Semana de GP de Las Vegas, atenção para os horários! As coisas começam na quinta à noite!

Semana de GP de Las Vegas, atenção para os horários! As coisas começam na quinta à noite!


MACARAÚ (se acostumando) – O carro é uma Ferrari de 2023. A pista é Ímola. O piloto, Sergio Pérez. A equipe, Cadillac. É o primeiro teste dinâmico com carro de verdade da nova equipe da F-1. O time americano vai usar, nos primeiros três anos, motor e câmbio da Ferrari.
Graeme Lowdon, chefe da Cadillac, explicou o óbvio para quem acha que a Cadillac está tirando alguma vantagem nos testes que ainda fará. “Estamos testando gente, não carro”, falou. A ideia é colocar mecânicos, engenheiros e técnicos em geral em condição real de corrida, para aprenderem a operar um carro de F-1. Porque, hoje, é isso que se faz: operar, e não funcionar, apenas, um carro da categoria. Fora todos os outros procedimentos de box e situações com as quais os estreantes irão conviver a partir da próxima temporada. Em resumo, é treinamento, não teste.
O carro usado ontem em Ímola passou por um shakedown na terça em Fiorano com Arthur Leclerc ao volante.





MACARAÚ (gostamos) – A Audi reuniu a imprensa ontem em Munique para apresentar um estudo da pintura que deverá utilizar no ano que vem na sua estreia na F-1. A referência às Flechas de Prata dos anos 30 do século passado é muito clara, com um interessante recorte vertical no terço final (aprendam, futebolistas) para a inclusão do vermelho néon e do preto sobre o motor. E as argolas, na F-1, serão sempre que possível vermelhas.
Sobre a alcunha Flechas de Prata, explique-se que a Mercedes também era chamada assim nos anos 30. Diz a lenda que em 1934 a marca da estrela de três pontas raspou a pintura branca de seus carros para baixar o peso e a imprensa criou o apelido. A Auto Union, precursora da Audi, foi na mesma onda e seus carros de corrida eram apresentados sem pintura, no alumínio puro.
O carro deverá ser batizado como R26. “Ah, por que R?”, perguntarão os menos familiarizados com as quatro argolas. Em inglês, para irem se acostumando.
“R” for racing: Audi has a history of using the “R” designation for its race cars, such as the R8 LMP and R16, making “R26” a natural continuation of this tradition.
Como se vê, a série C, que batiza os carros da Sauber desde 1970, será abandonada. O C é de Christiane, a mulher de Peter Sauber. O carro de Gabriel Bortoleto e Nico Hülkenberg deste ano é o C45.
A Audi já revelou seu patrocinador máster para 2026. Será a Revolut, uma fintech de pagamentos. Outras duas marcas conhecidas já assinaram também: adidas e bp. Sim, tanto adidas quanto bp, da antes chamada British Petroleum, escrevem-se com minúsculas. Quando virem por aí com maiúsculas, é desleixo ou desconhecimento de quem escreve.
De tudo que se falou ontem em Munique, o mais importante é: a equipe quer ser campeã até 2030.
A IMAGEM DA CORRIDA

MACARAÚ (adorando) – Gabriel Bortoleto abandonou o GP de São Paulo antes de completar a primeira volta. Na véspera, batera na Sprint na última passagem da minicorrida e poderia ter morrido — não é exagero. Nos dois eventos, cometeu erros. Na Sprint, mergulhou loucamente por dentro no S do Senna para tentar passar Alexander Albon. Valia o quê? A décima posição.
Ou seja, nada. Por isso ficou sem carro para a classificação, algumas horas depois. Destruiu o carro titular e a Sauber teve de montar o chassi reserva. Não houve tempo de concluir o trabalho.
Em 18º no grid, porque dois pilotos decidiram largar dos boxes, Gabriel tentou passar Lance Stroll na freada para o Bico de Pato, por fora. É o ponto mais estreito de Interlagos. Se colocou entre a pista e o muro, com metade do carro passando sobre a faixa de terra e grama. Bateu de novo.
Pergunto ao admirável leitor e à dileta leitora: se essa corrida fosse em outro lugar, Bortoleto tentaria manobras semelhantes contra Albon e Stroll? Em mesmo respondo: acho que não. E por que acho isso? Porque nas 20 etapas anteriores, o brasileiro não fez nada parecido. Então que diabos aconteceu com Gabriel em Interlagos? Também respondo: ele é brasileiro.


O comportamento de atletas brasileiros é contaminado por surtos de patriotismo há séculos, ainda mais quando disputam competições em sua terra adorada. Todos assumem uma posição de heróis e se autonomeiam responsáveis pela alegria do povo. Também se dizem representantes do povo. Chamam o povo de incrível. Declaram que amam o povo. Se travestem de redentores do povo.
Depois, se desculpam com o povo.
Essa baboseira costuma afetar o desempenho dos filhos deste solo quando atuam na pátria amada. São inúmeros os exemplos, mas fico apenas com a F-1. Mostrei ontem que 75% das estreias de brasileiros em casa acabaram em quebras, batidas e rodadas. Há um padrão aí.
Mirem-se em alguns modelos, vocês que acham que desafiam a própria morte com vosso peito quando vestem a amarelinha (argh). Max Verstappen quando corre na Holanda, por exemplo. Michael Schumacher e Sebastian Vettel quando corriam na Alemanha. Fernando Alonso na Espanha.
Menos podcasts, menos entrevistas, menos entradas ao vivo, menos tempo sendo paparicado por influencers, produtores de conteúdo, jornalistas e ex-jornalistas em atividade. Menos contato com quem vai ficar repetindo à exaustão o mesmo discurso patético da “importância de ter um brasileiro no grid para dar sequência ao legado de Emerson, Senna, Piquet, Barrichello, Massa…”.
Menos é mais, dizia o arquiteto Ludwig Mies van der Rohe — é dele, e não do filósofo Henrique Fogaça, o aforismo. Se vale o conselho, Bortoleto tem de encarar o GP do Brasil exatamente como encara todas as outras corridas da temporada. Querer se exibir diante da torcida, da família e da mídia que lhe puxa o saco dá no que deu. E poderia ter sido bem pior.


Façam as contas comigo, mais uma vez. Faltam três corridas para o fim do campeonato, uma delas com Sprint. Pontos em jogo, 83. Digamos que Oscar Piastri dê uma gabaritada e vença todas. Vai a 449 pontos. Se Lando Norris ficar em segundo nas três e na Sprint, termina o Mundial com 451. E é campeão.
Conclusão óbvia e fácil: Piastri não depende mais só dele e Norris não precisa mais vencer para conquistar o título. Aliás, registre-se aqui que Lando dedicou a vitória de ontem a Gil de Ferran, que morreu no final de 2023. O brasileiro estava trabalhando na McLaren e, entre muitas outras funções, era uma espécie de conselheiro do piloto.
Fiz outra continha rápida para ilustrar este momento da temporada, um recorte das últimas cinco corridas — depois da patuscada papaia com Oscar em Monza. Nessas cinco, Lando fez 97 pontos, contra 42 de Piastri. Verstappen marcou 111. Max ainda tem chances matemáticas, claro, mas precisa fazer, por etapa, 16,3 pontos mais que o inglês para terminar o ano na frente. Convertendo em resultados, e desconsiderando a Sprint para facilitar o entendimento, ele teria de vencer todas e torcer para Norris terminar as três no máximo em sexto. Convenhamos…

No Mundial de Construtores, reforçando o que já noticiamos ontem, a Ferrari caiu da segunda para a quarta colocação. Fez apenas seis pontos no fim de semana de Interlagos (todos na Sprint), contra 43 de McLaren (já campeã) e Mercedes e 20 da Red Bull.
A FRASE DE INTERLAGOS
“Com certeza, este é o pior dia da minha vida.”
Gabriel Bortoleto, após abandonar a corrida na primeira volta

FALTAM TRÊS – O GP da Capital Paulista teve pico de 6 pontos de audiência no Ibope e média de 5,3 na transmissão da Band(eirantes). A emissora mostrou sua última corrida de F-1 em Interlagos e o comentarista Reginaldo Leme anunciou que, da mesma forma, era sua última prova da categoria trabalhando para o veículo TV. O campeonato, no ano que vem, volta para a Globo, que no final de 2020 não renovou seu contrato de direitos de transmissão com a FOM depois que quatro décadas mostrando as corridas para o Brasil. Houve algumas deselegâncias na despedida da equipe, que aconteceu ao vivo sobre o terraço da torre de controle de Interlagos. Mas não vou entrar de novo nesse assunto, que já deu o que tinha de dar.
A PRIMEIRA – Alexander Albon fez a melhor volta do GP da Capital Paulista em 1min12s400, na 59ª passagem. Ele tinha acabado de colocar pneus novos. Foi a primeira volta mais rápida de um GP anotada pelo tailandês da Williams.
O NÚMERO DO BRASIL
11
…anos se passaram desde a última vez em que um piloto largou dos boxes e terminou no pódio, como fez Verstappen ontem. A façanha foi de Lewis Hamilton no GP da Hungria de 2014. Seu carro pegou fogo no Q1 e a Mercedes fez com que ele largasse dos boxes. Ficou em terceiro, atrás de Daniel Ricciardo (Red Bull) e Fernando Alonso (Ferrari).

GOSTAMOS & NÃO GOSTAMOS
GOSTAMOS… do desfile dos pilotos em calhambeques infantis movidos a motor a gasolina. Os caras se divertiram para valer, houve quebras, caronas e ultrapassagens arriscadas. Bela ideia que arrancou sorrisos da plateia e, principalmente, das estrelas do espetáculo.


NÃO GOSTAMOS… da atuação desastrosa da Ferrari, que no domingo teve dois abandonos, de Lewis Hamilton e Charles Leclerc. O que motivou o desabafo do presidente da empresa, John Elkann. Ele começou elogiando o time vermelho no WEC, que na noite de sábado conquistou o título da categoria, e os mecânicos e engenheiros da F-1. Depois, soltou os cães: “O resto não está à altura. Nossos pilotos precisam se concentrar mais em pilotar e falar menos”.

CAPITAL PAULISTA (foi bonito) – A vitória de Lando Norris hoje em Interlagos praticamente definiu o título de 2025 na F-1. Faltando três corridas para o fim da temporada, com 83 pontos em jogo (há mais uma Sprint, no Catar), o inglês abriu 24 de vantagem sobre seu companheiro Oscar Piastri, que teve mais uma atuação apagada e terminou a corrida de São Paulo na quinta colocação. E 49 sobre Max Verstappen, que foi o grande nome da prova: largou dos boxes, depois de uma classificação desastrosa ontem, e terminou em terceiro. Por pouco não conseguiu um segundo lugar. Pouco mesmo, três décimos de segundo. Foi sua diferença na bandeira quadriculada para Kimi Antonelli, o jovem italiano da Mercedes que guiou como um veterano e conseguiu o melhor resultado de sua curta carreira – foi seu segundo pódio no ano, depois de um terceiro no Canadá.
Os três que levaram suas lindas taças temáticas para casa (até agora não entendi bem o tema, mas tinha a ver com folhas, florestas, penas de pássaros e escamas de peixes) foram, por motivos óbvios, os maiores protagonistas do GP da Capital Paulista. Mas a corrida teve outros. Alguns, entre a turma que chegou nos pontos – como os novatos Isack Hadjar, Oliver Bearman e Liam Lawson. E um que dificilmente vai conseguir dormir hoje: Gabriel Bortoleto.
O brasileiro da Sauber não conseguiu completar uma volta sequer na sua primeira aparição como piloto de F-1 correndo diante de sua torcida. Repetiu o que parece ser uma maldição para estreantes no país (veja a caixinha abaixo): em 75% dos primeiros GPs de volantes verde-amarelos em casa, o desfecho foi um abandono.

21 A 7 – Foram 28 os pilotos brasileiros que disputaram GPs de F-1 em casa. Desses, apenas sete viram a bandeira quadriculada quando correram pela primeira vez no Brasil. Outros 21 abandonaram ou não obtiveram classificação final por motivos diversos. A estatística ignora a prova extracampeonato de 1972 no traçado antigo de Interlagos (que teve abandonos de José Carlos Pace e Emerson Fittipaldi, seu irmão Wilson em terceiro e Luiz Pereira Bueno em sexto). Considerando, pois, as corridas desde 1973, quando o Brasil passou a fazer parte do Mundial, os sete que concluíram suas provas de estreia foram Emerson (Lotus, vencedor em 1973), Luizinho (1973, Surtees, 12º), Ingo Hoffmann (1976, Copersucar, 11º), Pedro Paulo Diniz (1995, Forti Corse, 10º), Cristiano da Matta (2003, Toyota, 10º), Bruno Senna (2010, HRT, 21º) e Felipe Nasr (2015, Sauber, 13º). A lista dos que não terminaram a corrida é enorme e algumas dessas provas foram realizadas em Jacarepaguá, no Rio. A ela: Wilsinho (1973, Brabham), Pace (1973, Surtees), Alex Dias Ribeiro (1977, March), Nelson Piquet (1979, Brabham), Chico Serra (1981, Fittipaldi), Raul Boesel (1982, March), Ayrton Senna (1984, Toleman), Maurício Gugelmin (1988, March), Roberto Moreno (1989, Coloni, não se classificou para o grid), Christian Fittipaldi (1992, Minardi), Rubens Barrichello (1993, Jordan), Ricardo Rosset (1996, Footwork), Tarso Marques (1996, Minardi), Ricardo Zonta (1999, BAR, bateu nos treinos, não largou), Luciano Burti (2001, Jaguar), Enrique Bernoldi (2001, Arrows), Felipe Massa (2002, Sauber), Antonio Pizzonia (2003, Jaguar), Nelsinho Piquet (2008, Renault), Lucas Di Grassi (2010, Virgin, chegou a sair do carro, voltou para concluir a prova, nove voltas atrás do vencedor, portanto, oficialmente, não obteve classificação na corrida) e, hoje, Gabriel Bortoleto (Sauber).
Depois de sofrer um grave acidente ontem na Sprint, Bortoleto não teve carro para fazer a classificação e largou em 18º. Na primeira volta, na aproximação do Bico de Pato, a curva mais lenta do circuito, tentou passar Lance Stroll por fora, junto ao muro. Colocou metade do carro na grama e foi parar na barreira de pneus. Fim de papo para ele e para os patriotas que vieram a Interlagos apenas para ver um brasileiro disputar um GP pela primeira vez desde 2017. Voltem no ano que vem.
Apesar da frustração do público – os organizadores informaram que 304 mil pessoas passaram pelas catracas do autódromo desde a sexta-feira, um recorde para corridas no país –, a prova foi ótima. Teve muitas disputas no pelotão intermediário, ultrapassagens em profusão, uma atuação de gala de Verstappen e, não sejamos injustos, outra de Norris. O britânico foi o primeiro colocado no único treino livre, fez as poles para a Sprint e para a corrida principal e venceu as duas. Não há reparos à atuação de Lando no Brasil. Impecável é palavra que define bem seu fim de semana.


Antes da largada, não se pode deixar de registrar a presença no autódromo de parte da nata da extrema-direita brasileira, representada pelo prefeito bolsonarista de São Paulo e pelo governador do estado, aquele que vestiu o boné vermelho do MAGA e disse “grande dia” quando Donald Trump foi eleito nos EUA. O mesmo que, meses depois, resolveu foder o Brasil com suas tarifas, e o mencionado governador nada disse sobre o assunto, exceto que o Brasil deveria ceder “algumas vitórias” para o lunático americano. Mas não foram só eles dois. Estavam também no meio da pista, escutando o Hino Nacional entoado pelo pagodeiro Thiaguinho, o agromédico que governa Goiás e o governador do Rio de Janeiro. Este, duas semanas atrás, comandou uma chacina na capital de seu estado porque setores do crime organizado estavam ameaçando territórios ocupados por milicianos — com quem o poder fluminense tem grande afinidade. Logo depois, aviões da Força Aérea sobrevoaram Interlagos. Eu tenho algumas décadas de cobertura deste negócio aqui. Posso até estar enganado, mas não me lembro de cerimônia pré-corrida tão militarizada e sombria – pelas aeronaves de guerra e, sobretudo, pela presença de pessoas tão abomináveis no asfalto. Só faltou hastearem a bandeira com o braço estendido gritando “anauê”. Uma ode ao fascismo que representam. Mas sempre digo: o público que gosta de automobilismo, em boa parte, se identifica com essas coisas e essas gentes. E deve ter adorado.
Dito isso, Interlagos viveu um domingo de incertezas climáticas desde a a madrugada. Choveu de noite em São Paulo, parou, voltou a chover de manhã, abriu o sol, depois o tempo fechou de novo, garoou, a pista molhou, secou e, às 14h, hora da largada, a temperatura era de 17°C, sem chuva e com pista seca, asfalto a 30°C. Esse era o cenário no momento em que 18 pilotos levaram seus carros para o grid, com outros dois esperando na saída dos boxes o início da prova, Verstappen e Esteban Ocon. Red Bull e Haas decidiram mexer em tudo nos seus carros, já que os acertos usados na classificação não deram muito certo.

A largada foi limpa para a maioria. Norris partiu bem, fugiu de confusões e se manteve em primeiro. Mas, atrás, duas estrelas do GP se deram muito mal. Na segunda volta, Lewis Hamilton, que tinha perdido cinco posições depois de um toque com Carlos Sainz antes do S do Senna, bateu na traseira de Franco Colapinto na reta dos boxes e perdeu o bico. E Bortoleto, pouco antes, numa tentativa otimista de passar Stroll antes do Bico de Pato, acabou ficando por lá mesmo. Lewis ainda voltou para a corrida. Gabriel, como já sabemos, abandonou miseravelmente.
Foi necessário chamar o safety-car. No fim da quinta volta ele deixou a pista e a relargada foi um pouco mais selvagem. Piastri mergulhou por dentro do S do Senna e na dividida da curva ele e Antonelli se tocaram. O italiano deu uma rabeada e só não rodou porque seu carro se escorou no de Charles Leclerc, que estava à sua esquerda. Sobrou para o monegasco, que quebrou a suspensão e abandonou. Oscar foi para segundo. Kimi caiu para terceiro. O safety-car virtual foi acionado e nesse meio tempo Verstappen, que já era 13°, parou e trocou seus pneus porque um deles tinha furado.
A prova foi retomada na volta 9. Norris, Piastri, Antonelli, Hadjar, George Russell, Lawson, Bearman, Pierre Gasly, Alexander Albon e Sainz eram os dez primeiros. E as ultrapassagens começaram com fartura: Russell em cima de Hadjar, Bearman sobre Lawson, Verstappen, lá no fim da fila, sem perder muito tempo, deixando Hamilton e Colapinto para trás. Interlagos é uma pista boa para passar. Quando se tem um carro bom, largando do fundão, dá para se divertir. E o carro da Red Bull, se decepcionou muito ontem, hoje acordou de bom humor e estava voando.

Na altura da 17ª volta, apareceu a mensagem no computador. Pelo toque com Antonelli na relargada, após a saída do safety-car, Piastri foi punido com 10s. A direção de prova considerou o australiano culpado pela batida. Enquanto isso, Verstappen fazia fila: passou Yuki Tsunoda, Nico Hülkenberg e Fernando Alonso em coisa de três voltas e, na 18ª, entrava na zona de pontos pela primeira vez no domingo. Com algumas paradas à sua frente, como as de Hadjar, Gasly e Lawson, Max já era sexto na 20ª volta. Na 21ª, passou Albon e foi para quinto. Estava 19s atrás de Norris, o líder. E já tinha parado uma vez para trocar pneus.
Antonelli fez seu pit stop na volta 22 e Verstappen subiu para quarto. Era, de longe, o grande nome da corrida. Sua próxima presa, porém, estava um pouco distante, Russell. E, assim, as primeiras posições se mantiveram até a volta 30. Na 31ª, Norris parou, colocou pneus macios (tinha largado de médios) e voltou em quarto, atrás de Verstappen. Teria de parar de novo, porque os pneus de faixa vermelha não aguentariam até o final. Então, partiu apressado para cima do holandês e rapidamente, com borracha bem mais nova, superou o tetracampeão sem dificuldade. Na volta 35, Max parou pela segunda vez, para colocar pneus médios novamente. Caiu para 12º.

As janelas de paradas eram bem variadas porque os três tipos de pneus foram usados na largada. Eram oito pilotos de macios (Antonelli, Hadjar, Lawson, Bearman, Gasly, Hamilton, Sainz e Bortoleto), sete de médios (Norris, Leclerc, Piastri, Russell, Hülkenberg, Albon e Colapinto) e cinco de duros (Alonso, Stroll, Tsunoda, Verstappen e Ocon).
Piastri pagou seu pênalti na volta 39, trocou os pneus e colocou macios. Voltou em oitavo. Tentaria chegar ao final com aquela borracha, mas teria de cuidar dela com carrinho. O que acabou não acontecendo. Na volta 40, Norris, Antonelli, Russell, Bearman, Verstappen, Lawson, Piastri, Ocon, Alonso e Hulk eram os dez primeiros.
Antes da 50ª volta, Antonelli e Russell fizeram suas segundas paradas. Verstappen assumiu a segunda posição, um assombro. Foi quando Norris fez o segundo pit stop. Colocou pneus médios. E Max Emilian Verstappen virou líder da corrida. “Max, não achava que iria te dizer isso antes da largada, mas você está em primeiro”, falou seu engenheiro pelo rádio. “Nada mau”, respondeu o piloto. Piastri também parou pela segunda vez, logo depois.
Norris retornou ao leito carroçável de Interlagos em segundo, 7s5 atrás de Verstappen. Tinha pneus bem mais novos e 20 voltas para chegar e passar. Mas nem precisou, porque Max acabou fazendo uma terceira parada. Colocou pneus macios. Voltou em quarto, a 14s do líder. Antonelli era o segundo e Russell, o terceiro.

Aí, Verstappen colou o pé no fundo do acelerador. Começou a fazer voltas na casa de 1min12s, contra 1min13s dos que estavam à sua frente. Seu engenheiro pediu alguma moderação, para cuidar dos pneus. “Não temos nada a perder”, respondeu o holandês. E partiu feito um louco para cima de George. Pelo rádio, o engenheiro se rendeu: “Dá para chegar em segundo, Max. Desde que você cuide dos pneus”. Ele nem respondeu. Estava ocupado em dar espetáculo.
Faltando dez voltas para o fim, Verstappen apareceu no retrovisor de Russell. Se tivesse faróis, piscaria. Colou no inglês, abriu a asa na subida do Café e tchau. Passou por fora, no S do Senna. Uma humilhação. Próxima vítima: Antonelli. Distância calculada: 2s. Pra cima dele.
Quando o #1 mostrou as garras atrás do menino da Mercedes, não restou nada mais ao engenheiro da equipe alemã que dizer: “Agora se vira aí”. Max encostou na volta 68. Percorreu os 4.309 m de Interlagos atrás do italiano, sem se precipitar. Preparou o bote para o S do Senna na volta seguinte. Não deu, subiu o Café um pouco distante. Fica para a próxima. Não deu de novo. Kimi, atendendo a pedidos, estava se virando.



E se virou divinamente. Defendeu-se como se tivesse dez anos de F-1 nas costas, e não dez meses. E recebeu a bandeirada 0s3 à frente do monstro da Red Bull. Norris venceu com 10s3 de vantagem para Antonelli. Foi sua sétima vitória no ano, 11ª na carreira. Depois de Verstappen, que conseguiu um dos pódios mais impressionantes da história, vieram, na zona de pontos, Russell, Piastri, Bearman, Lawson, Hadjar, Hülkenberg e Gasly. De Lawson, o sétimo, a Alonso, o 14º, as diferenças entre cada piloto foram menores do que 1s. A Ferrari abandonou com seus dois carros e perdeu até a terceira posição no Mundial de Construtores. Está com 362 pontos, contra 366 da Red Bull e 398 da Mercedes (a McLaren já conquistou esse título).
Foi um corridão, como se vê. E nem precisou chover.

CAPITAL PAULISTA (imprevisível) – Os serviços meteorológicos erraram tudo neste fim de semana. Ontem, era para chover o dia inteiro. Fez sol e calor na região de Interlagos e todas as atividades da F-1 aconteceram com pista seca. Para hoje, a previsão era de tempo firme, temperaturas baixas e sem chuva. Desde a hora em que cheguei ao autódromo, por volta das 8h30, já aconteceu de tudo. Fez calor, abriu o sol e, agora, a duas horas e meia da corrida, uma garoa forte toma conta da área.
Não dá para saber como estarão as coisas na largada, essa é a verdade. O que é bom. No seco, o GP da Capital Paulista seria muito previsível. Com pista úmida, aquele molha & seca que conhecemos, será a loteria de sempre.
Notícias da manhã: Max Verstappen e Esteban Ocon vão largar dos boxes. A Red Bull mudou tudo no carro do holandês. Apostando em quê — chuva ou seco –, não se sabe.
Pode ser que seja bem divertida, essa corrida. Que ótimo!

CAPITAL PAULISTA (sábado com sol e sem sal) – Lando Norris deu um grande passo para fechar o caixão do Mundial de F-1 agora há pouco em Interlagos. Fez a pole-position para o GP da Capital Paulista e ainda viu seus dois adversários na luta pela taça amargarem maus resultados. Oscar Piastri, que já levara um soco no estômago ao zerar na Sprint – vencida pelo companheiro –, larga em quarto. E Max Verstappen, que havia iniciado uma impressionante reação depois do fim das férias da F-1, jogou a toalha. “Esquece isso”, falou, quando lhe perguntaram sobre as chances de buscar o penta. Já tinha sofrido um golpe no México, com a volta de Norris ao primeiro degrau do pódio. Hoje, ficou em 16º na classificação.
Isso mesmo, 16º. Empacou no Q1. Saiu do carro cuspindo marimbondos e maldizendo o dia em que, quando era criança, se sentou num kart pela primeira vez. “Eu poderia ter virado contador!”, gritou pelo rádio – a transmissão oficial não mostrou, mas me contaram que foi isso mesmo. “Por que não estou em Belém vendendo açaí? Por que não virei artesão para vender pulseiras e tornozeleiras na praia no cará? Por que não fui estudar veterinária? Por que não fiz um curso de técnico em eletrônica do Instituto Universal Brasileiro?”



Ninguém tinha essas respostas. O fato é que o grid para a corrida de Interlagos, Norris à parte, já que era mesmo o favorito à posição de honra, ficou bem esquisito. Além da debacle inesperada da Red Bull, o povo que foi ao autódromo viu uma Ferrari degolada no Q2, a do cidadão honorário e queridinho da Santa Igreja da Sexta Marcha Lewis Hamilton. Uma vergonha. Viu, também, uns carros meio sem noção entre os dez primeiros, como o Alpine Mercado Livre de Pierre Gasly, o verde-alface de Nico Hülkenberg e dois cartões de crédito ambulantes, de Isack Hadjar e Liam Lawson.
Pior para os patriotas foi não ter ninguém para torcer, já que Gabriel Bortoleto não conseguiu ir para a pista depois do acidente da Sprint. A Sauber até que tentou, montou um carro novo em tempo quase recorde, ele chegou a botar o capacete e entrar no cockpit, mas aí alguém percebeu que esqueceram de colocar o carburador e de instalar o relê da ventoinha, e o brasileiro nem saiu da garagem. (Brincadeira, eu sei que carro de F-1 não tem ventoinha.)
Foi a sexta pole de Norris na temporada, 15ª na carreira. Ela foi obtida, no fim das contas, numa tarde de sábado quente e sem chuva, sem que se concretizassem, ainda bem, as previsões catastróficas dos meteorologistas – quem quer um ciclone? — e aquelas feitas duas semanas atrás pelos propagandistas do GP, que antecipavam “fortes emoções” em Interlagos porque ia chover “com certeza” – de onde veio tal convicção, não sei.

Não choveu hoje e não vai chover amanhã. O que tinha de acontecer em termos pluviométricos aconteceu de madrugada, por volta das 3h – chuva forte com bastante vento em várias regiões da cidade, inclusive onde fica o autódromo.
O dia, porém, amanheceu seco e nublado. E já não havia sinal de água na pista quando começou a classificação. O tempo firmou, a temperatura subiu a 26°C, o sol apareceu entre as nuvens e aqueceu o asfalto a 45°C – e aqui faça-se justiça aos apocalípticos e integrados: as equipes também trabalhavam com a expectativa do mau tempo.
O Q1 começou com quase todo mundo fazendo uma espécie de reconhecimento de terreno, já que as condições eram bem diversas das que foram enfrentadas ontem e hoje pela manhã. Pneus usados, voltas mais lentas, até a sessão pegar no breu.
Nos boxes da Sauber, o trabalho da equipe para montar o carro novo de Bortoleto seguia. As câmeras registraram o brasileiro com semblante tranquilo, primeiro, e de capacete, depois. Faltando menos de 5min para o fim do Q1, seu motor foi ligado. O piloto se ajeitou no cockpit e tentaria sair dos boxes para, pelo menos, saber se o carro funcionaria. Mas não conseguiu. Não deu tempo de acionar todos os sistemas, o cronômetro zerou e Gabriel apeou do carro. Pelo esforço, os mecânicos foram aplaudidos por todos nos boxes. Tentaram. Quase deu. O problema de Bortoleto amanhã será ir para a pista com um carro virgem, sem nenhuma possibilidade de trabalhar numa sintonia fina de acerto para os 4.309 m do circuito paulistano da capital paulista (já posso trabalhar em rádio, falando essas coisas).



O primeiro a baixar de 1min10s na classificação foi Oliver Bearman, com 1min09s891. A 2min do final do primeiro segmento, o inglês da Haas seguia na frente e vários candidatos às primeiras filas apareciam em posições pouco comuns – como Verstappen e Hamilton.
E o Q1 terminou muito estranho. Max foi eliminado com uma patética 16ª colocação, a 0s747 de Norris — que acabou em primeiro com 1min09s656. Foi a primeira vez desde o GP do Japão de 2006 que a Red Bull teve dois pilotos riscados no Q1. Naquela oportunidade, David Coulthard largou em 17º e Robert Doornbos, em 18º. OK no ano passado Verstappen era 17º no grid em Interlagos e venceu, mas foi aquela corrida doida com chuva, safety-car, pódio duplo da Alpine… Enfim, milagres e fenômenos paranormais que não acontecem todos os dias. E, como ele mesmo disse, “esquece”.
Esteban Ocon, Franco Colapinto, Yuki Tsunoda e Bortoleto, claro, foram os demais degolados. Atrás de Norris nas primeiras posições, duas surpresas: Pierre Gasly em segundo e Bearman em terceiro; ambos deixaram seus companheiros comendo poeira. Piastri foi o quarto e Charles Leclerc, o quinto.



No Q2, os tempos na casa “dos nove”, como a gente fala no linguajar dos boxes, começaram a abundar. Bearman voltou a liderar a tabela, seguido por Kimi Antonelli e Piastri. A McLaren só deu sinal de vida para valer quando Norris colocou pneus novos e virou 1min09s616, saltando para primeiro. E a bandeira quadriculada reservou melancolia para mais dois grandes campeões: Fernando Alonso, eliminado em 11º, e Hamilton, em 13º. Alexander Albon, Lance Stroll e Carlos Sainz se juntaram a eles e, cabisbaixos, foram para os vestiários mais cedo.
Norris, Bearman, Antonelli, Leclerc, Piastri, Gasly, Russell, Lawson, Hadjar e Hülkenberg avançaram para o Q3. O alemão, pela primeira vez no ano. McLaren, Mercedes e Aponta Para o QR Code foram as três equipes que levaram suas duplas adiante. Haas, Ferrari, Alpine e Sauber enviaram emissários isolados.
Para o Q3, o favoritismo da McLaren era gigantesco – especialmente no pé direito de Norris. Alguém podia incomodar? A Mercedes, talvez. Sem Verstappen na briga, quem sabe Leclerc? Difícil, a Ferrari faz tempo que não “performa” comentaria um farialimer usando seu verbo preferido.


Mas a primeira tentativa de Lando foi muito ruim, 1min10s548, o que o colocou em décimo na primeira leva de voltas rápidas. Piastri, enfim, nos lembrou que ainda está aqui e foi para a ponta com 1min09s897, apenas 0s002 à frente de Leclerc, que pouco antes havia “performado”.
Norris não podia pensar em errar de novo na sua segunda volta. Largar em décimo seria um desastre, jogaria no lixo tudo que conseguira até aqui no fim de semana – a saber, liderança no treino livre, pole para a Sprint, vitória na corrida curta e oito pontinhos mais do que desejáveis na briga pelo título.
Com isso em mente, fez uma volta boa, enfim: 1min09s511. Deixou Leclerc, que tinha superado Piastri, 0s294 atrás. E veio Antonelli para se colocar entre os dois e garantir a primeira fila a 0s174 do #4 papaia, um ótimo resultado para o menino maluquinho da Mercedes que melhorou muito, tem “performado”, depois do fim da temporada europeia. Tornou-se o terceiro mais jovem piloto da história a conseguir uma primeira fila do grid, aos 19 anos, 2 meses e 14 dias de vida. Para os registros, Stroll é o recordista (18 anos, 10 meses e 5 dias quando ficou em segundo no grid em Monza/2017 pela Williams) e Verstappen, o segundo (18 anos, 10 meses e 29 dias na Bélgica/2016 já na Red Bull).

O monegasco da Ferrari ficou em terceiro e larga ao lado de Piastri, que terminou 0s375 atrás do companheiro e voltou a murchar como um pé de manjericão que não é regado como se deve – a referência botânico-gastronômica é caseira; meu manjericão murchou. Hadjar, Russell, Lawson, Bearman, Gasly e Hulk fecharam os dez primeiros, nessa ordem.
Um grid meio incomum, que coloca Norris na condição de favorito absoluto à vitória amanhã. Como não há previsão de chuva, a corrida se torna bem previsível. Além do mais, seus desafiantes mais diretos, Piastri e Verstappen, estão mais perdidos em Interlagos do que capivaras num ringue de patinação no gelo (de onde tirei isso?).
Desconfio que, por esses motivos, o campeonato acaba amanhã na capital paulista. Não matematicamente, claro – há 108 pontos em jogo, ainda. Mas se Landinho terminar a prova à frente da dupla Oscar & Max, o que parece muito provável pela configuração do grid, nocauteia o holandês e coloca o australiano nas cordas com três etapas pela frente para fechar a temporada.
E é o que acho que vai acontecer, o que seria um anticlímax danado. Mas nem tudo é como a gente quer, não é mesmo?

CAPITAL PAULISTA (22°C, sol entre nuvens) – Lando Norris venceu a Sprint de hoje em Interlagos e ampliou sua liderança no Mundial. Somou oito pontos, três a mais que Max Verstappen, o quarto colocado. Agora, está 39 à frente do holandês na classificação. E nove à frente de Oscar Piastri, seu companheiro de McLaren, que bateu no início e zerou – vive uma péssima fase, o australiano. Mas o que marcou a minicorrida da capital paulista foi um violentíssimo acidente com Gabriel Bortoleto na última volta. O piloto da Sauber disse pelo rádio que estava bem assim que seu carro, totalmente destruído, parou na área de escape do S do Senna. O brasileiro tentava ultrapassar Alexander Albon pela décima colocação. Quando tirou o carro para a esquerda, sua asa móvel estava aberta e ele perdeu o controle, batendo no muro e, depois, na barreira de proteção do outro lado da pista.
No momento em que este texto foi concluído, 13h pelo horário da Brasilândia, a Sauber já havia informado que o piloto passou por exames no centro médico do autódromo e foi liberado sem que fosse constatado algum ferimento. O time tentaria construir um novo carro para a classificação, que começa às 15h. Para isso foi preciso recorrer ao chassi reserva que todas as equipes têm nos GPs, sempre desmontado — antigamente os times tinham carros reserva prontos para uso, o que foi proibido a partir de 2008 para reduzir os custos da categoria.
Apesar da pista úmida, resquícios das tempestades que assolaram a capital paulista durante a madrugada, a primeira volta da Sprint foi tranquila, com uma única rodada no fundo do pelotão após refrega entre Oliver Bearman e Liam Lawson. O inglês deu um corrupio, mas não bateu em nada. Um xingou o outro, o outro xingou o um, e a vida seguiu.
Norris, Kimi Antonelli, Piastri e George Russell se mantiveram nas quatro primeiras posições, as mesmas que ostentavam no grid. A melhor largada foi de Lewis Hamilton, saltando de 11º para oitavo.

Tudo estava tranquilo até a sexta volta, quando três pilotos rodaram e bateram sozinhos na Curva do Sol, praticamente ao mesmo tempo: Piastri, Nico Hülkenberg e Franco Colapinto. Foi uma sequência que lembrou muito o que aconteceu em 2003, quando cinco carros se acidentaram no mesmo ponto, debaixo de chuva. Naquela ocasião, havia um riacho atravessando a pista paulistana, o que acabou vitimando Michael Schumacher, Antonio Pizzonia, Juan Pablo Montoya, Jenson Button e Jos Verstappen. Foi um GP dos mais loucos, aquele de 22 anos atrás. Teve de ser encerrado antes do tempo depois de um acidente muito forte de Fernando Alonso na Subida do Café e a direção de prova nem sabia quem tinha vencido. Deram o troféu a Kimi Raikkonen, da McLaren, para descobrir bem depois que o ganhador era mesmo Giancarlo Fisichella, da Jordan – as taças foram trocadas na etapa seguinte, em Ímola.
Os três que bateram hoje cometeram o mesmo erro primário: pegaram a zebra do lado esquerdo no contorno do Sol e esqueceram que ela estava bem molhada. Afinal, se não choveu em Interlagos desde as primeiras horas da manhã, de madrugada o tal do ciclone extratropical mandou seu recado com muita água e vento, raios e trovões. Isso depois de causar muita destruição e mortes no Paraná.

Zebra molhada, acelerando e em curva só tem um desfecho: roda mesmo. Com três carros batidos, detritos por todos os lados e a contenção de pneus desmilinguida, a direção de prova acionou o safety-car. Mas estava claro que ia demorar muito para limpar a sujeira e recompor a barreira. Por isso foi necessário parar a corrida com bandeira vermelha. O reinício se daria na oitava volta, um terço da distância original da Sprint.
A Sauber arrumou o carro de Hülkenberg, que logo depois de rodar conseguiu voltar à pista e aos boxes só com o bico quebrado. O reinício da corrida se deu depois de cerca de 20 minutos, com largada em movimento. Norris, durante a paralisação, trocou seus pneus médios por macios. Antonelli, Russell e Verstappen, que tinham macios no início, colocaram médios.

Russell e Antonelli tiveram uma disputa perigosa na relargada, mas no fim salvaram-se todos, com o italiano mantendo a segunda posição. Verstappen passou Alonso e assumiu o quarto lugar.
Na metade da corrida, 12 voltas, Norris, Antonelli, Russell, Verstappen, Alonso, Charles Leclerc, Hamilton e Lance Stroll eram os oito primeiros. Bortoleto, o 11º. Lando, na altura da volta 16, começou a se preocupar com seus pneus traseiros. Mais para trás, Alonso puxava um trenzinho com dois vagões vermelhos e se segurava em quinto pressionadíssimo pela dupla da Ferrari. À frente deles, Russell e Verstappen corriam sozinhos, longe de tudo e de todos.
O jovem italiano da Mercedes tinha pneus em melhores condições que Norris e passou a insinuar um ataque na volta 21. Estava menos de 1s atrás do inglês, podendo abrir sua asa móvel nos dois trechos de Interlagos em que isso é permitido. O líder do campeonato se virava para manter a ponta. Pouco antes, Leclerc, finalmente, ultrapassou Alonso e subiu para quinto.






Na última volta, porém, o acidente com Bortoleto ofuscou completamente o resultado da Sprint. O brasileiro tinha passado Isack Hadjar, estava atrás de Albon e, na freada para o S do Senna, com a asa aberta, perdeu o controle do carro, que apontou para o lado esquerdo, bateu no muro, ricocheteou para o meio da pista e, por muito pouco, não acertou o tailandês da Williams na volta. Foi bater de novo do outro lado depois de decolar num desnível da pista e voltou para o meio da área de escape completamente arrebentado.
Pelo rádio, imediatamente, Gabriel disse que estava OK. Mas a imagem era assustadora. Não sobrou nada do carro. Meio grogue, ele conseguiu sair andando do cockpit, com a ajuda dos paramédicos.


Norris, Antonelli, Russell, Verstappen, Leclerc, Alonso, Hamilton e Pierre Gasly foram os que marcaram pontos na Sprint. Lando venceu uma Sprint pela terceira vez na carreira. O recordista é Verstappen, com 13 vitórias. O resultado deixa Norris com 365 pontos, contra 356 de Piastri e 326 de Verstappen.
No Mundial de Construtores, a Mercedes marcou 13 pontos e foi a 368, passando novamente a Ferrari na briga pelo vice-campeonato. Os italianos estão com 362. Mais distante vem a Red Bull com 351. A McLaren, campeã antecipada, tem 721.
O grid para o GP da Capital Paulista sai a partir das 15h.
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