. Voltou em 13º. Hamilton parou na 24ª. Pagou a multa e voltou em 14º. Bearman e Piastri, na 25ª. Quem largou de médios se mantinha na pista. Era um interessante jogo estratégico. Alguns fariam duas paradas. Outros, apenas uma – a maioria.

Com 30 das 71 voltas completadas, Norris, Leclerc, Verstappen e Tsunoda eram os quatro primeiros, sem pit stops. Bearman aparecia em quinto, seguido por Antonelli – dois novatos que, nessa prova, enchiam os olhos. Russell, Piastri, Hadjar e Bortoleto fechavam a turma dos dez primeiros.

Leclerc parou na volta 32. Voltou em terceiro. Bearman passou Tsunoda e assumiu a quarta posição. Norris foi chamado para sua troca na volta 35. Colocou pneus médios e continuou em primeiro, mais de 8s à frente de Verstappen, que ainda tinha de fazer seu pit stop. Era uma das corridas mais tranquilas de sua vida.

Na volta 38, Verstappen parou. Voltou em oitavo. Russell, em quinto, começou a reclamar que tinha mais ritmo que Antonelli. Queria atacar o italianinho pelo quarto lugar. A equipe relutava em dar alguma ordem. “Vejam bem. Ele é jovem, tem a vida inteira pela frente. Tenho mais ritmo. Olho no espelho e vejo uma McLaren atrás de mim. Querem que eu deixe a McLaren passar? Posso fazê-lo. São nossos clientes, afinal. Kimi é um bom menino, mas vejam… E a escola? E as provas? Vocês têm monitorado as notas dele? Talvez seja o caso de…” “Mandem ele calar a boca”, pediu Toto Wolff.

Na volta 41, para estancar as lamúrias do inglês, a equipe pediu para Antonelli trocar de posição com o #63. George passou, mas não foi embora. Dona Veronica telefonou. Toto atendeu, mas antes mesmo de dizer “alô”, teve de ouvir: “Nem aqui em casa a gente faz essas coisas com o Kimi! Vou mudar ele de escola! Digo, de equipe!”. Toto pediu desculpas e disse que iria ver direito o que tinha acontecido, porque estava fora da cidade. “Mentira, vi você na TV!”, gritou dona Veronica. Toto suspirou.

Apesar da tranquilidade de Norris na ponta, havia uma corrida entre Russell, quarto, e Hamilton, oitavo. Antonelli, o quinto, segurava Piastri, que via Verstappen chegando. Mas, na volta 48, alguns pilotos foram para uma segunda parada: Piastri, Antonelli e Hamilton trocaram pneus novamente. Max subiu para quinto. Russell também parou, na volta 49, assim como Bearman. E o holandês escalou o pelotão, para terceiro.

Com 50 voltas percorridas, Norris, Leclerc, Verstappen, Bearman, Russell, Piastri, Antonelli, Hamilton, Ocon e Hadjar eram os dez primeiros. Lando humilhava a concorrência. Tinha mais de 20s de vantagem sobre Chaleclé. Max estava sossegado em terceiro e começava a armar o bote para passar o ferrarista no final, já que tinha pneus macios, contra médios do adversário.

Na volta 60, Max já tinha reduzido sua diferença para Leclerc a 5s2, podendo mesmo sonhar com um segundo lugar na prova. Mais atrás, Piastri conseguiu passar Russell numa bela manobra, meio de lado, meio na marra. Lembrou o Oscar que conhecemos no começo do ano. Antonelli, na hora, entrou no rádio. “E aí? Ele me devolve a posição agora ou vai ficar por isso mesmo? Tem uns moleques na escola que gostariam muito de me ver na frente dele de novo…”, ameaçou. “Tenho amigos. E eles não são conhecidos pelo bom comportamento…”

Bortoleto: de 16º para décimo em ótima corrida

Na volta 63, Bortoleto fez uma bonita ultrapassagem sobre Hadjar entrando na zona de pontos. Um prêmio para a persistência do brasileiro, que largara em 16º. A Mercedes, com medo dos moleques da escola de Antonelli, mandou Russell sair da frente do fedelho. “Eles são violentos”, justificou Toto. Dona Veronica mandou mensagem: “Quem tem, tem medo”, escreveu, enigmática. “Quem tem o quê?”, perguntou Toto ao engenheiro. “Cu”, respondeu o técnico, esgotado mentalmente.

Na volta 64, a sete do final, a Red Bull entrou no rádio de Verstappen para elogiar o piloto. “Seu ritmo está insano, meu jovem. Vamos terminar o trabalho”, conclamou seu engenheiro, num discurso digno de coach do Instagram. Max estava, de fato, encostando em Leclerc. A diferença caíra para menos de 3s. E só diminuía. “Terminar o trabalho” era, evidente, passar a Ferrari e concluir a corrida num mui honroso segundo lugar.

Em quinto, Piastri encostava em Bearman. Àquela altura, lutava por qualquer pontinho, sabendo que Norris daria um salto na classificação. Na penúltima volta, Verstappen atacou o ferrarista de vez. Mas o safety-car virtual foi acionado. Sainz tinha rodado e estacionado num lugar seguro, mas mesmo assim a direção de prova promoveu o maior anticlímax do ano, já que todo mundo teve de tirar o pé. Uma tristeza. A relargada aconteceu com meia volta pela frente ainda, mas aí o holandês não tinha o que fazer. Nem Piastri. Nem ninguém.

Norris venceu com 30s324 de vantagem para Leclerc, o segundo. Verstappen completou o pódio. A turma dos pontos teve ainda Bearman, Piastri, Antonelli, Russell, Hamilton, Ocon e Bortoleto.

No Foro Sol, o estádio onde fica o pódio e são feitas as primeiras entrevistas com os três primeiros colocados, Norris foi vaiado pelo público mexicano. Não deu para entender direito. Como entender o povo, não é mesmo? Ainda mais esse povo que vai aos autódromos. Sei lá, não entendo nada. Ficou um certo mal-estar no ar. Na coletiva com a imprensa, depois, um jornalista mexicano disse que a torcida queria que ele devolvesse os três pontos que ganhou de Piastri com a troca de posições em Monza, meses atrás. Falou que seu jornal, ou site, ou sei lá o quê, tinha feito uma pesquisa e chegou a essa conclusão.

Lando, agora com dez vitórias no currículo, respirou fundo e disse que as pessoas podem pensar o que bem entenderem. Pegou seu troféu e foi embora para o hotel como líder do campeonato. Foda-se o público mexicano, pensou. Se não pensou, penso por ele.

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MAX IN MEX (2)

Norris na pole: inglês reage no campeonato

SÃO PAULO (está vivo) – Para quem está torcendo por um fim de temporada com os nervos à flor da pele, a pole-position de Lando Norris hoje no México acabou sendo um balde de água gelada. A escalada de Max Verstappen rumo a um título improvável – mas ainda possível – foi interrompida pela atuação até aqui impecável do inglês da McLaren, vice-líder do Mundial. Ele, que não fazia uma pole desde o GP da Bélgica, chegou à quinta dele neste ano e 14ª na carreira. E deixou a impressão, no autódromo Hermanos Rodríguez, de que não perde a corrida de amanhã nem por decreto. Se bobear, sai da Cidade do México na liderança do campeonato.

É que Lando não deu chances a ninguém na classificação. Charles Leclerc e Lewis Hamilton, segundo e terceiro no grid com a Ferrari, ficaram muito longe dele. Verstappen larga apenas em quinto. E Oscar Piastri, líder da temporada, parece que foi arrancado da tomada. Fez o oitavo tempo. Larga em sétimo porque Carlos Sainz, à frente dele, tem de pagar uma punição. Entrou em parafuso, o australiano.

Verstappen: pneus aquecem e carro “não funciona”

Norris tinha acordado para a vida no último treino livre, ficando com a melhor volta e deixando todo mundo a léguas de distância – 1min16s633 foi seu tempo. Na classificação, abriu o Q1 com uma volta em 1min17s147. Seria superado por um surpreendente Oliver Bearman, mas daria o troco em seguida entrando na casa de 1min16s899. A 6min do fim, 0s970 separavam Lando, o líder, de Lance Stroll, o último. Até ali, as coisas estavam bem equilibradas.

Isack Hadjar foi outro que apareceu de surpresa em P1, com uma volta muito boa em 1min16s733. Só no finalzinho do segmento que Hamilton chegaria perto do francês, ficando a apenas 0s003 dele. George Russell, Norris, Esteban Ocon, Liam Lawson, Leclerc, Bearman, Verstappen e Piastri ficaram nas dez primeiras posições. Juntaram-se aos cadáveres do Dia de Los Muertos Gabriel Bortoleto, Alexander Albon, Pierre Gasly, Stroll e Franco Colapinto, os degolados no Q1.

Hadjar. Esse menino é bom. E está usando, no México, um capacete que faz referências à pintura usada por Alain Prost. Que também era bom, muito bom.

No Q2, com a pista melhorando rapidamente – característica do circuito mexicano –, os tempos começaram a entrar na casa de 1min16s logo de cara. Na primeira leva de voltas rápidas, Norris já virou em 1min16s252, disparado o melhor tempo do fim de semana até então. Piastri, porém, não acompanhava o ritmo do parceiro. Foi 1s034 pior que ele. Estava esquisito, o australiano. “Aconteceu algo no seu carro?”, perguntou o engenheiro. “Sim.” “Não tá andando nada, né?” “Sim.” “Você tá vendo que o Lando tá muito mais rápido, não?” “Sim.” “Já se tocou que vai perder o campeonato?” “Sim.” Você já pensou em parar de correr?”, irritou-se o engenheiro. “Sim.” Nessa hora, Zak Brown pediu para o moço na mureta pegar leve.

Oscar voltou à pista no final do Q2 para tentar salvar o fim de semana. Conseguiu um medíocre sétimo lugar a 0s485 de Norris. Mas avançou. Norris, Hamilton, Russell, Verstappen, Sainz, Leclerc, Piastri, Kimi Antonelli, Bearman e Hadjar passaram, pela ordem. Para o necrotério do Dia de Los Muertos se encaminharam Yuki Tsunoda, Ocon, Nico Hülkenberg, Fernando Alonso e Lawson.

Lando despontava como franco favorito à pole no Q3. Ele e Verstappen foram os primeiros a abrir voltas. Max virou a sua em 1min16s455. Lando devolveu com 1min16s170. Piastri, finalmente, fez uma volta aceitável em 1min16s469 e se colocou em terceiro. Mas, aí, veio a Ferrari para quebrar a banca: Leclerc fez 1min15s991, primeiro colocado, e Hamilton pulou para terceiro, atrás de Norris. Verstappen caiu para quarto e Piastri, para quinto. Tinha gente nova, vestida de vermelho, chegando para a festa.

Era uma classificação padrão e emocionante: duas voltas para cada um no Q3, com todos tentando alguma coisa nos segundos finais. E na segunda bateria de voltas voadoras, Oscar até melhorou um pouco, Max também, e Hamilton, e Leclerc… e Norris!

Esse melhorou foi muito. O inglês esfregou 1min15s586 na cara de todo mundo e cravou a pole. Deixou Chaleclé em segundo a 0s262 de distância e Hamilton em terceiro a 0s352 – é a melhor posição de largada de Lewis na Ferrari (ele tinha um quarto na Áustria). Depois deles vieram Russell, Verstappen (a 0s484 da pole), Antonelli, Sainz, Piastri (a 0s588), Hadjar e Bearman. Sainz cai para 12º, punido com cinco posições por causar um acidente com Antonelli na última corrida. Oscar, assim, parte em sétimo. E passa a impressão de que, mesmo liderando o Mundial, já perdeu o título. Está mortinho. Sobre sua volta muito ruim no Q3, disse apenas: “É um mistério”. Melhor desvendar logo.

O grid no México: Piastri apenas em 7º

Lando, por sua vez, era só alegria. “Que volta, nem eu sei como fiz isso!”, vibrou pelo rádio. “Não importa, importa é que você fez”, respondeu o engenheiro. “E quanto menos eu souber, melhor”, devolveu o piloto, que colocou a McLaren na pole no México pela primeira vez desde 1990, com Gerhard Berger. Ele está 14 pontos atrás do companheiro na classificação. E 26 à frente de Verstappen. O holandês, que disse que seu carro no México simplesmente “não funciona” — os pneus superaquecem e o carro desliza de um lado para o outro –, vai ter de cortar um dobrado para não voltar a perder terreno para os papaias na corrida.

Um deles, OK, parece fora de combate e está atrás dele no grid. O problema é o outro, que renasceu. Quando menos se esperava.

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MAX IN MEX (1)

Verstappen absoluto: quem segura o cara?

SÃO PAULO (tá metendo medo) – Vai ser duro segurar Max Verstappen nessa arrancada de fim de ano. OK, hoje foi só treino livre no México, mas o holandês segue apavorando. Fechou a sexta-feira com o melhor tempo do dia, 1min17s392, e viu seus dois adversários da McLaren penarem para encaixar boas voltas no autódromo Hermanos Rodríguez. Lando Norris foi o quarto colocado, a 0s251 do piloto da Red Bull. Oscar Piastri, que parece ter entrado em parafuso, ficou em 12º a 0s840 do rival.

Claro que tudo pode mudar amanhã, quando sai o grid da 20ª etapa do Mundial. E é claro que a McLaren, nessa altura, pode estar poupando esforços para dar o bote na hora certa – suas simulações de corrida não foram ruins. Mas o cartão de visitas está dado. Max está 40 pontos atrás de Piastri na classificação e depois da vitória em Austin parece ter se convencido de que dá para ser campeão de novo – ele já tinha quase desistido antes das férias de verão da F-1.

A sexta-feira foi de sol e calor na Cidade do México, com os termômetros na casa dos 25°C durante a maior parte do dia. Vamos pular o primeiro treino livre, já que nove equipes usaram pilotos não-titulares para cumprir a regra de dois treinos livres por carro para novatos. O único time que andou com a dupla principal foi a Sauber. Para os registros, Charles Leclerc ficou com o melhor tempo, 1min18s380. Arvid Lindblad, com o carro de Verstappen, foi o melhor novato, em sexto. Os tempos estão aí embaixo.

Na segunda sessão, com os adultos na pista (além de Kimi Antonelli), quem não tinha treinado precisou descontar o tempo perdido. E ninguém enrolou muito para deixar os boxes e começar a preparação para a corrida. Experimentar pneus era uma necessidade, considerando que a Pirelli pulou novamente um composto entre os mais macios.

Cidade do México: altitude incomoda muita gente

A pista mexicana é complicada por causa da altitude, 2.285 m acima do nível do mar. Lá no alto é duro – Abel Ferreira que o diga; grande LDU! O ar mais rarefeito afeta quase tudo no carro: pressão aerodinâmica (por isso se usam asas enormes, apesar da reta de largada de dez segundos de pé cravado), aberturas grotescas nas laterais (para o motor e os sistemas de refrigeração admitirem mais ar), freios e turbo redimensionados e recalibrados e mais uns detalhes que não vêm ao caso.

Para os pilotos, tudo bem. O desgaste físico não deixa ninguém tonto, como os zagueiros do Palmeiras ontem à noite. É o terceiro circuito mais curto do calendário, com seus 4.304 m de extensão – só Zandvoort e Mônaco são menores. Pé embaixo do acelerador, só em 60% da distância da volta, 45% do tempo. Os trechos sinuosos são meio sacais, mas o povo no estádio adora – todo mundo passa devagar, como num desfile.

O lance, amanhã, será procurar vácuo. A reta dos boxes tem a maior distância entre o grid e a primeira freada, 767 m. Ajudas de companheiros de equipe serão bem-vindas.

Max fechou o dia na frente com 0s153 de vantagem para Leclerc, o segundo colocado. Antonelli foi o terceiro e, fechando os dez primeiros, vieram depois Norris, Lewis Hamilton, George Russell, Yuki Tsunoda, Fernando Alonso, Carlos Sainz e Lance Stroll. Gabriel Bortoleto terminou o dia em 15º, em sua primeira visita ao circuito mexicano.

A classificação, amanhã, acontece às 18h. Antes tem o terceiro treino livre, com início às 14h30. Os horários são de Taguatinga.

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FOTO DO DIA

Há exatos 30 anos Michael Schumacher vencia o GP do Pacífico em Aida e conquistava seu bicampeonato. Faltavam duas corridas, ainda, para o fim da temporada. Largou em terceiro, caiu para quinto na primeira volta, mas com três paradas a Benetton deu um nó em todo mundo.

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SOBRE ONTEM À TARDE

A IMAGEM DA CORRIDA

Dupla da McLaren se enrosca na Sprint: incidente definiu o fim de semana

SÃO PAULO (preparem-se) – Recorro ao sábado, e é a primeira vez que faço isso no nosso tradicionalíssimo “Sobre ontem…”. Afinal, ontem é ontem, anteontem é anteontem. Mas como contar a história do GP dos EUA sem passar pela patuscada dos pilotos da McLaren na véspera? E a Sprint, afinal de contas, faz parte do evento.

O que aconteceu entre Oscar Piastri e Lando Norris na minicorrida foi definidor para o resultado do fim de semana de Austin. Os dois zeraram. Max Verstappen fez oito pontos. Já tinha largado na pole. Naquela tarde mesmo conseguiu a primeira posição para o grid da corrida principal no dia seguinte. Gosto de visualizar essa situação como se fosse uma luta de box. Max deu três porradas no queixo de um mamão papaia, que ficou grogue. No domingo, levou o rival à lona. Nocaute.

OK, Norris ficou em segundo na prova dominical. Mas vocês entenderam. O que conta, aqui, é que Verstappen agora está a 40 pontos do líder do campeonato. Chegou aos EUA 63 atrás. Faltam cinco etapas para o final da temporada, com duas Sprints — Interlagos e Catar. São 141 pontos em jogo. Nas últimas quatro provas, a diferença do holandês para Piastri despencou 64 pontos. Nas última cinco, depois da pausa de verão, o piloto da Red Bull marcou 119 pontos de 133 possíveis, aproveitamento de 89,4%. Piastri e Norris também fizeram 119. Somados. Foram 62 para o australiano (aproveitamento de 46,6%) e 57 para o inglês (42,8%).

Se esses dois estão dormindo tranquilos, é porque ainda não perceberam o que está acontecendo.

Red Bull comemora: vitória e multa de 50 mil euros

Alguém nessa foto aí em cima foi responsável por uma multa de 50 mil euros para a Red Bull, o que dá 300 mil reais. Aconteceu o seguinte. Depois que foi autorizada a volta de apresentação, todos os integrantes de todas as equipes passaram por um portão para voltar aos boxes. Menos um. O gaiato, com uniforme do time austríaco, entrou na pista como quem não queria nada e tirou da mureta uma fita adesiva colada pelos mecânicos da McLaren ao lado da posição de largada de Norris. É um artifício para ajudar o piloto a parar o carro no lugar certo do grid. Não é proibido.

Também não é proibido arrancar a fita, porque o regulamento da F-1 não proíbe ninguém de ser espírito de porco. Só que é proibido colocar o pé na pista quando tem carro andando, e a presença do sujeito ali, ainda que por apenas alguns segundos, foi percebida. A FIA comeu o toco da equipe, que levou a multa e ainda reforçou a fama de esperteza acima do tom.

E não foi a primeira vez que isso aconteceu.

O NÚMERO DOS EUA

5.004,5

…pontos acumula Lewis Hamilton na F-1, com os 17 que marcou em Austin. É o primeiro piloto da história a romper a barreira dos cinco mil. O inglês, heptacampeão mundial, estreou em 2007. Naquela época, o vencedor levava dez pontos para casa e só os oito primeiros marcavam. O regulamento mudou em 2010 para a pontuação atual — 25 para o ganhador e pontos atribuídos até a décima posição. No ranking da categoria, Verstappen é o segundo maior pontuador com 3.329,5. Sebastian Vettel vem a seguir com 3.098.

Breves notícias que não foram dadas no relato da corrida de ontem neste espaço. A primeira: a F-1 renovou seu contrato com o circuito de Austin, o famoso COTA (Circuit Of The Americas), que sedia o GP dos EUA desde 2012 e agora tem compromisso até 2034.

A segunda, que só foi acrescentada ao texto de ontem algumas horas depois da publicação original: Carlos Sainz foi considerado culpado pelo incidente com Kimi Antonelli e, por isso, perderá cinco posições no grid do GP do México, domingo que vem. “Eu estava atrás, então aceito minha parcela de culpa”, disse o piloto da Williams.

A terceira: Charles Leclerc foi eleito “Piloto do Dia” pelo amigo internauta.

Por fim, mudanças na classificação dos pilotos no meio e na parte de baixo da tabela: Nico Hülkenberg passou Isack Hadjar e foi para nono; Gabriel Bortoleto caiu de 18º para 19º, superado por Oliver Bearman — 20 x 18 na pontuação.

No fim de semana de Austin, a Red Bull foi a equipe que marcou mais pontos, somadas as duas corridas. Verstappen e Yuki Tsunoda entregaram 41 pontos ao time, contra 36 da Ferrari, 28 da McLaren e apenas 16 da Mercedes. Com isso, a equipe de Maranello se aproximou dos alemães na briga pelo vice-campeonato. Agora são apenas sete pontos de diferença. E a Red Bull encostou. Está só dez atrás da Mercedes.

A disputa está totalmente aberta. Ferrari e Mercedes oscilam muito, mas pelo menos marcam com seus dois pilotos. A Red Bull tem a garantia de que Max vai pontuar bem sempre. Se Tsunoda se endireitar, os austríacos podem muito bem atropelar na reta final.

Mas o japonês não tem correspondido. A ponto de o consultor Helmut Marko declarar, nos EUA, que o problema no segundo carro rubro-taurino é o piloto e nada mais. Yuki, coitado, está com os dias contados. Se conseguir um lugarzinho como piloto de testes da Aston Martin no ano que vem, por causa da Honda, deve acender alguns incensos para Buda.

E Marko falou mais…

A FRASE DE AUSTIN

“Max voltou incrivelmente motivado com a vitória de Nürburgring. Sendo honesto, durante o verão já tínhamos desistido. Agora estão todos com fome de vitória novamente.”

Helmut Marko
Verstappen: vitória em Nürburgrig, de Ferrari GT3, motivou o piloto

Chamou a atenção, no final da prova, a ordem da Alpine para Franco Colapinto manter a posição atrás de Pierre Gasly. Ambos estavam à frente de Gabriel Bortoleto. Não valia nada, todos lá no fundão, a léguas — ou milhas, estamos falando dos EUA — da zona de pontos. Mas o argentino passou. Alegou que estava muito mais rápido. E estava mesmo.

Mas a atitude pegou mal. “Qualquer instrução que venha do nosso pitwall é final, e hoje ficamos muito desapontados que isso não tenha acontecido”, falou o diretor geral do time francês, Steve Nielsen. “É algo que teremos de rever internamente.”

A Alpine está mal, muito mal. Colapinto largou em 15º e terminou em 17º. Gasly partiu da 14ª posição e acabou a corrida na 19ª — e última, já que Sainz abandonou. É um fim de feira de dar dó.

GOSTAMOS & NÃO GOSTAMOS

GOSTAMOS… de Nico Hülkenberg, que voltou a pontuar com a Sauber depois de seis corridas. A última tinha sido no pódio da Inglaterra. O alemão começou muito bem o fim de semana, fez o quarto lugar no grid da Sprint, foi acertado por Norris e conseguiu recuperar a alegria no dia seguinte com uma oitava colocação. A Sauber, assim, bateu nos 59 pontos e superou os 57 de 2022, até então seu melhor desempenho na era híbrida da F-1, que começou em 2014. Gabriel Bortoleto, por sua vez, não foi bem e terminou em 18º. “Tivemos duas histórias hoje”, filosofou o chefe Jonathan Wheatley. “Uma para celebrar, outra para aprender.”

NÃO GOSTAMOS… do desempenho da Mercedes, que vinha de uma vitória em Singapura e não fez nada de interessante nos três dias de Austin. Em nenhum momento George Russell e Kimi Antonelli sonharam com alguma coisa próxima do pódio. O italiano, é verdade, teve sua corrida estragada por Sainz. Mas conseguiria, no máximo, um sétimo lugar. A equipe tem tido muitos altos e baixos nesta temporada.

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IMPERDÍVEL

SÃO PAULO (só melhora, essa editora!) – A Racer Books, selo de publicações voltadas ao universo automobilístico da Gulliver, está com lançamento na praça. Obra imperdível, essencial, fundamental para quem gosta de Fórmula 1 e corridas em geral. Aí embaixo, tudo que vocês precisam saber sobre o livro e como comprar seu exemplar!

Ayrton Senna e Alain Prost protagonizaram uma das rivalidades mais intensas e fascinantes da história do esporte. Dois homens com estilos opostos, duas filosofias de corrida e de vida que se encontraram — e colidiram — no auge da Fórmula 1. Essa história, que ultrapassou os limites do automobilismo para se tornar um fenômeno cultural, é o centro do novo livro Senna x Prost – a maior rivalidade das pistas. Mais do que relembrar duelos lendários em Suzuka, Estoril ou Mônaco, a obra mergulha nos bastidores de uma era marcada por emoção, política, drama e genialidade. O autor Luiz Carlos Lima – que também escreveu a mais completa biografa de José Carlos Pace – reconstrói o período em que Senna e Prost transformaram o esporte em um palco de confronto filosófico: fé contra lógica, coragem contra cálculo, emoção contra razão. A narrativa revela como a rivalidade entre os dois incendiou o paddock e dividiu o mundo da Fórmula 1. Cada vitória se tornava uma declaração de princípios; cada derrota, uma ferida que ecoava além das pistas. Com uma abordagem equilibrada e humana, o livro mostra que Senna e Prost foram rivais complementares — opostos que se tornaram espelhos um do outro, e cuja tensão alimentou a evolução do automobilismo moderno.

Para o editor da Gulliver, Joubert Amaral, o livro de Luiz Carlos Lima é um ótimo presente para aqueles que não viram o que foi este grande duelo: “Não era apenas uma disputa por vitórias, era uma guerra de mundos. Senna pilotava como quem buscava um sentido maior, como se cada curva fosse um ato de fé. Já Prost media cada movimento com precisão, tanto que era chamado de professor”.

Mais do que uma biografia dupla, “Senna x Prost” é um retrato fiel da transformação da Fórmula 1 no fim dos anos 1980 e início dos anos 1990. A obra analisa como as decisões da FIA, os interesses das equipes, e o crescimento midiático do esporte ajudaram a moldar a narrativa de herói e vilão que cercou os dois pilotos. O texto revela também como o contexto social da época — o avanço tecnológico, o nacionalismo esportivo e a ascensão do marketing pessoal — foi determinante para transformar aquela rivalidade em um símbolo atemporal. Repleto de curiosidades, análises técnicas e passagens emocionantes, o livro fala tanto aos que viveram aquela época quanto aos que apenas ouviram falar de dois pilotos que definiram o significado de ser o melhor do mundo.

Ficha técnica

Título: Senna x Prost: a maior rivalidade das pistas
Autor: Luiz Carlos Lima
Editora: Racer Books
Pré-Venda: preço promocional – livro físico – até dia 30 de outubro no site da editora (www.gullivereditora.com.br)
Lançamento: novembro de 2025 em diversas livrarias e nos formatos físico e digital.

Sobre o autor

Luiz Carlos Lima é pesquisador e escritor especializado em automobilismo. Acompanha esportes a motor, principalmente Fórmula 1, desde o GP da África do Sul de 1971. Nasceu em Descalvado (SP) no dia 27 de novembro de 1955. É autor dos livros José Carlos Pace – O Campeão Mundial sem Título” e “Nelson Piquet – A Trajetória de um Grande Campeão”.

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AGENDINHA MEXICANA

Antes do rescaldo do GP dos EUA, segue a agendinha da semana, porque domingo tem corrida de novo. Para desespero da dupla da McLaren…

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AJUDA MEU PAI! (4)

Quinta vitória no ano, 68ª na carreira: Verstappen na briga

SÃO PAULO (vão dando mole, vão…) – Bom, vamos fazer contas. Oscar Piastri, quinto colocado no GP dos EUA disputado hoje em Austin, é o líder do Mundial com 346 pontos. Lando Norris, seu companheiro na McLaren, foi o segundo e agora tem 332. São só 14 de diferença. Max Verstappen, que venceu a corrida, agora soma 306. Para o primeiro na tabela de classificação, a desvantagem do holandês da Red Bull agora é de 40 pontos. Para o vice-líder, 26.

Seguimos fazendo contas.

Desde a volta da F-1 das férias, no fim de agosto, foram cinco corridas, incluindo uma com Sprint, justamente a deste fim de semana no Texas. Piastri, no período, fez 62 pontos. Norris, 57. Verstappen, 119.

Continuamos com a calculadora ligada – minha lindíssima Sharp Elsi Mate EL-8016R. Essa aí da foto.

Faltam cinco etapas para o fim do campeonato, duas delas com Sprints. 5 x 25 (pontuação para o vencedor de um GP) = 125. 125 + 16 (pontos possíveis nas duas Sprints) = 141. São 141 pontos em jogo, portanto.

Se fizer oito pontos por etapa mais do que Piastri até o fim do ano, os dois terminam o campeonato empatados. Aí vai ser preciso recorrer ao número de vitórias de cada um para desempatar. Por enquanto, o australiano tem sete. Max, cinco.

Mais algumas continhas.

Nos últimos cinco GPs, a média de pontos de Verstappen foi de 23,8. Piastri tem a média, no mesmo período, de 12,4. Norris, 11,4. Para fazer oito pontos mais do que Piastri por final de semana até o encerramento da temporada, Verstappen terá, provavelmente, de vencer corridas. O que faz imaginar que ele pode, sim, igualar o número de vitórias do australiano. Ele não depende só dele, porém. Ainda. Se vencer todas, inclusive as Sprints, o holandês bate nos 447 pontos. Se Piastri terminar todas em segundo, chega a 450.

Max tem um grande aliado nessa arrancada para um possível pentacampeonato. Ou aliada, no caso. A McLaren. Com Piastri e Norris separados por apenas 14 pontos, não faz sentido priorizar ninguém, agora. Do ponto de vista esportivo, seria condenável. Do ponto de vista interno, um desastre. Acabaria com o clima entre todos os integrantes da equipe, do moço que opera a cancela na entrada da fábrica ao mais gabaritado engenheiro, do rapaz que tira o pó dos carros no museu de Woking ao mais sanguinário sheik árabe que compõe o board do time.

O que parecia impossível está acontecendo. Na Holanda, a primeira corrida depois da pausa de verão da F-1, Piastri venceu pela última vez na temporada. Verstappen foi o segundo e Norris abandonou, quebra de motor. Oscar abriu, com o resultado, 104 pontos sobre o piloto da Red Bull. Era o caso de jogar a toalha e pensar em 2026.

Quadriculada em Austin: triunfo tranquilo e sem sustos

Voltemos à Sharp.

Em quatro etapas, Max descontou 64 pontos. São 16 por etapa – estou usando “etapa”, em vez de “corrida”, por causa das Sprints. Se tirou 64 em quatro, por que não tiraria 40 em cinco?

Neste exato momento, dia 19 de outubro de 2025, Oscar Jack Piastri não é mais o favorito à conquista do título da F-1 deste ano. Nem Lando Norris.

Neste exato momento, dia 19 de outubro de 2025, ninguém pode ser censurado se disser que Max Emilian Verstappen vai levar a taça pela quinta vez. E, se conseguir, terá sido a maior virada da história da categoria. E a maior pipocada de uma equipe em todos os tempos. Uma vergonha. Um vexame. Uma desonra. Uma humilhação. Uma desgraça.

Largada do GP dos EUA: Leclerc salta para o segundo lugar

O placar em Austin, depois da Sprint de ontem e da corrida de hoje, foi Verstappen 33 pontos x Norris 18 x Piastri 10. O holandês fez duas poles, da minicorrida e do GP principal, e venceu as duas provas. Com a autoridade de sempre. Max, nesta tarde, largou como a bala que matou Odete Roitman. Não deu a menor chance a ninguém de tentar alguma coisa e foi embora. Charles Leclerc, com pneus macios, pulou para a segunda posição – ele, Gabriel Bortoleto e Lance Stroll escolheram esse composto; Esteban Ocon, Alexander Albon e Isack Hadjar foram de duros; o resto, de médios.

Não houve incidentes na primeira volta, exceto um toca-toca entre Bortoleto e Albon. O tailandês se deu mal e caiu para último. Na quarta volta, o tetracampeão já impunha seu ritmo. Tinha mais de 2s5 sobre Leclerc, que era perseguido de perto por Norris. Lewis Hamilton, Piastri, George Russell, Kimi Antonelli, Carlos Sainz, Yuki Tsunoda e Oliver Bearman eram os dez primeiros.

Charlinho funcionava como escudo para Verstappen, uma ajuda providencial. Enquanto Norris tentava passar o monegasco, Max ia abrindo. Hamilton também chegava, para incomodar Lando. Piastri idem, para chargear Lewis. “Briguem, desgraçados!”, gritou no rádio – esse áudio não foi levado ao ar, mas me contaram que ele falou, mesmo.

Na volta 7, incidente. Antonelli e Sainz se tocaram na luta pelo sétimo lugar. A culpa foi do espanhol da Williams, que mergulhou por dentro sobre o italiano para tentar a ultrapassagem na curva 15, esquecendo que o jovem da Mercedes tinha de contornar a mesma curva. Carlos abandonou. E ainda foi punido com a perda de cinco posições no grid da próxima corrida, no México.

Kimi voltou à pista e chamou o veterano de “idiota do caralho filho da puta de merda”. Sua mãe, dona Veronica, telefonou para Toto Wolff e mandou o chefe da Mercedes dizer ao menino que não gostava de xingamentos, muito menos de palavrões. “Ele é desbocado, dona Veronica”, desculpou-se o dirigente. “Aprendeu aí, porque aqui em casa não fala nada dessas coisas!”, respondeu a mãe de Antonelli, batendo o telefone na cara de Toto. O safety-car virtual foi acionado. O real, um Mercedes vermelho, permaneceu na garagem na 500ª corrida de um carro de segurança da marca alemã, história que começou em 1996 na Austrália.

Recolhida a viatura de Sainz, a prova foi retomada na nona volta. Verstappen, Leclerc, Norris, Hamilton, Piastri, Russell, Tsunoda, Bearman, Nico Hülkenberg e Fernando Alonso eram os dez primeiros. As coisas se estabilizaram e na volta 13 Max já tinha 4s de vantagem sobre o inglês da McLaren. Mas ele estava feliz, mesmo, com a incapacidade de Piastri de subir na classificação. O australiano era o quinto colocado, com uma corrida mais discreta que a vida pessoal de Tony Ramos.

Na 14ª volta, Bortoleto fez o primeiro pit stop normal da corrida (Albon, no início, parou por causa do toque com o brasileiro). Colocou pneus médios. Enquanto isso, na ponta, Norris atacava Leclerc. “Sai da frente!”, berrava. “Você não tem mais nada pra fazer nesse campeonato!” O monegasco respondia: “Com esse carro eu já seria campeão! Bundão!”. Esses áudios, igualmente, não foram divulgados. Mas me contaram. O #16 da Ferrari não pipocou.

Verstappen, claro, aproveitava a briga entre segundo e terceiro colocados para abrir ainda mais. Na volta 17, a vantagem dele para Leclerc batia na casa dos 7s. Lando continuava brigando pelo rádio. “Você tem menos seguidores que eu no Instagram!”, bradava. “E eu tenho mais no TikTok!”, devolvia Charles. “Você compra seguidores!”, acusava Norris. “Seu cu!”, encerrou Leclerc.

Vigésima volta, Max já tinha mais de 9s de diferença na ponta. Não perderia mais a corrida. Só lhe restava torcer para que alguém ameaçasse Piastri, para roubar dele mais alguns pontinhos. Contava com Russell, o sexto colocado. Ficou na torcida. Nada de muito agudo acontecia lá atrás.

Foi só na volta 21 que Norris passou Leclerc, com muita categoria. Demorou, mas foi bonito. Verstappen ganhou um novo amiguinho para monitorar. Na liderança, estava 11s à frente. Leclerc parou na volta 23, depois de dificultar a vida de Hamilton. Seus pneus macios tinham acabado. Colocou médios e caiu para a nona posição.

Tsunoda, sétimo: resultado decente

Sendo bem honesto, era uma corrida bem mais ou menos, a de Austin. Mesmo no fundão, lá na rabeira, no cu da cobra, como dizem de forma muito deselegante alguns amigos meus, era uma pasmaceira danada. Na metade da prova, Verstappen, Norris, Hamilton, Piastri, Russell, Tsunoda, Bearman, Leclerc, Hulk e Alonso eram os dez primeiros. Com pneus novos, o ferrarista passou o haasista (se existe ferrarista, podem existir haasista, redbullista, mercedista, sauberista e williamsista) e começou a recuperar terreno. Na 30ª volta, superou Tsunoda e foi para sexto.

Pelo rádio, a Red Bull perguntou a Max se ele precisava de alguma coisa. “Um açaí”, respondeu o holandês. “Com leite em pó?” “Sim, e leite condensado.” “Copy”, finalizou o engenheiro. Volta 31 e Piastri parou. Colocou pneus macios e voltou em sétimo. Hamilton, o terceiro, fez seu pit stop na volta 32. Mesma coisa: pneus macios para a reta final da corrida. Norris também colocou os pneus macios na volta 33. E perdeu a posição para Leclerc de novo.

A parada de Verstappen aconteceu na volta 34. Nem perdeu a liderança, porque Russell veio logo depois dele. Com todo mundo de pneu novo, Verstappen, Leclerc, Norris, Hamilton, Piastri, Russell, Tsunoda, Bearman, Hülkenberg e Albon – que teria de parar de novo — eram os dez primeiros.

Norris: segundo lugar arrancado na marra no final

A briga entre Norris e Leclerc pelo segundo lugar iria se repetir em poucas voltas. Charlinho tinha pneus médios e Lando, macios. O inglês se aproximava rapidamente. Para o monegasco, a única estratégia possível era se manter na frente até os pneus do #4 da McLaren começarem a perder rendimento. Bem atrás, registre-se a segunda parada de Bortoleto, na volta 37. Caiu para a última posição. Enquanto seu companheiro flertava com os pontos, o brasileiro amargava um de seus piores finais de semana do ano.

Foi na volta 40 que Norris, aparentemente, começou a desistir da briga. “Meus pneus acabaram”, resmungou. “Pode vir, influencer da Shopee!”, gritou Leclerc pelo rádio – de novo a transmissão não levou ao ar, mas me disseram que foi assim mesmo. E, de fato, Charles se descolou do britânico. Na volta 42, a diferença subiu para 2s. Game over.

Over?

Que nada… Na volta 50, depois de um tempinho dando um refresco para a borracha, o inglês voltou à carga. Se aproximou da Ferrari e na volta 51, na curva 1, mergulhou para cima do #16. Passou, mas tomou o X. Algumas curvas adiante, porém, superou o rival. Ganhou a segunda colocação, importantíssima para ele nessa altura do campeonato.

E nada mais de relevante se verificou até o fim da prova. Verstappen pediu para tirarem o açaí do congelador, que ele gosta um pouco mais cremoso. Conheceu a iguaria nos Lençóis Maranhenses, embora a origem da fruta seja amazônica – mas já tem sido cultivado em outros Estados, também, e o Maranhão é um deles. Venceu pela quinta vez no ano, 68ª na carreira, e festejou com absoluta serenidade. Norris e Leclerc foram com ele ao pódio. Hamilton, Piastri, Russell, Tsunoda, Hulk, Bearman e Alonso fecharam a zona de pontos.

O monstrinho está vivo. Semana que vem, morde de novo.

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AJUDA MEU PAI! (3)

Verstappen depois de fazer barba, cabelo e bigode (até agora)

SÃO PAULO (vão brincando, vão…) – Max Verstappen fez a barba ontem, com a pole-position para a Sprint do GP dos EUA. No início da tarde hoje, aparou os cabelos ao vencer a minicorrida americana. E deu um tapa no bigode no comecinho da noite, pelo horário de Taguatinga, ao cravar a pole para a 19ª etapa do Mundial de F-1 em Austin, no Texas.

Vocês assistiram a “Encurralado”, o primeiro filme de Steven Spielberg, de 1971? De baixíssimo orçamento, rodado em 13 dias, é um thriller de suspense e terror que tem apenas dois personagens, na prática: David Mann (Dennis Weaver), um vendedor de eletrônicos viajando sozinho por estradas ermas da Califórnia, e um caminhão Peterbilt 281 cujo motorista não aparece em nenhum momento da fita. O caminhão é o terror do vendedor. Persegue-o o tempo inteiro. Parece ter vida própria, já que o caminhoneiro é invisível. É um monstro. Um monstro aterrorizante! Uma criatura assustadora! Um demônio ameaçador!

Se tivessem visto esse filme, Lando Norris e Oscar Piastri sonhariam com o caminhão esta noite. Verstappen é o Peterbilt. Como são mais novinhos, devem ter na memória algum filme parecido – está cheio de filme de monstro que persegue alguém, ou “alguéns”, dentro de carros que insistem em patinar as rodas, ou não saem do lugar, ou não correm o suficiente para salvar a vida dos mocinhos.

O monstrengo apavora a dupla da McLaren como em “Encurralado”

Max venceu a Sprint mais cedo e descontou oito pontos da dupla na classificação do campeonato. Amanhã, é muito provável que vença a corrida. Vai tirar mais alguma coisa. Neste momento, a única atitude sensata dos pilotos papaia é terminar a corrida o mais perto possível do holandês.

Vai ser menos difícil para Norris, que está em segundo no grid. Piastri, que anda dando sinais de que as coisas não estão muito bem em sua cabecinha australiana, larga apenas em sexto. Que trate de fazer sua corrida com alguma tranquilidade para minimizar o prejuízo que, nessa altura, já tomou nos EUA.

Max fez sua sétima pole no ano – é o piloto que mais largou na frente em 2025. Foi a 47ª de sua carreira. Na segunda fila estarão Charles Leclerc, da Ferrari, e George Russell, da Mercedes. São quatro equipes diferentes nas quatro primeiras posições. E vamos saber como foi que tudo isso aconteceu hoje em Austin.

Hadjar bate: bandeira vermelha logo no início

O Q1 ficou interrompido por 11 minutos depois que Isack Hadjar bateu forte no setor de “esses” (plural de S, não sei como escrever isso) do circuito americano. Ninguém tinha feito tempo, ainda. O francês da Pix Também Aceitamos não se conformou com a batida e ficou se esmurrando dentro do capacete.

Boxes abertos, as coisas correram numa certa normalidade. Norris errou em sua primeira volta, mas conseguiu um tempinho OK para avançar ao Q2. Ele e Piastri passaram, mas com tempos ruins. Nico Hülkenberg (sexto) e Pierre Gasly (sétimo) foram as surpresas da primeira parte da classificação. Dois pilotos que poderiam passar tranquilamente para a etapa seguinte da sessão tiveram suas voltas canceladas por exceder os limites de pista: Lance Stroll e Alexander Albon.

Ao final, foram eliminados Gabriel Bortoleto, Esteban Ocon, Stroll, Albon e Hadjar. O brasileiro da Sauber admitiu que não está “confortável” na pista texana. Elogiou o companheiro Hülkenberg e reconheceu que o problema, neste fim de semana, é ele mesmo. O canadense da Aston Martin, além de ficar sem tempo, ainda foi punido por causa do acidente com Ocon na Sprint e larga em último. Na frente, Verstappen ficou com o melhor tempo: 1min33s207. Na sequência vieram Russell (a 0s104), Kimi Antonelli, Leclerc, Liam Lawson, Hulk, Gasly, Lewis Hamilton, Carlos Sainz e Fernando Alonso nas dez primeiras posições.

Bortoleto: fim de semana ruim no Texas

A primeira boa volta do Q2 foi de Antonelli, 1min33s044. Os comissários, na torre de controle, pediam freneticamente ao pessoal do VAR para verificar se esses tempos muito bons não eram resultado de escapadas com as quatro rodas para fora dos limites da pista, o que acontece com certa frequência em Austin. O italianinho passou batido.

Norris foi o primeiro do sábado a baixar de 1min33s, mas sua alegria durou pouco. Verstappen vinha atrás dele e fez 1min32s701, 0s175 melhor que o inglês da McLaren. Leclerc e Hamilton também entraram no “Clube 32”, que acabei de inventar – a sociedade secreta dos pilotos capazes de fazer voltas na casa de 1min32s no Q2 de Austin em sábados quentes e ensolarados de outubro com 34°C de temperatura ambiente e fervilhantes 47°C no asfalto.

Outros entrariam nesse clube na sequência da classificação, no Q3. Mas muitos, não. E acabaram excluídos Hülkenberg, Liam Lawson, Yuki Tsunoda, Gasly e Franco Colapinto. Foram para a disputa das dez primeiras posições as duplas de Mercedes, Ferrari e McLaren. Com eles, representantes avulsos da Red Bull, Haas, Williams e Aston Martin.

Na primeira leva de voltas rápidas do Q3, Russell entrou no clube supracitado com 1min32s959, que não era grande coisa. Norris virou 1min32s904, também mais ou menos, e pulou para primeiro. E Verstappen enfiou 1min32s510 nos dois. Se quisesse voltar para os boxes e abrir uma Coors geladinha, de boa. Ninguém conseguiria nada melhor. Hamilton e Leclerc ficaram em nono e décimo após as primeiras tentativas. O monegasco rodou na reta dos boxes. Não bateu em nada.

O grid nos EUA: sétima pole de Verstappen na temporada

Quem estava mal era Piastri, momentaneamente em sétimo. O australiano tem piorado a olhos vistos – adoro essa locução adverbial, das mais precisas de nossa língua. Na segunda bateria de voltas rápidas, o australiano melhorou um tiquinho e subiu para sexto. Alguns conseguiram baixar seus tempos, mas ninguém, mesmo, chegou perto da marca de Max na primeira volta. Nem ele, que sequer fechou a segunda tentativa. Norris subiu para segundo a 0s291 do holandês. Leclerc pulou para terceiro, a 0s297 da pole. Depois vieram Russell, Hamilton, Piastri, Antonelli, Bearman, Sainz e Alonso fechando o top-10.

O GP dos EUA, amanhã, começa às 16h de Ceilândia, com 56 voltas. Todo mundo está preocupado com o vento, que segundo a meteorologia vai mudar de direção, dificultando a vida dos pilotos pelas reações de seus carros às rajadas que virão sei lá de onde. Mesmo assim, Verstappen vai ganhar. Se não o fizer, será uma surpresa enorme. Como se Bartolomeu tivesse matado a Odete Roitman. Ou Aldeíde.

Falando nisso, que último capítulo horroroso esse, hein?

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AJUDA MEU PAI! (2)

Max, George e Carlos, os três primeiros: muito bom para o holandês

SÃO PAULO (vão bobeando, vão…) – Dificilmente uma Sprint será boa. Não dá para dizer sempre “corridão”, “sensacional”, “ixpetacularrrrr”. Porque são curtas, rápidas, não têm paradas para troca de pneus, prescindem de estratégias, dificilmente as posições ao final são muito diferentes das de largada, é entretenimento em dose sumária.

Só que, às vezes, seus resultados podem ser importantes, o que melhora sua reputação. Foi o caso hoje da Sprint do GP dos EUA, em Austin. Roteiro que parece ter sido escrito por Manuela Dias, de tão inverossímil: os dois pilotos da McLaren, líder e vice-líder do Mundial, bateram. Entre eles. E o terceiro colocado no campeonato, que parece não estar querendo nada com nada, ganhou.

Max Verstappen venceu (sua 13ª vitória nas 22 Sprints realizadas desde 2021) e Lando Norris e Oscar Piastri bateram. Abaixo, uma espécie de “storyboard” do que aconteceu. Volto em seguida.

Na largada, Norris partiu mal e Piastri viu a chance de passar o companheiro. O inglês era o segundo no grid. O australiano, terceiro. Max foi embora, antes que me esqueça. Quando chegaram na curva 1, uma pirambeira de 40 metros, equivalente a um prédio de 13 andares (adoro essa curva, devo dizer), Lando estava por fora e Oscar tentou dar um X no parceiro.

Só que era largada, meu filho… Estava cheio de gente em volta. Faz-se isso quando só dois carros estão naquele lugar, naquela hora. Quando puxou para a esquerda, Piastri acertou Hülkenberg, coitado, que era o quarto no grid. Seu carro decolou (foto 1) e foi em direção ao de Norris (2), que foi acertado sem defesa (3) e estourou a suspensão traseira esquerda (4). Os dois abandonaram (5 e 6).

Milagrosamente, só mais um piloto abandonou no acidente, Fernando Alonso, da Aston Martin. Hulk ficou todo arrebentado, teve de ir aos boxes, trocou o bico, voltou lá atrás e deixou de ter qualquer chance de pontuar. Assim, quatro dos seis primeiros no grid ficaram fora da disputa logo na primeira curva — três abandonaram e um despencou para o fundo do pelotão.

Isso abriu a chance para os que vinham de trás. Alguns se deram muito bem: Yuki Tsunoda pulou de 18º para sétimo, desviando de todo mundo que estava parado na sua frente; Charles Leclerc, décimo no grid, fez o mesmo e passou em quarto ao final da primeira volta; Lewis Hamilton foi de oitavo para quinto; Carlos Sainz, de sétimo para terceiro; Alexander Albon, de nono para sexto; George Russell, de quinto para segundo; Oliver Bearman, de 16º para oitavo. Assim, o grid foi embaralhado. E determinou o resultado final da minicorrida de 19 voltas.

O safety-car foi acionado antes que a primeira volta fosse completada, deixando a pista apenas no final da quinta passagem. Verstappen tinha em seu encalço um Russell faminto, a menos de 1s dele e podendo abrir a asa para tentar a ultrapassagem. Na oitava volta, mergulhou por dentro na curva 12 e os dois tiveram de sair da pista para evitar uma batida. Verstappen, Russell, Sainz, Leclerc, Hamilton, Albon, Tsunoda e Bearman eram os oito primeiros. Na nona volta, Lewis passou Charlinho, que cometeu um erro. E, na décima, Russell desistiu de atacar Verstappen, que abriu mais de 1s5 para o inglês e passou a controlar a prova.

Não aconteceu nada de muito mais relevante até o final. Houve um duelo entre Bearman e Kimi Antonelli pelo oitavo lugar, na altura da 15ª volta. O inglês da Haas excedeu os limites da pista e levou 10s de punição em seu tempo total de prova, perdendo o último ponto do dia — na Sprint, nunca é demais lembrar, pontuam os oito primeiros colocados. Na 16ª volta, uma batida besta entre Lance Stroll e Esteban Ocon provocou um segundo safety-car, que ficou na frente do pelotão até o final. A corrida terminou sob bandeira amarela, um anticlímax danado.

Mas quem ficou fritando o cocuruto debaixo do sol de 31°C de Austin viu, pelo menos, um resultado relevante. Porque Max fez oito pontos e a dupla da McLaren, nenhum. Assim, o holandês reduziu de 63 para 55 pontos sua desvantagem em relação a Piastri: 336 x 281. Entre eles está Norris, agora apenas 33 pontos à frente do piloto da Red Bull. No Mundial de Construtores, a equipe austríaca apareceu no retrovisor da Ferrari na luta pelo terceiro lugar: 307 x 300 para o time italiano, que ficou mais longe da Mercedes (333) na briga pelo vice.

Gabriel Bortoleto terminou a Sprint em 11º, depois de largar em último. Não esteve em nenhum momento na iminência de marcar pontos. O brasileiro não vem andando bem no Texas, ao contrário de seu companheiro de equipe. Hulk, no entanto, terminou atrás de Gabriel por conta do incidente da largada. E ainda levou um pito público de Zak Brown, chefe da McLaren, que considerou o alemão responsável pela batida múltipla na primeira curva. “Nenhum de nossos garotos pode ser culpado pelo que aconteceu. Foi resultado de uma pilotagem amadora”, esbravejou.

Daqui a pouco, às 18h, tem definição do grid para o GP dos EUA. Até agora, o fim de semana tem sido muito interessante para Verstappen. E, do lado da McLaren, a preocupação só aumenta.

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