OS TEMPOS E O VENTO (3)

Verstappen: quatro vitórias no ano, 67 na carreira

SÃO PAULO (bobeou) – Max Verstappen venceu o GP do Azerbaijão com um pé nas costas. Foi sua segunda vitória consecutiva na temporada, evitando a conquista antecipada do título pela McLaren – que precisava de uma dobradinha ou um primeiro e terceiro para passar a régua no Mundial de Construtores. O time teve seu pior fim de semana desde o GP de Las Vegas de 2023, quando marcou dois pontinhos. Em Baku, fez apenas seis de um apagadíssimo sétimo lugar de Lando Norris. Oscar Piastri, o líder do campeonato, bateu na primeira volta. George Russel, da Mercedes, foi o segundo. E Carlos Sainz, da Williams, conseguiu seu primeiro pódio no ano e o primeiro da equipe desde o segundo lugar de Russel na “não-corrida” da Bélgica em 2021. Gabriel Bortoleto foi o 11º.

Norris perdeu uma ótima chance de reduzir bem sua diferença para Piastri na tabela. Era de 31 pontos quando ambos chegaram à capital azeri, agora é de 25. Ele segue tendo de descontar quatro pontos por fim de semana de GP em relação ao australiano para ser campeão. Faltam sete para acabar a temporada, três deles com corridas Sprint. Sua tarefa é tão difícil quanto era depois do GP da Itália, duas semanas atrás.

Sainz leva um troféu: primeiro pódio da Williams desde 2021

O domingo foi agradável em Baku, com termômetros na casa dos 21°C, céu nublado e nada de chuva. A largada foi muito tranquila e civilizada para todos, menos para Piastri. O líder do campeonato, irreconhecível, foi ultrapassado até pelo caminhão de lixo que trafegava por uma rua paralela. Seu carro entrou em ponto morto na hora da partida. O piloto admitiu, depois, que foi erro seu, mesmo. Desesperado, coisa rara num sujeito conhecido por sua frieza e capacidade de concentração, saiu que nem uma vaca louca para recuperar o terreno perdido e, na curva 6, foi direto no muro. “Oscar, você está OK?”, perguntou seu engenheiro pelo rádio. “Sim”, respondeu o piloto. E nada mais foi dito.

Piastri batido: chance para Norris diminuir a diferença

O safety-car foi acionado imediatamente. As seis primeiras posições do grid estavam mantidas por seus proprietários originais. Na volta 5, a relargada foi autorizada e, na turma da frente, só Russell perdeu posição, para Tsunoda. Norris, mais para trás, caiu para nono. Sabia que tinha uma missão: aproveitar o primeiro abandono de seu companheiro desde o GP dos EUA de 2023. Piastri interrompeu uma série de 44 provas vendo a bandeira quadriculada, tendo marcado pontos nas últimas 34. Esse número se eleva a 42 finais de semana pontuando quando se incluem as Sprints do período. O último fim de semana zerado tinha sido no Brasil em 2023.

Verstappen controlava a corrida com tranquilidade, como de hábito. Tinha pneus duros, contra médios de Sainz, o segundo colocado. Na largada, eram nove com os compostos mais resistentes de faixa branca e 11 com os de faixa amarela. No fundo, não fazia muita diferença. Quem tinha duros ia parar depois, e só. A performance entre os compostos era semelhante.

Com dez voltas percorridas, as coisas não tinham mudado muito, exceto pela ultrapassagem de Russell sobre Tsunoda, retomando o quinto lugar. Mais para trás, Norris e Lewis Hamilton superaram Isack Hadjar. Os outsiders Sainz, Liam Lawson e Kimi Antonelli se mantinham em segundo, terceiro e quarto. Max já tinha mais de 2s de vantagem sobre o espanhol da Williams.

Max no início da prova: se livrou rápido de Sainz

Na altura da 16ª volta, Russell entrou no rádio. Ele estava havia várias voltas muito perto de Antonelli, seu companheirinho na Mercedes. “Vejam bem, queridos. Vou ser breve porque estou debilitado desde sexta-feira. Sinto cansaço, meu corpo dói, devo estar gripado. Ou com alguma virose. Sabem como são os médicos, né? Quando não têm um diagnóstico claro, dizem que é virose. Bem, vamos falar da corrida e do meu amiguinho. Kimi é jovem, impetuoso, naturalmente estouvado. É da idade… Lembro bem de como eu era nessa época da escola. Um dia briguei com um menino que furou a fila da lanchonete. Dei-lhe uma canelada. Ficamos meses sem nos falar. Entendo as crianças. Mas, voltando à corrida, falemos de pneus. Os meus, observem, vão perdurar por mais tempo, o que me coloca numa boa posição para atacar o rapaz à frente que faz propaganda de cartão de crédito. Daí que poderíamos considerar a possibilidade de o amiguinho sair da minha frente. Eu mesmo explico à dona Veronica, se ela ficar enfezada.”

Demorou tanto George para expor seus argumentos que, na 19ª volta, Antonelli foi chamado aos boxes para trocar pneus. “Venha, Kimi, senão ele não para de falar”, pediu Toto Wolff. O inglês, então, assumiu a quarta colocação. Começavam os pit stops para quem tinha largado de pneus médios, como o italiano. Charles Leclerc veio na volta seguinte. Lawson, na 21ª. Conseguiu voltar à frente de Antonelli, que tentara o famoso “undercut” – parar antes para ganhar a posição nos boxes. Mas já na volta seguinte Kimi passou o neozelandês da Equipe Que Faz Propaganda de Cartão de Crédito, assim batizada por Russell. Passou e foi embora. Estavam em nono e décimo, com vários carros à frente que ainda não tinham feito seus pit stops – os oito primeiros, de Verstappen a Bortoleto.

Russell ataca Tsunoda: piloto da Mercedes chegou em segundo

Chamava a atenção a durabilidade dos pneus médios de Sainz, segundo, e Norris, quinto. Não faziam menção de parar. Max, entrando na segunda metade da prova, cumpria seu destino cantarolando canções que escutava no rádio do carro enquanto seu engenheiro não dizia nada de muito relevante. De vez em quando ele entrava para informar que o ritmo estava ótimo, que sua pilotagem era brilhante, que sua filhinha Lily era linda, o que deixava o piloto ligeiramente irritado, já que ele estava ouvindo “Faroeste Caboclo” e impusera a si mesmo o desafio de terminar a corrida sem errar nenhum verso. Estava no trecho “(…) E lá chegando, foi tomar um cafezinho/E encontrou um boiadeiro com quem foi falar/E o boiadeiro tinha uma passagem e ia perder a viagem/Mas João foi lhe salvar/Dizia ele: Estou indo pra Brasília/Neste país lugar melhor não há/Tô precisando visitar a minha filha/Eu fico aqui e você vai no meu lugar”, trecho que gostava por causa de Brasília, e quase se atrapalhou com as baboseiras inúteis do engenheiro.

Sainz foi para os boxes na volta 28 para colocar pneus duros. Queria se proteger de Russell, que quando trocasse colocaria os compostos médios, mais velozes. George, na verdade, estava mais perto de terminar a corrida em segundo do que Pulgar. (Aqui se faz necessária uma explicação. Estou usando o último sobrenome de Sainz, Pulgar, para não ficar repetindo o tempo todo “Carlos”, “espanhol”, “piloto da Williams”. Ele se chama Carlos Sainz Vázquez de Castro Cenamor Rincón Rebollo Virto Moreno de Aranda Don Per Urrielagoira Pérez del Pulgar, o que abre várias possibilidades de utilização de sobrenomes diferentes. Não gosto de repetir palavras, mesmo que sejam nomes próprios, acho que vocês já perceberam isso.)

Com 30 voltas, Verstappen, Russell, Yuki Tsunoda, Norris, Hamilton e Rebollo eram os seis primeiros. Desses, apenas Cenamor tinha trocado pneus. A corrida não era grande coisa. Tirando o abandono de Piastri na primeira volta, os demais acontecimentos provocavam bocejos na audiência. É verdade que lá no fundão algumas disputas ocorriam, mas nada que alterasse a cotação do manat – a quem interessar possa, um manat (₼) comprava 3,13 reais (R$), pelo câmbio da sexta-feira.

Norris, em quarto, dava a impressão de que não tinha compreendido bem a oprtunidade que lhe caíra do céu com o abandono de seu parceiro. Apático, não ameaçava Tsunoda. Não dizia uma palavra pelo rádio. Não especulava estratégias diferentes, não pensava em nada que pudesse melhorar sua posição final. Nem cogitava um pódio. Seu engenheiro chegou a pedir que se aproximasse do japonês para tentar ganhar sua posição na parada. Não houve resposta.

Verstappen faz sua troca: liderou de ponta a ponta

Hamilton parou na 37ª volta. Naquele momento, restavam quatro na pista com os mesmos pneus da largada: Max, Russell (14s atrás), Tsunoda e Norris. O vice-líder do Mundial foi chamado, finalmente, na volta 38. A parada da McLaren foi lerda, 4s1 – o pneu dianteiro direito demorou um pouco para ser fixado. Voltou em oitavo. Na 39ª, Tsunoda fez seu pit stop e voltou em quinto, sendo ultrapassado imediatamente por Lawson, que tinha pneus mais aquecidos.

A Mercedes, então, chamou Russell para tentar ganhar, nos boxes, a posição de Vázquez, que era o terceiro, já de pneus trocados. O que acabou acontecendo. O inglês colocou pneus médios e voltou à frente do Williams #55 de Aranda. Por fim, na volta 41, Verstappen fez sua parada. Estava um ano na frente de Russell, voltou à pista com seis meses de vantagem. Saiu dos boxes com o rádio aberto, cantando: “Não é que o Santo Cristo estava certo?/Seu futuro era incerto e ele não foi trabalhar/Se embebedou e no meio da bebedeira/Descobriu que tinha outro trabalhando em seu lugar/Falou com Pablo que queria um parceiro/E também tinha dinheiro e queria se armar/Pablo trazia o contrabando da Bolívia/E Santo Cristo revendia em Planaltina…” “Quem é Pablo?”, perguntou o engenheiro. “Planaltina é longe?”, continuou, interessado. Mas Max não respondia, para não se perder na letra.

As estratégias de pneus foram particularmente bem executadas pela Mercedes. Russell, após as paradas, subiu para a segunda posição – tinha largado em quinto. Antonelli conseguiu superar Lawson, que largara à sua frente e caíra para quinto. Rincón perdeu o segundo lugar original e ficou em terceiro, mas estava de bom tamanho – um trofeuzinho ao alcance de suas mãos, quem poderia imaginar?

Norris, a cinco voltas do final, era o sétimo colocado, com boas possibilidades de passar Tsunoda e, com algum esforço, superar Lawson, também. Descortinava-se, finalmente, a possibilidade de um bom combate nos estertores da corrida – desde que os envolvidos se dispusessem a lutar. Hamilton, em oitavo, chegou para a festa e se posicionou logo atrás do McLaren #4.

O problema é que ninguém estava muito a fim de briga. Ficaram todos num trenzinho até a bandeira quadriculada. Max venceu com 14s609 de vantagem para Russell, o segundo colocado. Virto Moreno foi o terceiro e, feliz da vida, se emocionou no rádio com o pessoal da Williams. Antonelli, Lawson, Tsunoda, Norris, Hamilton, Leclerc e Hadjar fecharam os pontos.

Norris, apagado: sétimo lugar, apenas seis pontos

No rádio, a Red Bull parabenizou Verstappen, que venceu pela quarta vez no ano e 67ª na carreira. O holandês declamava os últimos versos da música que tocava no seu ouvido. “E João não conseguiu o que queria/Quando veio pra Brasília com o diabo ter/Ele queria era falar pro presidente/Pra ajudar toda essa gente que só faz/Sofrer!”, e esticou a última sílaba, satisfeito de ter terminado antes de chegar aos boxes.

O mais feliz de todos, claro, era Urrielagoira. “Mais feliz do que em meu primeiro pódio”, garantiu. Russell, segundo colocado, terminou a prova abatido fisicamente, porque chegou a Baku doente, meio acabado, como já sabemos por seus relatos no rádio. Max, por sua vez, foi dar sua primeira entrevista como se tivesse acabado de jogar uma partida de damas contra uma criança de seis anos. A única dificuldade, reconheceu, foi quando teve de cantar que roubava o dinheiro das velhinhas na igreja, e “de escolha própria, escolheu a solidão”. Achava aquele trecho especialmente triste, a infância e a adolescência precocemente perdidas, a entrada no mundo do crime, um caminho sem volta.

O resultado de Baku levou a Mercedes à vice-liderança do Mundial, com 290 pontos. A Ferrari caiu para terceiro com 286 – o time italiano fez medíocres seis pontos com seus dois pilotos, contra 30 dos prateados. Com 272, a Red Bull está na briga pelo vice, principalmente se Tsunoda engatar uma boa sequência de pontos. Não chega a ser uma disputa empolgante para o grande público, mas internamente os times brigam muito por essas posições.

Max, pela sexta vez na carreira, fez o que na F-1 se chama de Grand Chelem, ou Grand Slam, a saber: pole, vitória, melhor volta e todas as voltas na liderança. Empatou com Hamilton nesse item das estatísticas. Ambos só estão atrás do recordista Jim Clark (1936-1968). O holandês da Red Bull ganhou pela quarta vez no ano, 67ª na carreira. Em dois GPs, saiu de um déficit de 104 pontos para o líder da temporada para 69. Ainda há 199 em jogo.

Não, Max não será campeão. A McLaren precisaria de vários finais de semana desastrosos para seus pilotos perderem o título. Esse tipo de coisa não acontece com frequência no automobilismo, menos ainda na F-1 atual. Seria uma virada inédita e quase inacreditável, uma derrota para fechar as portas dos derrotados. Mas que a dupla papaia está cabisbaixa, está. Foram duas pancadas doloridas no queixo.

Verstappen, como se diz, vai morrer atirando.

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OS TEMPOS E O VENTO (2)

SÃO PAULO (suspende a carteira!) – Foram duas horas de classificação. Precisamente 118 minutos, e mais um daqueles recordes esquisitos para se anotar nos anais da categoria. A coisa foi tão demorada, para se ter uma ideia, que para definir o grid do GP do Azerbaijão, em Baku, levou-se mais tempo do que a corrida do ano passado, que durou 93 minutos. Por quê? Porque foi um sábado de barbeiragens a granel, com recorde de bandeiras vermelhas em classificações: seis. Meia dúzia. Ou dozena, se preferirem. Isso aí mesmo que vocês estão lendo: seis interrupções por batidas nos muros da capital azeri. Ninguém se machucou. Ferimentos apenas na autoestima de cada um.

Quando tanta gente bate, é inevitável que de uma classificação assim saia um grid embaralhado, com algumas surpresas. Carlos Sainz, por exemplo, larga em segundo com a Williams. Liam Lawson, em terceiro com a No Pix Dou Desconto. Kimi Antonelli, da Mercedes, que andava sofrendo bullying na escola e tinha ficado de castigo semana passada, dois dias sem o celular, em quarto.

McLaren? Sétimo com Lando Norris, nono com Oscar Piastri.

Ferrari, que arrebentou a boca do balão ontem com os dois melhores tempos do dia? Décimo com Charles Leclerc, 12º com Lewis Hamilton.

Na pole, Max Verstappen. O holandês da Red Bull quebrou uma sequência de quatro poles de Leclerc no Azerbaijão. No seu caso, porém, ninguém deve ficar espantado. Se é verdade que Max não tem o melhor carro do grid neste ano, tanto que está distante da luta pelo título, não é menos verdade que fez mais poles do que qualquer um em 2025. Foi sua sexta na temporada, 46ª na carreira. E quando está no comando de qualquer objeto que tenha quatro rodas e saia do lugar, nunca deve ser descartado.

A galeria de fotos lá no alto mostra cada um dos sinistros atendidos pelas companhias de seguro no sábado nublado de Baku. E a coisa começou cedo. Nem todos tinha feito tempo ainda quando Alexander Albon tocou o muro com a roda esquerda dianteira na curva 1. Uma incomum demonstração de imperícia de um piloto que erra pouco. Quebrou a suspensão, e o Q1 foi interrompido com bandeira vermelha pela primeira vez no dia, para remoção de seu carro azul da cor do mar Cáspio. Retomados os trabalhos depois de alguns minutos, Leclerc era o líder com 1min41s982, com Verstappen em segundo e Norris em terceiro.

Foram apenas cinco minutos de carros andando, porém. Logo depois Nico Hülkenberg bateu, quebrando o bico de seu Sauber e deixando a asa dianteira pelo caminho. Nova bandeira vermelha para limpeza do local. Nico conseguiu levar o carro de volta aos boxes e o time trocou o nariz do automóvel. Ele não precisou abandonar a classificação.

Tudo limpo, pista liberada, os tempos começaram a cair vertiginosamente até uma terceira bandeira vermelha, quando o cronômetro estava perto de zerar e ainda tinha gente na pista para fechar volta. Franco Colapinto foi o autor da pancada. Segundos antes, Gabriel Bortoleto tinha conseguido sair da zona de degola. O argentino, no terceiro treino livre, já tivera seu carro atingido por uma robusta maçã verde, daquelas azedas. O fruto caiu de uma macieira, o que é óbvio, e ainda, no rebote, bateu no Aston Martin de Fernando Alonso.

A maçã de Colapinto no treino livre (clique na foto para ver o vídeo)

O Isaac Newton da terra de Maradona acabou eliminado junto com Hulk, Esteban Ocon, Pierre Gasly e Albon. O carro de Ocon não passou na vistoria técnica (problema de flexão excessiva da asa traseira) e ele larga em último. Norris, com 1min41s322 foi o mais rápido do Q1, com Verstappen em segundo apenas 0s009 atrás. O primeiro segmento da classificação, com as três batidas, durou 40 minutos.

FIM DE LINHA – Colapinto está próximo da demissão. A Alpine está em momento de definição do segundo piloto para 2026 e o chefe Flavio Briatore já citou como candidatos Jack Doohan, que começou a temporada pelo time azul e foi sacado depois de seis corridas, e Paul Aron, estoniano, seu piloto de testes. Franco faz parte da lista, mas sua sequência de acidentes e maus resultados dificilmente será recompensada. Neste momento, e mais ainda depois de nova batida, Aron é o nome mais forte.

Mal começou o Q2 e a quarta bandeira vermelha do dia foi acionada. Oliver Bearman deu uma esbarrada no muro, quebrou a suspensão e parou o carro no meio da pista. Ninguém tinha fechado volta ainda. Diria Léo Batista, como disse quando a Lusa meteu 6 a 0 no Fast Clube em 1978: não perca a conta! Eram quatro interrupções até ali. E muito trabalho para os fiscais de pista para o serviço de limpeza e arrumação das barreiras de proteção. A classificação já passava de uma hora de duração e ainda faltava bastante coisa para acontecer.

Hamilton: parou no Q2, depois de ser o mais rápido ontem

O sol estava se pondo em Baku, que está sete horas à frente do horário de Ceilândia. Já passava das cinco da tarde enquanto os 15 mais rápidos do sábado aguardavam nas garagens para fazer suas voltas de classificação. A temperatura estava na casa dos 21°C e, no asfalto, caíra dos quase 40°C registrados nos treinos livres para 27°C. A série de bandeiras vermelhas, conhecidas como “red flags”, lindas, diga-se (amanhã veremos muitas pelo Brasil inteiro), tirou a concentração de muitos pilotos. Erros, rabeadas, escapadas, leves ósculos nos muros, voltas ameaçadas pelos limites de pista, tudo acontecia para atrapalhar uns e outros.

E, nessa sequência de intercorrências, quem dançou miseravelmente foi Lewis Hamilton, o mais rápido da sexta-feira. Ficou em 12º, atrás de outro veterano eliminado, Alonso. Depois deles empacaram no Q2, ainda, Bortoleto, Lance Stroll e Bearman. Lá na frente, quem colocou de vez o pescocinho para fora do engradado foi Verstappen, fazendo 1min41s255 e deixando todo mundo que sonhava com a pole – e não eram muitos – preocupado. Norris, Piastri, George Russell, Antonelli, Leclerc, Lawson, Isack Hadjar, Sainz e Yuki Tsunoda avançaram. Quatro equipes foram adiante com suas duplas (Red Bull, Mercedes, McLaren e Pode Parcelar em Três). Duas, com apenas um piloto (Williams e Ferrari).

Max e Sainz: primeira fila inusitada em Baku

Começa o Q3, temperatura caindo, asfalto mais frio, tempo fechando, Russell dá uma escapada, Verstappen entra no rádio e diz, já lançando a pergunta: “Está muito escorregadio, está chovendo?”. Não parecia. Chuva, de verdade, é outra coisa. Mas antes que o engenheiro rubro-taurino consultasse seus alfarrábios meteorológicos, veio quinta bandeira vermelha do dia: Leclerc foi direto na curva 15 e bateu de frente na proteção de espuma rígida. Naquele momento, Sainz, Lawson e Hadjar eram os únicos que tinham fechado voltas. Já na garagem, o espanhol da Williams comentou com seu pessoal: “Se chover mais forte podem começar a dançar aí”.

E não é que suas preces foram atendidas, como, esperamos, serão as de Alcione? OK, não era nenhuma tempestade capaz de levar o Datena a chamar o Comandante Amilton para filmar Corsas e Palios boiando em Osasco, Renegades com pane elétrica no Aricanduva e Unos passando pelas águas com escadas no teto sem nem engasgar. Longe, muito longe disso. Foram alguns pingos, nada mais. Se chovesse de verdade, Sainz ficaria com a pole. Quem não tinha tempo marcado ainda ficou torcendo para demorarem a arrumar a barreira onde Charlinho batera, para que o sol que se insinuava entre as nuvens, ainda que no poente, se encarregasse de secar os trechos que úmidos se apresentavam.

Lawson, terceiro, com Sainz: melhor grid do neozelandês

A sessão foi reiniciada com exatos 7min07s de tempo disponível e sete dos dez finalistas sem voltas cronometradas. Eram 17h37 locais, 10h37 em Taguatinga. Assim que foram à pista, deu para perceber que a macumba climática de Carlos e do druida James Vowles não iria funcionar. Não tinha mais chuva nenhuma, a pista estava sequíssima. Mas…

Mas o santo do piloto da Williams é forte e guerreiro, assim como as feitiçarias do seu chefe. Piastri bateu na curva 3. Alô, Léo Batista! Estava estabelecido o recorde de seis bandeiras vermelhas numa classificação. Nunca antes neste país, o Azerbaijão, nem em país algum algo assim fora registrado em 75 anos de Fórmula 1.

Faltavam 3min41s para a quadriculada. Ninguém fechou volta. Seguiam nas três primeiras posições Sainz, Lawson e Hadjar, os únicos com tempos registrados. Verstappen vinha numa volta boa, capaz de bater o tempo do espanhol, mas como a bandeira vermelha foi acionada antes, foi abortada.

Eram 17h54 em Baku, 10h54 em Taguatinga, quando os boxes foram abertos de novo. Eu, se fosse Sainz, batia de propósito, provocava uma bandeira vermelha – uma a mais, uma a menos… — e acabava com aquela agonia. (Brincadeira, não se deve bater de propósito nunca.) Norris foi o primeiro a sair para a pista. Carlos, o segundo da fila. Chover, mesmo, não chovia. Pneus novos já não havia para todos.

Norris não conseguiu bater Sainz – lambeu o muro, quase arrebentou o carro. Russell tampouco. Sainz não melhorou sem tempo. Lawson fez uma bela volta e subiu para segundo. Antonelli, idem, deixou de lado a semana difícil (teve um moleque que colou chiclete na mochila dele) e foi para terceiro. Mas tinha Verstappen na pista. E o cara fez uma volta em 1min41s117. “Quem estava na minha frente?”, perguntou Max pelo rádio. “Carlos Sainz Vázquez de Castro Cenamor Rincón Rebollo Virto Moreno de Aranda Don Per Urrielagoiria Pérez del Pulgar”, respondeu seu engenheiro. “Você foi 0s478 melhor que ele”, continuou, mas Verstappen nem ouviu porque desligou o rádio depois de Rincón.

Resumindo, depois de duas horas de classificação, seis bandeiras vermelhas, várias barreiras de proteção estragadas e muitos carros arrebentados, os dez primeiros no grid de Baku foram Verstappen, Sainz, Lawson, Antonelli, Russell, Tsunoda, Norris, Hadjar, Piastri e Leclerc. A Williams não tinha um carro na primeira fila desde o infame GP da Bélgica de 2021, com Russell em segundo naquela corrida que nem aconteceu. A McLaren teve sua pior classificação desde o GP do Bahrein do ano passado.

Com cinco carros de escudo entre ele e o primeiro papaia dos líderes do campeonato, Verstappen tornou-se instantaneamente o favorito à vitória amanhã. Mas a julgar pelo nível da pilotagem demonstrado hoje (todo mundo culpou o vento), é possível que a corrida tenha outras batidas, intervenções de safety-car, maçãs voadoras. Até chuva andam dizendo que pode ter. Aguardemos.

O GP azeri começa às 8h. Bom motivo para levantar cedo amanhã. Depois, às 14h, rua para todo mundo. Tem Chico, Gil e Caetano em Copacabana. E Lenine, Maria Gadu e Djavan. Se você não quiser ver a corrida e mora em Salvador, Daniela Mercury às 9h. É de Brasília? Chico César às 10h. Impressionante como somos muito melhores. Se fosse do outro lado, veríamos Latino, Gustavo Lima (tem umas letras dobradas no nome desse aí, não sei quais) e Leonardo. Talvez até aquele sanfoneiro que foi ministro não sei de quê e toca mal pra caralho.

Às vezes não entendo sequer a existência desse lumpesinato que insiste em estragar o Brasil.

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OS TEMPOS E O VENTO (1)

Hamilton, o mais rápido da sexta

SÃO PAULO (morde e assopra) – Nem parece 2025. A Ferrari ficou em primeiro e segundo hoje no último treino livre do dia para o GP do Azerbaijão. A McLaren, que pode ser campeã antecipada de Construtores neste fim de semana, ficou em décimo e 12º. Banana tá comendo macaco, diria um velho amigo que sempre, sempre mesmo, manda a mesma frase quando algo estranho às suas expectativas acontece. Um presidente da Câmara colocando um tema importante para o país em votação, por exemplo: “Banana tá comendo macaco”. Um bolsonarista indignado com o genocídio em Gaza: “Banana tá comendo macaco”. Um motoqueiro paulistano parando antes da faixa de pedestres: “Banana tá comendo macaco”.

Ferrari em primeiro e segundo é banana comendo macaco. Não sei se vai ser assim amanhã. A McLaren teve sua pior sexta-feira do ano — ao menos até onde me lembro. É bom que se diga que as coisas começaram bem para os papaias, com 1-2 no primeiro treino. Mas, no segundo, Lando Norris bateu a roda traseira esquerda no muro na saída da curva 4 e quebrou a suspensão. Tinha mais meia hora de treino pela frente ainda, mas ele perdeu o tempo de trabalho. Oscar Piastri também lambeu os muros de Baku e não teve uma segunda sessão tranquila.

É bom que se diga que os carros vermelhos têm bom retrospecto no Azerbaijão, ao menos em classificações. As últimas quatro poles de Baku foram anotadas por Charles Leclerc. Vitória já é pedir demais, mas cinco troféus que repousam nas estantes de Maranello foram conquistados na capital azeri, a cidade fustigada pelo vento. Sebastian Vettel foi segundo em 2016 e terceiro em 2019; Kimi Raikkonen ficou em segundo em 2018; e Leclerc terminou em terceiro em 2023 e em segundo no ano passado.

Por isso, se um dos dois, Leclerc ou Lewis Hamilton, fizer a pole amanhã, que ninguém caia da cadeira ou antecipe a decadência da McLaren. Pode ser que um dos dois consiga, para júbilo e euforia dos torcedores ferraristas. O que não significa que vão ganhar a corrida.

Quem quer ganhar mesmo é a McLaren. Com uma dobradinha ou um primeiro e terceiro lugares no domingo, o time passa a régua no título das equipes deste ano com sete provas de antecipação — seria um recorde, batendo a Red Bull de 2023 que fechou a conta no Japão, seis provas antes do final do campeonato.

Norris no muro da curva 4: suspensão quebrada

E, na McLaren, quem precisa ganhar mesmo é Norris, 31 pontos atrás de Piastri na tabela. Para ser campeão, o inglês precisa descontar quatro pontos por etapa até o fim do ano, três delas com Sprints (Austin, Interlagos e Losail). No Mundial de Construtores, só para registrar, a McLaren tem 617 pontos contra 280 da vice-líder Ferrari. São 337 de diferença. Com 389 pontos ainda em jogo, o time inglês precisa sair do Azerbaijão com 346 de vantagem sobre quem estiver em segundo. A equipe, campeã no ano passado, busca seu décimo título mundial. Se não for agora, será na próxima, em Singapura. A vantagem é pornográfica.

A surpresa do dia, Ferrari à parte, foi a dupla da Haas entre os dez primeiros, com Oliver Bearman em quinto e Esteban Ocon em oitavo. Atrás dos carros vermelhos ficaram os dois da Mercedes, George Russell e Kimi Antonelli. Gabriel Bortoleto, da Sauber, foi o 15º.

No mais, foi um dia razoavelmente tranquilo dentro e fora da pista. O primeiro treino foi prejudicado por uma zebra plástica mal fixada no asfalto, comendo uns 20 minutos da sessão para arrumar. Nas arquibancadas, bandeiras celebraram Franz Hermann, que vocês sabem quem é. Se não sabem, informem-se! O cara vai ser a maior atração das 24 Horas de Nürburgring no ano que vem!

Amanhã tem mais um treino às 5h30 e a classificação começa às 9h. A corrida, domingo, tem largada prevista para as 8h, horários de Planaltina.

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SE NON È VERO…

SÃO PAULO (tim-tim) – A Cadillac anunciou hoje mais um patrocinador, o bourbon Jim Beam. No comunicado oficial, o serviço de imprensa da marca informa:

Mais do que um patrocínio, esta história levou 90 anos para ser construída. Todas as noites, Jim Beam, o lendário fundador da marca, colocava um pote de vidro com sua levedura patenteada — o coração vivo de sua receita protegida — no banco da frente de seu Cadillac e o levava para casa para protegê-lo do fogo e da proibição. Esse ritual diário preservava o ingrediente essencial, que define o sabor incomparável de Jim Beam, apreciado hoje em todo o mundo. Atualmente, Fred Noe, mestre destilador da sétima geração de Jim Beam, ainda dirige um Cadillac, uma homenagem silenciosa ao carro que faz parte do seu legado familiar.

A bebida nasceu com outro nome e existe desde 1795. Pelo que entendi ficou na mão da mesma família até 2014, quando foi comprada pela japonesa Suntory. A marca Jim Beam é de 1935.

Chique, a Cadillac.

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ENCHE O TANQUE

Me mandaram com a legenda: Rio de Janeiro, 1979. Acho que é antes — um Belcar táxi no Rio em 1979, acho difícil, ainda que seja um 67. Algumas pistas: o Landau é 1973, se bem me lembro dessa frente. Mesmo ano do lançamento do Chevette, que aparece na foto. Portanto, antes de 1973 que não é. Na frente dele, porém, há uma Brasília que parece ter quatro portas. E a Brasília quatro portas é de 1979, mesmo… Mas não dá para ter certeza que é uma quatro portas. Agora, tem um Corcel atrás do Landau que é, no mínimo, 1975. Assim, chegamos ao que pode ser o ano da foto, na pior das hipóteses. Antes de 1975 que não é, também. Esse logotipo da Shell foi introduzido pela empresa em 1971, então tudo bem, faz sentido. Não consegui identificar o local. Alguém ajuda?

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ONE COMMENT

Sem patriotada, acho um erro tirar Interlagos da lista de Sprints. Se tem uma pista onde esse tipo de corrida “encaixa”, é essa. No ano que vem, as novidades serão Canadá, Silverstone (que volta), Holanda e Singapura. China e Miami permanecem.

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AGENDINHA AZERI

E vamos pro Azerbaijão! Negócio, esta semana, é dormir cedo…

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ENCHE O TANQUE

Lucas Curotto mandou as fotos de Lavonia, nos EUA. Fica no estado da Geórgia. Segundo ele, não fornece mais combustível. Mas a lojinha de souvenirs está em pleno funcionamento.

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MEU PÚBLICO

SÃO PAULO (preparando o terreno) – Vocês devem ter visto esse carro na TV nos últimos dias. Foi apreendido em Brasília na casa de um cara envolvido, segundo a PF, no escândalo da roubalheira do INSS — que, diga-se, começou no governo de Bolsonaro.

Meu texto na newsletter que escrevo desde o ano passado na plataforma Substack é sobre o perfil do sujeito. Que, na prática, é bem parecido com o que chamo de “meu público”. Tem um trecho depois da foto. Volto depois dele.

Fernando Cavalcanti, o dono da réplica da McLaren de 1993 e dos outros itens listados, tinha também penduradas na parede de sua garagem outras réplicas, de cockpits de carros de F-1. Essas a PF deixou por lá, não têm valor algum. É meu público, repeti, agora em voz alta, quando Laêne chegou para ver a TV e na tela apareciam os cockpits e o carro vermelho e branco patrocinado pela Marlboro com o número 8. O sujeito era sócio até outro dia de um advogado chamado Nelson Wilians, de quem eu já tinha ouvido falar. Sendo mais específico, porque ninguém tinha me falado nada sobre Nelson Wilians, sabia de sua existência porque há alguns anos, não muito tempo atrás, notei que o dito cujo comprava volumosos espaços na “Folha” para publicar anúncios e/ou artigos genéricos sobre qualquer assunto. Chamaram-me a atenção, na época, a frequência com que seu nome aparecia no jornal — impresso, eu ainda assino jornal de papel; somos dois no meu prédio, o outro assina o “Estadão”, fico imaginando que tipo de gente é, e ele deve achar o mesmo de mim — e a grafia do sobrenome, Wilians, com um L só e N antes do S. Parecia erro de escrivão, mas foi fácil confirmar que era aquilo mesmo, Wilians. Voltarei a ele. Antes, concluamos minhas impressões sobre Fernando Cavalcanti — a quem, nunca é demais lembrar, estou me referindo como sendo “meu público”.

Voltei.

Se vocês clicarem na foto, vai abrir o link da minha newsletter. Lá vocês poderão ler o texto na íntegra. Mas só se forem assinantes. É tudo intuitivo, com três ou quatro cliques assina-se a newsletter e passa-se a receber todas as atualizações no e-mail. Não custa quase nada: 13 reais por mês. Simples e nada invasivo.

É bom todo mundo aqui começar a se acostumar. Até o fim do ano, este blog deverá ser congelado. Ele completa 20 anos no ar no dia 5 de dezembro. Sei que alguns vão reclamar, outros ficarão chateados, outros tantos compreenderão. O blog não vai desaparecer, continuará onde está, mas deixará de ser atualizado. E continuará vivendo no Substack, plataforma paga que tem sido a saída para jornalistas profissionais que querem continuar escrevendo e já não têm onde, porque seus jornais, revistas e portais fecharam. Mal comparando, é como um canal de TV que, numa mudança de parâmetros técnicos impostos pelo governo, tem de mudar de sinal analógico para digital. De canal X no seletor da antiga Telefunken, passará a ser Y no controle remoto da smartv Samsung. Mas, para acessá-lo, será preciso pagar um serviço de internet que, por sua vez, tornará possível encontrar o antigo canal X no streaming.

O Substack (e seus pares, mas só conheço esse) é a única forma, hoje, de alguém ser remunerado pela escrita. Porque a maioria dos sites de notícias no mundo inteiro já está recorrendo a ferramentas de inteligência artificial para redigir seus textos. Isso está acabando com o jornalismo e com a produção literária e acadêmica. Livros têm sido escritos por IA, assim como campanhas publicitárias, músicas, teses de mestrado e doutorado, decisões judiciais, relatórios de empresas.

O Substack não é uma rede social. É onde já estou publicando e passarei a publicar todos meus textos, sobre todos os assuntos. Na prática, continuará sendo um blog. Cuja definição, encontrei no Google, é:

Um blog é um site (ou parte de um site) onde uma pessoa compartilha textos, ideias, fotos, vídeos e outros conteúdos sobre temas variados, como moda, viagens, tecnologia, culinária, entre outros. Esses posts geralmente são atualizados de forma regular e podem ser comentados pelos leitores.

Pela definição, é fácil concluir que são a mesma coisa, um blog e o que vocês encontrarão no Substack. Eu vivo de escrever. Vou continuar vivendo. O blog, que nasceu em 2005 como “blig”, porque era hospedado no portal iG — que ainda existe, mas receio que tenha perdido relevância; nem sei quem é o dono, não sei quem escreve lá, não sei de nada –, é onde escrevo no dia a dia. Não existiam Instagram, Twitter, TikTok, WhatsApp, Facebook, YouTube. Assim, minha página fazia, de alguma forma, todas as funções dos que vieram depois dela: textos curtos, fotos, vídeos, troca de mensagens, comentários, debate, tudo. Passou por várias fases nessas duas décadas e, no fim, foi nocauteado pelas redes sociais.

Mas não vou fazer nenhum obituário hoje. Ainda estamos em setembro. Vão lá na newsletter — ela se chama “Gira Mondo”, numa referência explícita a uma seção nascida aqui que todo mundo gostava. Já tem um ano e meio de vida, quase cinco mil assinantes, sendo pouco mais de 500 pagos. Muita coisa inédita foi publicada lá, e só quem assina leu.

Assinem, pois. Assim, este blog viverá para sempre.

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Rick Davies se foi nesta semana. Supertramp talvez seja a banda que mais tocou nos meus Bosch da vida — no Rio de Janeiro com Tojo do meu Golzinho 82, nas noites frias da cidade, vidros fechados, luzinhas piscando. Obrigado ao Mauricio Rocha, que mandou o vídeo.

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