PATRIOTÁRIOS (13)

CAPITAL PAULISTA (preparem as capas) – Lando Norris, que vive ótima fase tanto no pessoal quanto no profissional, fez a pole-position para a Sprint do GP da Capital Paulista, minicorrida de 24 voltas que será disputada amanhã às 11h em Interlagos se o ciclone extratropical da Enel permitir. Permitindo, é bem provável que a prova aconteça com pista molhada, de acordo com os serviços meteorológicos.

O inglês da McLaren, líder do campeonato, terá a seu lado na primeira fila um fã declarado de Ayrton Senna, que até ao cemitério foi durante a semana para visitar o túmulo do brasileiro: Kimi Antonelli, da Mercedes. O menino usa o número 12 em seu carro, o mesmo que Ayrton usou de 1985 a 1988 na Lotus e na McLaren.

Oscar Piastri, vice-líder do Mundial apenas um ponto atrás de Norris, seu companheiro de equipe na alegria e na tristeza, larga em terceiro. Max Verstappen, que ainda sonha com o título, colocou a Red Bull na sexta posição. Gabriel Bortoleto, da Sauber, será o 14º no grid. A Sprint dá pontos do primeiro ao oitavo colocado.

A classificação para a Sprint, oficialmente chamada de Shootout, ou “chutáut”, que é o jeito certo de falar, começou com sol de geladeira, 18°C, e terminou com o céu já bem nublado. Um tempo carrancudo. Foi aquela pauleira de sempre: pouco tempo para fazer voltas rápidas, nenhuma margem de erro, um salve-se quem puder. Boxes abertos, pneus médios para todos – é regra –, a ordem é: faça logo um tempo decente e torça para ficar entre os 15 na primeira parte. Depois a gente vê.

A McLaren foi a primeira a entrar na casa dos nove, como a gente fala nos boxes: 1min09s702 para Norris, que vive bom momento no pessoal e no profissional – acho que já disse isso, mas vale o reforço. Depois, baixou para 1min09s627. Verstappen também entrou rapidamente nos nove, 1min09s975. Fernando Alonso, Piastri, George Russell, Oliver Bearman, Isack Hadjar, Pierre Gasly, Bortoleto e Lewis Hamilton foram os dez primeiros. Algumas observações aqui. Primeiro, ótimo trabalho de três estreantes – Bearman, Hadjar e Bortoleto – e do veterano Alonso. Segundo, um carro parece que acordou do nada, o Alpine de Gasly – no treino livre ele já tinha dito isso, que é o melhor carro que tem no ano, que Interlagos lhe traz grandes memórias, que essa pista é mágica e blá-blá-blá. E só, achei que teria uma terceira observação, daria ritmo ao texto, mas não tenho.

Alonso, quinto no grid: panela velha é que…

Os degolados foram Franco Colapinto, Liam Lawson, Yuki Tsunoda, Esteban Ocon e Carlos Sainz.

Sainz em último, puxa vida. Reclamou da “pior execução” da vida quando recebeu a bandeira quadriculada. “Execução” hoje, na F-1, é saber a hora de mandar seu piloto para a pista para fugir do tráfego, preparar a volta rápida – tem de aquecer pneus a temperaturas muito exatas, idem para os freios, entender a direção do vento, decifrar os mistérios dos deuses da velocidade –, pegar um vácuo, se der. Mas tenho cá minhas desconfianças de que o que Sainz executou mal foi a escolha do cardápio quando chegou a São Paulo, talvez tenha arriscado um dogão de Osasco, eu não cai bem para todo mundo. Ontem ele nem apareceu no autódromo porque estava se sentindo mal. Depois vamos ouvi-lo para saber o que aconteceu.

Vamos ao SQ2, ou “chutáut 2”, como queiram. De novo tudo na correria, dez minutinhos e nada mais, não peçam muita coisa para os engenheiros, vão lá e se virem, novamente com pneus médios. E todo mundo começou a andar na casa de 1min09s. Nove baixo para os mais rápidos, como a gente fala nos boxes. Alonso virou 1min09s330 na primeira tentativa, quase 0s4 melhor que a primeira de Verstappen. Norris, Russell e Piastri chegaram perto do espanhol, que terminou numa surpreendente primeira colocação. Bonita volta, Fernandinho. (Procurem no Google: US Top Fernandinho, só isso. Estou meio sem tempo para explicar minhas referências culturais.)

Fim de papo, eliminados: Hamilton, Alexander Albon, Gasly, Bortoleto e Bearman.

Dois dos três estreantes elogiados parágrafos acima não confirmaram o entusiasmo inicial do escriba, assim como Gasly. Lewis, cidadão honorário desta nação, foi a decepção. Charles Leclerc se safou. Nico Hülkenberg, que em 2010 fez a pole em Interlagos pela Williams, colocou a Sauber na fase final da classificação. Faz tempo, e ele segue por aqui, firme e forte. Naquele ano o grid ainda tinha Michael Schumacher, Felipe Massa, Rubens Barrichello, Robert Kubica, Jarno Trulli e Pedro de La Rosa.

Alonso, Norris, Russell, Piastri, Antonelli, Hadjar, Lance Stroll, Verstappen, Leclerc e Hülkenberg avançaram. Sete equipes diferentes, três delas – Aston Martin, McLaren e Mercedes – com suas duplas, quatro com representantes solitários – Aqui Todo Mundo Usa Pix, Red Bull, Ferrari e Sauber.

No SQ3, todos tiveram seu primeiro contato com os pneus macios em Interlagos, já que ninguém usou o composto nos treinos livres (só Tsunoda, mas esse já tinha dançado). Norris saiu logo no início – eram só oito minutos de pista – e fez 1min09s271 de cara. Alguns pilotos, como Stroll, Alonso Verstappen e Hadjar, optaram por uma tentativa solitária. Lando, na segunda volta, melhorou: 1min09s243. E só ele. Vive, como já dito, mas realmente julgo pertinente repetir, uma ótima fase no pessoal e no profissional.

O grid da Sprint: Antonelli é a surpresa

Antonelli, em segundo, foi a surpresa do sábado, no fim das contas. Ficou a 0s097 do inglês, numa pista que não conhecia, ainda. Piastri ficou a 0s185 do companheiro cor de mamão. Ao seu lado na segunda fila estará Russell. Alonso ficou em quinto, uma posição à frente de Verstappen. O tempo do holandês foi 0s337 pior que o de Norris. Stroll, Leclerc, Hadjar e Hulk fecharam o top-10.

Norris tem uma chance de ouro amanhã de ampliar a vantagem sobre seus dois concorrentes direto ao título. Verstappen está 36 atrás e se terminar o fim de semana de Interlagos com menos pontos que o britânico, pode dar adeus ao campeonato. Esta pista, na zona sul da Capital Paulista, já decidiu seis títulos: de 2005 a 2009 em sequência e em 2012. Não sai campeão daqui, domingo. A matemática impede. Mas o resultado do Brasil definirá o destino de Max em 2025.

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PATRIOTÁRIOS (12)

Bortoleto: primeiro GP em casa terá chuva, mas só amanhã

CAPITAL PAULISTA (fujam para as colinas!) – A Enel está mandando mensagens para celulares e e-mails. Para quem não sabe, a Enel é a empresa italiana que comprou a Eletropaulo, que por sua vez era a Light, que por sua vez tinha sido comprada pelo governo, mas não havia mudado de nome. Quando a Light virou Eletropaulo, me corrijam se estiver enganado, o governador era Paulo Maluf. E todo mundo dizia que ele tinha mudado o nome só para que as pessoas lembrassem dele, Paulo. Ficou claro? Curioso é que até hoje a razão social é Eletropaulo. Pelo menos é o que vem no boleto.

Mas eu dizia que a Enel está emitindo alertas por causa disso aqui:

Devido à formação de um ciclone extratropical que se desloca do Sul do país para o estado de São Paulo, há previsão de ventos fortes e chuvas intensas amanhã (08/11) e nos próximos dias. Diante desse cenário, ativamos nosso plano de contingência, com reforço das equipes em campo e dos canais de atendimento, para garantir o suporte necessário em caso de ocorrências.

Ciclone é palavra sempre assustadora. Pertence à família dos furacões, das tempestades, dos tufões, dos tornados. Como no ano passado teve algo parecido no sábado — a classificação foi adiada para o domingo pela manhã e a corrida teve de ser antecipada porque o céu prometia desabar no horário original, o que de fato aconteceu –, estão todos apavorados por aqui. Será que o mundo vai acabar?

Não ainda. Hoje, pelo menos, não. O sol brilha sobre Interlagos e a temperatura agora é de 20°C, muito agradável. Enquanto não começa a classificação para a Sprint de amanhã, que será realizada se o ciclone da Enel deixar, separei mais algumas fotos do dia para passar o tempo. Nenhuma de minha autoria, todas de fotógrafos contratados das equipes e da organização do GP. Depois delas eu volto.

Voltei para dizer que ninguém precisa ter medo do ciclone extratropical. Voltei para mostrar que ventos muito mais dramáticos, como os solares, são só poesia.

Viva Lô Borges.

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PATRIOTÁRIOS (11)

Norris em primeiro: McLaren léguas na frente

CAPITAL PAULISTA (só chove amanhã) – A McLaren dominou como quis a primeira sessão de treinos para o GP da Capital Paulista agora há pouco em Interlagos. Primeira e única, já que é fim de semana de Sprint – a quinta do ano. Lando Norris foi o mais rápido com 1min09s975, 0s023 à frente de Oscar Piastri. Os dois estão separados na classificação por apenas um ponto. A etapa brasileira é a 21ª da temporada, que ainda tem mais três – Las Vegas, Catar e Abu Dhabi.

Nico Hülkenberg, com a Sauber, terminou em terceiro, seguido do veterano Fernando Alonso, da Aston Martin. Gabriel Bortoleto foi o quinto colocado.

Choveu em São Paulo de madrugada, embora seja um tanto impreciso dizer “choveu em São Paulo” para quem não mora aqui. A cidade é grande. Pode chover no Canindé e fazer sol no Morumbi, por exemplo. Um tufão pode destruir o Butantã ao mesmo tempo em que uma nevasca soterra a Mooca. Uma enchente pode varrer Itaquera do mapa enquanto na Barra da Tijuca, que fica colada, a seca deixa flagelados.

Mas choveu na zona sul, onde fica Interlagos, o que também não é lá muito preciso, e explico. Eu, por exemplo, moro na zona sul, perto do aeroporto de Congonhas. E a zona sul acaba na Serra do Mar – dá para ver a praia da última fronteira da cidade, acreditem; e, como não minto, a prova está aqui.

Essa chuva da madrugada e das primeiras horas da manhã molhou o asfalto de Interlagos, claro, mas quando começou o único treino livre do fim de semana estava tudo seco. Um sol tímido – daqueles que não falam muito, procuram passar despercebidos – até brilhou entre as nuvens e a temperatura estava em agradáveis 20°C quando o primeiro carro foi para a pista, às 11h35 pelo horário de Marsilac. A sessão começou com cinco minutos de atraso. Não soube o motivo ainda, mas prometo que, se souber, conto. No asfalto, 41°C.

Tsunoda bate de leve: japonês conseguiu voltar

A primeira vítima dessa chuva da madrugada foi Yuki Tsunoda. Primeira e única. Subiu na zebra da curva do Lago e, pela dinâmica da rodada, eu que sou muito experiente exclamei: pegou a zebra molhada! (Falei por falar, não devia estar mais molhada àquela altura da manhã. Mas é o tipo de explicação que impressiona os incautos.) O japonês, por sorte, não apontou para o lado de dentro da curva, onde há um muro. Foi bater muito de leve do outro lado, e conseguiu voltar para os boxes.

Os pneus duros foram os escolhidos pelas equipes para quase todo o treino. Durante 45 minutos, só eles rodaram pelos 4.309 m do circuito da Capital Paulista. O único a usar macios foi Tsunoda.

Enquanto eram esses os pneus usados, os tempos de volta se encaixaram na janela entre 1min11s e 1min12s. São sempre uma ótima referência, esses tempos. Superam em exatamente um minuto minhas voltas de Gol Bolinha no Campeonato Paulista. Eu provo tudo, as imagens aí embaixo são de uma das corridas desta temporada, não sei bem qual etapa. Aliás, a última é dia 21 de dezembro e estou liderando o campeonato na minha categoria, como também prova a tabela anexa a esta postagem.

Nos últimos minutos a turma colocou pneus médios e as voltas entraram na casa de 1min10s. Mas nem todo mundo desfrutou da borracha mais veloz. Max Verstappen, por exemplo, pegou muito tráfego e não virou tempo, como a gente diz no linguajar dos boxes. Terminou em 17º. Charles Leclerc e Lews Hamilton também ficaram na rabeira da tabela.

Piastri vinha sendo o destaque do treino, andando bem o tempo todo e sendo o primeiro a baixar de 10, com a gente fala no linguajar dos boxes. Fez sua melhor volta em 1min09s998. Mas não terminou a sessão com o gostinho do primeiro lugar. Na quadriculada, Norris bateu o cronômetro em 1min09s975, 0s023 melhor que o companheiro. Um pelinho, como a gente fala no linguajar dos boxes.

A diferença de Hülkenberg para os carros papaia foi quase obscena: 0s619. O que, numa pista curta como Interlagos, faria qualquer piloto repensar sua carreira. O mesmo se aplica a todos os demais, pois, já que as distâncias para a McLaren foram gigantescas.

Às 15h30 a turma volta à pista para definir o grid da Sprint.

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PATRIOTÁRIOS (10)

Colatore: mais um ano

CAPITAL PAULISTA (de bom tamanho) – Foi às 10h43 do dia 7 do 11 de 25 (some aí) que a Alpine anunciou a já esperada renovação do contrato de Franco Colapinto, que corre com o — surpresa! — número 43. O argentino estreou pelo time azul & rosa (tenho uma vizinha chamada, vejam só, Damarys que não entende essa equipe, aquela jumenta) em Ímola neste ano no lugar do demitido Jack Doohan, que virou Dooman na camiseta do Capital Paulista FC que lhe foi presenteada por um sei-lá-o-quê durante a semana, quando ele foi pegar onda em Porto Feliz (!). Doohan, claro, não volta nunca mais. A fila andou, tchau. Assim como Felipe Drugovich, Théo Pourchaire, Nyck de Vries e outros cabras da F-2 que não vingaram por um motivo ou outro — o principal, sempre, porque não são bons o bastante.

Colapinto fechou só para 2026, informa meu amigo argentino sentado aqui do lado, figura simpática de quem tive raiva ontem quando reservou lugar na mesa bem do meu lado, sendo que a sala de imprensa é enorme e está cheia de lugares vagos — há cada vez menos jornalistas e cada vez mais produtores de conteúdo e influencers por aqui, e se repararam tirei as aspas dessas merdas porque não estou mais disposto nem a gastar aspas com esses subempregados que vivem de fazer stories e vídeos do TikTok; uma praga que assola o planeta, essa gentalha (a frase é de Roitman, Odete).

Meu novo amigo argentino informa também que Colapinto só ficou no time porque o Mercado Livre, que na Argentina é Mercado Libre, está pagando a conta. Assim, ignorem as declarações do piloto e do chefe Flavio Briatore (um diz que agradece a confiança, o outro diz que confia muito nele). É tudo cascata. Mais informações sobre Colapinto: torce para o Boca Juniors e tem outros patrocínios locais que não aparecem no carro, mas ajudam a pagar os boletos. É um bom menino, simpático, tem algum carisma, não é ruim como tem sido neste ano, tampouco é bom como os emocionados argentinos acham que é, por conta de uns pontinhos marcados no ano passado pela Williams — oitavo em Baku, décimo em Austin.

Menos uma vaga, pois. Seu companheiro continua sendo Pierre Gasly. A Alpine, no ano que vem, vai usar motores Mercedes. A Renault tira o time de campo na produção de unidades de potência para a F-1, o que é uma verdadeira lástima. Menos mal que ontem lançou oficialmente, na França, o novo Twingo elétrico. Se um dia eu tiver um carro elétrico, vai ser esse. Só preciso escolher a cor. Azul e vermelho já tenho, acho que vou de verde.

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PATRIOTÁRIOS (9)

“Esperando a chuva”: foto será inscrita em concursos internacionais

CAPITAL PAULISTA (frio, aqui) – Bastidores. Essa é a palavra mágica usada por veículos de comunicação e, claro, influencers e produtores de conteúdo para descreverem o que farão nos eventos dos quais participarão. Os dicionários trazem várias definições bastante óbvias para tão batido substantivo, mas gosto particularmente dessa aqui, que traz o sentido figurado da palavra:

“Ambiente fora do alcance público, em que resoluções são tomadas e ações são empreendidas.”

Quem ainda não ouviu a expressão “os bastidores do poder”? Fico imaginando gabinetes fechados onde são feitas tenebrosas transações como, sei lá, “só votamos a isenção de impostos para quem ganha até cinco mil se aprovarem a anistia para o degenerado”.

Mas “bastidores” podem ser bem mais que isso. E hoje tirei o dia para mostrar a vocês os bastidores da F-1 em Interlagos. Sou um fotógrafo de rara sensibilidade, como já devem ter notado. Meu olhar enxerga o que os outros não veem. Carros, pilotos? Nada, só fiz uma foto do Alonso, mas o contexto é outro — mostrar os jornalistas entrevistando o sujeito. O resto é arte pura.

Sem mais delongas, como se dizia antigamente, vamos às imagens que você nunca verá na TV ou em lugar algum. Para vê-las em tamanho maior, clique nas ditas cujas que elas explodem em sua tela. Podem fazer pôsteres, se quiserem.

O TEMPO E O VENTO

LUZ NO FIM DO TÚNEL

O TREM AZUL

OPERÁRIOS-PADRÃO

ERGUE E DESTRÓI COISA BELAS

GUARDIÕES DA GALÁXIA

MINHA ARTE

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PATRIOTÁRIOS (8)

Representação do autódromo de Guaratiba: sai?

CAPITAL PAULISTA (mais um…) – Eu já não caio mais no conto do novo autódromo do Rio para comprar projetos e planos como se fossem fatos consumados. Mas é preciso registrar determinadas notícias. E, dependendo de sua origem, a gente pode torcer para dar certo ou, simplesmente, alertar o distinto público de que é conversa fiada.

Foi o caso de Deodoro, que vocês devem se lembrar. Lá pelos idos de 2019, o tosco eleito presidente apareceu no Rio ao lado do ex-governador Wilson Witzel (que foi cassado) e do pastor Marcelo Crivella (prefeito à época, deputado atualmente) para “anunciar” que no ano seguinte a F-1 seria disputada num autódromo que seria construído numa área do Exército na Floresta do Camboatá. Falou, o belzebu, que a F-1 ia sair do Brasil, mas que depois de sua eleição a categoria mudou de ideia ao perceber que o país voltaria a ser próspero e impoluto. Disse um monte de mentiras, como de hábito. Junto ao sinistro trio de políticos havia um sujeito de alcunha JR que se declarava empresário e estaria à frente da iniciativa. As obras, prometeu o prefeito-pastor, começariam em 45 dias.

Não havia NADA de regular ou factível naquele disparate. Para começar, tinha a questão ambiental — que o estrupício simplesmente ignorou. Depois, era terreno minado para treinamentos militares, o que elevaria os custos das obras imensamente — já que poderiam morrer operários a cada cinco minutos se não fosse feita uma caríssima descontaminação do local. Não havia nenhuma pista de onde sairia o dinheiro para fazer cem metros de asfalto, que fosse. Era, tudo, uma gigantesca farsa que o tinhoso resolveu jogar no ventilador para espezinhar o governador de São Paulo, João Doria, de quem havia se afastado politicamente.

Mesmo assim, foi constituída uma empresa de nome chique (MotorPark, acho) e, além da F-1, os envolvidos anunciaram também a realização de uma etapa da MotoGP, outra da Indy, motociatas e carreatas, quiçá uma edição das 24 Horas de Le Mans. Eu morava no Rio, na época. A imprensa local, especialmente, encampou a ideia sem questionar nada e manchetou: F-1 está fora de São Paulo e volta no ano que vem.

Essa história de fazer um autódromo naquela região da cidade era velha, tinha começado em 2010 (encontrei registros antigos no blog). Em 2013, publiquei uma nota aqui com o título “A mentira de Deodoro”, baseado em documentos revelados pelo Américo Teixeira Jr. Anos depois, o ser imundo fez seu anúncio, em 8 de maio de 2019 — hoje ele resta em sua casa vomitando e soluçando enquanto aguarda para saber em qual cela será preso. No mesmo dia, escrevi aqui: “Jair, Wilson e Marcelo mentem”. Não vou dizer que fui voz isolada, mas no meio especializado posso, sim, afirmar que ninguém falou com tanta clareza do que se tratava aquele desatino: uma mentira.

Foi preciso que algumas entidades cariocas se mexessem para brecar aquela insanidade, e o veto das autoridades ambientais à destruição da floresta acabou sendo determinante para que o projeto morresse, embora estivesse muito claro que a picaretagem não prosperaria de jeito nenhum. Mesmo assim, até o bigodudo da Liberty, cujo nome me foge, posou para fotos sorridente ao lado do satanás um mês depois — peço perdão por publicar as fotos abaixo, mas é que não podemos nos esquecer de certos momentos da história recente do Brasil.

Recentemente veio à tona um novo projeto de autódromo para o Rio, e desde já aviso: sou totalmente a favor de uma pista na cidade desde o infame assassinato de Jacarepaguá. Ah, mas por que era contra Deodoro? Eu não era contra Deodoro. Eu era contra a destruição de uma floresta, era contra a mentira de políticos filhos da puta, era contra o que se mostrava claramente uma farsa.

E chegamos, finalmente, a Guaratiba. Aquela imagem lá em cima foi divulgada hoje no Rio na Cidade das Artes. A apresentação foi feita pelo prefeito bossa nova Eduardo Paes junto com os empresários que estão à frente do projeto. Guaratiba também não nasceu hoje, já se fala nessa região para construir um autódromo desde 2015. Em janeiro deste ano, na minha newsletter, escrevi sobre o assunto. Pelo que li hoje, a ideia é começar as obras no primeiro semestre de 2026 e, quem sabe, pleitear uma corrida de F-1 em 2029. Fala-se num investimento de R$ 1,3 bilhão e em dois anos para a construção. Entre os envolvidos está a turma que faz o Rock in Rio. Nesse terreno, em 2013, o papa Francisco deveria ter rezado uma missa para fechar a Jornada Mundial da Juventude, mas uma tempestade acabou alagando tudo e o evento foi transferido para Copacabana.

Na mídia carioca, o mesmo erro de Deodoro está sendo cometido neste instante: comprar o projeto como se fossem favas contadas. “O complexo ficará” no lugar tal e “terá capacidade para 120 mil pessoas”, diz o G1, da Globo. Crianças, cuidado com os tempos verbais. Usar o futuro do presente nesses enunciados é dar como certo que um vídeo e uma animação de computador se transformarão em realidade num estalar de dedos. Calma. O que o Rio fez hoje foi apresentar com alguns detalhes o que ainda é um projeto. Serão necessárias licenças ambientais, levantar o dinheiro, viabilizar o empreendimento.

A diferença para Deodoro, porém, é claríssima. Quem apresentou o projeto, para começo de conversa, sabe usar talheres. Não estava ladeado por um parvo que deixou como legado político o conceito de “mirar na cabecinha”, nem por um pastor lunático, muito menos por um dono de loja de chocolate amigo de milicianos. Os empresários são… empresários, e não um obscuro empreendedor de alcunha “Queimadinho” em seu estado natal. E segundo todos os presentes na apresentação, o projeto é privado. A Prefeitura não entra com dinheiro.

O que quero dizer é que Guaratiba pode sair, sim, e seria ótimo. Adoraria ver o GP do Brasil (quando é que vão acabar com essa bobagem de GP de São Paulo?) sendo disputado em revezamento com o Rio. Ou, quem sabe, duas corridas aqui. Se os EUA podem ter três GPs, por que não?

Guaratiba fica longe pra cacete, é quase vizinho de Itaquera, mas é Rio de Janeiro. Em que pesem todas suas mazelas, é um lugar que não pode ficar sem automobilismo. É o que penso.

Por isso, vou torcer silenciosamente por Guaratiba.

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PATRIOTÁRIOS (7)

CAPITAL PAULISTA (não acaba nunca) – Ah, Interlagos… Hoje só briguei com um GCM — guarda civil metropolitano, para quem não está acostumado com a língua das ruas. Reproduzo o diálogo áspero para que me julguem, mas antes é preciso descrever o cenário.

A retirada das credenciais para o GP da Capital Paulista, antigamente, se dava no Hotel Transamérica. Era bem legal, serviam pães de queijo e café fresco. A gente chamava o hotel de “QG da Fórmula 1”. Fazíamos, nas rádios em que trabalhei, transmissões ao vivo de lá. Tinha a tradicional “coletiva da Marlboro”, que quando Senna corria na McLaren, claro, era o evento mais concorrido da cidade. Apareciam jornalistas de todos os cantos – era a única forma de ver Senna de perto, ao vivo e em cores, e exibir sua devoção. Quando ele morreu, já contei essa história, a coletiva da Marlboro continuou sendo lá, mas a atração passou a ser Schumacher, já na Ferrari. Tinha um lunático que ia todo ano com uma pasta surrada de papéis surrados, ele mesmo era bem surrado, cabelo ensebado, barba malfeita e sapatos empoeirados, e empreendia uma cruzada quase religiosa para fazer o Schumacher dizer que Ayrton Senna merecia uma estátua, ou um monumento, ou quiçá que o Brasil fosse rebatizado como Sennaland.

Bem, isso acabou faz um tempo, o hotel foi desmontado e no terreno ao lado fizeram uma piscina gigante para as pessoas pegarem onda. Me disseram que quem esteve lá com uma prancha e bermuda foram Valtteri Bottas e Jack Doohan, mas foi alarme falso. Ou semifalso, porque eles foram surfar, sim, mas em Porto Feliz, cidade do interior de São Paulo, onde há outra piscina com ondas artificiais. E os dois vestiam camisas do Capital Paulista FC, coisa mais esquisita.

Então, voltando à retirada das credenciais, já tem uns anos que o local determinado é uma estrutura provisória no portão 8 do autódromo, na avenida Senador Teotônio Vilela, em frente à antiga fábrica da Copersucar, que ninguém sabe direito onde é, mas eu sei. Há um recuo na avenida para que se estacione ali. “Seja breve, embarque e desembarque”, diz a placa. Eu seria muito breve, era descer e pegar minha credencial e ir embora, parei o carro, liguei o pisca-alerta, mas é claro que enquanto esperava um guarda municipal vestido com colete à prova de balas foi em direção ao meu carro com um celular para tirar foto da placa, já que nada mais havia para fazer ali naquele momento.

Saí da pequena fila para a retirada da credencial e perguntei ao agente da lei se por acaso ele estava tirando aquela foto para me multar. Agora sim, reproduzo o diálogo.

– O senhor está tirando foto para me multar?
– Claro, aqui não pode parar.
– Pode sim, está ali a placa, “seja breve”.
– Mas você não vai ser breve.
– Quem te disse que não vou ser breve?
– Você está atrapalhando o trânsito.
– Não estou atrapalhando o trânsito, o carro está parado no recuo na área de embarque e desembarque que só pede que eu seja breve, e eu serei breve.
– Você vai querer discutir comigo?
– Vou, claro que vou. Por quê? Não posso? Você vai me prender se eu discutir com você? A ditadura acabou em 1985, meu senhor. Muitos tombaram para que tivéssemos uma democracia de novo. Para que eu pudesse falar com um agente da lei e contestá-lo sem ser surrado, torturado e morto. Já ouviu falar de Vladimir Herzog? Há exatos cinquenta anos ele foi assassinado pela ditadura militar. Graças a pessoas como ele que eu posso, hoje, discutir com quem quiser, inclusive com o senhor!
– Então por que você não coloca o carro mais para a frente?
– Porque quando cheguei havia uma fila de carros, agora não tem mais. O que você quer, que eu coloque mais para a frente? OK, coloco mais para a frente.

O cara guardou o celular e coloquei o carro mais para a frente. Babaca.

O resto foi tranquilo. A sala de imprensa voltou para onde era, depois de uma temporada numa tenda montada no estacionamento. Reformaram a área, está tudo certinho. O autódromo está bonito e o que estava em obra no ano passado praticamente terminou – especialmente o prédio ao lado do Laranjinha onde foram instalados muitos camarotes. Vocês vão ver na TV, o teto é branco e está pintado PREFEITURA DE SÃO PAULO em letras enormes. Pode ser que em alguns anos tenham de repintar, PREFEITURA DA CAPITAL PAULISTA.

O dia foi de atividades fora da pista, porque é só amanhã que o GP começa de verdade, com o que se chama de “media day”, uma coisa meio besta, só entrevistas coletivas, horários marcados, três minutos para aquele site lá, quatro minutos e doze segundos para o outro ali e por aí vai.

Mas uma constatação se faz, nestes tempos estranhos: a imprensa não é chamada para mais nada. Só “influencers” e “produtores de conteúdo” — e fui confundido com um deles, já conto. Digo isso porque soube que Lewis Hamilton foi ontem ao Allianz Park chutar umas bolas. Ação da Puma. Na foto, ele com a “influencer” Julia Rodrigues – não sei quem é. Já George Russell esteve não sei onde para um evento da Petronas. A assessoria não me convidou, mas mandou a seguinte declaração:

“A gasolina PETRONAS Primax™ e os lubrificantes PETRONAS Syntium™ me ajudam a acelerar nas condições extremas das corridas de Fórmula 1. Agora, os motoristas brasileiros podem sentir a mesma potência, capacidade de resposta e eficiência em suas viagens cotidianas”, destaca George Russell. “É emocionante ver a mesma tecnologia em que confiamos nas corridas agora disponíveis nos postos de gasolina”, acrescenta.

Não sei se acredito em todas essas palavras assim cegamente, não. Primeiro, ninguém fala “Primax tê-ême”. Nem “Syntium tê-ême”. E desconfio dessa emoção que Russell diz sentir ao ver um frasco de óleo Petronas num posto de gasolina. De minha parte, e aí podem confiar, sempre que posso uso óleo Petronas dois tempos nos meus DKWs. E nos Wartburgs e no Trabant. Não encontro em qualquer lugar, mas como parece que vai ter posto de gasolina Petronas agora – olha lá o Russell dizendo que os motoristas brasileiros poderão sentir a mesma potência nas suas viagens cotidianas, que frase bonita! –, pode ser que fique mais fácil. Só não lembro direito qual a família dele, do óleo, digo. Acho que é Selenia “tê-ême”, ou Sprinta “tê-ême”. Um dos dois. Não é Syntium “tê-ême”.

Prometi contar que fui confundido com um influencer. Semana passada me convidaram para uma “experiência no paddock”. Seria no sábado. Vou contar o milagre, mas não revelo o santo para não prejudicar ninguém. Me pediram uma foto — na verdade uma “selfie”, já não falam mais “foto”. Era para a credencial. E já emendaram: “Você vai ter de fazer um reels e seis stories”. OK. Perguntei quanto me pagariam pelo serviço. A pergunta deve ter soado estranha. Resposta: “Na verdade estamos pensando em oferecer a experiência em troca do seu conteúdo”. Entendi. Respondi sem entrar em muitos detalhes que dispensava a experiência, já que ir ao paddock não é exatamente uma novidade para mim, mas indiquei a Laêne, minha mulher, como influencer. Ela faria de bom grado um reels e seis stories em troca da experiência no paddock. Mandei o perfil dela no Instagram. A menina agradeceu com muitas exclamações e disse que ia consultar “o pessoal da agência”. Não responderam mais.

Outras coisas que vi “nas redes”: Max Verstappen e Yuki Tsunoda em alguma coisa da Honda, Franco Colapinto dentro da Jordan de Rubens Barrichello e uma legenda falando alguma coisa sobre churrasco e, essa é mais legal, Kimi Antonelli visitando o túmulo de Ayrton Senna no Morumbi. Ele corre com o número 12 por causa de Ayrton.

E para terminar, claro, não podemos deixar de registrar a experiência imersiva de hoje. A ela:

POR TODOS OS LADOS – Recebido da onipresente JCDecaux, “líder global em mídia out-of-home (OOH)”: “Nos dias que antecedem o GP, a JCDecaux se une a marcas como Amex, Doritos, Heineken, Lenovo, Mastercard, Motorola e Porto Seguro, em projetos especiais de OOH nos principais pontos da jornada dos fãs. Grid de largada para boa parte do público que vai ao evento, a Estação Pinheiros da Linha 4-Amarela do metrô foi transformada em pista de automobilismo (…). A ambientação temática faz do longo percurso pela estação uma verdadeira experiência de imersão (…)”. Paramos por aqui. Vamos adiante, depois de afundar no metrô. “No Aeroporto Internacional de Guarulhos, quem chega é recepcionado por uma dominação gráfica de Porto Bank em toda a área, com adesivação de chão, colunas e esteiras, além de dois cartões em tamanho gigante, oferecendo uma experiência exclusiva e imersiva para os fãs de Fórmula 1.” Ótimo. Depois do mergulho no piso de GRU, a empresa de OOH (que porra é essa?) segue informando que instalou “bustos enormes” de Norris e Piastri em relógios nas avenidas Dr. Chucri Zaidan, Pedro Álvares Cabral e Brasil. “Além disso, comprou os naming rights e fez uma dominação gráfica completa da Estação Cidade Dutra (…)”. Cita também um “clássico capacete” da Amex na Nove de Julho e uma “instalação especial” de Doritos na Paulista. E termina com João Binda, diretor comercial da JCDecaux Brasil, nos lembrando: “O OOH transmite toda a atmosfera dinâmica que envolve um dos megaeventos mais icônicos do mundo através de experiências reais e exclusivas. Estar presente nas principais rotas e jornadas da audiência, principalmente com projetos especiais e inéditos, maximiza a visibilidade, o engajamento e os resultados para as marcas”. Obrigado, João Binda! O que seria de nós sem os Doritos na Paulista, o capacete clássico da Amex na Nove de Julho e, principalmente, os naming rights da Estação Cidade Dutra?

Boa noite, até amanhã.

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PATRIOTÁRIOS (6)

SÃO PAULO (material não falta) – Ah, nada como terminar mais um dia lendo meus e-mails e me deliciando com o farto cardápio de possibilidades para os próximos dias em Interlagos e arredores.

São muitas, muitas mesmo, as experiências imersivas que me têm sido oferecidas pelas gentis empresas que, de alguma forma, associaram suas marcas ao GP da Capital Paulista, ex-Brasil. E todas elas me avisam sobre suas ações e iniciativas, fazendo convites sedutores para que me conecte ao universo das pistas.

Na medida do possível, vou colocá-las aqui, as experiências imersivas das quais poderei desfrutar nos próximos dias. Os trechos escolhidos serão sempre reproduzidos fielmente. A linguagem – desculpem, “narrativa”; hoje só se fala “narrativa” – é muito parecida em todos eles. Será o mesmo redator fazendo um frila para todas as agências? Ou será que…

Não, custo a crer que agências de publicidade e comunicação lá pelos lados da Vila Olímpia e da Faria Lima, com seus planos super elaborados por meninos de coletinho puffer e garotas de calças jeans boca de sino e tênis adidas, recorram a coisas banais como ChatGPT e Copilot, que podem ser baixados de graça em qualquer computador. Não, não. Prefiro acreditar que são estratégias comuns, mesmo, ainda que os produtos envolvidos sejam tão diferentes entre si, como picolés, bancos, salgadinhos e isotônicos.

Vamos lá.

CONFIRMADA!“Porto Bank ativa experiências imersivas e confirma roda gigante no Grande Prêmio de São Paulo 2025”, grita em negrito a manchete do press-release. Sim, press-releases são manchetados. Como tudo, hoje, precisam chamar a atenção do indigitado que vai receber aquilo em sua caixa postal. “Com roda gigante exclusiva, simuladores de corrida, autorama e troca de pneus, a marca transforma o evento em um dos principais espaços de experiência e grande celebração aos apaixonados por automobilismo”, diz a linha fina – que é uma espécie de subtítulo, abaixo da manchete; recomendo que seja menor, mais enxuta. Ainda tive de cortar um pedaço. Sigamos.“Entre as atrações já confirmadas pela marca estão a icônica roda gigante, com 36 metros de altura, vista panorâmica para o autódromo e capacidade para até 500 pessoas por hora [observação minha: que bom que a roda gigante confirmou sua presença; talvez tivesse outro compromisso, mas desmarcou para ir a Interlagos], os simuladores de corrida, uma pista de autorama e a ação interativa de troca de pneus, que convida o público a viver a adrenalina dos boxes. Além disso, um jogo para testar a velocidade de coordenação e reação do jogador — que faz parte do treinamento dos pilotos de corrida. ‘Mais do que a presença de marca, queremos proporcionar uma vivência real da principal categoria do automobilismo mundial. Com ativações interativas e emocionantes, o Porto Bank mostra como o cuidado pode ser também experiência, criando memórias que conectam o público à nossa proposta de valor’, afirma Oliver Haider, superintendente de marketing da Porto.” Fiquei com vontade de responder ao superintendente de marketing que as únicas memórias de quem tem Porto são relacionadas a batidas de automóvel ou requisições de guincho para rebocar carros quebrados. Mas receio que tal resposta poderia ser interpretada como algo meio deselegante. Deixei pra lá.

FIQUEMOS ATENTOS – A Porto atua em mais de uma frente. Vejam vocês, a marca será vista também nos carros da McLaren. A REF+, agência de publicidade, me avisou que assina a nova campanha do Porto Bank – sim, tem banco também. Em parceria com a Mastercard, patrocinadora do time papaia, vai estar nos carros de Norris e Piastri. “A comunicação (…) traduz a associação entre a velocidade da escuderia e o pioneirismo do banco, primeiro a zerar o IOF em compras internacionais”, diz o release. Ah, essa relação é batata, pensei. Qualquer um que vê um carro da McLaren liga imediatamente sua velocidade ao IOF em compras internacionais. Puta sacada. “No núcleo criativo, a REF+ une os dois universos – Porto Bank e McLaren – pelo atributo ‘velocidade’, conectando o DNA da F1 a um benefício tangível para o consumidor: a rapidez em zerar o IOF no exterior. Os filmes da campanha foram desenvolvidos pela agência com o uso de insumos originais da própria escuderia, potencializando autenticidade e relevância no contexto do calendário da categoria no país.” Puta que pariu. O que significa “potencializando autenticidade e relevância no contexto do calendário da categoria no país”? Quais são os “insumos originais” usados no filme – me mandaram o filme, é uma merda. Do que esses caras estão falando? Mas o que me chamou a atenção foi a ocorrência, pela terceira vez nesta semana, do termo “tangível” – escutei um comercial no rádio em que, juro, o locutor falou em “tangibilização”, e li em outro release que a marca X procurava “tangibilizar” não sei o quê; fiquemos atentos.

“SORVETE” NÃO EXISTE MAIS?“Bacio di Latte leva gelatos e picolés insanos para a Fórmula 1 em São Paulo”, berra outra manchete. “Marca artesanal de inspiração italiana estará presente no Autódromo de Interlagos entre os dias 07 e 09 de novembro, com sabores que prometem refrescar o público do Grand Prix SP”, continua o texto, descrevendo os picolés insanos: chocolate belga, pistache e morango. Insano, garanto, serão os preços. Pelo menos não falaram em sorvetes, digo, gelatos imersivos. (“Gelatos.” Puta que pariu.)

ESSE EU PERDI – “Oi Flavio, tudo bem? É hoje! KitKat® e Spotify se unem para um evento inédito em São Paulo que marca a chegada do Spotify AUX ao Brasil, uma experiência imersiva que mistura música eletrônica, automobilismo e o conceito ‘Have a Break, have a KitKat®’. A noite terá show de Dub Dogz, participação do piloto Gabriel Bortoleto e ativações exclusivas criadas pelas duas marcas. Spotify AUX são momentos criados pelo Spotify para gerar experiências memoráveis que conectam marcas, artistas e fãs em torno da cultura. Mais do que shows, são experiências imersivas e cuidadosamente curadas que colocam o público no centro de momentos culturais relevantes. Essas ativações ajudam marcas a fortalecer sua relação com as pessoas e com os criadores que elas admiram, associando-se a contextos culturais de alto impacto e promovendo engajamento autêntico na vida real.” Era hoje, acho que perdi a hora. Bortoleto sei quem é, Dub Dogz, não. Aproveitando, o que quer dizer “associando-se a contextos culturais de alto impacto e promovendo engajamento autêntico na vida real”? Que caralho é isso?

SALGADINHO – “DORITOS® sempre se conectou com quem ousa e tem coragem de ser você mesmo. A parceria com a F1® é extremamente estratégica, pois reforça essa atitude, unindo a energia das arquibancadas, a ousadia dos pilotos e o espírito global do esporte”, explica Samia Chehab, diretora de marketing da PepsiCo Brasil. Samia, se pudesse me dar um exemplo, unzinho só, dessa associação entre um triângulo de massa gordurenta que deixa os dedos amarelos, a ousadia dos pilotos e o espírito global do esporte, putz, eu adoraria. Não sei se não percebi, se algo me escapou. Em todo caso, se você que está me lendo tiver a mesma dúvida, tente saná-la na Fanzone do GP. “No espaço da marca, o público poderá mergulhar ainda mais no universo da Fórmula 1®. O stand contará com uma ativação chamada ‘Crunch Radio’, onde o público poderá espelhar a intensa comunicação por rádio das equipes de corrida, proporcionando uma imersão direta e divertida da F1®. E o ponto alto será com uma corrida de bolinhas que desafia os fãs e entrega pura diversão no clima da FÓRMULA 1 MSC CRUISES GRANDE PRÊMIO DE SÃO PAULO 2025. O espaço ainda conta com um photo opportunity temático para registrar a experiência.” O ponto alto será uma corrida de bolinhas, preparem-se. A parada da imersão no rádio, aí, não entendi o que é.

MAS É OFICIAL – Eventos esportivos, festivais de música, competições de qualquer coisa têm seus fornecedores oficiais. “Pneu oficial da F-1”, Pirelli. “Banco oficial do Rock in Rio”, Itaú. “Patrocinador oficial do Brasileirão”, Betano. Entendo. Mas vocês sabiam que tem um “hidratador oficial da F-1”? Pois tem, sim. E é bem conhecido: Gatorade, senhoras e senhores. E contrato longo, podem reparar nos próximos cinco anos em toda corrida. Pelo menos é oficial. E, claro, estará na Fanzone. “Gatorade® quer fortalecer sua conexão com o público brasileiro que consome o esporte com uma estratégia robusta. A marca promoveu o GDay, um evento exclusivo e imersivo que ofereceu aos convidados a oportunidade de vivenciar o treino similar ao de um piloto profissional de Formula 1®. (…) Outro grande momento será a presença inédita da marca no Grande Prêmio de São Paulo. Para sua estreia oficial, Gatorade® preparou uma série de ações especiais para potencializar sua presença no evento e ampliar o alcance da parceria com a F1®. Entre as iniciativas, a marca terá um estande com experiências imersivas na Fanzone, conteúdos exclusivos para redes sociais e ativação de um squad de criadores de conteúdo, levando a emoção da Formula 1® a um público ainda mais estratégico e genuinamente interessado no tema.” Quando me mandaram esse mesmo e-mail semana passada, respondi delicadamente que a Gatorade patrocinar um evento esportivo não era exatamente notícia, do ponto de vista jornalístico. A não ser, continuei, que você me disser que vão encher os dois lagos de Interlagos com Gatorade sabor framboesa ou tangerina. “Aí sim seria uma experiência imersiva”, encerrei, imaginado um mergulho coletivo ao final da corrida. Não me responderam. Em todo caso, o filme da campanha já está no ar. Ficou uma merda, e os carros de F-1 não fazem esse barulho desde 2013.

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Teria fácil. Pedro Wolthers mandou.

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Todo mundo indo embora. Podia ficar mais um tiquinho, né, Lô?

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